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Carnavalize


Muitos foram os carnavais marcantes de Fernando Pinto na Mocidade Independente de Padre Miguel; enredos como "Ziriguidum 2001" e "Tupinicópolis" permanecem no imaginário folião. O artista tropicalista também assinou, entretanto, grandes desfiles do Império Serrano durante quase toda a década de 70. Ao todo, foram oitos desfiles criados para o Reizinho de Madureira, contra seis na Estrela Guia de Padre Miguel. Nessa primeira fase, Fernando apostou em temas mais populares, ligados às manifestações folclóricas, personagens históricos e o único enredo de temática "negra" de sua trajetória. Confira nesse dossiê completo uma retrospectiva de sua carreira na Serrinha.

1971 - Nordeste: seu povo, seu canto, suas glórias




Tudo começou quando Fernando Pinto escreveu uma carta pedindo para ser o carnavalesco do Império. A escola vinha de uma má classificação no ano anterior, e, no texto, o artista prometia resgatar o verdadeiro Império Serrano. A escola verde e branco aceitou o pedido e acabou contratando o jovem de apenas 24 anos que fazia carreira como ator e diretor teatral. Pernambucano, o artista resolveu tratar de suas origens, abordando as festas, manifestações artísticas, hábitos e  a cultura nordestina. A escola foi bem com seu samba e garantiu o terceiro lugar daquele ano.  


1972 - Alô alô, taí Carmen Miranda!





Após o título do Salgueiro em 1971 com o histórico "Festa para um rei negro",  Fernando Pinto disse ao Jornal do Brasil que tratou de analisar todos os ângulos do desfile campeão para preparar uma apresentação imbatível. E conseguiu. Tratou de escolher uma figura popular e festiva para o tema: a cantora Carmen Miranda. Resgatada como símbolo de brasilidade pelo tropicalismo, Fernando fez jus ao movimento que lhe deu régua e compasso. Optou não por uma narrativa biográfica da pequena notável, mas numa pegada teatral e cinematográfica. 




Foi a primeira vez que uma escola de samba teve como enredo uma figura da cultura de massa e não histórica ou folclórica, o que gerou estranhamento e revolta na agremiação. Mas o carnavalesco bancou a inovação. A história da cantora foi dividida em oitos quadros (setores), cada um deles com uma personalidade representando uma Carmen Miranda diferente. Inspirado nos filmes, os quadros eram: o "Abre-alas", com Marion; "Um Rosário de ouro, um bolota assim, quem não tem balangandãs não vai ao Bonfim", com Leila Diniz; "Alô, Alô, Carnaval", com Wanderléia; "Banana da Terra", com Miriam Pérsia; "Cassino da Urca", com Marília Pêra e todo o elenco de "Vida Escrachada"; "Carmen Internacional", com Vilma Vernont e sua academia de ballet; "Serenata Tropical", com Olegária e "Copacabana" com Rosemay.




Ao contrário da revolução salgueirense, liderada por Pamplona e Arlindo, que se baseava em elementos da cultura acadêmica e erudita, Fernando Pinto bebeu na cultura de massas e no que era considerado "brega e cafona", como as chanchadas, os teatros de revista e a era do rádio, sempre abusando de frutas, palmeiras e muita tropicalidade. Diz a lenda que os carros chegaram quase sem nada na concentração e todos acharam que o Império desceria, mas, aos poucos, o carnavalesco foi tirando da cartola diversas decorações tropicais, fazendo tudo ganhar vida.

"Se o carnaval virou empolgação, Carmen Miranda é um tema ideal para isso", afirmou em entrevista.



Um ponto controverso do desfile foi a escolha de samba. Após o inesquecível "Pega no ganzê" no ano anterior, o artista da Serrinha defendia que a escola necessitava de uma canção empolgante. Para isso, comprou briga na agremiação, desbancando a obra do imortal Silas de Oliveira. O samba-enredo escolhido era curto e viciante, composto por Wilson Diabo, Heitor Rocha e Maneco, sendo um dos primeiros a inserir uma gíria: "que grilo é esse?". 



Na Avenida, o samba foi defendido por Malene, Rainha do Rádio. E, apesar da polêmica dos mais conservadores, o desfile foi um sucesso e empolgou a todos, fazendo a obra musical permanecer no imaginário popular, sendo regravado até mesmo por Elis Regina. O título foi incontestável e a escola ganhou vários prêmios do Estandarte de Ouro, que foi realizado pela primeira vez aquele ano. A Pequena Notável ajudou a faturar três categorias: Enredo, Comunicação com o Público e Fantasias, estes dois extintos atualmente. 


1973 - Viagem encantada Pindorama a dentro





Após o título, o Império entrou na avenida com uma grande expectativa. Fernando Pinto assinou seu terceiro carnaval apostando numa temática diferente dos últimos anos. Em "Viagem encantada Pindorama a dentro", o artista tropicalista misturou história e fantasia para contar como era o Brasil antes da chegada dos portugueses. 





Um ano antes de "Rei de França na Ilha da Assombração", de Joãosinho Trinta (dito como o primeiro enredo onírico), Fernando já havia apostado no tal olhar onírico para fatos históricos, tendo como destaque o luxo e o gigantismo. Abusando de adereços de mãos e muito prateado, a apresentação contou o enredo em quatro quadros. A narrativa começava em Pindorama - primeira etapa; passava pela Ilha de Vera Cruz - segunda etapa, chegando à Terra de Santa Cruz, terceira etapa; e, finalmente, o Reino Encantado do Upabuçu, quarta e última fase, onde morava o amor de Iara, personagem principal do enredo. 




Nas materiais da época, Fernando disse que apostou pela primeira vez no uso do isopor, em vez do papel machê, então usado, e do poliéster de fibra de vidro nas esculturas, inserindo, portanto, materiais usados até hoje na confecção das esculturas carnavalescas. Outros destaques estéticos foram o grande arco-íris que anunciava a chegada ao reino encantado e as Iaras com lindas caudas prateadas que reluziram durante o dia.



O samba-enredo teve bons momentos, mas não tinha o mesmo apelo popular do ano anterior. A escola fez um grande desfile e chegou a ser apontada pelos jornalistas da época como grande favorita, mas acabou ficando com o vice-campeonato, perdendo para a Mangueira. 




1974 - Dona Santa, Rainha do Maracatu





Para o cortejo de 74, Fernando Pinto voltou às suas raízes pernambucanas, assim como em seu ano de estreia. Para louvar umas das expressões populares mais famosas da região, o maracatu, o carnavalesco homenageou uma figura lendária e que fez parte de seu imaginário desde a infância: Dona Santa, rainha do maracatu na Nação Elefante durante mais de dezesseis anos. 




Para tentar repetir o sucesso da Iaras prateadas do ano anterior, o carnavalesco apostou numa apresentação toda branca e prata, diminuindo um pouco do verde que dava cor à agremiação. A escolha fez os tradicionalistas virarem o nariz e não encheu os olhos do jurados. O efeito esperado dos figurinos e alegorias para um desfile à noite não foram alcançados, já que a escola desfilou de manhã. A apresentação foi tida como morna pelas reportagens da época, o samba era pouco empolgante e não funcionou. Apesar disso, o Reizinho de Madureira terminou numa ótima terceira posição. 


1975 - Zaquia Jorge, a vedete do subúrbio, estrela de Madureira







Após ao desfile nem tão bem sucedido do ano anterior, o artista imperiano voltou a apostar numa temática popular e kitsch para 75. Após a cantora do rádio e abacaxis, veio uma homenagem a uma personagem do bairro sede da agremiação verde e branca: Zaquia Jorge foi uma vedete que construiu um teatro de revista em Madureira e acabou morrendo de maneira trágica. 




Com o enredo, Fernando voltou a beber numa estética tipicamente popular e multicolorida. Apostou no verde e amarelo da bandeira brasileira, reforçando a brasilidade das revistas da época da homenageada. A narrativa, mais uma vez, fugia de uma simples biografia, sendo apresentada como uma viagem de trem da Central do Brasil até o subúrbio de Madureira. O abre-alas representava uma locomotiva partindo da estação terminal e o desfile seguiu pelos quadros que representavam as próximas paradas da viagem ferroviária, passando por Mangueira e Méier. 




Todos os carros tinham uma estética muito próxima do teatro de revista, abusando das escadarias onde as vedetes faziam suas apresentações, com seus imensos leques de pena. Segundo uma reportagem do jornal O Globo, outro destaque foi o uso de elementos decorativos de grandes estrelas que uniam os diferentes quadros do enredos dando um aspecto onírico e de um grande teatro popular.




Fora a plástica, outra história importante daquele ano aconteceu na disputa de samba. A obra escolhida foi o belo samba de Alvarese, defendido pelo carnavalesco, pois apresentava melhor o enredo proposto. Mas (muitos) outros preferiam a obra de Acyr Pimentel & Cardoso, gravada depois por Roberto Ribeiro, e que acabou se tornando mais conhecido do que a obra vencedora. Apesar da polêmica, o samba-enredo empolgou e fez a escola conquistar mais um terceiro lugar.


1976 - A lenda das sereias, rainhas do mar





O carnaval de 76 seria o único na trajetória de Fernando Pinto a tratar de um tema ligado a temática africana. O enredo sobre "sereias" passeava por diversas divindades ligadas à água na tradição yorubá-nagô, como Yemanjá, Oguntê, Oloxum, Inaê e outras citadas no antológico refrão do samba-enredo. 




Assim como em 73 e 74, o artista voltaria a apostar no prata como cor predominante da apresentação. Os adereços de mão, sempre presentes nos desfiles de Fernando, e as fantasias remetiam aos elementos do mar e animais como peixes, polvos, camarões e cavalos marinhos. A reportagem após o desfile, do jornal O Globo da época, criticou o gigantismo da escola e uso repetitivo das sereias e dos elementos marítimos. Em suma, um trabalho estético que não se destacou, fazendo a escola amargar uma sexta posição, péssima para aqueles tempos. Já o samba composto por Dionel, Arlindo Velloso e Vicente Mattos, entretanto, brilhou na avenida e se tornou um dos mais conhecidos da trajetória imperiana, regravado por ícones musicais como Marisa Monte, sendo reeditado em 2009 pela própria Serrinha. 





1978 - Oscarito, carnaval e samba - Uma chanchada no asfalto




Após o resultado nada satisfatório em 1976, Fernando Pinto se afastou por um ano do carnaval, dedicando-se a sua carreira no teatro e seu trabalho como figurinista e diretor do grupo "As Frenéticas", que explodiu nesse período. Em 78, o carnavalesco dos cabelos cacheados voltaria ao Império Serrano para assinar seu último desfile na agremiação. Após Carmen e Zaquia, criou uma narrativa que homenageava outro personagem popular, o humorista Oscarito. Depois do Rádio e do teatro de revista, ele exaltava, através do eterno parceiro do Grande Otelo, a chanchada, um estilo cinematográfico famoso na primeira metade do século XX no Brasil e depois desprezado pela intelectualidade. 




O enredo apostava numa narrativa alegre e começava homenageando o Circo, onde Oscarito cresceu e teve seu primeiro contato com a arte. Os três quadros faziam um panorama da carreira do ator, começavam exatamente nos "Circos Spinelli e Democrata", depois iam para os famosos teatros da "Praça Tiradentes" e terminavam nos filmes lendários da produtora "Atlântida". As alegorias e tripés apresentavam peças e filmes da trajetória de Oscarito, apostando num multicolorido. Na Avenida, o desfile desandou e o samba pouco inspirado não animou nem componentes, nem a arquibancada. A escola passou arrastada e acabou tendo que correr no final da apresentação; confusão essa que gerou um sétimo lugar e um rebaixamento para o segundo grupo. 

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Por: Jéssica Barbosa

(Arte: Rodrigo Cardoso)

No carnaval de 2018, pela primeira vez, quatro escolas de samba oriundas de torcidas organizadas irão desfilar no Anhembi: Independente Tricolor e Mancha Verde na sexta-feira, Gaviões da Fiel e Dragões da Real no sábado, estarão no mesmo grupo mostrando sua força e que merecem ser tratadas com respeito tal qual suas co-irmãs.

Preparamos um dossiê especial para contar um pouco da trajetória de grandes escolas muitas vezes recriminadas, mas que enchem o mundo do samba de orgulho. Na segunda parte, você acompanha a trajetória estrelada de duas escolas que mexem com o coração do tricolor dos gramados: Dragões da Real e Independente Tricolor.

O VOO METEÓRICO DE UM DRAGÃO
A Dragões da Real foi fundada nos anos 2000 por alguns associados da torcida do São Paulo, foi campeã do grupo 4 da UESP já no seu primeiro ano de desfile com o enredo “Circo Criança, Uma Grande Esperança” dos carnavalescos Marcelo Luis e Paulo Fornias, assim subindo para o grupo 3, passou pelo grupo 2 em 2004 o grupo 1 em 2005 quando foi vice campeã e conseguiu subir para o Grupo de Acesso. Foram 3 anos seguidos ficando em quinto lugar, dois terceiros lugares em 2009 e 2010.

Em 2011 a escola conseguiu seu tão sonhado acesso para o Grupo Especial, se sagrando campeã com o enredo “A Felicidade se Conta em Contos” do carnavalesco Eduardo Caetano. Um desfile leve com fadas e magos na comissão de frente e no abre alas marcou ascensão da escola à elite. A ala das baianas representava bruxas em tons de roxo e rosa já a alegoria mais bonita e colorida era a terceira, que representava a casa de João e Maria feita por doces. O samba era bastante correto, cumprindo seu papel de contar o enredo.

NA BAGAGEM TRAGO O SONHO DE VENCER:
Após alcançar o objetivo de chegar na elite do carnaval paulistano, a Dragões veio falando sobre as mães, trabalho assinado novamente por Eduardo Caetano, entítulado “ Mãe, Ventre da Vida e Essência do Amor”. Para representar a natureza na primeira parte do desfile, a comissão de frente veio com uma proposta muito interessante, uma mulher como a mãe natureza grávida e um elemento alegórico fazendo parte do espetáculo como a árvore da vida.

O abre-alas muito grande em tons de marrom caracterizava a natureza e era lindíssimo! O casal de Mestre Sala e Porta Bandeira, Rubens e Lyssandra, simbolizava as garças da fertilidade com lindas fantasias em vermelho. As baianas eram as mães do samba e em suas fantasias retratos delas mesmas, fantasias luxuosas em vermelho e dourado.
O terceiro carro chamava atenção por seu ótimo acabamento e sua simbologia: as mães de fé que perderam seus filhos e buscaram na religiosidade a força; atrás Nossa Senhora Aparecida como a mãe do Brasil. Mães de Santo e mães de adoção vinham nas alas seguintes. Para dar uma leveza no desfile uma alegoria que trazia mães em situações embaraçosas, como as mães de juízes de futebol e de lutadores.

A emoção voltava ao desfile com a ala “Mães em Oração”, uma lembrança às mães que já faleceram, e logo atrás, no último carro vinha o Dragão, símbolo da escola apresentando as mães da escola. O desfile foi embalado por um samba que funcionou muito bem na avenida na voz de Daniel Collete e a escola ficou em quarto lugar, melhor colocação de uma escola ascendente até então.

Para 2014, a Dragões contratou a carnavalesca multicampeã Rosa Deus Magalhães para desenvolver o desfile sobre os anos 70 e 80, “ Um Museu de Grandes Novidades”. A proposta do enredo era fazer uma viagem por essas décadas, citando filmes, novelas e brinquedos que fizeram parte da vida das pessoas. A comissão de frente teve quase toda a sua apresentação em cima do elemento alegórico que representava um cinema onde as pessoas assistiam ao videoclipe de Thriller, do cantor Michael Jackson.

O abre alas mostrou invenções da época como computador, patins com, na parte de trás uma pintura dos carnavalescos Rosa Magalhães e Fernando Pamplona. A rainha Simone Sampaio vinha vestida de Penélope Charmosa à frente da Bateria Ritmo Que Incendeia, fantasiada de Dick Vigarista.

O segundo carro foi dedicado a música com DJ, pista de dança, integrantes dançando break e performando rock. A ala "Cubos Mágicos" apresentou fantasias muito originais, onde alguns integrantes vestiam roupas imóveis e outros com fantasias que faziam o movimento do brinquedo. As baianas vieram como a boneca Moranguinho, causando um belíssimo efeito nas cores verde, vermelho, roxo, rosa e laranja. 

A penúltima alegoria trazia as Paquitas e a nave da Xuxa, além de um gigante Palhaço Bozo, importantes figuras infantis das décadas. Os filmes fechavam o último setor, com alas representando E.T, Coringa e Star Wars; a última alegoria vinha com gigantes esculturas de personagens de sucesso do terror. Com um desfile muito bem humorado e nostálgico a Dragões conseguiu o quinto lugar, retornando novamente na Sexta das Campeãs.

Para o ano de 2017, a Dragões contratou o intérprete Renê Sobral que estava na Tom Maior, além de mudar também sua linha de enredo. Vindo quase sempre com temas mais lúdicos, a escola resolveu se inspirar na música Asa Branca de Luiz Gonzaga e contar um pouco da história do Nordeste. “Dragões Canta Asa Branca” era o título do enredo, desenvolvido pela comissão de carnaval formada por Dione Leite, Jorge Silveira, Márcio Gonçalves e Rogério Félix.

Com um dos melhores sambas da safra e, pode-se dizer, o melhor da escola, muito bem interpretado pelo ótimo Renê Sobral, a Dragões veio forte buscando o título. O abre alas representava a fé, com um gigante esqueleto de Dragão a frente e uma capela atrás com muitos detalhes. As alas seguintes representavam animais do sertão, como calangos e serpentes da caatinga; esses que vieram simbolizados no segundo casal da escola.

O destaque do segundo carro foi o mandacaru com um tom vibrante de verde, sua flor foi representada por bailarinos, componentes vestidos de calangos subiam e desciam nas laterais do carro. A ala dos retirantes, que também chamou atenção pela coreografia e teatralização muito bem ensaiadas, mostrava o sofrimentos das pessoas por deixarem sua terra. Em seguida, a alegoria “Transportando Sonhos”, apresentava um caminhão 'Pau de Arara' na parte da frente estava decorada por retratos familiares. Compondo o carro, vários integrantes faziam coreografias. Gaiolas, redes, placas e malas também faziam parte da decoração. 

O próximo setor do desfile mostrava toda a cultura nordestina com a ala "Sanfoneiros", além do artesanato em palha, cujo costeiro da fantasia foi concebido na própria palha. As alas "Frevo", "Maracatu" e "Congada" se alternavam em cores fortes e mais claras. Chegando ao fim do desfile com o Nordeste em festa, a última alegoria apresentava uma grande fogueira. O destaque desse carro vai para os componentes formando a fogueira com tecidos leves que, com a ajuda de um ventilador, subiam e desciam, causando um efeito que esquentou (com o perdão do trocadilho) as arquibancadas do Anhembi.

Um desfile impecável em fantasias e alegorias. A bateria, que brincava fazendo bossas e paradinhas remetendo a música nordestina, deu um show, além do samba muito cantado por todos os componentes da escola e um enredo muito rico em cultura, mostrou que a Dragões não era mais uma promessa de escola grande e sim uma concretização. Apesar do grandioso desfile, a Dragões da Real ficaria sem o título na última nota. O vice-campeonato foi muito festejado pela comunidade, que vem forte e no caminho certo para buscar seu grande sonho: o primeiro título do carnaval paulistano!


UM FUTURO INDEPENDENTE
Tendo sua história no carnaval iniciada oficialmente em 2009, a Independente Tricolor é uma escola jovem mas que já acumula bons resultados e no ano de 2017 irá fazer sua estreia na elite do carnaval de São Paulo.

Seu primeiro desfile pela UESP ocorreu em 2010 com o enredo “São Paulo, Hábitos e Tradições”, conseguindo o primeiro lugar e subindo para o Grupo 3, onde ficou até 2012, quando vice-campeã, atingiu o Grupo 2. Em 2013 e 2014, ascendeu meteoricamente chegando ao Grupo de Acesso. Em 2016, por pouco a escola não se sagrou vice-campeã e ascendeu ao Grupo Especial: ficou com a terceira colocação com o enredo “O que Conta no Faz de Conta?”.


EU QUERO VER A ESPERANÇA RENASCER:

2017 chegou e a Independente buscou nas mentiras a inspiração para o enredo. O desfile abordou as mentiras contadas por políticos e sobre os contos infantis com seus personagens mentirosos.

O desfile começa pelo mentiroso mais famoso do cinema: Pinóquio, que vinha na comissão de frente. O abre alas foi uma dura crítica ao sistema político brasileiro, que retratava o planalto como um lugar cheio de mentirosos, com ratos de ternos saindo das laterais e uma grande cabeça de palhaço no topo da alegoria. 

A ala seguinte era sobre as pessoas que ficam cuidando da vida alheia espalhando mentiras, as fofoqueiras. O casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Cley Ferreira e Lenita Magrini, vinha representando Lobo Mau e Chapeuzinho Vermelho. A fantasia dela chamava a atenção por ser toda em vermelho e com um capuz na cabeça, primorosamente confeccionada. 

O segundo carro trazia de volta ao desfile o personagem Pinóquio, que vinha representado em madeira na frente da alegoria e como menino acima, contando um pouco do conto do mentiroso. Histórias contadas para crianças também marcaram o desfile, como as alas "Loira do Banheiro" e "Bicho Papão". Já no penúltimo carro, a cegonha foi retratada.

O terceiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira simbolizava a natureza mentirosa, onde animais enganam predadores e se camuflam para sobreviver, como o camaleão, que estava presente em mais uma ala. Várias plantas carnívoras estavam na última alegoria, fechando o desfile. O samba composto pelos intérpretes Pê Santana e Rafael Pínah era de fácil compreensão e muito bem cantado pelos membros escola, fazendo com que a escola se sagrasse vice-campeã e subisse ao Grupo Especial.

Para seu primeiro desfile na elite, a Independente trará o enredo “Luz, Câmera e Terror...Uma Produção Independente” retratando filmes e lendas de terror.

Apesar de ser uma escola muito jovem e dando seus primeiros passos entre as grandes, a Independente Tricolor mostra através de enredos e sambas que está no caminho certo para trilhar uma linda história no carnaval.
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Por: Jéssica Barbosa
Arte: Rodrigo Cardoso
No carnaval de 2018, pela primeira vez, quatro escolas de samba oriundas de torcidas organizadas irão desfilar no Anhembi: Independente Tricolor e Mancha Verde na sexta-feira, Gaviões da Fiel e Dragões da Real no sábado, estarão no mesmo grupo mostrando sua força e que merecem ser tratadas com respeito tal qual suas co-irmãs.

Preparamos um dossiê especial para contar um pouco da trajetória de grandes escolas muitas vezes recriminadas, mas que enchem o mundo do samba de orgulho. Na primeira parte, você acompanha Gaviões da Fiel e Mancha Verde. 

A TRADIÇÃO ALVINEGRA
Foi em 1975 quando a torcida organizada do Corinthians, após desfilar por alguns carnavais como ala no Vai-Vai, ganhou um bloco carnavalesco para chamar de seu. Um ano depois, em 1976, o bloco foi campeão com o enredo “Vai Corinthians”. Foram 12 títulos (1976 a 1979 - 1981 a 1988) e um vice campeonato em 1980 em 13 anos, o que chamou a atenção da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, que, mais tarde, em 1989, a convidou para fazer parte do Grupo 1 (atual grupo de Acesso) do carnaval paulistano.

Já no seu primeiro ano como escola de samba, conquistou um vice-campeonato no Acesso com o enredo “Preto e Branco na Avenida”, conseguindo a ascensão para o Grupo Especial. Mas foi em 1994 que a escola, até então novata, se viu perto do título inédito. Contando o enredo “A Saliva do Santo e o Veneno da Serpente”, desenvolvido pelo carnavalesco Raul Diniz, que ficaria na escola até 1997, o tema contava a história do tabaco a partir de uma lenda do Oriente com o profeta Maomé. Os Gaviões, neste mesmo desfile, trouxeram na parte final do desfile, uma mensagem sobre a conscientização do uso de cigarros: uma ala vestida de caveira apresentava a morte e logo em seguida o último carro, o mais criativo e impactante do cortejo, mostrava novamente uma caveira, desta vez com um cigarro na mão e atrás um crânio com válvulas do coração mostrando os perigos do fumo. O samba é cantado até os dias de hoje, entretanto não agradou um dos jurados que deu nota 6 em melodia. Esta nota levou a escola ao segundo lugar, atrás da campeã Rosas de Ouro.


SOU GAVIÃO, LEVANTO A TAÇA:

Engasgada com o carnaval anterior, a Gaviões da Fiel vinha para 1995 falando de momentos alegres que ficam em nossa memória. “Coisa Boa é Pra Sempre” era o título do enredo, de autoria do carnavalesco Raul Diniz, trazia brincadeiras infantis e as paixões da vida.

A primeira parte do desfile era sobre o jubileu de prata da escola. Na Comissão de Frente vinham palhaços simbolizando a magia do mundo infantil. Já o abre-alas, todo em preto, branco e prata, trazia um grande número 25 em cima, lembrando o aniversário da escola. A segunda alegoria trazia o esporte, com a taça do tetracampeonato brasileiro do Timão e uma homenagem ao piloto Ayrton Senna, falecido um ano antes. Mas, sem dúvidas, a alegoria mais bonita era a que remetia ao Circo. Trazendo muitos palhaços e um elefante logo na frente, chamava atenção pelo seu tamanho e belíssimo acabamento. O final do desfile foi a coroação máxima da felicidade, com um carro que mostrava a maior alegria de um folião: o carnaval.

O grande trunfo deste desfile foi o memorável samba-enredo composto por Grego. Considerado, não apenas um dos sambas mais lembrados pela escola, mas também pelo carnaval paulistano no geral. Quem nunca cantarolou “me dê a mão, me abraça, viaja comigo pro céu…”? Esse samba conquistou o público antes mesmo do desfile, sendo o mais tocado nas rádios da cidade naquele ano, o que chamou a atenção da mídia para os desfiles. O samba foi tão aclamado que tocava em rodas de samba do Rio de Janeiro, fazendo o inesquecível Jamelão regravá-lo. Terminando seu desfile aos gritos de “é campeão”, o resultado final não poderia ser outro: os Gaviões da Fiel eram, pela primeira vez, campeões do carnaval de São Paulo, com um desfile histórico que marcou o carnaval paulistano!

O segundo título veio quatro anos depois, em 1999, com o enredo “O Príncipe Encoberto ou a Busca de Dom Sebastião na Ilha de São Luís do Maranhão”, do carnavalesco Roberto Szaniecki. O desfile contava a lenda de que Dom Sebastião não teria morrido após uma guerra, e seu exército estaria a sua procura. Um enredo muito bem contado que passeou pela fé e pelos motivos que levaram D. Sebastião à guerra contra os mouros, as reconquistas de Portugal, as colônias por onde o procuraram até a chegada ao nordeste brasileiro mostrando os fatos históricos que estavam ocorrendo naquelas regiões, juntamente com a lenda de que Dom Sebastião estaria submerso junto com seu exército em um reino mágico, parte que deixou o cortejo momesco com cores mais claras com o azul e branco. As alegorias eram de fácil entendimento e muito bem feitas, assim como as fantasias, naquele que, talvez tenha sido um dos melhores enredos da escola, muito rico em história e cultura. Com um belo e correto samba, composto por Alemão do Cavaco, José Rifai e Ernesto Teixeira, os Gaviões empataram com o Vai Vai em 299.5 pontos e o título foi dividido entre as duas agremiações.

O terceiro título da escola do Bom Retiro chegaria em 2002, já com o carnavalesco Jorge Freitas. O enredo fazia uma crítica social comparando o momento em que o Brasil vivia a um jogo de xadrez com o título “Xeque-Mate”.

O desfile começava contando a origem do Xadrez pela Índia e como o jogo ficou popular nas Arábias. A crítica social começa pela ala “Monstros do FMI”, seguindo para o mais criativo carro do desfile, a quarta alegoria vinha toda preta com várias caveiras, que representavam os países ricos segurando e controlando o peão, a mais frágil do jogo, metaforizando os países de terceiro mundo. Você quer crítica social f***, @? A parte de trás do carro dava um contraste, vindo em tons claros, simbolizando a esperança. Por fim o último carro trazia um rei que dava um xeque-mate em todas essas injustiças e impunidades.

Já em 2003, a escola conquistou seu bicampeonato falando do Brasil com “ As Cinco Deusas Encantadas na Corte do Rei Gavião”, que mostrava as belezas das cinco regiões brasileiras. A Comissão de Frente mostrava a força do carnaval paulistano como os ‘anunciantes da folia’. As fantasias traziam os nomes de todas as co-irmãs. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Michel e Ildely, veio como o coração da escola, vestindo lindas fantasias em vermelho e branco. O segundo carro fazia referência a região centro- oeste, trazendo consigo uma escultura de uma mulher com cabeça de pássaro e asas, com vários animais da região nas laterais. O ponto alto do samba, composto também por Grego, era o refrão de meio, que exaltava o carnaval do Rio de Janeiro e o de São Paulo.


LEVANTA, SACODE A POEIRA E DÁ A VOLTA POR CIMA:

Após um rebaixamento muito contestado em 2006, a escola voltou aos bons resultados quando contratou o carnavalesco Zilkson Reis, em 2009. Foram três anos seguidos voltando aos desfiles das campeãs. No ano de sua chegada, a escola acertou em cheio na escolha do enredo e do samba, que contavam a história da roda. O desfile conquistou o quarto lugar.

Já em 2010, cantando o centenário do Corinthians, a escola emocionou e garantiu a volta na Sexta das Campeãs com o quinto lugar.

2011 foi o ano em que os Gaviões homenagearam Dubai, destacando-se a bela Comissão de Frente, também ficando na quinta colocação.


A TI SEREI FIEL: 

O intérprete Ernesto Teixeira está na escola há 37 anos. Ele começou em 1980 como passista, nos anos de 1983 e 84 desfilou na bateria até que, em 1985, quando o intérprete oficial não pode comparecer no desfile, Ernesto foi chamado para substituí-lo. Desde então, o microfone principal da alvinegra é comandado por ele, nunca tendo desfilado por outra escola. Foi ele que, em 2000, convidou Jorge Freitas, que estava no Rio de Janeiro, a assumir o posto de carnavalesco da escola. 

Os Gaviões tiveram extrema importância no crescimento do carnaval de São Paulo, assim desejamos que a escola volte a reencontrar suas glórias e vitórias.


MEMORÁVEIS DESFILES EM VERDE E BRANCO
Fundada como bloco carnavalesco em outubro de 1995, a Mancha Verde desvinculou-se da torcida organizada do Palmeiras para ser considerada apenas escola de samba. Seu primeiro desfile como bloco, no ano de 1996, lhe daria o segundo lugar com o enredo “Sinal Verde Pra Vida”. Em 1997 e 1998 conquistaria seu bicampeonato como bloco. Já em 99, conseguiria mais um vice-campeonato, chamando a atenção por suas conquistas como também pelo fato de seu samba cantado ser por Quinho, intérprete da Grande Rio naquela época

.Seu primeiro desfile como escola de samba foi no ano 2000, com um enredo sobre os 500 anos do Brasil: “Brasil, Que História é Essa” ficou com o segundo lugar no terceiro grupo da UESP. Após passar pelos grupos 2 e 1A nos anos de 2001 e 2002, a Mancha conseguiu se sagrar campeã do Grupo de Acesso no ano de 2004, com o enredo “A Saga Italiana na Terra Paulistana”. onde a escola contou a chegada dos imigrantes a São Paulo, a economia, cultura e o esporte. O desfile trouxe uma estética muito bonita, grande trabalho do carnavalesco Eduardo Caetano, conquistando, com muita justiça, o direito de desfilar pelo Grupo Especial de São Paulo.

Estreando na elite do carnaval paulistano em 2005, a Mancha trouxe a história do estado do Mato Grosso, num dos mais lindos sambas da escola, cantado por Vaguinho. O desfile surpreendeu a todos pela grandiosidade de uma escola que sequer havia chegado no grupo. Eduardo Caetano assinara seu segundo carnaval pela Mancha, saindo de lá após o desfile de 2005 e retornando para assinar o carnaval de 2008. O início do desfile foi pela pré-história, com um abre-alas composto por muitos dinossauros, seguindo o desfile com a formação geográfica do estado e seus primeiros habitantes. Também foi mostrada a fauna e flora do estado, um dos mais ricos em beleza natural no país. A escola terminou na décima segunda colocação. O enredo foi reeditado em 2016, quando a escola retornou ao Acesso. Naquela oportunidade, a Mancha Verde sagrou-se campeã.


GRUPO DESPORTIVO

Em 2006, ficou decidido pela Liga-SP que a Mancha Verde, juntamente com os Gaviões da Fiel, iria desfilar em um grupo separado de escolas oriundas de torcidas organizadas. Dias antes do desfile oficial, os Gaviões conseguiram uma liminar que os permitia desfilar junto com as outras escolas, disputando o título. Entretanto, o mesmo direito não foi concedido para a Mancha, fazendo-a desfilar sozinha naquele ano e assim sagrando-se campeã do Grupo Desportivo.

Não se deixando abater por essa decisão, a Mancha Verde fez um desfile arrebatador contando o belíssimo enredo “Bem Aventurados Sejam os Perseguidos, Por Causa da Justiça dos Homens...Porque deles é o Reino dos Céus”, do carnavalesco Cláudio Cebola, a Mancha criticou as intolerâncias do mundo. A Comissão de Frente encenou o trajeto seguido por Jesus Cristo carregando a cruz na Via Crúcis, parte mais forte do desfile. A segunda alegoria relembrava a histórica cena de quando um garoto entrou na frente de um tanque de guerra tentando pará-lo na praça da Paz Celestial na China. O terceiro carro fazia um contraste, trazendo um grande Buda no meio, acima uma escultura do Papa João Paulo II e a frente puxando a alegoria, dois tanques de guerra na cor branca cujo canhões jogavam flores ao invés de munição. Outro momento muito emocionante foi a ala que representava o sofrimento dos escravos, com eles acorrentados. O última carro fazia uma linda homenagem a Dona Norma, mãe do presidente Paulo Serdan que havia falecido naquele ano, com sua escultura sendo coroada, fechando um dos mais belos desfiles que já passaram pelo Anhembi.

No ano 2007 a Mancha mais uma vez desfilou sozinha sendo declarada campeã, mas com a diferença de ter conseguido participar dos desfiles das campeãs. Em 2008 o grupo foi extinto permitindo que a escola disputasse o título junto às outras agremiações.


EM VERDE E BRANCO QUERO ETERNIZAR:

Em 2010 a Mancha Verde fez uma homenagem ao ensino, “Aos Mestres com Carinho! Mancha Verde ensina como Criar Identidade”. O início do desfile trazia a Grécia como o berço da sabedoria. Já a segunda parte homenageia a China e seus ensinamentos sobre o equilíbrio, com uma alegoria muito bonita e grandiosa, a escola ainda mostrava toda a sabedoria dos índios e a importância da tecnologia no conhecimento. O último carro fazia uma homenagem aos mestres dos sambas e a própria escola de samba, na frente do carro um enorme Mancha tocando seu característico surdo. O samba que era muito pra cima não deixou o desfile esfriar em momento algum, era puxado por Vaguinho e pelo estreante Celsinho Mody.

No ano de 2011 a Mancha contratou o carnavalesco Magoo, e vinha com mais um excelente samba, homenageando gênios imortais “Uma Ideia de Gênio” esses que viriam logo no início do desfile saudando o público na comissão de frente, entre eles, Einstein, Leonardo Da Vinci, Santos Dumont, Picasso entre outros:

O abre alas mostrava o criação do universo, com um homem feito do barro a frente. O segundo carro e mais interessante mostrava toda a genialidade de Da Vinci, na frente a reprodução do seu desenho mais famoso, o Homem Vitruviano, no alto do carro uma destaque representava Mona Lisa, as laterais do carro estavam decoradas por outras de suas pinturas. Os gênios da tecnologia como Steve Jobs e Bill Gates também foram representados por algumas alas. Uma ala coreografada representava Romeu e Julieta em uma homenagem à Shakespeare.

Com um final de desfile muito simbólico mostrando o desejo dos gênios que sonham com um mundo melhor, sem intolerância, sem fome, o último carro trazia o conto Mil e Uma Noites. Um lindo desfile que a deixou em quarto lugar mais uma vez.

“Pelas Mãos do Mensageiro do Axé, a Lição de Odú Obará A Humildade” era o enredo da Mancha para o carnaval de 2012, tendo como base a história de Odú Obará, um babalorixá que mesmo sendo menosprezado por seus irmãos por conta de sua simplicidade nunca perdeu sua bondade, a escola falava sobre humildade e a necessidade de preservar o planeta. O samba um dos melhores do ano foi muito bem defendido por Freddy Vianna e toda a ala musical da escola, o desfile continha tanta emoção que ainda na concentração se via componentes às lágrimas.

Pela comissão de frente 14 bailarinos representando 14 Orixás, vestidos com as cores de seus respectivos Deuses Africanos. O abre alas retratava um mundo em destruição, com peixes mortos, a poluição dos mares, uma alegoria feita para chocar o público com a realidade. Um dos destaques do desfile foi o casal de mestre sala e porta bandeira, Jéssica e Fabiano,que vinham representando o candomblé, a fantasia dela em branco com detalhes em marrom simbolizava um tabuleiro de búzios muito bem feito.

A parte central do enredo começa pela ala “ Odú Obará e sua simplicidade”, onde Odú foi ignorado por seus irmãos por não se deixar levar por luxos. A terceira alegoria era a casa humilde de Odú, contando a história de quando ele ofereceu abóboras para seus irmãos e os mesmos a recusaram sem saber que dentro de cada uma delas continham jóias, o carro era enfeitado por essas abóboras e as riquezas eram representadas por mulheres. O quarto carro trazia os presentes do Criador, com esculturas de alguns Orixás. E a última alegoria do cortejo veio como o oposto da primeira, em vez de peixes mortos animais saudáveis, a preservação da natureza e o mundo com qual sonhamos. A escola terminou a apuração também em quarto lugar.


INJUSTIÇAS NÃO VÃO ME DETER:

Em 2013 a Mancha resolveu homenagear um dos maiores nomes da arte brasileira, Mário Lago, tentando dar sequência aos ótimos resultados dos anos anteriores.  A escola conseguiu juntar um agradável samba com um desfile leve, divertido e muito colorido. Contando muito bem a trajetória de Maria Lago, como a vida no bairro da Lapa no Rio de Janeiro, seu amor por Dona Zeli, os trabalhos no teatro, cinema e televisão. Um desfile extremamente bem feito, que com méritos poderia ter conseguido as primeiras posições, mas surpreendentemente e como uma das maiores injustiças do carnaval de São Paulo a escola foi rebaixada.

A escola sofreu com mais um rebaixamento em 2015, voltando ao Especial em 2017 com um enredo sobre os Josés do Brasil, ficando apenas com a 10ª colocação no grupo

Fica o desejo para que escola volte a nos presentear com belos desfiles e que injustiças não interrompam sua trajetória.
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por Leonardo Antan e Beatriz Freire


Desde seu surgimento, o carnaval das escolas de samba sempre se relacionou diretamente com o poder público. O Estado e as agremiações travaram relações de diálogo, de controle, mas também de negociações. Como protagonistas de suas próprias histórias, as escolas de samba nem sempre foram apenas controladas, mas de maneira típica da malandragem em que o samba se criou, conseguiram muito bem alcançar seus objetivos. No Dossiê de hoje, o Carnavalize explica um pouco melhor como se deu a ligação entre as escolas de samba e o Estado ao longo de tantos anos.

 Pedro Ernesto e a oficialização

Posse do prefeito Pedro Ernesto.


O surgimento das escolas de samba em 1930 está profundamente ligada a atuação do prefeito do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, de sua época. Pedro Ernesto, aliado do presidente Getúlio Vargas e populista, viu na folia uma fonte de renda para a cidade e de votos para seu mandato. Sua relação com a festa foi íntima, já no primeiro carnaval sobre seu mandato o evento recebeu o tratamento de principal atração turística da cidade. Organizando todos os festejos no calendário da cidade, não houve distinção, tantos as manifestações mais nobres, como os corsos e a grandes sociedades, como as mais populares, como os ranchos, blocos e banhos de mar a fantasia, entraram no calendário. Houve ainda a criação do tradicional baile do Teatro Municipal. 



Se hoje, pode-se achar estranho os desfiles estarem relacionados a pasta do Turismo e não da cultura, essa relação é histórica e iniciada nesse momento. Durante a década de 1930, a prefeitura do Rio de Janeiro não mediu esforços para desenvolver sua política, na tentativa de se aproximar das classes populares cada vez mais, a Municipalidade oficializou o carnaval. Além de apoiar as sociedades carnavalescas, concediam ajuda financeira para a organização das festas. Estabelecendo uma aliança com a imprensa e os sambistas, a prefeitura realizou propagandas em outros países para atrair turistas para a capital do Brasil durante a festa popular. 


A criação da UES e o seu regulamento

Desfile das escolas e samba nos anos 1940.

Com o primeiro desfile realizado em 1932, as escolas rapidamente se organizaram criando sua primeira liga institucionalizada em 1934. Quando surgiria a União das Escolas de Samba (UES), com um regulamento severo que constava a proibição dos instrumentos de sopro e obrigatoriedade da alas das baianas. Os dois itens curiosos garantiam o desejo da escola de samba de aderir o projeto nacional de criação de uma identidade nacional. Neste contexto, as escolas se tornariam as legítimas representantes da cultura nacional, representando o "verdadeiro samba." O primeiro concurso oficial entre escolas de samba ocorreu em 2 de março de 1935, domingo de carnaval, na Praça Onze. A vencedora foi a Portela, ainda chamada de Vai como Pode, com o enredo “O samba dominando o mundo”. 

A primeira verba

A decoração da Praça Onze durante o carnaval de 1959 - Agência O Globo/

A UES buscava manter um bom relacionamento com a prefeitura. Se, por um lado, Pedro Ernesto oficializou os desfiles e distribuiu subsídios às escolas, por outro, a UES, sempre que podia, declarava seu apoio ao prefeito, seja em festas, discursos e até nos desfiles. Além disso, não perdia a chance de agradecer pelo apoio e reconhecimento. À época, a prefeitura liberou dois contos e quinhentos réis para que a UES dividisse entre as 25 escolas de samba inscritas no concurso, que naquele ano foi promovido pelo jornal A Nação. O primeiro carnaval de atuação da UES foi em 1935. No mesmo ano em que foi criada a União das Escolas de Samba, também foram criados o Departamento de Turismo no Distrito Federal e a Comissão de Turismo da prefeitura do Rio de Janeiro. Nesse sentido, o apoio oficial pioneiro dado pela prefeitura ao desfile das escolas de samba, em 1933, fazia parte da estratégia inovadora de mudar a imagem do Estado de repressor a aliado, mas, por outro lado, também tinha um intuito eleitoreiro de curto prazo.

Getúlio Vargas e projeto populista

Desfile militar em prol do governo Vargas.

No braço político, o governo de Getúlio Vargas traria o projeto da construção de uma imagem do "Brasil" a ser exportada. O panorama social da época girava em torno da tentativa de inserção e aceitação sociocultural pelos quais os negros, marginalizados até então, lutavam; do outro lado, havia um Estado de caráter disciplinador, tentando organizar os espaço das ruas e as camadas consideradas provedoras da desordem. A forma achada para a aceitação do batuque, das festividades essencialmente negras e brasileiras, e da voz que o morro queria expor foi a negociação com o Estado. 

As agremiações sempre buscaram os buracos do diálogo, em claros moldes que passeavam entre a concessão e o controle estatal. As temáticas nacionais, por exemplo, provam essa relação durante a Era Vargas; não foram especificamente impostas pelo Estado, mas se alinhavam perfeitamente ao objetivo de exaltação à pátria em um momento que o Nacionalismo era uma característica a ser esculpida e aperfeiçoada no Brasil. A não-obrigatoriedade somado ao fato da realização, ilustram muito bem o encaixe das escolas de samba em situações favoráveis à sua aceitação. Foi a forma encontrada para que os sambistas, majoritariamente negros, conseguissem legitimar, finalmente, a sua herança, mesmo que em uma relação de submissão. Nesse contexto, se destacou a Portela com enredos patrióticos que garantiram a impressionante marca de seu famoso hepta-campeonato. 


Anos de Chumbo: o caso Heróis da Liberdade



Os anos 60, da Revolução de Pamplona no Salgueiro, da estética e das temáticas diferenciadas desde então que o carnaval apresentava, de forma geral, também foi alvo da censura da nuvem que sombreou o Brasil por vinte e um anos. A chegada da Ditadura Militar pelo Golpe de 1964, muito interferiu na festa carnavalesca. O regime se tornava cada vez mais autoritário e a mão da opressão vinha forte na censura; as escolas de samba, já consolidadas, não escapariam do alvo do Regime, já que também eram as vozes da sociedade e do momento político que o Brasil vivia, inclusive de seus descontentamentos com a morte da liberdade em seus variados sentidos. 

Pouquíssimo tempo depois do marcante AI-5, o Império Serrano desafiou a norma vigente da obediência, como foi feito em alguns casos durante o período, e desfilou o enredo Heróis da Liberdade. Em um trecho do antológico samba de Silas de Oliveira e Mano Décio da Viola, a Serrinha cantou "Essa brisa que a juventude afaga / Essa chama / Que o ódio não apaga pelo universo/ É a evolução em sua legítima razão". A verdade é que a evolução foi o disfarce. A letra original continha explicitamente em sua letra a palavra "revolução", termo carregado de significância, mais do que o habitual, pro momento à época. Como esperado, a censura exigiu a troca, e aviões sobrevoaram o desfile do Império Serrano naquele ano, numa tentativa de abafar os desfiles. As tentativas, porém, foram falhas para uma escola com chão forte e que gravou sua coragem nas páginas de nossa história. 

A Beija-Flor e os enredos chapa-brancas



Com o governo ditatorial, as escolas de samba seriam novamente vistas como verdadeiros outdoors políticos. Em 70, o presidente da Associação das Escolas de Samba, Amauri Jório, fez uma viagem à Brasília, com o desejo de conseguir apoio financeiro para as agremiações. Com isso, durante os anos de chumbos, várias agremiações iriam de encontro aos ideais de desenvolvimento do Brasil nos anos 70, com o chamado "milagre econômico". Nesse contexto, a Beija-Flor ficaria marcada por enredos como "Grande decênio" e "Brasil anos 2000", mas ela não seria a única a promover esses tipos de desfiles. O samba da Imperatriz em 1972, sobre "Martin Cererê", também iria de certa forma as desejos do governo: "gigante pra frente, a evoluir". Além de enredos da Caprichosos de Pilares (Brasil, a flor que desabrocha), Império da Tijuca (Brasil, explosão do progresso), entre outras como Manguinhos e Unidos de Lucas. 

A chegada da contravenção 

Famosos bicheiros envolvidos com a folia: Castor de Andrade, Anísio Abraão David e capitão Guimarães.


Os anos 1970 marcariam ainda o estabelecimento definitivo de um novo cenário entre a relação das escolas com poder público. Despontariam nas escolas a figura dos bicheiros que usavam as escolas como forma de lavar dinheiro e de limpar sua imagem perante a sociedade, com liberdade para circular nos dias de folia. Desde Natal da Portela e depois com Osmar Valença no Salgueiro, a relação de algumas escolas com o poder paralelo já era estreita e se intensificou com a chegada de figuras que serviram para alavancar o crescimento das escolas e a lógica do espetáculo. Nesse cenário, as "três irmãs" (Mocidade, Imperatriz e Beija-Flor) que venceram os grupos das "4 grandes" (Portela, Mangueira, Império Serrano e Salgueiro) que se revezavam no poder, contaram todas com o apoio de seus patronos para contratar os melhores carnavalescos e conseguir bons resultados. No Mocidade, a figura carismática e controversa de Castor de Andrade fez história; na Beija-Flor, se instalou a família Abraão David e na Imperatriz, a Drummond. 

Anos 80: revolucionária e Diretas Já



Dez anos após louvarem o governo ditatorial, o discurso das escolas de samba mudaram junto com o cenário sócio-político. Num raro momento de sua história, as escolas se voltaram contra o poder estabelecido em prol de ecoar na avenida o grito pelas "Diretas-Já" na metade dos anos 1980. Tudo começou no primeiro ano da década, quando Fernando Pinto em sua "Tropicália Maravilha", escreveu "Anisita", aprovada um ano antes, na alegoria que trazia representada o Congresso Nacional em meio as onças e feijões com composições trajadas com as siglas de partidos políticos.



Em 1984, o rei da crítica política carnavalesca, Luiz Fernando Reis, colocaria de vez o pé na porta ao trazer um carro que clamava pelas "Diretas Já". A Caprichosos cantaria a "saudade dos tempos que o povo escolhia diretamente o presidente", junto a ela, a São Clemente também se caracterizaria por levar temas críticos e afiados. As duas foram seguidas pelas demais e o carnaval de 1986 marcaria esse processo. Primeira folia após o fim oficial do regime, as escolas gozaram da maior liberdade temática, quase todas as escolas levariam em seus enredos e sambas alguma menção ao contexto da época. 

Brizola e a construção do Sambódromo



Em tempos da lenta, gradual e segura abertura que o regime militar fazia para os caminhos da redemocratização, o governador Leonel Brizola e seu vice, Darcy Ribeiro, foram nomes importantes para o futuro das escolas de samba. Da parceria surgiu a ideia de construir um lugar próprio para a realização dos desfiles, com a justificativa de que o processo de montar e desmontar as arquibancadas era um processo caro, além de tirar o aspecto popular do carnaval, já que eram cadeiras. A ideia veio aliada a uma proposta educacional de abrigar um complexo educacional sob as arquibancadas ao longo de toda a passarela do samba. Foi a forma que encontrou-se de cuidar de duas questões importantes para a cidade: a educação e os gastos do Carnaval. 

Esquema empresarial e enredos patrocinados

Foto de luxuoso camarote da Sapucaí.

Com a criação da LIESA em 1985, tentaria-se implementar na festa um modelo empresarial que buscava vender o carnaval espetacular, afastando as camadas mais pobres dos desfiles. O quesito passou a mandar, e a Imperatriz passou a conhecer as regras do jogo e garantir vários campeonatos. A lógica foi seguida pela Beija-Flor nos anos 2000, e posteriormente pela Unidos da Tijuca, que ficariam conhecidas como "escolas técnicas." 

O icônico desfile patrocinado da Porto da Pedra em 2012.

Neste sentindo, as escolas de samba também ganharam o caráter de verdadeiros outdoors coloridos na Avenida, servindo como fonte de marketing e propaganda para as mais diversas marcas, produtos e até mesmo locais, cheios de estratégias econômicas e políticas. As divulgações sempre vieram acompanhadas de uma ajuda de custo, um patrocínio com boa quantidade de dinheiro para ajudar as escolas de samba. O problema, no entanto, é que muitas escolas, a exemplo da Unidos da Tijuca, sacrificaram suas notas no quesito enredo em nome da ajuda monetária de empresários. A Sapucaí, apesar de ser palco de grandes ensinamentos extremamente necessários ao nosso intelecto, muitas vezes se confunde com um grande site de anúncio ou com um mapa geográfico. O problema dos patrocínios foi o crescimento mais do que exagerado da festa, atingindo patamares encantadores aos olhos, mas problemáticos em sua estrutura. O que poderia ser uma fuga ao modelo de dependência ao poder público acabou se revelando como um novo e perigoso vilão.

César Maia e a Cidade do Samba

O busto de César Maia na Cidade do Samba.

Quem for à Cidade do Samba, entrando pelo portão principal de frente para o Porto Maravilha, dará de cara com um busto em bronze. Os mais desavisados podem achar, ainda de longe, que se trata a uma homenagem a algum grande sambista ou personalidade do carnaval, mas ao se depará com a placa logo abaixo da estátua verá o nome de César Maia. A homenagem é icônica no sentindo de entender a relação morde e assopra das escolas com o poder público, César Maia foi prefeito do Rio em várias oportunidades entre os anos 90 e 2000. Colocou seu nome na história da folia, ao inaugurar em 2005, a Cidade do Samba. Amplo e multiuso, o prometido espaço dedicado aos barracões da escolas marcaram o fim da peregrinação das agremiações pelos imundos e insalubres barracões improvisados localizados na zona portuária. Seria o reforço da chegada empresarial e industrial das escolas, ao longe de mais de 10 anos de utilização do espaço, ele se tornou sub-aproveitado pelas escolas e sem o aproveitamento do uso possível do lugar.

O prefeito pega no chocalho 



Como todo político, Eduardo Paes teve pontos irregulares e bastantes questionáveis enquanto prefeito do Rio de Janeiro. Porém, sob o ponto de vista cultural, principalmente das escolas de samba, não apresentou grandes problemas, sendo, inclusive, um declarado torcedor da Portela e admirador do festejo. Em 2010, algumas escolas foram bonificadas por uma reforma geral em suas quadras em troca do uso do espaço para eventos e projetos das secretarias da Educação e da Cultura. Em 2012, no âmbito da preparação para os Jogos Olímpicos de 2016, reformou o Sambódromo da Marquês de Sapucaí com a construção de novos módulos de arquibancada. Bom ou ruim aos julgamentos do povo, a realização do acordo estreitou a relação entre as agremiações e a prefeitura, garantindo, mais uma vez, o papel de instituições importantes para o desenvolvimento da cidade como um todo. Chamaram atenção ainda uma série de enredos em louvor a cidade, muitos feitos pela sua história de coração: a Portela, mas também levado a cabo por escolas como a Estácio de Sá e a União da Ilha. 

A chegada do Bispo 

Os dirigentes de algumas agremiações apoiaram a candidatura de Marcelo Crivella.

As eleições para a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro foram calorosas. Como todo político em sua campanha, o candidato Marcelo Crivella, conhecido pela sua ligação mais do que forte com a Igreja Universal do Reino de Deus, também apresentou suas propostas às escolas de samba, parte importante da cultura e, de forma ou outra, da economia do Rio de Janeiro. Sempre questionado por seus gostos particulares e a mistura entre política e religião, Crivella manteve seu discurso habitual de que os assuntos eram pontos distintos e que a subvenção às escolas de samba permaneceria intocada. A questão é que após a negociação da LIESA e das próprias escolas com o Bispo e seus projetos, a palavra que foi dada, infelizmente, não foi cumprida.

Há poucos dias o prefeito anunciou o corte de 50% da subvenção do Grupo Especial e também da Série A, somado ao fato da não disponibilização de estrutura para que seja realizado o carnaval da Intendente Magalhães, onde as escolas dos grupos de acesso desfilam. O argumento utilizado passeou pela necessidade de investimento em creches, o que claramente se revela como uma desculpa de uma manobra que se faz para enfraquecer o carnaval e a subversão que a festa traz. As escolas de samba, encurraladas pela falta de dinheiro e por posturas equivocadas de uma Liga, se veem incapazes de proporcionar ao público o Maior Espetáculo da Terra.

A verdade é que o corte pouco fala sobre a economia e prioridades, mas muito revela sobre um gosto particular de alguém que preza pela moral religiosa e que, aos poucos, a impõe a toda uma cidade que deveria ser plural.

O futuro das escolas é imprevisível. Desde o carnaval marcante negativamente deste ano, com os preocupantes acidentes, urge a necessidade renovação da festa e sua atualização no cenário social. A maioria da população concorda com a decisão do prefeito, é chegada a hora das escolas voltarem ao seu protagonismo e marcar um novo capítulo em sua importante e fundamental história. 


Referências: Os livros "Pra tudo começar na quinta-feira", de Luiz Antônio Simas e Fábio Fabato, e "Livro de ouro do carnaval brasileiro", de Felipe Ferreira. Além dos artigos, "O Carnaval institucionalizado no Rio de Janeiro: Programas de Turismo" e "O Carnaval carioca oficializado: a aliança entre sambistas e prefeitura do Rio", ambos de Paula Cresciulo de Almeida disponíveis onlines.





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