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Carnavalize

 


por Talitha Dejesus


“Assim como as palavras, as pessoas que as escrevem não podem ser apagadas.” 
(Carolina Maria de Jesus, 1960)


Dia 14 de março é o dia do nascimento da escritora Carolina Maria de Jesus e nada mais justo do que celebrar sua vida e seu legado. Você pode estar se perguntando: ‘’Qual a ligação da escritora com o Carnaval ou com o samba?’’, mas ao longo desse texto você vai compreender…

Antes de fazer esse paralelo da história da escritora com o universo do Carnaval, precisamos entender quem foi essa mulher e a importância dela para a cultura brasileira. A intenção aqui não é contar sua biografia, mas sim exaltar sua contribuição para a literatura brasileira e levantar reflexões sobre a vida e o legado dessa figura multifacetada que foi escritora, poetisa, compositora, sambista e muito mais. 

Vinte e seis anos após a Abolição da Escravatura, nasce Carolina na cidade de Sacramento, em Minas Gerais. Neta de escravizados e filha de lavadeira, frequentou a escola por apenas dois anos, onde pegou o gosto pela leitura e escrita. Ela chegou a São Paulo quando a cidade estava em processo de modernização e viu as primeiras favelas aparecendo. Construiu o seu barraco e, em 1947, se alojou na favela do Canindé. Lá, trabalhou como catadora de papel para sustentar a si e a seus três filhos que criava sozinha.

Carolina ficou mundialmente conhecida por seu livro ‘’Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada’’. O best-seller, publicado em 1960, relata suas vivências na favela e sobre como sobreviveu à fome. Nele, ela descreve a dor, o sofrimento e as angústias dos favelados de forma única, retratando a realidade assim como ela é, o que até hoje segue sendo um relato atual da condição de vida das favelas brasileiras. Após o lançamento, seguiram-se três edições, com um total de 100 mil exemplares vendidos, tradução para 13 idiomas e vendas em mais de 40 países.

 
Carolina em 1961, antes de embarcar para o Uruguai para lançar o best-seller Quarto de Despejo.(Foto: Acervo Estadão)


Sabemos que a história dos negros e das mulheres sofre tentativas de apagamento diante de uma sociedade racista e machista. Carolina também foi vítima desse processo de invisibilidade, de forma dupla, por ser mulher e negra. 

O que poucos sabem é que Carolina, para além do Quarto de Despejo, publicou ainda em vida mais três livros e deixou guardadas mais de cinco mil páginas manuscritas, totalizando 58 cadernos que contêm sete romances, mais de sessenta textos com características de crônicas, fábulas, autobiografia e contos, além de mais de cem poemas, quatro peças de teatro, doze marchinhas de Carnaval e, em 1961, chegou a gravar um disco com canções compostas por ela mesma.

Apesar de silenciada, depois do estrondoso sucesso, ela se mantém como uma importante representante da literatura brasileira, tendo sua escrita como ferramenta de denúncia, protesto e desabafo. 

A autora também anuncia os dilemas de ser mulher: quando criança, desejou mudar de gênero e sonhou em se tornar homem. Isso não aconteceu porque queria mudar seu corpo, mas por conhecer as barreiras que lhe trariam sua condição feminina. Em seus escritos, também podemos encontrar muitas marcas de oralidade, que entendemos como uma herança africana. Ao relatar as suas próprias histórias cotidianas, ela reverencia os griôs – em alguns povos da África, eles são contadores de histórias que têm o compromisso de preservar e transmitir conhecimento e cultura. 

 
Carolina às margens do rio Tietê. (Foto: Reprodução)

A escritora era moradora da favela do Canindé, próxima ao rio, e era ali onde ela lavava suas roupas e pegava água para seu consumo e de seus filhos. Alguns trechos de seu best seller relatam a relação da autora com o Tietê. 

A ascensão da literatura negra e da literatura feminina foi fundamental para sua retomada ao cenário literário e acadêmico. Seus livros passaram a ser tema de teses e dissertações nas universidades e se tornaram leituras obrigatórias em escolas e vestibulares.
Como forma de manter seu legado, podemos encontrar muitas homenagens à autora em documentários, peças de teatro, pinturas, grafites, poemas, reportagens, feiras literárias, nomes de ruas e bibliotecas e muito mais…

Levando em consideração as origens da festa carnavalesca, é muito comum sermos presenteados com enredos sobre ancestralidade, religiões de matrizes africana e homenagens a personalidades negras, como é o caso de Carolina Maria de Jesus, que já foi homenageada no Sambódromo do Anhembi e na Marquês de Sapucaí. 

Como forma de reverenciar essa figura gigante, fã da folia e reforçar seu legado cultural e social, vamos relembrar desfiles em que a escritora foi homenageada: 

Desfile da Renascer em 2017. Foto: Ana Cristina Victória

Em 2017, pelo grupo de Acesso A, a escola de samba Renascer de Jacarepaguá desfilou com o enredo ‘’O Papel e o Mar’’, baseado num curta-metragem com o mesmo nome que narra um encontro imaginário entre a escritora e o almirante negro João Cândido, líder da Revolta da Chibata.

Foto: O Globo.


No Carnaval de 2018, Carolina foi homenageada pelo Salgueiro, dentro do enredo ‘’Senhoras do Ventre do Mundo’’, que fazia um tributo à mulher negra, representando desde rainhas guerreiras a figuras contemporâneas da força feminina. O carro que encerrou o desfile trazia uma releitura da obra Pietá, de Michelangelo, que em sua versão original representa Jesus Cristo morto nos braços de Virgem Maria e, no desfile da agremiação, era uma mulher negra vestida com textos da escritora retirados do livro "Quarto de Despejo".



Levando o campeonato do Carnaval carioca em 2019, com ‘’História pra ninar gente grande’’ a Estação Primeira de Mangueira também prestou homenagem à Carolina. A ala “São Verde e Rosa as Multidões” representou as multidões de moradores de comunidades espalhadas pelo Brasil, com homens e mulheres carregando bandeiras de grandes personalidades, como por exemplo, o da escritora. 

Foto: Riotour.

“Nas encruzilhadas da vida, entre becos, ruas e vielas, a sorte está lançada: Salve-se quem puder!” foi o enredo da União da Ilha no Carnaval de 2020. Apesar do rebaixamento, o desfile tratou o tema importante da exclusão e invisibilidade social e mostrou que o caminho para vencer as mazelas é a educação. Com isso, a escola trouxe um elemento cenográfico no início do desfile homenageando a escritora em sua comissão de frente. 

Também em 2020, mas dessa vez no Sambódromo do Anhembi, Carolina foi reverenciada dentro do desfile da escola de samba Tom Maior. Com o enredo ‘’É Coisa de Preto’’, a escola teve como proposta enaltecer a negritude e lembrar como o povo negro contribuiu com o desenvolvimento da sociedade. Enaltecendo figuras negras que o racismo estrutural tentou ofuscar, Carolina foi uma das homenageadas em uma ala, que tinha como figurino páginas de um livro e, no chapéu, reprodução dos barracos da favela do Canindé. 

‘’Salve o povo da rua. 
Abre caminhos pro destino abençoar
Sou eu, Carolina de Jesus 
A voz da pele preta a ecoar.’’

 

Esse é o trecho do samba enredo da Colorado do Brás para o próximo Carnaval. A escola levará para a avenida o enredo “Carolina - A Cinderela Negra do Canindé”, que será desenvolvido pelo carnavalesco André Machado, em sua estreia na agremiação. 

Carolina nunca parou de escrever e nunca parou de dizer. Suas obras se tornaram a impressão da voz negra e feminina e daqueles que, por muito tempo, foram invisibilizados. Seu legado se perpetuou através do tempo para que nunca se esqueçam de que ela foi uma mulher negra resistente e representante da cultura brasileira, dentro e fora do nosso país. 

A vivência de Carolina é um grito de socorro que precisa ser ouvido, afinal, quantas Carolinas não existem por esse nosso Brasil? 





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Sinopse do enredo do Império da Tijuca pro carnaval 2021

“SAMBA DE QUILOMBO: A RESISTÊNCIA PELA RAIZ”

IMPÉRIO DA TIJUCA – CARNAVAL 2021


Estou chegando. Venho com fé, respeito mitos e tradições. Trago um canto negro e aquela gente de cor, com a imponência de um rei, vai pisar na passarela. Vamos esquecer os desenganos, viver a alegria que sonhamos, mas depois da ilusão...será que o samba ainda está em nossas mãos?

A poesia do negro partideiro ficou pra escanteio quando “visual virou quesito”. Valendo apenas quem se veste mais bonito as custas de muito dinheiro. Falsos valores escritos por “brancas mãos” de intelectuais e acadêmicos que invadiram nossos terreiros. Carnaval virou mercado, produto de Estado. Mas não me incomodem, por favor. Samba é verdade do povo, ninguém vai deturpar seu valor!
        Nasci manifesto, preto protesto à luz de Candeia, na viola de Paulinho, na poesia de Nei e Moreira. Batizado pela resistência e bravura de Palmares, da união e insatisfação de irmãos baluartes. Compositores “quilombolas” cantando com pés no chão fundaram a “Nova Escola”.
Em meu pavilhão, o branco inspirado na simplicidade da paz, sintetizando um mundo de amor, simbolizado no dourado e lilás. Aqui todos podem colaborar, mas ninguém pode imperar. A sabedoria é meu sustentáculo e meu princípio é o amor. Sou a casa da nossa cor, que carrega no peito a ancestralidade e tradição, desabrocha sua arte e lugar de fala, no corpo, na voz e nas mãos.
Se manifesta no girar da baiana; no versar de um partideiro. Por poemas, filmes e melodias; pelos debates e discursos no terreiro. Movimento pelo compositor, por reconhecimento das barreiras que preto enfrenta nesse país. Mas exaltando toda a riqueza de nossa raiz e compreendendo que o samba é quem faz nossa gente mais feliz. Extraio o belo das coisas simples que me seduzem, sendo lar de sambista e centro das artes da negritude.

Logo oficial do enredo do Império da Tijuca pro carnaval 2021

No barato tecido, um folclore negro colorido, na cultura popular ancestral, a estampa do sorriso. Cortejam Afoxés e Macaratus, bailam jongueiros e Lundus. No balanço de um samba de Caboclo, na ginga de um capoeira; no miudinho de um Partido Alto, num pandeiro, tamborim e viola que toque a noite inteira. Não me apavora nem rock, nem rumba e pra acabar com tal de “soul” basta um pouco de macumba! Girem saias e guias, ecoem louvores e cantares aos santos, deuses e orixás pelos heróis de nossa liberdade. Salve Dandara, Ganga Zumba, Luiza Mahin, Maria Felipa, Manoel Congo. Valeu, Zumbi!

Sai pelas ruas do centro e dos subúrbios com minhas baianas rendadas, sambando sem parar. Com minha comissão de frente digna de respeito, carregando no peito minhas origens através de enredos. Fiz “Apoteose das mãos” em meu primeiro cortejo, ao som de Martinho devolvi ao estandarte a história das origens negras “Ao povo em forma de arte”. Pelos versos de Luiz Carlos, cantei Solano Trindade; pelos versos de tantos mestres celebrei Zumbi e comemorei os noventa anos da liberdade.

Plantei a semente, cultivei a raiz, flori e deixei herança. Sou Quilombo! Eu sou o povo, sou canto, sou dança! Sou Candeia! Sou voz que não cansa de lutar para negro alcançar seu dia de graça. Então, não negue a raça! É hora de fazer Kizomba mais uma vez para a Conceição padroeira abençoar seus filhos quilombolas, que hoje também são da Formiga e desfilam na avenida todo o nosso cantar. E é por isso que eu canto...

Axé, Tijuca! Ora yê yê ô!


Por Guilherme Estevão

*Inserções feitas no texto com trechos do Manifesto do G.R.A.N.E.S Quilombo; músicas “Dia de Graça”, “Nova Escola”, “Sou Mais samba” de Candeia; “Ao povo em forma de arte” de Martinha da Vila,  “Solano, Poeta do Povo” de Luiz Carlos da Vila e “Visual” de Beth Carvalho.


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"Quem nunca? Que atire a primeira pedra! "

Fala sério aqui com a gente, "de boas", "numa boa", francamente: quem nunca saiu dos trilhos, perdeu o prumo, deu detalhe, rodou a baiana, chutou o balde e o pau da barraca, armou um barraco ou mesmo deu uma virada de mesa? Um deslize, uma gafezinha qualquer ou uma falta de educação das grossas mesmo? Quem nunca? Eu, você, todo mundo, pelo menos uma vez, já esqueceu etiquetas, manuais e regulamentos e atravessou o samba na passarela dessa vida.

Que atire a primeira pedra quem nunca. Ou melhor, atirar pedra, não, porque aí já é falta de educação outra vez.

Tão humano quanto o ato bíblico de atirar a primeira pedra são os nossos maus hábitos que expressam impaciência, egoísmo, descuido, intolerância, "jeitinho". ou até falta de informação.

Furar fila, fingir estar dormindo pra não ceder o banco do ônibus pra idoso ou gestante, colar chiclete embaixo da mesa, lançar a guimba do cigarro na calçada ou aderir àquele pacote do "gatonet" chegam a ser "fichinha" perto de uma série de atitudes questionáveis. E aí cada um (do alto do seu telhado de vidro) lança aquela velha máxima: "faça o que eu digo, não faça o que eu faço".

O motivo do nosso enredo é educação, só que a gente resolveu falar dela pelo viés irreverente e crítico da FALTA de educação, de coisas que fazemos que comprometem o nosso dia-a-dia, a nossa convivência e o nosso futuro.

Quem nunca lançou a latinha de refrigerante pela janela do carro, avançou o sinal vermelho, dirigiu com aquela dose de cervejinha na ideia ou acima da velocidade permitida?

Do preguiçoso que entra na via sem ligar a seta e do apressadinho que pensa que buzina é almofada até a madame ou executivo de carrão que dá "conferência" pelo celular (e não "tá nem aí" que o sinal abriu), é deseducada a vida no trânsito, camarada! Haja direção defensiva!

Nas vias das redes sociais, meio capaz de unir as pessoas aos quatro cantos do mundo, quem nunca largou o pé do freio e destilou (ou sofreu) uma indireta, um "piti"? Quem nunca testemunhou, pelo menos, xingamentos e toda sorte de discriminação (racismo, homofobia, assédio, bullying) através de postagens de quem quer impor a própria opinião e se vale do mundo movediço dos perfis virtuais? E na corrida por likes, têm aqueles que reproduzem qualquer coisa que chame a atenção, nem se dando ao trabalho de ler e de checar a informação.

No país do carnaval, de mais de duzentos milhões de carnavalescos, quem nunca saiu detonando um enredo nas redes de "amigos" sem mesmo ler a sua sinopse ou aguardar o seu desenvolvimento na Avenida?

Ainda sobre o uso das novas tecnologias, quem nunca falou alto ao celular dentro do ônibus, do trem ou da van lotada? Cá entre nós, hein, ninguém merece saber que o passageiro ao lado saiu com a mulher do vizinho noite passada ou ter que acompanhar o vídeo do "sem noção" sem fone de ouvido, não é mesmo? E haja capacidade de armazenamento do celular pra suportar tantas "fofurices" e correntinhas diárias a nos desejarem bom dia, boa noite, boa semana, boa sexta, feliz sábado. Ufa! Esses novos "brinquedinhos" deviam vir com um manualzinho de ética, fala sério!

E quem nunca se livrou daquela inofensiva sacola de lixo no rio perto de casa? Aquela sacolinha plástica que você descarta e ela ainda leva anos e anos pra se decompor. De sacolinha em sacolinha os rios "enchem o saco"! E aí é sacolinha, sacolão, tampa de privada, sofá. enchentes, transbordarmentos, desabrigados, mortos. Uma avalanche de tristeza!

Mas nem tudo é desgraça já que nossas faltas também gostam de uma farra. Nas festividades e encontros populares (nos estádios de futebol, no réveillon, no carnaval.), "ninguém é de ninguém", e na praça, na praia, na rua o que é público também parece não ser; consciência toma sumiço e juízo de multidão não tem dono: malandro sarra na moça em condução lotada, chafarizes de mijões regam a cidade, falso torcedor sai de casa pra brigar, monumentos são destruídos, fachadas sofrem pichações que distorcem a beleza da cidade e comprometem a arte do povo grafiteiro.

A conta vem depois, quando a gente descobre que o que é público é nosso e é a gente que paga. Na pátria do carnaval e das chuteiras, o futebol nos traz imagens pertinentes: bola murcha, gol contra, impedimento. Ah, e um cartão vermelho para as faltas daqueles que se escondem na multidão.

Como se vê, no trânsito, nas redes virtuais, no meio ambiente, nos encontros das massas etc e tal, estamos meio mal.
.
#SóQueNão.

Nossa conduta não é de todo ruim. Afinal, somos seres inteligentes, sempre capazes de aprender. A última parte do nosso enredo é uma ode às maravilhas que o Conhecimento é capaz de edificar, aos monumentos que são o respeito ao outro e aos códigos coletivos, à convivência harmoniosa de contrários, à ética, à preservação ambiental, à construção de novas realidades por meio do estudo, da leitura, da pesquisa e da inovação.

Albert Einstein, o grande físico, já dizia que "a mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original." É assim que o tema da Educação nos inspira e se funde à ESCOLA de Samba G.R.E.S. Acadêmicos do Grande Rio (com seu saber cultural, afetivo, informal e ancestral, de "tias", "tios", "pais" e "mães", professores nossos do dia-a-dia), deixando um rastro positivo à comunidade de Caxias e aos Pimpolhos da Grande Rio, futuro da arte do samba e da humanidade.

E quem nunca fez uma faxina profunda, animada por aquela batucada estridente que enlouquece a vizinhança? O final do nosso desfile reserva uma "limpeza" geral, "enxaguando" nossos maus hábitos, removendo metafórica e alegremente as "crostas" que nos impedem a uma evolução "nota 10". Afinal, entendemos que uma das grandes potências do carnaval é a possibilidade de aprendizado através da alegria, do movimento e do encontro dos corpos e da criatividade das mentes - sentido pedagógico este que congrega as diferenças e revitaliza o Ser.

O momento simbólico de aprendizado do nosso enredo não é, evidentemente, a imagem da "lavagem cerebral", que fomenta a solidão da ignorância, o desmazelo com o meio ambiente, o fundamentalismo de ideias ou qualquer tipo de polarização norteada pelas faltas de gentileza, empatia e compreensão, mas uma purificação que expande a consciência, dá-lhe Saber, lava a alma e eleva o Espírito.

(Antes de terminar, vale lembar: "educação" vem do latim "educare", que deriva de EX (que significa "fora"), junto a DUCERE ("guiar, instruir, conduzir"). Portanto, educar-se é conduzir-se para fora, sair do isolamento de si e dos próprios (maus) hábitos, ou, se quisermos, é superar os limites de nossa "caverna" escura, alegoria platônica).

Ainda temos jeito - aquele "jeitinho" que brasileiro adora e que também pode ser para o bem. Podemos aprimorar o indivíduo e as relações coletivas e ainda tentar deixar o Planeta da forma como o recebemos: maravilhoso, abundante, generoso e cuidadosamente pensado para nos "darmos bem" por aqui, sobre a Bola!

Refinar a mente, os hábitos e a vida para que sigamos em frente, com harmonia, na linguagem, na comunicação, no dia-a-dia é passo essencial para um final de Enredo feliz, alegre e pleno, aqui e no futuro, que pertencerá aos Bem Educados.

Proposição/Argumento: Renato Lage e Márcia Lage
Texto/Desenvolvimento: Izak Dahora

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“Cada macaco no seu galho. Ó, meu Pai, me dê o pão que eu não morro de fome!”
Através dos “olhos” do pavão, animal que traz a visão de Deus pela alma e elimina o mal com suas garras, a Unidos da Tijuca vai passar uma mensagem de esperança em dias melhores por meio da história e simbologia do pão. Assim como no pavilhão tijucano, o pavão guiará a escola a revelar a trajetória do alimento mais popular do planeta.
Em tempos de ódio gratuito, intolerância para todos os lados, e do politicamente correto, o enredo se utiliza de um ditado popular para sinalizar que, se cada um fizer a sua parte, o mundo há de ser mais justo. A agremiação frisa aqui que a expressão “cada macaco no seu galho” utilizada no tema nem de longe lembra o significado primitivo do termo, que era usado para discriminar a população negra. Dentro do contexto do desfile da Tijuca, o ditado assume o sentido irreverente característico dos cariocas. Ou seja, é “cada um no seu quadrado” em busca de uma sociedade melhor.
Essência de todas as escolas de samba, os negros foram (e são) o pilar desta festa. Portanto, seria contraditório denegrir quem fez e faz pelo maior espetáculo da Terra.
O título do enredo ainda traz uma frase de clamor pelo pão que alimenta, seja o corpo ou a alma. Desde a sua descoberta, ele vem curando as necessidades de muitos, fortalecendo a construção de sociedades. O pão é o fio condutor que nos levará até os dias atuais.
Afinal, de acordo com o historiador alemão Heinrich
Eduard Jacob, “nenhum outro produto, antes ou depois da
sua descoberta, dominou o mundo antigo, material e espiritualmente, como o pão foi capaz de fazer”.
Desenvolvimento
Através dos “olhos do Criador”, revejo o surgimento do alimento mais importante e sagrado do mundo. Na Mesopotâmia, um dos berços da civilização, o homem primitivo percebe que a simples exposição ao sol de um punhado de cereal, batizado como trigo, faz nascer uma massa intrigante. A “descoberta” dali para frente alimentaria a humanidade.
Foram os egípcios que, com inteligência e sagacidade, iniciaram o processo de fermentação dessa massa, dando origem ao Pão. Ele rapidamente ganhou traços simbólicos, seja como moeda de troca ou instrumento político.
Do pão, foi mantido um Império. Reis e rainhas caíram. Revoltas e revoluções surgiram.
O povo explorado, muitas vezes escravizado, sempre trabalhou pelo alimento de cada dia. O humilde proletário, que madruga atrás de condução, também está em busca de uma vida melhor. E é na fé que esse homem se sustenta. Fé encontrada no filho de Deus, que se fez carne entre os pecadores. O Cordeiro de Deus deixou-nos o exemplo da multiplicação e partilha do amor com os irmãos.
Assim como Jesus Cristo, outras santidades dão verdadeiras lições de que, se cada um fizer a sua parte, mesmo que pequena, fabricaremos, amassaremos a mistura, que ao crescer, salvará nosso mundo da fome de alimento, e de sentimentos.
Até porque vivemos em uma realidade tão cruel, em que muitos ainda não têm acesso ao básico para viver. Os abusos de poder massacram os desfavorecidos. Estamos
no forno, assando, sofrendo, queimando no descaso de quem deveria olhar pela prosperidade de todos.
Ah se todos fizessem a sua parte…
Se os ardilosos com seu egoísmo e ambição fossem extintos…
O ditado popular “Cada macaco no seu galho” nunca foi tão essencial como agora. Não no seu significado primitivo, que era usado para discriminar a população negra – povo que é a essência das nossas escolas de samba. Se cada um dentro do seu ofício fizer o melhor, teremos o nosso pão e não morreremos de fome.
É preciso colocarmos no coração verdadeiramente a mensagem do Pão da Vida para podermos viver nas glórias de um Paraíso Real.
Enquanto não desfrutamos desta abundância, sei que tudo poderá me faltar: água, pão… Mas nada tirará o meu ânimo de viver. Nada! Porque sei que nunca me faltará o teu amor, Pai. Amor que gerará filhos, nascidos sem dor. Filhos que crescerão como homens de bem, direitos. Direitos que serão ensinados para vivermos em um mundo melhor.
Ouço o teu clamor, por isso, cubro-te de amor e fé pois este é o verdadeiro alimento da sua alma.
Unidos pela arte e cultura popular
Coordenação geral: Laíla
Diretor de carnaval: Fernando Costa
Carnavalescos: Annik Salmon, Fran Sérgio, Hélcio
Paim e Marcus Paulo
Desenvolvimento: Annik Salmon, Fernando Costa, Fran Sérgio, Hélcio Paim, Igor Ricardo, Laíla, Marcus Paulo
Pesquisa e texto: Igor Ricardo
Agradecimento


Obrigado, meu Deus, obrigado por mais esse dia. Obrigado pela minha família, pela oportunidade de mais uma vez te encontrar de braços abertos para carregar em teu colo os meus desejos, as minhas dores, os meus desafios. Obrigado, meu Deus, por iluminar meu caminho, protegei minha casa, minha mulher, protegei meus filhos. Cubra-me de amor e fé porque esse é o verdadeiro alimento da minha alma. Iluminai a cabeça daqueles que vivem na escuridão, consolai aqueles que tanto precisam do teu amor. Proteja aquele que vai em busca do pão de cada dia, mas sobretudo cubra de graças aquele que se levanta para ir em busca de um emprego. Que o clarão do dia que está para chegar, traga o sol da tua bondade e aqueça o nosso coração. Sei, meu Deus, que pode me faltar a água, o pão, um teto, um abraço, mas sei que nada disso é tão importante que me tire o ânimo e a alegria de viver. Sei que nesta vida tudo poderá me faltar. O que nunca me faltará é o Teu Amor, Pai.
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Após longa travessia pelos oceanos, centenas de milhares de Africanos desembarcam nos Portos do Rio de Janeiro, Paraty, Mangaratiba e Cabo Frio. Seu destino, o Vale do Café Sul Fluminense. A pé, enfrentando todas as intempéries climáticas, marcham sobre sol e chuva, pés descalços e com fome, rumo ao grande Vale de terras férteis, verdes matas, mas também de dor e escravidão; lar de seus lamentos, sua labuta e saudade. Assim o negro chega ao Vale do Paraíba, posteriormente conhecido como o Vale do Café. Esse plantado e colhido por mãos escravas.

 “O Nêgo tá cansado de trabaiá... Trabaia... Trabaia Nêgo...” 

Graças a sua chegada e ao ouro negro por eles cultivado, nasce uma áurea e aristocrática sociedade escravagista com toda pompa, luxo e alta cultura, como deveria ser uma próspera sociedade nobiliárquica rural.

O Vale é tomado por arte em forma de concertos, óperas, poesias, festas, ourivesaria, valsas, polcas, saraus... Corte; oriundos do escorrer do sangue vermelho/negro a banhar cafezal. Mas, assim como esta sociedade branca escravocrata introduzia em seus costumes a cultura europeia, o negro africano miscigenava sua herança cultural com a da nova terra... 

"Foi na beira do rio, Aonde Oxum chorou... Chora iê iê ô, Chora os filhos seus..." (Ponto de Oxum)

 Assim brota a pluralidade que encontramos hoje em nosso Vale com ritmos sincopados em seus lundús, maxixes, jongos, figurinos multicores. Exú, Obaluaiyê, Ogum, Oxumarê, Iroko, Iansã, Xangô, Obá, Oxóssi, Logun Edé, Ossain, Oxalá, Oxum, Yemanjá, Nanã, Ybeji, coloridas e poderosas divindades da natureza e a crença em ervas, rezas e benzedeiras, força da raça que não se deixou intimidar com a chibata algoz de seus senhores.

 "Na hora em que a terra dorme, 
enroladas em frios véus, 
eu ouço uma reza enorme 
enchendo o abismo dos céus..." 
 (Castro Alves) 

O Vale se transformou... O cafezal virou cidade, a história e o turismo e a dor de outrora, poeira ao vento. A cultura se expande sobre a influência de imigrantes que vieram atrás do sonho dourado nas terras Sul Fluminense, pisando em chão negro e magicamente gerar filhos genuínos brasileiros, resultantes da mistura de raças. 

Nasce o novo dono do Vale... 

Sua arte é múltipla! Nela destacam-se o jongo, calango, maculelê, caninha verde, capoeira, sociedades musicais, Folias de Reis, viola sertaneja, choro, serestas, orquestras, balé, canto lírico, artes plásticas e o samba onde sua origem se dá nos Quilombos das Serras Fluminenses e cantado por sua filha maior, Clementina de Jesus. 

"Não cadeia Clementina... Fui feita pra vadiá..." ( Clementina de Jesus) 

 O artesanato e a culinária somados a todas essas manifestações artísticas e folclóricas atraem turistas do mundo inteiro, gerando renda e progresso. 

Na religiosidade encontramos as quermesses e novenas dedicadas aos Padroeiros de cada Altar Matriz com seus belíssimos jardins aos pés. N. S. da Conceição, N. S. da Guia, N. S. da Glória, São Sebastião, N. S. da Piedade, Santa Teresa D'Ávila, Santana, N. S. da Soledade, São Pedro e São Paulo, Santo Antônio e Santa Cruz, formam a Ciranda de fé que cada cidade ostenta como seus protetores. No entorno desses altares em ouro com seus anjos barrocos, os terreiros de Umbanda e Candomblé com seus pés descalços e o ocultismo místico, curam, rezam e Benzem ao som de atabaques e pontos mágicos; herança negra com seu sincretismo cultural. 

"A Treze de Maio, Na Cova da Iria, No Céu Aparece, A Virgem Maria..." (Hino Católico)
  
Hoje o Vale é pecuário, agronegócio. Festa de Peão e rodeio. Muito do que consumimos nas grandes cidades foram sementes e embriões enraizados em pastagens que outrora, foram antigos cafezais. 

A indústria de minério, têxtil, automobilística, o comércio em grande escala fazem do Vale hoje, uma máquina próspera e de grande renda que emprega seus filhos e cria oportunidades de crescimento sócio urbano.

A educação é presente nas redes Municipais e Estaduais com ensino público de qualidade, assim como uma infinidade de escolas particulares com propostas educativas de grande relevância. Universidade e Faculdades são um capítulo à parte devido a infinidade de cursos oferecidos. No Vale encontramos o grande Hospital Escola Severino Sombra que atende toda a população não só da região como de vários municípios do Grande Rio.

O Vale possui a sua rede de TV própria que reflete ao mundo a beleza do Vale do Café, gerando notícias e programas que mostram o seu povo com toda a sua diversidade cultural. A TV Rio Sul como grande agente divulgador da cultura do Vale do Paraíba Sul Fluminense e Sul do Estado do Rio de Janeiro. 

Passando todos esses anos desde a chegada do negro em nossa região, a Império da Tijuca traz para a Avenida Marquês de Sapucaí esse lindo rosário de pérolas em que cada município do Vale do Café, colore sua conta com o que seu povo tem de mais puro e belo, o AMOR! 

Fernando A. Portugal – Diretor Cultural 
Jorge Caribé - Carnavalesco 

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(Este enredo é uma ficção. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência. Ou não…)

“Meus conterrâneos, minhas concidadãs!

Neste espaço sapucaisticamente concebido para laurear os grandes vultos e acontecimentos deste pujante Brasil, elevo minha voz entusiasticamente para galardoar a obra de um apoteótico romancista, novelista e teatrista. Seu nome é no plural. Sim, no plural, porque não era apenas um. Era um bocado de gente que morava dentro de uma cabeça trepidante que vivia maquinando os causos e as astúcias de gente como eu, ou você, ou você e eu, e vice-versa. Um audaz dramaturgo cognominado Dias Gomes! Um valoroso artista, que com inventividade, prodigiosidade e, por que não dizer, vanguardisticidade, fez com que as histórias do seu povo corressem léguas e léguas por esse país de auriverde pendão.

Mas botando de lado os entretantos e partindo logo pros finalmentes, eu venho até vocês para fazer baixar neste sacralíssimo terreiro as distintas personalidades que esse luzente autor trouxe para a imortalidade dos nossos palcos e para a vitaliciedade das nossas telas. Vejo esculpido e encarnado em cada um dos senhores e senhoras a marca presente em todo ombro humilde que carrega a sua cruz pelas beiras das estradas da vida. Sim! Eu vejo a imagem e semelhança do fiel pagador de promessa de quem a sanha intolerante deu cabo na porta da igreja de Santa Bárbara, no preciso momento em que o despossuído cidadão cumpria a digna missão que Iansã lhe determinou: entrar na casa do Senhor com o símbolo da sua penitência e repartir o pouco que tinha com os desamparados. Até posso ver, meus abismadíssimos senhores e minhas perplexíssimas senhoras, o corpo estendido no chão, tombado e depois triunfalmente elevado como o Salvador entre dois pedaços de madeira cruzados, ao som dos din-din-don-dons dos berimbaus dos capoeiristas e do coro das filhas e das mães de santo. E em verdade eu vos digo: Oyá por nós, minha Santa Bárbara! Esse povo não sabe o que faz…

E meus engalanados compatriotas e minhas licorosas citadinas, ainda nessa peleja dos divinísticos contra os profanísticos da fé, se Deus e o Diabo descerem à Terra, sem guarda-chuva, sem bandeira, bem ou mal, certamente haverão de acertar as contas com seus santos. (Ou com seus demônios, que seja). Foi o que aconteceu lá nas plagas de Asa Branca, o berço do herói, onde o mito Roque Santeiro ressuscitou sem ter morrido, assim como a Porcina foi viúva sem nunca ter sido. Enquanto isso, na morna e cheirosa Sucupira, a brejeira Pérola do Norte, o povo não tinha nem onde cair morto. Literalmente! Por não contar com um cemitério para enterrar seus funéreos cidadãos, teve finado que seguiu por aí balançando a própria difuntice tendo que ser enterrado em município estrangeiro. Criou-se então uma justa demanda, mas que por falta de cadáver, acabou virando um elefante funesto e branco, como muita coisa que acontece numa terra acolá que eu não vou nem me atrever a dizer o nome. Numa cova bem cavada jaz a decência da política, na qual os que deveriam zelar pelo bem do povo acabam por acender uma vela pra Cristo e outra pra Judas a fim de salvar a própria pele e guarnecer o próprio bolso. Mas nada de revolta popular! Como disse um dia alguém que perdeu a inexorável chance de ser nominalmente citado nesta parabolagem pra dormitar bovino, eu brado: “Sucupira: Ame-a ou Deixe-a!” Então, deixa tudo torto mesmo e bora tocar pra frentemente.

Pegando o rumo pra cidade grande, o que se avista, minha urbanística e modernística plateia? Não sabem não? Pois eu digo a vocês! Uma paisagem tomada de alterosas edificações feitas de cimento, aço e poderoso capital. Ali se viu mais um bate-estaca e menos um sobrado. Mais uma obra de monumental imponência e menos uma vegetação! Uma vertiginosa plantação de vidro e pedra se levantando do chão para agredir o espaço, erguendo mais alto a voz do vil metal, que dá o seu recado natural: este mundo nada mais é que um grande latifúndio. É muita terra pra pouco dono! Eis que então a batida ritmada da construção se confundiu em dado instante com o prugurundum do surdo que marca o tempo do samba. A Bandeira 2 rodou freneticamente no asfalto quente onde o corretor zoológico virou o Rei de Ramos, do Carnaval, das cabrochas, dos milhões de gigantes a construir. Assim falou Martim Cererê, o profeta do impoluto destino brasileiro que um dia haverá de prosperar baseado na sua miscigenada genealogia. Mas enquanto esse dia não chega, vamos nós vivendo o nosso realismo fantasticamente.

E no final desse sarapatel temperado de dendê, eu convido cada um de vocês a vir bulir no caldeirão do mistério… Abra o olho e venha ver as coisas do arco da velha que se sucederam em Bole-Bole, a cidade do absurdo. Um pedaço de lugar em que tudo podia acontecer, até mesmo uma alucinada contenda histórica que mobilizou toda a população local. Divididos em dois blocos, os mudancistas e os tradicionalistas, os polarizados bole-bolenses se digladiaram para decidir se o nome da cidade mudaria ou não para Saramandaia. Enfim, sendo saramandaísta ou bole-bolista, o fato é que se tratava de uma terra de gente muito peculiar. Lá havia homem que virava lobisomem, dama ardente que pegava fogo, tinha o coronel que botava formiga pelas ventas e até a redondística e circunferente dona que não parava de comer. E no meio desse bole e rebola no bole-bole-bolacho, tudo era mistério no voar do enigmático herói que nasceu com um par de asas. Um sujeito de mentalidade alada, que botou a imaginação pra correr céu, assim como o artista que criou toda essa gente de forma genial, extraordinária, e como não dizer… estupendamente engenhosa!

E terminando sem mais retardamentos nem atrasamentos, eu me despeço com uma mensagem sobre todos aqueles que desafiarem a capacidade de criação popular da nossa gente: ELES SÃO MUITOS, MAS NÃO PODEM VOAR!”

“Eis aqui o berço do autor
Que inventou uma terra terna e vil
Um lugar talhado em fé e dor?
Ou apenas um espelho do Brasil?

E quando vier a cena derradeira
O povo unido a lutar sem medo
Derrotando a fúria traiçoeira
Desfilará o seu mais belo enredo

Por fim restará a esperança
Na alma desta incansável audiência
Afinal toda e qualquer semelhança
Não terá sido mera coincidência!”

Viva Dias Gomes!

Enredo de: João Vitor Araújo
Texto: João Gustavo Melo

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