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Carnavalize

 


Inscrições abertas para o Congresso Nacional do Samba

A quinta edição do Congresso Nacional do Samba vai tratar da “genealogia” desse ritmo de matriz africana encontrado em várias regiões do país. Organizado pelo Laboratório de Preservação e Gestão de Acervos Digitais (LABOGAD) da UNIRIO, através do programa de extensão “Memorável Samba”, e o Centro de Referência e Informação em Artes e Cultura Brasileira (CRIAR), o evento será realizado no dia 02 de dezembro, Dia Nacional do Samba. Os interessados podem inscrever seus trabalhos até o dia 20 de setembro no site www.even3.com.br/5cns2021/, podendo ser artigos acadêmicos, crônicas e performances em vídeo que estejam afinados com a missão de refletir sobre a genealogia, a cartografia e a cronologia dessa manifestação cultural brasileira.

O objetivo é reunir estudiosos, pesquisadores e praticantes em quatro eixos temáticos: “Batuques, Congadas e Músicas Sacras Afro-Brasileiras”, “Sambas Rurais”, “Sambas Urbanos Tradicionais” e “Sambas Urbanos Contemporâneos”. Cada um desses eixos têm uma infinidade de ritmos que compõem a Árvore Genealógica do Samba. Com transmissão pelo YouTube, o evento vai abrir inscrições no sistema de doação solidária no valor de R$ 30,00, com o objetivo de cobrir os custos mínimos da iniciativa. Embora seja aberto ao público, aqueles que desejarem receber o certificado de participação, precisam estar inscritos no Congresso, marcado para ocorrer das 8h às 20h, e pagar uma taxa simbólica de R$ 10,00, também destinado à parte operacional.

Para inscrever os trabalhos a serem apresentados durante o Congresso, os interessados devem acessar o site para se inscrever. Outras informações podem ser conferidas com o professor Jair Martins de Miranda, do LABOGAD, no e-mail jairmm@unirio.br. No site também é possível participar da enquete Família do Samba, destinada a alimentar a Árvore Genealógica do Samba e, com isso, criar uma memória social do samba, que envolvem os sambistas e suas obras. Por esse motivo, a enquete afetiva circula em torno de uma única pergunta: “Da grande família do samba no Brasil, quais sambas, sambistas e gêneros são mais familiares a você?”. O Congresso conta com o apoio do Instituto Cravo Albin, um instituto que abriga pesquisas e informações culturais.

Retrocedendo na história

A primeira edição do Congresso Nacional do Samba foi organizada por um dos maiores etnólogos brasileiros, Edison Carneiro, em 1962. Criado com o objetivo de preservar as tradições do samba, entre elas, a autenticidade, o estilo e a adaptação, a iniciativa também visava garantir a evolução do gênero no futuro. Desse encontro surgiu a Carta do Samba, que não só garantia a perenidade da memória do ritmo trazido da África para o Brasil, como também valorizava as aspirações de estudiosos, sambistas, intérpretes, folcloristas e amantes desse ritmo.

Passados 50 anos, os professores da UNIRIO, Jair Miranda e Martha Tupinambá decidiram resgatar o importante encontro e nessa segunda edição emblemática, realizada em 2012, comemoraram o centenário de Edison Carneiro e o cinquentenário da Carta do Samba. Debates e homenagens às personalidades do gênero marcaram o encontro, ocorrido em modelo presencial no Palácio Pedro Ernesto e no Museu da República. Intitulado “50 Anos da Carta e do Dia Nacional do Samba” discutiu sobre o samba e o carnaval no contexto da economia criativa e como patrimônio cultural e imaterial do país, promovendo ainda uma revisão da Carta do Samba.

Desse tempo até hoje, já ocorreram mais duas edições: em 2014 e 2020. Essa última, em função da pandemia, foi realizada no formato on-line, enquanto a primeira teve o Museu de Arte Moderna como local do evento. Na terceira edição, a temática foi “Samba & Carnaval: atores, visões e realização” (2014) e “Genealogia do Samba” (2020), quando foram criados os eixos temáticos – Samba (Batuques, Congadas e Músicas Sacras AfroBrasileiras); Sambas Rurais; Sambas Urbanos Tradicionais, e Sambas Urbanos Contemporâneos. 



Contatos para Imprensa:

Texto & Café Comunicação e Editora
textoecafecomunicacaoeeditora@gmail.com
Verônica M. de Oliveira – (21) 9 9376-9786
Ana Paula Borges – (21) 9 8723-2029

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“Somente nos tornamos verdadeiramente quem somos ao lançar nossos olhares sobre os ombros daqueles que chegaram antes de nós. Lembrar daqueles que vieram antes de nós é uma obrigação sagrada.” (provérbio iorubá)

E quem somos? Se olharmos para o passado, a quem devemos saudar? Que caminhos seguiram aqueles que nos trouxeram até aqui e nos ensinaram que o futuro pode ser alcançado com sabedoria? Um conhecimento ancestral que atravessa os séculos e inspira nossas escolhas e destinos. O canto do Tuiuti vem desse tempo distante, quando o mundo ainda nem era povoado pela humanidade. O canto do Tuiuti vem da África, onde nasceu o primeiro homem. Hoje, vai colher histórias de luta, sabedoria e resistência negra, para exaltar aqueles que abriram nossos caminhos. KA RÍBA TÍ YE.

O Tuiuti saúda a sabedoria de Orunmilá e traz, para a Avenida, uma homenagem aos pretos, homens e mulheres que marcaram a história da humanidade porque escolheram os caminhos da determinação, da beleza, do conhecimento. Eles afirmam, em suas trajetórias, o poder da origem, os ensinamentos dos orixás e daqueles que povoaram o mundo, trazendo, em suas almas, a diáspora africana.

O mundo é recriado todos os dias por nós, quando emitimos uma palavra, uma cantiga, uma oração, um pensamento ou quando fazemos um movimento. A sabedoria iorubá está no respeito ao passado, no que conseguimos contar através do tempo, porque, assim, transmitimos o conhecimento dos ancestrais.
Os signos e poemas sagrados do Ifá chegam de uma África antiga, através de vozes que se levantaram no passado e ecoam no presente, para nos ensinar os fundamentos que nos encantam e sustentam nossas escolhas. Mantidos pela fé inabalável dos que nos antecederam, podem ser reconhecidos nas atitudes de homens e mulheres que têm, em comum, a certeza de que é preciso mudar. A transformação acontece porque seus sonhos, seus ensinamentos e suas ideias se eternizam para inspirar os caminhos que devemos seguir. Assim nos ensina o Ifá... e os orixás nos guiam...

O DESFILE - ABERTURA

Olodumarê, o deus supremo, criou o mundo. Contou com a ajuda de Orunmilá, Exú e Oxalá. Pediu a Oxalá que criasse o homem. O primeiro homem veio da terra. Oxalá tentou criá-lo de muitas matérias, mas nada deu certo. Nanã trouxe lama do lago, e com ela Oxalá modelou esse barro. Olodumarê deu o sopro da vida ao homem. E ele povoou a Terra com a ajuda dos orixás. É por isso que, quando o homem morre, seu corpo tem que retornar para a terra. Nanã quer de volta tudo o que é seu. Só o retorno às nossas origens nos permite renascer!

Olodumarê enviou os orixás para o Ayé e ordenou que eles cuidassem do mundo e do homem. A eles foi dada a missão de zelar para que os homens aprendessem a viver, cuidassem de si e dos outros, respeitassem a natureza. Exú tem o dever de resolver tudo o que possa aparecer e isso faz parte do seu trabalho e de suas obrigações. Ele é o mensageiro. Sem Exú, orixás e humanos não podem se comunicar. Nada pode acontecer sem ele. E Orunmilá foi enviado por Olodumarê para dar direção e sentido para homens e mulheres em seus percursos. Ele conhece os segredos do Ifá, o conhecimento mais profundo, os caminhos que existem e a maneira como orixás e pessoas transitam por eles.

Cada um escolhe como viver, tem liberdade para agir como quiser e deve responder por tudo o que faz. Mas Orunmilá, o orixá do conhecimento e da sabedoria, sabe o segredo do destino, pode indicar a melhor direção. Ele revela todas as situações, circunstâncias, ações e consequências na vida.

A ESPADA E A PALAVRA – Lideranças na política

As primeiras cidades foram fundadas por poderosos orixás. Por séculos, dinastias de negros africanos governaram imensos territórios. Soberanos, impunham respeito e devoção. Piankh Piye foi rei da Núbia e tornou-se o primeiro faraó negro da história, depois de conquistar o Egito. Mansa Kankan Musa, considerado o “rei dos reis”, foi o principal responsável por expandir as riquezas do poderoso império de Mali. A importância da contribuição das diversas nações africanas para o desenvolvimento cultural, político e científico da humanidade é inquestionável. A partir do século XVI, a África começou a sofrer terríveis invasões, em que os inimigos arrastavam milhares de pessoas escravizadas para outros continentes. Também levaram reis e rainhas, que resistiram com bravura, em terras distantes, para proteger o povo da ira do opressor. Zumbi, como o senhor da guerra, nunca abandonou seu caminho nem perdeu a coragem e a esperança nos momentos mais difíceis. Ògúnye! Dandara, rainha guerreira implacável, impôs respeito, com sua força, inteligência e rebeldia. Èpà heyi! Eles inspiram a luta até hoje. Tornaram-se símbolos dos que clamam por justiça e igualdade, nos quilombos, nas favelas, nas ruas das cidades que continuam construindo. A espada pode ser a palavra em punho, a voz do combate, a defesa dos direitos das mulheres. Angela Davis não aceita as coisas que não pode mudar e, por isso, muda as coisas que não pode aceitar. Obà si! Mandela escolheu difundir a paz, com a serenidade de quem sabe como dominar os perigos. E se e babá, Epà bàbá! Barack Obama incendiou corações para conquistar, na democracia, o poder de uma grande nação e combater o racismo e a discriminação. Kawòó kábiyèsi! Na guerra ou na paz, sempre souberam como liderar a resistência.

A BELEZA DO MOVIMENTO – Artistas abrindo os caminhos

A natureza é equilíbrio. A sensibilidade se esconde nas águas claras dos rios e na vida que habita as florestas. A natureza é mudança. Nos ensinamentos dos orixás, a dualidade persiste, sem preconceitos. Viver com arte é superar os limites. RuPaul Charles desafia seu tempo e seus espetáculos mostram que a arte também é transformação. Losi Losi! A música de Beyoncé apaixona, seduz e espalha, pelo mundo, a força e a beleza da África. Ò óré yeye o! Benjamim de Oliveira deu o salto para a liberdade, desafiando seus opressores e encantando a plateia, principalmente, a criançada. Oni beijada! Maria Lata D’Água desceu do morro e surpreendeu a Avenida, com a dança de quem se equilibra para suportar o cotidiano da pobreza. Serginho do Pandeiro faz malabarismos, acompanhando o samba sincopado que fascina os passistas. Láaròyè Èsù! Os tambores dos Alabês embalam o ritual do Tuiuti. Do grande teatro, vem Mercedes Baptista, a mãe de muitos bailarinos e bailarinas pretos. Ela alimentou a cena com movimentos e gestos da cultura africana. Odò fé yaba! Mãe Stella foi doutora, escritora da Academia de Letras da Bahia e contadora de ìtans, que encantam adultos e crianças; ela é Odé Kayode. Oke aro! Chadwick Boseman incorporou a realeza africana do futuro, no jovem guerreiro da paz, eternizando, no cinema, a inspiração da ancestralidade. E se e babá, Epà bàbá!

À LUZ DA CIÊNCIA – Com a proteção dos orixás

De onde vem o poder da cura e do domínio da ciência e da técnica que nos permite avançar em direção ao futuro? A profunda ligação dos orixás com os elementos naturais expande nossa visão para a necessária preservação do planeta. Wangari Maathai, a combativa bióloga africana, nos ensina: “somos chamados a ajudar a Terra, a curar as suas feridas e, no processo, curar as nossas, a abraçar, de verdade, toda a criação, em toda a sua diversidade, beleza e maravilha”. Onílé mo júbà awo! A sabedoria ancestral também sustenta a justiça para os que queiram nela se inspirar; a desembargadora Ivone Caetano protege aqueles que estão entregues a todo tipo de brutalidade e racismo. Saluba! Desde a Antiguidade, nossos antepassados ensinam o manejo da terra, o cuidado com as plantas que podem servir de alimento e cura; George Washington Carver estudou e compartilhou suas descobertas com quem mais precisava desse sustento, tornando-se um dos cientistas mais respeitados do mundo. Ewê o asà! E, quando a peste devastadora cai sobre nós, rezamos para que o orixá nos devolva a saúde; agradecemos a quem foi capaz de desvendar os segredos do vírus e nos ajudar a vencer a doença. Jaqueline Goes de Jesus, que isolou o genoma da Covid-19, é motivo de orgulho para a ciência brasileira. Atóto! O que dizer diante do tabuleiro da jovem campeã, que movimenta as peças do xadrez com sensibilidade e inteligência? Phiona Mutesi é como a yabá de grande sabedoria e vidência, que, dominando todas as probabilidades, pode transformar o mal em bem, atributo que lhe foi concedido pelo próprio Orunmilá. Hiho! O arco-íris liga o Orún ao Ayé. É obra de uma divindade que representa os movimentos da Terra, dos astros, a transformação de dia em noite e de noite em dia; Mary Winston Jackson foi a primeira engenheira espacial da NASA e, em seu caminho, ajudou mulheres e outros grupos minoritários a avançar em suas carreiras e tocar o infinito. Aho gbogbo yi!

DEVOÇÃO À ÁFRICA – A fé como forma de resistência

A diáspora africana deu origem a festas, folguedos, cultos, rituais, canções, danças e manifestações religiosas que são símbolos de resistência aos horrores suportados por escravizados e seus descendentes nas Américas. Quando coroaram um imperador etíope como príncipe da paz e a ele adoraram como a um deus, nasceu o movimento rastafári, difundido pelo reggae. Ao proibirem o uso dos tambores, entoaram seus cânticos de louvor e dor, no ritmo das palmas e na percussão com os pés e batidas das mãos pelo corpo, dando origem ao gospel. A congada é a coroação de um rei e de uma rainha congoleses. Esse festejo também costuma render homenagens a um santo preto, descendente de africanos escravizados, bendito por sua dedicação aos pobres. As religiões de matriz africana eram proibidas e reprimidas. Seus praticantes usavam os santos católicos para cultuar os orixás e evitar os castigos aplicados pelos senhores. No Brasil, esse sincretismo, que recebeu contribuições de outras religiões, resultou na criação da umbanda. O candomblé ainda utiliza o culto às divindades iorubás, através de imagens católicas, mas procura manter maior conexão com os fundamentos da religião africana. O ritual da saída de iaô é o começo de um novo ciclo, a iniciação no candomblé. É o nascimento para a vida espiritual e garante a formação, a preservação e a transmissão dos valores culturais.

A saudação do Tuiuti simboliza o respeito às nossas origens e aos ensinamentos dos orixás. Um canto de amor aos homens e mulheres pretas, que são exemplos de luta, sabedoria e resistência. Que o passado ilumine o futuro, que nossos caminhos se abram! KA RÍBA TÍ YE.

Paulo Barros
Isabel Azevedo
Cecília Couto Martins
Fátima Couto Martins
Simone Martins


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O projeto “Vazio de Carnaval” apresenta uma série de perfis de profissionais que dedicaram sua vida à folia brasileira e tiveram seus trabalhos afetados pela pandemia. As histórias desses personagens foram registradas em depoimentos em vídeos e numa sessão de fotos que serão postados diariamente nas redes sociais do coletivo, com foco no Instagram.

A iniciativa foi batizada de “Vazio de Carnaval” não só pelo hiato dos desfiles neste ano e o deserto das avenidas, mas também pelo próprio silêncio das agremiações durante esse período. Serão ao todo dez personagens fotografados pelas lentes de George Magaraia, publicados diariamente em nossas redes. A ideia de fotografar profissionais vai ao encontro com a proposta originária do Carnavalize: enxergar o carnaval como uma potente manifestação artística e social.

Veja nosso vídeo manifesto com narração de Milton Cunha:



FLÁVIO POLYCARPO

32 anos de carnaval

Foto: George Magaraia.


Atuando no carnaval há mais de trinta anos, Flávio Polycarpo é um dos principais escultores da festa. Suas produções em isopor e fibra de vidro já estiveram presentes em mais 22 escolas de samba: no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Santa Catarina. Sua trajetória no carnaval começou em 1989, quando foi convidado pelo diretor de adereço da Mocidade Independente de Padre Miguel, Geraldinho, para produzir esculturas de carnaval no Atelier Getúlio Barbosa. Em 2015, ele criou a Polyscultura, empresa de escultura que atende tanto as escolas de samba, como festas temáticas e eventos.

Depoimento de Flávio:

"Eu comecei no carnaval, a gente fazia mais de de 20 alegorias, depois baixaram para 12, depois 8. E a coisa vem dando uma enxugada de um tempo para cá, então a gente acaba tendo que adaptar e trabalhar em outros mercados também", conta o escultor Flávio Polycarpo.

Flávio Polycarpo relatou ao Carnavalize sua visão aos impactos da pandemia:

"(...) isso afeta não só as pessoas que trabalham comigo, mas um número de mais de duas mil famílias. São mais de dois mil profissionais, dentro do carnaval carioca, que vivenciam e vivem quase exclusivamente do mercado do carnaval."

IVONETE CANDIDO (DONA NETE)

22 anos de carnaval

Foto: George Magaraia.

Ao acompanhar uma amiga que angariava uma vaga como aderecista no barracão da Grande Rio, Nete foi descoberta como modelista pelos diretores que lá estavam. No primeiro momento, a então enfermeira negou o convite, mas após diversas investidas por parte da escola e pelo carnavalesco da época, Alexandre Louzada, ela se rendeu e aos poucos foi pegando gosto pela produção carnavalesca. Hoje, depois de 22 anos na tricolor da baixada, a costureira não consegue pensar em sua vida longe do carnaval. Ao lado de renomados carnavalescos como Joãosinho Trinta, Max Lopes, Alexandre Louzada e outros, Nete foi dando um nó aqui e dando corpo às criações dos artistas acolá. No último ano, diante de todas as adversidades, ao lado de uma pequena equipe no barracão da Grande Rio a costureira coordenou a confecção de mais de 32 mil máscaras anti-virais doadas para a comunidade e hospitais. Depoimento de Nete: “(...) ele foi me mostrando os desenhos, né?! E com aqueles desenhos eu tinha que fazer as modelagens e os cortes para poder montar a fantasia. E assim, eu fiz! Dei tudo de mim e acabei fazendo. Eles adoraram e queriam que eu ficasse (...) e assim foi… eu fui continuando e até hoje eu estou no carnaval”, relata a bem humorada costureira Nete ao Carnavalize. Os reflexos da pandemia para Nete Candido: “Eu trabalho com uma equipe, e essa equipe - aderecistas e costureiras - elas ficaram muito tristes, porque contavam com esse trabalho do carnaval. Todo mundo conta com esse trabalho do carnaval! Já ficam ali pensando: “poxa, Nete, não vai ter nada para fazer?!”, eu falei: “não vai ter! Carnaval acabou esse ano, só ano que vem.”, e foi muito difícil para falar para elas (...) todo mundo fica esperando para já começar a trabalhar.”

DANIELA RENZO

20 anos de carnaval

Foto: Juliana Yamamoto.

A preparadora de casais de mestre-sala e porta-bandeira, Daniela Renzo, atua no carnaval há 20 anos e é uma das principais artistas envolvidas na arte. Sua relação com o carnaval não veio de uma família de sambistas, mas sim por meio da faculdade, tendo contato com grandes nomes do quesito. Daniela também foi por muitos anos porta-bandeira, com passagens em escolas como o Morro de Casa Verde. Seu trabalho como preparadora iniciou em 2004 quando se integrou na AMESPBEESP (Associação de Mestre Sala, Porta Bandeira e Estandarte de São Paulo). Atualmente, a profissional cuida de defensores do pavilhão de São Paulo e do Rio. Em 2020, ajudou os casais de Tom Maior, Tatuapé e Mancha Verde.

Depoimento de Daniela:

"Eu fui introduzida a esse universo maravilhoso através de um trabalho pra faculdade. Eu fiz faculdade de Artes Cênicas na UNESP e lá na faculdade eu fazia parte de um grupo de danças folclóricas brasileiras e aí através desse trabalho que eu fiz sobre escolas de samba eu acabei sendo introduzida nesse universo e fiquei completamente apaixonada. Nesse mesmo período fazendo essa pesquisa eu conheci Gabriel de Souza Martins, Vivi Martins, Ednei Pedro Mariano e Sonia Maria, fiz uma oficina com eles de mestre-sala e porta-bandeira de uma forma totalmente despretensiosa só pra conhecer e pra saber como era e eu acho que acabei levando um pouquinho de jeito pra coisa", contou Daniela em depoimento para o projeto.

Os reflexos da pandemia para Daniela Renzo:

"É um período muito delicado esse que nós vivemos. Óbvio que pegou todo mundo de surpresa, ninguém iria imaginar que ficaríamos longe uns dos outros tanto tempo (...). Afetou bastante, estou sentindo muita falta do calor humano, de estar com as pessoas, de trabalhar, de produzir, de ver a nossa arte tomando forma. Isso realmente afetou bastante, tenho conversado com alguns dos meus casais e eles estão até emocionalmente abalados por de repetente terem sido cerceados das coisas que eles mais amavam na vida, que é dançar. Então é um momento muito delicado..."

ERYCK QUIRINO

10 anos de carnaval

Foto: George Magaraia.


Eryck é ritmista da Mocidade Independente de Padre Miguel, onde desfila no naipe de cuícas há dez anos, sendo inclusive a cuíca microfonada da Não Existe Mais Quente. Além disso, também desfila na bateria da Grande Rio, representando o naipe de caixas da Invocada. A aproximação de Eryck com o carnaval se deu por intermédio da família, por ambos os lados da árvore genealógica. Pelo lado do pai, é filho de Quirininho e neto de Quirino da Cuíca, lendário cuiqueiro que integrou a seleção de Mestre André. Pelo lado da mãe, tem laços com Mangueira e Beija-Flor, contando com familiares em diversas escolas e setores das escolas.

Depoimento de Eryck Quirino:

"(...) A gente cresceu nesse meio, vivendo com o carnaval a todo momento. Tenho primo mestre-sala, tenho tio que já foi mestre de bateria, em bloco de rua também… Carnaval na nossa vida não é só a Escola de Samba, tem a parte do carnaval de rua também. Já saí em turma de bate-bola, e isso tudo é uma influência gigantesca dentro da festa, e aí esse mês que a gente não tá tendo nada por aqui né… A gente não tem o que tá acostumado em fevereiro”.

Os reflexos da pandemia para Eryck Quirino:

"A galera depende desse meio do carnaval né, desse meio de escola de samba, do carnaval de rua até as escolas de samba. Desde a galera que trabalha em ateliês, galera que faz shows, que trabalha com oficinas de percussão, que faz blocos. Que tem esse período de Maio até os desfiles pra trabalhar, fazer seu ganha pão, e nesse momento tá sem moral, e não tem saída de nenhum lado. Seja das escolas ou do Estado. (...) Eu também tenho um grupo de roda de samba-enredo, que tem mestre de bateria, tem ritmistas, e essa galera tá sentindo falta desse período festivo, de muito trabalho. "

FABIANO SILVA

23 anos de carnaval

Foto: George Magaraia.

Fabiano Silva é baiano, mas tem dedicado a sua vida para a folia carioca há décadas. Ele começou sua trajetória no barracão da Vila Isabel para conseguir sua independência financeira e desde então se sustenta do carnaval. Já atuou como aderecista e decorador em agremiações cariocas dos mais diferentes grupos. Além da bagagem nacional, acumula ainda experiências internacionais em carnavais pelo mundo todo, principalmente no Japão, França, Itália e Espanha. Além dos bastidores de barracão, Fabiano brilha também na Avenida como destaque de luxo e passista. Nessas funções, integrou o elenco de shows e eventos turísticos, como o espetáculo "Forças da Natureza", realizado na Cidade do Samba.

Depoimento de Fabiano Silva:

"Se você corta a verba do carnaval, você também corta a verba do profissional. Se você tira a verba do profissional, não diminui aquela conta que ele tinha que pagar. (...) O carnaval é antes, durante e depois. O Rio não para só no período do carnaval, nós trabalhamos de seis a sete meses e as pessoas não sabem disso."

Os reflexos da pandemia para Fabiano Silva:

"Além do carnaval do Rio, há festas no mundo todo que são influenciadas. Em 2022, o que todo sambista está esperando é um grande carnaval. Um carnaval pra gente agradecer por estar vivo e a vida poder voltar ao normal, poder contar com aquele dinheiro novamente. E ter a alegria que o carnaval leva, não só na Avenida, mas nas nossas vidas em si. Além de pagar as minhas dívidas, eu ainda tenho uma equipe de doze pessoas. São doze profissionais que ficam esperando o meu trabalho."

CARMEM BAIANA

40 anos de carnaval

Foto: George Magaraia.

Nascida em Salvador-BA, Carmem Maria ou - como é carinhosamente chamada no meio carnavalesco - “A Baiana”, apelido dado por ninguém menos que Viriato Ferreira, mora no Rio de Janeiro há mais de 40 anos. Quando chegou na capital carioca foi a convite de uma amiga trabalhar com Viriato, daí veio a sua introdução ao carnaval. A costureira já passou por todas as escolas de samba do carnaval carioca e trabalhou com grandes nomes da nossa festa, fazendo modelagem, cortes e costura. Baiana já se aventurou na costura por diversos meios do entretenimento, chegando a trabalhar para peças de teatro, novelas e concertos. Por muito tempo fez parte do atelier do Jurandir no Jacarezinho e há dois carnavais é a costureira mais querida do atelier Alessa Reis, onde presta serviços para escolas como: Viradouro, Vila Isabel e Tuiuti.

Depoimento de Carmem Maria (Baiana):

“E outra, a aposentadoria não dá… eu dependo do carnaval (...) meus parentes moram tudo em Salvador, e eu e minha filha aqui, (...) tem minhas cachorrinhas, tem minha tartaruga… tenho que dar comida pra eles! E isso faz falta. O carnaval fez uma falta, não só pra mim, para todos nós que trabalhamos nesse ramo. Ficou brabo! Então, aparecer a vacina logo que tô doida pra me vacinar.”

O reflexos da pandemia na vida de Carmem Maria:

“Essa pandemia… Eu tô tomando remedinho porque eu fiquei nervosa, que 90 dias em casa sem fazer nada. No dia que eu saí, eu comecei a chorar de medo. Mas aparece um servicinho ali acolá e eu vou fazendo, para não entrar em parafuso. Eu tô conseguindo ir na rua fazer algum trabalho, tem que fazer! Eu vou fazer 70 anos, ficar sem fazer nada? Eu vou pirar. Mas graças a Deus eu tô indo!”

GUILHERME ESTEVÃO

8 anos de carnaval

Foto: George Magaraia.

Guilherme é carnavalesco do Império da Tijuca, na Série A - um dos grupos que mais sofreu com o descaso sobre os desfiles das escolas de samba e com a pandemia pelo poder público. Antes disso, foi assistente de outro carnavalescos em escolas como União da Ilha e Porto da Pedra. Em 2020, na sua estreia, o artista fez um enredo sobre educação. Ao decorrer da pandemia, propôs ações que fortificaram as lições e os fundamentos do que compreendemos como escolas de samba. Com sua jovialidade, Guilherme se demonstrou uma liderança engajada, promovendo campanhas que ajudaram a repensar as ações de comunicação da escola do Morro da Formiga e ajudando sua equipe de profissionais.

Depoimento de Guilherme Estevão:

"Eu espero muito que essa pandemia passe o quanto antes. Que todo mundo se proteja, se vacine, e que a gente possa voltar a fazer carnaval, possa voltar a fazer essa cadeia produtiva girar... E que os nossos sonhos, inclusive os meus, possam desfilar na Avenida o mais breve possível!"

Os reflexos da pandemia para Guilherme Estevão:

"Hoje a gente está em meio a um processo muito triste, que é o momento de não realização dos desfiles. Na nossa rotina, fevereiro é sempre um momento de muita correria, de muito desgaste e de muita ansiedade, e esse é um fevereiro muito diferente, seja financeiramente, seja dos nossos sonhos, dos nossos desejos, das nossas vontades de fazer o povo feliz"

ALESSANDRA REIS

27 anos de carnaval

Foto: George Magaraia.

Alessandra Reis administra um dos ateliês de fantasias mais requisitados entre as escolas de samba tanto do grupo especial como dos grupos de acesso. Além de atender por demanda, a aderecista e artesã coordena paralelamente a produção de figurinos e adereços da Vila Isabel e da Viradouro, somando mais de duzentos funcionários que foram impactados pela pandemia das equipes das duas agremiações.

Em tempos normais, além dos funcionários de barracão, o espaço no Santo Cristo chega a funcionar durante pelo menos dez meses do ano, empregando uma equipe de até trinta funcionários diretos. Atualmente, é um dos poucos espaços da folia que segue funcionando durante a pandemia, com um time três vezes menor que o usual, visando seguir os protocolos sanitários de segurança.

Depoimento de Alessandra Reis:

"Eu sou uma pessoa que o carnaval salvou. Eu vivo carnaval o ano todo e tenho muito amor pela minha arte. Quando eu cheguei em um ateliê, tudo que me davam, eu queria aprender. Eu fui para colar pedra, mas logo aprendi outra coisas", conta Alessandra. 

Os reflexos da pandemia para Alessandra Reis:

"Não está fácil. A coisa foi tão forte que chegou um momento que eu tive uma crise de ansiedade, que eu precisei de uma psicóloga. Eu tinha as minhas neuras, os meus problemas e os problemas de muita gente que trabalha diretamente comigo. Foi quando eu comecei a pedir nas escolas: vamos fazer os protótipos, faz com um custo mais baixo. Segura o salário do ano passado. E assim, com muita dificuldade a gente foi começando. As pessoas estão precisando se sentir dignas de novo, é mais do que receber um salário."

BRUNO OLIVEIRA

20+ anos de carnaval

Foto: Juliana Yamamoto.

Um dos responsáveis por um dos mais consolidados e conhecidos ateliês paulistanos, Bruno Oliveira, figurinista, atua no carnaval há mais de 20 anos. Sua relação com a festa começou em 1993 ao visitar a quadra de uma escola de samba para um ensaio, onde se apaixonou, desfilando na ala das crianças e até se aventurando como mestre-sala mirim. O seu trabalho com fantasias iniciou a partir de 1998, sendo o primeiro figurino assinado com apenas 11 anos. Já a confecção das fantasias de casal de mestre-sala e porta-bandeira deu início no carnaval de 2009, quando recebeu o convite do carnavalesco Tito Arantes, do Águia de Ouro, que estava no Grupo de Acesso. Além de confeccionar indumentárias dos defensores dos pavilhões, Bruno também faz um grandioso trabalho com destaques, musas e rainhas de bateria.

Depoimento de Bruno Oliveira:
"Muitas pessoas não entendem o trabalho primoroso que existe também nos figurinos do carnaval. As técnicas aplicadas, enfim. As pessoas, no grande contexto geral, acham que são roupas descartáveis ou roupas que não têm um estudo, uma preocupação com textura, materiais, pintura de arte. A importância do carnaval na minha vida é que ele foi realmente a minha escola e é até hoje. É no carnaval que eu consigo, talvez, me reciclar todos os anos, aprender mais, conhecer outros profissionais também porque temos aí grandes artistas". Os reflexos da pandemia para Bruno Oliveira: "Dentro do carnaval e fora dele, a pandemia afetou quase 100%. Aqui no ateliê a gente tem uma equipe de colaboradores bem grande, que realmente não pode estar nesse momento. A nossa demanda caiu muito e não só com os serviços de carnaval, em todos os setores de eventos."

MESTRE MANOEL DIONÍSIO

62 anos de carnaval

Foto: George Magaraia.

O mineiro chegou ao Rio de Janeiro com 8 anos de idade. Em sua juventude - aparentemente eterna -, adentrou ao histórico Balé Folclórico Mercedes Baptista. No carnaval, sua primeira aparição foi em 1959, no enredo sobre Debret, vivenciando maravilhas pelo Salgueiro. Mestre Dionísio desfilou na histórica ala do Minueto, no campeonato de Xica da Silva, em 1963, participando de umas das imagens mais emblemáticas da história dos desfiles das escolas de samba. Com uma extensa carreira como bailarino mundo afora, nos palcos do carnaval, ainda foi apresentador de casais, porta-voz da Federação dos Blocos e assistente técnico de carnaval da Riotur. Se carrega no sobrenome a titularidade de um deus grego símbolo da fertilidade, é de suas mãos que afloram novos discípulos entregues a uma das artes fundamentais das escolas de samba, defensora de pavilhões, encantadora por giros e riscados. Há mais de 30 anos, fundou a Escola de Mestre-Sala, Porta-Bandeira e Porta Estandarte Manoel Dionísio, dando imensurável contribuição ao carnaval.

Trecho da fala de mestre Dionísio:

“Na verdade minha mãe queria que eu seguisse a carreira militar [...] ‘O que você quer fazer?’. ‘Eu queria dançar, mas a senhora quer que eu siga a carreira’. Graças a Deus ela entendeu. ‘Então não, se você quer dançar, você vai dançar’. E com isso, em 1959, ela (Mercedes Baptista) foi convidada com o Ballet para participar do Salgueiro”.


LEONAN E CLARA OMENA

Foto: George Magaraia.


Encerrando o #VaziodeCarnaval, a ancestralidade de olhar o futuro sob as mãos de quem muito fez pela cultura das escolas de samba no passado e no presente. Discípulos de Manoel Dionísio, Clara e Leonan participam da Escola de Mestre-Sala, Porta-Bandeira e Porta Estandarte Manoel Dionísio. Na sua família, Clara tem uma relação histórica com o carnaval, e começou a desfilar em escolas mirins até se encantar com a arte do bailado de porta-bandeira. A partir daí, frutificou o sonho de dançar empunhando um pavilhão pela Sapucaí. Leonan, por sua vez, adentrou ao mundo do samba por meio das amizades da família, conhecendo a escola de casais. Chateado com a paralisação dos desfiles, ele espera que em 2022 ele consiga dar o seu melhor, “encantando corações” e defendendo um pavilhão.


Foto: George Magaraia.

Pela primeira vez em 30 anos, o sorriso de Selminha, que também é seu sobrenome, permanecerá tampado na Sapucaí. Há 25 anos seguidos desfilando pela Beija-Flor, um dos maiores ícones da história do carnaval brasileiro não exercerá seu ofício na pista que a consagrou diante desse #VaziodeCarnaval.

Que sorriso estonteante! Como é estranho o vazio de um ano sem vê-la encantando a todos na Sapucaí com seu inconfundível bailado. Em nosso projeto, #VazioDeCarnaval, tentamos preencher um pouco desse buraco no peito com um vídeo emocionante.

O Carnavalize tenta trazer um pouco de acalanto e conforto a todos os corações que gostariam de cruzar e presenciar a Marquês de Sapucaí.

No #VaziodeCarnaval que nos persegue, encontramos espaço para expressar nossas emoções e dividir com todos os foliões apaixonados.

Para além de mostrar uma pequena amostra de quem são esses heróis e heroínas que trabalham em prol do carnaval, mergulhamos nos desdobramentos da falta do carnaval na vida de cada personagem e como a sobrevivência de cada trabalhador e trabalhadora que destinam suas mãos de obras para a festa está em risco diante das variadas incertezas.

Confira os depoimentos em vídeo desses profissionais do carnaval:


O #VaziodeCarnaval é uma iniciativa de valorização dos profissionais do carnaval, afetados pela paralisação dos trabalhos na pandemia. Os doze personagens tiveram suas histórias contatadas pelo Carnavalize e foram fotografados pelas lentes de George Magaraia, no Rio, e Juliana Yamamoto, em São Paulo. A ideia de fotografar profissionais vai ao encontro da proposta originária do Carnavalize: enxergar o carnaval como uma potente manifestação artística e social.

Nossos agradecimentos especiais são direcionados aos nossos padrinhos e às nossas madrinhas que, ao contribuírem com nosso programa de apadrinhamento (Padrim), viabilizam a realização de projetos como o #Vazio. Dessa forma, resistimos como coletivo e nutrimos o espírito carnavalesco vivo em cada um de nós.

Agradecemos também à Riotur e ao Império da Tijuca pela disponibilidade de seus espaços e deixamos nosso muito obrigado pelo apoio de André Rodrigues, João Gustavo Melo, Juliana Joannou e Romulo Tesi.

Por fim, ressaltamos a importância de toda a equipe Carnavalize para que o projeto pudesse tomar forma e atingir o objetivo de dar rosto e voz àquelas pessoas que dedicam a sua vida ao carnaval: Beatriz Freire, Eryck Quirino, Felipe Tinoco, João Vitor Silveira, Juliana Yamamoto, Leonardo Antan, Luise Campos, Lucas Monteiro, Pedro Umberto, Talitha de Jesus, Theo Neves, Thomas Reis e Vitor Melo. 

Nesses dias passaram por aqui profissionais de todas as áreas do carnaval - costureira, aderecista, instrutora, modelista, escultor, decorador, ritmista, bailarino, porta-bandeira, mestre-sala e carnavalesco. Formou-se uma pequena parcela do enorme contingente afetado pela não ocorrência do carnaval.

Ainda que seja sábia a decisão pelo cancelamento do carnaval, acreditamos que o poder público precisa viabilizar a assistência dessas milhares de famílias desamparadas, olhando atenciosamente aos profissionais do setor da cultura, tão impactados pela crise sanitária.

Salve, Flávio Policarpo! Salve, Nete Candido! Salve, Daniela Renzo! Salve, Selminha Sorriso! Salve, Eryck Quirino! Salve, Fabiano Silva! Salve, Carmem Maria! Salve, Guilherme Estevão! Salve, Alessandra Reis! Salve, Bruno Oliveira! Salve, Leonan Ramos! Salve, Clara Omena! Salve, mestre Manoel Dionísio!

Salve todos os profissionais do carnaval!! Nosso afeto e nosso agradecimento!

#CarnavalizeConosco








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Lembro, ainda hoje, da primeira vez que chorei ouvindo um samba. Foi na minha pré-adolescência e escutei, sem muita atenção, Beth Carvalho cantando “O Meu Guri”, do Chico Buarque. Eu não entendi muito bem o que tinha acontecido. Sem smartphone ou mesmo internet em casa, tive que esperar encontrar o CD com essa gravação, ler a letra e entender a emoção que havia tomado conta de mim naquele momento. Nesse dia, de uma só vez, eu virei fã de Beth, de Chico e entendi que o amor podia estar em espaços muito desconhecidos por nós - numa letra de samba ou no coração de uma mãe que vê seu filho morto, “com venda nos olhos e de papo pro ar”, em uma capa de jornal. Eu, que nascido e criado em São Cristóvão, já era mangueirense, entendi também logo depois que o amor podia estar também no Carnaval e na minha relação com o mundo do samba (e de suas escolas). 

Depois disso, chorei ouvindo muitos outros sambas e vendo muitos desfiles. O último deles foi em 2019, com a aula de (outras) história(s) do Brasil que a Mangueira levou para a Sapucaí e para todo o mundo. Foi um desfile arrebatador. A pista e a arquibancada cantavam o samba a plenos pulmões e se emocionavam a cada segmento da escola, a cada carro, a cada ala, a cada paradinha da bateria. Foi uma experiência para nunca esquecer. 

E por que estou falando disso agora? Primeiro, porque, em tempos pandêmicos, em que, em um país como o nosso, o absurdo vira cotidiano, a morte viral banal e o ódio parece reinar sobre o amor, faz bem relembrar momentos como esse. Segundo, porque em 2020 eu não estive no Sambódromo e mal sabia eu, naquele momento, o quanto iria me arrepender dessa decisão. O Carnaval de 2020 foi a última alegria dessa nação, o último respiro antes de sermos todos internados, sem qualquer tipo de atenção de quem deveria zelar por nós, em um completo estado de abandono e desespero. Nem sequer a certeza de todo ano, de que sempre podemos “nos guardar para quando o Carnaval chegar” (“grande Chico iluminado!”), não a temos.

Está muito difícil pensar em Carnaval (e imagino que isso não valha apenas para mim…). Não por causa do discurso fácil de que há coisas mais importantes do que o Carnaval para se pensar em um momento como esse (ou para muitos: em qualquer momento de qualquer ano), mas justamente pela razão contrária: pela importância que o Carnaval tem em nossa cidade, em nosso país, na construção de nosso povo, da consciência crítica de nosso povo e na possibilidade que todos nós temos de pensar nossa existência, de maneiras diversas, quando pensamos nele e em tudo que o atravessa, como o samba por exemplo.

Como eu disse, em 2020, eu não estava na Sapucaí. Cheguei de uma viagem em plena noite do domingo de Carnaval. Entre malas e empurrões, vi o desfile da Mangueira pelo celular. Como para mim, o Carnaval, as escolas de samba e a Mangueira (...e a Paraíso do Tuiuti, mas aí é conversa para outra história…) são representações genuínas do amor, estava muito ansioso para assisti-la. Claro que o arrebatamento de 2019 e o lindo samba de 2020 contaram muito para ampliar esta expectativa (“Mangueira, samba, teu samba é uma reza pela força que ele tem”). 

Visão geral do desfile da Mangueira em 2019. Foto: RIOTOUR.

Entretanto, alguma coisa não aconteceu enquanto eu via aquele desfile. Me decepcionei (desrespeitando, propositadamente, de uma só vez, as regras de colocação pronominal e as regras de torcida fiel). Eu, que esperava explosão igual ou maior à de 2019, que esperava ainda mais uma identificação geral do público que estivesse na Sapucaí ou em suas casas ou nas ruas da cidade, acabei achando o desfile pouco contagiante, o samba pouco cantado, a escola escura demais e a narrativa excessivamente clássica. No fim daquela noite (ou melhor, na manhã do dia seguinte, ainda antes de dormir), não me contive e quis ver o que outras pessoas haviam achado, já que minhas impressões poderiam ser derivadas do fato de eu ter visto o desfile em uma tela de celular na confusão de um retorno de viagem. 

Fuçando páginas de jornais, postagens no Twitter e grupos de Facebook, vi que a opinião pública e a dos especialistas foi semelhante. Ninguém havia entendido como o samba mais cantado no pré-carnaval não aconteceu na Avenida. Depois de ler muito sobre o que tinha acontecido - e as muitas explicações para isso (que iam desde o horário do desfile até o tamanho das fantasias), quis ver de novo. Dessa vez, sem a expectativa. Na terça-feira de Carnaval, vi novamente o desfile da Mangueira. E foi diferente. Preciso dizer aqui (e é difícil dizer isso agora, com 2020 inteiro nas costas) que fiquei profundamente emocionado com o que havia visto. Só que a emoção não veio com o desfile, mas com as entrevistas depois dele - no tão complicado estúdio da Globo. Evelyn, Alcione, Leandro, os componentes da escola... (Que falta fez Beth!). Todos iam falando e mandando, no discurso, a letra que a Mangueira trouxe para a Avenida e para o Brasil 2019/2020. Aí acho que entendi. Dessa vez, “deu pra ouvir o desabafo sincopado da cidade”. 

Pensando (e sentindo ao pensar), entendi que talvez tivesse sido essa a proposta da escola. Sem querer ser a voz da razão, mas “abraçando a verdade” (que “nos fará livres”), a Mangueira fez pensar. A mim, a todos e, principalmente, à sua comunidade. Já estava lá na letra, só não viu quem não quis: “Favela, pega a visão! Não tem futuro sem partilha nem messias de arma na mão”. Não foi o Carnaval da explosão, nem poderia ser. Para a gente, que está sempre se guardando para quando o Carnaval chegar, é difícil estar nele e continuar “só vendo, sabendo, sentindo, escutando” como nos diz Chico sobre o que fazemos no resto do ano. A Mangueira em 2020 nos fez continuar assim, mas nos deixou também falar: muito mais fora da Avenida do que dentro dela.

Ano passado, em 2019, foi diferente: Leandro Vieira (e preciso nomeá-lo dentro deste texto, porque seu mérito nessa construção é inegável) colocou na Avenida o que esperávamos há muito tempo. Todos nós, em alguma medida, nos fizemos ouvir através do que a Mangueira disse. Na luta, nos encontramos, ouvimos as Marias, Mahins, Marielles, malês e vimos os Brasis que se fazem de Lecis, Jamelões e de multidões verde e rosa.

Visão geral do desfile da Mangueira em 2020. Foto: Wigder Frota.

Neste ano, 2020, foi diferente. Leandro não construiu uma história para que a Mangueira desse voz ao que queríamos dizer. Ele nos provocou a pensar sobre algo que não estava (e ainda não está) no nosso inconsciente coletivo. Ao contrário, nos fez romper com ele. A gente esperava ver outro Jesus na Avenida, assim como vimos outra história em 2019 (e, aqui, preciso abrir parênteses sobre uma conversa necessária que precisamos ter - em outra hora, talvez - sobre sambas incríveis que trazem narrativas diferentes das do enredo que visualmente se constrói na Avenida), mas a gente não viu outro Jesus. A gente viu o mesmo Jesus. O mesmo que vemos na Bíblia e sobre o qual aprendemos em aulas de catecismo, em encontros dominicais, nos filmes de Hollywood, nas conversas familiares, nos programas religiosos de TV ou de rádio. Esse sempre foi o “Jesus da gente”. A gente é que não sabia disso. Não era preciso inventar outro.

Leandro Vieira fez a genial construção de contar a mesma história de sempre, mudando pontualmente as imagens sobre ela. E sobre imagens, todos nós já sabemos, Leandro Vieira entende muito. Em 2020, não tivemos, na Mangueira, o mesmo festival de imagens de impacto que vimos em 2019, mas tivemos A imagem do desfile, que é também A imagem do Carnaval e (depois de tudo que vivemos até aqui, quero arriscar dizer) A imagem do ano: em meio a Jesus em diversas formas (mulher, índio, raivoso, bebê…), aparece o nosso Jesus, o Jesus da gente, um menino pobre, negro, tatuado, de cabelo platinado e bermuda tactel. Um Jesus, que é tomado por bandido só por ser quem ele é, ou quem ele quer ser.  
E aqui não podemos esquecer de quem foi o Jesus deles: o Jesus da Igreja católica, o Jesus que nos colonizou e tentou destruir tudo o que aqui havia e tudo que foi trazido para cá que não fosse como sua face: homem, branco, heterossexual, europeu, cristão… Esse Jesus oficial que nos fez esquecer que o verdadeiro Jesus, o que morreu na cruz, não morreu na cruz apenas para nos salvar, mas morreu nela porque foi tomado como bandido ao desafiar os homens de poder e nela morreu sem fundar qualquer religião, pedindo apenas que nos amássemos e que, portanto, enxergássemos o amor mesmo nos espaços desconhecidos por nós, como eu aprendi com Beth e Chico e com a Mangueira lá atrás. E reaprendi em 2020. 

E esse reaprendizado foi fundamental para levar 2020 adiante. Vimos, ao longo deste ano, uma pandemia que evidencia e potencializa todas as desigualdades dessa nação, vimos sequências de crimes raciais gravíssimos sendo registrados e denunciados pelas câmeras de quem não aguenta mais se guardar para quando o Carnaval chegar e vimos líderes políticos e religiosos ignorando (ou pior, desdenhando de) tudo isso. Mas vimos também lá no início do ano, que parece agora tão distante, uma imagem que já apontava para tudo isso. Esse menino Jesus na cruz, tomado por bandido, que a Mangueira trouxe, nos fez pensar (e sentir e continuar sentindo…). 

Não veio a explosão, mas veio a reflexão. E como todo bom exercício de reflexão, a resposta sempre demora a acontecer. Lá na terça-feira de Carnaval, eu já havia entendido isso. E a resposta pode demorar muito ainda para chegar, se é que chega. Como resultado da reflexão, a emoção vem ainda depois. Em mim, ela veio logo em seguida, já em um segundo olhar. Não sei dizer se a Mangueira deveria ser campeã, mas posso dizer que, junto com algumas outras, ela mereceria o título pelo que o enredo representou naquele momento. O campeonato não veio, mas o merecimento não se perde com isso. Em um ano de imagens tão fortes (algumas microscópicas), em um ano em que aprendemos (ou deveríamos ter aprendido) a viver através das telas e das janelas, dos enquadres das imagens, a Mangueira trouxe uma das mais simbólicas delas. Simbolismo que se deve ao que ela representou naquele desfile, ao que representa em 2020 e ao que ainda vai representar. “A verdade nos fará livres”, disse a Mangueira, mesmo quando reinam as fake news e, junto com elas, os fake tudo. 


Diego Vargas é professor, linguista aplicado, metido a escritor. 


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por Talitha Dejesus


“Assim como as palavras, as pessoas que as escrevem não podem ser apagadas.” 
(Carolina Maria de Jesus, 1960)


Dia 14 de março é o dia do nascimento da escritora Carolina Maria de Jesus e nada mais justo do que celebrar sua vida e seu legado. Você pode estar se perguntando: ‘’Qual a ligação da escritora com o Carnaval ou com o samba?’’, mas ao longo desse texto você vai compreender…

Antes de fazer esse paralelo da história da escritora com o universo do Carnaval, precisamos entender quem foi essa mulher e a importância dela para a cultura brasileira. A intenção aqui não é contar sua biografia, mas sim exaltar sua contribuição para a literatura brasileira e levantar reflexões sobre a vida e o legado dessa figura multifacetada que foi escritora, poetisa, compositora, sambista e muito mais. 

Vinte e seis anos após a Abolição da Escravatura, nasce Carolina na cidade de Sacramento, em Minas Gerais. Neta de escravizados e filha de lavadeira, frequentou a escola por apenas dois anos, onde pegou o gosto pela leitura e escrita. Ela chegou a São Paulo quando a cidade estava em processo de modernização e viu as primeiras favelas aparecendo. Construiu o seu barraco e, em 1947, se alojou na favela do Canindé. Lá, trabalhou como catadora de papel para sustentar a si e a seus três filhos que criava sozinha.

Carolina ficou mundialmente conhecida por seu livro ‘’Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada’’. O best-seller, publicado em 1960, relata suas vivências na favela e sobre como sobreviveu à fome. Nele, ela descreve a dor, o sofrimento e as angústias dos favelados de forma única, retratando a realidade assim como ela é, o que até hoje segue sendo um relato atual da condição de vida das favelas brasileiras. Após o lançamento, seguiram-se três edições, com um total de 100 mil exemplares vendidos, tradução para 13 idiomas e vendas em mais de 40 países.

 
Carolina em 1961, antes de embarcar para o Uruguai para lançar o best-seller Quarto de Despejo.(Foto: Acervo Estadão)


Sabemos que a história dos negros e das mulheres sofre tentativas de apagamento diante de uma sociedade racista e machista. Carolina também foi vítima desse processo de invisibilidade, de forma dupla, por ser mulher e negra. 

O que poucos sabem é que Carolina, para além do Quarto de Despejo, publicou ainda em vida mais três livros e deixou guardadas mais de cinco mil páginas manuscritas, totalizando 58 cadernos que contêm sete romances, mais de sessenta textos com características de crônicas, fábulas, autobiografia e contos, além de mais de cem poemas, quatro peças de teatro, doze marchinhas de Carnaval e, em 1961, chegou a gravar um disco com canções compostas por ela mesma.

Apesar de silenciada, depois do estrondoso sucesso, ela se mantém como uma importante representante da literatura brasileira, tendo sua escrita como ferramenta de denúncia, protesto e desabafo. 

A autora também anuncia os dilemas de ser mulher: quando criança, desejou mudar de gênero e sonhou em se tornar homem. Isso não aconteceu porque queria mudar seu corpo, mas por conhecer as barreiras que lhe trariam sua condição feminina. Em seus escritos, também podemos encontrar muitas marcas de oralidade, que entendemos como uma herança africana. Ao relatar as suas próprias histórias cotidianas, ela reverencia os griôs – em alguns povos da África, eles são contadores de histórias que têm o compromisso de preservar e transmitir conhecimento e cultura. 

 
Carolina às margens do rio Tietê. (Foto: Reprodução)

A escritora era moradora da favela do Canindé, próxima ao rio, e era ali onde ela lavava suas roupas e pegava água para seu consumo e de seus filhos. Alguns trechos de seu best seller relatam a relação da autora com o Tietê. 

A ascensão da literatura negra e da literatura feminina foi fundamental para sua retomada ao cenário literário e acadêmico. Seus livros passaram a ser tema de teses e dissertações nas universidades e se tornaram leituras obrigatórias em escolas e vestibulares.
Como forma de manter seu legado, podemos encontrar muitas homenagens à autora em documentários, peças de teatro, pinturas, grafites, poemas, reportagens, feiras literárias, nomes de ruas e bibliotecas e muito mais…

Levando em consideração as origens da festa carnavalesca, é muito comum sermos presenteados com enredos sobre ancestralidade, religiões de matrizes africana e homenagens a personalidades negras, como é o caso de Carolina Maria de Jesus, que já foi homenageada no Sambódromo do Anhembi e na Marquês de Sapucaí. 

Como forma de reverenciar essa figura gigante, fã da folia e reforçar seu legado cultural e social, vamos relembrar desfiles em que a escritora foi homenageada: 

Desfile da Renascer em 2017. Foto: Ana Cristina Victória

Em 2017, pelo grupo de Acesso A, a escola de samba Renascer de Jacarepaguá desfilou com o enredo ‘’O Papel e o Mar’’, baseado num curta-metragem com o mesmo nome que narra um encontro imaginário entre a escritora e o almirante negro João Cândido, líder da Revolta da Chibata.

Foto: O Globo.


No Carnaval de 2018, Carolina foi homenageada pelo Salgueiro, dentro do enredo ‘’Senhoras do Ventre do Mundo’’, que fazia um tributo à mulher negra, representando desde rainhas guerreiras a figuras contemporâneas da força feminina. O carro que encerrou o desfile trazia uma releitura da obra Pietá, de Michelangelo, que em sua versão original representa Jesus Cristo morto nos braços de Virgem Maria e, no desfile da agremiação, era uma mulher negra vestida com textos da escritora retirados do livro "Quarto de Despejo".



Levando o campeonato do Carnaval carioca em 2019, com ‘’História pra ninar gente grande’’ a Estação Primeira de Mangueira também prestou homenagem à Carolina. A ala “São Verde e Rosa as Multidões” representou as multidões de moradores de comunidades espalhadas pelo Brasil, com homens e mulheres carregando bandeiras de grandes personalidades, como por exemplo, o da escritora. 

Foto: Riotour.

“Nas encruzilhadas da vida, entre becos, ruas e vielas, a sorte está lançada: Salve-se quem puder!” foi o enredo da União da Ilha no Carnaval de 2020. Apesar do rebaixamento, o desfile tratou o tema importante da exclusão e invisibilidade social e mostrou que o caminho para vencer as mazelas é a educação. Com isso, a escola trouxe um elemento cenográfico no início do desfile homenageando a escritora em sua comissão de frente. 

Também em 2020, mas dessa vez no Sambódromo do Anhembi, Carolina foi reverenciada dentro do desfile da escola de samba Tom Maior. Com o enredo ‘’É Coisa de Preto’’, a escola teve como proposta enaltecer a negritude e lembrar como o povo negro contribuiu com o desenvolvimento da sociedade. Enaltecendo figuras negras que o racismo estrutural tentou ofuscar, Carolina foi uma das homenageadas em uma ala, que tinha como figurino páginas de um livro e, no chapéu, reprodução dos barracos da favela do Canindé. 

‘’Salve o povo da rua. 
Abre caminhos pro destino abençoar
Sou eu, Carolina de Jesus 
A voz da pele preta a ecoar.’’

 

Esse é o trecho do samba enredo da Colorado do Brás para o próximo Carnaval. A escola levará para a avenida o enredo “Carolina - A Cinderela Negra do Canindé”, que será desenvolvido pelo carnavalesco André Machado, em sua estreia na agremiação. 

Carolina nunca parou de escrever e nunca parou de dizer. Suas obras se tornaram a impressão da voz negra e feminina e daqueles que, por muito tempo, foram invisibilizados. Seu legado se perpetuou através do tempo para que nunca se esqueçam de que ela foi uma mulher negra resistente e representante da cultura brasileira, dentro e fora do nosso país. 

A vivência de Carolina é um grito de socorro que precisa ser ouvido, afinal, quantas Carolinas não existem por esse nosso Brasil? 





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