• Home
  • Quem somos?
  • Contato
  • Lojinha
  • Exposições
  • Selo Literário
  • Apoiadores
Tecnologia do Blogger.
facebook twitter instagram

Carnavalize


Por Redação Carnavalize


Última escola a passar pela Avenida no tão aguardado carnaval de 2022, a Unidos de Vila Isabel celebrou a vida de seu maior baluarte. Martinho da Vila, figura de grande importância para a agremiação e para a cultura brasileira, recebeu da escola do coração os louros pela sua obra e trajetória. A escola também rendeu favoritismo durante o pré-carnaval, aliando a pertinência do enredo à sua confortável situação financeira. No entanto, antes mesmo da escola pisar na pista, estava confirmada a saída do carnavalesco Edson Pereira para a chegada do carnavalesco Paulo Barros para o próximo carnaval.

A comissão de frente, assinada por Márcio Moura, trouxe um ritual tribal angolano, saudando a ancestralidade de Martinho. O corpo de dança apresentou uma coreografia aguerrida e tocou alguns tambores. O ponto alto da abertura da escola foi a aparição do homenageado, quando o belo elemento alegórico se abria e Martinho era coroado por Omolu. A presença do ícone levantou o público, causando frisson. Recém-chegados à agremiação, Marcinho Siqueira e Cris Caldas fizeram uma exibição ousada, apostando em paradas diferentes. O primeiro casal explorou a letra do samba na marcação da coreografia. A dupla estava tecnicamente perfeita.

Abertura da escola impactou (Foto: Pedro Umberto)

No que diz respeito ao enredo, vale dizer que ele deixa a desejar no desenvolvimento, no sentido de que se começa um tema que não é concluído em sequência. Kizomba, por exemplo, aparece três vezes em momentos diferentes do cortejo. O conjunto visual trouxe a assinatura de requinte do carnavalesco, apostando no luxo e na volumetria. As alegorias estavam bem acabadas e mostraram um competente uso de materiais. Os figurinos, por sua vez, eram irregulares, oscilando entre alas boas e outras nem tanto. O destaque ficou por conta da utilização do azul, uma das cores da escola.

Uma das belas alegorias da Vila (Foto: Leonardo Antan)

A bateria de Mestre Macaco Branco “tirou onda” em uma apresentação consistente e empolgante, garantindo um bom andamento para o samba-enredo. A comunidade vibrou e quicou na avenida, evoluindo com fluidez e energia. 

Sem enfrentar perrengues e com quesitos bem defendidos, a Vila se colocou na disputa pelas primeiras colocações. 





 

Share
Tweet
Pin
Share
No Comments

 


Por Redação Carnavalize


Depois de ver o título de 2020 escapar pelas mãos no momento do desempate, a Grande Rio direcionou toda a vontade de vencer para construir o enredo "Fala, Majeté! As sete chaves de Exu", que versa sobre a influência de Exu no cotidiano, se manifestando nas mais variadas formas, lugares e situações, desmistificando a demonização que o racismo religioso atribuiu ao orixá. Estamira, catadora de lixo do Jardim Gramacho, que dizia se comunicar diretamente com Exu, faz a ligação entre a escola e o orixá.

A comissão de frente do casal Beth e Helio Bejani, intitulada “Câmbio, Exu!”, encantou ao tratar justamente da relação entre Estamira e Exu. O orixá foi o personagem central da performance, que, em determinado momento, é erguido em um globo, levantado pela mão de Estamira. O elemento alegórico fez referência ao Jardim Gramacho e trouxe componentes em deslocamentos pendulares, retratando o movimento enquanto preceito de Exu. No geral, a comissão impressionou pelo vigor da dança dos integrantes, pela encenação e gestual perfeitos e pelo capricho do tripé e dos figurinos. Por sua vez, o primeiro casal, formado por Daniel Werneck e Taciana Couto, se exibiu com segurança e sintonia, explorando o espaço cênico. 

Detalhes da Comissão de Frente da escola (Foto: Pedro Umberto)

Multifacetado, como pede Exu, o enredo de Leonardo Bora e Gabriel Haddad é desenvolvido com maestria. O orixá abriu os caminhos para um competente passeio pela cultura afro-brasileira. Impactante desde a volumosa abertura, o conjunto visual se destacou pela concepção arrojada, pela exploração das formas e das cores, pela proposta ousada e muito bem executada. As alegorias e os figurinos não ficaram devendo em nada, com todos os elementos trabalhados com excelência. Cabe ressaltar que a terceira alegoria passou apagada no segundo módulo, mas, felizmente, acendeu na sequência. 
As alegorias da Grande Rio se destacaram pelo primor estético (Foto: Leonardo Antan)

O ritmistas de Mestre Fafá fizeram uma excelente passagem, sustentando o elogiado samba-enredo e garantindo um chão avassalador. A escola teve forte comunicação com a arquibancada, que comprou e cantou o samba. Apesar da evolução lenta em alguns momentos, a agremiação também não teve problemas de evolução, sem buracos ou correria.

Aclamada pelo público, aos gritos de “é campeã!”, a Grande Rio despontou como a grande favorita ao título. 





Share
Tweet
Pin
Share
No Comments

 


Por Redação Carnavalize


Após resultados inexpressivos nos últimos anos, a Unidos da Tijuca passou por uma reestruturação em sua equipe para voltar a sonhar com melhores classificações e até mesmo com o título do carnaval carioca. Com o enredo "Waranã - A reexistência vermelha", a escola contou a história do guaraná e dos sateré-mawé, com uma abordagem pertinente aos dias atuais quanto à temática indígena.

Em seu primeiro trabalho pela agremiação, Sérgio Lobato, ao lado de Patrícia Salgado, trouxe uma comissão intitulada “A reexistência vermelha”, retratando o surgimento da etnia mawé em vários momentos. A abertura da escola contou com um elemento alegórico de proporções medianas, que mostrou a dualidade entre sol e lua, dia e noite, parte da proposta do enredo. O tripé serviu para a troca de personagens durante a performance, que, apesar de densa, se mostrou de fácil leitura, além de competente. Um dos pontos altos foi uma folha de guaraná, aberta ao final pelos integrantes, com os dizeres: “Brasil terra indígena”. Estreando como casal, Phelipe Lemos e Denadir Garcia vieram trajados de vermelho e demonstraram muita sintonia. Sem criar coreografia mirabolante, optaram pelo clássico e pelo bem feito.

Comissão de Frente trouxe forte mensagem (Foto: Lucas Monteiro)

O desenvolvimento primoroso do enredo confirmou Jack Vasconcelos como um dos melhores enredistas do carnaval. A sequência da narrativa é muito clara e bem costurada. Plasticamente, chamou a atenção o espírito de fábula, que se refletiu na paleta de cores, proporcionando uma cromática delirante e um tapete exuberante. O trabalho de sobreposição de formas geométricas também se destacou. No geral, o que se viu foi um lindo conjunto visual. Vale ressaltar a beleza do setor do povo do Guaraná, todo em vermelho.

Uma das belas alegorias da escola (Foto: Leonardo Antan)

A Pura Cadência de Mestre Casagrande passou correta, como sempre, sustentando com maestria o inspirado samba-enredo e a potente harmonia tijucana. Animado, leve, lúdico, o cortejo se mostrou extremamente agradável.

Com uma evolução fluida e sem enfrentar perrengues, a Tijuca se colocou muito forte na briga pelas primeiras posições.







Share
Tweet
Pin
Share
1 Comments


Por Redação Carnavalize


Sob as bênçãos de Oxóssi, a Mocidade, terceira escola a desfilar, levou à Avenida uma homenagem ao orixá e seu padroeiro, com o enredo "Batuque ao caçador", assinado pelo carnavalesco Fábio Ricardo. A agremiação despontou entre as favoritas durante todo o pré-carnaval, principalmente pela força de seu samba, um dos mais elogiados do Grupo Especial. 

Experientes no quesito e veteranos da escola, Jorge Teixeira e Saulo Finelon trouxeram uma comissão de frente representando o mito que fez Oxóssi ficar conhecido como “caçador de uma flecha só”, no qual ele flechava um pássaro que carregava uma maldição. O ponto alto da apresentação era quando a ave, em cima do elemento alegórico, era acertada por uma flecha (drone) que sobrevoou a avenida. No chão, vários guerreiros encenavam um ritual com tambores, os quais chamaram a atenção por se movimentarem sozinhos. Apesar de competente, a comissão não produziu grande impacto. Cabe destacar que o elemento alegórico não era um primor estético. Por sua vez, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diogo Jesus e Bruna Santos, representou “Mutalambô”, com uma das indumentárias mais bonitas que passaram pela Sapucaí. A dupla fez uma apresentação segura, com giros limpos. Foi perceptível uma evolução do casal em relação ao ano passado.

Performance da Comissão de Frente da escola (Foto: Lucas Monteiro)

Mergulhando na história de Oxóssi, o enredo apresentou bem a ligação do orixá com a escola de samba, apesar de alguns cortes abruptos na narrativa, como entre o império de Daomé, no terceiro carro, e a alegoria de Tia Chica. As fantasias, no geral, se destacam em cor e proposta, sendo ainda leves e bem acabadas. Chamou a atenção o modo eficiente como o carnavalesco combina o dourado e o prata com o verde da agremiação. Já as alegorias deixaram bastante a desejar em acabamento. As concepções eram boas, mas quase todos os carros tinham problemas nesse sentido.

Último carro alegórico da Mocidade (Foto: Juliana Yamamoto)

A bateria de Mestre Dudu, assim como o excelente e animado samba, foram os destaques positivos do cortejo. Forte musicalmente, a escola só não teve um chão melhor por vários problemas de evolução, desencadeados por dificuldades com os carros alegóricos, como foi o caso do acoplamento do abre-alas.

Oscilando entre quesitos fortes e frágeis, a Mocidade deve brigar, na terça, por um vaga no desfile das campeãs.










 

Share
Tweet
Pin
Share
No Comments


Por Redação Carnavalize


Prestes a se tornar uma escola centenária em 2023, a Portela escolheu um enredo "afro" para o carnaval de 2022, cinquenta anos após Ilu Ayê, carnaval de 1972, último carnaval referenciado na temática negra. Novamente comandada pelo casal Márcia e Renato Lage, a azul e branca foi galgando pouco a pouco posições de favoritismo durante o pré-carnaval com o enredo "Igi osé Baobá".

Para tentar superar seu histórico problema de comissão de frente, os coreógrafos Leo Senna e Kelly Siqueira apostaram em um ritual tribal africano. O corpo de dança trouxe uma boa coreografia, aguerrida. Infelizmente, um dos integrantes da comissão acabou tropeçando diante do primeiro módulo de julgamento. A abertura da escola contou ainda com um elemento alegórico singelo, representando o baobá, bem decorado e bastante funcional. Por sua vez, o casal formado por Marlon Lamar e Lucinha Nobre veio com uma indumentária em tons terrosos, na parte de baixo, e azulada, em cima. Bem vestida, a dupla exibiu uma coreografia sincronizada, caracterizada pelos movimentos limpos. Marlon e Lucinha se mostraram bem entrosados, afastando quaisquer comentários negativos que tenham circulado sobre eles ensaio técnico, mostrando que as críticas não se sustentavam, e não tiveram problemas.
Comissão de Frente da azul e branco (Foto: Lucas Monteiro)

Apesar do enredo genérico e repetitivo em relação ao que já se viu em outros carnavais na Sapucaí, a Portela apresentou um espetáculo estético, da comissão de frente ao último carro. O conjunto visual é muito competente, tanto em termos de escolha cromática quanto do uso primoroso de materiais de alto custo. As fantasias seguem esse padrão elevado e têm fácil leitura, apesar da narrativa não se provar completamente. A terceira alegoria trouxe um belo trabalho artesanal, apesar de algumas avarias, como é o caso do globo do terceiro carro, que estava com problema de encaixe. Cabe ressaltar ainda o mal gosto de colocar a cabeça de negros escravizados sobre um navio tumbeiro, no quarto carro. Apesar disso, o júri deve avaliar a agremiação com bons olhos.

Uma das belas alegorias da Portela (Foto: Maria Rita)

A Tabajara do Samba, sob regência do Mestre Nilo Sérgio, deu um show ao longo do cortejo, sustentando muito bem o samba-enredo, defendido com primor pelo excelente carro de som. Em termos musicais, a Portela arrebatou, também com uma das melhores harmonias da festa há alguns anos.

Com a evolução invejável, a agremiação mostrou porque é, há alguns anos, uma escola referência nos quesitos de chão, que credenciam a Portela para brigar na cabeça na próxima terça-feira. 








 

Share
Tweet
Pin
Share
2 Comments


Por Redação Carnavalize


Primeira escola a desfilar no segundo dia do Grupo Especial, o Paraíso do Tuiuti passou por uma troca de enredos no hiato entre carnavais. O martelo batido deu origem a "Ka Ri Ba TI Ye - Que nossos caminhos se abram", em um enredo de valorização à negritude. Em clima de despedida, o carnavalesco da escola, Paulo Barros, assinou com a Unidos de Vila Isabel para 2023 antes mesmo da escola azul e amarela de São Cristóvão passar pela pista.

Estreando pela escola, a coreógrafa Claudia Mota, trouxe a comissão de frente “A criação do homem”, que retratou Oxalá modelando o barro e criando o homem. O ponto alto da performance foi justamente o surgimento de pessoas a partir do barro, em cima de um elemento alegórico gigantesco, que parecia mesmo um carro. Apesar de bem feito, o tripé não dialogava, cromaticamente, com a cabeça da escola. A dança dos integrantes era vigorosa e as vestimentas bonitas. Correta, a comissão tinha muitos momentos, sendo, por isso, relativamente complexa. Por sua vez, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane, veio de Zumbi e Dandara dos Palmares, nas cores amarelo e laranja. Juntos pelo primeiro ano, se mostraram sintonizados. A dupla dançou entrosada, com movimentos limpos. Graciosa, Dandara lembrou a dança dos orixás de candomblé.

Detalhes da Comissão de Frente da escola (Foto: Pedro Umberto)


O enredo teve um desenvolvimento burocrático e genérico. O que se viu foi uma lista de chamada de personalidades negras, com bastante repetição de informações pelo carnavalesco, que tentou legendar demais o desfile. Muitas alas traziam repetições dos homenageados em estandartes e na representação deles no meio da ala. O conjunto de fantasias trouxe materiais que deixaram a desejar e um trabalho cromático pouco elaborado. As alegorias eram bonitas esteticamente, em termos de acabamento e escolha de materiais. Porém, os truques repetidos não ajudaram a contar a história do enredo. Destaque para o último carro, que se afasta da estética usual do carnaval, mas foi bastante belo.

Carros do Tuiuti apostaram nos truques de Paulo Barros (Foto: Pedro Umberto)

A bateria do renomado Mestre Marcão foi o ponto alto do desfile, abusando das bossas e colocando a escola para cantar. O bom samba-enredo foi defendido com maestria pelo potente carro de som. Com uma das melhores harmonias que passaram pelo Sambódromo, o Tuiuti ostentou um chão poderoso, que deve garantir a permanência da agremiação no Especial sem sustos.

A evolução, entretanto, compromete bastante. Além de abrir alguns buracos, a escola passou muito lenta, em decorrência da extensão da performance da comissão de frente e do efeito do abre-alas. Assim, acabou estourando o tempo em 2 minutos. 












 

Share
Tweet
Pin
Share
No Comments


Por Redação Carnavalize


Última escola a desfilar no primeiro dia do Grupo Especial carioca, a Beija-Flor de Nilópolis voltou às suas raízes negras para desfilar o enredo “Empretecer o pensamento é ouvir a voz do Beija-Flor”, uma narrativa que promoveu artistas e intelectuais negros em uma perspectiva decolonial e afrocentrada. Com direção artística do carnavalesco Alexandre Louzada, a escola contou com o reforço do talentoso André Rodrigues e sua equipe para a construção do carnaval nilopolitano.

O coreógrafo Marcelo Misailidis trouxe a comissão de frente em cima de um tablado. Os integrantes dançavam apenas sobre a estrutura. Curiosamente, havia areia no chão do elemento, recurso também utilizado pelo Salgueiro. O ponto alto da performance foi a encenação de uma revolta de escravizados contra seus algozes. O busto de um escravagista era explodido. A comissão apostou em uma tela de LED, que exibia lutas negras. Ao final do número, os componentes, inclusive, formaram os dizeres “Vidas negras importam” no chão do tablado. No geral, a apresentação de abertura não gerou grande impacto, em que pese a importância da mensagem. Por sua vez, o experiente casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso, estava muito bem vestido, em preto e azul escuro. A porta-bandeira ostentou, ainda, uma “falsa” careca. A apresentação da dupla foi competente, apesar de um leve desencontro entre os dois antes da saída do primeiro módulo.

Apresentação do primeiro casal da Beija-Flor (Foto:Beatriz Freire)


O pertinente enredo mostrou embasamento e fez um movimento interessante, começando com a ancestralidade e passando por diversas manifestações artísticas e filosóficas da negritude. O conjunto visual é bastante arrojado, com belas alegorias, apesar de alguns problemas de acabamento e de queijos vazios bem visíveis no segundo carro. As fantasias têm volumetria acentuada, mas deixam a desejar no trabalho cromático. No geral, o que se viu foi uma concepção melhor do que a execução.

Laila foi homenageado em carro da agremiação (Foto: Leonardo Antan)

A bateria dos Mestres Plínio e Rodney passou redonda, sustentando o ótimo samba-enredo. A tradicional cadência nilopolitana rendeu um cortejo bastante agradável. O carro de som mostrou sua competência, como de costume. A comunidade cantou o samba e demonstrou animação com sua agremiação. 

Com alguns problemas pontuais de evolução, devido, inclusive, à dificuldade de dois carros para entrar na avenida, a Beija-Flor fez um cortejo tranquilo. Sem perrengues graves, a escola se credenciou para lutar pelas primeiras posições. 



 

Share
Tweet
Pin
Share
No Comments

 



Por Redação Carnavalize


A grande missão de preservar um título chegou para a Viradouro. Após o campeonato do carnaval de 2020, a escola manteve integralmente a equipe para brigar pelo bicampeonato. Muito falada durante todo o pré-carnaval pelo seu samba em forma de carta, a escola levou para a Sapucaí o enredo intitulado “Não há tristeza que possa suportar tanta alegria”, sobre o carnaval de 1919, ocorrido após a gripe espanhola, com traços de comparação ao cenário causado pela pandemia do coronavírus.

Os coreógrafos Alex Neoral e Márcio Jahu apostaram em uma comissão de frente apoiada em um gigantesco elemento alegórico, um pouco “trambolhoso”. Entretanto, o desenrolar da coreografia aconteceu no chão. No primeiro ato, um pierrot protegia um baú enquanto batalhava com a gripe espanhola. Os integrantes do corpo de baile vestiam preto e tinham rostos de caveira. Em um segundo momento, o Pierrot tirava uma chave da caixa, a morte desaparecia e surgiam foliões com uma carta na mão. O globo do tripé, então, ficava branco, prateado. E a chave (drone) sobrevoava, chegando às mãos do rei momo, quando explodiam foguetes e componentes abriam a cartinha com dizeres “Carnaval, te amo”. No geral, a comissão se exibiu de modo correto, em que pese, comparativamente, seja inferior a outras que passaram na mesma noite. Por sua vez, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Julinho Nascimento e Rute Alves, ostentou uma indumentária preta com detalhes prateados. A dupla estava entrosada e dançou bem. Infelizmente, o mestre-sala acabou perdendo o sapato ao final da apresentação diante do primeiro módulo de julgamento, o que deve acarretar, pelo regulamento, a perda de um décimo.

Enorme elemento alegórico da Comissão de Frente (Foto: Thomas Reis)

No que diz respeito ao enredo, chamou a atenção o interessante trabalho de pesquisa de imagem e construção. O desfile passeou por manifestações culturais da elite e populares. O desenvolvimento foi, em suma, satisfatório, bastante criativo. A abertura do cortejo foi ousada, em preto, monocromática. O conjunto de fantasias se mostrou consistente e o de alegorias deixou um pouco a desejar, com soluções visuais pouco inspiradas, principalmente com relação à segunda e à terceira. O quinto setor, do obaluaê, se destacou positivamente, com um carro lindíssimo. O final também, com a alegoria que trouxe a barca de Niterói se dirigindo ao Rio. 

Detalhes de alegoria da Viradouro (Foto: Leonardo Antan)

A bateria do Mestre Ciça passou reta, pelo setor 3, sem repetir com frequência sua tão esperada paradinha. Os ritmistas não se apresentaram para o módulo de jurados, realizando a bossa entre as cabines no meio da avenida. O andamento acelerado dificultava o canto de alguns trechos do samba-enredo e culminou em uma harmonia apenas regular, sem explosão.

A evolução da agremiação não sofreu com grandes perrengues, sendo a passagem tranquila, porém fria, sem muita vibração. 

Alternando entre quesitos bons e outros regulares, a Viradouro deve brigar para voltar no Sábado das Campeãs.


Share
Tweet
Pin
Share
No Comments

 



Por Redação Carnavalize


Ano a ano cotada à briga pela permanência no Grupo Especial, após o ótimo carnaval de 2020, a São Clemente passou por uma reestruturação quase completa de sua equipe, dentre elas a saída do carnavalesco Jorge Silveira e a promoção de Tiago Martins, veterano da casa, ao cargo de carnavalesco da agremiação. Apesar de uma dança das cadeiras tumultuada até que se chegasse ao time atual, incluindo também troca de enredo, a São Clemente comoveu durante o pré-carnaval em razão da homenagem a Paulo Gustavo, ator e humorista que faleceu vítima de Covid-19.

A comissão de frente, comandada pelo coreógrafo Júnior Scapin, trouxe um elemento alegórico rotacionável representando um camarim, com três andares. Em cada pavimento, ocorria alguma performance. Dona Hermínia, personagem icônica de Paulo Gustavo, foi retratada. O ponto alto da apresentação residiu no surgimento, em certo momento, de Dona Déa, mãe do homenageado, presença que emocionou o público. A comissão teve problemas ao longo do cortejo com a falha na iluminação do tripé, que já não era muito interessante em termos estéticos. Estreando como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira no Grupo Especial, os irmãos Vinicius e Jack Pessanha, foram atrapalhados, no primeiro módulo, pelos guardiões ao redor. Eles fizeram uma coreografia com suas hastes que ofuscou a dupla, afetando a evolução de Vinicius e Jack, que chegaram a ficar um tempo parados, sem dançar. Já diante da última cabine de jurados, a bandeira dela, infelizmente, enrolou duas vezes.

Detalhes do figurino da Comissão de Frente (Foto: Pedro Umberto)

O pertinente enredo acabou não saindo do lugar comum, tendo um desenvolvimento extremamente básico. Não se viu a tentativa de gerar imagens interessantes. As fantasias, apesar de serem de fácil leitura, de acordo com a falta de aprofundamento da proposta, sinalizaram a inexistência de um trabalho cromático. Muitos figurinos foram se desintegrando ao longo do desfile. Alguns eram de gosto duvidoso. O conjunto alegórico sofreu com problemas de acabamento, com peças, inclusive, despencando. Todavia, o último carro se destacou positivamente pela beleza. No geral, a escola não acertou plasticamente.

Uma das alegorias da São Clemente (Foto: Pedro Umberto)

A Fiel Bateria, regida por mestre Caliquinho, foi o destaque positivo do cortejo, em que pese o recuo ter sido caótico, com abertura de buraco. Apesar de animado, o samba-enredo não levantou o público. Apontada por muitos como um problema antigo da São Clemente, a harmonia ficou devendo bastante. 

No que diz respeito à evolução, a agremiação enfrentou problemas para fazer a curva com duas alegorias, o que se refletiu no andamento do desfile, que sofreu com a oscilação de ritmo. Em alguns momentos, a escola chegou a ficar parada na avenida. 

Comprometida na maioria dos quesitos, a São Clemente deve, infelizmente, figurar nas últimas colocações, correndo sério risco de rebaixamento. 


Share
Tweet
Pin
Share
No Comments

 



Por Redação Carnavalize


Sempre um potencial competidor da disputa pela parte de cima da tabela, o Salgueiro pareceu um pouco menos falado neste pré-carnaval em comparação aos anos anteriores. A fama de sua regularidade e o auxílio luxuoso da Prof. Drª. Helena Theodoro na construção do enredo salgueirense parecem ter dado a robustez necessária, em tese, para o Salgueiro sonhar com um título que não vem desde 2009. O enredo intitulado “Resistência” foi um mergulho na cultura negra da cidade do Rio de Janeiro e nas diversas formas de resistência cultural que a cidade vivenciou desde a escravidão.

De casa nova, Patrick Carvalho foi o responsável pelo trabalho da comissão de frente, que articulou bem a descrição/apresentação do enredo e uma coreografia vigorosa. Personagens negros foram exaltados. Em um momento inicial, se viu o corpo de dança em tons de cobre, como se fossem monumentos, com destaque para Mercedes Batista como personagem central. O ponto alto da performance aconteceu depois que surgiu uma fumaça branca. Na sequência, várias iaôs apareceram no elemento alegórico, que tinha um chão de areia, com um símbolo do Salgueiro no meio. Em síntese, a agremiação pisou na avenida já impactando o público com um número robusto e potente. Por sua vez, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Sidclei Santos e Marcella Alves, estava elegantemente trajado, nas cores da escola, seguindo a tradição salgueirense. Luxuosa, a dupla bailou sincronizada, girando bastante e usando a pista, o espaço cênico, com inteligência.

A beleza da Comissão de Frente do Salgueiro (Foto: Leonardo Antan)


O enredo deixou um pouco a desejar, apesar de dialogar com a história do Salgueiro, do início ao final, fazendo alusão à revolução salgueirense já no começo. Ocorre que ele é desenvolvido de maneira burocrática em alguns momentos, sendo muito temático, com cortes bruscos na narrativa. O conjunto alegórico foi satisfatório, com destaque para o aspecto cenográfico na concepção das alegorias. Cada carro veio com uma pegada diferente, o que culminou em cortes estéticos, como o perceptível entre a alegoria do Municipal e a do Viaduto de Madureira. Cabe destacar ainda que o segundo carro apresentou problemas notáveis de acabamento. O conjunto de figurinos é competente, em termos de cor, de diversidade de materiais e de volumetria.

Detalhes de alegoria da escola (Foto: Leonardo Antan)


A bateria dos mestres Guilherme e Gustavo sacudiu, literalmente, as arquibancadas do Sambódromo, com várias paradinhas. A escola passou quicando na avenida e se comunicando com o público. O samba-enredo funcionou perfeitamente e colocou todo mundo pra cantar, principalmente o refrão principal.

Muito grande, o Salgueiro acabou tendo que correr no final para encerrar o cortejo no tempo regulamentar. A agremiação também abriu alguns buracos ao longo do desfile. Assim, a evolução foi um quesito que pode ter prejudicado a escola. Com muitos acertos e alguns tropeços, o Salgueiro briga para voltar no Sábado das Campeãs.




Share
Tweet
Pin
Share
No Comments

 


Por Redação Carnavalize


Quando a Mangueira olha pra si, se envaidece e parece ficar ainda mais bonita. No sexto carnaval de sua trajetória pela verde-e-rosa, Leandro Vieira optou pela digna e merecida homenagem à sua verdadeira trinca de reis. Com o enredo “Angenor, José e Laurindo”, a escola homenageou três baluartes que fizeram história na arte de escrever samba, no canto e dança: Cartola, Jamelão e Delegado.

Referências de um quesito que eles ajudaram a transformar a partir da última década, o casal Rodrigo Negri e Priscilla Mota assinou a comissão de frente da escola. Os homenageados foram trazidos já na cabeça do desfile, que contou com uma performance em vários atos, bastante complexa e elaborada, apesar de longa. Dessa vez, o “casal segredo” veio com um elemento alegórico, mas que não atrapalhava a visualização da apresentação por todos os ângulos. O ponto alto da comissão mangueirense passa pelas trocas de roupa e pelo momento em que todos os trabalhadores representados pelo corpo de baile se tornam reis do carnaval, em verde e rosa. Em síntese, a qualidade dos coreógrafos, uma vez mais, fez a diferença em favor da escola. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Olivério e Squel Jorgea, veio à frente da bateria, retomando o tradicional posicionamento, o que não comprometeu em nada sua desenvoltura e a evolução. A vestimenta da dupla era riquíssima. Com relação à dança, Matheus e Squel se mostraram soltos e em total sintonia. A porta-bandeira chegou a fazer um “V” da vitória em alusão ao símbolo de Neide. O mestre-sala homenageou Delegado. Trata-se, em linhas gerais, de uma performance arrebatadora.

Comissão emocionou e foi destaque da verde-e-rosa (Foto: Leonardo Antan)

O enredo foi desenvolvido com competência e concisão pelo carnavalesco, que trouxe um conjunto visual simples, no melhor sentido do termo. Leandro abusou do verde e do rosa e entregou o que se espera de uma Mangueira tradicional. Inclusive, chegou a homenagear o carnavalesco Júlio Mattos, que fez história na agremiação, através do uso do prata e do dourado. Leandro olhou para a história da Mangueira também através da estética. O conjunto alegórico é satisfatório, com destaque para a beleza do último carro. A simplicidade não foi sinônimo de inferioridade, dando conta perfeitamente da proposta. A volumetria não foi algo que fez falta. Com relação às fantasias, cabe dizer da sábia escolha de cores pelo carnavalesco, que, privilegiando a base cromática da escola para falar da mesma, contou com maestria onde essa história está se passando.

A segunda alegoria da Mangueira (Foto: Leonardo Antan)


A bateria de Mestre Wesley optou por uma passagem mais reta e sustentou bem o samba e o ritmo, sem enfrentar perrengues. O samba-enredo, apesar de não ser propriamente um primor, não comprometeu e garantiu um desfile com harmonia regular, embora não explosivo. O intérprete Marquinho Art’Samba acabou passando mal durante o cortejo e se revezou entre o microfone e a máscara de oxigênio.

Sem contratempos significativos na evolução, a Mangueira passou tranquila pela Sapucaí e tem quesitos fortes para garantir uma boa posição. 



Share
Tweet
Pin
Share
No Comments

 



Por Redação Carnavalize


Tem-se adotado a máxima de que as escolas mais antigas do carnaval que descem para a Série Ouro fazem uma passagem de reestruturação pela segunda divisão. Verdade ou não, com a Imperatriz o resultado parece ser exatamente esse. Após ter frequentado o grupo de acesso por um ano - e de lá ter saído vitoriosa -, a escola retornou ao Grupo Especial com muitas cartas na manga para buscar uma permanência tranquila. Dentre elas, a principal foi promover a contratação de Rosa Magalhães, carnavalesca que fez história na agremiação durante quase duas décadas, para homenagear o carnavalesco e amigo Arlindo Rodrigues, no enredo “Meninos, eu vi…  Onde canta o sabiá, onde cantam Dalva e Lamartine”.

Apesar de renomado bailarino clássico, Thiago Soares fez a sua estreia no cargo de coreógrafo da comissão de frente, trazendo “O trem das lembranças”. A abertura da agremiação foi inspirada nas memórias carnavalescas de Arlindo. Um elemento alegórico bastante longo, em formato de trem, chamou a atenção, mas, pelas proporções, acabou prejudicando a visualização do público nos setores opostos aos módulos de julgamento. O corpo de dança era composto por mulheres, fazendo referência ao pioneirismo do carnavalesco na introdução das mulheres nas comissões. Também se observaram alusões a enredos gloriosos da Imperatriz de outrora. As fantasias estavam belas, sendo que apareceram diferentes tipos de saias. As metalizadas, em tons prateados, mereceram especial elogio. No geral, a dança se mostrou competente, assim como a atuação dos integrantes. Um dos pontos altos foi um drone sabiá, que sobrevoou a pista. A comissão, de fato, cumpriu seu papel. Por sua vez, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, formado por Thiaguinho Mendonça e Rafaela Theodoro, ostentou um figurino caprichado, nas cores da escola de Ramos. A exibição da dupla foi correta, segura, com destaque para a graciosidade da porta-bandeira. O casal representou a Imperatriz como a manequim perfeita do carnavalesco homenageado, a escola que nasceu para vestir suas fantasias.

Detalhes da performance da Comissão de Frente (Foto: Thomas Reis)


O enredo, desenvolvido primorosamente pela professora Rosa Magalhães, se baseou na carreira de Arlindo enquanto um grande carnavalesco. Percebeu-se a assinatura barroca de Rosa, que fez uma releitura do seu próprio estilo e do de Arlindo. A Imperatriz passou grandiosa, com alegorias que chamaram a atenção não apenas pelo tamanho, mas também pelo acabamento. Os figurinos representaram um trabalho requintado de utilização de materiais e de cores.

Alegorias da Imperatriz se destacaram pela beleza e bom acabamento (Foto: Thomas Reis)


A Swing da Leopoldina, sob a regência do Mestre Lolo, não economizou nas bossas e empolgou a escola, que passou animada, sobretudo nos momentos de explosão do refrão principal. O samba-enredo foi cantado pelos componentes e garantiu um desfile com um chão, no geral, bastante satisfatório. 

Sem sustos na evolução, a Imperatriz não deve perder pontos facilmente na apuração, com quesitos bem defendidos. A permanência no Grupo Especial parece garantida pela agremiação de Ramos. 


Share
Tweet
Pin
Share
No Comments

 



Por Redação Carnavalize

Serrinha custa, mas vem! Após a permanência na Série Ouro, apesar de um trágico desfile, em 2020, o Império Serrano recebeu investimento de peso em seus sonhos dourados de retornar ao Grupo Especial. A contratação de Leandro Vieira, Patrick Carvalho, Nêgo e Igor Vianna reforçaram a escola para desenvolver o enredo “Mangangá”, uma homenagem ao capoeirista baiano Besouro Mangangá.

A comissão de frente, assinada por Patrick Carvalho, trouxe o homenageado já na cabeça do desfile, representado por Rodrigo Silva. Besouro é o personagem central do número, que conta com um elemento cenográfico rústico e um corpo de dança formado por diversos oguns. O ponto alto da apresentação foi o momento em que um capataz sai do elemento e mata o capoeirista, que ressurge na figura do besouro animal, um drone que sobrevoou o cortejo. Cabe sinalizar que o drone acabou, por algum problema, não voando na apresentação para o segundo módulo de julgadores. O que não tirou, de forma alguma, o brilho de uma comissão de nível de Grupo Especial, marcada pela coreografia vigorosa dos componentes, um traço característico dos trabalhos do coreógrafo. Por sua vez, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, formado por Matheus Machado e Verônica Lima, representou Exú de Oxalá. A dupla dançou bem e apostou na encenação, sem deixar de cumprir o seu papel. Pode-se dizer que foi a dose certa de teatralização. Verônica, porta-bandeira experiente, se destacou pelo jeito de segurar o mastro, vez que ela o segura com o punho, não apoiando dorso e palma de mão.

Corpo de baile da Comissão da Serrinha (Foto: Thomas Reis)

A grife Leandro Vieira foi percebida nos figurinos da Serrinha. Chamaram a atenção a sobreposição de tecidos e a estamparia. As fantasias formaram um tapete belíssimo, integrado com as alegorias. É como se o carnavalesco pintasse o carro alegórico com as fantasias. Sem dúvidas, o que se viu foi um conjunto redondo, simples e bastante honesto. Não há luxo, o que não é a proposta em questão. Ainda vale dizer que as alegorias tinham formas compactas, mas bem sustentadas em acabamento. O enredo, como de costume, foi contado com maestria por Vieira.

Um dos belos carros alegóricos da escola (Foto: Vítor Melo)

Mestre Vitinho e seus ritmistas “tiraram onda” com uma bateria cheia de balanço. Os figurinos da ala mereceram elogios pela beleza e funcionalidade. O todo musical foi consistente, sendo a escola embalada por um samba valente, que rendeu e fez os componentes quicarem na Sapucaí.

Com uma passagem tranquila, sem perrengues na evolução, e, ao mesmo tempo, vibrante, o Império Serrano se credenciou ao título, sendo difícil perceber onde a agremiação pode sofrer grandes descontos na terça-feira.


Share
Tweet
Pin
Share
No Comments



Por Redação Carnavalize

Após uma estreia confortável pelo Império da Tijuca em 2020, o carnavalesco Guilherme Estevão e a agremiação decidiram dar um passo maior, rumo à briga direta por uma vaga na elite do carnaval carioca. O enredo escolhido foi intitulado “Samba de Quilombo”, uma homenagem ao G.R.A.N.E.S Quilombo, fundado pelo lendário Candeia, com o intuito de resgatar e preservar as raízes ancestrais do samba.

A consistente comissão de frente, comandada por Lucas Maciel, “Ancestralidade e raiz”, apresentou uma sequência de atos na avenida, incluindo uma troca de figurinos pelos seus componentes e a exaltação da arte negra. O ponto alto foi justamente o momento em que o corpo de baile, prestando homenagem ao Quilombo do Samba, assume os papéis de personagens de uma escola de samba. No geral, a comissão estava bem ensaiada e foi bastante agradável. Por sua vez, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Renan Oliveira e Laís Lúcia, juntos pelo segundo ano, exibiu entrosamento e não teve desencontro. A dupla esbanjou belos figurinos, em amarelo. Com giros leves, Laís foi cortejada com categoria por Renan. Por fim, o casal ainda usou satisfatoriamente o espaço cenográfico.

Competente primeiro casal do Império (Foto: Vítor Melo)

Luxuosa, a agremiação contou com algumas das melhores alegorias do grupo, com destaque para a segunda, uma das mais bonitas que passou pelo Sambódromo. Trata-se de um trabalho primoroso de acabamento, materiais, volumetria, cor. Já as fantasias deixaram um pouco a desejar, em termos de soluções e cromática. Contudo, os figurinos passam longe de serem fracos. Cabe ressaltar ainda que o enredo é desenvolvido com clareza e concisão, ao narrar a história do Quilombo. 

Detalhes de bela alegoria da escola (Foto: Vítor Melo)

A bateria de Mestre Jordan empolgou e sustentou com tranquilidade o elogiado samba-enredo, entoado com maestria por Daniel Silva. A parte musical não ficou devendo, de modo que o samba se provou um dos melhores da Série Ouro, culminando também em uma forte harmonia. 

Mesmo com problemas pontuais de evolução, como a correria diante de alguns setores, já mais pro final do cortejo, o Império da Tijuca arrebatou e tem quesitos para disputar nas cabeças. 


 

Share
Tweet
Pin
Share
No Comments

 


Por Redação Carnavalize


Uma das escolas que mais brigou pelo título da Série Ouro nos últimos anos foi a Unidos de Padre Miguel. Com o retorno do carnavalesco Edson Pereira, responsável por grandes carnavais à frente do boi vermelho, a escola de Padre Miguel se colocou novamente na disputa pela vaga no Grupo Especial. Com o enredo “Iroko, é tempo de xirê”, a agremiação optou por uma abordagem da árvore-orixá, que muito dialoga com o desfile “Ossain”, assinado pelo mesmo carnavalesco, em 2017. 

A comissão de frente de David Lima representou os guardiões do tempo, os quais, durante a performance, se integravam com um gigantesco e belíssimo elemento cenográfico, em forma de árvore sagrada. Ela executava, inclusive, diversos movimentos, encantando o público. Em síntese, uma comissão digna de Grupo Especial, com figurinos e coreografia de primeira categoria. Por sua vez, o experiente casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vinicius Antunes e Jéssica Ferreira, mostrou grande sintonia, desde a forma como se olhavam. A indumentária era exuberante, em tons claros. A coreografia limpa, perfeitamente executada, contendo uma variedade de passos e giros alternados. A dupla ocupou todo o espaço da pista, sendo, ainda, significativamente aplaudida. Definitivamente, uma das melhores da Série Ouro e do carnaval carioca.

Parte da apresentação da Comissão de Frente da escola (Foto: Thomas Reis)

Esbanjando requinte, o conjunto visual da UPM impressionou. A escola deu uma aula de figurinos, que eram extremamente ricos em formas, cores, materiais, volumetria. Soluções variadas foram adotadas pelo carnavalesco. O conjunto alegórico, do mesmo modo, não deixou a desejar, se demonstrando coeso, criativo e bem acabado. O enredo, todavia, ficou um pouco abaixo do conjunto plástico, se perdendo enquanto uma narrativa afro que não se aprofunda em determinados conceitos. Assim, termina apelando à tradicional lista de chamada de orixás.

Uma das belas alegorias da UPM (Foto: Vítor Melo)

A bateria de Mestre Dinho sustentou brilhantemente o belíssimo samba-enredo da escola. O reforço de Guto no microfone de Diego Nicolau ressaltou a qualidade da elogiada obra, construída em tom menor, com um refrão explosivo em tom maior. A transição dos últimos versos da segunda parte do samba para o refrão principal foi um verdadeiro show. E os componentes da agremiação abraçaram o seu hino, cantando e dançando com entusiasmo. Ou seja, o que se viu foi uma harmonia robusta.

O único destaque negativo da UPM foi a evolução, vez que a escola acabou, infelizmente, abrindo um clarão bem no meio da pista do Sambódromo. Mesmo assim, com uma apresentação consistente em praticamente todos os quesitos, a agremiação entrou com força na briga pelo título da Série Ouro.



Share
Tweet
Pin
Share
No Comments
Mais Antigo

Visite SAL60!

Visite SAL60!

Sobre nós

About Me

Somos um projeto multiplataforma que busca valorizar o carnaval e as escolas de samba resgatando sua história e seus grandes personagens. Atuamos não só na internet e nas redes sociais, mas na produção de eventos, exposições e produtos que valorizem nosso maior evento artístico-cultural.

Siga a gente

  • twitter
  • facebook
  • instagram

Desfile das Campeãs

  • #Colablize: Uma homenagem ao Guará - Compositor de grandes sucessos do samba
      Arte de Vítor Melo.  Autor: Igor Trindade Revisão: João Vítor Silveira e Marcelo D. Macedo. Guaracy Sant’anna foi um cantor e compositor c...

Total de Carnavalizadas

Colunas/Séries

sinopse BOLOEGUARANÁ 7x1 carnavalize Carnavalizadores de Primeira Quase Uma Repórter 5x colablize série década artistas da folia giro ancestral SérieDécada quilombo do samba Carnavápolis do setor 1 a apoteose série carnavalescos série enredos processos da criação dossiê carnavalize Na Tela da TV série casais 10 vezes Série Batuques Série Mulheres Série Padroeiros efemérides minha identidade série baluartes série sambas

Carnavalizações antigas

  • ▼  2023 (38)
    • ▼  ago. (1)
      • Projeto "Um carnaval para Maria Quitéria" valoriza...
    • ►  jul. (4)
    • ►  jun. (4)
    • ►  mai. (1)
    • ►  fev. (28)
  • ►  2022 (41)
    • ►  dez. (1)
    • ►  jul. (1)
    • ►  jun. (5)
    • ►  mai. (1)
    • ►  abr. (30)
    • ►  fev. (2)
    • ►  jan. (1)
  • ►  2021 (10)
    • ►  set. (4)
    • ►  jun. (1)
    • ►  mai. (1)
    • ►  mar. (2)
    • ►  fev. (2)
  • ►  2020 (172)
    • ►  dez. (8)
    • ►  nov. (17)
    • ►  out. (15)
    • ►  set. (13)
    • ►  ago. (19)
    • ►  jul. (16)
    • ►  jun. (15)
    • ►  mai. (10)
    • ►  abr. (11)
    • ►  mar. (10)
    • ►  fev. (33)
    • ►  jan. (5)
  • ►  2019 (74)
    • ►  dez. (2)
    • ►  nov. (5)
    • ►  ago. (4)
    • ►  jul. (4)
    • ►  jun. (4)
    • ►  mai. (4)
    • ►  abr. (2)
    • ►  mar. (35)
    • ►  fev. (2)
    • ►  jan. (12)
  • ►  2018 (119)
    • ►  dez. (1)
    • ►  out. (6)
    • ►  set. (1)
    • ►  ago. (3)
    • ►  jul. (5)
    • ►  jun. (20)
    • ►  mai. (12)
    • ►  abr. (5)
    • ►  mar. (3)
    • ►  fev. (42)
    • ►  jan. (21)
  • ►  2017 (153)
    • ►  dez. (28)
    • ►  nov. (7)
    • ►  out. (8)
    • ►  ago. (5)
    • ►  jul. (12)
    • ►  jun. (7)
    • ►  mai. (10)
    • ►  abr. (7)
    • ►  mar. (7)
    • ►  fev. (49)
    • ►  jan. (13)
  • ►  2016 (83)
    • ►  dez. (10)
    • ►  out. (3)
    • ►  set. (9)
    • ►  ago. (22)
    • ►  jul. (39)

Created with by ThemeXpose