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Carnavalize



Por Redação Carnavalize

Após uma estreia confortável pelo Império da Tijuca em 2020, o carnavalesco Guilherme Estevão e a agremiação decidiram dar um passo maior, rumo à briga direta por uma vaga na elite do carnaval carioca. O enredo escolhido foi intitulado “Samba de Quilombo”, uma homenagem ao G.R.A.N.E.S Quilombo, fundado pelo lendário Candeia, com o intuito de resgatar e preservar as raízes ancestrais do samba.

A consistente comissão de frente, comandada por Lucas Maciel, “Ancestralidade e raiz”, apresentou uma sequência de atos na avenida, incluindo uma troca de figurinos pelos seus componentes e a exaltação da arte negra. O ponto alto foi justamente o momento em que o corpo de baile, prestando homenagem ao Quilombo do Samba, assume os papéis de personagens de uma escola de samba. No geral, a comissão estava bem ensaiada e foi bastante agradável. Por sua vez, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Renan Oliveira e Laís Lúcia, juntos pelo segundo ano, exibiu entrosamento e não teve desencontro. A dupla esbanjou belos figurinos, em amarelo. Com giros leves, Laís foi cortejada com categoria por Renan. Por fim, o casal ainda usou satisfatoriamente o espaço cenográfico.

Competente primeiro casal do Império (Foto: Vítor Melo)

Luxuosa, a agremiação contou com algumas das melhores alegorias do grupo, com destaque para a segunda, uma das mais bonitas que passou pelo Sambódromo. Trata-se de um trabalho primoroso de acabamento, materiais, volumetria, cor. Já as fantasias deixaram um pouco a desejar, em termos de soluções e cromática. Contudo, os figurinos passam longe de serem fracos. Cabe ressaltar ainda que o enredo é desenvolvido com clareza e concisão, ao narrar a história do Quilombo. 

Detalhes de bela alegoria da escola (Foto: Vítor Melo)

A bateria de Mestre Jordan empolgou e sustentou com tranquilidade o elogiado samba-enredo, entoado com maestria por Daniel Silva. A parte musical não ficou devendo, de modo que o samba se provou um dos melhores da Série Ouro, culminando também em uma forte harmonia. 

Mesmo com problemas pontuais de evolução, como a correria diante de alguns setores, já mais pro final do cortejo, o Império da Tijuca arrebatou e tem quesitos para disputar nas cabeças. 


 

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Por Redação Carnavalize


Sexta escola a se apresentar, a Vigário Geral escolheu falar da Pequena África, região de formação majoritariamente negra, assim batizada por Heitor dos Prazeres, e que ajuda a contar a história da diáspora africana no Brasil, sendo, sobretudo, um berço cultural e de resistência. O trio de carnavalescos, formado por Marcus do Val, Alexandre Costa e Lino Sales, intitula o enredo por “Pequena África: Da Escravidão ao Pertencimento – Camadas de Memórias entre o Mar e o Morro”.

Na comissão de frente de Handerson Big, “Histórias negras importam”, os componentes representavam pessoas negras que, ao chegarem ao Rio de Janeiro, foram escravizadas na região do Cais do Valongo. Sem elemento alegórico, a apresentação teve como ponto alto o momento em que os objetos carregados pelos integrantes, nas mãos, retratam figuras que sofreram a violência racista. Forte na mensagem, a comissão se destacou pela correção, em que pese a simplicidade, o que não foi necessariamente um problema. Por sua vez, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, formado por Diego Jenkins e Thainá Teixeira, representou, respectivamente, o Brasil e o continente africano em laços de amor e dor. Thainá veio com uma fantasia avermelhada, em tons quentes, com uma estampa africana impressa na parte de cima da saia. Diego com uma indumentária de base branca e detalhes em verde e amarelo. O único “porém” foi a discrepância significativa entre o tom das cores dos figurinos. A dupla dançou segura, exibindo uma coreografia bonita, com giros perfeitos da porta-bandeira.

Parte da apresentação da Comissão de Frente da escola (Foto: Thomas Reis)


A crítica social proposta pelo enredo se mostrou excessivamente genérica, de forma que a narrativa não fugiu dos clichês e não se provou durante o cortejo. O conjunto de figurinos, apesar de completo, não teve brilhantismo, sendo simples demais. No geral, não houve a preocupação em torno de um trabalho cromático. As alegorias deixaram a desejar, sobretudo, na qualidade das esculturas, trazendo alguns elementos de gosto duvidoso.

Detalhes de alegoria da Vigário (Foto: Vítor Melo)

Sob o comando de Mestre Luygui, os ritmistas da bateria executaram ótimas bossas e sustentaram o bom samba-enredo. Em alguns momentos, foi notada, porém, uma aceleração. De qualquer maneira, os dois quesitos foram os destaques positivos da Vigário, que teve, entretanto, uma harmonia bastante razoável.

A abertura de alguns clarões comprometeu a evolução da escola, que, considerando a fragilidade da maioria dos quesitos, deve brigar para não ser rebaixada, nas últimas colocações da Série Ouro.


 

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Por Redação Carnavalize

Apesar da considerável permanência da Santa Cruz no grupo de acesso do carnaval carioca, a agremiação tem revelado, nos últimos tempos, a sede pela competição por melhores posições no grupo, principalmente após a passagem do carnavalesco Cahê Rodrigues pela escola. Desta vez, ela contou com a condução artística de Cid Carvalho para dar continuidade à sequência de bons desfiles da agremiação, com o enredo “Axé! Milton Gonçalves no catupé da Santa Cruz”, em homenagem ao ator e diretor mineiro.

A dupla de Marcelos - Chocolate e Moragas - foi a responsável pelo comando da comissão de frente, que, diferentemente da maioria das escolas da Série Ouro, não trouxe elemento alegórico, apostando na dança e na encenação dos integrantes. Intitulada “A dança do catupé e a coroação dos reis negros”, a agradável apresentação fez referência ao congado, essa manifestação artístico-cultural típica de Minas Gerais. Em suma, uma comissão simples, mas bastante funcional e interessante. Por sua vez, o entrosado casal de mestre-sala e porta-bandeira, Mosquito e Roberta Freitas, exibiu uma coreografia marcada em cima da letra do samba. A dupla gesticulou e dançou de acordo com o que estava sendo cantado. Bem ensaiado, o casal se destacou pela tranquilidade e pelos movimentos limpos e perfeitamente executados.

Comissão dançou o tempo inteiro no chão (Foto: Thomas Reis)


O importante enredo não foi desenvolvido com grande criatividade. O cortejo tratou de vários orixás, sendo que cada setor se pautou basicamente em algum deles. As fantasias remetiam, no geral, a obras do homenageado, oscilando consideravelmente. O conjunto alegórico não apresentou grandes problemas, mas também se mostrou inferior ao de outras agremiações que passaram pela Sapucaí. A plástica apenas regular teve como destaque positivo o tripé de Oxumaré. 

Segunda alegoria da Santa Cruz (Foto: Vítor Melo)


A bateria do Mestre Riquinho foi o grande trunfo da Santa Cruz, que mereceu muitos elogios no quesito. Com relação ao samba-enredo, interpretado por Roninho, pode-se dizer que a obra musical passou sem brilho, não favorecendo a harmonia da escola, que teve um canto insuficiente.

Com uma evolução bem lenta em alguns momentos e alguns buracos na parte final do desfile, a Santa Cruz briga por lugares no meio da tabela, devendo permanecer na Série Ouro sem dor de cabeça. 


 

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Por Redação Carnavalize

As arquibancadas da Sapucaí se coloriram de vermelho, branco e… preto (!) pra Estácio de Sá desfilar nas cores do Flamengo, um dos maiores clubes esportivos do Brasil. Trata-se, na verdade, da reedição de um desfile apresentado pela própria escola em 1995, que celebrou a história e conquistas rubro-negras. Com a volta da escola à Série Ouro, o desenvolvimento do carnaval foi assumido pela dupla de carnavalescos formada por Mauro Leite e Wagner Gonçalves.

Na comissão de frente, a coreógrafa Ariadne Lax trouxe um elemento cênico simbolizando um vestiário de futebol, com algumas cabines. A representação dos jogadores não foi tradicional, optando-se por uma pegada street, que foi vista nos passos do corpo de dança, que incorporou, inclusive, o passinho. O ponto alto foi quando um componente se ergueu, pegando o manto do Flamengo, que, depois, é exibido em um drone. O efeito, contudo, não gerou tanta comoção, como se pretendia. No final da apresentação, algumas bolas ainda são chutadas em direção à arquibancada. Com relação ao casal, a veterana porta-bandeira Alcione recebeu um novo par, Feliciano Júnior, para defender as cores da Estácio de Sá na Avenida. A indumentária se destacou pela beleza, em tons de vermelho e alaranjado. A dupla estava bem ensaiada e a exibição foi correta, apesar de algumas entregas de bandeira para o mestre-sala terem sido levemente descuidadas, diante do primeiro módulo de julgamento. Ademais, faltou verticalizar um pouco mais o pavilhão.

A beleza do casal da Estácio (Foto: Thomas Reis)


O enredo, infelizmente, não contou com um fio condutor, se mostrando sem tanto brilhantismo. O desenvolvimento em fantasias e alegorias foi caracterizado pela ausência de coesão. Os figurinos oscilaram bastante, entre alas superiores e inferiores, dependendo da solução escolhida. Por sua vez, as alegorias tiveram propostas muito diferentes. O primeiro carro era vazado. O segundo mais voluptuoso. E o terceiro cênico, sendo que este último apresentou problemas gravíssimos de acabamento, com ferros expostos. 

Detalhes de alegoria da escola (Foto: Vítor Melo)

A bateria do Mestre Chuvisco, com o tradicional andamento mais pra frente, segurou bem o samba, que foi um destaque do cortejo, na interpretação de Serginho do Porto. Por ter momentos de explosão, nos dois refrões, a harmonia foi bastante favorecida. Em evolução, a Estácio não enfrentou perrengues, passando tranquilamente pela Marquês de Sapucaí.

Com um visual oscilante, mas também com um chão forte, a escola não deve brigar na cabeça e nem correr riscos na terça-feira. 







 

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Sob a direção de novo carnavalesco, o talentoso André Rodrigues, a Sossego encerrou a primeira noite de desfiles da Série Ouro, com o enredo "Visões Xamânicas", uma ficção com doses de realidade sobre uma profecia indígena acerca da exaustão do meio ambiente, em um pedido de socorro. Esse parece, aliás, o maior trabalho de exercício da criatividade dentre os carnavalescos do grupo para a construção do enredo, já que não trabalha apenas com o factual, mas se desafia a criar um fundo e personagens próprios da história.

A comissão de frente de Jardel Lemos, intitulada “O ritmo da viagem transcendental”, trouxe um ritual indígena. Contou com um elemento alegórico, que, esteticamente, deixou a desejar. Os componentes, todavia, estavam bem vestidos, nas cores roxo e preto, que marcaram a abertura mais escura da agremiação. No geral, a comissão passou correta, apesar de não empolgar, até por não ser de fácil leitura. Por sua vez, o recém-chegado casal, formado por Fabrício Pires e Giovanna Justo, optou por uma apresentação mais simples e tradicional, com muitos giros da porta-bandeira, que deu uma leve, uma pequena, titubeada ao entrar no primeiro módulo.

Parte da apresentação do casal da Sossego (Foto: Thomas Reis)


O enredo denso, que abarca um aspecto delirante, foi bem desenvolvido pelo carnavalesco, sendo traduzido em um trabalho plástico amarrado, coeso e criativo. O início do cortejo impactou pela paleta de cores. A perfeita transição cromática da primeira alegoria para o setor seguinte foi um destaque positivo. O conjunto alegórico é bem rico e variado em formatos, cores e materiais. As fantasias são corretas, muito limpas, arrojadas, mas não deixam a desejar em acabamento e soluções criativas.

Detalhes de alegoria da escola, que desfilou já com o dia claro (Foto: Vítor Melo)


A bateria regida pela batuta do Mestre Laion se apresentou de maneira satisfatória, sustentando bem o samba-enredo, interpretado por Nino do Milênio. Apesar de não comprometer, o samba não empolgou, não contribuindo para a harmonia da escola, que foi apenas mediana, considerando a irregularidade do canto durante o cortejo. 

Longe de explodir, a Sossego fez uma apresentação morna, sem grandes transtornos, em termos de evolução, mas também sem a vibração necessária. Em síntese, uma passagem correta, requintada plasticamente, que deve render uma posição intermediária para a escola de Niterói. 




 

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Por Redação Carnavalize


Após desfiles irregulares no Grupo Especial, a União da Ilha acabou tendo de encarar o sombrio fantasma do rebaixamento ao fim do carnaval de 2020. Como muitas outras escolas, a sensação que prevaleceu foi a de que a passagem pela Série Ouro pode ser uma nova chance da escola se reestruturar. A escolha de enredo da tricolor passou pela reedição de clássicos como Festa Profana (1989) e Fatumbi (1998), mas a escola bateu o martelo em definitivo para falar de Nossa Senhora Aparecida, com o tema "O vendedor de orações''. A agremiação, apesar de ter reforçado seu time para o carnaval de 2022, teve que lidar com o desafio da perda de um de seus carnavalescos, Severo Luzardo, que faleceu pouco mais de um mês antes do desfile.

O gabaritado casal de coreógrafos formado por Priscilla Mota e Rodrigo Negri apresentou uma comissão de frente com o selo de qualidade da dupla. Intitulada “Altar de orações”, a comissão trouxe um elemento alegórico de tamanho médio, que não atrapalhou em nada a fluidez do espetáculo. Dividida em diversos momentos, a performance tem como ponto alto o surgimento de Oxum do centro do elemento, retratando o sincretismo religioso, com seu manto dourado que cobre e abençoa a todos. Destaque para a atuação da atriz Cacau Protásio, que participou do número, interpretando, inclusive, Nossa Senhora Aparecida. Já no que diz respeito ao casal, Marlon Flôres e Danielle Nascimento, profissionais experientes, apostaram em uma apresentação técnica, marcada pela correção.

Comissão de frente da Ilha se destacou na Sapucaí (Foto: Thomas Reis)


Com um conjunto alegórico de nível de Grupo Especial, com boa volumetria, bom acabamento, a escola se destacou plasticamente. Talvez só o abuso de amarelo em uma parte do cortejo tenha prejudicado sua fluidez visual. As fantasias, no geral, acompanham esse nível de acabamento, sendo mais clássicas, se filiando à estética barroca adotada em todo o desfile. O enredo seguiu uma linha tradicional, bastante devoto, e buscou ressaltar o sincretismo. Não se viram problemas de desenvolvimento.

Escola caprichou nas alegorias (Foto: Pedro Umberto)


A Baterilha dos mestres Keko e Marcelo não decepcionou e brindou o público com uma agradável apresentação, de nível também de Especial. Por sua vez, o samba-enredo, brilhantemente defendido por Ito Melodia, não é um primor, mas funcionou bem no cortejo, rendendo bastante. 

Os componentes mostraram garra durante o desfile e defenderam bem o samba da agremiação, o que resultou em uma harmonia satisfatória. Sem problemas no quesito evolução, a Ilha passou tranquila pela avenida.

Com desfile redondo, a escola, forte em praticamente todos os quesitos, deve brigar pelo retorno à elite na próxima terça-feira.






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