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Carnavalize

 


Por Redação Carnavalize


Uma das escolas que mais brigou pelo título da Série Ouro nos últimos anos foi a Unidos de Padre Miguel. Com o retorno do carnavalesco Edson Pereira, responsável por grandes carnavais à frente do boi vermelho, a escola de Padre Miguel se colocou novamente na disputa pela vaga no Grupo Especial. Com o enredo “Iroko, é tempo de xirê”, a agremiação optou por uma abordagem da árvore-orixá, que muito dialoga com o desfile “Ossain”, assinado pelo mesmo carnavalesco, em 2017. 

A comissão de frente de David Lima representou os guardiões do tempo, os quais, durante a performance, se integravam com um gigantesco e belíssimo elemento cenográfico, em forma de árvore sagrada. Ela executava, inclusive, diversos movimentos, encantando o público. Em síntese, uma comissão digna de Grupo Especial, com figurinos e coreografia de primeira categoria. Por sua vez, o experiente casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vinicius Antunes e Jéssica Ferreira, mostrou grande sintonia, desde a forma como se olhavam. A indumentária era exuberante, em tons claros. A coreografia limpa, perfeitamente executada, contendo uma variedade de passos e giros alternados. A dupla ocupou todo o espaço da pista, sendo, ainda, significativamente aplaudida. Definitivamente, uma das melhores da Série Ouro e do carnaval carioca.

Parte da apresentação da Comissão de Frente da escola (Foto: Thomas Reis)

Esbanjando requinte, o conjunto visual da UPM impressionou. A escola deu uma aula de figurinos, que eram extremamente ricos em formas, cores, materiais, volumetria. Soluções variadas foram adotadas pelo carnavalesco. O conjunto alegórico, do mesmo modo, não deixou a desejar, se demonstrando coeso, criativo e bem acabado. O enredo, todavia, ficou um pouco abaixo do conjunto plástico, se perdendo enquanto uma narrativa afro que não se aprofunda em determinados conceitos. Assim, termina apelando à tradicional lista de chamada de orixás.

Uma das belas alegorias da UPM (Foto: Vítor Melo)

A bateria de Mestre Dinho sustentou brilhantemente o belíssimo samba-enredo da escola. O reforço de Guto no microfone de Diego Nicolau ressaltou a qualidade da elogiada obra, construída em tom menor, com um refrão explosivo em tom maior. A transição dos últimos versos da segunda parte do samba para o refrão principal foi um verdadeiro show. E os componentes da agremiação abraçaram o seu hino, cantando e dançando com entusiasmo. Ou seja, o que se viu foi uma harmonia robusta.

O único destaque negativo da UPM foi a evolução, vez que a escola acabou, infelizmente, abrindo um clarão bem no meio da pista do Sambódromo. Mesmo assim, com uma apresentação consistente em praticamente todos os quesitos, a agremiação entrou com força na briga pelo título da Série Ouro.



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Por Redação Carnavalize

Firme na Série Ouro há alguns carnavais, a Bangu resolveu buscar, pelas suas afinidades geográficas e históricas, um enredo para chamar de seu. A escolha final assentou-se sobre a controversa figura do bicheiro Castor de Andrade, um dos símbolos da contravenção, que também foi responsável pelo patronato da Mocidade Independente de Padre Miguel e pelo investimento no time de futebol do Bangu. Sua história, já contada em livros e até em série de streaming, ganhou a assinatura do carnavalesco Marcus Paulo, que desenvolveu o enredo ˜Deu Castor na cabeça˜.

O coreógrafo Vinicius Rodrigues trouxe uma comissão de frente sem tripé, com o corpo de baile dançando exclusivamente na pista do Sambódromo. Intitulada “Botando a banca: qual foi o bicho que deu”, a performance fez referência ao jogo do bicho, sendo que cada integrante representou um animal do referido jogo. O futebol também esteve presente no número, que terminou com a abertura da bandeira do time Bangu. Bastante simples, a comissão cumpriu o seu papel, mas não inovou e não empolgou. Por sua vez, o casal formado por Anderson Abreu e Eliza Xavier teve uma apresentação complicada para o quesito mestre-sala e porta-bandeira. Ele representou Castor de Andrade, dançando com a porta-bandeira, que veio, inclusive, caminhando sozinha pela pista do setor de concentração. Assim, o que se viu foi mais um ator do que um mestre-sala, se considerarmos que a função do mesmo é defender o pavilhão e cortejar a porta-bandeira. Pegadas bruscas de pavilhão também foram notadas.

Detalhes da Comissão da Bangu (Foto: Pedro Umberto)


Com plástica regular, deixando a desejar, a Bangu veio com três alegorias básicas, entre as quais a segunda se destaca pela boa escultura e boa iluminação. O abre-alas é bem abaixo, em termos de volumetria. Do mesmo modo, as fantasias são simples e apostam em soluções repetitivas, como os costeiros de acetato. O enredo não ajuda, tendo sido desenvolvido de maneira bastante simplória. Trata-se da trajetória burocrática do homenageado. Cabe destacar a setorização irregular, que gerou desproporcionalidade entre as partes do cortejo.

Carro abre-alas da agremiação (Foto: Vítor Melo)


A bateria do Mestre Léo Capoeira não comprometeu, mas também não brilhou, inclusive em razão de o samba-enredo não ser propriamente um primor. Ao contrário, foi uma farofa que funcionou, mas sem gerar grande empolgação.

A harmonia da escola foi irregular e a evolução muito problemática. A Bangu desfilou em um ritmo lento, sendo obrigada a arrumar uma correria ao final. Mesmo assim, acabou estourando o tempo em 3 min.

Após uma apresentação morna e com quesitos problemáticos, a Bangu não deve brigar por muita coisa, disputando na parte debaixo da tabela.






 

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Por Redação Carnavalize

"O que não se registra o tempo leva", disse Mãe Stella de Oxóssi. Foi o registro de sua religiosidade, vida e legado o que a Porto da Pedra apresentou na Sapucaí, em forma de homenagem à ialorixá e escritora, como quarta escola a desfilar no primeiro dia. O tigre de São Gonçalo, há três carnavais ocupando o terceiro lugar da segunda divisão do carnaval, escolheu o enredo para impulsionar o sonho de voltar ao Grupo Especial. A construção artística do carnaval ganhou, pelo segundo ano, a assinatura da carnavalesca Annik Salmon, a única mulher na função na Série Ouro, com o enredo "O caçador que traz alegrias". 

A comissão de frente do coreógrafo Paulo Pinna, intitulada “A flecha certeira de odé”, impressionou pela sincronizada coreografia, pelos belos figurinos e pelos efeitos de luzes nas flechas dos componentes. Na montagem, as raízes do Apaoká sustentam o corpo da homenageada, Mãe Stella. Elogiadíssimos durante o pré-carnaval, o casal formado por Rodrigo França e Cintya Santos mostrou a que veio, com seu bailado perfeito. Cintya roda espetacularmente no eixo, sem nunca tirar o pavilhão de destaque. Rodrigo sabe cortejá-la como ninguém. O melhor casal da noite até então, um dos melhores da Série Ouro e do carnaval carioca.

Comissão foi ponto alto do cortejo da Porto (Foto: Thomas Reis)


O conjunto plástico mereceu elogios, apesar de apresentar certa irregularidade. A primeira alegoria tinha boa volumetria, mas, infelizmente, passou apagada. No geral, se percebeu uma pegada mais rústica. Nesse sentido, a concepção foi interessante, o que não significa que não foram percebidos problemas pontuais de acabamento. A escolha de materiais deixou um pouco a desejar. Quanto às fantasias, também se apostou em materiais mais rústicos, sendo que o conjunto vai caindo mais pro final do cortejo, após a abertura impactante. O enredo se mostrou confuso em alguns momentos, na mescla da religiosidade de Mãe Stella com os demais aspectos da vida da homenageada.

Detalhes do terceiro carro da escola (Foto: Vítor Melo)


A bateria Ritmo Feroz, comandada pelo Mestre Pablo, passou consideravelmente acelerada, o que contribuiu para a percepção de explosão da escola. O samba-enredo, um dos mais elogiados da Série Ouro, não foi prejudicado com tal andamento. Ao contrário, se provou realmente um dos melhores da safra.

Muita coesa e fluida, a Porto da Pedra enfrentou pequenos problemas no quesito evolução, se destacando, contudo, por atravessar a Sapucaí com relativa tranquilidade. Com relação à harmonia, se notou um canto bem consistente dos componentes da agremiação.

Sem enfrentar grandes perrengues durante o cortejo e ostentando quesitos fortes, a Porto da Pedra deve brigar na parte de cima, pelas primeiras colocações.



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Por Redação Carnavalize

Em uma viagem de São João de Meriti para Salvador, a Unidos da Ponte, terceira escola a desfilar pela Série Ouro, propôs o enredo "Santa Dulce dos Pobres - O anjo bom da Bahia", assinado pela dupla de carnavalescos Guilherme Diniz e Rodrigo Marques. O desfile rendeu homenagem à primeira santa nascida no Brasil com a promessa de espalhar o trabalho de amor da Irmã Dulce pela Avenida.

O experiente sambista Valci Pelé, responsável pela coreografia da comissão de frente da Unidos da Ponte, apresentou a escola em dois atos. No primeiro, apareciam pessoas humildes sendo acariciadas pela Santa Dulce, ao redor dela. Já no segundo, os pedintes se transformam em anjos e a Santa surge no telhado do elemento alegórico, que não foi propriamente um primor estético. A transformação levantou a arquibancada, apesar de não ser nada muito inovador. Esteticamente, a comissão não dialogou com a cabeça da escola, que era, sobretudo, branca e dourada. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Emanuel Lima e Camyla Nascimento, formado após o acidente de Yuri, o ocupante oficial do posto, mostrou entrosamento, vez, inclusive, que se trata de um casal que já dança junto na Portela. Ademais, estavam muitíssimo bem vestidos e optaram por uma coreografia tradicional. Infelizmente, Camyla acabou tropeçando em frente à primeira cabine, sendo estimulada pelo público a se reerguer. Nesse acidente, a bandeira se prendeu em seu adereço de cabelo. 

Grande momento da comissão da Ponte (Foto: Thomas Reis)


O desenvolvimento do enredo foi bastante burocrático, focado mais no aspecto religioso, ligado fortemente ao catolicismo. Ocorre que a pegada religiosa culminou em uma estética um pouco quadrada em alguns momentos. As alegorias da Ponte foram, no geral, bem regulares. O destaque ficou por conta do último carro, bem solucionado em cores e materiais. O segundo carro, por sua vez, se destacou pela iluminação. Sobre o conjunto de fantasias, o que mais incomodou talvez foi a aposta em costeiros bastante repetitivos, que investiram no uso do acetato em sua maioria.

Escola apostou no dourado na cabeça do desfile (Foto: Vítor Melo)


O intérprete Charles Silva emprestou sua voz ao samba-oração, que se comprovou pouco empolgante ao longo do cortejo, enquanto a bateria do Mestre Branco Ribeiro passou sem maiores problemas pela Sapucaí, optando por não entrar no recuo quando a escola se mostrava um pouco apertada no cronômetro. A harmonia também ficou bem aquém do desejável. 

A evolução foi o calcanhar de Aquiles da agremiação, que cometeu, infelizmente, muitos erros no quesito. Além do desfile morno, a escola sofreu com suas alegorias. O abre-alas parou em certo momento e abriu um clarão diante do módulo 4. Isso se repetiu com a alegoria seguinte. Muitos buracos foram vistos na reta final da Sapucaí. Por conta desses problemas, a Ponte precisou arrumar uma verdadeira correria para sair dentro do tempo.

Com uma evolução desastrosa e estourando o tempo em 1 min, a escola encerrou a sua apresentação com 56 min. Com todos esses erros, a Ponte deve disputar as últimas posições na terça-feira.





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Por Redação Carnavalize


A Cubango, agremiação alviverde de Niterói, foi a segunda escola a pisar na Avenida durante a primeira noite de desfiles da Série Ouro, com o enredo "O amor preto cura: Chica Xavier, a mãe baiana do Brasil". A escolha pela homenagem à atriz e ialorixá baiana aconteceu com a chegada de João Vitor Araújo à agremiação, após a troca de profissionais e reversão de outro enredo que havia sido escolhido anteriormente. Durante o pré-carnaval, a novidade parece ter se relacionado bem com os componentes da agremiação e o público em geral.

Responsável pela comissão de frente, o coreógrafo Fábio Batista trouxe um elemento cenográfico simples, mas bastante funcional, com uma árvore que tinha algumas cenas em seu tronco. A comissão apresentou vários orixás interagindo com Chica, a personagem central. Em síntese, uma abertura agradável e sem erros. Após a porta-bandeira Patrícia Cunha ter assumido a presidência da escola, Aline Flores retornou ao cargo que um dia ocupou para fazer dupla com o mestre-sala Diego Falcão. A apresentação do casal foi marcada pela variedade de movimentos na dança e pelo excelente trabalho de desenho coreográfico. A fantasia não deixou a desejar, era muito bonita. O único “porém” foi que o mestre-sala parecia um pouco mais acelerado do que a porta-bandeira em alguns momentos específicos.

Parte da apresentação da Comissão de Frente (Foto: Vítor Melo)


As alegorias da agremiação de Niterói foram bastante regulares, formando um bom conjunto, no geral, mas enfrentaram problemas de iluminação. Já o conjunto de fantasias foi o ponto alto do cortejo, caracterizado pelo extremo bom gosto do carnavalesco. O tapete cromático perfeito chamou a atenção na Sapucaí. O enredo foi muito bem contado, passando pelos vários aspectos da vida de Chica Xavier, como sua religiosidade e sua luta antirracista. 

A beleza do abre-alas da agremiação (Foto: Vítor Melo)


O samba-enredo foi entoado com maestria pela potente voz de Pixulé e passou satisfatoriamente, embalando o competente desfile. A bateria Ritmo Folgado, comandada pelo Mestre Demétrius, também se destacou, principalmente pela aposta nas bossas. 

No que diz respeito à evolução da escola, não houve motivo para preocupação, sem falhas observáveis. Os componentes, no geral, cantaram o samba, apesar de a harmonia não ter sido impecável. 

Com uma apresentação consistente e figurinos de primeira, a Cubango deve brigar no meio da classificação, sem riscos de figurar nas últimas posições. 




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Primeira escola a desfilar oficialmente na Marquês de Sapucaí depois de dois anos, a Em Cima da Hora retornou à segunda divisão da folia carioca, vaga que desocupou em 2015, ano de seu descenso. Certeira na escolha de um tema que ela mesma apresentou anteriormente, em 1984, a escola de Cavalcanti optou por atualizar as cenas de uma viagem de trem de Japeri até a Central do Brasil, com o enredo "33 - Destino D. Pedro II", desenvolvido pelo carnavalesco Marco Antônio Falleiros, recém-chegado à agremiação.

Na abertura do desfile, o grupo da comissão de frente, comandada pelo estreante Carlos Fontinelle, trouxe personagens típicos das estações de trem, citados pelo samba-enredo, representando a diversidade de tipos sociais que por ali transitam. Sem grandes surpresas, a apresentação da comissão se destacou pela irreverência, pela leveza e pela correção. Na sequência, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, formado por Jack Gomes e Johny Matos, optou por uma dança mais segura. No geral, não tiveram problemas com relação aos movimentos, exceto por algum desencontro ou outro entre os dois. Ainda cabe ressaltar que o espaço da pista foi pouco explorado na coreografia. Em síntese, o casal passou bem vestido e sem contratempos, apostando na simplicidade.


Apresentação do casal da Em Cima da Hora (Foto: Thomas Reis)


O conjunto alegórico apresentado pela agremiação foi bastante regular, sendo que o último carro teve um acabamento um pouco destoante, inferior aos demais. Com relação às fantasias, o carnavalesco escolheu privilegiar as cores da escola, azul e branco, na primeira parte do cortejo. A Em Cima da Hora passou bastante digna, apesar de simples. 

Abre-alas da escola apresentou dificuldades para andar (Foto: Vítor Melo)

O grande trunfo parece ter sido colocar novamente nas línguas dos foliões uma faixa clássica do gênero samba-enredo, imortalizado em grandes gravações musicais, a exemplo de Dudu Nobre e Jovelina Pérola Negra. A premiada obra ganhou a voz de Ciganerey e demonstrou um rendimento satisfatório. Destaque para a excelente bateria de Mestre Wando, que não economizou nas paradinhas e sacudiu o público. 

A evolução foi o ponto fraco, sendo que o primeiro carro apresentou dificuldades para percorrer a pista, abrindo um buraco considerável diante da segunda cabine de jurados. Já a harmonia não sofreu grandes deslizes, se mostrando bastante regular. A escola estava animada. 

Com uma apresentação digna e honesta, porém simples, a Em Cima da Hora não deve disputar o rebaixamento.



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