• Home
  • Quem somos?
  • Contato
  • Lojinha
  • Exposições
  • Selo Literário
  • Apoiadores
Tecnologia do Blogger.
facebook twitter instagram

Carnavalize





Por Leonardo Antan


Numa noite com desfiles de alto nível, as escolas de samba fizeram seu primeiro dia de apresentações na Sapucaí este ano. Das setes a se exibirem na noite, o que se viu foram trabalhos plásticos interessantes e de teor elaborado e criativo, mesmo com a crise financeira. Marcando assim uma noite competitiva em que desfilaram escolas tradicionais da folia carioca. 

Abrindo a festa, a Estácio de Sá fez uma ótima abertura com a batuta criativa da renomada carnavalesca Rosa Magalhães. A artista fez uma interessante e bem executada apresentação sobre a história da Pedra, desde a antiguidade às viagens espaciais. Um belo trabalho em fantasia também impulsionou o conjunto da escola, que teve problemas apenas em poucos quesitos. Logo depois, a noite seguiu vermelho e branco com a Viradouro. A escola de Niterói fez uma apresentação luxuosa e grandiosa, defendendo bem seus quesitos. O destaque, entretanto, foi a parte musical da agremiação. O já famoso Ensaboa animou a Sapucaí com uma ótima harmonia da alvirrubra. Além disso, um dos grandes destaques  foi a bateria do mestre Ciça, executando uma bossa de timbal tocada por duas mulheres que vinham montadas em um tripé, no meio dos ritmistas, e arrancou aplausos das arquibancadas.

A atual campeã do carnaval foi a terceira escola a se apresentar. A releitura da história de Jesus da Mangueira trouxe um visual mais tradicional e que recontou passagens bíblicas com o apuro estético irretocável de Leandro Vieira. A Comissão de Frente do casal Segredo (Rodrigo Neri e Priscila Motta) foi o grande destaque da apresentação, apostando em imagens impactantes. A bateria passou correta e apesar do samba com uma bela letra, a verde e rosa não explodiu e fez um desfile mais técnico. Permanecendo nas comunidades próximas a região de São Cristóvão, a Paraíso do Tuiuti se exibiu na sequência. O enredo sobre diferentes Sebastiões (o rei e o santo) foi um dos pontos altos da escola, que teve um bom trabalho do carnavalesco João Vitor Araújo em fantasias e alegorias. O senão da escola foi mais uma vez problemas em evolução e harmonia, quesitos que devem tirar pontos preciosos da azul e amarela. 

É pedra preta! Fazendo todo mundo incorporar, a Grande Rio fez a mais impressionante apresentação da noite. Começando por uma belíssima comissão de frente, uma ótima performance de seu casal e uma das mais belas aberturas dos últimos anos, a tricolor se credenciou na briga pelo título. O trabalho estética da dupla Leonardo Bora e Gabriel Haddad se mostrou irretocável, se pautando em referências artísticas que trouxeram alegorias e fantasias requintadas e de extremo bom-gosto, mesclando formas artesanais e tons opacos. Apesar, problemas de pista prejudicaram a evolução da tricolor da baixada. 

Logo depois, a União da Ilha apostou uma forte crítica social para sua apresentação. Num estilo mais realista, a escola tentou trazer imagens de impactos que se mostraram de gosto duvidoso e apelaram para o sensacionalismo. Na falta de um enredo bem desenvolvido e uma sequência interessante de alas e alegorias, os únicos destaques positivos da agremiação insulana foi o canto valente e forte de sua comunidade e a atuação impecável de sua bateria. A evolução da tricolor também foi problemática, fazendo a escola estourar em um minuto o tempo máximo regulamentar. 

Da Ilha vamos à Madureira, a Portela transformou a Sapucaí numa grande aldeia indígena para encerrar os cortejos de domingo, com o dia já amanhecendo. A dupla de carnavalescos Renato e Márcia Lage apostaram numa estética mais tradicional e opulenta. Na pista, mais uma atuação irretocável em quesitos como harmonia e evolução, como desfila bem a azul e branco. Os únicos senões da apresentação foi a fraca Comissão de Frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, já que Lucinha enfrentou sérios problemas na segunda cabine de jurados, apesar da sua experiência. 

No geral, o que se viu foi uma noite de alta qualidade artística, sobretudo na aposta de desfiles com linguagens completamente diferentes e interessantes entre si. Ganha a festa com apresentações de tão alto nível e com apostas estéticas e musicais que valorizam as personalidades das agremiações e seus artistas. A diversidade é fundamental.

Você pode ouvir nossas impressões sobre os desfiles no nosso podcast, disponível em várias plataformas digitais:

▶ Spotify: http://abre.ai/resumao-spotify

🍎 Apple Podcast: http://abre.ai/resumao-apple

🎙Google Podcast: http://abre.ai/resumao-google

Confira como cada escola se apresentou em todos os quesitos:


Estácio de Sá: tirando pedras do próprio caminho, escola faz bela abertura



Viradouro: alvirrubra ensaboa a Avenida em apresentação exuberante


Mangueira: em bela homenagem a Jesus, verde e rosa emociona em apresentação morna



Tuiuti: em homenagem a seu padroeiro, escola se põe na briga pelo sábado


Grande Rio: problemas de evolução podem prejudicar plástica requintada e excelente samba



 União da Ilha: forte chão e crítica controversa dão o tom no desfile insulano



Portela: cortejo técnico exalta Guajupiá




Share
Tweet
Pin
Share
No Comments


Por Leonardo Antan


Depois de uma primeira noite abaixo da expectativa, as escolas da Série A se dividiram de maneira bem delimitadas em diferentes níveis de apresentações. Enquanto algumas escolas sobraram na disputa, outras apresentaram problemas em vários quesitos. Assim como na sexta, a chuva oscilou a noite toda e caiu apenas timidamente em algumas ocasiões, prejudicando pouco os cortejos.

A Acadêmicos do Sossego abriu a noite com uma apresentação irregular. Com um mal desenvolvido enredo sobre Os Tambores de Olokun, a escola teve ainda uma plástica da azul e branco que oscilou durante seu desfile. Se destacou o bom trabalho da bateria do mestre Laion, que manteve a levada corretamente. Logo depois, a Sapucaí levou um grande sacode com a surpreendente apresentação da Inocentes de Belford Roxo. Depois de vários anos com desfiles mornos, a tricolor empolgou a plateia numa simpática homenagem a jogadora Marta. O samba chiclete foi entoado com empolgação, além de um criativo e competente trabalho nos aspectos visuais do talentoso Jorge Caribé. 

A noite seguiu com a Bangu, mais uma apresentação marcada por problemas no grupo. Com um enredo inexpressivo e batido sobre a África, a escola apresentou um conjunto alegórico fraco e onde se repetiram grandiosas esculturas mal-acabadas. A bateria do mestre Capoeira foi um quesito que destacou na vermelho e branco, uma pegada forte e uso de atabaques. O nível voltou a subir com a correta apresentação da Santa Cruz. Com um enredo leve sobre a cultura nordestina, o carnavalesco Cahê Rodrigues conseguiu construir um interessante conjunto alegórico que foi prejudicado apenas pelos erros de evolução da verde e branco da Zona Oeste. 

O meu sonho de ser feliz, vem de lá... Depois de uma longa estadia no grupo especial, a Imperatriz Leopoldinense voltou a reencontrar sua boa forma em uma apresentação quase irretocável. Apesar de pequenos defeitos em alegorias, a escola fez um belíssimo desfile que contou com o já conhecido bom-gosto do bicampeão Leandro Vieira. A escola de Ramos sobrou na pista em comparação com todas as outras apresentações. 

Sem deixar o nível cair, a Unidos de Padre Miguel provou sua força mais uma vez. A escola com o enredo sobre a capoeira teve um trabalho plástico inspirado, mas cometeu pequenos deslizes que a afastam de uma briga pelo título. O samba-enredo da vermelho e branco também deixou a desejar e é outro quesito onde ela pode perder décimos. Encerrando a noite, o Império da Tijuca fez um belo enredo sobre edução. O trabalho estético oscilou entre excelentes alegorias e fantasias mais fracas, que prejudicaram a força da escola, assim como seu samba-enredo burocrático. 

Após um ano de superação, as escolas de samba da Série A se dividiram em grupos bem definidos daquelas que brigam pelo rebaixamento, o meio da tabela e o campeonato. Mostrando assim uma disputa desequilibrada e problemática. Apesar disso, a importância da resistência dessas agremiações é vital para manutenção da arte carnavalesca. 

Confira como foram as apresentações em detalhes



#Carnaval2020 - Em desfile irregular, Sossego apresenta enredo confuso mas bateria se destaca



#Carnaval2020 - Simpática homenagem à Marta empolga na Inocentes



#Carnaval2020 - Unidos de Bangu: com enredo africano, bateria se destaca em desfile mediano



#Carnaval2020 - Santa Cruz: escola faz desfile surpreendente com animado enredo nordestino



#Carnaval2020 - Imperatriz: Rainha de Ramos brilha em apresentação irretocável



#Carnaval2020 - Unidos de Padre Miguel: apesar de pequenos deslizes, escola ginga na Sapucaí com bela plástica



#Carnaval2020 - Império da Tijuca: escola encerra Série A com bela mensagem sobre educação

Share
Tweet
Pin
Share
No Comments



Após um primeiro dia de desfiles controversos, a segunda-feira reuniu uma boa variedade de linguagens e estilos em apresentações marcantes. Se os enredos de domingo se destacaram negativamente, grandes narrativas passaram pela Avenida nas escolas de segunda. As temáticas críticas deram o tom mais uma vez das grandes apresentações da folia. 

A São Clemente abriu a noite com uma das grandes apresentações da sua história. Resgatando sua identidade irreverente e crítica, a preta e amarela se comunicou muito bem com o público em fantasias e carros coloridos e de fácil leitura. A aposta na reedição de "E o samba sambou" se mostrou acertada, levantando a harmonia da escola. Após um desfile crítico, a Vila Isabel fez a aposta num cortejo clássico e opulento. Cantando a história de Petrópolis de maneira burocrática e densa, a agremiação levou fantasias e alegorias que impressionaram pelo luxo e beleza. Entretanto, o samba se mostrou um ponto negativo, deixando a desejar no rendimento. Com uma evolução problemática, a azul e branco estourou o tempo regulamentar em um minuto, ocasionando perda de um décimo 

Terceira a desfilar, a Portela realizou um sonho de homenagear Clara Nunes. Num desfile controverso, a escola apostou na harmonia e na emoção de seus torcedores que cantam o grande samba com muita animação. O fio condutor do enredo foi a brasilidade que costurou o Brasil, Minas, África e Madureira num caldeirão multi-cultural. Com alegorias modestas e fantasias irregulares, a aposta da experiente carnavalesca Rosa Magalhães foi em uma estética poética e bem fundamentada. Infelizmente, problemas de acabamento atrapalham o todo. 

Logo depois, o Ceará entrou na avenida através da União da Ilha, em uma passagem simpática. Com uma Comissão de Frente que impressionou o público, a tricolor apresentou uma plástica irregular em alegorias sem tanta criatividade. O enredo se mostrou frágil e não amarrou bem a proposta de narrar as obras de Rachel de Queiroz e José de Alencar às características locais do Ceará. Logo depois, o estado do oeste nordestino foi apresentando também na Paraíso do Tuitui. A fábula política sobre o bode Ioiô contou a história de Fortaleza e não deixou escapar a crítica política. Apesar de empolgante, a apresentação teve problemas de evolução e em alegorias, que comprometaram o brilho da atual vice-campeã do carnaval. 

Rasgando a pista, a Mangueira fez uma apresentação inesquecível. Recontando a história do Brasil, a verde e rosa passou sem grandes falhas nos quesitos. Se destacaram a excelente Comissão de Frente e conjunto visual que sintetizou e valorizou o histórico enredo. A verde e rosa tem tudo para brigar pelo título. Encerrado a noite, a Mocidade fez uma apresentação nostálgica embalada por seu excelente samba. Com problemas de acabamento em alegorias, a verde e branco fez uma apresentação com altos e baixos mas que encerrou bem o carnaval carioca. 

Com inovações e acertos, se viu uma noite diversa em estilos e linguagens, onde se destacaram propostas artísticas de diferentes concepções. Uma noite que celebrou a diversidade. Resta saber como o júri vai definir o rumo da festa com as notas dos nove quesitos em jogo.

Saiba como foi a apresentação de cada escola:

Crítica divertida e assertiva proporciona boa abertura da São Clemente

Opulenta, Vila Isabel se credencia ao título em desfile correto

Portela passa incorporada em Clara Nunes repleta de brasilidade

Ao som de bateria forrozeada, Ilha canta Ceará colorido

Problemas de evolução comprometem crítica empolgante da Tuiuti

Mangueira exalta o verdadeiro Brasil em desfile emocionante e sem falhas

Nostálgica, Mocidade tem desfile com altos e baixos

Share
Tweet
Pin
Share
No Comments



Em mais um dia de forte chuvas no Rio de Janeiro, foi dada a largada do principal grupo das escolas de samba com pouco mais de meia hora de atraso. Com sete escolas se apresentando, se viu uma forte crise criativa na festa nos quesitos de enredo e alegorias, com passagens muito aquém do esperado em alguns aspectos. Das narrativas que passaram, poucas se destacaram por sua clareza e bom desenvolvimento, mostrando que faltou discurso nesse primeiro dia de apresentações.

Abrindo os cortejos, o Império Serrano fez um desfile que arriscou desde a adaptação da música de Gonzaguinha até o elemento cenográfico que serviu de palco para apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Com claros problemas de barracão, o enredo sobre a Vida se mostrou um enigma e muito abstrato, não rendendo alegorias e fantasias de fácil leitura. A explosão esperada no canto da escola com a famosa canção da MPB também não aconteceu. Colocando a Serrinha como favorita ao rebaixamento.

Segunda escola a se apresentar, a Viradouro mostrou a força de sua comunidade e se destacou com folga nessa primeira noite de desfiles irregulares. Com um excelente trabalho estético de Paulo Barros, a escola passou bem em vários quesitos, só deixando a desejar em enredo e samba-enredo. O tema sobre mundos imaginários não teve um bom desenvolvimento, ao contrário da furacão vermelho e branco comandada por Mestre Ciça. Mais uma escola que teve problemas em tecer um enredo bem amarrado foi a Grande Rio, a escola falou do jeitinho brasileiro numa narrativa confusa e sem pontos altos. Com uma plástica comprometida e pouco inspirada do casal Lage, a escola teve como seu único destaque a comunidade de Caxias que entoou o seu samba-enredo duvidoso de maneira valente. 

Louvando o orixá Xangô, o Salgueiro pisou forte na avenida e fez um desfile sem grandes sustos. A escola foi uma das poucas que não apresentou grandes problemas em enredo, mostrando um conjunto de alegorias e fantasias que começou bem e deixou a desejar nos últimos setores. Com um samba explosivo, a vermelho e branco enfrentou ainda problemas de evolução que podem fazê-la perder décimos preciosos na briga pela vaga nas Campeãs. Na sequência, a Beija-Flor passou irreconhecível na pista. Mais uma vez apostando em uma estética cênica e mais simples, a escola não se comunicou tão bem com o público através de um enredo confuso e mal amarrada. Dos quesitos visuais, apenas as fantasias se destacaram. O samba mediano da Soberana foi bem cantada pelo componentes, mas sem explodir. 

Em mais uma apresentação marcada por altos e baixos, a Imperatriz causou apreensão na pista ao apresentar problemas em colocar seu abre-alas no desfile. A verde e branco abriu um grande buraco em seu início, o que acabou prejudicando toda a evolução da agremiação. Mais uma escola que apostou em alegorias cênicas e compactas, que se comunicaram bem com um enredo simples e contado de maneira adequada. A bateria de mestre Lolo foi o ponto alto do cortejo.

Encerrando a noite, a Unidos da Tijuca fez um desfile que divide opiniões. Fato é que a escola que contou com o talento de Laíla para fazer um desfile técnico, que apostou na emoção e em alegorias e alas coreografadas. O samba-enredo foi muito bem cantado por Wantuir e pela comunidade do Borel. Apesar disso, os quesitos de enredo, fantasias e comissão de frente deixaram a desejar. 

Da primeira noite de desfiles, o que se viu foram muitas escolas tentando inovar e usando da cartilha que fez a Beija-Flor ser campeã no ano passado: um linguagem visual simples e teatral com forte comunicação com o público. Apesar das tentativas, nenhuma escola conseguiu alcançar excelência na proposta, muito por conta da falta das boas narrativas da noite. Dentre todas, a Viradouro e Unidos da Tijuca se destacaram em diversos quesitos e podem brigar pelas primeiras posições. Resta saber como os jurados vão interpretar o que se passou na pista e como serão as apresentações de segunda-feira. 



Saiba como foram cada apresentação em detalhes:

Dúvida, Império Serrano não responde aos mistérios da vida na Avenida.

Viradouro reafirma sua força em apresentação lúdica.

Mesmo com o chão de Caxias, quem nunca fez um desfile mediano?

Evolução compromete saudação a Xangô, mas Salgueiro briga pelo sábado das campeãs

Fábulas não convencem e Beija-Flor faz desfile sem moral da história

Clarões no chão e excelente bateria marcam passagem de Ramos.


Unidos da Tijuca: Pão sai quente do forno com passagem técnica da escola


Share
Tweet
Pin
Share
No Comments





Sem a forte chuva que abateu o Rio de Janeiro na sexta-feira, o segundo dia de desfiles da Série A teve um clima mais seco, com apenas pequenos focos de chuva, que não fizeram volume. Com apenas seis escolas se apresentando, se viu um nível mais alto entre as agremiações que desfilaram na Sapucaí nesse segundo turno do grupo. 

Abrindo os cortejos, a Unidos de Bangu fez um desfile com altos e baixos. Apesar de uma boa abertura, a escola pecou num conjunto alegórico irregular, com diversos problemas de acabamento em seus carros. Diferente do que foi visto nas fantasias, que apresentaram mais regularidade. Logo depois, a Renascer de Jacarepaguá fez uma simpática apresentação com o enredo "Dois de fevereiro no Rio Vermelho", a escola apresentou um conjunto plástico bonito e simples, sem grandes falhas. Embalados por um grande samba, os componentes da alvirrubra brincaram na pista e mantiveram uma boa harmonia. Foi uma grata surpresa da noite.

Pisando forte com toda sua tradição, o Estácio de Sá mostrou porque é uma das grandes escolas da história do carnaval. Com um desfile opulento e acima das concorrentes, a agremiação do São Carlos fez uma apresentação emocionante, que teve como um dos seus pontos altos a sua Comissão de Frente, que resumiu o enredo sobre o Cristo Negro de maneira emocionante. A escola se firmou como franca favorita ao título do grupo. 

A pista da Sapucaí permaneceu vermelho e branco com a entrada da Porto da Pedra, que homenageou os oitenta anos de Antônio Pitanga, um dos grandes atores do cinema nacional. Mantendo a cartilha dos seus últimos carnavais, a escola fez um cortejo alegre e leve, com fantasias e alegorias de fácil leitura, que contaram muito bem o enredo. Correta em vários outros quesitos, a evolução foi um dos pontos fracos da alvirrubra, abrindo vários buraco durante a pista.

Na sequência, o Império da Tijuca foi mais uma das escolas que pisou forte na Sapucaí. A escola contou com um excelente conjunto de alegorias para ilustrar a história do Vale do Café. Com bons quesitos, a escola do Morro da Formiga deve brigar pelas primeiras posições com folga. Encerrando a noite, a Acadêmicos do Cubango também fez uma excelente apresentação. O criativo enredo sobre os objetos da fé se materializou de maneira brilhante, num dos melhores conjuntos de fantasias que passaram pela Sapucaí neste dois dias. Outros quesitos como Comissão de Frente e bateria também se destacaram, credenciando a escola de Niterói na briga pelo título. Os únicos senão do desfile foi o inexperiente casal de mestre-sala e porta-bandeira e a terceira alegoria, que apesar de bonita, passou apagada.

Jogo feito, banca forte. Os envelopes agora vão selar os destinos das treze agremiações do grupo na quarta-feira de cinza. Verdade que os dois dias de desfiles do grupo foram bastante desnivelados, o que não apagou, entretanto, o brilho e a garra das comunidades de cada agremiação. Superando as adversidades, as escolas da Série A fizeram grandes apresentações e mostraram toda sua importância para a cultura carioca no momento atual. Evoé! 


Saiba mais detalhes de cada apresentação da noite: 


Batata assa e Bangu faz desfile irregular


Exaltando a cultura baiana, Renascer é agradável surpresa


Na briga pelo título, Estácio emociona com Cristo Negro


Tigre exalta Antônio Pitanga com bela exibição

Morro da Formiga desce e mira retorno ao Grupo Especial

Cubango encerra Série A com requinte e capricho






Share
Tweet
Pin
Share
No Comments




Uma forte chuva caiu no Rio de Janeiro nesta sexta-feira de carnaval e prejudicou o primeiro dia de desfile da Série A. Horas antes do início da festa, a avenida alagou em diversos pontos, demonstrando falta de cuidado com a estrutura da Sapucaí. Tais fatores acabaram atrasando o início das apresentações em pouco mais de meia-hora. 

Reeditando um clássico do seu repertório, a Unidos da Ponte surpreendeu e fez uma ótima abertura dos cortejos, surpreendendo nos quesitos plásticos. A escola da Baixada animou a Sapucaí esvaziada, sob uma chuva que ainda caia insistente. Logo depois, a Alegria da Zona Sul fez uma apresentação marcada por problemas nos quesitos visuais, devendo brigar para permanecer no grupo. 

A terceira escola a entrar na Sapucaí foi a Rocinha, que também fez uma apresentação morna e marcada por problemas de fantasias e alegorias. Na sequência, a Santa Cruz rendeu homenagem a atriz Ruth de Souza, que esteve presente no abre-alas da escola. Tendo como trunfo um dos grandes sambas do ano, a verde e branco também fez uma apresentação irregular. 

Sempre favorita ao título da Série A, a Unidos de Padre Miguel fez o melhor desfile da noite, mas  também marcados por fortes erros, que deixaram a alvirrubra quase irreconhecível na pista. Se o samba e a bateria se destacaram, aliado ao forte canto dos componentes, as alegorias, apesar de bem concebidas, possuíam vários problemas de acabamento. Outro boa apresentação desse primeiro dia da Série A foi a da Inocentes de Belford Roxo, que fez um desfile agradável. A tricolor passou bem nos quesitos plásticos, mas fez uma apresentação morna e não empolgou tanto, com problemas de harmonia.

Encerrando a noite, a Sossego foi mais uma das escolas que tiveram vários problemas em sua apresentação, principalmente nos quesitos visuais, marcando uma noite de desfiles bem irregular e abaixo da expectativa. Apesar da chuva e das dificuldades em colocar seu carnaval na rua, as escolas do grupo superaram as adversidades. Mostrando que o carnaval vive a cima de tudo. Axé!

Confira as análises de cada escola:



 Ponte pisa forte e, apesar de chuva, abre bem a noite de desfiles


Apresentação problemática gera riscos para Alegria da Zona Sul

Desfile morno marca apresentação da Acadêmicos da Rocinha


Com altos e baixos, Santa Cruz reverencia Ruth de Souza


Problemas em alegoria e evolução se mesclam com criatividade e brilho da UPM

Apesar de correta, Inocentes não empolga com temática nordestina

Para buscar permanência, Sossego passa tímida pela Sapucaí

Share
Tweet
Pin
Share
No Comments



Com a passagem de ano, a contagem regressiva para o carnaval fica ainda mais frenética. Após o ano novo, os olhares estão focados nos ensaios e na preparação das escolas nas quadras e barracões, intensificada nesse período. Para 2019, a expectativa dos desfiles passa pelo fim de uma década que foi símbolo de reviravoltas estéticas, políticas, identitárias e em outros diversos aspectos.

De 2010 até hoje, vimos estrelas surgirem, carnavalescos, cantores e artistas despontarem, estabilidades ruírem, castelos crescerem, novos protagonismos e o retorno do brilho de gigantes. É por isso que preparamos um retrospecto da última década de cada agremiação do Grupo Especial do Rio de Janeiro, com olhos para os desafios próprios de cada uma das agremiações!

Colocamos uma etiqueta em todas as escolas para que sintetize em que patamar ela está. Em busca da ascensão? Estabilidade desafiada? Multi-campeã? Em busca da renovação? Confira!

Hoje, contamos a vocês o que houve de mais relevante na década para as escolas que desfilarão no Domingo de carnaval neste último ano do ciclo que se encerra. Vamos lá!


1 - Império Serrano (Em busca da ascensão)


Detentora de nove títulos do carnaval carioca, o Império Serrano iniciou a década de volta à Série A, depois do rebaixamento em 2009 a partir da reedição do enredo “A lenda das sereias, rainhas do mar”, desenvolvido pela carnavalesca Marcia Lage. Nessa sua longa passagem pelo segundo grupo, figurou do meio para cima da tabela e teve o desfile de 2012 como grande destaque desse período. Com uma forte frustação dos envelopes do júri não condizerem com a expectativa do campeonato, o Império mordiscou a segunda colocação a homenagear, emocionante, Dona Ivone Lara.

Em meio a suas famosas crises políticas e troca de dirigentes, a Serrinha chegou a amargar a sexta posição em 2014, com um desfile mediano sobre Angra dos Reis. As modificações no corpo da diretoria e a chegada de Severo Luzardo em 2015 impulsionaram a Serrinha a chances mais concretas de ascender ao Grupo Especial depois de tantos anos passados do descenso. 



Foi em 2017, porém, que a escola triunfou depois de tantas tentativas quase exitosas. Uma aguerrida homenagem ao centenário de Manoel de Barros, encabeçada pelo carnavalesco Marcus Ferreira, carimbou o passaporte de volta à elite. Após um carnaval irregular sobre a China, marcado por atrasos no barracão e controvérsias sobre o não-rebaixamento - que deveria descender a agremiação e a Grande Rio para a Série A  -, o Império Serrano caminha para o segundo ano no rol das quatorze maiores. Sob o comando de Paulo Menezes, em 2019, a escola desfilará o enredo “O que é? O que é?”, uma narrativa sobre a vida. O enredo é inspiração da homônima canção de Gonzaguinha, que foi transformada em samba-enredo em uma tentativa polêmica na qual a diretoria está arriscando todas as suas fichas. A verde e branco ganhou ainda reforços na cabeça de desfile, com a volta de Claudia Motta para a comissão de frente e a chegada do casal Diogo Jesus e Verônica Lima como primeiro casal.


2- Viradouro (Em busca da ascensão)


Outra escola que começou a década na Série A foi a alvirrubra do Barreto. A Viradouro, depois de uma má apresentação sobre o México no ano de 2010, acabou rebaixada e rumou aos carnavais do segundo grupo. Em 2011, a escola quase protagonizou um “bate-volta” entre os grupos e conquistou um honroso vice-campeonato logo no primeiro ano, com o enredo “Quem sou eu sem você?”, de Jack Vasconcelos. A chegada ao acesso marcou também a mudança de liderança da agremiação; o compositor Gusttavo Clarão assumiu o posto de presidente, definindo uma nova era.

Em 2013, conquistou mais um vice-campeonato e em 2014, com um enredo que tinha Niterói como pano de fundo, o excelente trabalho do jovem João Vitor Araújo garantiu a volta da escola ao Grupo Especial. A euforia, no entanto, não durou muito, já que no reencontro com a elite do carnaval, apostando na adaptação de duas obras de Luiz Carlos da Vila como seu samba-enredo, a Viradouro se viu prejudicada pela chuva e acabou novamente rebaixada. Se o efeito ping-pong da escola ditou ritmo nas colocações entre os dois primeiros grupos, consistente mesmo foi o nível dos artistas que encabeçaram os desfiles. Além de João Vitor, a Viradouro revelou para o carnaval carioca o talento de Jorge Silveira, nome que assumiu o posto de carnavalesco depois do carnaval de 2016. O artista teve o desafio de colorir a Sapucaí com o enredo “E todo menino é um rei”, imerso em uma crise que abalou a escola na transição de gestão para a chegada da família Calil à presidência. Enquanto, no microfone, a voz de Zé Paulo Sierra se fixa no imaginário da agremiação desde 2014.



No fim das contas, em 2017, um vice-campeonato deu as bases para um desfile muito confiante e exuberante em 2018, comandado por Edson Pereira. Além do reforço do casal Julinho e Ruth, esse carnaval rendeu o tão desejado retorno ao Grupo Especial para a Viradouro. Em 2019, a agremiação investiu pesado no time de profissionais para garantir a permanência e acabar com o mito que se criou sobre as ascendentes. Contratou Paulo Barros, um dos mais badalados nomes da década, que desenvolverá o enredo “Viraviradouro”. Estável, o clima do pré-carnaval já deixa a dica de que a escola brigará forte pela permanência dos grupos e está estruturada para voos altos. Quem viver verá.


3- Grande Rio (Estabilidade desafiada)


A tricolor de Caxias divide opiniões, mas, mesmo longe do tão sonhado título em alguns momentos, a escola fincou presença em quase todos os sábados das campeãs ao longo dos últimos dez anos. Nesse período, poucos sambas se destacaram e cinco profissionais foram responsáveis pelos seus desfiles: Cahê Rodrigues (2010 a 2012), Roberto Szaniecki (2013), Fábio Ricardo (2014 a 2017) e Renato e Marcia Lage (2018 e 2019). Dentre os resultados, um dos mais expressivos foi o de 2010, com o vice-campeonato de “Das arquibancadas ao camarote número 1…”, uma viagem vibrante e nostálgica pela história da Sapucaí e de seus desfiles.

Em 2011, falando sobre Florianópolis, a escola lidou com momentos tristes e de superação por conta de um incêndio que afetou todo o trabalho da agremiação às vésperas do carnaval. A decisão pela não-avaliação das escolas prejudicadas garantiu a permanência da Grande Rio após um desfile repleto de emoções, mas que tinha tudo, segundo dizem, para fazer a escola colocar a mão na taça. Desde então, ela oscila em posições de destaque, e mesmo apresentando desfiles que dividem opiniões, consegue sua sonhada vaga entre as seis primeiras posições. A exceção foi 2016, quando a história da cidade de Santos não convenceu e rendeu um sétimo lugar.

Com recém completos trinta anos de existência, a tricolor da Baixada tem uma direção estável, desde o início da década. Um dos grandes líderes da história da agremiação, o Helinho, deixou a presidência, dando lugar primeiro a Edson Alexandre e depois ao lendário Milton Perácio, figura fundamental da história da escola. Outro terreno tranquilo da Grande Rio é seu carro de som, revelando o talento de Emerson Dias, que assumiu o microfone da escola em 2013, criando afinidade e ligação com seu pavilhão. Na bateria, a agremiação teve dois mestres marcantes dos últimos anos. Primeiro, o lendário mestre Ciça, que comandou a invocada de 2010 a 2014, quando, posteriormente, o mestre Thiago Diogo assumiu a responsabilidade. Essa estabilidade é muito diferente da rotatividade da rainha à frente de seus ritmistas. Apesar de não valer ponto, o posto teve grandes modificações na última década, reforçando a alcunha de "escola dos artistas".



Voltando aos seus carnavais, um dos grandes momentos da história recente da Grande Rio foi a homenagem a Ivete Sangalo, que levantou poeira e foliões nas arquibancadas, e proporcionou um quinto lugar. Em 2018, depois da despedida de Fábio Ricardo, o desafio do prestigiado casal Lage, recém-contratado, era fazer um grande desfile com uma homenagem a Chacrinha, o velho guerreiro. O pré-carnaval desenhou-se bem e a escola parecia mais do que pronta para brigar com unhas e dentes pelo primeiro lugar, mas um incidente com o último carro alegórico prejudicou a evolução e todo o desfile da tricolor se viu conturbado pelo contratempo. No fim das contas, em penúltimo lugar, uma virada de mesa livrou a Grande Rio da Série A, e, agora, em 2019, o desafio é provocar e questionar acerca das atitudes que todos já tiveram alguma vez na vida, com o enredo intitulado “Quem nunca…? Que atire a primeira pedra”. O time segue renovado nos quesitos de Comissão de Frente e Mestre-Sala e Porta-Bandeira e também no carro de som, com a chegada de Evandro Mallandro.
  

4- Salgueiro (Estabilidade é o lema)


Honrando seu lema de uma escola diferente, ainda que seu último título tenha sido no último ano da década passada (2009), o Salgueiro é, incontestavelmente, a agremiação mais estável da década - como comprova a sua liderança no ranking de pontos da Liesa. De 2010 a 2018, não houve um ano sequer que a Academia do Samba não tenha grifado presença no sábado das campeãs. Nestes nove carnavais, grande parte dos desfiles foram assinados pelo traço requintado de Renato e Márcia Lage, garantia de bons resultados nos quesitos plásticos.

O talentoso casal de carnavalescos teve no Departamento Cultural da escola um grande parceiro, que dividiu a responsabilidade pelo alto nível dos seus enredos apresentados. Além disso, a escola contou com a boa administração de Regina Celi como um dos seus trunfos, mantendo profissionais de ponta em vários quesitos, como Comissão de Frente, liderada por Hélio Bejani durante mais de uma década e meia.



Para 2018, Márcia e Renato Lage desligaram-se do Salgueiro após 15 anos na alvirrubra do Andaraí e Alex de Souza, em 2018, assinou “Senhoras do ventre do mundo”, garantindo um belo desfile e o TOP3 da tabela. Em 2019, a escola desfilará um dos maiores sonhos dos torcedores: Xangô, o padroeiro da Academia e orixá que regeu o ano que recém-findou. Um imbróglio judicial envolvendo a cadeira da presidência dividiu a escola entre a chapa eleita, encabeçada por Regina Celi, e a oposição, liderada por André Vaz. Depois de idas e vindas, demissões e contratações de profissionais no pós-carnaval, o Salgueiro viu a gestão de Regina terminar por determinação da justiça, que nomeou André como presidente da escola. Uma reviravolta tomou conta do time de profissionais novamente, inclusive com a volta de Quinho ao microfone, afastado desde 2014, e Marcella Alves e Sidclei ao posto de primeiro casal, que ocupam desde 2014. O clima do Salgueiro, apesar de contar com a força do canto da comunidade e um valente samba, é de indecisão e mistérios ao redor de sua imagem consolidada.


5- Beija-Flor (Multi-campeã)



Ela, de fato, é maravilhosa e soberana. Se pudéssemos definir a Beija-Flor em uma palavra, seria “vitoriosa”. Sempre favorita, a azul e branca de Nilópolis consolidou-se como uma das maiores campeãs do carnaval carioca e faz jus à fama de Deusa da Passarela. Conhecida pela forte comissão de carnaval comandada por Laíla, o mestre do carnaval, em 2010, uma homenagem ao cinquentenário de Brasília conquistou a terceira colocação.

No ano seguinte, reverenciando Roberto Carlos, o “rei”, o azul e branco do beija-flor se confundiu como os tons preferidos do cantor para reverenciar sua história e carreira, coroada com o campeonato ao fim da década. Dali para frente, todos os anos tiveram passaporte carimbado para o sábado das campeões, exceto pelo ano de 2014, em que uma homenagem a Boni deixou a nilopolitana, pela primeira vez desde 1992, de fora do ranking das seis melhores apresentações.

Além da apaixonada e entregue comunidade, a estabilidade da azul e branco vem dos grandes nomes que dão expediente na agremiação há longo tempo e se tornam sua marca. Um dos grandes intérpretes do carnaval, Neguinho da Beija-Flor acumula mais de quarenta anos no microfone da escola e o soberbo casal Selminha e Claudinho está junto do pavilhão do agremiação há mais de vinte anos. A liderança em Nilópolis também segue a pulso firme da família Abrahão David, responsáveis pela ascensão da escola desde 1976.

Esse elenco nilopolitano é a força que ajudou a escola a ganhar mais um dos seus títulos em 2015, cantando a história da Guiné Equatorial com um belíssimo samba e com polêmicas referentes ao patrocínio do governo da Guiné e da situação política e econômica do país. Em 2017, ao tentar inovar na divisão cênica do desfile, a ideia de abolir alas e mesclar fantasias num enredo sobre Iracema não convenceu os jurados, apesar do belo conjunto alegórico, e a escola garantiu a última vaga para participar do sábado das campeãs.


Já em 2018, também querendo ousar, com uma crítica social sobre os “abandonados” pelo país, o desfile da agremiação mostrou uma nova estética, mas gerou confusão em muitos espectadores quanto ao enredo e dúvidas sobre a o visual “cru” e pouco carnavalizado. Com viés político, a escola acabou faturando mais um título na década, mas viu Laíla, diretor de carnaval e harmonia e figura fundamental à história do carnaval, dar adeus ao seu cargo depois de anos sendo o coração da Beija-Flor. Em 2019, a comissão de carnaval segue com o desafio de contar os 70 anos da própria escola e a expectativa fica por conta do questionamento acerca de como as coisas se darão depois de tantos anos sob o comando de Laíla.

 6- Imperatriz (Em busca da renovação)


Depois de uma parceria vitoriosa, duradouro e já desgastada com a professora Rosa Magalhães, a Imperatriz iniciou a década em uma prova de fogo. Para tal missão, o carnavalesco Max Lopes foi o escolhido para volta a verde e branco, em 2010, vinte anos após o seu título na agremiação. O trabalho do Mago das Cores na escola se prolongou por mais dois carnavais, em que conquistou sempre posições medianas, com apresentações que não empolgaram muito.

Em 2013, uma homenagem ao Pará marcou uma virada na história da agremiação, com a estreia de Cahê Rodrigues e o reforço dos cenógrafos Mário e Kaká Monteiro. Surpreendendo, a escola fez um belo desfile coroado com um merecido terceiro lugar. Em 2014, apenas Cahê seguiu no posto de carnavalesco e o enredo que saudou a vida de Zico, um dos maiores ídolos do futebol brasileiro, abriu buracos e gerou problemas de evolução, mas balançou o público e o júri. Um quinto lugar garantiu a volta da escola pelo segundo ano consecutivo no sábado das campeãs. Nos dois anos seguintes, a escola beliscou o sexto lugar e em 2017, com um resultado questionável, ficou de fora das campeãs por pequenos problemas durante um desfile emocionante sobre o Xingu e a relevância do respeito à população indígena, ameaçada e perseguida até a contemporaneidade. 



Seguindo comandados pela família Drummond e o diretor de carnaval Wagner Araújo, a Rainha de Ramos também se destacou nesse período por seus grandes sambas, escolhidos através de disputados concursos de compositores. A bateria se viu perdida no início da década, com a perda precoce de seu Mestre Marcone em 2011, demorando a achar novamente o prumo, que só aconteceu totalmente com a chegada de Mestre Lolo em 2016. Outro setor com alta rotatividade nas bandas de Ramos foi o posto de cantor oficial da agremiação. Ao longo dos últimos anos, nomes como Dominguinhos do Estácio, Wander Pires, Negô, Marquinhos ArtSamba passaram pelo carro de som da escola, até se estabilizar nos últimos três anos com a chegada de Arthur Franco.

Para 2019, a verde e branco aposta em novos rumos e mistura crítica e bom humor com o enredo “Me dá um dinheiro aí”, que sinaliza o retorno de Mário e Kaká Monteiro, após a passagem duradoura e sem tantos brilhos de Cahê Rodrigues. Apesar de ter sido batizada como a certinha de Ramos na era Rosa Magalhães, “estável” não é o melhor rótulo para a Imperatriz Leopoldinense na última década.

 
7- Unidos da Tijuca (Estabilidade desafiada)


Hoje, pensar em Unidos da Tijuca nos leva, inevitavelmente, ao ano que marcou o início da década e a história da agremiação. Em 2010, o desafio da Tijuca era surpreender com o enredo “É Segredo”, que evidenciou a volta de Paulo Barros à escola depois de três carnavais assinando desfiles em outras co-irmãs. Desfilar no domingo, em uma posição baixa, nunca foi sinônimo de boa sorte, mas todas as certezas caíram por terra quando a escola iniciou sua apresentação arrebatadora com a comissão de frente que revolucionou o quesito ao realizar trocas de roupas e truques ilusionistas em plena pista. Não restava dúvida que a azul e amarela faturaria o caneco e assim se fez: a Unidos da Tijuca consagrou-se campeã depois de 74 anos sem ganhar um título pelo Grupo Especial.

E os anos pares pareciam trazer ventos de vitórias à agremiação: depois de um vice-campeonato em 2011, a escola beliscou mais um campeonato em 2012, com uma homenagem a Luiz Gonzaga, e outro em 2014, ao brindar a vida e trajetória de Ayrton Senna. Três títulos em seis carnavais significavam mais do que sorte: a manha de uma escola que, renovada, conseguiu construir uma base sólida e tornou-se referência de desfiles e uma defensora nata de quesitos, apropriando-se dos chamados "desfiles técnicos", que aliam harmonia e evolução com fortes quesitos plásticos.



Em 2015, chegou ao fim o casamento com Paulo Barros e a agremiação seguiu com uma comissão de carnaval, quando conquistou um quarto lugar. Em 2016, mordiscou mais um segundo lugar com um enredo que mesclava o conhecido CEP com o patrocínio do agronegócio. Os dois últimos anos, no entanto, não combinaram com a máquina de fazer carnavais e títulos que o público se acostumou durante essa década. Em 2017, a inabalável tijucana viu sua fortaleza abalada: um acidente com um carro alegórico machucou desfilantes e viu uma Avenida inteira derramar lágrimas diante da tristeza e gravidade do ocorrido; não houve rebaixamento aquele ano, mas a agremiação terminou em penúltimo lugar. Em 2018, o desafio era se recuperar e a escola homenageou Miguel Falabella com um desfile digno e um sétimo lugar.

No próximo carnaval, a Tijuca contará a história do pão e gera as melhores expectativas por três fatores que empolgam sambistas e torcedores da agremiação: a chegada de Laíla, um samba que está sendo bem cantando pela comunidade e a missão de fechar o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial.


Gostou da nossa retrospectiva da década? Então se liga: a segunda parte, sobre as escolas de samba que desfilarão na Segunda-Feira de carnaval, sairá na quinta-feira! Até lá! 



Share
Tweet
Pin
Share
No Comments
Mais Antigo

Visite SAL60!

Visite SAL60!

Sobre nós

About Me

Somos um projeto multiplataforma que busca valorizar o carnaval e as escolas de samba resgatando sua história e seus grandes personagens. Atuamos não só na internet e nas redes sociais, mas na produção de eventos, exposições e produtos que valorizem nosso maior evento artístico-cultural.

Siga a gente

  • twitter
  • facebook
  • instagram

Desfile das Campeãs

  • #Colablize: Uma homenagem ao Guará - Compositor de grandes sucessos do samba
      Arte de Vítor Melo.  Autor: Igor Trindade Revisão: João Vítor Silveira e Marcelo D. Macedo. Guaracy Sant’anna foi um cantor e compositor c...

Total de Carnavalizadas

Colunas/Séries

sinopse BOLOEGUARANÁ 7x1 carnavalize Carnavalizadores de Primeira Quase Uma Repórter 5x colablize série década artistas da folia giro ancestral SérieDécada quilombo do samba Carnavápolis do setor 1 a apoteose série carnavalescos série enredos processos da criação dossiê carnavalize Na Tela da TV série casais 10 vezes Série Batuques Série Mulheres Série Padroeiros efemérides minha identidade série baluartes série sambas

Carnavalizações antigas

  • ▼  2023 (38)
    • ▼  ago. (1)
      • Projeto "Um carnaval para Maria Quitéria" valoriza...
    • ►  jul. (4)
    • ►  jun. (4)
    • ►  mai. (1)
    • ►  fev. (28)
  • ►  2022 (41)
    • ►  dez. (1)
    • ►  jul. (1)
    • ►  jun. (5)
    • ►  mai. (1)
    • ►  abr. (30)
    • ►  fev. (2)
    • ►  jan. (1)
  • ►  2021 (10)
    • ►  set. (4)
    • ►  jun. (1)
    • ►  mai. (1)
    • ►  mar. (2)
    • ►  fev. (2)
  • ►  2020 (172)
    • ►  dez. (8)
    • ►  nov. (17)
    • ►  out. (15)
    • ►  set. (13)
    • ►  ago. (19)
    • ►  jul. (16)
    • ►  jun. (15)
    • ►  mai. (10)
    • ►  abr. (11)
    • ►  mar. (10)
    • ►  fev. (33)
    • ►  jan. (5)
  • ►  2019 (74)
    • ►  dez. (2)
    • ►  nov. (5)
    • ►  ago. (4)
    • ►  jul. (4)
    • ►  jun. (4)
    • ►  mai. (4)
    • ►  abr. (2)
    • ►  mar. (35)
    • ►  fev. (2)
    • ►  jan. (12)
  • ►  2018 (119)
    • ►  dez. (1)
    • ►  out. (6)
    • ►  set. (1)
    • ►  ago. (3)
    • ►  jul. (5)
    • ►  jun. (20)
    • ►  mai. (12)
    • ►  abr. (5)
    • ►  mar. (3)
    • ►  fev. (42)
    • ►  jan. (21)
  • ►  2017 (153)
    • ►  dez. (28)
    • ►  nov. (7)
    • ►  out. (8)
    • ►  ago. (5)
    • ►  jul. (12)
    • ►  jun. (7)
    • ►  mai. (10)
    • ►  abr. (7)
    • ►  mar. (7)
    • ►  fev. (49)
    • ►  jan. (13)
  • ►  2016 (83)
    • ►  dez. (10)
    • ►  out. (3)
    • ►  set. (9)
    • ►  ago. (22)
    • ►  jul. (39)

Created with by ThemeXpose