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Carnavalize





GRES Mocidade Independente de Padre Miguel
Carnaval 2019 – “Eu sou o Tempo. Tempo é Vida.”
Presidente – Wandyr Trindade (Vô Macumba)
Vice-presidente – Rodrigo Pacheco
Direção de Carnaval – Marco Antônio Marino
Carnavalesco – Alexandre Louzada

Apresentação

Mais um carnaval se apresenta. É o tempo que passa e novamente estamos aqui, carregando no peito a estrela da Mocidade Independente de Padre Miguel, que leva em seu nome a eterna juventude. Para a Mocidade, que será sempre jovem, o tempo é fonte de inspiração no carnaval de 2019. Eu sou o tempo, nós somos o tempo. Já pensou nisso? Todos construímos os nossos momentos e embalamos as nossas histórias nos braços de algo intocável, incontrolável e, por vezes, imensurável. Passa rápido, devagar, não volta, não perdoa e queremos sempre mais. Tempo é vida; a vida é o tempo. Por isso, relaxe e embarque nesse sonho com a gente. Venha aproveitar esses momentos e monte o quebra-cabeças da sua própria história. Deixe a sua mente bailar, no ar, em novos tempos. É tempo de Mocidade!

Sinopse do Enredo
Eu sou o Tempo. Tempo é Vida.

Tempo, tempo, tempo, tempo…

As batidas do meu coração marcam o compasso no tambor do samba, quando ecoa o apito da partida do trem da vida, nos trilhos do tempo, caminho infinito, riscado no espaço pela cauda de luz da estrela-guia, que cria um vácuo de sonho que a ciência desafia e que invade a morada de Cronos, a antimatéria que brilha, magia, e que se comprime e se expande, se dobra, retrocede e avança, num vai e vem que se esvai e se lança numa viagem louca, do presente ao passado e, numa reviravolta, de volta para o futuro.

Tempo que aqui se define ou que nasce indefinido, num tempo quando o tempo sequer existia no mundo, fruto do Caos, num dado momento, quando o Céu se encontrou com a Terra e concebeu o titã implacável, senhor da razão e do destino, o tempo que se mede desmedindo.

Tempo que a humanidade buscou entender acompanhando a dança dos astros, bailando entre a luz e a treva, dia e noite se repetindo e se reinventado constantemente, luas e marés mutantes, pois nada é igual ao que era antes, antes de tudo mudar. Tempo de florescer, de plantar e de colher, tempo de hibernar e de buscar onde se aquecer, tempo a brotar em épocas, ritos em profusão, oferendas, estações, declarações de fé em solstícios e equinócios, sagrações da primavera em cada alvorecer.

Tempo de descobrir, marcar, calcular. Quanto tempo o tempo tem? Tempos remotos de se observar o Sol a riscar de sombra a haste sobre a terra, horas que se desenham, nas gotas da clepsidra, tempo que orna e transborda. Tempo que ocioso passeia, de cima para baixo, e que se revira nas ampulhetas – o tempo que desliza nas areias, vira-virando o mistério.

Tempos idos medidos em calendários antigos, civilizações e impérios – apogeu e queda. Tempo que do universo é o regente e que em ciclos se divide no lado de cá do ocidente, envolto em enigmas entre o povo Maia, tempo que se faz serpente. Tempo viril, “yang”, que fecunda as terras do oriente, regando de chuva o seu chão. Tempo que se faz festejado, tão aguardado, tempo mítico dragão.

Tempo que gira perverso: eis que é tempo de inventar o tempo e de se aprisionar dentro dele. Engrenagens em movimento, tic-tac, relógios, máquinas do tempo pra lá e pra cá em um pêndulo. Som das horas a despertar, o galo que já cantou. Tempo que urge, a pressa, é cedo, é tarde, é hora de trabalhar, tempo que corre, dispara, tempo que é dinheiro, aposta, notícia, tempo de vida, o tempo que de fato não para.

Tempo que jaz no tempo, repousado nas camadas de tempos passados. O tempo redescoberto, preservado em museus e livros, frases então reveladas, arquivo do tempo. Tempo que brilha em mentes a frente do próprio tempo e, tal qual uma equação, viaja anos-luz na imensidão. Ciência equilibrada em teorias que em dobras do tempo, faz o longe quase perto e se teletransporta. Ou não? Tempo virtual, memória atemporal que a tecnologia armazena no ar, nas nuvens. O que antes era ficção científica, hoje é realidade. Tempo que se congela estéril na ilha glacial, Aíon, guardião da eternidade, faz da grande geladeira a nossa herança, a esperança de preservação.

Tempo, indomável tempo, de Kairós, o fragmento, único como o sopro divino, tempo de Deus que não é medido, tempo para ser vivido, sem pressa, sem medo, vida que segue, tempo indesvendável, tempo que é segredo e árvore sagrada.

O toque da inspiração vem num estalo de tempo: a arte se faz imortal e se eterniza na memória, de geração a geração, de voltas e reviravoltas, na tela do carnaval ou em uma explosão de cor no meio desse povo, assim como a nossa escola, que atravessou os trilhos do tempo e se imortalizou na história. Tempos de glórias, descritos por seus poetas nos seus lindos sambas, das paradinhas inesquecíveis, dos seus gênios artistas que lançaram tantas cores nos seus tantos carnavais. Ela, a eterna juventude, Mocidade Independente, que carrega a estrela, que é o cosmo, como emblema, o verde da brotação que se renova e o branco da paz de espírito. É possível parar o tempo na síncope do batuqueiro. Hoje o trem que transporta o futuro, que recuperou o tempo perdido, na vanguarda, redemoinho, acelera e retorna orgulhoso, na certeza de novas conquistas – e conduz a sua gente à mais infinita alegria!

Vira-tempo no templo do samba, eis que chega o nosso momento. Uma voz ecoa na noite: “Vamos lá! A hora é essa!” Coloque a fantasia, ouça o som da bateria.

É tempo de desfilar!

Alexandre Louzada
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Por Leonardo Antan e Felipe Tinoco

A "Série Enredos" tá dominando o site no mês de maio, com textos novos sempre às quartas e sextas. Fique ligado!



Passaportes na mão? Depois de viajar pelo Nordeste na semana passada, resolvemos alçar voos mais longe desta vez, percorrendo os principais continentes através do olhar das nossas escolas. Foi só em 1997 que a regra que proibia temas estrangeiros acabou. O fim da norma, que dificultava a abordagem de temas não-nacionais, deu mais liberdade para as agremiações viajarem em temas de fora do Brasil.

Junto a isso, com a chegada dos anos 2000, veio a onda de enredos CEP patrocinados, então as agremiações começaram não só a viajar pelas cidades brasileiras mais inusitadas, mas também pelos mais variados cantos do mundo. É uma tendência tão recente que todos os desfiles da lista são apenas dos últimos quinze anos. Por isso, são apresentações que quase todo mundo lembra. Vem viajar com a gente! 


França - Grande Rio 2009 e Vai Vai 2016

Reprodução site Liesa

Nossa alma é tricolor? O Brasil tem uma relação conturbada com a França, principalmente pelo Rio de Janeiro, mas é inegável o valor e a influência cultural francesa em nossa história. Um país tão rico culturalmente daria um grande enredo, né? E já deu dois, na Sapucaí e no Anhembi. Primeiro, a Grande Rio levou um grande homenagem ao país no ano da "França no Brasil", que incluía uma série de homenagens e aproximações entre as duas nações.

O enredo se focou nesse diálogo entre aqui e lá, viajando pela invasão de Villegagnon, as influências da Revolução Francesa e o carnaval de Nice. A apresentação assinada por Cahê Rodrigues em seu ano de estreia na tricolor de Caxias garantiu a quinta posição para a escola. Anos depois, o país ganhou o Anhembi com o desfile da tradicional Vai Vai, com enredo assinado pela consagrada dupla de carnavalescos Renato e Márcia Lage, que apresentaram os aspectos mais conhecidos do país. 

América Latina - Vila Isabel 2006



Para bailar la bamba! E nessa viagem por terras estrangeiras, vale uma passada pelos nossos hermanos, não é mesmo? Com uma polpuda verba da estatal petrolífera venezuelana PDVSA (R$ 900 mil à época, segundo consta), o carnavalesco Alexandre Louzada desenvolveu uma excelente viagem sobre os diferentes aspectos culturais que formam a América Latina no geral, desde as civilizações pré-colombianas passando pela exploração espanhola até os dias de hoje.

A apresentação foi embalada por um samba mediano, mas defendido com garra por Tinga e a comunidade de Noel. Recém subida do acesso, a Vila Isabel surpreendeu a todos, com um grande trabalho estético de Louzada e a força da apresentação, que acabou credenciando a azul e branco para o título. Numa apuração eletrizante, a agremiação acabou superando a sua principal rival, Grande Rio, que perdeu décimos preciosos depois de estourar o tempo.


África do Sul - Porto da Pedra 2007



O continente africano é sempre cantado num sentido abrangente e reducionista. Apesar de ser visto como um lugar homogêneo, a África é exatamente um continente com uma rica diversidade de países e culturas. Poucas narrativas com a alcunha de "enredo afro" desmistificam essa visão, como é o caso do enredo da Porto da Pedra em 2007, que escolheu fazer um recorte da região por país.

O enredo de Milton Cunha contou a história da África do Sul contra o preconceito e a colonização inglesa, marcada pelo terrível "apartheid". A figura fundamental de Nelson Mandela e sua luta contra repressão também ganhou destaque. O enredo explorou ainda os aspectos sociais do país, além da Copa do Mundo que o país sediou, em 2010. Tudo isso ganhou ainda mais emoção com um samba-enredo poético e que sintetizava muito bem a história. Pena a plástica de Milton não ter surtido o efeito esperado, mas mesmo assim, não tira o brilho dos bons momentos da apresentação do Tigre.


México - Viradouro 2010

Foto: Wallace Teixeira | Riotur 

Outro desfile que cantou a latinidade foi o da Viradouro. Com uma tequila e um sombreiro na mão, a vermelho e branco cantou o México e suas cores. Assinado por Edson Pereira e Junior Schall, o enredo lembrou diversas marcas históricas do país, exaltando sua rica cultura, sua fé, seus temperos, o processo de independência, a relação do seu povo com a morte e as figuras de Diego Rivera e Frida Kahlo.

A passagem da agremiação, no entanto, foi marcada por diversos problemas estéticos, e a escola acabou ficando com a posição mais baixa na apuração, caindo para o grupo de acesso. Até o carnaval de 2018, o ano de 2010 foi o último em que a agremiação que subiu - à época, União da Ilha - não ficou em último lugar. 

Angola - Vila Isabel 2012

Foto: O Globo

Voltando ao continente africano, outra narrativa não-totalizante da região veio pelas mãos de ninguém menos que Rosa Magalhães, carnavalesca pouco associada às temáticas negras. Com mais um enredo extremamente inspirado, a azul e branco mostrou que Brasil e Angola também estão ligados pela música, pela religiosidade e pelas demais heranças que transitam na negritude, proporcionada pelo tráfico de escravos, extremamente forte entre os portos de Luanda e do Rio de Janeiro.

A carnavalesca optou pelo uso de diversas estamparias do país homenageado, abrindo o carnaval com a riqueza natural da fauna e flora angolanas - lindamente retratadas em uma inesquecível comissão de frente - e fechando o desfile com o ícone comum dos dois países: Martinho da Vila. O compositor é considerado Embaixador Cultural do Brasil no país africano e realizou uma ponte musical relevante entre as duas nações, disseminando a música brasileira em Angola e a música angolana no Brasil. A agremiação, com um excelente samba-enredo, foi a última a desfilar no domingo de carnaval, saindo aclamada por crítica e público, conquistando o terceiro lugar daquele ano, além de seis prêmios do Estandarte de Ouro - inclusive para desfile, enredo e personalidade para Rosa Magalhães.  


Suíça - Unidos da Tijuca 2015

Foto: Christophe Simon 

Uma escola que tem pontos altos no programa de milhagem é a Unidos da Tijuca. Na onda dos enredos CEP, o povo do Borel encheu o pote como pôde, passeando não só pelo Brasil como pelo mundo diversas vezes. Um dos casos mais curiosos foi o da Suíça, afinal, quem diria que um país tão distante culturalmente poderia dar um bom enredo?

Foi o primeiro carnaval da Comissão formada após a saída de Paulo Barros, que ajudou a conquistar três títulos para o Borel. O enredo fez um passeio burocrático sobre a cultura e história da região homenageada, no melhor estilo atlas e guia de turismo. Numa tentativa de ligação com o Brasil, a narrativa ganhou o fio condutor de Clóvis Bornay, que tinha relação com o país através de seu pai. O samba não empolgou tanto, mas a plástica foi competente e faturou um ótimo quarto lugar para a azul e amarelo naquele ano. 

Marrocos - Mocidade 2017

Foto: Jornal Extra

Pra lá de Marrakesh! A Mocidade embarcou para o norte da África no carnaval de 2017 e homenageou Marrocos, sua gente, suas histórias e seus hábitos. A princípio com uma confusa sinopse e sem grande expectativa do público, a escola acabou surpreendendo a Sapucaí e realizou um belo desfile sendo tocado por um grande samba-enredo.

A comissão de frente de Jorge Teixeira e Saulo Finelon, feito um teatro de ilusão, foi um dos grandes trunfos e encantou a todos com a perseguição a Aladdin e seu tapete mágico, que sobrevoou a Avenida com um drone. O enredo foi um pouco criticado por não exatamente tratar do Marrocos, mas propor uma grande mistura de elementos famosos da cultura árabe, o que acabou dando tom mais familiar e lúdico ao tema. O último carro encerou o carnaval com uma miragem em que o “Saara de cá” - a bateria Não Existe Mais Quente - se encontra com o deserto do “Saara de lá”, sob a batucada do tambor de Xangô. Como propõe o lindo samba que acabou guiando o desfile da Estrela Guia, o orixá conheceu Alah e a Mocidade terminou a quarta-feira de cinzas com um grandioso vice-campeonato, mas se sagrou campeã do carnaval ao lado da Portela após a divulgação das justificativas e uma polêmica divisão do título.

China - Império Serrano 2018

Foto: Fernando Grilli/Riotur

Terminando nossa viagem, partindo rumo ao Oriente, chegamos no Império Serrano que escolheu homenagear a China após um período de oito anos distante da elite. O tema foi trabalhado pelo carnavalesco Fábio Ricardo e a agremiação desenvolveu uma proposta linear para exaltar a região. A imponência dos dragões chineses dourados abriram o desfile da agremiação, que contou com os leques, a flor de lótus, os signos religiosos, os mercados, a seda, as festas místicas, o Kung Fu Panda e outros elementos que são facilmente relacionados ao país.

Ainda que possuísse um simples porém aguerrido samba, o enredo cometeu equívocos, como a associação da Muralha da China às sete maravilhas do mundo antigo, e o Império sofreu com problemas de evolução e dificuldades estruturais e políticas no retorno ao Grupo Especial. O Reizinho de Madureira, entretanto, acabou beneficiado após a virada de mesa orquestrada pela Grande Rio, e continuará a desfilar no principal coletivo de escolas de samba em 2019.



Procuramos fazer uma viagem bem abrangente pelas mais variadas regiões do globo e seus continentes contados por diferentes agremiações. Obviamente algumas apresentações ficaram de fora, mas criamos uma playlist para quem ficou com gostinho de quero mais! Assim, sem sair do lugar, vamos conseguir ir a outros inúmeros destinos internacionais do roteiro carnavalesco:
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GRES ACADÊMICOS DO CUBANGO
CARNAVAL 2019

PRESIDENTE: ROGÉRIO BELISÁRIO
CARNAVALESCOS: GABRIEL HADDAD E LEONARDO BORA

IGBÁ CUBANGO
A ALMA DAS COISAS E A ARTE DOS MILAGRES

Objetos de poder, objetos de devoção, objetos-dádivas, objetos que possuem alma e contam histórias, objetos de pedir e pagar, objetos que traduzem graças, objetos encantados, objetos-amuletos, objetos-relíquias, objetos que operam milagres – e que mentem milagres também. O GRES Acadêmicos do Cubango pede a proteção de Babalotim, o “ídolo menino” que completa 40 anos, e agradece a São Lázaro, o padroeiro, pelo sonho vivido no último cortejo. Romeiro, cada sambista carrega consigo as suas obrigações. O que pretendemos contar são causos da religiosidade popular brasileira a partir da relação de cada sujeito com os seus objetos de culto. Somos devotos dos tambores ancestrais: rum, rumpi e lé. O desfile é o nosso ex-voto, o samba é a nossa graça. Porém é preciso cuidado com as promessas dos falsos profetas – novíssimos Reis da Vela com as suas coroas de lata, votos que perpetuam o medo e o preconceito.
Sambemos!
Carrego de Exu eu não quero carregar. Mas amuleto, o que é que há?
– Ko si ọba kan, ofi, Ọlọrun.


SINOPSE DO ENREDO

1 – Igbá Cubango

Na festa de Domurixá
em homenagem a Oxum
Deusa da nação Ijexá
onde a figura principal
era o boneco Babalotim
mensageiro da alegria, da força do axé
um ídolo menino, levado por menino em sua fé
e assim teve origem o Afoxé
Heraldo Faria e João Belém – Afoxé

Igbá Cubango! Guardamos nessas cabaças as memórias antepassadas. Fundamentos. Levamos para a Avenida o peji das nossas vitórias: evocamos o dom de Afoxé, o samba que se fez milagre. Assentamos, aqui, nossa história. Da palha fazemos um trono. O ídolo-menino de outrora é revivido na Passarela: que todo componente da escola a ele dirija um pedido. Valei-nos, Babalotim! Oxum traz os seus axés: pedras do fundo do rio, pentes de tartaruga. Otás. São Lázaro se transforma: Obaluaê, Omolu, Xapanã, na porta da nossa quadra, no Morro do Abacaxi. Saúda e protege os sambistas, que a ele oferecem presentes. Giram laguidibás, giram saias, giram guias. Chifres de búfalos, asas de besouros. Mães-baianas, turbantes e panos da costa, cobrem o chão de pipocas. As mãos nos atabaques, os pés na terra. Os corpos-terreiros fervem e alguém, enfim, anuncia: agarrem as suas figas para mais uma sagração!


2 – De pedir proteção
Laguidibá
não é simples ornamento
é colar de fundamento
você tem que respeitar
(…)
Laguidibá
é adereço muito certo
é coisa de santo velho
do Antigo Daomé
Nei Lopes – Laguidibá

Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará. O barroco tropical brasileiro reuniu em um mesmo oratório as relíquias dos santos de lá às penas caboclas de cá. Nos balangandãs de prata, romãs e muiraquitãs. Medalhas. Uma figa, uma rosácea, um coração, um crucifixo. Búzios, firmas, fitas, fios de conta. Dentes de animais encastoados. Pulseiras, colares, cocares. Calungas. Me banhei com guiné, alfazema e dandá. Defumei com quarô, benjoim. Patuás. Ourivesaria sagrada, jóias de mandingueiras. Quase tudo se faz amuleto, pedir proteção é de praxe – “basta encontrar na rua um fetiche qualquer, pedra, pedaço de ferro ou concha do mar”, escreveu João do Rio, nas quebradas. O seguro morreu de velho e é preciso se precaver: fechar o corpo, tomar a sorte, ganhar coragem, fazer os nós. Nos sacrários das sacristias, nos segredos dos Candomblés. Ebós. Arriar comidas nos entroncamentos. Carrancas pra navegar, máscaras nos bailados. Terços e escapulários – e um pouquinho de pó de pemba.


3 – De pagar promessas
No alto do morro chega a procissão.
Um leproso de opa empunha o estandarte.
As coxas das romeiras brincam no vento.
Os homens cantam, cantam sem parar.
(…)
No adro da igreja há pinga, café,
imagens, fenômenos, baralhos, cigarros
e um sol imenso que lambuza de ouro
o pó das feridas e o pó das muletas.
Carlos Drummond de Andrade – Romaria

Pedido feito, graça recebida – então é preciso pagar. Caminhar, seguir romaria. Carregar uma cruz tão pesada, o drama de Zé-do-Burro. Nas mãos calejadas da lida, cem mil corações em brasa. Ex-votos do Brasil inteiro desenham um mapa de pernas. O catolicismo popular expressa as andanças da nossa gente: Bonfim, Nazaré, Matosinhos, Bom Jesus, Pai Eterno, Canindé, Monte Santo, Juazeiro, e lá se vai a multidão cantando. Que ex-voto levo à Aparecida, se não tenho doença e só lhe peço a cura? – questionou Adélia Prado. São Judas Tadeu – Niterói. A Candelária, a Penha, a Penna. Nos “museus das promessas ou dos milagres”, como o descrito por Jorge Amado, vê-se a sobreposição de dádivas: barro, cera, madeira, papel. São partes do corpo, são pinturas, são retratos e miniaturas (de casas, de bichos, de barcos, de gratidão). Cartas, bilhetes, roupas, diplomas. Vitalino esculpiu ex-votos, Mestre Fida é uma referência. Artistas contemporâneos revisitam o imaginário – mesmo o Bispo do Rosário, que tanta alegria nos deu, a quem novamente rogamos: olhai por nós, nobre peregrino! Cada rosto esculpido foi dor alentada. (…) Deixa a dor nas aras, como ex-voto aos deuses – e segue o teu destino!


4 – Da (falsa) promessa que é dívida
HELOÍSA – Ficaste o Rei da Vela!
ABELARDO I – Com muita honra! O Rei da Vela miserável
dos agonizantes. O Rei da Vela de sebo. E da vela feudal que nos fez
adormecer em criança pensando nas histórias das negras velhas…
Da vela pequeno-burguesa dos oratórios e das escritas em casa… (…)
Num país medieval como o nosso, quem se atreve a passar
os umbrais da eternidade sem uma vela na mão?
Herdo um tostão de cada morto nacional!
Oswald de Andrade – O Rei da Vela

Mas há os falsos profetas e as falsas promessas à venda. Objetos de todo tipo, no shopping-cassino da unção. É água de benzer camisa, é caneta de assinar contrato, é tijolo para erguer a casa, é vassoura de varrer o diabo. Travesseiros para sonhos bons, redes de pescar vitórias. E velas aos borbotões! Não é outro que não a vela o mais famoso objeto votivo: de pedir, pagar, prometer. Abelardo I, o Rei da Vela, lucrou e fez fortuna explorando a miséria alheia. A crítica de Oswald de Andrade, Antropofagia e Tropicália, permanece ferida aberta no peito do Brasil atual. São promessas que viram cifras e moedas que se avolumam: qual é o preço a se pagar por um lugar confortável no céu? E que céu tão nublado é este, que mais exclui do que celebra a diferença? Dívidas que se pagam a preços exorbitantes – inclusive um outro tipo de voto, nem devoto nem ex-voto: o voto depositado nas urnas eleitorais.

Que as velas acendam pedidos de dias mais iluminados. Afinal, já dizia o poeta: há sempre uma promessa de alegria…
Amém, Axé, Evoé, Saravá!
-Glória pro fio de Exu!

Carnavalescos – Gabriel Haddad e Leonardo Bora
Autores e pesquisa do enredo – Gabriel Haddad, Leonardo Bora e Vinícius Natal

Nascido de uma confluência de sonhos, sequências de sincronicidades.
Agradecimentos especiais a Thiago Hoshino e Fred Góes.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AMADO, Jorge. Bahia de Todos-os-Santos. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
ANDRADE, Oswald de. O Rei da Vela. Rio de Janeiro: Editora Globo, 2000.
BARRETO, Cristina; BORGES, Adélia. Pavilhão das Culturas Brasileiras: Puras misturas. São Paulo: Terceiro Nome, 2010.
BATISTA, Marta Rossetti (org.). Coleção Mário de Andrade. Religião e Magia, Música e Dança, Cotidiano. São Paulo: EdUSP / Imprensa Oficial, 2004.
BISILLIAT, Maureen; SOARES, Renato. Museu de Folclore Edison Carneiro. Sondagem na Alma do Povo. São Paulo: Empresa das Artes, 2005.
BITAR, Nina Pinheiro; GONÇALVES, José Reginaldo Santos; GUIMARÃES, Roberta Sampaio (orgs.). A Alma das Coisas: patrimônio, materialidade e ressonância. Rio de Janeiro: Mauad X; Faperj, 2013.
COELHO, Beatriz (org.). Devoção e arte: imaginária religiosa em Minas Gerais. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2017.
CUNHA, Laura; MILZ, Thomas. Joias de Crioula. São Paulo: Terceiro Nome, 2011.
DUARTE, Ana Helena da Silva Delfino. Ex-Votos e Poiesis: representações simbólicas na fé e na arte. Tese de Doutorado em História – PUC-SP. São Paulo: 2011. Disponível em: https://sapientia.pucsp.br/handle/handle/12719.
GAUDITANO, Rosa; TIRAPELI, Percival. Festas de Fé. São Paulo: Metalivros, 2003.
GÓES, Maria da Graça Coutinho. Ex-votos, promessas e milagres: um estudo sobre a Igreja Nossa Senhora da Penna. Dissertação de Mestrado Profissionalizante em Bens Culturais e Projetos Sociais – FGV. Rio de Janeiro: 2009. Disponível em: http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/2700/CPDOC2009MariadaGracaCoutinhodeGoes.pdf?sequence=1&isAllowed=y.
LODY, Raul. Moda e história. As indumentárias das mulheres de fé. São Paulo: SENAC, 2015.
MAMMÌ, Lorenzo (org.). A viagem das carrancas. São Paulo: Martins Fontes, 2015.
MOURÃO, Tadeu. Encruzilhadas da cultura. Imagens de Exu e Pombajira. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2012.
MUSSA, Alberto. Ẹlẹgbara. Rio de Janeiro; São Paulo: Record, 2005.
PERES, Eraldo. FÉsta Brasileira: folias, romarias e congadas. São Paulo: Senac Editoras; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.
RIO, João do. As religiões no Rio. Rio de Janeiro: José Olympio, 2015.
RUFINO, Luiz; SIMAS, Luiz Antonio. Fogo no Mato. A ciência encantada das macumbas. Rio de Janeiro: Mórula, 2018.
SILVA, Lucília Maria Oliveira. Pedir, Prometer e Pagar: escritos, imagens e objetos dos romeiros de Canindé. Dissertação de Mestrado em História Social – Universidade Federal do Ceará (UFC). Fortaleza: 2007. Disponível em: http://www.repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/3378/1/2007_dis_lmosilva.pdf.
VAREJÃO, Adriana. Entre carnes e mares. Rio de Janeiro: Cobogó, 2009.
VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás. Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo. Salvador: Corrupio, 2002.
https://projetoex-votosdobrasil.net/.

Canções mencionadas no texto:
Afoxé, Heraldo Faria e João Belém
Feita na Bahia, Roque Ferreira
Laguidibá, Nei Lopes

Poemas e demais textos literários mencionados no texto:
Alegria, entre cinzas, Carlos Drummond de Andrade
Bahia de Todos-os-Santos, Jorge Amado
Ẹlẹgbara, Alberto Mussa
Ex-Voto, Adélia Prado
Ex-Votos, Aninha Duarte
Macunaíma, o herói sem nenhum caráter (capítulo Macumba), Mário de Andrade
Manifesto Antropófago, Oswald de Andrade
No mundo dos feitiços, João do Rio
O Pagador de Promessas, Dias Gomes
O Rei da Vela, Oswald de Andrade
Romaria, Carlos Drummond de Andrade
Segue o teu destino, Ricardo Reis/Fernando Pessoa
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Por Leonardo Antan

A "Série Enredos" dominará o site aqui durante o mês de maio, com textos novos às quartas e sextas.


No ciclo de vida momesco, a cada ano as escolas dão o start para a preparação do próximo desfile com o lançamento do enredo que levarão para a avenida. Enquanto o anúncio oficial não acontece, muitas são as especulações, ainda mais em tempos de WhatsApp e redes sociais, locais onde os boatos se proliferam com grande dinamismo, criando as possibilidades mais absurdas. 

Sai ano e entra ano, alguns temas voltam a se repetir e rodar em diferentes escolas como possíveis eleitos a enredos. Desde cidades buscando promoção até artistas famosos que não aceitam tal honraria, há várias possibilidades que já circularam nas escolas oficialmente ou não. Dando sequência à #SérieEnredos, confira algumas das mais famosas especulações dos últimos pré-carnavais:

Cirque du Soleil

O maior e mais conhecido circo do mundo com certeza poderia dar um belo enredo, né? Truques de ilusionismo, acrobacias, apresentações espetaculares e tudo o que faz parte do universo do circo canadense já foram cogitados para ganhar a Sapucaí. Uma das ocasiões mais emblemáticas ocorreu na Unidos da Tijuca, na preparação para o carnaval de 2010. Já pensou que poderíamos não ter tido "É Segredo!"? De qualquer forma, Paulo Barros, o carnavalesco do pavilhão amarelo ouro e azul pavão da época, seria um bom nome para levar o tema para Sapucaí.


Logo do que seria o enredo da Estácio sobre Singapura
Singapura

Bateu na trave! A cidade-estado asiática chegou a ser anunciada como enredo da Estácio de Sá para o carnaval de 2018. O desenvolvimento do tema contaria com a ligação do local com a agremiação por meio do leão do São Carlos, já que a região também tem o felino como símbolo. A proposta era patrocinada, mas o dinheiro não chegou, fazendo com que a vermelho e branco abandonasse a ideia, e Singapura ficou sem ganhar um samba em sua homenagem felizmente! 


Espanha

Um país tão rico culturalmente como a Espanha daria um belo enredo, e, vez ou outra, o reinado da Península Ibérica é ventilado como possibilidade de homenagem. Apesar da promessa, o enredo da União da Ilha sob a batuta de Rosa Magalhães em 2010 acabou enfocando mais sobre o clássico Dom Quixote e menos sobre o país. Até hoje, nenhuma escola do Grupo Especial fez uma homenagem à altura ao país. 



Nova Friburgo

A Cubango até divulgou a parceria com Friburgo, mas a homenagem não vingou.
A cidade da região serrana do Rio de Janeiro comemorou seu bicentenário esse ano e a prefeitura cogitou patrocinar um tema em homenagem ao município na Série A do carnaval carioca. Friburgo circulou por duas agremiações; primeiro a Porto da Pedra e um enredo fake de título curioso: "Deu a louca no Egito, o Faraó foi parar em Friburgo". A notícia chegou a ser anunciada em alguns veículos de imprensa para depois ser negada pelo Tigre de São Gonçalo. Depois, a possibilidade de homenagear o município também rondou a Acadêmicos do Cubango, e os carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, vulgo Boraddad, chegaram a realizar um desenvolvimento do tema, que também não se concretizou.


Fernando Montenegro
Confira a matéria
Considerada quase que unanimemente a maior atriz brasileira, a brilhante carreira de Fernanda Montenegro, que atravessa mais de setenta anos da produção cultural do nosso país, seria um enredo e tanto! Possibilidades não faltaram para isso se concretizar: em sua última passagem no Especial antes de 2019, no ano de 2015, a Viradouro - escola que já homenageou grandes musas do teatro, como Dercy Gonçalves e Bibi Ferreira -, chegou a conversar com a atriz, que alegou estar com a agenda cheia, o que impossibilitaria-a de poder se envolver como gostaria no processo da homenagem. O enredo teria sinopse assinada por Milton Cunha, que chegou a esboçar o texto. Posteriormente, quem procurou Fernandona foi ninguém menos que a Mangueira, mas a atriz alegou a mesma problemática: sua agenda, por duas vezes para a verde e rosa. A situação mais recentes foi há poucos meses, visando o próximo carnaval. Mas não será ainda que a vida da grande dama do teatro será retratada no Sambódromo. Deixa, Fernandona!


Luciano Huck
O Huck até tentou... Confira a matéria
Se alguns têm um currículo invejável, com possibilidades de alas e carros sobrando, outros não possuem tanto... Em 2017, Luciano Huck foi ventilado como possível candidato à presidência e para uma aproximação popular, nada melhor que virar enredo de escola de samba, não é mesmo? E o dono do Caldeirão tentou. Uma gorda promessa de patrocínio rondou algumas agremiações do da elite do carnaval para contar a vida do apresentador global. Alegoria do Lata Velha? Ala da pinta da Angélica? Pra nossa sorte, o absurdo ficou só na promessa e não chegou a se concretizar. 


Tim Maia
Uma das figuras mais controversas e amadas da música brasileira já teve sua vida transformada em livro, musical, filme e por que não um enredo de escola de samba? A história do cantor já foi cogitada para a avenida tanto no Rio quanto em São Paulo, sem sucesso, porém, nas duas folias. O tema seria difícil de carnavalizar, mas com certeza geraria um desfile de temática alegre e de fácil comunicação com o público. Fica a dica! 



Renato Russo

Outro músico fundamental para a história do Brasil mas também difícil de ser transformado em enredo é Renato Russo. O lendário líder da Legião Urbana também já foi ventilado como possível enredo de algumas agremiações. A vez mais recente foi pela União da Ilha, localizada na terra natal de Renato, cria da Ilha do Governador. O principal herdeiro do músico se envolveu na negociação e a ideia era bancar a iniciativa com um financiamento coletivo, mas a ideia não se concretizou. 


Esses são só alguns temas que mais circularam pelas cúpulas e pela rádio bastidor das escolas nos últimos anos. Você curte algum? Espera que um deles se concretize no futuro? Ou ainda, lembra de um que sempre circula nas conversas do pré-carnaval e não está na lista? Mande sua sugestão! Nossa #SérieEnredos segue até o fim do mês, sempre às quartas e sextas.
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Vem aí o: “VERDE AMARELO AZUL E ROSA”

“Este livro escrito por Bruno Laurato, “Verde Amarelo Azul E Rosa”, merece ser lido com muito prazer e atenção. O autor faz um estudo detalhado sobre os melhores desfiles assinados pela grande carnavalesca Rosa Magalhães.”
Lícia Lacerda.

O livro.
Este é, portanto, um dossiê sobre alguns desfiles assinados pela premiada carnavalesca Rosa Magalhães. O que era a tese de conclusão de curso para a graduação de jornalista do autor Bruno Laurato tornou-se um livro, que hoje ganha às livrarias – para a felicidade dos fãs da professora. Neste projeto o autor analisou os desfiles em que Rosa Magalhães abordou períodos históricos do Brasil. Unindo, desta forma, o povo e a sua história através da maior festa de cultura popular brasileira.

A obra caminha sobre doze carnavais da artista, em ordem cronológica, iniciando, portanto, em 1982 com o antológico “Bumbum Paticumbum Prungurundum” do Império Serrano. Logo depois, os dois anos consecutivos que a carnavalesca assinou o desfile dos Acadêmicos do Salgueiro. Em seguida, alguns desfiles históricos que Rosa desenvolveu na Imperatriz Leopoldinense e terminando, enfim, com campeão de 2013 na Vila Isabel.

Para essa análise, o autor contou não apenas com entrevistas valiosas onde a homenageada detalhou cada enredo, como também, conversas com especialistas do carnaval como: Fábio de Mello – grande coreógrafo que trabalhou durante doze anos com Rosa Magalhães; Lícia Lacerda, amiga e carnavalesca que trabalhou com Rosa em seu primeiro carnaval, no Império Serrano em 1982 - e que escreveu a orelha do livro; Milton Cunha, carnavalesco e comentarista da Rede Globo e Fabio Fabato, jornalista, escritor e comentarista de carnaval, que inclusive, é o responsável pelo prefácio do livro. Além disso, o autor buscou matérias de jornais da época, arquivos de entrevistas sobre as especulações do enredo, assim como, os vídeos dos desfiles de cada ano.

O autor.
Bruno Laurato, 23 anos é jornalista, escritor e, atualmente, atua também como carnavalesco em São Paulo. Esta é sua primeira obra literária.

Lançamento.
O lançamento ocorre no Sábado - 26/05 às 14h.
Local: Baródromo – Rua do Lavradio, 163 – Lapa – Rio de Janeiro

Ficha técnica:
Gênero: Livro Reportagem
Categoria: História
Páginas: 138
Formato: 16 cm x 21 cm
Preço: 46,90
Palavras-chave: História do Brasil; Carnaval; Rio de Janeiro; Rosa Magalhães

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