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Carnavalize


Por Redação Carnavalize


Última escola a passar pela Avenida no tão aguardado carnaval de 2022, a Unidos de Vila Isabel celebrou a vida de seu maior baluarte. Martinho da Vila, figura de grande importância para a agremiação e para a cultura brasileira, recebeu da escola do coração os louros pela sua obra e trajetória. A escola também rendeu favoritismo durante o pré-carnaval, aliando a pertinência do enredo à sua confortável situação financeira. No entanto, antes mesmo da escola pisar na pista, estava confirmada a saída do carnavalesco Edson Pereira para a chegada do carnavalesco Paulo Barros para o próximo carnaval.

A comissão de frente, assinada por Márcio Moura, trouxe um ritual tribal angolano, saudando a ancestralidade de Martinho. O corpo de dança apresentou uma coreografia aguerrida e tocou alguns tambores. O ponto alto da abertura da escola foi a aparição do homenageado, quando o belo elemento alegórico se abria e Martinho era coroado por Omolu. A presença do ícone levantou o público, causando frisson. Recém-chegados à agremiação, Marcinho Siqueira e Cris Caldas fizeram uma exibição ousada, apostando em paradas diferentes. O primeiro casal explorou a letra do samba na marcação da coreografia. A dupla estava tecnicamente perfeita.

Abertura da escola impactou (Foto: Pedro Umberto)

No que diz respeito ao enredo, vale dizer que ele deixa a desejar no desenvolvimento, no sentido de que se começa um tema que não é concluído em sequência. Kizomba, por exemplo, aparece três vezes em momentos diferentes do cortejo. O conjunto visual trouxe a assinatura de requinte do carnavalesco, apostando no luxo e na volumetria. As alegorias estavam bem acabadas e mostraram um competente uso de materiais. Os figurinos, por sua vez, eram irregulares, oscilando entre alas boas e outras nem tanto. O destaque ficou por conta da utilização do azul, uma das cores da escola.

Uma das belas alegorias da Vila (Foto: Leonardo Antan)

A bateria de Mestre Macaco Branco “tirou onda” em uma apresentação consistente e empolgante, garantindo um bom andamento para o samba-enredo. A comunidade vibrou e quicou na avenida, evoluindo com fluidez e energia. 

Sem enfrentar perrengues e com quesitos bem defendidos, a Vila se colocou na disputa pelas primeiras colocações. 





 

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Por Redação Carnavalize


Sob as bênçãos de Oxóssi, a Mocidade, terceira escola a desfilar, levou à Avenida uma homenagem ao orixá e seu padroeiro, com o enredo "Batuque ao caçador", assinado pelo carnavalesco Fábio Ricardo. A agremiação despontou entre as favoritas durante todo o pré-carnaval, principalmente pela força de seu samba, um dos mais elogiados do Grupo Especial. 

Experientes no quesito e veteranos da escola, Jorge Teixeira e Saulo Finelon trouxeram uma comissão de frente representando o mito que fez Oxóssi ficar conhecido como “caçador de uma flecha só”, no qual ele flechava um pássaro que carregava uma maldição. O ponto alto da apresentação era quando a ave, em cima do elemento alegórico, era acertada por uma flecha (drone) que sobrevoou a avenida. No chão, vários guerreiros encenavam um ritual com tambores, os quais chamaram a atenção por se movimentarem sozinhos. Apesar de competente, a comissão não produziu grande impacto. Cabe destacar que o elemento alegórico não era um primor estético. Por sua vez, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diogo Jesus e Bruna Santos, representou “Mutalambô”, com uma das indumentárias mais bonitas que passaram pela Sapucaí. A dupla fez uma apresentação segura, com giros limpos. Foi perceptível uma evolução do casal em relação ao ano passado.

Performance da Comissão de Frente da escola (Foto: Lucas Monteiro)

Mergulhando na história de Oxóssi, o enredo apresentou bem a ligação do orixá com a escola de samba, apesar de alguns cortes abruptos na narrativa, como entre o império de Daomé, no terceiro carro, e a alegoria de Tia Chica. As fantasias, no geral, se destacam em cor e proposta, sendo ainda leves e bem acabadas. Chamou a atenção o modo eficiente como o carnavalesco combina o dourado e o prata com o verde da agremiação. Já as alegorias deixaram bastante a desejar em acabamento. As concepções eram boas, mas quase todos os carros tinham problemas nesse sentido.

Último carro alegórico da Mocidade (Foto: Juliana Yamamoto)

A bateria de Mestre Dudu, assim como o excelente e animado samba, foram os destaques positivos do cortejo. Forte musicalmente, a escola só não teve um chão melhor por vários problemas de evolução, desencadeados por dificuldades com os carros alegóricos, como foi o caso do acoplamento do abre-alas.

Oscilando entre quesitos fortes e frágeis, a Mocidade deve brigar, na terça, por um vaga no desfile das campeãs.










 

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Por Redação Carnavalize


Prestes a se tornar uma escola centenária em 2023, a Portela escolheu um enredo "afro" para o carnaval de 2022, cinquenta anos após Ilu Ayê, carnaval de 1972, último carnaval referenciado na temática negra. Novamente comandada pelo casal Márcia e Renato Lage, a azul e branca foi galgando pouco a pouco posições de favoritismo durante o pré-carnaval com o enredo "Igi osé Baobá".

Para tentar superar seu histórico problema de comissão de frente, os coreógrafos Leo Senna e Kelly Siqueira apostaram em um ritual tribal africano. O corpo de dança trouxe uma boa coreografia, aguerrida. Infelizmente, um dos integrantes da comissão acabou tropeçando diante do primeiro módulo de julgamento. A abertura da escola contou ainda com um elemento alegórico singelo, representando o baobá, bem decorado e bastante funcional. Por sua vez, o casal formado por Marlon Lamar e Lucinha Nobre veio com uma indumentária em tons terrosos, na parte de baixo, e azulada, em cima. Bem vestida, a dupla exibiu uma coreografia sincronizada, caracterizada pelos movimentos limpos. Marlon e Lucinha se mostraram bem entrosados, afastando quaisquer comentários negativos que tenham circulado sobre eles ensaio técnico, mostrando que as críticas não se sustentavam, e não tiveram problemas.
Comissão de Frente da azul e branco (Foto: Lucas Monteiro)

Apesar do enredo genérico e repetitivo em relação ao que já se viu em outros carnavais na Sapucaí, a Portela apresentou um espetáculo estético, da comissão de frente ao último carro. O conjunto visual é muito competente, tanto em termos de escolha cromática quanto do uso primoroso de materiais de alto custo. As fantasias seguem esse padrão elevado e têm fácil leitura, apesar da narrativa não se provar completamente. A terceira alegoria trouxe um belo trabalho artesanal, apesar de algumas avarias, como é o caso do globo do terceiro carro, que estava com problema de encaixe. Cabe ressaltar ainda o mal gosto de colocar a cabeça de negros escravizados sobre um navio tumbeiro, no quarto carro. Apesar disso, o júri deve avaliar a agremiação com bons olhos.

Uma das belas alegorias da Portela (Foto: Maria Rita)

A Tabajara do Samba, sob regência do Mestre Nilo Sérgio, deu um show ao longo do cortejo, sustentando muito bem o samba-enredo, defendido com primor pelo excelente carro de som. Em termos musicais, a Portela arrebatou, também com uma das melhores harmonias da festa há alguns anos.

Com a evolução invejável, a agremiação mostrou porque é, há alguns anos, uma escola referência nos quesitos de chão, que credenciam a Portela para brigar na cabeça na próxima terça-feira. 








 

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Por Redação Carnavalize


Tem-se adotado a máxima de que as escolas mais antigas do carnaval que descem para a Série Ouro fazem uma passagem de reestruturação pela segunda divisão. Verdade ou não, com a Imperatriz o resultado parece ser exatamente esse. Após ter frequentado o grupo de acesso por um ano - e de lá ter saído vitoriosa -, a escola retornou ao Grupo Especial com muitas cartas na manga para buscar uma permanência tranquila. Dentre elas, a principal foi promover a contratação de Rosa Magalhães, carnavalesca que fez história na agremiação durante quase duas décadas, para homenagear o carnavalesco e amigo Arlindo Rodrigues, no enredo “Meninos, eu vi…  Onde canta o sabiá, onde cantam Dalva e Lamartine”.

Apesar de renomado bailarino clássico, Thiago Soares fez a sua estreia no cargo de coreógrafo da comissão de frente, trazendo “O trem das lembranças”. A abertura da agremiação foi inspirada nas memórias carnavalescas de Arlindo. Um elemento alegórico bastante longo, em formato de trem, chamou a atenção, mas, pelas proporções, acabou prejudicando a visualização do público nos setores opostos aos módulos de julgamento. O corpo de dança era composto por mulheres, fazendo referência ao pioneirismo do carnavalesco na introdução das mulheres nas comissões. Também se observaram alusões a enredos gloriosos da Imperatriz de outrora. As fantasias estavam belas, sendo que apareceram diferentes tipos de saias. As metalizadas, em tons prateados, mereceram especial elogio. No geral, a dança se mostrou competente, assim como a atuação dos integrantes. Um dos pontos altos foi um drone sabiá, que sobrevoou a pista. A comissão, de fato, cumpriu seu papel. Por sua vez, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, formado por Thiaguinho Mendonça e Rafaela Theodoro, ostentou um figurino caprichado, nas cores da escola de Ramos. A exibição da dupla foi correta, segura, com destaque para a graciosidade da porta-bandeira. O casal representou a Imperatriz como a manequim perfeita do carnavalesco homenageado, a escola que nasceu para vestir suas fantasias.

Detalhes da performance da Comissão de Frente (Foto: Thomas Reis)


O enredo, desenvolvido primorosamente pela professora Rosa Magalhães, se baseou na carreira de Arlindo enquanto um grande carnavalesco. Percebeu-se a assinatura barroca de Rosa, que fez uma releitura do seu próprio estilo e do de Arlindo. A Imperatriz passou grandiosa, com alegorias que chamaram a atenção não apenas pelo tamanho, mas também pelo acabamento. Os figurinos representaram um trabalho requintado de utilização de materiais e de cores.

Alegorias da Imperatriz se destacaram pela beleza e bom acabamento (Foto: Thomas Reis)


A Swing da Leopoldina, sob a regência do Mestre Lolo, não economizou nas bossas e empolgou a escola, que passou animada, sobretudo nos momentos de explosão do refrão principal. O samba-enredo foi cantado pelos componentes e garantiu um desfile com um chão, no geral, bastante satisfatório. 

Sem sustos na evolução, a Imperatriz não deve perder pontos facilmente na apuração, com quesitos bem defendidos. A permanência no Grupo Especial parece garantida pela agremiação de Ramos. 


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Texto de Felipe Tinoco e Leonardo Antan.
Revisão de Beatriz Freire.
Visual e artes de Vítor Melo.

O Carnavalize está de volta a pleno vapor! Após um breve descanso e uma diminuição de ritmo, nossa produção de conteúdo retorna estreando um quadro que estávamos super ansiosos para fazer: a #SérieDécada! A segunda década desse século, iniciada em 2011 e finalizada no carnaval que acabou de terminar em 2020, trouxe muitas reviravoltas e transformações para a folia!

Após os desfiles de 2010 e a consagração da Unidos da Tijuca, no histórico “É Segredo!”, tendências, apostas, inovações, quedas e ascensões deram a tônica de uma década muito badalada, com direito ao rebrotar do gênero samba-enredo e do surgimento de uma geração criativa de novos artistas.

É por isso que, a partir de hoje e durante as próximas semanas, para animar a sua quarentena, todas as segundas, quartas e sextas-feiras serão destinadas a lembrar os acontecimentos e causos fundamentais do Sambódromo, com vários #TOP10 que relembram fortes momentos!

Como é impossível fazer uma seleção que agrade não só às leitoras e aos leitores, como também aos integrantes do Carnavalize de forma unânime, cada categoria também contará com menções honrosas que por pouquíssimo não entraram no ranking principal. Confira abaixo o cronograma da série:


Para começar nosso passeio pelos últimos anos 10 anos de folia, decidimos sair logo da missão mais difícil: as apresentações mais marcantes desse período. Algumas podem não ter sido as campeãs de seu ano, ou a escola que defendeu de forma mais técnica quesito a quesito. Todas as apresentações escolhidas, porém, não ficaram devendo em emoção e simbolismo, além de registrarem conjunturas importantes para cada agremiação e para a história da festa como um todo. São apresentações que reúnem grandes sambas, o talento criativo de seus carnavalescos e a atuação de grandes profissionais, entre compositores, intérpretes, mestres de baterias, casais de mestre-sala e porta-bandeira e coreógrafos de comissão de frente.

Então chega de papo e vamos conferir o primeiro (e mais polêmico) TOP10 da #SérieDécada: os desfiles mais marcantes do Grupo Especial carioca. (A gente lembra sempre que a lista é escrita SEM ordem hierárquica, disposta de forma livre, e não em forma de ranking.)

Ps.: se quiser ver lindas fotos de cada um dos desfiles, clique nas primeiras palavras de suas análises. Com exceção do ano 2011, todos os desfiles possuem um álbum individual de fotos da Riotur.


Acadêmicos do Salgueiro 2011 
(Salgueiro apresenta: O Rio no Cinema)

O Oscar sempre vai para a Academia, mas o título, não! Apesar da apresentação estética monumental preparada por Renato e Márcia Lage, em um dos shows visuais típicos das melhores apresentações da dupla, embalada por um samba que se destacava no CD do ano e um enredo divertido, repleto de identidade, concebido em parceria entre os carnavalescos e o Departamento Cultural da escola, sob a figura de João Gustavo Melo... os salgueirenses saíram desapontados daquele carnaval.

O tão famoso "King Kong no relógio da Central" / Foto: AF Rodrigues/Riotur
O Salgueiro cantou as principais obras do cinema que tiveram a cidade do Rio de Janeiro sob pano de fundo: Carlota Joaquina, Central do Brasil, Orfeu, Madama Satã, Tropa de Elite, dentre outros filmes. Ao fazer figurinos mais leves, a escola apostou no gigantismo dos belíssimos carros alegóricos. Ao menos três deles tiveram dificuldades para se locomover da pista e entrar no joelho da Avenida, como a icônica alegoria que trazia a impressionante escultura do “King-Kong no relógio da Central”, com a funkeira Valesca Popozuda vestida de banana como destaque. As dificuldades fizeram com que a agremiação ultrapasse o tempo máximo de desfile em 10 minutos, além de gerar correrias e buracos na Avenida. O desfile se tornou exemplo de problemas de evolução, quesito tão caro ao Salgueiro em sua história recente, e novamente tirou o favoritismo da branca e encarnada. A apresentação ainda faturou o 5º lugar e se tornou inesquecível: vale a vaga no TOP10!


Unidos de Vila Isabel 2012 

(Você Semba Lá.... Que Eu Sambo Cá! O Canto Livre de Angola)

Nos seus tambores, o sonho viveu em Vila Isabel no segundo ano da década. Se muitos dos olhos estavam voltados à simbologia do inovador samba da Portela de 2012, na Marquês de Sapucaí o sucesso da obra composta para a coirmã - também azul e branca da Zona Norte - por André Diniz, Arlindo Cruz, Artur das Ferragens, Evandro Bocão e Leonel (in memoriam) confirmou sua força e deu o tom à última apresentação da noite de domingo de carnaval em homenagem a Angola. A forte parceria de compositores contagiou com força a comunidade do Morro dos Macacos em diversos versos. Na sua segunda parte, a canção propunha um contracanto, entoado por Tinga a plenos pulmões, e respondido com vibração pelos componentes, que incorporaram Kizomba.


Comissão de frente e cabeça de um desfile inesquecível. / Foto: Rafael Moraes/Riotur
Se musicalmente a apresentação foi extremamente bem servida, a estética e o visual do desfile não ficaram para trás. As alegorias e fantasias criadas por Rosa Magalhães ousaram nas formas das fantasias e no uso de diversos tecidos com estampas referentes à região do país celebrado, criando imagens marcantes para o desfile. Marcelo Misailidis, coreógrafo da comissão de frente, apresentou um dos melhores trabalhos de sua carreira e a melhor comissão do ano, com uma savana que escondia a fauna angolana. Mentor do enredo e considerado como Embaixador Cultural do Brasil na Angola, Martinho da Vila encerrou a apresentação no sétimo carro sob a luz do sol e o céu azul, dando a certeza de um desfile que combinou diversos ingredientes necessários para se considerar postulante ao título e memorável aos torcedores da Vila e aos amantes do carnaval. Terminou em 3º, mas marcou a década!


Unidos de Vila Isabel 2013 
(A Vila canta Brasil, celeiro do mundo - Água no feijão que chegou mais um)

Festa no Arraiá! Depois de gerar ótimos frutos no ano anterior, a parceria entre a Vila Isabel e Rosa Magalhães voltou a encantar o público em 2013. Novamente genial, após um enredo com a cara de Vila Isabel, a artista soube desenvolver uma narrativa leve para um tema espinhoso patrocinado pelo agronegócio. A saída foi passear pela vida do homem do campo, com sua prosódia, seus costumes, sua forma de alimentar e viver. Dando ainda mais lirismo ao que foi contado, um daqueles sambas-enredos raros e antológicos surgiu na inspiração de uma super parceira que repetiu a maioria dos nomes do ano precedente: Martinho da Vila, Arlindo Cruz, André Diniz, Tonico da Vila e Leonel.

Detalhes de um carnaval primoroso de Rosa Magalhães e da Vila Isabel. / Foto: Marco Antonio Cavalcanti/Riotur
A obra musical explodiu dentro e fora da bolha do carnaval nos meses que antecederam a folia, com milhares de visualizações no YouTube. A azul e branco de Noel encerrou os desfiles naquela segunda-feira já aclamada, brindando a continuação do excelente trabalho de uma equipe coesa da agremiação que ainda contava com intérprete Tinga, o casal Rute Alves e Julinho Nascimento, os diretores Júnior Schall e Wilsinho, além dos coreógrafos Marcelo Misailidis, na comissão de frente, e Carlinhos de Jesus, responsável pelas movimentações visuais na bateria e em alegorias. Um verdadeiro arraial na Avenida coroou o protagonismo do samba-enredo, de uma forma que há muito tempo não se via, e deu o título incontestável à escola.


União da Ilha 2014 
(É brinquedo, é brincadeira: a Ilha vai levantar poeira)

Hoje a Ilha vem brincar, amor... Depois de quatro desfiles no Grupo Especial, a União da Ilha marcou de vez sua permanência na elite do samba em um grande reencontro com suas características mais famosas. A escola da simpatia e da alegria encantou o público com muita criatividade e leveza no delicioso e nostálgico enredo desenvolvido por Alex de Souza com brilhantismo.

O belíssimo abre-alas da Ilha: a fábrica de brinquedos insulana. Foto: Riotur / Marco Antonio Cavalcante
Relembrando os brinquedos e brincadeiras que marcaram época, a tricolor fez todo mundo voltar a ser criança no seu desfile repleto de elementos visuais de fácil leitura, muita riqueza de detalhes e bom gosto. O samba-enredo traduzia com beleza e encantamento o tema proposto e foi muito bem interpretado por Ito Melodia, acompanhado pela bateria do Mestre Thiago Diago e a animação dos componentes da escola e do público da Avenida. Na comissão de frente de Jaime Arôxa, uma estrutura fazia uma bailarina e um soldadinho de chumbo rodopiarem e, em frente ao júri, distribuir presentes à frisa. A escola terminou em 4º lugar naquele ano, com o gosto de que poderia ter sido mais, mas com a certeza e muito orgulho de sua melhor apresentação em muitos carnavais.


São Clemente 2015 
(A incrível história do homem que só tinha medo da Matinta Perera, da Tocandira e da Onça Pé de Boi)

É o mestre... Veio mais uma vez do talento e bom gosto inegáveis da professora Rosa Magalhães um outro desfile que marcou a década: seu terceiro na lista. Depois de uma passagem nada harmoniosa na Estação Primeira de Mangueira, a artista surpreendeu a todos dando expediente na agremiação de Botafogo e escolheu para a estreia um enredo para nenhum sambista colocar defeito: uma homenagem a Fernando Pamplona. 
Belíssima homenagem da Rosa Magalhães ao seu professor, Fernando Pamplona. Foto: Gabriel Santos/Riotour
Baseada na autobiografia do cenógrafo e carnavalesco, a artista, uma grande herdeira do mestre, provou mais uma vez a sua capacidade de se reinventar com uma apresentação bela e repleta de bom gosto, passeando pela infância de Pamplona e seu medo de assombrações até suas principais contribuições ao Salgueiro, ao carnaval e à arte brasileira. O emocionante samba foi muito bem interpretado por Igor Sorriso, que deixou de ser promessa e se tornou uma realidade na festa e brilhou ao lado da bateria de mestres Gil e Caliquinho. Eles prepararam uma bossa no refrão do meio, em referência aos carnavais de homenagens às figuras negras do Salgueiro, que animou a Avenida. Outro destaque do time da preto e amarela foi o casal Fabrício Pires e Denadir Garcia, que também garantiu boas notas a escola. Pena que elas não foram o suficiente para uma melhor colocação da agremiação, que terminou em um inexplicável 8º lugar, longe do retorno ao Sábado das Campeãs. 


Estação Primeira de Mangueira 2016 
(Maria Bethânia: A Menina dos Olhos de Oyá)

Uma escola com milionárias dívidas, vinda de um 10º lugar no carnaval precedente, um carnavalesco estreante no Grupo Especial após faturar o 7º lugar na Série A. A princípio, esse pode ser um cenário assustador para muitos torcedores, mas foi justamente nesse contexto que a Mangueira fez um dos melhores desfiles da década. O artista Leandro Vieira soube contornar a pressão dos mangueirenses apaixonados e fazer um desfile autoral, com conjunto de fantasias e alegorias lindíssimos como não se via na escola há pelo menos oito anos. O desenrolar inventivo do enredo, percorrendo a religião, a origem e a obra da história de Maria Bethânia, propôs um desenvolvimento que fugiu da obviedade das narrativas biográficas.

A vocação verde e rosa à homenagem: escola e Maria Bethânia estavam sinergicamente conectados. Foto: Gabriel Nascimento/Riotour
Além disso, após uma grande safra de sambas, a escola cantou uma obra marcante que relembrou sucessos da carreira da intérprete, com Ciganerey em uma segura apresentação solo no microfone, após o precoce falecimento do saudoso Luizito no pré-carnaval. A bateria, vestida de Fera Ferida, também conseguiu conquistar o júri e não repetir o decréscimo dos dois anos anteriores. Após perder pontos apenas no quesito comissão de frente, a Mangueira se sagrou campeã do carnaval depois de 14 anos de jejum. Daquele desfile, além da felicidade contagiante de Bethânia, do encanto da santamarense, da força dos seus orixás, e do despontar de Leandro como novo e determinante talento da década, uma figura não sai da cabeça de ninguém. Vestida de iaô, a belíssima porta-bandeira Squel desfilou careeeeca! Deslumbrante, Squel!


Portela 2017 
(Quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse rio passar) 

Após um ano disputado e de desfiles surpreendentes, o carnaval viveu um de seus momentos mais tristes em 2017. O ano marcado por acidentes e fatalidades, entretanto, também é lembrado pelo esperado fim do jejum portelense de vitórias, após mais de três décadas. Vivendo uma fase de reestruturação, a azul e branco vinha de três ótimas apresentações que garantiram seu retorno ao protagonismo na festa. Nos bastidores dessa mudança, estava a simbólica liderança de Marcos Falcon, que acabou falecendo precocemente naquele pré-carnaval, fazendo Luiz Carlos Magalhães assumir a presidência poucos meses do desfile.

Detalhes de uma das alegorias assinadas por Paulo Barros no desfile da Portela em 2017. Foto: Fernando Maia/Riotour

Além dessa fatalidade nos bastidores, a Portela não saía dos holofotes pela figura de seu carnavalesco. Ninguém menos que Paulo Barros foi para o seu segundo ano na escola. Depois de falar de viagens, uma inspiração na icônica música de Paulinho da Viola em homenagem a azul e branco rendeu um enredo que navegou pelos grandes rios da humanidade. Assim como no ano anterior, o artista soube dosar seu estilo mais inventivo com a pompa portelense - tendo dessa vez o auxílio de Paulo Menezes para esboçar figurinos luxuosos e criativos.

Ala que se repetiu durante o desfile, dando bacana visual do rio que se deixou passar. Foto: Fernando Grilli/Riotour
Em uma disputa acirrada, o samba-enredo eleito foi o da parceria de Samir Trindade, o qual embalou o desfile com a animação e a emoção necessárias ao entrelaçar a narrativa a uma homenagem a grandes baluartes portelenses. Outros trunfos foram a evolução e a harmonia da escola, que se provaram das mais competentes da década. Um senão, porém, foi a comissão de frente, feita às pressas pela dupla de coreógrafos que assumiu a função há poucas semanas do desfile. Jejum quebrado na quarta-feira de cinzas, o ano da Portela não acabou ali: com a divulgação das justificativas das notas, a revelação de uma anotação problemática de um julgador de enredo fez a Mocidade Independente de Padre Miguel abrir um recurso e reivindicar a divisão do título. Dessa forma, o ano terminou com duas campeãs, o que não acontecia desde 1998.


Paraíso do Tuiuti 2018 
(Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?) 

Após fazer um desfile criativo mas marcado por um terrível acidente no ano anterior, quando a Paraíso do Tuiuti virou a curva da Sapucaí em 2018 ninguém imaginava o que estava por vir. Cotada para o rebaixamento diante do então modus-operandi da folia, a agremiação havia feito um pré-carnaval discreto e optado por encomendar seu samba-enredo a grandes compositores como Cláudio Russo, Moacyr Luz e outros nomes consagrados da escola, gerando uma obra que soube traduzir com criatividade e beleza as dores do tema abordado.

Sem duvidas, a comissão de frente do Tuiuti em 2018 é a imagem desse marcante desfile. Foto: Gabriel Nascimento/Riotour
Narrada pelo talentoso Jack Vasconcelos, que vinha se destacando em suas criações, a história da escravidão humana ao longo dos tempos começou já impactando com uma comissão de frente arrebatadora. Coreografado por Patrick Carvalho, o grupo mostrou a transformação de escravizados em Pretos Velhos e arrancou aplausos e lágrimas da plateia. A plástica bem amarrada do desfile entrou em sintonia com a vibração do belo samba e da grande atuação dos intérpretes, acompanhados pela bateria do Mestre Ricardinho. Não bastasse todas essas qualidades, o enredo perpassou a contemporaneidade, abordando o difícil momento político no qual o Brasil se encontrava - e encontra, sob outras figuras. Apontando que a escravidão estava longe de acabar, "manifestoches" e vampirões com faixas presidenciais foram os grandes destaque da alegoria “Neotumbeiro”, que rompeu a bolha do carnaval, conquistando as redes sociais e a imprensa internacional. A grande repercussão do desfile, que ecoou no seu momento histórico e social preciso, ajudou o Paraíso do Tuitui a conquistar um vice-campeonato inédito no maior desfile de sua trajetória. 


Estação Primeira de Mangueira 2019 
(História pra ninar gente grande)

Se o carnaval de 2016 revelou Leandro Vieira como um dos grandes artistas em ascensão e proporcionou uma nova roupagem à Mangueira, os anos seguintes coroaram a relação entre o carnavalesco e a escola. E essas considerações foram arrematadas após o carnaval de 2019. Inspirado em uma história alternativa à oficialidade dos livros didáticos, Leandro apresentou a versão anti-hegemônica do Brasil plural. No enredo, trouxe o olhar da população de diferentes etnias sobre os períodos de nossa história: a invasão que não foi descobrimento, o massacre indígena, a potência dos negros que resistiram à escravidão e formaram o país, a força de quem foi de aço nos anos de chumbo.

A incontestável vitória verde e rosa com um carnaval para a história. Foto: Dhavid Normando/Riotour
Nesse desfile, o carnavalesco reafirmou sua qualidade em criar signos e símbolos de forte apelo. Se não foi o carnaval mais requintado e luxuoso da Mangueira nos anos de Leandro Vieira, a originalidade ao retratar os heróis clássicos e os heróis propostos pela escola nos elementos visuais se harmonizaram com a narrativa adotada pela agremiação e a defesa das pautas ali colocadas. A força estética do desfile passava do Monumento às Bandeiras manchado de sangue, do casal Squel Jorgea e Matheus Olivério em uma brilhante apresentação, até as bandeiras de grandes personalidades brasileiras que encerraram o desfile. Na comissão de frente dos excepcionais Priscilla Mota e Rodrigo Negri, mais uma imagem marcante: os novos protagonistas da história ganharam os lugares dos nanicos nos retratos do tripé - de onde surgia a estudante Cacá Nascimento para erguer a faixa de “PRESENTE”, em referência à Marielle Franco, citada no samba. Este, que estourou a bolha carnavalesca antes mesmo de ganhar a disputa, era o melhor do ano, com letra inspiradíssima e assinado por Deivid Domênico, Tomaz Miranda, Danilo Firmino, Márcio Bola, Silvio Moreira Filho (Mama) e Ronie de Oliveira, além de contar com a autoria de Manu da Cuíca e Luiz Carlos Máximo. A escola fechou a apuração com a nota máxima, em 270 pontos, e a certeza de que o país se orgulhava da história dos índios, negros e pobres.


Grande Rio 2020 
(Tatalondirá: o canto do caboclo no quilombo de Caxias)

Uma década de reencontros e da chegada de uma nova e brilhante geração ao carnaval foram determinantes para construir essa última década. No encerramento da lista, mais uma escola retorna ao seu brilho essencial e esses preceitos se renovam na apresentação da Grande Rio de 2020. Após altos e baixos, vinda de um 9º lugar e de uma virada de mesa, a tricolor resolveu apostar em uma dupla de talentos que havia brilhado na Série A e na Intendente Magalhães: Leonardo Bora e Gabriel Haddad.

De volta às origens, a escola buscou na própria história a retomada de sua identidade. Foto: Fernando Grilli/Riotour 
Responsáveis por desfiles de forte apelo artístico e densidade cultural, os artistas escolheram um enredo poderoso para a estreia e homenagearam o babalorixá Joãosinho da Gomeia, famoso por seu terreiro no município natal da escola. O enredo de forte identificação com sua comunidade teve ainda uma disputada escolha de samba que terminou exaltando a força de duas palavras: Pedra Preta - o caboclo guia espiritual do homenageado, muito bem colocado na letra da parceria vencedora liderada por Derê. Para completar a formação do time da agremiação de Caxias, estavam os veteranos e premiados Beth e Hélio Bejani, na comissão de frente, o intérprete Evandro Malandro, o casal Taciana e Daniel e o mestre Fafá. Após um grande pré-carnaval, a escola viu o título escapar mais uma vez por um problema no abre-alas, quando complicações para colocar seus destaques ocorreram. Empatada com a campeã Viradouro e consagrada vice-campeã, detalhes de evolução não tiraram o brilho criativo do desfile que apostou em adereços artesanais e muitas referências artísticas em uma narrativa muito bem desenvolvida sobre a rica história do homenageado. 

 


Menções honrosas

Haja desfile bom! Para conseguirmos chegar a esses dez, muitos ficaram de fora! Mas não tema: separamos algumas outras grandes apresentações que deixaram seu lugar no coração do sambista e ganham nossa menção honrosa.

Unidos da Tijuca 2012 (O dia em que toda realeza desembarcou na avenida para coroar o Rei Luiz do Sertão)

Salgueiro 2014 (Gaia, a vida em nossas mãos)

Portela 2014 (Um Rio de mar a mar: do Valongo à glória de São Sebastião)

Beija-Flor 2015 (Um Griô conta a história: uma olhar sobre a África e o despontar da Guiné Equatorial… Caminhemos sobre a trilha da nossa felicidade)

Salgueiro 2015 (Do fundo do quintal, saberes e sabores na Sapucaí)

Portela 2016 (No voo da Águia, uma viagem sem fim)

Mocidade 2017 (As Mil e Uma Noites de uma Mocidade prá lá de Marrakesh)

Mangueira 2017 (Só com a ajuda do Santo)

Viradouro 2019 (VIRAVIRADOURO)

O Carnavalize, a partir de seus critérios, fez essa seleção, estimulando a pensarmos o que foram esses últimos 10 anos. Fique à vontade para fazer seu ranking e enviar para nós nas nossas redes sociais! Qual o seu #TOP10 dos seus desfiles marcantes do Grupo Especial?! Queremos saber!

Além dos textos com as listas, o #PodcastDoCarnavalize também retorna trazendo os bastidores de cada escolha, das decisões, do que discordamos e concordamos, um dia após a liberação de cada #TOP10! Os membros do Carnavalize, de quarentena, reviram vários desfiles e votaram pelos 10 destaques de sambas, desfiles, comissões de frente, personalidade… É óbvio que não faltou debate! É conteúdo pra ler e ouvir durante as próximas três semanas! Se liiiga e carnavalize conosco!
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Por Leonardo Antan


Numa noite com desfiles de alto nível, as escolas de samba fizeram seu primeiro dia de apresentações na Sapucaí este ano. Das setes a se exibirem na noite, o que se viu foram trabalhos plásticos interessantes e de teor elaborado e criativo, mesmo com a crise financeira. Marcando assim uma noite competitiva em que desfilaram escolas tradicionais da folia carioca. 

Abrindo a festa, a Estácio de Sá fez uma ótima abertura com a batuta criativa da renomada carnavalesca Rosa Magalhães. A artista fez uma interessante e bem executada apresentação sobre a história da Pedra, desde a antiguidade às viagens espaciais. Um belo trabalho em fantasia também impulsionou o conjunto da escola, que teve problemas apenas em poucos quesitos. Logo depois, a noite seguiu vermelho e branco com a Viradouro. A escola de Niterói fez uma apresentação luxuosa e grandiosa, defendendo bem seus quesitos. O destaque, entretanto, foi a parte musical da agremiação. O já famoso Ensaboa animou a Sapucaí com uma ótima harmonia da alvirrubra. Além disso, um dos grandes destaques  foi a bateria do mestre Ciça, executando uma bossa de timbal tocada por duas mulheres que vinham montadas em um tripé, no meio dos ritmistas, e arrancou aplausos das arquibancadas.

A atual campeã do carnaval foi a terceira escola a se apresentar. A releitura da história de Jesus da Mangueira trouxe um visual mais tradicional e que recontou passagens bíblicas com o apuro estético irretocável de Leandro Vieira. A Comissão de Frente do casal Segredo (Rodrigo Neri e Priscila Motta) foi o grande destaque da apresentação, apostando em imagens impactantes. A bateria passou correta e apesar do samba com uma bela letra, a verde e rosa não explodiu e fez um desfile mais técnico. Permanecendo nas comunidades próximas a região de São Cristóvão, a Paraíso do Tuiuti se exibiu na sequência. O enredo sobre diferentes Sebastiões (o rei e o santo) foi um dos pontos altos da escola, que teve um bom trabalho do carnavalesco João Vitor Araújo em fantasias e alegorias. O senão da escola foi mais uma vez problemas em evolução e harmonia, quesitos que devem tirar pontos preciosos da azul e amarela. 

É pedra preta! Fazendo todo mundo incorporar, a Grande Rio fez a mais impressionante apresentação da noite. Começando por uma belíssima comissão de frente, uma ótima performance de seu casal e uma das mais belas aberturas dos últimos anos, a tricolor se credenciou na briga pelo título. O trabalho estética da dupla Leonardo Bora e Gabriel Haddad se mostrou irretocável, se pautando em referências artísticas que trouxeram alegorias e fantasias requintadas e de extremo bom-gosto, mesclando formas artesanais e tons opacos. Apesar, problemas de pista prejudicaram a evolução da tricolor da baixada. 

Logo depois, a União da Ilha apostou uma forte crítica social para sua apresentação. Num estilo mais realista, a escola tentou trazer imagens de impactos que se mostraram de gosto duvidoso e apelaram para o sensacionalismo. Na falta de um enredo bem desenvolvido e uma sequência interessante de alas e alegorias, os únicos destaques positivos da agremiação insulana foi o canto valente e forte de sua comunidade e a atuação impecável de sua bateria. A evolução da tricolor também foi problemática, fazendo a escola estourar em um minuto o tempo máximo regulamentar. 

Da Ilha vamos à Madureira, a Portela transformou a Sapucaí numa grande aldeia indígena para encerrar os cortejos de domingo, com o dia já amanhecendo. A dupla de carnavalescos Renato e Márcia Lage apostaram numa estética mais tradicional e opulenta. Na pista, mais uma atuação irretocável em quesitos como harmonia e evolução, como desfila bem a azul e branco. Os únicos senões da apresentação foi a fraca Comissão de Frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, já que Lucinha enfrentou sérios problemas na segunda cabine de jurados, apesar da sua experiência. 

No geral, o que se viu foi uma noite de alta qualidade artística, sobretudo na aposta de desfiles com linguagens completamente diferentes e interessantes entre si. Ganha a festa com apresentações de tão alto nível e com apostas estéticas e musicais que valorizam as personalidades das agremiações e seus artistas. A diversidade é fundamental.

Você pode ouvir nossas impressões sobre os desfiles no nosso podcast, disponível em várias plataformas digitais:

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Confira como cada escola se apresentou em todos os quesitos:


Estácio de Sá: tirando pedras do próprio caminho, escola faz bela abertura



Viradouro: alvirrubra ensaboa a Avenida em apresentação exuberante


Mangueira: em bela homenagem a Jesus, verde e rosa emociona em apresentação morna



Tuiuti: em homenagem a seu padroeiro, escola se põe na briga pelo sábado


Grande Rio: problemas de evolução podem prejudicar plástica requintada e excelente samba



 União da Ilha: forte chão e crítica controversa dão o tom no desfile insulano



Portela: cortejo técnico exalta Guajupiá




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Por Redação Carnavalize

Búzios e patuás na mão? Pedindo as bençãos aos nosso orixás, vamos da sua melhor combinação de palpites com bom-humor para aliviar a TPC. Errar ou acertar? Isso é relativo! A ideia é trazer alguns palpites das credenciais de cada agremiação.

Fato é que mesmo com a famigerada crise, as escolas conseguirão colocar seus carnavais na rua e calar a boca de CERTOS PREFEITOS neopentecostais. Num ano competitivo, todo mundo guardou seus trunfos na manga. Mas também tem onde cada escola pode tropeçar. E assim que começamos nosso panorama.

Quem sobe? E quem desce? E o grupo da meíuca? Segura no Santo Antônio que a alegoria vai fazer a curva e vamos para passarela das previsões.

DOMINGO
1- Estácio de Sá - "Pedra"


No geral: É pedra preta! Ops, calma, pedra errada. Aqui é só Pedra. Cinco letras que geram um enredo inteiro no talento absoluto de Rosa Magalhães. A Estácio de Sá é a atual campeã da Série A.

Pontos extras: É no nome da deusa da folia, Rosa Magalhães, que a Estácio aposta suas fichas para tentar permanecer no grupo. Três anos depois da sua última passagem, a vermelho e branco está de volta e na briga por um expediente a mais. Para somar notas máximas, o Leão investe também em Ariadne Lax, coreógrafa da comissão de frente que emocionou a Sapucaí em 2019. 

Perdeu décimos: Subiu, caiu? E lá vamos nós falar de novo de escola que sobe, sendo primeira de domingo, tem muitas desvantagens... Os riscos da Estácio são muitos, a começar pelo samba-enredo que foi escolhido numa situação complicada. 

Barracão Tour: É anjinhos e caixotinhos que você quer, @? Pois estão enganados! Parece que Rosa resolveu crescer suas alegorias, inclusive já confessou que apostou num visual diferente para fantasias. Será que a professora irá se reinventar? Amém, Rosa!

De 1 a 3 quantas podem ser as pedras no caminho da Estácio?


2- Viradouro - "Viradouro de alma lavada"

No geral: Vira-virou-vice! O brilho no olhar voltou? O último carnaval rendeu um vice-campeonato histórico a uma escola que vinha do Acesso e conseguiu a segunda melhor posição da história... Quer mais? A Viradouro quer ensaboar todo mundo.

Pontos extras: Nos quesitos, tem a força de nomes como Ciça, Rute e Julinho e Alex Neoral. Nos cofres, quase dois milhões a mais que as co-irmãs, vindos da prefeitura de Niterói. É um verdadeiro exemplo de time de feras e gestão organizada, além de grana sobrando. A Viradouro tem uma série de bônus para conquistar mais uma fase nesse jogo.

Perdeu décimos: Com uma sequência de sambas questionáveis, a Viradouro perdeu preciosos décimos no quesito musical no ano passado. A obra deste ano gerou controvérsias, mas acabou caindo na boca do povo. Ele pode ser um quesito preocupante para a escola?

Barracão Tour: A Viradouro tá pronta! Com um barracão impressionante, a vermelho e branco tem o tempo a seu favor; terminou tudo com calma e investindo pesado na opulência para contar o ótimo enredo sobre as Ganhadeiras de Itapuã. Se o maior trunfo da escola no ano passado foi a grife Paulo Barros, agora, a escola aposta no casal Tarcísio Zanon e Marcus Ferreira, que ainda precisa passar bem na prova da avenida. A dupla já faturou títulos na Série A, mas não tem os anos de bagagem que tinha o artista das alegorias humanas.

De 1 a 3 sabonetes, o quanto a Viradouro deve ensaboar a Sapucaí?
 
 


3- Mangueira - "A verdade vos fará livre"


No geral: Campeã com todas as notas 10, a Mangueira aposta na figura mais conhecida da humanidade: Jesus Cristo! Sempre atento ao momento social, Leandro Vieira aposta mais uma vez num enredo contundente.

Pontos extras: A escola segue com seu time formado com um gabaritado casal de mestre-sala e porta-bandeira, além da comissão de frente comandada pelo Casal Segredo, Priscila Mota e Rodrigo Negri. A Mangueira é uma das principais favoritas? Quesito não falta!

Perdeu décimos: A maior dificuldade da escola nos últimos anos foi sua comissão de frente, que  gabaritou o quesito após a chegada do casal... Ele ainda é um calcanhar de Aquiles? Outro assunto que gera polêmica é o samba-enredo da agremiação. Apesar da letra belíssima, o andamento vai segura o canto do cortejo?

Barracão Tour: Contando a história de Jesus, a Mangueira trará imagens cristãs reinterpretadas pelo carnavalesco Leandro Vieira. As fantasias reveladas pela verde-e-rosa dividiram opiniões, fazendo a escola ficar falada nas redes sociais, pro bem e pro mal. O que a gente sabe é que não vão faltar tons pastéis, costeiros de acetato e dobraduras. 

De 1 a 3 crucifixos, o quantos devem inventar mil pecados para Mangueira na apuração?


4- Paraíso do Tuiuti - "O Santo e o Rei: encantarias de Sebastião"


No geral: É a hora da crítica? Depois de fazer históricos desfiles no Grupo Especial, a agremiação sofreu algumas transformações para seu quadro de funcionários. A principal baixa foi a do carnavalesco Jack Vasconcelos, para a chegada do talentoso João Vitor Araújo.

Pontos extras: Mesmo com um desfile com problemas técnicos na pista no último carnaval, a agremiação conseguiu um honroso oitavo lugar. Apesar de ser uma escola há pouco tempo na elite, a Tuiuti parece ter colocado algum peso na sua bandeira, diferentemente de outras escolas que penam no grupo. 

Perdeu décimos: Com vários quesitos resolvidos, as maiores vilãs da azul e amarela parecem ser a concentração e a pista dos desfiles. A escola tem problemas de evolução e harmonia, sendo os quesitos nos quais mais perdeu pontos nesses anos de Especial. 

Barracão Tour: A escola seguiu apostando em bons enredos e dando liberdade criativa ao seu carnavalesco. Mesmo com um estilo mais clássico, João Vitor investiu num enredo que mistura crítica e história. Pouco comentada pelos corredores da Cidade do Samba, a plástica de São Cristóvão pode surpreender.

De 1 a 3 flechas, o quanto a Tuiuti deve voltar a brilhar no Especial


5- Acadêmicos do Grande Rio - "Tata Londirá: o canto do caboclo no Quilombo de Caxias"


No geral: Hora do lanche? Não mais! Depois de duas apresentações complicadas e que deixaram a agremiação longe dos desfiles das campeãs, a Grande Rio vem apostando em renovação para alcançar seu sonhado título.
               
Pontos extras: A aposta na prata da casa tem sido uma recorrente na escola, tanto no casal de mestre-sala e porta-bandeira quanto na revelação do Mestre Fafá, um destaque absoluto do complicado desfile do ano passado. Diferentemente de outros anos, não falta um sambão para tricolor. 

Perdeu décimos: Profissionais gabaritados, apostas, um samba muito elogiado. A Grande Rio tem algum quesito para se preocupar? Vamos descobrir na pista...

Barracão Tour: Se o casal Lage não trouxe todas as notas dez esperadas nos quesitos plásticos, a Grande Rio aposta na estreia dos premiados Leonardo Bora e Gabriel Haddad. A dupla que brilhou na Cubango deve seguir apostando numa estética inovadora. Não faltarão peças artesanais e coloridas também... Será a definição de CONCEITO, COESÃO e ACLAMAÇÃO? 

De 1 a 4 Itos Melodias, o quanto a Grande Rio deve incorporar na Avenida:



6- União da Ilha - "Nas encruzilhadas da vida, entre becos, ruas e vielas, a sorte está lançada: Salve-se quem puder!"

No geral: Depois de desfiles mornos e que patinaram no julgamento, a União da Ilha promoveu grandes mudanças para o seu carnaval. A tricolor não só entrou na onda crítica dos enredos, como ainda tentou promover inovações na feitura de carnaval.

Pontos extras: A bateria insulana é um dos quesitos mais estáveis da agremiação nos últimos anos, além de a escola contar com um premiado casal de mestre-sala e porta-bandeira. Para completar, ainda aposta na chegada do soberano Laíla. O que nos leva aos décimos perdidos.

Perdeu décimos: Desde sua chegada ao Especial, os maiores décimos perdidos pela União da Ilha foram em harmonia e evolução. O nome de Laíla para comandar a escola deve melhorar estes quesitos? Eis a questão.

Barracão Tour: Com um enredo crítico assinado por uma comissão de carnaval encabeçada por Fran Sérgio, Cahê Rodrigues e o próprio Laíla, a Ilha parece apostar numa estética mais realista, apresentando cenas dramáticas e menos elementos carnavalizados. É uma aposta arriscada ou o título da Beija-Flor em 2018 abriu portas para esse estilo de carnaval? A conferir na pista!

De 1 a 5 alegorias da Beija-Flor em 2018, o quanto a Ilha pode sonhar com um boa posição:


7- Portela - "Guajupiá, terra sem males"


No geral: Depois de seis carnavais consecutivos desfilando na segunda-feira, o que garantiu ótimas posições para a escola, a Portela volta a desfilar no domingo de carnaval. E para isso, ela irá renovada na Sapucaí. Vamos aos requisitos.

Pontos extras: Há seis carnavais, a Portela tem presença cativa nas campeãs, liderando o ranking da LIESA. A agremiação tem a seu favor quesitos consolidados: além de harmonia e evolução impecáveis, não falta um casal gabaritado e excelentes samba-enredo e intérprete.

Perdeu décimos: O quesito mais descontado da agremiação nos últimos anos tem sido sua comissão de frente. Foi ali o único décimo perdido no título de 2017. A escola não gabarita desde 2001. O reforço da escola foi o consagrado Carlinhos de Jesus, que, apesar de ter faturado o Estandarte, não conseguiu nenhuma nota dez no ano passado.  

Barracão Tour: Depois de um relacionamento conturbado com Rosa Magalhães, a Portela investe no casal Lage para garantir bons resultados plásticos. O barracão é um dos mais misteriosos da Cidade do Samba e também não parece dos mais adiantados. A estética da agremiação será uma surpresa, mas para desfilar pela manhã, é certeza do uso de cores mais vivas.

De 1 a 3 desfiles indígenas, o quanto a Portela deve incorporar o Lendas e Mistérios e quebrar o tabu de vencer sozinha igual 1970:
 


SEGUNDA-FEIRA

1- São Clemente - "O conto do vigário"

No geral: Meu povo chegou! E será que a São Clemente vai ser garfada mais uma vez? Voltando ao seu melhor estilo crítico, a preta e amarelo da Zona Sul abre mais uma vez a segunda-feira de carnaval. A receita é a irreverência que já deu muito certo nas bandas de Botafogo.

Pontos extras: O retorno da agremiação ao seu estilo rendeu um ótimo carnaval no ano passado. A aposta é ainda maior dessa vez. Outro acerto do ano passado foi a comissão de frente, que arrebatou as arquibancadas e esse ano tem tudo para voltar a brilhar.

Perdeu décimos: Problemas de evolução e harmonia marcam de modo negativo a estadia da preta e amarela do Especial. O samba-enredo animado e satírico parece servir à escola, e agremiação vem ensaiando duas vezes por semana. A torcida é para ter uma comunidade mais empolgada na pista.

Barracão Tour: O carnavalesco Jorge Silveira vai para seu terceiro ano na escola, promovendo um verdadeiro resgate na identidade da agremiação. Com um barracão adiantado, ele aposta em alegorias grandes e fantasias de fácil leitura. A promessa é que a escola seja o alívio cômico da folia.

De 1 a 3 expressões populares por políticos, o quanto a maré pode virar pra São Clemente


2- Unidos de Vila Isabel - “Gigante pela própria natureza: Jaçanã e um índio chamado Brasil”


No geral: Ano sim, ano não, a Vila Isabel costuma ter seus altos e baixos... a Vila tem todos os ingredientes para que repita seu “ano sim” novamente?

Pontos extras: O luxo que marcou o desfile do povo de Noel deve, sim, se repetir esse ano, mesmo com o problema do prometido patrocínio que não chegou; além disso, quesitos como bateria, comissão de frente e casal parecem não preocupar a azul e branco.

Perdeu décimos: Ano passado, samba-enredo e enredo foram inimigos da agremiação em busca de uma melhor posição. Para esse ano, a obra musical também parece deixar a desejar, já o enredo não encanta. 

Barracão tour: O carnavalesco Edson Pereira vai para seu segundo ano, apostando sempre numa estética grandiosa e luxuosa. Em meio a novas formas de pensar o carnaval, a aposta no clássico. Resta saber se o dinheiro de Brasília vai chegar (e parece que não) para dar a pompa necessária ao barracão da escola das terras de Noel. 

De 1 a 4 bonecões do Edson, o quanto as alegorias da Vila devem impressionar e garantir uma boa posição:


3- Acadêmicos do Salgueiro - "O rei negro do picadeiro"


No geral: Escola mais estável da folia, o Salgueiro é a única agremiação com presença garantida no desfile das campeãs há mais de uma década. Desde 2008, vem sendo presença cativa entre as primeiras colocadas. Vamos para mais um ano?

Pontos extras: Apesar de sempre favorito, o Salgueiro acaba tropeçando nos próprios erros. Mesmo com bons resultados, faturou um título há mais de dez anos. A vermelha e branco não parece ter um calcanhar de Aquiles fixo; porém, conta sempre com o bom desempenho de seu premiado casal e da Furiosa, agora comandada pelos mestres Guilherme e Gustavo.

Perdeu décimos: A comissão de frente foi um problema no carnaval passado e perdeu décimos preciosos. Como estaremos para esse ano? Além disso, a hino escolhido não é o mais elogiado do ano, como ocorreu em outras temporadas.

Barracão Tour: Alex de Souza vai para seu terceiro ano na escola e vem apresentando trabalhos regulares em seus quesitos. No último carnaval, o setor que fechava o desfile foi contestado por parte da crítica carnavalesca. Para este ano, a aposta é numa estética circense que aparecerá em todos os setores: leveza e cores não devem faltar. Resta saber se a crise afetou a escola da Tijuca em seus preparativos.

De 1 a 3 palhaços, o quanto o Salgueiro deve abrir o circo e chamar o povo:


4- Unidos da Tijuca - "Onde moram os sonhos"

No geral: Após dois decepcionantes sétimos lugares, a Unidos da Tijuca promete um reencontro com o estilo que a marcou neste século. A aposta é no terceiro casamento com Paulo Barros: o bom filho à casa torna! 

Pontos extras: Consagrada como a maior campeã da década (empatada com a Beija-Flor), a azul e amarela é uma escola que sabe desfilar bem e tem ainda uma das melhores baterias do grupo. Quesito não falta: o bom casal de mestre-sala e porta-bandeira também traz segurança. Além disso, quesitos de chão, como harmonia e evolução são sempre regulares, trazendo as notas.

Perdeu décimos: O samba-enredo é onde a escola do Borel mais perdeu décimos nos últimos anos, mas, para mudar paradigmas, este ano temos uma obra encomendada e elogiada pela crítica. Outra questão parecer ser a comissão de frente, um setor difícil para a carreira de Barros. Em 2020, o carnavalesco estreia a parceria com Jardel Augusto Lemos, que brilhou a Série A, mas não fez um grande trabalho no último carnaval.

Barracão Tour: A análise de barracão não perdoa. A Tijuca é apontada como uma das mais atrasadas e problemáticas da Cidade do Samba. Será? Os truques de Paulo Barros ainda podem impressionar a Sapucaí e os jurados? Apostamos que sim. 

De 1 a 4 alegorias marcantes do Paulo Barros, o quanto a Tijuca deve voltar a brilhar:


5- Mocidade Independente - "Elza Deusa Soares"

No geral: Meu povo esperou tanto pra revê-la. Depois de tanta espera, a Mocidade finalmente traz a louvável homenagem a uma de suas baluartes mais ilustres, Elza Soares. E vamos de título na quarta-feira de cinzas, independentes?

Pontos extras: O maior trunfo da escola é o aclamado enredo. A verdadeira divindade da música brasileira gera comoção não só na escola, mas no país inteiro. O tema certo para a pessoa certa, na hora certa. Além disso, samba-enredo não falta nas bandas de Padre Miguel.

Perdeu décimos: Com a troca de casal de mestre-sala e porta-bandeira, trazendo Diogo Jesus e Bruna Santos, fica a dúvida se eles trarão a pontuação máxima para a verde e branco da Zona Oeste. Apesar dessa questão, o maior problema da escola tem sido o tópico a seguir.

Barracão Tour: O barracão da escola é o que tem tirado as melhores posições de Padre Miguel. Quesitos plásticos têm sido o impeditivo da escola em buscar algo melhor na tabela, em fantasias e alegorias. A chegada de Jack Vasconcelos promete trazer novidades estéticas. O carnavalesco, que saiu do Tuiuti, não deve deixar de apostar numa temática crítica e uma estética urbana, aliadas à garra do povo independente. 

De 1 a 3 enredos esperados pelas escolas, o quanto a Mocidade deve sonhar com outra estrela no seu pavilhão:


6- Beija-Flor de Nilópolis - "Se essa rua fosse minha"

No geral: Preocupação em terras nilopolitanas. Um título muito discutido seguido da pior posição da história da escola. Esse é o saldo da Beija-Flor nos últimos dois anos. Mas calma aí! A Beija-Flor nunca perdeu encerrando o carnaval. Em 2020 será diferente?

Pontos extras: A escola segue com sua equipe consolidada, como casal, comissão de frente e harmonia impecáveis. Teria sido o desfile do ano passado apenas um acidente de percurso? Apesar da notável saída de Laíla, a comunidade soube se reinventar para 2019, e não parece ser diferente em 2020, com a tentativa de resgatar a antiga Beija-Flor luxuosa.

Perdeu décimos: Enredo foi o quesito em que a escola mais sofreu nos últimos anos. Narrativas confusas têm marcado suas apresentações. Para este carnaval, um estilo não poderia ser mais nilopolitano: um tema que começa na antiguidade e termina no próprio carnaval. Para além disso, o samba-enredo, que tem rendido nos ensaios, não conta com o brilho de outros anos, apesar do refrão principal que arrasa quarteirão. 

Barracão Tour: A grande aposta da Beija-Flor é a volta de Alexandre Louzada para, junto com Cid Carvalho, renovar o melhor estilo luxuoso e pomposo da Deusa da Passarela. Após apostas num carnaval diferente, mais arrojado e coreografado, deve fazer bem à escola voltar ao seu estilo tradicional na plástica. 

De 1 a 4 desfiles campeãs sendo última de segunda da Beija-Flor, o quanto a máxima pode ser quebrada:




OUÇA NOSSO PODCAST COM AS PREVISÕES PARA O GRUPO ESPECIAL:


Verdades inabaláveis caem por terra quando a sirene toca, então é só esperar. Que venha um grande carnaval. Amém, Rosa!




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