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Carnavalize

 


Chegamos no mês de outubro e iniciamos a nova série do Carnavalize, Raízes da Garoa. Todas as segundas-feiras, iremos destrinchar o carnaval de São Paulo, desde suas origens, até a sonoridade dos seus sambas-enredo e bateria, além de outros segmentos importantes: o visual e a dança. O objetivo desta série é explicar as peculiaridades e diferenças que envolvem a folia paulistana e a sua importância para a cidade. 

A nossa tradicional festa desenvolveu-se de diferentes formas no país. Em São Paulo, sua origem está ligada à manifestação do entrudo, uma brincadeira que existiu desde o século XV em que os foliões atiravam água e outros líquidos entre si. Entretanto, a principal influência foi com a crise da economia cafeeira, período em que as populações migraram do campo para a cidade. Com o êxodo rural, as famílias se deslocaram em busca de trabalho e melhora na qualidade de vida e, com os novos laços comunitários formados, desencadearam o início do carnaval paulistano. Muitas das manifestações de samba surgiram em bairros com forte concentração operária, como Bela Vista e Barra Funda, onde duas das escolas mais tradicionais da cidade foram criadas anos depois e estão localizadas até hoje. Estamos falando da Vai-Vai e da Camisa Verde e Branco, respectivamente. 

Os cordões carnavalescos aconteciam na Avenida São João e Anhangabaú. (Foto: Acervo - SRZD)

O carnaval tinha como manifestação central, inicialmente, os cordões, dentre os quais se destacavam o próprio Vai-Vai e Camisa já citados anteriormente. O primeiro cordão foi criado em 1914 por Dionísio Barbosa e chamava-se Cordão da Barra Funda. Dionísio, por ter morado durante anos no Rio de Janeiro, teve contato com os ranchos carnavalescos de lá e decidiu criar um em São Paulo. Foi em 1934 o primeiro desfile oficializado pela prefeitura dos cordões existentes na época. 

Eram neles que se desenvolviam o samba paulistano, que tinham como principal elemento musical a batucada, responsável pela manutenção do ritmo, que tinha como base a execução de instrumentos de percussão e sopro, com destaque para o bumbo e o choro. O ritmo interpretado pelos cordões era a marcha-sambada, que mesclava elementos de sambas rurais paulistas e da marcha. 

Ademais, por conta dos primeiros líderes de grupos carnavalescos virem do interior do estado, eles, ao frequentarem as festas de caráter religioso-profano das pequenas cidades, como a de Bom Jesus de Pirapora, absorviam seus elementos musicais e coreográficos que seriam manifestados posteriormente na folia paulistana. Com isso, os sambas rurais da festa de Pirapora iriam também influenciar a música dos cordões paulistanos e as escolas de samba.

A escola de samba Lavapés foi a primeira a se firmar no carnaval paulistano. (Foto: EBC - Divulgação)

Os cordões tiveram forte influência nas primeiras escolas que surgiram na terra da garoa, assim como aconteceu no Rio. Em virtude disso, nas primeiras agremiações paulistanas, houve uma mescla de elementos dos cordões com características musicais e coreográficas do carnaval carioca. Apesar de o primeiro desfile das escolas ter acontecido apenas em 1955, no Ibirapuera, as primeiras agremiações surgiram na década de 1930. 

A “Primeira de São Paulo”, é considerada por muitos a pioneira, mas foi a Lavapés, fundada em 1937 por Madrinha Eunice e Chico Pinga a primeira a se firmar no carnaval paulista. Nos anos seguintes, outras escolas tradicionais começaram a surgir, como a Nenê de Vila Matilde - responsável pela popularização do carnaval na década de 1950 e 1960 - e a Unidos do Peruche. Elas mantiveram por muitos anos elementos dos cordões, como o baliza e estandarte. Já no âmbito musical, mesmo com o intuito de se aproximar do samba carioca, a influência dos sambas rurais paulistas era cada vez maior, com a presença do bumbo e de instrumentos de sopro até o fim da década de 1960. 

Os primeiros desfiles das escolas eram realizados no Ibirapuera. Na foto, desfile da Nenê de Vila Matilde em 1960.  (Foto: Arquivo Histórico de São Paulo)

Ainda naquela década, ocorreu aos poucos o surgimento de novas agremiações, como a Unidos do Morro da Vila Maria (atualmente Unidos de Vila Maria) e Unidos do Morro de Casa Verde (atualmente Morro de Casa Verde). Em 1965, os desfiles passaram a ser transmitidos pela rádio e em 1967 o carnaval foi finalmente oficializado pelo prefeito na época José Vicente Faria Lima, um carioca, apreciador de samba e simpatizante das manifestações populares. Com a sua oficialização, os principais cordões da época, Vai-Vai e Camisa Verde e Branco foram extintos. Dava início a um processo de padronização dos desfiles que se mantém até os dias de hoje. 

Em 1968, ocorreu o primeiro desfile reconhecido como "oficial" pelo poder público, na Avenida São João, tendo como campeã a Nenê de Vila Matilde, com o enredo “Vendaval Maravilhoso”. A azul e branca, fundada em 1949 por um grupo de amigos, tendo como “líder” Alberto Alves da Silva, o seu Nenê, foi a pioneira na inclusão de elementos do carnaval carioca em seus desfiles. Alberto tinha familiares na cidade maravilhosa e contato com vários componentes das agremiações, o que o ajudou a se consolidar quando os desfiles foram oficializados, conquistando um tricampeonato logo nos primeiros anos. A importância da azul e branco ainda maior, dada seu pioneirismo das temáticas negras no carnaval brasileiro, como contamos nesse texto. Durante os anos de 1950 e 1960, a escola levou enredos como "Zumbi dos Palmares", "Xica da Silva" e "Casa Grande e Senzala". 

Camisa Verde e Branco se apresentando em 1984 na Avenida Tiradentes. (Foto: Sergio Araki - Estadão)

No final da década de 1960, novas escolas também começaram a surgir, como a Mocidade Alegre. A agremiação tornou-se uma referência por muitos anos por seus desfiles técnicos, conquistando três campeonatos seguidos (1971, 1972 e 1973) e surpreendendo sambistas mais antigos. O ano de 1972, além de consagrar o bicampeonato da Morada do Samba, também resultou oficialmente no fim dos cordões carnavalescos, Vai-Vai e Camisa Verde e Branco receberam o convite para participar dos desfiles como escolas de samba. 

Em 1974, o Trevo da Barra Funda conquistou o primeiro título, iniciando o seu tetracampeonato. Em 1978, é a vez de o Vai-Vai chegar ao seu primeiro campeonato. Com o apoio da prefeitura, a festa continuou a crescer e se tornou cada vez maior. Em 1977, os desfiles foram para a Avenida Tiradentes, onde foram construídas arquibancadas para acomodar o público. A década de 1970 também marcou a fundação de uma das escolas que faria história no carnaval paulistano, a Sociedade Rosas de Ouro, que a partir dos anos 1980 se tornou uma potência. 

Um dos grandes momentos do carnaval paulistano foi em 1985, quando a campeã teria a oportunidade de desfilar na Sapucaí no desfile das campeãs. Após um jejum de 14 anos, a Nenê de Vila Matilde conquistou mais um título e, comandados pelo seu Nenê, os componentes da azul e branco invadiram a passarela do samba carioca com mais de 2 mil componentes. 

No ano seguinte, foi fundada a Liga das Escolas de Samba de São Paulo (LIGA-SP) para ajudar na organização e administração dos desfiles, mostrando que o carnaval em São Paulo estava se tornando cada vez mais profissional. A partir de 1991, os desfiles passaram a ser realizados no Polo Cultural e Esportivo Grande Otelo, mais conhecido como Sambódromo do Anhembi, construído com o intuito de sediar o maior espetáculo da Terra. É onde os cortejos acontecem até os dias de hoje. 

O Sambódromo do Anhembi para o carnaval de 1991. Detalhe para as arquibancadas móveis naquela época. (Foto: Arquivo - Estadão)

O carnaval de São Paulo atualmente possui suas peculiaridades e diferenças e, para entendê-lo, é preciso voltar ao passado e conhecer suas origens. Sob influência da população resultante do êxodo rural causado pela crise do café, a festa paulistana começou a ganhar forma, assim como os sambas que receberam forte inspiração das festas do interior do Estado. 

Tudo isso colaborou para a construção e surgimento das escolas que, ao longo dos anos, foram criando a sua própria identidade e características únicas. Semana que vem, a série Raízes da Garoa voltará para abordar mais profundamente a sonoridade dos sambas-enredo e da bateria do carnaval paulistano. Não deixe de acompanhar nossos outros textos. Venha e #CarnavalizeConosco!

Quer saber mais sobre a história do carnaval paulistano, além da importância da Nenê de Vila Matilde e seus enredos afro-brasileiros? Adquira o livro "Sou da negritude, o fruto e a raiz", de Emerson Porto Ferreira, publicado pelo Selo Carnavalize. 









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Referências Bibliográficas:

http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materias/anteriores/edicao40/materia06/

https://www.ceert.org.br/noticias/historia-cultura-arte/9894/historia-do-carnaval-de-sao-paulo


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Texto: Talitha Dejesus

É impossível falar sobre Carnaval Paulistano e seu crescimento sem falar de quatro agremiações e suas histórias: Nenê de Vila Matilde, Vai-Vai, Camisa Verde e Branco e Unidos do Peruche. Junto com Lavapés, essas escolas são as raízes do samba paulistano e cada uma delas conta uma parte da história social do Carnaval na Terra da Garoa.

Dentro do Carnaval, mudou-se muita coisa: o palco, as agremiações, os modelos de desfile, as formas de julgamento... quase tudo se remodelou! Mas, apesar disso, há algumas histórias que não se apagam. Juntas, Nenê, Vai-Vai, Camisa e Peruche somam 40 títulos no carnaval paulistano. São os tempos áureos das agremiações tradicionais que iremos recordar no texto de hoje.

 
Unidos do Peruche 1967: Exaltação a São Paulo


Conhecida como “A Filial do Samba’’, a Unidos do Peruche possui como últimas grandes posições os vice-campeonatos dos anos de 1989 e 1990 e, atualmente, integra o Grupo de Acesso 2. Não podemos, porém, apagar que ela é uma das mais tradicionais do Carnaval de São Paulo.


Em 1967, com um desfile que fez homenagem à cidade de São Paulo, destacando-a por ser a Terra da Garoa com suas avenidas e arranha-céus, a Unidos do Peruche conquistou seu último título no grupo de elite, fato que ocorreu quando os desfiles ainda não tinham sido oficializados pela Prefeitura. A letra do samba foi composta por Seu Carlão, um dos fundadores da escola, que exerce suas atividades por lá até hoje!


Camisa Verde e Branco 1977: ‘’Narainã, A Alvorada dos Pássaros’’


De cordão até escola, a Camisa Verde e Branco, que hoje ocupa lugar no Grupo de Acesso, teve seus momentos de glória e carrega 9 títulos, sendo 5 deles somente na década de 70.




Em 1977, a agremiação contou a lenda de uma índia transformada em ave por um pajé. Com esse desfile, a Camisa conquistou seu tetracampeonato. (Galvão, É TEEEETRAAAAA!!!). O samba composto por Ideval Anselmo, Zelão e Jordão é considerado um dos mais significativos de toda a história do samba paulista.

 
Nenê de Vila Matilde 1985: ‘’O Dia Que o Cacique Rodou a Baiana Aí Ó’’


Até 2000, a Nenê foi a agremiação com mais títulos do carnaval da capital, fato que coroou a escola como ‘’A Campeã do Século”. A escola da Zona Leste sempre gostou de trazer questões sociais em seus desfiles. O Carnaval mais marcante da história da agremiação aborda a desigualdade social brasileira no período da década de 80 e o caso do cacique Juruna.

Visão aérea de parte do desfile da Nenê de 1985. Foto: Reprodução/Carnaval Memórias.
A Nenê foi pioneira em implementar elementos cariocas em seus desfile, e, ao consagrar-se campeã, a escola foi convidada para participar do desfile das campeãs no Rio de Janeiro ao lado de Mocidade Independente e Beija-Flor. Até hoje, foi a única escola paulistana a desfilar na Sapucaí. 

 
Vai-Vai 1988: ‘’Amado Jorge, a História de uma Raça Brasileira’’


Ainda na Avenida Tiradentes, local nostálgico que foi um marco na reafirmação das escolas de samba, a agremiação do Bixiga fez uma homenagem ao escritor Jorge Amado, um dos mais fundamentais do Brasil.

Integrantes da bateria do Vai-Vai festejam o desfile. Foto: José Monteiro/Folhapress.

Desenvolvido pelo carnavalesco Ulisses Cruz, o desfile é considerado um dos carnavais mais inesquecíveis da escola. O samba enredo, na época foi cantado por Tobias do Vai-Vai, até hoje sacode a multidão em festas e apresentações.
 

Camisa Verde e Branco 1991: ‘’Combustível Da Ilusão’’


O primeiro desfile do Carnaval paulistano no Sambódromo do Anhembi. O título do grupo especial foi dividido, pelo segundo ano consecutivo, entre Camisa Verde e Branco e Sociedade Rosas de Ouro.

Alas e elemento alegórico no desfile da Camisa de 91! Foto: Reprodução/Acervo Folha Uol.

Conquistando seu tricampeonato, a Camisa contou a história da cerveja, apontando do que é feita, as origens da bebida, sua trajetória na Europa e só depois sua chegada ao Brasil e seu papel como “combustível da ilusão.


Nenê de Vila Matilde 2001: Voei, voei, na Vila aportei, onde me deram a coroa de rei


Após 16 anos sem títulos, em 2001, a escola de samba da Zona Leste conquistou seu 11º campeonato. O título deste ano foi dividido com a escola de samba Vai-Vai.

O pássaro símbolo maior da Nenê! Foto: Reprodução/Anhembi Parque.

A Nenê é uma das escolas mais ligadas às temáticas africanas em São Paulo e este desfile contava a trajetória do negro e de suas contribuições nas ciências, artes e música. O samba que trazia a caracterização da escola de samba como a ‘’zona da paz’’ embalou o último título no Grupo Especial da escola de samba da Zona Leste.
 

Vai-Vai 2008: ‘’Acorda Brasil! A saída é ter esperança’’


Um campeonato um pouco mais atual que o restante foi o 13º título da Saracura. O enredo inspirado na peça do empresário Antônio Ermírio de Moraes, retratou as desigualdades e injustiças sociais da educação pública brasileira e apontou as possibilidades de solução como uma mensagem de esperança. 

Componentes do Vai-Vai durante a forte apresentação de 2008. Foto: Reprodução/Acervo Vai-Vai.

O carnaval desenvolvido por Chico Spinoza é uma mensagem nacional e considerado um dos mais significativos na história da ‘’Escola do Povo’’. Após o ano de 2008, o Vai-Vai conquistou mais 2 títulos no Grupo Especial, em 2011 e 2015, consgrando-se como a maior campeã do Carnaval de São Paulo.
 
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Foto: Luciana Bonadio/G1
Por Alisson Valério
Esse é um debate muito comum no Rio de Janeiro, onde nos últimos anos só a Unidos da Tijuca, em 2010, conseguiu o feito de conquistar o título do carnaval carioca desfilando no domingo, primeiro dia de desfiles; de 2011 até 2018 todas as outras campeãs saíram dos desfiles de segunda-feira. 

Resolvemos fazer essa ponte para o Carnaval de São Paulo com um levantamento dos últimos dez anos de desfiles na Terra da Garoa para ver se os dias de apresentação também revelam discrepância ou equilíbrio entre as campeãs. 

Começamos com a campeã de 2009:q Mocidade Alegre. A Morada do Samba conquistou o título com enredo “Da Chama da Razão ao Palco das Emoções... Sou Máquina, Sou Vida... Sou Coração Pulsando Forte na Avenida!!!” dos carnavalescos Fábio Lima, Flávio Campello, Márcio Gonçalves e Sidnei França. O desfile campeão aconteceu no SÁBADO.

1x0 SÁBADO
 
A segunda campeã é a Sociedade Rosas de Ouro em 2010. A Roseira levou o título daquele ano com o enredo “Cacau: um grão precioso que virou chocolate, e sem dúvida se transformou no melhor presente!”, do carnavalesco Jorge Freitas. O desfile campeão aconteceu na SEXTA. 

Foto: AgNews
1x1 EMPATE 

 

A terceira escola campeã é o Vai-Vai, em 2011. A Escola do Povo ergueu o seu décimo-quarto título na elite do carnaval paulistano com o enredo “A música venceu!” do carnavalesco Alexandre Louzada. O desfile campeão aconteceu na SEXTA. 

Foto: Raul Zito/G1
2x1 SEXTA 


A quarta escola campeã é a Mocidade Alegre, em 2012. A Morada do samba voltou a levantar o caneco em São Paulo, dessa vez com o enredo “Ojuobá - No Céu, os Olhos do Rei... Na Terra, a Morada dos Milagres... No Coração, Um Obá Muito Amado!” dos carnavalescos Márcio Gonçalves e Sidnei França. O desfile campeão aconteceu no SÁBADO. 

Foto: Alexandre Schneider/UOL
2x2 EMPATE
 
A quinta escola campeã é novamente a Mocidade Alegre, em 2013. A agremiação conquistou o bicampeonato com o enredo “A Sedução me fez provar, me entregar a tentação...Da Versão Original, qual será o final?” dos carnavalescos Márcio Gonçalves e Sidnei França. O desfile campeão aconteceu no SÁBADO. 

Foto: Raul Zito/G1
3x2 SÁBADO

A sexta escola campeã é, mais uma vez, a Mocidade Alegre, em 2014. A escola conquistou o tricampeonato na elite paulistana com o enredo “Andar Com Fé Eu Vou...Que a Fé Não Costuma Falhar” dos carnavalescos Márcio Gonçalves e Sidnei França. O desfile campeão aconteceu no SÁBADO. 

Foto: Flávio Moraes/G1
4x2 SÁBADO
A sétima escola campeã é o Vai-Vai, em 2015. O Bixiga abriu vantagem na liderança de títulos do carnaval de São Paulo com a sua décima quinta taça que veio com o enredo “Simplesmente Elis - A Fábula de Uma Voz na Transversal do Tempo” dos carnavalescos Alexandre Louzada, Eduardo Caetano e André Marins. O desfile campeão aconteceu no SÁBADO. 
  

Foto: Flávio Moraes/G1
5x2 SÁBADO
 
A oitava escola campeã é o Império de Casa Verde, em 2016. A Casa Verde voltou a erguer a taça em São Paulo depois de 10 anos em grande estilo com o enredo “Império dos Mistérios” do carnavalesco Jorge Freitas. O desfile campeão aconteceu no SÁBADO. 

Foto: André Penner/AP
6x2 SÁBADO
 
A nona escola campeã é a Tatuapé. A escola conquistou o primeiro título de sua história no Grupo Especial do carnaval paulistano com o enredo “Mãe África conta a sua história: do berço sagrado da humanidade à abençoada terra do grande Zimbábue” do carnavalesco Flávio Campello. O desfile campeão aconteceu na SEXTA. 

Foto: Flávio Moraes/G1
6x3 SÁBADO
 
A décima e última escola campeã é novamente a Tatuapé. A escola que gostou desse negócio de ganhar carnaval conquistou o seu bicampeonato com o enredo “Maranhão: Os Tambores Vão Ecoar Na Terra da Encantaria” do carnavalesco Wagner Santos. O desfile campeão aconteceu na SEXTA. 

Foto: Fábio Tito/G1

PLACAR FINAL: 6x4 SÁBADO!

O que parecia ser uma goleada, no final das contas, acabou em uma vantagem de dois títulos para o sábado sobre a sexta, vantagem que se deve aos 4 títulos da Mocidade Alegre na sua posição tradicional como terceira escola do sábado. E, claro, o crescimento da sexta-feira como amuleto de sorte está diretamente ligado à chegada da Tatuapé ao protagonismo do rol das principais escolas do carnaval de São Paulo. 

O que ficou claro é que não existe uma grande vantagem em relação a título em um dos dois dias. Existem escolas que preferem um dia e escolas que preferem o outro. Vai de cada uma no final das contas. Então, se você leu esse texto na expectativa de saber se a sua escola tem chances em 2019, pode ficar tranquilo. Ao menos nos últimos 10 carnavais existe um equilíbrio entre os dias de folia. Prepare-se, pois assim como nos últimos anos poderemos ter uma apuração com emoção até a última nota, independente do dia de apresentação.

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por Alisson Valério



Revelando um pouco da construção da identidade das principais escolas brasileiras, hoje fazemos uma parada no Bixiga para lembrar a história de uma das mais importantes agremiações carnavalescas do país. Surgido como cordão e depois tornado escola de samba propriamente, o Vai Vai construiu uma história de luta e raça, sempre ligado ao povo, sendo o maior campeão da folia paulistana. 

Em meio a críticas sociais e homenagens musicais, a escola construiu um perfil popular e aguerrido que é abraçado por torcedores pelo Brasil a fora, conquistando cada dia mais novos apaixonados. Por isso, relembramos agora os desfiles mais marcantes da escola do povo. Vem ver o samba amanhecer com a gente! 

"Vem novamente a disputa, meu povo à luta!"


Tudo começou no início do século passado: por volta de 1928, Livinho, Benedito Sardinha e um grupo de amigos animavam os jogos e as festas organizadas do time de futebol e grupo carnavalesco chamado de Cai-Cai no bairro do Bixiga. Mas eles não eram bem vistos pela galera do Cai-Cai não, viu? Longe disso; o grupo de amigos era visto como um bando de penetras e arruaceiros, foram até jocosamente apelidados de "a turma do Vae-Vae". Não demorou muito e eles foram expulsos do Cai-Cai, mas não deixaram por isso mesmo e criaram o "Bloco dos Esfarrapados" e também o Cordão Carnavalesco e Esportivo Vae-Vae, este sendo oficializado em 1930, o resto é história.... 

O cordão escolheu as cores preto e branco, que eram as cores do Cai-Cai invertidas como forma de ironizar o cordão, honrando assim a fama de arruaceiros. O símbolo que até hoje faz parte do pavilhão da escola tem como objeto central uma coroa, com dois ramos de café e abaixo o nome e a data de fundação. A escolha dos ramos de café foi pelo motivo do produto ser, na época, uma das grandes fontes de riqueza do Brasil, com a coroa simbolizando a realeza e a magnitude da raça negra, em forma de homenagem aos que vieram para o Brasil como escravos e eram reis e rainhas na sua terra. Era comum naquela época os negros se tratarem por “oi, meu rei", "oi, minha rainha”.


Outra curiosidade é o apelido "Saracura". O nome veio do rio que margeava a Bela-Vista. Apesar de ser um apelido que é motivo de orgulho hoje ele foi dado de forma pejorativa, mas graças ao sucesso e aos títulos da escola, virou motivo de orgulho para a toda a sua comunidade.  

Desfilando como cordão foram quatro títulos e três vice-campeonatos. A escola estreou como Escola de Samba no Grupo Especial em 1972, já garantindo o segundo lugar com o enredo "Passeando pelo Brasil o samba mostra o que é seu". De 1972 até 2018 foram 15 títulos, tornando-a a maior campeã do Carnaval de São Paulo na atualidade.
  

O começo de tudo – (1978, 1981 e 1982)




A escola que estreou no Grupo Especial no ano de 1972 sendo vice-campeã não demorou muito para conquistar o seu primeiro título no grupo: o título veio no ano de 1978, com o enredo “Na Arca de Noel quem entrou não saiu mais”, assinado por uma comissão de carnaval. "Noel, Noel, Noel, esta linda noite é sua, o Vai-Vai está em festa neste carnaval de rua..."



"Acredite se quiser no sonho mais lindo que eu não sonhei..." E três anos depois viria o primeiro bicampeonato da escola, com os enredos “Acredite se quiser” e “Orun Aiyê - O Eterno Amanhecer”, os dois assinados por uma comissão de carnaval. Ambos os desfiles foram embalados por dois sambaços que estão eternizados na coletânea do Vai Vai. "Olorum, canta meu povo em harmonia, Olorum, Vai-Vai na apoteose da alegria..."



O tricampeonato – (1986, 1987 e 1988)


"Raiou e o sol brilhou, ao romper de um novo dia, o Vai-Vai chegou..." Depois de conseguir seu bicampeonato em 81 e 82, foi a vez de conquistar o seu primeiro tricampeonato no Grupo Especial paulistano, com títulos de 86 a 88. O enredo “Do jeito que a gente gosta”, assinado pelo carnavalesco Andrés Wilches, marcou também o início da era de Thobias da Vai-Vai como interprete da escola. Enredos com teor critico como esse seriam frequentes na história da escola no Carnaval de São Paulo. "Quero ver pulso firme contra a corrupção, e um salário justo para toda nação..."  



"A paz virá, neste momento de alegria, vou desfilar, irradiando energia, aos povos sem exceção..." Com o enredo “A volta ao Mundo em 80 Minutos”, assinado por Ciro Nascimento, a escola entrou na avenida no amanhecer do dia rumo ao seu bicampeonato. No pouco que se pode ver do desfile, dá para notar o mascote da escola, o Criolé, no seu abre-alas que nos levaria a uma viagem pelo mundo. A leveza do desfile e a energia dos componentes junto a arquibancada deram o tom, além do show da bateria do Mestre Tadeu, embalando assim mais um campeonato para a escola do Bixiga. "Eu quero é mais que sedução, brotar o amor no coração, a liberdade, um ideal, Vai-Vai na avenida é carnaval..." 



"Jorge Amado... Mestre na literatura, fez da epopeia de um povo, a sua arte em romance de ternura..." Com o seu desfile baseado em obras de Jorge Amado, intitulado de “Amado Jorge, a História de uma Raça Brasileira”, assinado por Ulysses Cruz, a escola da Saracura vinha em busca do seu tricampeonato. A intenção do carnavalesco era fugir do tradicional de época e fazer um carnaval bem teatral no Vai-Vai, transformando a avenida em um verdadeiro palco. E conseguiu! O samba, que era pura poesia, embalou mais um grande desfile da escola do Bixiga rumo a conquista do seu terceiro título consecutivo. "Bahia... o seu nome principia, com o canto e a magia, que o negro sopra pelo ar, cantando... sua terra, sua gente, seu passado, seu presente, o futuro só Deus dirá..."   




A rainha que reluz é ouro – (1993 e 1996)


Foto: YouTube

"A Bela Vista vem de novo aí, com muito brilho pra te alucinar, reluz feliz e não é ouro, o meu maior tesouro, é ver o povo delirar..." O período que marcou o início da era dos desfiles no Sambódromo do Anhembi rendeu dois títulos ao Vai-Vai, nenhum deles consecutivos, mas nem por isso foram menos marcantes. O primeiro deles foi com o enredo “Nem tudo que reluz é ouro”, assinado pelo trio de carnavalescos Fábio Brando, Luís Rossi e Renato Teobaldo. A intenção era mostrar a saga do homem através da riqueza e dele se perdendo na ganancia, tendo o intuito de ensinar que a maior riqueza na nossa vida são justamente as coisas que não estão à venda. 

Sempre que o Vai Vai abraça enredos com crítica e exerce a sua voz como 'Escola do Povo', o sucesso é quase garantido e dessa vez não foi diferente. Mais um show na avenida no amanhecer do dia para delírio do público que não arredou o pé do Anhembi até o final do desfile campeão da Saracura.  "Leva meu samba, um canto de reflexão, que o tesouro, é a água, é a terra (é o nosso ar), tá na liberdade, na felicidade eterna, tá no sangue, vem da alma e do amor, tá no coração dos homens, está na paz, está na flor..."

Foto: Ouro de Tolo

"Clareou, clareou geral, alô galera, alô bateria, alô povão, de preto e branco vem a Saracura, ninguém segura essa overdose de emoção..." Em busca do seu segundo título do Anhembi, o Vai Vai teve pela primeira vez em sua história um carnavalesco carioca, Sidinho Ramos, que assinou o enredo “A rainha, a noite tudo transforma” que cantaria a noite que transforma em realidade, fantasias do consumo e em conjunto realizaria o sonho de uma mulher que fez da noite o palco para o seu sucesso, a dona de casas noturnas paulistana, Lilian Gonçalves. Um desfile inesquecível que começou a noite e foi iluminado pela luz do dia. E a noite que tudo transforma transformou o sonho do título em realidade para a festa de toda a comunidade da Saracura. "Hoje Lilian Gonçalves na verdade, o sonho fez realidade, nas mil e uma noites da canção, agora a Cinderela é rainha, vou sonhar a festa é minha, Vai-Vai um novo dia clareou, clareou..."

O tetracampeonato (1998 - 2001)

Foto: SPTuris

"Me beija na boca, amor, me faz um chamego, eu quero sentir, balançando a massa, é Vai-Vai que passa, sacudindo o Anhembi..." No ano de 1998, o Vai Vai decidiu falar sobre os 90 anos da imigração japonesa no Brasil, mas eles resolveram contar essa história de uma forma um pouco diferente, tornando o enredo mais a cara da escola. O carnavalesco, Chico Spinoza, resolveu inserir o mascote da escola, o Criolé, no enredo o transformando na figura que contaria a história. No enredo, o personagem sonha que é o imperador do Japão antigo, conhece as belezas e as tradições da terra do sol nascente e no meio dessa viagem ele acorda na avenida no desfile de carnaval guiando o público por essa viagem recheada de beleza e cultura. Uma sacada genial do carnavalesco! O desfile ainda teve como grande trunfo a estética japonesa que deu um toque todo especial ao visual da escola. Em um dos grandes sacodes do Anhembi, embalado por um dos sambas inesquecíveis da história do carnaval paulistano, o título não poderia ir para outro lugar além do bairro do Bixiga. "Aí fiquei maluco com o desfile da Vai-Vai, sacode povão, Banzai!" 

Fonte: Youtube
"Na virada do milênio, a paz renascerá, ô clareia deixa clarear..." Rumo ao bicampeonato, o Vai Vai do carnavalesco Chico Spinoza resolveu contar a história e as profecias de Nostradamus. Um tema polêmico, que gerou de certa forma olhares estranhos até o dia do desfile... Porém, quando o mesmo começou, foi arrebatador em sua essência! Num cortejo harmonioso do início ao fim, desde o seu início de cores mais escuras até o seu final cheio de esperança e de tons mais claros, a escola deu um verdadeiro show no Anhembi para coroar seu bicampeonato. "Na transformação, surge um clarão é um novo ser, Saracura vem anunciar (que o Vai-Vai), chegou para explodir o Anhembi..." 


"Eu sou Bixiga, sou amor, amor, fazendo o samba amanhecer (vem ver), a Saracura é a razão do meu viver..." Na rota do tricampeonato, com o enredo “Vai-Vai Brasil”, assinado pelo carnavalesco Flávio Tavares, no ano em que eram celebrados os 500 anos do Brasil, a escola contou a época mais contemporânea do país, passando por vários fatos históricos que aconteceram entre 1984 e os anos 2000. Acontecimentos históricos como as Diretas Já, o Plano Cruzado, Sarney, Collor e Real, o ídolo Ayrton Senna e, claro, uma homenagem aos 70 anos da própria escola. Um desfile de tom crítico, mas ao mesmo tempo divertidíssimo, com aquele espirito arruaceiro, essência da escola. Pode colocar mais um tricampeonato na conta da escola do povo! "Eu elegi um presidente, Collorido e diferente, me dei mal, com garra e emoção, pintei toda nação, aí eu caí no Real..." 

 Vania Vargas/Folha Imagem

"Na transformação, surge um clarão é um novo ser, Saracura vem anunciar (que o Vai-Vai), chegou para explodir o Anhembi..." Sonhando com o inédito tetracampeonato no Grupo Especial do carnaval paulistano, o Vai Vai trouxe o enredo “O Caminho da Luz, a Paz Universal”, de assinatura do carnavalesco Ilvamar Magalhães. A proposta do carnavalesco era um convite a reflexão, tocando em vários pontos que regem a humanidade como a vida, a razão, a inspiração, a esperança e o amor. Foi um verdadeiro show do Vai Vai no Anhembi. Tendo ao seu favor mais um samba 'arrasa quarteirão' e a sua comunidade sempre fazendo jus a sua essência aguerrida, o sonho do tetracampeonato inédito virou realidade para a Saracura. "Me dê a mão, somos irmãos, vamos caminhar, buscar na luz celestial, a paz universal..."

15 vezes campeã – (2008, 2011, e 2015)


Foto EFE

"Eu sou guerreiro de fé, meu samba é no pé, sou Vai-Vai, se quero axé meu manto traz, no branco a paz, no preto amor, sou brasileiro e tenho meu valor..." Depois de alguns anos sem saber o que era comemorar um título no carnaval, o Vai Vai voltou a sua origem crítica ao lado de Chico Spinoza, naquele que seria um dos maiores desfiles da sua história. Intitulado de “Vai-Vai acorda Brasil, a saída é ter esperança”, inspirada na peça de Antônio Ermírio de Moraes, que conta a história de um incêndio na comunidade de Heliópolis em 1996. A história de superação contada na avenida mostrando a força que a educação tem de mudar o futuro de uma nação ganhou uma linda descrição durante o desfile da escola. Um cortejo inesquecível para muitos, é com certeza um dos maiores desfiles da escola no carnaval paulistano. O título, claro, veio, mas de forma sofrida, apenas na última nota do último quesito. Campeonato mais do que merecido pelo o que foi apresentado pela escola do Bixiga. "Alô Brasil, o nosso povo quer mais educação pra ser feliz, com união, vencer a corrupção, passar a limpo este país..."

Foto: Fernando Donasci/UOL
"Feliz da vida lá vem o Bexiga, exemplo de comunidade, a música venceu, o dom é luz que vem de Deus, da emoção, Vai-Vai resplandeceu..." Em busca da sua 14ª estrela, o Vai Vai trouxe para o Anhembi uma das histórias mais lindas da história da música do nosso país: a vida e a superação do maestro João Carlos Martins. “A música venceu” foi assinado pelo carnavalesco Alexandre Louzada. O enredo passeou por toda a vida do maestro, começando na sua infância na comissão de frente e terminando com ele regendo uma orquestra no último carro. O desfile foi arrebatador do começo ao fim! A história de luta do homenageado encantou e emocionou a todos os presentes no sambódromo. O samba em si é uma obra-prima da história do Vai Vai. A sensação ao final da apresentação é que o título tinha sido arrebatado e a confirmação veio na terça-feira de carnaval. A décima quarta estrela do pavilhão do Vai Vai havia sido conquistada em 2011. "Na sua fé, resistiu, e a dor da adversidade, suplantou, com muita garra e amor..." 


"Reluziu, seu canto ecoou, no meu Brasil cantora igual jamais se ouviu, Saracura a cantar bem mais feliz, simplesmente Elis..." Vai Vai e música é uma combinação que dá ótimos frutos e quando se trata de uma homenagem, as chances de sucesso são maiores ainda. O tributo a Elis Regina virou realidade no Carnaval de 2015 e o Vai-Vai abraçou a oportunidade com unhas e dentes. O enredo “Simplesmente Elis. A Fábula de uma Voz na Transversal do Tempo” assinado pelos carnavalescos Alexandre Louzada, Eduardo Caetano e André Marins foi contado através das suas músicas na avenida de forma leve e emocionante. Nesse texto, a palavra sacode foi citada algumas vezes, mas esse desfile talvez tenha sido o maior sacode proporcionado na avenida pelo alvinegro em sua história. Foi de arrepiar do começo ao fim. Elis Regina e Vai-Vai com uma combinação pra lá de apimentada, que abocanhou o título do Carnaval de 2015. A cantar a dor, o amor, o bêbado e a equilibrista, a voz do povo diz que o show de todo artista, tem que continuar...


Baluartes do Vai Vai

 Thobias da Vai-Vai – Presidente de Honra

Foto: Revista Paulista
Thobias na sua carreira de intérprete foi uma voz marcante e inesquecível no Vai-Vai e agora continua sendo uma voz forte dentro da agremiação, só que dessa vez como presidente de honra. Thobias já foi interprete, presidente, vice-presidente e agora é presidente de honra da escola. Já fez e faz de tudo pelo Bixiga. Ele que chegou a escola em 86, e obviamente continua até os dias de hoje, fez parte de 11 dos 15 títulos da história do Vai-Vai no Grupo Especial. Como intérprete, ele embalou o título de Banzai em 1998, com presidente o título Acorda, Brasil em 2008 e como presidente de honra o desfile em homenagem a Elis Regina em 2015. Uma história na escola repleta de momentos memoráveis. Impossível falar do Vai-Vai e não falar de Thobias e vice-versa. É um nome que ficará marcado para sempre na história da escola.

Mestre Tadeu – Mestre de Bateria


Foto: Christian von Ameln/Folhapress
Antônio Carlos Tadeu chegou ao Vai-Vai no final da década de 1960 e permanece até os dias de hoje na escola. Ele assumiu o posto de Mestre de Bateria em 1973 e não sendo fã desse negócio de paradinha, ficou e não saiu mais. Mestre Tadeu participou de todos os 15 títulos do Vai-Vai no Grupo Especial de São Paulo. E não é só troféu que ele coleciona não, recordes também. Os recordes de maior vencedor do Carnaval de São Paulo e o de maior tempo comandando a mesma bateria no Brasil são dele. Da bateria do Mestre Tadeu saíram grandes mestres e diretores de bateria, nomes como o do Mestre Tornado que atualmente é um dos grandes mestres de bateria do carnaval.  Antes mesmo do Vai-Vai ser uma escola de samba Tadeu já estava por lá, lugar que ele faz história até hoje. A história do Antônio Carlos e do Vai-Vai se misturam de tal forma que quase se tornam uma só. Mestre Tadeu é um patrimônio do carnaval paulistano e uma lenda viva da história do carnaval do Brasil. Vida longa ao Mestre!

Paulinha e Pingo - Mestre-sala e Porta-bandeira

Foto: Liga SP
Eles estrearam como primeiro casal do Vai-Vai em 2006, não só como primeiro casal do Vai-Vai, mas como primeiro casal no Carnaval. Paulinha era a segunda porta-bandeira da escola, onde desfilava desde os seus 7 anos de idade, Pingo chegou a escola em 2001 e era o terceiro mestre-sala. Se estamos falando sobre eles agora nem é preciso dizer que a parceira deu certo, aliás não só deu certo como foi um golaço da escola. O casal foi nota 10 já em sua estreia, história que se repetiu várias vezes em todos os seus carnavais dançando juntos pelo Anhembi. A primeira fantasia usada pelos dois representava o "Orgulho de ser Vai-Vai" e se tem uma certeza quando se fala desse casal é o orgulho de todos os torcedores da escola em tê-los defendendo ano pós ano o pavilhão da escola do Bixiga. Pingo e Paulinha serão eternizados como um dos grandes casais não só do Vai-Vai, mas da história do Carnaval de São Paulo.

Chico Spinoza - Carnavalesco

Chico Spinoza é um dos grandes carnavalescos do Brasil e no Vai-Vai fez boa parte da sua história no Carnaval. Ele chegou a escola por escolha do próprio Chico, ainda quando trabalhava como figurinista da Rede Globo um diretor da emissora pediu para ele fazer um carnaval em São Paulo, citou duas escolas e ele acabou escolhendo o Vai-Vai e o resto é história. Foram 8 anos, 3 títulos e 2 vice-campeonatos conquistados. Na sua passagem pela escola foram vários desfiles inesquecíveis, mas obviamente que os títulos com Banzai em 1998 e Acorda Brasil em 2008 encabeçam a lista dos melhores desfiles de Spinoza no Bixiga. Em sua carreira como carnavalesco foi campeão por 4 oportunidades, três com o Vai-Vai em São Paulo e uma vez com a Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. Chico Spinoza é o carnavalesco que mais vezes foi campeão assinando sozinho o carnaval na escola do Bixiga, marcando assim o seu nome na história da agremiação paulistana.

Camila Silva – Rainha de Bateria


Foto: Fashionando
No carnaval de 2018, Camila Silva completou 10 anos de reinado a frente da bateria Pegada de Macaco do Vai-Vai. Não precisa nem dizer que ficar 10 anos à frente de uma bateria, um cargo tão disputado e constantemente vendido no carnaval, o que não é o caso do Vai-Vai, é um tempo muito significativo para mostrar a força da natureza que Camila Silva é e continua sendo no Vai-Vai. Ela tem todos os requisitos que uma rainha precisa: samba no pé, beleza, carisma e o mais importante deles que é o comprometimento. Ser rainha de bateria é muito mais que um posto, é um estado de espirito e Camila Silva é uma rainha de bateria em seu pleno estado de espirito. Vida longa à rainha!  

"É tradição e o samba continua!"


Falar do Vai-Vai é passear pela história do Carnaval de São Paulo, contar dos seus títulos é relembrar vários momentos marcantes e inesquecíveis da história do samba paulistano. Desde a sua essência arruaceira, dos seus sambas antológicos, do seu povo aguerrido.... ah, o seu povo, diversas vezes em sua história quando o Vai-Vai abraçou a sua faceta de Escola do Povo, de falar dos problemas do seu povo, o sucesso era inevitável, a sua vertente crítica é uma das suas maiores qualidades pois é puramente de sua essência falar do povo e ser o povo cantando na avenida as suas dores e os seus amores... E uma dica: se nunca viu o samba amanhecer vai no Bixiga pra ver, vai no Bixiga pra ver.... 

Playlist no Youtube com todos os sambas dos campeonatos do Vai-Vai:
https://www.youtube.com/playlist?list=PL9xrNWhRQAwMK6k8BE9haZKQU1LL2SYuE 


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Por Beatriz Freire e Leonardo Antan

A #SérieCarnavalescos vai dominar o site no mês de junho, com textos novos às segundas e quintas. Não perca!







Abrindo os trabalhos da nova temporada de textos, agora homenageando os grandes artistas da festa, começamos com um dos mais importantes carnavalescos dos últimos anos, mas pouco valorizado de maneira geral pela história da folia: Alexandre Louzada. O artista já soma a incrível marca de 34 carnavais assinados no grupo especial carioca, sem contar ainda os trabalhos desenvolvidos nos grupos de acesso e no carnaval de São Paulo, no qual se estabeleceu na última década.

Louzada construiu sua carreira de maneira discreta e competente, apostando num estilo clássico, com passagens que partiram de agremiações mais tradicionais até as mais novatas. A assinatura com uma pegada luxuosa tem clara herança de grandes nomes que deram o tom "barroco" da folia, como Arlindo Rodrigues e Joãosinho Trinta, apostando sempre em fantasias volumosas, realçadas por seu gosto por muitas plumas; já nas alegorias, o investimento sempre foi na grandiosidade e no luxo. Em seus carros, impossível esquecer o gosto pro esculturas monumentais, marcante em diferentes carnavais. Sua leitura clássica da linguagem carnavalesca lhe garantiu a marca impressionante de seis títulos na “era Sambódromo”, ficando apenas um carnaval atrás da maior vencedora desse período: Rosa Magalhães (amém!). Outro dado que confirma essa versatilidade é que esses seis títulos foram conquistados em quatro escolas diferentes, marcando seu bom entendimento de como agradar o júri, sendo o único na história a conseguir tal façanha.

Numa grande viagem pela longa trajetória do artista das plumas chorosas e das enormes esculturas, separamos alguns casamentos marcantes de Alexandre com escolas de samba distintas, procurando assim traçar um grande panorama desse nome fundamental para a folia nas últimas décadas.


Portela 1985/1986



Após o supercampeonato que consagrou a Portela vitoriosa em 1984, com o lendário "Contos de Areia", ano também de inauguração da Sapucaí, não havia lugar com melhor clima – contraposto a tamanha responsabilidade – que aquele das terras de Oswaldo Cruz e Madureira para que o jovem Alexandre fizesse sua estreia. Em seu primeiro desfile, assumiu sozinho o posto de carnavalesco da águia altaneira, desenvolvendo naquele momento final de regime militar o enredo "Recordar é Viver", sobre a noite carioca de outrora.

O desfile foi dividido em três partes: o sonho e a imaginação, os prazeres noturnos e os encantos no circo. Toda a apresentação mostrou o traço de requinte já presente na assinatura de Louzada, respeitando as cores da escola, aliado ao prata. Das alegorias que representaram os cassinos, o teatro de revista, os grandes artistas da Rádio Nacional, destacou-se a enorme lona nas cores da escola que representava o circo, encerrando o cortejo. Mesmo desfilando sob o sol apino, já que a Portela entrou com mais de 7 horas de atraso, nada foi suficiente para conter o mar azul e branco de componentes, que até com pedras de gelo se refrescou, conduzindo a escola ao quarto lugar, um enorme resultado para o então novato Louzada.

O jovem Alexandre barracão da Portela em 1985. 

Engana-se, entretanto, quem pensa que o bom resultado foi pura sorte de principiante. Renovado para o ano seguinte, "Morfeu no carnaval, a utopia brasileira" entrou na onda politizada dos desfiles, que deu o tom da década de 80 e sobretudo aquele 1986, o primeiro carnaval completamente realizado após a redemocratização. O enredo partia de Morfeu, deus do sono, para conduzir o povo num delírio que começava na bonança chegando ao pesadelo, passando pelo FMI, pela crise econômica do país, pelo Plano Cruzado e até pela Copa do Mundo, esses foram algum dos “checkpoints” que ajudaram o carnavalesco a montar o trajeto onírico proposto na narrativa. Muito cético, mas também irreverente, Louzada não abriu mão do luxo nas alegorias e fantasias, que além das tradicionais cores da escola contaram com uma paleta mais colorida desta vez. O grande samba contou bem o sentimento popular, se fixando no imaginário dos foliões com o famoso e pertinente refrão "No país da bola / só deita e rola / no país da bola / quem vem com dólar…".

A águia de 1986 [Portelamor]

Sem imaginar que aquele era o fim de um feliz casamento que resultou em dois ótimos carnavais, Louzada se despediu da Portela com mais um quarto lugar no Grupo Especial, antes de ser contratado pela União da Ilha. Essa comandada artisticamente à época por Arlindo Rodrigues, artista que influenciou o jovem carnavalesco.

Grande Rio 1993


Após a estreia na águia de Madureira, Louzada fez uma passeio de menor expressão por União da Ilha, Cabuçu e Cubango (no Acesso) até encontrar a Caprichosos de Pilares buscando resultados melhores, após perder a força criativa de seu grande mestre, Luiz Fernando Reis. Na azul e branco de Pilares, o artista assinou três desfiles até desembarcar em Caxias.

Foto: Widger Frota

Sua trajetória voltaria a ter destaque ao assumir a recém-fundada Grande Rio, em 1993, quando a tricolor voltava ao Grupo Especial após uma rápida passagem dois anos antes. Louzada desenvolveu um belo desfile na escola sobre a relação do homem com a lua. O samba composto e interpretado por Nêgo se tornou um clássico no repertório da agremiação da Baixada.

O enredo passeou por diferentes aspectos do satélite natural da Terra, desde as antigas civilizações até as lendas e mistérios do astro, passando ainda pela conquista espacial, as serenatas ao luar, a mudança das marés e até a "lua de mel". A plástica contou com assinatura característica do artista, apostando em alegorias volumosas e grandiosas, enquanto as fantasias abusavam do requinte das plumas. A junção do excelente samba com o visual requintado garantiu com folga a permanência da novata entre as grandes, faturando um expressivo nono lugar para a agremiação ascendente do acesso, desbancando as tradicionalíssimas Portela e União da Ilha.

Mangueira 1998/99/2000


Foi na Estação Primeira em que Alexandre Louzada desembarcou após uma segunda e ligeira passagem pela Grande Rio, em 1997. Ele vinha de um décimo lugar no Grupo Especial, enquanto a verde e rosa trazia na bagagem mais recente dois carnavais assinados pelo inesquecível Oswaldo Jardim. Marcando a estreia desse encontro, em 1998, o carnavalesco comandou uma homenagem pra lá de especial a uma figura já conhecida do povo brasileiro: Chico Buarque de Hollanda, um dos maiores nomes da nossa música, além de ilustre mangueirense.

Foto: O Globo

"Chico Buarque da Mangueira" batizou o enredo que passeou pela vasta obra do homenageado. Logo no início, a comissão de frente de Carlinhos de Jesus foi louvada com os malandros cariocas lembrando a "Ópera do Malandro", peça teatral de Chico. O cuidado de Louzada ao selecionar o repertório de imagens e musicais que comporiam o cortejo foi fundamental para o sucesso da apresentação, dando um tom alegre à homenagem. Embalada por um grande samba, a verde e rosa deu aula de chão em evolução e harmonia, passando muito bem vestida com fantasias nas tradicionais cores da agremiação.

Louzada no barracão da Mangueira em 1998.

Após arrastar a Sapucaí, na quarta de cinzas, o sonho se tornou realidade e a Mangueira se consagrou campeã após um jejum de 11 carnavais, dividindo a taça com a Beija-Flor, marcando a primeira vitória da trajetória do carnavalesco. No ano seguinte, era praticamente impossível esconder a alta expectativa por um bicampeonato. Louzada debutava na Avenida em seu décimo quinto ano como carnavalesco aliado a responsabilidade de fazer mais um bom desfile. Para isso, o enredo "O Século do Samba" precisaria dar às arquibancadas todo o fervor do último carnaval ao homenagear o ritmo mais brasileiro.



Uma Comissão de Frente histórica abriu com emoção os trabalhos, os integrantes comandados por Carlinhos de Jesus representavam fidedignamente, em aparência e movimentos, personagens marcantes do samba que já haviam partido. O abre-alas também trouxe figuras indispensáveis do ritmo, como Martinho da Vila, a majestosa Dona Ivone Lara e Zé Keti. Nos quesitos plásticos, destacaram-se fantasias mais leves e regulares alegorias, que prejudicaram a perfomance total por algumas falhas de acabamento. Outro erro que fez a agremiação perder preciosos pontos foi em evolução, lenta e repleta de buracos, que contribuíram para um sétimo lugar, frustrante para quem tinha faturado o caneco um ano antes.

No terceiro e último ano de sua passagem pela Estação Primeira, o carnavalesco surpreendeu ao contar a história de Cândido da Fonseca Galvão, herdeiro do trono do Império de Oió e figura importante do reinado de D. Pedro II. O enredo "Dom Obá II - Rei dos esfarrapados, príncipe do povo" gerou um belíssimo samba, dando corpo a um ótimo desfile, que teve como destaque mais uma vez a comissão de frente de Carlinhos de Jesus. Na plástica, destacou-se o conjunto de fantasias nas cores tradicionais da agremiação, dessa vez apostando em tons pastéis. Já na pista, problemas de evolução atrapalharam mais uma vez a busca por resultado melhores, dessa vez provocados pela quebra de uma alegoria. O resultado acabou sendo mais um sétimo lugar, dando fim a passagem de Louzada na Mangueira.

Vila Isabel 2006


Após uma passagem pela Porto da Pedra de dois anos, onde carnavalizou a comunicação e reeditou o icônico "Festa Profana" da União Ilha, num excelente trabalho, Louzada assumiu a Vila Isabel em posição ingrata. A azul e branco de Noel acabara de ascender ao Especial um ano antes e ainda buscava se estabilizar no grupo principal.

O enredo internacional fez um belo passeio pela América Latina, patrocinado generosamente pela estatal venezuelana PDVSA (R$ 900 mil à época, segundo consta). A gorda ajuda garantiu (presume-se) um conforto e liberdade para a criação do artista, indo desde as civilizações pré-colombianas até o sonho da integração latinoamericana, simbolizada por Simón Bolivar, representado na alegoria final em uma das marcantes esculturas gigantescas da trajetória de Alexandre.



O desfile contou com uma abertura luxuosa ao retratar o esplendor do Império Asteca; o artista abusou do dourado aliado ao azul celeste característico da escola de Noel. As ricas baianas vieram no mesmo tom, ostentando plumas de faisões em suas fantasias. Os figurinos também não abriram mão do luxo e da marca de opulência. Comentarista da transmissão daquele ano, a carnavalesca Maria Augusta faz uma observação precisa sobre o momento que o profissional vivia: "Alexandre Louzada tá de parabéns, eu chamo de maturidade quando um carnavalesco, um artista plástico do carnaval, apresenta um espetáculo dessa categoria", declarou após elogiar o trabalho de cor e o uso de materiais.

E foi exatamente a maturidade e o entendimento preciso de todos os itens clássicos para uma linguagem de desfile tradicional que se destacaram nessa apresentação. O samba-enredo mediano da escola cresceu muito na Avenida, sendo muito bem interpretado por Tinga aliado a boa harmonia do bairro da zona norte, o que só podia resultar uma grande apresentação da agremiação. Numa apuração conturbada, a Vila Isabel desbancou outras favoritas e faturou o segundo título de sua história e da trajetória de Louzada, que a partir dali veria sua carreira ganhar novo patamar.

Beija-Flor 2007/08/09/10/11

De uma azul e branca pra outra: depois de um campeonato na Vila Isabel, Alexandre Louzada passou a integrar a comissão de carnaval nilopolitana, formada então por Laíla, Fran Sérgio, Shangai e Ubiratan Silva, assumindo o lugar deixado por Cid Carvalho, que optou pela carreia solo.

Foto: G1

Sua estreia marcou mais uma aposta da Deusa da Passarela na temática afro, com o inesquecível "Áfricas - do berço real à corte brasiliana", sobre a diáspora africana e a reinvenção negra em terras brasileiras. A abertura da escola, toda em um tom dourado, trazia a gênese africana e tripés de girafas. A imponência da entrada era bem alinhada a personagem da agremiação, se tornando absolutamente marcante. Ao longo do tapete cromático, pode-se observar o azul e também o prateado nas alegorias, além da palha, muito bem utilizada. O abre-alas contou ainda com uma rara e luxuosa aparição do símbolo que dá nome à escola. O requinte ditou o tom de todo o desfile, principalmente nas fantasias. O samba composto por Cláudio Russo, J. Veloso, Carlinhos do Detran e Gilson Dr. foi considerado o melhor do ano – e talvez um dos melhores da escola – e a Deusa da Passarela encerrou o carnaval daquele ano em estado de graça, nos braços – e na boca – do povo aos gritos de "é campeã". Fez-se a profecia: na quarta de cinzas, veio o gratificante resultado que consagrara a escola campeã e Louzada, pelo segundo ano consecutivo e pelo terceiro em toda a sua trajetória, carimbou mais uma vitória para chamar de sua.

Alexandre no barracão da Beija-Flor em 2008.

Em 2008, movida pelo combustível do recém-campeonato, a Beija-Flor optou por um enredo CEP patrocinado, mas com um toque todo especial ao desenvolver "Macapaba - Equinócio solar. Viagens fantásticas ao meio do mundo", sobre Macapá, capital do estado do Amapá. A grandiosidade, marca registrada do carnavalesco, não foi deixada de lado e o abre-alas já começou impactando a Sapucaí com seus aproximados 50 metros de extensão, além, é claro, das volumosas esculturas ao longo de todo o desfile, onde chegou-se a gastar, segundo o próprio Louzada, a quantia de 150 mil reais em acetato para uma única alegoria. O conjunto de carros e fantasias mostrou-se praticamente impecável e surpreendeu positivamente ao trabalhar as cores com bom gosto. Pela terceira vez consecutiva dentre as quatro totais, Louzada teve a felicidade de levantar novamente o caneco do primeiro lugar, garantindo um bicampeonato à escola nilopolitana. Somada a vitória da Vila dois anos antes, Alexandre tornou-se um dos raros carnavalescos a ostentar um tricampeonato.

A colorida abertura da Beija-Flor de 2011.

Em 2009 e 2010, o carnavalesco permaneceu na agremiação da Baixada e conquistou dois outros bons resultados para a azul e branca, mas foi em 2011, outra apresentação que marcaria a trajetória do já consagrado artista da folia. "A Simplicidade de um Rei" homenageou Roberto Carlos, passeando desde a infância do cantor em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, seguindo pela Jovem Guarda até "as emoções em alto mar" nos ritmistas, que faz referência ao cruzeiro que conta com shows do cantor. A escola optou por trabalhar com tons claros, como Roberto gosta. Nas alegorias, se viu menos luxo e uma visualidade que buscava a simplicidade, a qual no fim das contas acabou sendo prejudicada por falhas de acabamento. Enfrentando ainda dificuldades de evolução por conta do óleo derramado na pista no desfile da coirmã Porto da Pedra, já o samba não rendeu como esperado. Mas, como quem é rei nunca perde a majestade, os ares foram outros quando passou o carro que trazia o homenageado e uma grande escultura de Jesus Cristo, conquistando público e jurados. Mais uma vez, a Beija-Flor terminou campeã, e Louzada somava agora cinco títulos em sua carreira. Apesar do bom resultado, o casamento com a escola nilopolitana chegou ao fim naquele mesmo ano.

São Paulo: o encontro com a Vai Vai


Além do Rio, Louzada construiu ainda uma carreira expressiva na folia paulistana. Sua primeira passagem na terra da garoa foi em 1995, no Camisa Verde e Branco. Entre idas e vindas, o carnavalesco se estabeleceu de vez na folia do Anhembi em 2011, quando se consagrou campeão pelo tradicional Vai-Vai, numa inesquecível homenagem ao maestro João Carlos Martins, que aliou o trabalho sempre característico do artista a um antológico samba-enredo do Bixiga. Com a vitória, Louzada arrematou dois campeonatos simultâneos nas duas principais folias brasileiras no mesmo ano, um feito inédito e até hoje não alcançado por mais ninguém.

O abre-alas da Vai Vai em 2011.

O profissional teria também uma passagem de dois anos pelo Império de Casa Verde, entre 2012 e 2013, além de um rápido encontro com a Vila Maria, em 2016, mas seria mesmo com o Vai-Vai sua grande parceria do lado de lá da ponte aérea. Sempre dividindo a criação com outros nomes, ele participaria do também campeão desfile de 2015, num tributo emocionante a Elis Regina, e de outras duas homenagens, a Mãe Meninha do Gantois, em 2017, e ao cantor Gilberto Gil, em 2018. Para o ano que vem, o carnavalesco retorna à Unidos de Vila Maria, junto a Cristiano Bara. A escola paulistana ainda não definiu seu enredo.

Portela 2014/15


Após a estreia pela azul e branco na década de 80 e uma trilogia de desfiles no início dos anos 2000, entre 2001 e 2003, marcada por bons desfiles mas que não tiveram o reconhecimento do júri, o artista, assumidamente portelense, retornaria para um terceiro e muito especial encontro com a sua agremiação de coração.



Contextualizando, a Majestade do Samba vinha de um carnavais difíceis, provocados pela má administração de seu ex-presidente Nilo Figueiredo. Na preparação para 2014, uma nova direção assumiu a escola após conturbadas eleições que deram fim ao mandato do dirigente. A nova administração, liderada por Serginho Procópio e Marcos Falcon, foi fundamental para dar todas as possibilidades de Louzada desenvolver um carnaval que marcaria a volta por cima da Águia. Como é fácil associar, o estilo plumário e opulento do artista casou bem com a conhecida elegância portelense, retomando o orgulho da nação azul e branca com louvor. Desde o abre-alas, repleto de águias, passando pela marcante escultura que personificava a máxima "o gigante acordou" das manifestações de junho de 2013, a escola fez uma das grandes e belas apresentações do ano, conquistando um honroso quarto lugar.



O casamento duraria ainda mais um carnaval, com outro desfile expressivo na trajetórias de ambos. A homenagem aos 450 anos do Rio de Janeiro pelo olhar surrealista do pintor Salvador Dalí foi responsável não só por um dos grandes momentos do carnaval àquele ano, como por uma das águias mais marcantes da história portelense, destaque também na trajetória plástica de Louzada, a inesquecível Águia Redentora. No geral, as fantasias e alegorias deram sequência ao resgaste do luxo e requinte portelense. Alguns deslizes em elementos alegóricos contribuíram para um modesto quinto lugar no fim das contas, entretanto, a passagem da azul e branco de Madureira pôde revigorar os ânimos da comunidade.

Mocidade 2016-Atualmente

Após uma rápida passagem de dois anos na escola da Zona Oeste anos ante, onde havia desenvolvido uma homenagem ao pintor Cândido Portinari e ao Rock In Rio, Alexandre Louzada voltou à verde e branco em 2016. O experiente artista se juntou ao talentoso Edson Pereira para desenvolver "O Brasil de La Mancha - Sou Miguel, Padre Miguel. Sou Cervantes, Sou Quixote Cavaleiro, Pixote Brasileiro", que passeou pelas mazelas do Brasil através da literatura. Apesar da dupla de bons profissionais, a agremiação teve problemas financeiros e de barracão, o que acabou gerando um desfile irregular, que rendeu um décimo lugar à escola.



Para 2017, Edson se desligou da agremiação e Alexandre assinou sozinho a viagem rumo ao Marrocos. "As mil e uma noites de uma 'Mocidade' pra lá de Marrakech" batizou o enredo, formulado a partir de uma sinopse confusa, mas interpretada de maneira antológica pelo samba encabeçado por Altay Veloso e PC Feital, que já no pré-carnaval se revelou como um dos grandes trunfos da escola para o que estava por vir. Em um desfile marcado pelo verde e pelo dourado, a Mocidade começou bem com uma comissão de frente arrasa-quarteirão, trazendo um Aladdin que voava em seu tapete pela Avenida através de um drone, fazendo a Sapucaí delirar.

Após a abertura impactante, a agremiação passou correta e embalada por seu grande samba, que deu o tom da apresentação. Em um ano atípico e após um jejum de mais treze anos longe do desfile das campeãs, a escola faturou um surpreendente segundo lugar na quarta de cinzas. Semanas depois, com a revelação das justificativas do júri, percebeu-se um erro de julgamento ocasionado a partir da leitura desatualizada do Livro Abre-alas, o mapa do desfile. A falha foi reconhecida pela Liga, que consagrou a escola também campeã daquele ano, dividindo título com a co-irmã Portela.



No último carnaval, Louzada, em mais um CEP, fez a ponte entre a Índia e o Brasil. O samba-enredo foi novamente composto, e ainda mais aclamado, pela dupla do ano anterior e considerado um dos melhores do ano mais uma vez. A comissão de frente trazia deuses hindus e fez uma lindíssima apresentação. Com uma parte plástica irregular, a escola teve falhas de acabamento nas alegorias e, apesar da boa concepção das fantasias, a realização não foi como o esperado. De qualquer forma, foi um bom desfile e que garantiu um confortável sexto lugar à escola. Em 2019, Alexandre segue em seu quarto carnaval pela verde e branco e contará a história do tempo no enredo "Eu sou o Tempo. Tempo é vida".



É por essa longa e marcante trajetória que Alexandre Louzada se tornou um dos principais artistas da folia brasileira nas últimas décadas. Sua assinatura clássica aliada a elementos marcantes fundamentais de sua trajetória rendeu carnavais memoráveis e vitoriosos, destacando a história de diversas agremiações. Bravo, Louzada, que sua brilhante história seja sempre reconhecida!

Como virou tradição, confira nossa playlist com os sambas-enredos que embalaram as apresentações assinadas pelo carnavalesco no Rio e em SP:

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