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Carnavalize

Já parou pra pensar no quanto se lutou para acordar num simples domingo como esse e, em poucos segundos, exercer o maior direito que a democracia nos concede? Não!? E parar pra pensar na voz e participação que o carnaval teve nisso tudo? Ditadura, democracia... Corrupção. Ahn! Também não? Nessa final de semana especial, a "Carnavápolis", do Léo Antan, e a "Sambalizando", do Vitor Melo, se uniram para contar um pouco dessa história. 

                               

Até hoje você não sabe o porquê da proibição de qualquer instrumento de sopro nas baterias ou o motivo da obrigatoriedade das divinas baianas das escolas? Simples. Herança. - Mas herança? Como assim? Desde de seu começo, o samba, em si, tinha como principal objetivo o cultivo às suas origens, sua raiz. Ressaltar a cultura negra, valorizar seu batuque, suas influências. E era necessário, afinal o samba era tido como um ritmo negro marginalizado. 

Como o sambista não é bobo nem nada, para conseguir se manter no cenário nacional e, de fato, sobreviver; cada vez mais, as escolas assumem seu lado negociador, que as mantém vivas até hoje. As agremiações foram se adequando nos mais diferentes períodos e assim sobrevivendo. Na Era Vargas, por exemplo, os enredos patrióticos serviam para construir e fortalecer a ideia nacionalista tão forte no governo vigente - todo aquela concepção ufanista. A Majestade do Samba, nossa tão querida Portela - diversas vezes campeã nessa época - era a escola que melhor sintetizava essa fase histórica, sempre exaltando a tão querida pátria. Cantavam-se heróis brancos, as roupas eram de nobres, mas o ritmo e a força do tambor não escondiam a negritude da festa. 




E numa reviravolta da cor, o divisor de águas dessa tentativa de "enbraquecimento" só veio com o Quilombo dos Palmares salgueirense e mestre de todos nós, Fernando Pamplona. Professor universitário, de esquerda, participante dos centros de culturas populares, o também cenógrafo trouxe sua ideologia através de figuras não tão conhecidas da história brasileira à época como Zumbi, Xica da Silva, Chico Rei. O canto do negro ecoava na essência e na aparência. Numa voz só.

Com o golpe de 1964, as escolas se dividiram, como toda a sociedade. De um lado, a força e a coragem do Império Serrano em 1969 ao cantar os "Heróis da Liberdade" clamando em seu samba "A revolução em sua legítima razão". A censura torceu o nariz e a palavra revolução deve que ser trocada por evolução, mas que não escondeu o caráter político do samba. Coincidentemente, durante o desfile, aviões da força aérea sobrevoaram todo o cortejo da Serrinha numa tentativa de calar a escola.



Enquanto do outro lado, assim como nas primeiras décadas da folia, exaltar o opressor se tornou uma possibilidade em busca da afirmação. Foi cantando o regime, que a Beija-Flor em 1973 conseguiu a ascensão ao grupo principal da folia, onde está hoje. Nos anos seguintes, com o "Grande decênio" e "Brasil anos 2000", a apologia continuou nos versos; "Quem viver verá/Nossa terra diferente/A ordem do progresso/Empurra o Brasil pra frente", "Sim, chegou a hora/Da passarela conhecer/A ideia do artista/Imaginando o que vai acontecer/No Brasil no ano 2000".

Nem tudo eram flores, mas em 1980 a ditadura estava mais aberta ao diálogo e surgiam os prenúncios de um anseio político: ANISTIA! O grito das ruas foi para a avenida através do gênio Fernando Pinto no enredo "Tropicália Maravilha", pela Mocidade Independente de Padre Miguel, que além de todo o movimento tropicalista também tocava na volta dos presos políticos exilados. Ai de mim que mal sonhava... Sonhei que estava sonhando um sonho sonhado, o sonho de um sonho magnetizado. As mentes abertas, sem bicos calados, juventude alerta. Os seres alados. Sonho meu... Eu sonhava que sonhava, sonhei... Ainda que não diretamente e com certo receio, a Vila, em 1980, também já falava sobre o regime ditocrático e por todo anseio à liberdade. Todos queriam sonhar esse sonho de um país democrático. 




A década de 1980 seguiu e com ela veio o grito: "Diretas já"! Com a redemocratização, a política entrou em cena mais do que nunca nos desfiles. Já consolidadas como grande espetáculo e sem a necessidade de se firmar, as escolas deixaram de lado a postura subserviente e colocaram a boca no trombone. O pioneiro não podia ser diferente, considerado o mestre da crítica carnavalesca, Luiz Fernando Reis, foi o primeiro a tratar da ditadura explictamente numa alegoria em 1984. Aliás, ficou conhecida por essa vertente crítica juntamente com a São Clemente, conquanto, essa bem menos debochada e mais "sisuda" do que a primeira era. "




E por falar em Saudade..., a saudade do tempo em que se diretamente escolhia o presidente, foi um desfile divisor de águas, consagrado por público e crítica, foi o verdadeiro lançador de tendências para o ano seguinte. Com um novo sol a brilhar, como cantava a irreverente Caprichosos em seu enredo contra o imperialismo americano, 1986 foi o ano de gozar a liberdade com o fim da opressão. Quase todas escolas cantaram diretamente o novo cenário, ou faziam alguma citação em sua letra. A liberdade era tanta que numa antípoda ideológica, usufruindo de toda sua liberdade de expressão veio a Unidos da Tijuca com "Cama, mesa e banho de gato". Quando se imaginaria um enredo desses durante o regime? Incogitável. 

Para brindar a década mais política e contestadora do carnaval, onde as escolas nunca estiveram tão em ressonância com a vontade popular, 1989 foi marcado por uma disputa que de certa maneira sintetizava o passado e presente do carnaval. De um lado, a história didática e polida de "Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós", que sintetizava todo o lado oficial que a festa sempre teve. Do outro, numa atitude revolucionária, toda a podridão das estranhas do Brasil em "Ratos e urubus larguem minha fantasia", nas mãos de Joãosinho Trinta e da Beija-Flor que antes havia louvado a ditadura, mostrando com o jogo tinha virado. Infelizmente, a oficialidade venceu, mas ainda ecoava naquele o ano o grito pelos direitos na Vila Isabel, fechando com chave de ouro um período histórico da nossa folia. "Direito é direito, está na declaração. A humanidade é quem tem razão..."




"Gip, gip, nheco, nheco... Por favor não apague a luz! Goze desta liberdade nos braços da Santa Cruz". Em 1990, a Santa Cruz também cantou (ou contou) "Os Heróis da Resistência" em um de seus sambas mais conhecidos, a escola relembrava o Pasquim, jornal alternativo que fazia oposição ao duro regime. Nas últimas duas décadas, política e carnaval pareceram se distanciar. O grito forte se perdeu e mesmo com novos cenários e escândalos, as agremiações voltaram a mostrar seu lado mais negociador. Embora já vivermos em um regime totalmente democrático e liberto, não se vê tantos enredos com esses ofícios. Alguns, esporadicamente, pipocam por aí, mas nada com tanta força.

Não estamos aqui para fazer um relato que abranja todo o contexto histórico-político que o carnaval vivenciou, cantou ou passou. A política no carnaval não se manifesta apenas em enredos que falem abertamente dos nossos governantes e seus anseios. Todos os desfiles são políticos e falam de seu contexto. Tudo em nossa vida é política. Por isso, a importância de valorizar nas urnas toda a luta pela democracia, pela liberdade que foi acarretada durante tantos anos. Se a festa que nós amamos tomava seu partido e se mostrava consciente, nós também devemos. Independente de ideologia, lado ou candidato, não temos o direito, mas sim o dever de votar consciente. Pensar sempre no melhor que possa ser para nossa cidade, estado e sociedade. Consciência é a palavra fundamental. CONFIRMA. 








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Humor e irreverência são as palavras de ordem na nossa cidade carnavalesca hoje. Um divertido cortejo entre em cena na Carnavápolis para prestar uma justa homenagem a Luiz Fernando Reis, um dos maiores carnavalescos que a nossa folia já viu. De um jeito único, ele marcou seu nome na década de 1980 em seus carnavais assinados na Caprichosos de Pilares, transformando a escola na queridinha de todos os sambistas.



Tudo começou nos anos 1970, quando um folião se apaixonou pelos carnavais de Maria Augusta para a União da Ilha, mestra declarada de Luiz Fernando. O folião tentou ser compositor em algumas escolas mas seu destino estava em outra função. Chegou em Pilares no ano de 1982, o enredo ele tinha na manga há algum tempo: a feira livre. No embalo da cabrocha Lili o público se deixou levar pelo forte sol por um samba antológico. As frutas de verdade que decoravam os carros foram distribuídos para o público brindando um campeonato inesquecível rumo ao grupo especial.


Lili voltou a cena no ano seguinte para fazer uma passeio pela culinária brasileira. A explosão de alegria foi tanta que as luzes se apagaram deixando o "Cardápio à brasileira" às cegas. Impossibilitada de ser julgada, a azul e branco permaneceu no grupo para a inauguração do Sambódromo. Para essa difícil tarefa, o carnavalesco recrutou um time de peso. O enredo "A visita da nobreza do riso a Chico Rei num palco nem sempre iluminado" fazia um brincadeira com o carnaval da Imperatriz do ano anterior e ainda alfinetava pela falta de luz. Na brincadeira, vários mestres do humor se tornavam nobres para saudar o grande rei do humor Chico Anysio. A corte tinha até um bobo da corte, Milas Fulam (Salim Maluf ao contrário) com a mão num saco de dinheiro sobre um muro que clamava pelas "Diretas já". Uma atitude política inédita de coragem que corou a apresentação recheada de irreverência e colorido.



E por falar em irreverência, veio o carnaval mais histórico, digno de Estandarte de Ouro de Melhor Escola. O maior momento de uma agremiação e seu maior artista, com muito bom humor e uma falsa nostalgia com a Saudade de "velhos tempos que não voltam mais", do "bonde, o amolador de facas, o leite sem água..." e de escolher o presidente diretamente. Transformando o real em sonho, Luiz Fernando Reis mostrou que a fantasia estava em qualquer lugar, não precisava viajar ao Egito, nem a lugares distantes. Mostrando as belezas de um Brasil com S na sua potência. Brazil com Z nunca mais! A águia americana nunca venceria o bravo "caniriquito" na disputa contra o luxo e o gigantismo no desfile de 1986. 



O casamento com Pilares durou até um ano depois. Envolvido na sua campanha para deputado, o professor de matemática se distanciou dos preparativos da apresentação que falaria das falas promessas dos políticos no enredo "Eu prometo". Partiu então com destino a Ramos. A verde e branco passava por dificuldades e confiava no estilo leve de Reis para um boa colocação. Monarca, a Imperatriz não se divertiu e caiu na brincadeira com o enredo sobre as piadas, terminando na última colocação. Nova partida. Agora rumo ao Salgueiro, em 1989 a negritude entrou em cena num desfile que lembrava os grandes carnavais da Academia. Num raro trabalho que juntava beleza e leveza, o desfile acabou ofuscado por outras grandes apresentações. A Imperatriz que com Luiz Fernando questionava "a princesa que fingiu me libertar", se sagrou campeã com "Isabel, a heroína".


Sem a política para dar o tom e com um cenário menos fervilhante, o carnavalesco da crítica perdeu o rumo. Navegou por mares nunca dante navegados com a Tijuca em 1990 numa apresentação morna. Cantou as ilhas na tricolor insulana em 1992. Para então reencontrar sua maior musa. No retorno a Pilares, a lógica do luxo estava consolidada e a Mocidade dava as cartas. As belezas de um Rio do lado de cá do túnel Rebouças não empolgaram, nem uma coroa de quase noventa anos, que celebrava as histórias da avenida Rio Branco. Eram outros tempos. 


Afastado do grupo especial desde 1995 quando assinou um carnaval na parceira de crítica São Clemente, Luiz Fernando Reis é hoje comentarista da nossa festa. Poucos sabem, entretanto, sua real importância para um momento especial da história do carnaval. A década de 1980 foi marcada pelos enredos críticos e políticos que levavam pra avenida o clamor pelas "Diretas já" no período final da ditadura militar. O carnavalesco de Pilares foi o pioneiro em tocar o assunto sem disfarces, caprichosamente deixando sua marca de leveza e irreverência nas páginas mais divertidas da nossa história. Com o fim da redemocratização, sua voz política perdeu a força e o rumo, patinando em posições medianas, mas se manteve fiel ao seu traço inconfundível. Traço de um mestre e grande artista da nossa folia. A quem homenageio com carinho.  






Leonardo Antan é folião frequentador do Sambódromo desde criança e tem verdadeiro amor pelas escolas de sambas. Trabalha, estuda e vive o mundo de confetes e serpentinas durante o ano inteiro. Atualmente, cursa História da Arte na UERJ onde pesquisa também sobre o tema.



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Um tapete vermelho se estende na nossa cidade carnavalesca, a visita de hoje é ilustre. Com a igreja da Candelária ao fundo, surge ela, a eterna Xica da Silva com todo seu esplendor, pegue seu par e venha dançar esse minueto sobre um desfiles mais importantes do carnaval contemporâneo.



O ano era 1963, o Salgueiro tinha conquistado seu primeiro título três anos antes com a chegada de Fernando Pamplona e sua trupe, mas com um gosto amargo ao ter que dividir a taça com mais quatro escolas. A dita revolução alvirrubra estava a pleno vapor. As escolas até então estavam acostumadas a a cantar heróis brancos e a história oficial do Brasil, o Salgueiro inovava trazendo para a passarela as vozes de figurais marginais da nossa história. Tudo começou com Zumbi, o rei do Palmares, continuou com Aleijadinho, expoente da arte barroca. Em 1962, Pamplona se despediu da Academia do Samba e partiu para novos rumos, deixando seu fiel escudeiro Arlindo Rodrigues, parceiro o Theatro Municipal. No primeiro ano, Arlindo cantou o descobrimento do Brasil. Para dar sequência as inovações escolhe uma figura que ninguém conhecia: 

- Pô, Fernando, vou fazer Xica da Silva de enredo do Salgueiro - disse Arlindo ao mestre.
- Quem? - Pamplona indagou.
- Xica da Silva
- E quem é essa mulher?
- Não é foi... - disse Arlindo contando a história toda e toda a divisão do enredo mais uma porção de blablablá.
- Enredo de merda, Arlindo!
- Mas é negro, é de luta e de conquista social, tá na nossa linha e... É bonito paca!
- Pô, cara, tu quer fazer um negócio babaca faz, segura a barra porque não estou nem aí, vou me mandar pra Alemanha. Tchau!*




Contrariando a opinião do mestre, Arlindo seguiu com sua proposta e levou sua Xica para a avenida. Já passava das seis da manhã quando o Salgueiro entrou na Presidente Vargas, com o emblemático samba composto por Anescarzinho e Noel Rosa de Oliveira, um verdadeiro samba lençol, cobrindo todo o enredo proposto.

A primeira alegoria retratava um chafariz. Logo depois a passista Paula do Salgueiro levantou o público com seu samba no pé. Não demorou um grande cortejo de doze casais encantou a Candelária. A foto eterniza a primeira ala a apresentar uma coreografia na sua passagem pela passarela do samba, passos marcados pela imortal Mercedes Baptista, primeira bailarina negra do Municipal. O que a foto não releva foi o improviso e o desespero típicos do carnaval. A fantasia da ala não ficara pronta a tempo. Ainda na concentração, o costureiro tentava finalizar as peças e não conseguiu dar conta do recado. Alguns componentes entraram alfinetadas, no mais puro improviso, inclusive a própria Mercedes. 



Logo depois surge ela... Imponente, majestosa e invejada. A própria Xica que manda, eternizada na representação da imortal Isabel Valença, sua imagem se confunde com a da mulata que era escrava, seu vestido suntuoso se tornou uma verdadeira alegoria, das mais marcante da nossa folia. Fazendo passar desapercebida seus 1,65 metros de altura, na história do carnaval seu porte é de gigante.

O resultado foi incontestável: o título. A consagração salgueirense e o primeiro campeonato solo da agremiação. Um marco na história do carnaval, a chamada década negra comandada por Arlindo e Pamplona durou até 1972, mas se há um desfile que pode ser definido como uma revolução em sim, este é Xica da Silva. 


Nele podemos observar todos os pilares e elementos que se consolidariam na narrativa de uma escola de samba contemporânea. Cenógrafo do Municipal, Arlindo traz toda a linguagem teatral para o cortejo carnavalesco, o transformando de fato numa ópera popular. O enredo passa a contar uma narrativa com início, meio e fim, numa construção bem definida. O luxo, o esplendor, o requinte são marcas das fantasias e alegorias apresentadas. A escola passa a ter roupas inspiradas no tempo em que o enredo se passa, criando uma unidade narrativa. É usada a primeira ala de passo marcado, que muitos disseram que ia descaracterizar o samba. Uma bobagem.



A importância de Xica da Silva para a história do carnaval é imensurável. Está para os desfiles, como o icônico mictório de Duchamp está para a arte contemporânea. Ou a literatura de Machado de Assis para o Brasil. E a música de Tom Jobim. Uma obra de arte. Pura. Latente. Eterna. Essencial. Incomparável.

Dali a história da mulata que era escrava e sentiu grande transformação ao se casar com o contratador João Fernandes de Oliveira saiu do anonimato para a entra de vez na História do Brasil. Virou filme, novela, livro. Eternizada.

*Diálogo retirado da autobiografia de Pamplona, o livro "O encarnado e o Branco". Além dele, foi usado pra base nesse texto o livro "Explode coração: Histórias do Salgueiro", de Leonardo Bruno.







Leonardo Antan é folião frequentador do Sambódromo desde criança e tem verdadeiro amor pelas escolas de sambas. Trabalha, estuda e vive o mundo de confetes e serpentinas durante o ano inteiro. Atualmente, cursa História da Arte na UERJ onde pesquisa também sobre o tema.
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A ala das baianas é sempre um momento especial de uma escola na avenida, atualmente elas sempre encarnam figuras importantes do enredo, desfilando com as mais diferentes indumentárias. A nossa cidade do carnaval hoje será tomada um mar de saias rendadas, torços, panos da costa e muitos balangandãs. Pegue seu turbante e suas pulseiras e venha conhecer a história desse ícone hoje.


Já no primeiro desfile oficial das escolas em 1935, organizado pela UES, dois itens do regulamento causam estranhamento vistos hoje. A proibição dos instrumentos de sopro e a obrigatoriedade das alas das baianas. Por que as escolas recém criadas, com seu primeiro desfile três anos antes, teriam escolhidos tais itens?

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A figura da baiana como quituteira e sua roupa volumosa eram uma das marcas do Rio de Janeiro, fazendo com que a baiana seja uma invenção carioca. Aqui elas eram diferenciadas e assim chamadas, na Bahia, eram apenas mulheres quituteiras. Desde o século XIX, com as escravas de ganho, a figura circulava pela cidade com seu tabuleiro sendo retratada por diversos artistas viajantes, como o icônico Debret. Já no início do século XX, a baiana já era vista com um dos símbolos cariocas, seja por seus dotes culinários ou religiosos. Foi na barra de uma delas que o samba nasceu, no terreiro da imortal Ciata. Dentre outras mães de santos que habitavam a região conhecida como Pequena África, atual zona portuária. 




A figura de torso e pano da costa é exemplo fundamental para entendermos a consolidação do samba e do carnaval como símbolos nacionais, pois está marcada por uma série de tensões e negociações. Primeiro pois sua figura é mais complexa do que imaginamos. Apesar de ser lida como uma figura negra, a sua típica indumentária com rendas e anáguas é tipicamente branca e europeia. Internacionalizada, pela "portuguesa mais carioca" que o mundo já viu. Carmen Miranda é parte fundamental dessa história, pois deglutiu as baianas negras e as transformou num ícone de brasilidade a ser vendido para os outros países, numa época em que o Brasil procurava constituir sua imagem como nação perante o mundo. A icônica "O que é que a baiana tem?" do imortal Dorival Caymmi se consolida como um verdeiro check list do que categoriza uma baiana legítima. 

A obrigatoriedade da ala nos primeiros desfiles afirmava a tradição das recém criadas instituições carnavalescas. A figura africana remetia a ancestralidade do samba e das escolas, virando rapidamente uma das marcas dos grupos que se apresentavam na Praça XI.  Juntos a baianas, os malandros e as passistas virariam três figurais fundamentais do carnaval, retratados nas pinturas modernistas do período. Artistas como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Goeldi e Cândido Portinari buscavam dar cores a essa ideia de Brasil que vinha se formando. A terra do samba e pandeiro. 



No mundo dos confetes e serpentinas, a mais tradicional ala vem sendo desde sempre ressignificada e ganhando novas características com a mudança dos desfiles ao longo da história. Diferentes carnavalescos usaram a longa saia para reinventar o conceito de baiana e nos brindar com belíssimas fantasias. O barroco Arlindo Rodrigues marcou sua passagem na Imperatriz com baianas inesquecíveis no campeonato de 1980 sobre a Bahia. Esculturas de grandes negras foram um dos pontos altos daquela apresentação e a ala desfilou duas vezes, uma com seus quitutes e panos da costa verdes e outra mais barroca, com elementos dourados.

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O irreverente Fernando Pinto usou e abusou das senhoras de Padre Miguel para levar para avenida as mais divertidas e tropicalistas baianas que a Sapucaí já viu. Seja com perucas coloridas, saias de oncinha ou seres siderais. Trazendo muitas inovações no formato da roupa que fizeram alguns tradicionalistas torcer o nariz, mas trouxeram ainda mais modernidade e beleza para as herdeiras de Ciata.

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Outra que sempre aproveitou a roupa volumosa e fez verdadeiras joias foi a Deusa Rosa Magalhães. A versátil carnavalesca já apresentou as mais diversas fantasias. Em 1987 no Tititi da Estácio, suas “baianas da liberdade” foram criticadas pela ousadia de trazer uma saia em três camadas, invés de uma só. Na sua longa paisagem pela Imperatriz, as senhoras assumiram as mais variadas formas, de borboletas a azulejos portugueses. Já no seu título mais recente, ela trouxe a beleza de belas joaninhas para a Vila Isabel.

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Se alguns tem nas baianas o ponto alto de sua carreira, outros tentam ousar e reinventar a roupa mas acabam pecando em excesso. Se nas alegorias, as ousadias de Paulo Barros são sempre recebidas com aplausos, na tradicional ala o mesmo não acontece. Seus figurinos nos últimos anos são exemplo de gosto duvidoso e até certo desrespeito com a ala. Inovações são sempre bem vindas, mas na medida certa. 


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Fora isso, as verdadeiras herdeiras de Tia Ciata também já se apresentaram ultimamente com formatos que fugiam do tradicional: ou com saias vazadas, colocando as pernas de fora, ou em formatos não convencionais na saia. Em 2007, a Porto da Pedra apresentou, o que pode ser considerada, a maior ala de baianas da história que cobria um setor inteiro com uma roupa em três cores branco, cinza e preto. Assinadas pelo apoteótico Milton Cunha. 
  
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Em 2014, um fato curioso aconteceu. As escolas Imperatriz e União da Ilha apresentaram fantasias muito parecidas, com a saia em formato de bola de futebol. Uma feliz coincidência. Algo parecido também aconteceu em 2006 e 07. A Viradouro desfilou com baianas bem parecidas com que a Mocidade havia apresentado um ano antes. 


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Recentemente uma grande polêmica tomou conta do mundo do samba com o anúncio feito pelo Laíla dizendo que a ala das senhoras viria com os seis nus na fantasia que contaria o enredo sobre Iracema. O mundo do samba se dividiu entre os que aprovaram ou não a ideia. Longe de polêmicas, nossas mães da folia são um dos saberes essências da festa. Uma homenagem as raízes da folia. Com ou sem pano da costa, com ou sem sutiã, sempre serão um dos maiores ícones e a representação máxima da folia brasileira. 

As baianas ainda não sei o que elas têm, que as deixam tão esplendorosas. Mas se as escolas de samba são o que são, é porque baianas elas têm. 



*Foram usados como base pra esse texto o artigo e dissertação "Yes, nós temos baianas: o processo de construção da figura da baiana de escola de samba do século XX" de Vãnia Araújo Mourão e os artigos sobre o tema de Roberto Conduru encontrados no livro "Pérolas Negras".






Leonardo Antan é folião frequentador do Sambódromo desde criança e tem verdadeiro amor pelas escolas de sambas. Trabalha, estuda e vive o mundo de confetes e serpentinas durante o ano inteiro. Atualmente, cursa História da Arte na UERJ onde pesquisa também sobre o tema.

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Nossa cidade carnavalesca hoje está em festa, uma nave especial desponta no seu céu multicolorido. Depois de dividir algumas histórias por aqui, peço licença para um texto mais carregado de emoção. Um espécie de carta-homenagem ao responsável pelo nome dessa coluna, pelos cachos que carrego orgulhosamente. Abram-alas que a nave verde e prata está perto de concluir seu poso e já se pode ver índios alados num grande cortejo para saudar ele: Fernando Pinto.

Contra o vento, ele deixou seu Pernambuco, trazendo nos cachos volumosos o sonho de viver nos palcos. Na efervescência dos anos finas de 1960, pousou com sua nave no Rio de Janeiro que vivia a reverberação do movimento tropicalista sob as dores da ditadura civil militar. Apaixonado pelas artes, sentiu aquela sensação inexplicável ao ver uma escola desfilar. Se apaixonou pela folia. Foi taxativo: "escola de samba é maior artístico, popular, folclórico, teatral. Uma verdadeira revolução." Abusado, enviou uma carta ao Império Serrano se oferecendo para ser carnavalesco, prometendo resgatar a agremiação que vinha de maus resultados. Deu-se início a cruzada tropicalista carnavalesca.



A década das discotecas eclodiu. Na pátria do "Ame-o ou Deixe-O", a cultura marginal dava o tom. Desbunde, drogas, liberdades individuais, cabeleiras que buscavam calar os canhões com uma flor. Morador de Copacabana, Fernando pulsou com uma juventude multicolorida e psicodélica. Leu O Pasquim, assistiu os filmes de Glauber Rocha, se maravilhou com o teatro de Zé Celso Martinez, frequentou o Museu de Arte Moderna, se embalou na geleia geral brasileira. 

"O movimento maldito-maravilhoso", foi assim que se referiu em uma entrevista a revolução artística tropical liderada por Caetano. Os baianos lhe deram a régua e compasso. Se a Tropicália quebrava as barreiras do bom gosto e celebrava a brega e kitsch Carmen Miranda, ele entendeu o recado. Fez o primeiro enredo que não celebrava uma figura histórica ou das artes ditas eruditas. Louvou a cultura de massa, a era do rádio, o teatro de revista, a pornochanchada, com o desfile campeão da Serrinha em 1972. Quem poderia dizer que na concentração, as alegorias chegaram praticamente nuas, fazendo começar o disse-me disse. Calmamente, os cabelos ouriçados começaram a trabalhar, tirando de suas cartolas; bananas, abacaxis, araras que fizeram o público delirar. Taí, a revolução tropicalista chegava às escolas de sambas.

Na década perdida, partiu com sua nave de Madureira e encontrou abrigo em Padre Miguel. Com uma pausa turbulenta pros lados de um morro verde e rosa. Abraçado pela Mocidade, encontrou a companheira de bordo perfeita, juntos traçaram rotas inimagináveis. Nem o espaço foi o limite, fizeram todo o universo sambar. Lutaram com os camelões guerreiros contra a devastação da mãe natureza lá pelas bandas do Xingu. Brigaram por causa da margarida gostosa, mas como bom casal, viveram entre tapas e beijos. Conheceram o mundo só comprando muambas. E desbravaram a cidade que o homem branco não conhecia, onde os índios andavam de patins e ouviam heavy metal.



Nordestino e marginal, Pinto circulou no underground carioca. Rompeu gêneros com os revolucionários Dzi Croquettes, se jogou no Dacin Days com As Frenéticas, fez plateias rirem com o talento de Chico Anizyo, foi no balancê balancê de Elba Ramalho. Dirigiu, atuou, roterizou. Jogou nas onze. Figurinista, cenógrafo, decorador do baile do Pão de Açúcar, artista plástico. Se tornou o primeiro artista da folia a expor peças do seu desfile numa galeria da arte. E a coluna social da época, não titubeou, a exposição "Como era verde meu Xingu" foi um sucesso. 

Fernando nunca serviu apenas uma salada de frutas decorada com animais e plantas exóticas. Mergulhou nas contradições tropicalistas, devolveu em imagens o que as músicas queriam dizer. Se negou a habitar os extremos e transitou pelas beiradas. Foi antropofágico. Transformou o POP em cult. O cult em trash. Baianas em insetos. Negões em Xuxa. Índios em guerreiros. Deu adeus ao Brasil quando o otimismo era o sentimento da nação. Não deu ao povo o luxo pelo luxo ou a crítica pela crítica. Uniu os dois num grande caleidoscópio carnavalesco.
Quando enfim a liberdade voltou a raiar na nossa pátria mãe tão distraída e os ventos de uma constituição democrática sopravam, partiu levando sua liberdade cacheada. A Sapucaí havia ficado pequena, ele precisava desbravar o carnaval sideral. Nunca a avenida viu o carnavalesco tão a frente do seu tempo, que dialogou com seu público, os maravilhou e os confundiu. Não veio pra explicar. Sua missão sempre foi brilhar. Bye bye. Beijim Beijim.


Ao meu mestre, louco, gênio, revolucionário, artista, tropicalista, carnavalesco, cacheado, desbundado. Dedico um céu espacial e tropical todo dele. São Fernando Pinto. São Pinto. 







Leonardo Antan é folião frequentador do Sambódromo desde criança e tem verdadeiro amor pelas escolas de sambas. Trabalha, estuda e vive o mundo de confetes e serpentinas durante o ano inteiro. Atualmente, cursa História da Arte na UERJ onde pesquisa também sobre o tema.





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Uma escola inovadora, vanguardista, acusada de perder as raízes do carnaval, que promovia verdadeiros espetáculos fazendo alguns sambistas virarem o nariz. Poderia ser a Tijuca dos anos 2000, a Mocidade dos anos 90, a Beija-Flor dos anos 80. Mas é a Vizinha Faladeira, nos longínquos anos de 1930. Dona de um campeonato e de posições honrosas nos primeiros desfiles organizados, a Vizinha se consagrou como uma verdadeira protagonista dos primeiros concursos entre escolas de samba, rivalizando com a Portela o título de maior escola de sua época. O resultado da briga já podemos imaginar, já que uma ganhou vinte e um títulos e a outra enrolou a bandeira em 1940. Uma disputa icônica que hoje vamos contar um pouco na Carnavapólis. Na nossa cidade, a Vizinha ocupa um terreno de luxo num bairro nobre do samba.

O surgimento das escolas de samba é algo controverso e cheio de polêmicos. Pouco se sabe por exemplo da origem do termo, a clássica versão de Ismael Silva é altamente questionável, visto que o termo já aparece em 1925 no conto “A morte da porta estandarte”, de Anibal Machado, e a fundação da Deixa Falar aconteceu três anos depois, em 28. O fato é que as escolas tem seu primeiro concurso organizado em 1932, pelo jornal Mundo Esportivo, e logo dois anos já são oficializadas e possuem sua entidade reguladora. Num contexto em que elas ainda buscavam definir quem eram, a Vizinha se tornaria uma verdadeira rebelde, disposta a questionar e testar os mais diferentes formatos. Se opondo as regras estabelecidas e propondo diversas novidades, se tornando mal vista por suas concorrentes e exemplo do que uma escola de samba não deveria ser.

Fundada em 1932, no bairro da Saúde, a Vizinha Faladeira é a única representante da zona portuária carioca, região que viu nascer o samba em seus terreiros, sendo uma das primeiras escolas de samba da cidade. O nome curioso teria sido uma "homenagem" às duas fofoqueiras do bairro que ficavam da sua janela tomando conta dos sambistas. Sua ostentação visual numa época em que os aspectos mais valorizados eram o ritmo, lhe rendeu o maravilhoso apelido de "Vizinha Rica", fazendo os "verdadeiros" sambistas torcerem o nariz para a escola "diferentona".

Os desfiles na Praça Onze eram marcados por sua simplicidade e exaltados por seus aspectos musicais. Não havia ainda um desfile em cortejo, as escolas concentravam na Praça Onze e iam se apresentando para os jurados em cima de um tablado, onde cantavam sambas que não necessariamente tinham a ver com as fantasias e enredos que apresentavam. A Vizinha balançou as apresentações, propondo uma série de inovações.

Em 1933, no segundo concurso das agremiações, realizado pelo jornal "O Globo", a escola foi desclassificada por apresentar o que pode ser considerada a primeira comissão de frente da história, formada por automóveis abertos de luxo. A comissão já era quesito naquela época dos desfiles dos ranchos, vistos como espetacularizados e elitizados, mas era novidade para as escolas. No ano seguinte, mais novidades, cumprindo o pedido de não usar carros, a Vizinha teve uma ideia bem básica, e substituiu os veículos de rodas por cavalos. Mas a ousadia não parou por aí, ela iluminou ainda mais a Praça Onze usando luzes em seu desfile quase setenta anos antes da moda do led. O desfile tinha a assinatura dos cenógrafos Irmãos Garrido que ficaram responsáveis pelo visual. Era a primeira vez que se contratava artistas de fora para ocupar tal função.

No primeiro desfile oficial, em 1935, a escola seguiu com suas ousadias, com fantasias feitas de lamê e veludos, tecidos caros para a época. Dois anos depois se sagraria a grande campeã do carnaval com mais um espetáculo, intitulado “Uma bandeira só”. Aberto por um automóvel, seguido por seis homens fantasiados e montados a cavalo. À frente da bateria, um grupo de músicos, quase uma orquestra completa. As fantasias eram luxuosas e resistentes à chuva que castigou na hora da apresentação. A vitória foi indigesta para as concorrentes que reivindicaram que a escola havia desrespeitado as "tradições". A Vizinha não estava dentro da proposta de uma forma de carnaval ligada ao ritmo negro do samba com apresentações singelas, que se opusessem  aos desfiles dos ranchos e grandes sociedades, que ocupavam o protagonismo da folia com desfiles realmente grandiosos e luxuosos. A agremiação da zona portuária usava elementos exatamente destes carnavais.


Em 1939 ocorreria um dos episódios mais icônicos da história, a Vizinha desfilaria com “Branca de Neve e os sete anões”, o enredo sobre o recém lançado desenho da Disney seria visto como tema estrangeiro e a escola seria desclassificada. O desfile foi algo espetacular pra época, com 400 integrantes, comissão de frente trajando terno de flanela e polainas, bateria fantasiada, carro alegórico com luzes e crianças vestidas de anões em volta da Branca de Neve. A desclassificação seria uma polêmica e tanto. O fato foi que houve uma confusão com a entidade organizadora da festa que não liberou o regulamento oficial até o dia do desfile. Com as regras do ano anterior não citava a proibição de temas estrangeiros, a Vizinha argumentou que havia se baseado nele. Mas as rivais já não viam a agremiação com bons olhos se aproveitaram do fato para desclassifica-la. Acusando de fazer o carnaval perder sua essência nacional.

Revoltada com o fato, a agremiação da zona portuária iria fazer um grande protesto no desfile de 1940. Com o enredo “Carnaval para o povo”, ela passaria por trás da comissão julgadora, dando as costas e se virando para o público e abrindo a faixa dizendo “Devido às marmeladas, adeus carnaval. Um dia voltaremos.” E voltaram quase 50 anos depois, em 89. Hoje, a Vizinha Rica está em plena ascensão nos grupos da Intendente Magalhães.



*Texto baseado no artigo "Incômoda Vizinhança", de Felipe Ferreira e Gabriel Turano. E na dissertação "Devido às marmeladas, adeus carnaval. Um dia voltaremos: escola de samba e cultura popular no Rio de Janeiro dos anos 19130", de Gabriel Turano. Ambos disponíveis online.


Leonardo Antan é folião frequentador do Sambódromo desde criança e tem verdadeiro amor pelas escolas de sambas. Trabalha, estuda e vive o mundo de confetes e serpentinas durante o ano inteiro. Atualmente, cursa História da Arte na UERJ onde pesquisa também sobre o tema.



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