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Carnavalize


Muitos foram os carnavais marcantes de Fernando Pinto na Mocidade Independente de Padre Miguel; enredos como "Ziriguidum 2001" e "Tupinicópolis" permanecem no imaginário folião. O artista tropicalista também assinou, entretanto, grandes desfiles do Império Serrano durante quase toda a década de 70. Ao todo, foram oitos desfiles criados para o Reizinho de Madureira, contra seis na Estrela Guia de Padre Miguel. Nessa primeira fase, Fernando apostou em temas mais populares, ligados às manifestações folclóricas, personagens históricos e o único enredo de temática "negra" de sua trajetória. Confira nesse dossiê completo uma retrospectiva de sua carreira na Serrinha.

1971 - Nordeste: seu povo, seu canto, suas glórias




Tudo começou quando Fernando Pinto escreveu uma carta pedindo para ser o carnavalesco do Império. A escola vinha de uma má classificação no ano anterior, e, no texto, o artista prometia resgatar o verdadeiro Império Serrano. A escola verde e branco aceitou o pedido e acabou contratando o jovem de apenas 24 anos que fazia carreira como ator e diretor teatral. Pernambucano, o artista resolveu tratar de suas origens, abordando as festas, manifestações artísticas, hábitos e  a cultura nordestina. A escola foi bem com seu samba e garantiu o terceiro lugar daquele ano.  


1972 - Alô alô, taí Carmen Miranda!





Após o título do Salgueiro em 1971 com o histórico "Festa para um rei negro",  Fernando Pinto disse ao Jornal do Brasil que tratou de analisar todos os ângulos do desfile campeão para preparar uma apresentação imbatível. E conseguiu. Tratou de escolher uma figura popular e festiva para o tema: a cantora Carmen Miranda. Resgatada como símbolo de brasilidade pelo tropicalismo, Fernando fez jus ao movimento que lhe deu régua e compasso. Optou não por uma narrativa biográfica da pequena notável, mas numa pegada teatral e cinematográfica. 




Foi a primeira vez que uma escola de samba teve como enredo uma figura da cultura de massa e não histórica ou folclórica, o que gerou estranhamento e revolta na agremiação. Mas o carnavalesco bancou a inovação. A história da cantora foi dividida em oitos quadros (setores), cada um deles com uma personalidade representando uma Carmen Miranda diferente. Inspirado nos filmes, os quadros eram: o "Abre-alas", com Marion; "Um Rosário de ouro, um bolota assim, quem não tem balangandãs não vai ao Bonfim", com Leila Diniz; "Alô, Alô, Carnaval", com Wanderléia; "Banana da Terra", com Miriam Pérsia; "Cassino da Urca", com Marília Pêra e todo o elenco de "Vida Escrachada"; "Carmen Internacional", com Vilma Vernont e sua academia de ballet; "Serenata Tropical", com Olegária e "Copacabana" com Rosemay.




Ao contrário da revolução salgueirense, liderada por Pamplona e Arlindo, que se baseava em elementos da cultura acadêmica e erudita, Fernando Pinto bebeu na cultura de massas e no que era considerado "brega e cafona", como as chanchadas, os teatros de revista e a era do rádio, sempre abusando de frutas, palmeiras e muita tropicalidade. Diz a lenda que os carros chegaram quase sem nada na concentração e todos acharam que o Império desceria, mas, aos poucos, o carnavalesco foi tirando da cartola diversas decorações tropicais, fazendo tudo ganhar vida.

"Se o carnaval virou empolgação, Carmen Miranda é um tema ideal para isso", afirmou em entrevista.



Um ponto controverso do desfile foi a escolha de samba. Após o inesquecível "Pega no ganzê" no ano anterior, o artista da Serrinha defendia que a escola necessitava de uma canção empolgante. Para isso, comprou briga na agremiação, desbancando a obra do imortal Silas de Oliveira. O samba-enredo escolhido era curto e viciante, composto por Wilson Diabo, Heitor Rocha e Maneco, sendo um dos primeiros a inserir uma gíria: "que grilo é esse?". 



Na Avenida, o samba foi defendido por Malene, Rainha do Rádio. E, apesar da polêmica dos mais conservadores, o desfile foi um sucesso e empolgou a todos, fazendo a obra musical permanecer no imaginário popular, sendo regravado até mesmo por Elis Regina. O título foi incontestável e a escola ganhou vários prêmios do Estandarte de Ouro, que foi realizado pela primeira vez aquele ano. A Pequena Notável ajudou a faturar três categorias: Enredo, Comunicação com o Público e Fantasias, estes dois extintos atualmente. 


1973 - Viagem encantada Pindorama a dentro





Após o título, o Império entrou na avenida com uma grande expectativa. Fernando Pinto assinou seu terceiro carnaval apostando numa temática diferente dos últimos anos. Em "Viagem encantada Pindorama a dentro", o artista tropicalista misturou história e fantasia para contar como era o Brasil antes da chegada dos portugueses. 





Um ano antes de "Rei de França na Ilha da Assombração", de Joãosinho Trinta (dito como o primeiro enredo onírico), Fernando já havia apostado no tal olhar onírico para fatos históricos, tendo como destaque o luxo e o gigantismo. Abusando de adereços de mãos e muito prateado, a apresentação contou o enredo em quatro quadros. A narrativa começava em Pindorama - primeira etapa; passava pela Ilha de Vera Cruz - segunda etapa, chegando à Terra de Santa Cruz, terceira etapa; e, finalmente, o Reino Encantado do Upabuçu, quarta e última fase, onde morava o amor de Iara, personagem principal do enredo. 




Nas materiais da época, Fernando disse que apostou pela primeira vez no uso do isopor, em vez do papel machê, então usado, e do poliéster de fibra de vidro nas esculturas, inserindo, portanto, materiais usados até hoje na confecção das esculturas carnavalescas. Outros destaques estéticos foram o grande arco-íris que anunciava a chegada ao reino encantado e as Iaras com lindas caudas prateadas que reluziram durante o dia.



O samba-enredo teve bons momentos, mas não tinha o mesmo apelo popular do ano anterior. A escola fez um grande desfile e chegou a ser apontada pelos jornalistas da época como grande favorita, mas acabou ficando com o vice-campeonato, perdendo para a Mangueira. 




1974 - Dona Santa, Rainha do Maracatu





Para o cortejo de 74, Fernando Pinto voltou às suas raízes pernambucanas, assim como em seu ano de estreia. Para louvar umas das expressões populares mais famosas da região, o maracatu, o carnavalesco homenageou uma figura lendária e que fez parte de seu imaginário desde a infância: Dona Santa, rainha do maracatu na Nação Elefante durante mais de dezesseis anos. 




Para tentar repetir o sucesso da Iaras prateadas do ano anterior, o carnavalesco apostou numa apresentação toda branca e prata, diminuindo um pouco do verde que dava cor à agremiação. A escolha fez os tradicionalistas virarem o nariz e não encheu os olhos do jurados. O efeito esperado dos figurinos e alegorias para um desfile à noite não foram alcançados, já que a escola desfilou de manhã. A apresentação foi tida como morna pelas reportagens da época, o samba era pouco empolgante e não funcionou. Apesar disso, o Reizinho de Madureira terminou numa ótima terceira posição. 


1975 - Zaquia Jorge, a vedete do subúrbio, estrela de Madureira







Após ao desfile nem tão bem sucedido do ano anterior, o artista imperiano voltou a apostar numa temática popular e kitsch para 75. Após a cantora do rádio e abacaxis, veio uma homenagem a uma personagem do bairro sede da agremiação verde e branca: Zaquia Jorge foi uma vedete que construiu um teatro de revista em Madureira e acabou morrendo de maneira trágica. 




Com o enredo, Fernando voltou a beber numa estética tipicamente popular e multicolorida. Apostou no verde e amarelo da bandeira brasileira, reforçando a brasilidade das revistas da época da homenageada. A narrativa, mais uma vez, fugia de uma simples biografia, sendo apresentada como uma viagem de trem da Central do Brasil até o subúrbio de Madureira. O abre-alas representava uma locomotiva partindo da estação terminal e o desfile seguiu pelos quadros que representavam as próximas paradas da viagem ferroviária, passando por Mangueira e Méier. 




Todos os carros tinham uma estética muito próxima do teatro de revista, abusando das escadarias onde as vedetes faziam suas apresentações, com seus imensos leques de pena. Segundo uma reportagem do jornal O Globo, outro destaque foi o uso de elementos decorativos de grandes estrelas que uniam os diferentes quadros do enredos dando um aspecto onírico e de um grande teatro popular.




Fora a plástica, outra história importante daquele ano aconteceu na disputa de samba. A obra escolhida foi o belo samba de Alvarese, defendido pelo carnavalesco, pois apresentava melhor o enredo proposto. Mas (muitos) outros preferiam a obra de Acyr Pimentel & Cardoso, gravada depois por Roberto Ribeiro, e que acabou se tornando mais conhecido do que a obra vencedora. Apesar da polêmica, o samba-enredo empolgou e fez a escola conquistar mais um terceiro lugar.


1976 - A lenda das sereias, rainhas do mar





O carnaval de 76 seria o único na trajetória de Fernando Pinto a tratar de um tema ligado a temática africana. O enredo sobre "sereias" passeava por diversas divindades ligadas à água na tradição yorubá-nagô, como Yemanjá, Oguntê, Oloxum, Inaê e outras citadas no antológico refrão do samba-enredo. 




Assim como em 73 e 74, o artista voltaria a apostar no prata como cor predominante da apresentação. Os adereços de mão, sempre presentes nos desfiles de Fernando, e as fantasias remetiam aos elementos do mar e animais como peixes, polvos, camarões e cavalos marinhos. A reportagem após o desfile, do jornal O Globo da época, criticou o gigantismo da escola e uso repetitivo das sereias e dos elementos marítimos. Em suma, um trabalho estético que não se destacou, fazendo a escola amargar uma sexta posição, péssima para aqueles tempos. Já o samba composto por Dionel, Arlindo Velloso e Vicente Mattos, entretanto, brilhou na avenida e se tornou um dos mais conhecidos da trajetória imperiana, regravado por ícones musicais como Marisa Monte, sendo reeditado em 2009 pela própria Serrinha. 





1978 - Oscarito, carnaval e samba - Uma chanchada no asfalto




Após o resultado nada satisfatório em 1976, Fernando Pinto se afastou por um ano do carnaval, dedicando-se a sua carreira no teatro e seu trabalho como figurinista e diretor do grupo "As Frenéticas", que explodiu nesse período. Em 78, o carnavalesco dos cabelos cacheados voltaria ao Império Serrano para assinar seu último desfile na agremiação. Após Carmen e Zaquia, criou uma narrativa que homenageava outro personagem popular, o humorista Oscarito. Depois do Rádio e do teatro de revista, ele exaltava, através do eterno parceiro do Grande Otelo, a chanchada, um estilo cinematográfico famoso na primeira metade do século XX no Brasil e depois desprezado pela intelectualidade. 




O enredo apostava numa narrativa alegre e começava homenageando o Circo, onde Oscarito cresceu e teve seu primeiro contato com a arte. Os três quadros faziam um panorama da carreira do ator, começavam exatamente nos "Circos Spinelli e Democrata", depois iam para os famosos teatros da "Praça Tiradentes" e terminavam nos filmes lendários da produtora "Atlântida". As alegorias e tripés apresentavam peças e filmes da trajetória de Oscarito, apostando num multicolorido. Na Avenida, o desfile desandou e o samba pouco inspirado não animou nem componentes, nem a arquibancada. A escola passou arrastada e acabou tendo que correr no final da apresentação; confusão essa que gerou um sétimo lugar e um rebaixamento para o segundo grupo. 

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Por: Jéssica Barbosa

(Arte: Rodrigo Cardoso)

No carnaval de 2018, pela primeira vez, quatro escolas de samba oriundas de torcidas organizadas irão desfilar no Anhembi: Independente Tricolor e Mancha Verde na sexta-feira, Gaviões da Fiel e Dragões da Real no sábado, estarão no mesmo grupo mostrando sua força e que merecem ser tratadas com respeito tal qual suas co-irmãs.

Preparamos um dossiê especial para contar um pouco da trajetória de grandes escolas muitas vezes recriminadas, mas que enchem o mundo do samba de orgulho. Na segunda parte, você acompanha a trajetória estrelada de duas escolas que mexem com o coração do tricolor dos gramados: Dragões da Real e Independente Tricolor.

O VOO METEÓRICO DE UM DRAGÃO
A Dragões da Real foi fundada nos anos 2000 por alguns associados da torcida do São Paulo, foi campeã do grupo 4 da UESP já no seu primeiro ano de desfile com o enredo “Circo Criança, Uma Grande Esperança” dos carnavalescos Marcelo Luis e Paulo Fornias, assim subindo para o grupo 3, passou pelo grupo 2 em 2004 o grupo 1 em 2005 quando foi vice campeã e conseguiu subir para o Grupo de Acesso. Foram 3 anos seguidos ficando em quinto lugar, dois terceiros lugares em 2009 e 2010.

Em 2011 a escola conseguiu seu tão sonhado acesso para o Grupo Especial, se sagrando campeã com o enredo “A Felicidade se Conta em Contos” do carnavalesco Eduardo Caetano. Um desfile leve com fadas e magos na comissão de frente e no abre alas marcou ascensão da escola à elite. A ala das baianas representava bruxas em tons de roxo e rosa já a alegoria mais bonita e colorida era a terceira, que representava a casa de João e Maria feita por doces. O samba era bastante correto, cumprindo seu papel de contar o enredo.

NA BAGAGEM TRAGO O SONHO DE VENCER:
Após alcançar o objetivo de chegar na elite do carnaval paulistano, a Dragões veio falando sobre as mães, trabalho assinado novamente por Eduardo Caetano, entítulado “ Mãe, Ventre da Vida e Essência do Amor”. Para representar a natureza na primeira parte do desfile, a comissão de frente veio com uma proposta muito interessante, uma mulher como a mãe natureza grávida e um elemento alegórico fazendo parte do espetáculo como a árvore da vida.

O abre-alas muito grande em tons de marrom caracterizava a natureza e era lindíssimo! O casal de Mestre Sala e Porta Bandeira, Rubens e Lyssandra, simbolizava as garças da fertilidade com lindas fantasias em vermelho. As baianas eram as mães do samba e em suas fantasias retratos delas mesmas, fantasias luxuosas em vermelho e dourado.
O terceiro carro chamava atenção por seu ótimo acabamento e sua simbologia: as mães de fé que perderam seus filhos e buscaram na religiosidade a força; atrás Nossa Senhora Aparecida como a mãe do Brasil. Mães de Santo e mães de adoção vinham nas alas seguintes. Para dar uma leveza no desfile uma alegoria que trazia mães em situações embaraçosas, como as mães de juízes de futebol e de lutadores.

A emoção voltava ao desfile com a ala “Mães em Oração”, uma lembrança às mães que já faleceram, e logo atrás, no último carro vinha o Dragão, símbolo da escola apresentando as mães da escola. O desfile foi embalado por um samba que funcionou muito bem na avenida na voz de Daniel Collete e a escola ficou em quarto lugar, melhor colocação de uma escola ascendente até então.

Para 2014, a Dragões contratou a carnavalesca multicampeã Rosa Deus Magalhães para desenvolver o desfile sobre os anos 70 e 80, “ Um Museu de Grandes Novidades”. A proposta do enredo era fazer uma viagem por essas décadas, citando filmes, novelas e brinquedos que fizeram parte da vida das pessoas. A comissão de frente teve quase toda a sua apresentação em cima do elemento alegórico que representava um cinema onde as pessoas assistiam ao videoclipe de Thriller, do cantor Michael Jackson.

O abre alas mostrou invenções da época como computador, patins com, na parte de trás uma pintura dos carnavalescos Rosa Magalhães e Fernando Pamplona. A rainha Simone Sampaio vinha vestida de Penélope Charmosa à frente da Bateria Ritmo Que Incendeia, fantasiada de Dick Vigarista.

O segundo carro foi dedicado a música com DJ, pista de dança, integrantes dançando break e performando rock. A ala "Cubos Mágicos" apresentou fantasias muito originais, onde alguns integrantes vestiam roupas imóveis e outros com fantasias que faziam o movimento do brinquedo. As baianas vieram como a boneca Moranguinho, causando um belíssimo efeito nas cores verde, vermelho, roxo, rosa e laranja. 

A penúltima alegoria trazia as Paquitas e a nave da Xuxa, além de um gigante Palhaço Bozo, importantes figuras infantis das décadas. Os filmes fechavam o último setor, com alas representando E.T, Coringa e Star Wars; a última alegoria vinha com gigantes esculturas de personagens de sucesso do terror. Com um desfile muito bem humorado e nostálgico a Dragões conseguiu o quinto lugar, retornando novamente na Sexta das Campeãs.

Para o ano de 2017, a Dragões contratou o intérprete Renê Sobral que estava na Tom Maior, além de mudar também sua linha de enredo. Vindo quase sempre com temas mais lúdicos, a escola resolveu se inspirar na música Asa Branca de Luiz Gonzaga e contar um pouco da história do Nordeste. “Dragões Canta Asa Branca” era o título do enredo, desenvolvido pela comissão de carnaval formada por Dione Leite, Jorge Silveira, Márcio Gonçalves e Rogério Félix.

Com um dos melhores sambas da safra e, pode-se dizer, o melhor da escola, muito bem interpretado pelo ótimo Renê Sobral, a Dragões veio forte buscando o título. O abre alas representava a fé, com um gigante esqueleto de Dragão a frente e uma capela atrás com muitos detalhes. As alas seguintes representavam animais do sertão, como calangos e serpentes da caatinga; esses que vieram simbolizados no segundo casal da escola.

O destaque do segundo carro foi o mandacaru com um tom vibrante de verde, sua flor foi representada por bailarinos, componentes vestidos de calangos subiam e desciam nas laterais do carro. A ala dos retirantes, que também chamou atenção pela coreografia e teatralização muito bem ensaiadas, mostrava o sofrimentos das pessoas por deixarem sua terra. Em seguida, a alegoria “Transportando Sonhos”, apresentava um caminhão 'Pau de Arara' na parte da frente estava decorada por retratos familiares. Compondo o carro, vários integrantes faziam coreografias. Gaiolas, redes, placas e malas também faziam parte da decoração. 

O próximo setor do desfile mostrava toda a cultura nordestina com a ala "Sanfoneiros", além do artesanato em palha, cujo costeiro da fantasia foi concebido na própria palha. As alas "Frevo", "Maracatu" e "Congada" se alternavam em cores fortes e mais claras. Chegando ao fim do desfile com o Nordeste em festa, a última alegoria apresentava uma grande fogueira. O destaque desse carro vai para os componentes formando a fogueira com tecidos leves que, com a ajuda de um ventilador, subiam e desciam, causando um efeito que esquentou (com o perdão do trocadilho) as arquibancadas do Anhembi.

Um desfile impecável em fantasias e alegorias. A bateria, que brincava fazendo bossas e paradinhas remetendo a música nordestina, deu um show, além do samba muito cantado por todos os componentes da escola e um enredo muito rico em cultura, mostrou que a Dragões não era mais uma promessa de escola grande e sim uma concretização. Apesar do grandioso desfile, a Dragões da Real ficaria sem o título na última nota. O vice-campeonato foi muito festejado pela comunidade, que vem forte e no caminho certo para buscar seu grande sonho: o primeiro título do carnaval paulistano!


UM FUTURO INDEPENDENTE
Tendo sua história no carnaval iniciada oficialmente em 2009, a Independente Tricolor é uma escola jovem mas que já acumula bons resultados e no ano de 2017 irá fazer sua estreia na elite do carnaval de São Paulo.

Seu primeiro desfile pela UESP ocorreu em 2010 com o enredo “São Paulo, Hábitos e Tradições”, conseguindo o primeiro lugar e subindo para o Grupo 3, onde ficou até 2012, quando vice-campeã, atingiu o Grupo 2. Em 2013 e 2014, ascendeu meteoricamente chegando ao Grupo de Acesso. Em 2016, por pouco a escola não se sagrou vice-campeã e ascendeu ao Grupo Especial: ficou com a terceira colocação com o enredo “O que Conta no Faz de Conta?”.


EU QUERO VER A ESPERANÇA RENASCER:

2017 chegou e a Independente buscou nas mentiras a inspiração para o enredo. O desfile abordou as mentiras contadas por políticos e sobre os contos infantis com seus personagens mentirosos.

O desfile começa pelo mentiroso mais famoso do cinema: Pinóquio, que vinha na comissão de frente. O abre alas foi uma dura crítica ao sistema político brasileiro, que retratava o planalto como um lugar cheio de mentirosos, com ratos de ternos saindo das laterais e uma grande cabeça de palhaço no topo da alegoria. 

A ala seguinte era sobre as pessoas que ficam cuidando da vida alheia espalhando mentiras, as fofoqueiras. O casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Cley Ferreira e Lenita Magrini, vinha representando Lobo Mau e Chapeuzinho Vermelho. A fantasia dela chamava a atenção por ser toda em vermelho e com um capuz na cabeça, primorosamente confeccionada. 

O segundo carro trazia de volta ao desfile o personagem Pinóquio, que vinha representado em madeira na frente da alegoria e como menino acima, contando um pouco do conto do mentiroso. Histórias contadas para crianças também marcaram o desfile, como as alas "Loira do Banheiro" e "Bicho Papão". Já no penúltimo carro, a cegonha foi retratada.

O terceiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira simbolizava a natureza mentirosa, onde animais enganam predadores e se camuflam para sobreviver, como o camaleão, que estava presente em mais uma ala. Várias plantas carnívoras estavam na última alegoria, fechando o desfile. O samba composto pelos intérpretes Pê Santana e Rafael Pínah era de fácil compreensão e muito bem cantado pelos membros escola, fazendo com que a escola se sagrasse vice-campeã e subisse ao Grupo Especial.

Para seu primeiro desfile na elite, a Independente trará o enredo “Luz, Câmera e Terror...Uma Produção Independente” retratando filmes e lendas de terror.

Apesar de ser uma escola muito jovem e dando seus primeiros passos entre as grandes, a Independente Tricolor mostra através de enredos e sambas que está no caminho certo para trilhar uma linda história no carnaval.
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Por: Jéssica Barbosa
Arte: Rodrigo Cardoso
No carnaval de 2018, pela primeira vez, quatro escolas de samba oriundas de torcidas organizadas irão desfilar no Anhembi: Independente Tricolor e Mancha Verde na sexta-feira, Gaviões da Fiel e Dragões da Real no sábado, estarão no mesmo grupo mostrando sua força e que merecem ser tratadas com respeito tal qual suas co-irmãs.

Preparamos um dossiê especial para contar um pouco da trajetória de grandes escolas muitas vezes recriminadas, mas que enchem o mundo do samba de orgulho. Na primeira parte, você acompanha Gaviões da Fiel e Mancha Verde. 

A TRADIÇÃO ALVINEGRA
Foi em 1975 quando a torcida organizada do Corinthians, após desfilar por alguns carnavais como ala no Vai-Vai, ganhou um bloco carnavalesco para chamar de seu. Um ano depois, em 1976, o bloco foi campeão com o enredo “Vai Corinthians”. Foram 12 títulos (1976 a 1979 - 1981 a 1988) e um vice campeonato em 1980 em 13 anos, o que chamou a atenção da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, que, mais tarde, em 1989, a convidou para fazer parte do Grupo 1 (atual grupo de Acesso) do carnaval paulistano.

Já no seu primeiro ano como escola de samba, conquistou um vice-campeonato no Acesso com o enredo “Preto e Branco na Avenida”, conseguindo a ascensão para o Grupo Especial. Mas foi em 1994 que a escola, até então novata, se viu perto do título inédito. Contando o enredo “A Saliva do Santo e o Veneno da Serpente”, desenvolvido pelo carnavalesco Raul Diniz, que ficaria na escola até 1997, o tema contava a história do tabaco a partir de uma lenda do Oriente com o profeta Maomé. Os Gaviões, neste mesmo desfile, trouxeram na parte final do desfile, uma mensagem sobre a conscientização do uso de cigarros: uma ala vestida de caveira apresentava a morte e logo em seguida o último carro, o mais criativo e impactante do cortejo, mostrava novamente uma caveira, desta vez com um cigarro na mão e atrás um crânio com válvulas do coração mostrando os perigos do fumo. O samba é cantado até os dias de hoje, entretanto não agradou um dos jurados que deu nota 6 em melodia. Esta nota levou a escola ao segundo lugar, atrás da campeã Rosas de Ouro.


SOU GAVIÃO, LEVANTO A TAÇA:

Engasgada com o carnaval anterior, a Gaviões da Fiel vinha para 1995 falando de momentos alegres que ficam em nossa memória. “Coisa Boa é Pra Sempre” era o título do enredo, de autoria do carnavalesco Raul Diniz, trazia brincadeiras infantis e as paixões da vida.

A primeira parte do desfile era sobre o jubileu de prata da escola. Na Comissão de Frente vinham palhaços simbolizando a magia do mundo infantil. Já o abre-alas, todo em preto, branco e prata, trazia um grande número 25 em cima, lembrando o aniversário da escola. A segunda alegoria trazia o esporte, com a taça do tetracampeonato brasileiro do Timão e uma homenagem ao piloto Ayrton Senna, falecido um ano antes. Mas, sem dúvidas, a alegoria mais bonita era a que remetia ao Circo. Trazendo muitos palhaços e um elefante logo na frente, chamava atenção pelo seu tamanho e belíssimo acabamento. O final do desfile foi a coroação máxima da felicidade, com um carro que mostrava a maior alegria de um folião: o carnaval.

O grande trunfo deste desfile foi o memorável samba-enredo composto por Grego. Considerado, não apenas um dos sambas mais lembrados pela escola, mas também pelo carnaval paulistano no geral. Quem nunca cantarolou “me dê a mão, me abraça, viaja comigo pro céu…”? Esse samba conquistou o público antes mesmo do desfile, sendo o mais tocado nas rádios da cidade naquele ano, o que chamou a atenção da mídia para os desfiles. O samba foi tão aclamado que tocava em rodas de samba do Rio de Janeiro, fazendo o inesquecível Jamelão regravá-lo. Terminando seu desfile aos gritos de “é campeão”, o resultado final não poderia ser outro: os Gaviões da Fiel eram, pela primeira vez, campeões do carnaval de São Paulo, com um desfile histórico que marcou o carnaval paulistano!

O segundo título veio quatro anos depois, em 1999, com o enredo “O Príncipe Encoberto ou a Busca de Dom Sebastião na Ilha de São Luís do Maranhão”, do carnavalesco Roberto Szaniecki. O desfile contava a lenda de que Dom Sebastião não teria morrido após uma guerra, e seu exército estaria a sua procura. Um enredo muito bem contado que passeou pela fé e pelos motivos que levaram D. Sebastião à guerra contra os mouros, as reconquistas de Portugal, as colônias por onde o procuraram até a chegada ao nordeste brasileiro mostrando os fatos históricos que estavam ocorrendo naquelas regiões, juntamente com a lenda de que Dom Sebastião estaria submerso junto com seu exército em um reino mágico, parte que deixou o cortejo momesco com cores mais claras com o azul e branco. As alegorias eram de fácil entendimento e muito bem feitas, assim como as fantasias, naquele que, talvez tenha sido um dos melhores enredos da escola, muito rico em história e cultura. Com um belo e correto samba, composto por Alemão do Cavaco, José Rifai e Ernesto Teixeira, os Gaviões empataram com o Vai Vai em 299.5 pontos e o título foi dividido entre as duas agremiações.

O terceiro título da escola do Bom Retiro chegaria em 2002, já com o carnavalesco Jorge Freitas. O enredo fazia uma crítica social comparando o momento em que o Brasil vivia a um jogo de xadrez com o título “Xeque-Mate”.

O desfile começava contando a origem do Xadrez pela Índia e como o jogo ficou popular nas Arábias. A crítica social começa pela ala “Monstros do FMI”, seguindo para o mais criativo carro do desfile, a quarta alegoria vinha toda preta com várias caveiras, que representavam os países ricos segurando e controlando o peão, a mais frágil do jogo, metaforizando os países de terceiro mundo. Você quer crítica social f***, @? A parte de trás do carro dava um contraste, vindo em tons claros, simbolizando a esperança. Por fim o último carro trazia um rei que dava um xeque-mate em todas essas injustiças e impunidades.

Já em 2003, a escola conquistou seu bicampeonato falando do Brasil com “ As Cinco Deusas Encantadas na Corte do Rei Gavião”, que mostrava as belezas das cinco regiões brasileiras. A Comissão de Frente mostrava a força do carnaval paulistano como os ‘anunciantes da folia’. As fantasias traziam os nomes de todas as co-irmãs. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Michel e Ildely, veio como o coração da escola, vestindo lindas fantasias em vermelho e branco. O segundo carro fazia referência a região centro- oeste, trazendo consigo uma escultura de uma mulher com cabeça de pássaro e asas, com vários animais da região nas laterais. O ponto alto do samba, composto também por Grego, era o refrão de meio, que exaltava o carnaval do Rio de Janeiro e o de São Paulo.


LEVANTA, SACODE A POEIRA E DÁ A VOLTA POR CIMA:

Após um rebaixamento muito contestado em 2006, a escola voltou aos bons resultados quando contratou o carnavalesco Zilkson Reis, em 2009. Foram três anos seguidos voltando aos desfiles das campeãs. No ano de sua chegada, a escola acertou em cheio na escolha do enredo e do samba, que contavam a história da roda. O desfile conquistou o quarto lugar.

Já em 2010, cantando o centenário do Corinthians, a escola emocionou e garantiu a volta na Sexta das Campeãs com o quinto lugar.

2011 foi o ano em que os Gaviões homenagearam Dubai, destacando-se a bela Comissão de Frente, também ficando na quinta colocação.


A TI SEREI FIEL: 

O intérprete Ernesto Teixeira está na escola há 37 anos. Ele começou em 1980 como passista, nos anos de 1983 e 84 desfilou na bateria até que, em 1985, quando o intérprete oficial não pode comparecer no desfile, Ernesto foi chamado para substituí-lo. Desde então, o microfone principal da alvinegra é comandado por ele, nunca tendo desfilado por outra escola. Foi ele que, em 2000, convidou Jorge Freitas, que estava no Rio de Janeiro, a assumir o posto de carnavalesco da escola. 

Os Gaviões tiveram extrema importância no crescimento do carnaval de São Paulo, assim desejamos que a escola volte a reencontrar suas glórias e vitórias.


MEMORÁVEIS DESFILES EM VERDE E BRANCO
Fundada como bloco carnavalesco em outubro de 1995, a Mancha Verde desvinculou-se da torcida organizada do Palmeiras para ser considerada apenas escola de samba. Seu primeiro desfile como bloco, no ano de 1996, lhe daria o segundo lugar com o enredo “Sinal Verde Pra Vida”. Em 1997 e 1998 conquistaria seu bicampeonato como bloco. Já em 99, conseguiria mais um vice-campeonato, chamando a atenção por suas conquistas como também pelo fato de seu samba cantado ser por Quinho, intérprete da Grande Rio naquela época

.Seu primeiro desfile como escola de samba foi no ano 2000, com um enredo sobre os 500 anos do Brasil: “Brasil, Que História é Essa” ficou com o segundo lugar no terceiro grupo da UESP. Após passar pelos grupos 2 e 1A nos anos de 2001 e 2002, a Mancha conseguiu se sagrar campeã do Grupo de Acesso no ano de 2004, com o enredo “A Saga Italiana na Terra Paulistana”. onde a escola contou a chegada dos imigrantes a São Paulo, a economia, cultura e o esporte. O desfile trouxe uma estética muito bonita, grande trabalho do carnavalesco Eduardo Caetano, conquistando, com muita justiça, o direito de desfilar pelo Grupo Especial de São Paulo.

Estreando na elite do carnaval paulistano em 2005, a Mancha trouxe a história do estado do Mato Grosso, num dos mais lindos sambas da escola, cantado por Vaguinho. O desfile surpreendeu a todos pela grandiosidade de uma escola que sequer havia chegado no grupo. Eduardo Caetano assinara seu segundo carnaval pela Mancha, saindo de lá após o desfile de 2005 e retornando para assinar o carnaval de 2008. O início do desfile foi pela pré-história, com um abre-alas composto por muitos dinossauros, seguindo o desfile com a formação geográfica do estado e seus primeiros habitantes. Também foi mostrada a fauna e flora do estado, um dos mais ricos em beleza natural no país. A escola terminou na décima segunda colocação. O enredo foi reeditado em 2016, quando a escola retornou ao Acesso. Naquela oportunidade, a Mancha Verde sagrou-se campeã.


GRUPO DESPORTIVO

Em 2006, ficou decidido pela Liga-SP que a Mancha Verde, juntamente com os Gaviões da Fiel, iria desfilar em um grupo separado de escolas oriundas de torcidas organizadas. Dias antes do desfile oficial, os Gaviões conseguiram uma liminar que os permitia desfilar junto com as outras escolas, disputando o título. Entretanto, o mesmo direito não foi concedido para a Mancha, fazendo-a desfilar sozinha naquele ano e assim sagrando-se campeã do Grupo Desportivo.

Não se deixando abater por essa decisão, a Mancha Verde fez um desfile arrebatador contando o belíssimo enredo “Bem Aventurados Sejam os Perseguidos, Por Causa da Justiça dos Homens...Porque deles é o Reino dos Céus”, do carnavalesco Cláudio Cebola, a Mancha criticou as intolerâncias do mundo. A Comissão de Frente encenou o trajeto seguido por Jesus Cristo carregando a cruz na Via Crúcis, parte mais forte do desfile. A segunda alegoria relembrava a histórica cena de quando um garoto entrou na frente de um tanque de guerra tentando pará-lo na praça da Paz Celestial na China. O terceiro carro fazia um contraste, trazendo um grande Buda no meio, acima uma escultura do Papa João Paulo II e a frente puxando a alegoria, dois tanques de guerra na cor branca cujo canhões jogavam flores ao invés de munição. Outro momento muito emocionante foi a ala que representava o sofrimento dos escravos, com eles acorrentados. O última carro fazia uma linda homenagem a Dona Norma, mãe do presidente Paulo Serdan que havia falecido naquele ano, com sua escultura sendo coroada, fechando um dos mais belos desfiles que já passaram pelo Anhembi.

No ano 2007 a Mancha mais uma vez desfilou sozinha sendo declarada campeã, mas com a diferença de ter conseguido participar dos desfiles das campeãs. Em 2008 o grupo foi extinto permitindo que a escola disputasse o título junto às outras agremiações.


EM VERDE E BRANCO QUERO ETERNIZAR:

Em 2010 a Mancha Verde fez uma homenagem ao ensino, “Aos Mestres com Carinho! Mancha Verde ensina como Criar Identidade”. O início do desfile trazia a Grécia como o berço da sabedoria. Já a segunda parte homenageia a China e seus ensinamentos sobre o equilíbrio, com uma alegoria muito bonita e grandiosa, a escola ainda mostrava toda a sabedoria dos índios e a importância da tecnologia no conhecimento. O último carro fazia uma homenagem aos mestres dos sambas e a própria escola de samba, na frente do carro um enorme Mancha tocando seu característico surdo. O samba que era muito pra cima não deixou o desfile esfriar em momento algum, era puxado por Vaguinho e pelo estreante Celsinho Mody.

No ano de 2011 a Mancha contratou o carnavalesco Magoo, e vinha com mais um excelente samba, homenageando gênios imortais “Uma Ideia de Gênio” esses que viriam logo no início do desfile saudando o público na comissão de frente, entre eles, Einstein, Leonardo Da Vinci, Santos Dumont, Picasso entre outros:

O abre alas mostrava o criação do universo, com um homem feito do barro a frente. O segundo carro e mais interessante mostrava toda a genialidade de Da Vinci, na frente a reprodução do seu desenho mais famoso, o Homem Vitruviano, no alto do carro uma destaque representava Mona Lisa, as laterais do carro estavam decoradas por outras de suas pinturas. Os gênios da tecnologia como Steve Jobs e Bill Gates também foram representados por algumas alas. Uma ala coreografada representava Romeu e Julieta em uma homenagem à Shakespeare.

Com um final de desfile muito simbólico mostrando o desejo dos gênios que sonham com um mundo melhor, sem intolerância, sem fome, o último carro trazia o conto Mil e Uma Noites. Um lindo desfile que a deixou em quarto lugar mais uma vez.

“Pelas Mãos do Mensageiro do Axé, a Lição de Odú Obará A Humildade” era o enredo da Mancha para o carnaval de 2012, tendo como base a história de Odú Obará, um babalorixá que mesmo sendo menosprezado por seus irmãos por conta de sua simplicidade nunca perdeu sua bondade, a escola falava sobre humildade e a necessidade de preservar o planeta. O samba um dos melhores do ano foi muito bem defendido por Freddy Vianna e toda a ala musical da escola, o desfile continha tanta emoção que ainda na concentração se via componentes às lágrimas.

Pela comissão de frente 14 bailarinos representando 14 Orixás, vestidos com as cores de seus respectivos Deuses Africanos. O abre alas retratava um mundo em destruição, com peixes mortos, a poluição dos mares, uma alegoria feita para chocar o público com a realidade. Um dos destaques do desfile foi o casal de mestre sala e porta bandeira, Jéssica e Fabiano,que vinham representando o candomblé, a fantasia dela em branco com detalhes em marrom simbolizava um tabuleiro de búzios muito bem feito.

A parte central do enredo começa pela ala “ Odú Obará e sua simplicidade”, onde Odú foi ignorado por seus irmãos por não se deixar levar por luxos. A terceira alegoria era a casa humilde de Odú, contando a história de quando ele ofereceu abóboras para seus irmãos e os mesmos a recusaram sem saber que dentro de cada uma delas continham jóias, o carro era enfeitado por essas abóboras e as riquezas eram representadas por mulheres. O quarto carro trazia os presentes do Criador, com esculturas de alguns Orixás. E a última alegoria do cortejo veio como o oposto da primeira, em vez de peixes mortos animais saudáveis, a preservação da natureza e o mundo com qual sonhamos. A escola terminou a apuração também em quarto lugar.


INJUSTIÇAS NÃO VÃO ME DETER:

Em 2013 a Mancha resolveu homenagear um dos maiores nomes da arte brasileira, Mário Lago, tentando dar sequência aos ótimos resultados dos anos anteriores.  A escola conseguiu juntar um agradável samba com um desfile leve, divertido e muito colorido. Contando muito bem a trajetória de Maria Lago, como a vida no bairro da Lapa no Rio de Janeiro, seu amor por Dona Zeli, os trabalhos no teatro, cinema e televisão. Um desfile extremamente bem feito, que com méritos poderia ter conseguido as primeiras posições, mas surpreendentemente e como uma das maiores injustiças do carnaval de São Paulo a escola foi rebaixada.

A escola sofreu com mais um rebaixamento em 2015, voltando ao Especial em 2017 com um enredo sobre os Josés do Brasil, ficando apenas com a 10ª colocação no grupo

Fica o desejo para que escola volte a nos presentear com belos desfiles e que injustiças não interrompam sua trajetória.
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Reza a lenda que existiu um deus todo poderoso, de voz de trovão que reuniu junto a si um séquito de deuses singulares que mudariam para sempre a história da nossa folia momesca. Eles fizeram do morro do Salgueiro o seu Olimpo. O deus de trovão se juntou a um certo Arlequim, deus do barroco e da História. Não demorou e o panteão logo aumentou. Vieram colombinas, rosas, reis-mendigos, robôs e índios. Uma verdadeira academia da folia, que juntos, fizeram grande confusão. Colocaram o carnavalesco com o principal artista da festa, o deus maior de cada escola. Transformaram aqui e acolá com seus mitos e lendas. Exaltando o negro pro mundo inteiro cantar, com uma estética nova e revolucionária.

Meu Torrão Amado

Imagem do desfile de 1970 

O Acadêmicos do Salgueiro revela em sua história as raízes da negritude. Em sua estreia, no ano de 1954, a vermelho-e-branco da Tijuca garantiu o terceiro lugar, com o enredo "Romaria à Bahia", exaltando Salvador, a capital negra do Brasil. Três anos depois, o Salgueiro desfilou com "Navio Negreiro", mas ainda apresentando a negritude sob uma ótica oficial e conciliadora. Era célula pátria da escola marcada pelo branco, vermelho e negro, destinada a mudar para sempre a festa carnavalesca. 

Uma viagem pitoresca e fundamental – O desfile atrasou, seu coração Salgueirou

Ala de damas leva representações das obras de Debret no desfile de 1959.

Depois disso, em 1959, o Salgueiro levaria à Rio Branco o enredo intitulado "Viagem Pitoresca Através do Brasil", que se tornaria conhecido como Debret, autor do livro homônimo. O desfile salgueirense foi assinado pelo casal de artistas plásticos Dirceu e Marie Louise Nery. Jurado naquele ano, um certo Fernando Pamplona, após quatro horas de atraso no início das apresentações, se maravilhou ao ver o artista franco-brasileiro no lugar dos heróis de “capa e espada”. O encantamento  fez Pamplona dar uma nota maior para a "Academia" do que para a campeã Portela. Tal fato o fez ser convidado por Nelson Andrade, então presidente da agremiação, para ser carnavalesco da escola.

Pernambuco foi o palco da história

Guerreiro africano leva o estandarte com o enredo de 1960.

Se hoje Zumbi dos Palmares tem estátua, um feriado e é figura garantida nos principais livros de História, o cenário em 1960 era bem diferente. Poucos conheciam o herói negro, principalmente nas escolas de samba, que só cantavam fatos e mitos da narrativa oficial "branca". Foi com a chegada do Zeus salgueirense, Fernando Pamplona, que enfim o quadro se inverteu. Com um enredo sobre o "Quilombo dos Palmares", estava lançada a pedra fundamental da revolução em vermelho, branco e negro. Apesar de outras escolas terem abordado de alguma maneira símbolos negros, tanto no Rio e como em São Paulo, nenhuma agremiação fez disso seu discurso apoiado em uma série de renovações estéticas como o Salgueiro.

Nesse quilombo tem magia

O abre-alas da Academia de 1960.

A estética do Quilombo de Palmares foi o resumo da afrobrasilidade. A primeira alegoria vinha carregada por atabaques gigantes representando os sons do candomblé e do jongo, símbolos da herança africana. Cabe ressaltar que os componentes tratavam as alegorias pelo nome de Enredo, pois achavam que os elementos eram os verdadeiros responsáveis pela história que seria contada. Para ilustrar o desfile, além dos tambores e lanças, a setorização do desfile foi disposta com a representação do "Cativeiro", "Luta" que mostrava a essência guerreira em busca da liberdade, "Palmares - O reinado de Nzambi", com o Maracatu de Pernambuco e "Nação Livre", com alas populares, damas e as famosas bandeiras brancas da paz. Estandartes carregavam frases, dentre elas a que virou o lema da Academia: "nem melhor, nem pior, apenas diferente".

"Você tem vergonha de ser negro?"

Imagens do desfile de 1960.

Foi a pergunta que Pamplona fez, "na lata", para um componente salgueirense antes do desfile de 1960. O cenógrafo e professor teve dificuldades de convencer os desfilantes, em sua maioria negros, a saírem como guerreiros africanos. Para eles, aquela fantasia não "pegava bem" para brincar os outros dias de folia. Junto à Pamplona nessa difícil missão, estavam Arlindo Rodrigues, fazendo os figurinos femininos e Newton Sá, os étnicos. Na maioria dos lugares se credita ainda a participação do casal Nery, responsável pelo desfile do ano anterior sobre Debret, o que não é verdade.

Onde o erudito se mistura ao popular, cenário perfeito para um novo carnaval 

Arlindo Rodrigues foi o grande parceiro criativo de Pamplona e responsável por desfiles solos marcantes.

Após o sucesso do desfile de 60, a chegada do grupo de Pamplona inauguraria o protagonismo do negro nos enredos salgueirenses e, posteriormente, nas demais agremiações. “Quilombo”,  deu início à revolução em um desfile com estética e abordagem diferenciadas, seguido por personagens então desconhecidos como Xica da Silva e Chico Rei. Mais tarde, vieram exaltações à Bahia, seus deuses afro-brasileiros e festejos. Tidos como intelectuais, não era a primeira vez que pessoas de foras assinavam um carnaval. A prática, que era comum nos ranchos, se consolidou, colocando o carnavalesco como o diretor principal da festa. 

"Quilombo" exaltou o orgulho negro


A estética da máscara africana do diretor Abdias Nascimento lembra a do Salgueiro da época.

O Salgueiro não estava sozinho na luta pela valorização do negro. Lá fora, eclodia um momento de independência africana, com várias colônias conquistando sua autonomia, culminando num processo de valorização da cultura do continente. Enquanto isso, por aqui, símbolos como o Teatro Experimental do Negro, de Abdias Nascimento, e movimentos unificados da negritude, como a Associação  Cultural do Negro (ACN), reivindicavam o protagonismo e a conquista de direitos igualitários. 

A corte de Xica

A ala da "Corte da Xica da Silva" dançando o minueto em 1963.

Outro marco deste processo da valorização africana foi a lendária Mercedes Baptista, primeira bailarina negra do Municipal. Ficando famosa por coreografar a primeira ala de passo marcado da história, comandando a corte de Xica da Silva num momento apoteótico, Mercedes já vinha marcando presença na Academia desde 1960. Naquele ano, a bailarina desfilou com seu grupo, distribuindo colares africanos para o público. 


No seio da mais alta nobreza

Fotos da decoração africana assinada por Pamplona 1959, no Municipal.

O discurso de negritude de Pamplona é absolutamente afinado com a sua época. Figura declaradamente de esquerda, era frequentador do meio universitário, onde ocorriam essas discussões  - por ser professor da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EBA) - e integrante da União Nacional dos Estudantes (UNE), como ele mesmo declara em sua biografia. A valorização do negro nos enredos do Salgueiro “ensinaria” a manifestação a ter orgulho de origem ancestral africana, como o próprio assume em seu relato pessoal. 


Fotos da decoração de rua com temática africana de 1961.

E ele traduzia esses pensamentos em suas produções como decorador e cenógrafo. Já em 1954, participou do concurso que iria escolher a decoração do prestigiado baile do Theatro Municipal, com uma proposta que tinha como inspiração a Bahia e seus orixás. Ele perderia a competição naquele ano, mas sairia vencedor quatro anos, com “Carnaval afro-brasileiro’. Nas suas famosas decorações de rua, ele voltaria a explorar esses universos muitas vezes, como em 1961.

É fantástico, virou Hollywood isso aqui



Cartazes de filmes e séries hollywoodianos sobre o continente negro.

Apesar de todo esse discurso nacionalista e popular, a possível inspiração para a formação da "África Salgueirense" veio da capitalista indústria norte-americana. Nos anos 50 e 60, havia um popular nicho de filmes que criavam uma mística em torno do continente negro, com uma temática rústica, de muitas estampas geométricas e caráter místico. Alguns cartazes de filmes da época exemplificam bem essa hipotética influência.

A Xica que manda ou "Enredo de merda, Arlindo"

A eterna imagem de Isabel Valença como Xica da Silva com a Candelária ao fundo, em 63.

Pamplona deu um pequeno adeus e foi passar o carnaval na Alemanha em 1962, deixando seu parceiro e fiel escudeiro Arlindo Rodrigues no comando dos trabalhos. Para 63, o também cenógrafo do Municipal escolheu a então desconhecida Xica da Silva como enredo. Pamplona não achou que a história da mulata que trocou "os gemidos da senzala pela fidalguia do salão" daria bom desfile. Mas Arlindo persistiu: "é negro, de luta e conquista social, da nossa linha". E então surgiu um dos momentos mais importantes do carnaval contemporâneo. Mesmo não aprovando o enredo naquele momento, Pamplona ganharia a fama como o único responsável pela criação e concepção do desfile, em detrimento de seu verdadeiro autor, Arlindo Rodrigues. 

Xica da Silva já te seduziu

Detalhe do elemento alegórico usado em 1963, logo atrás da ala do minueto.


Espécie de desfile manifesto, Xica da Silva é um marco para entender a narrativa carnavalesca contemporânea, pois foi ali que ela se estabeleceu, dada por Arlindo e não por Pamplona. Cenógrafo do Municipal, Arlindo Rodrigues traz toda a linguagem teatral para o cortejo carnavalesco, transformando-o, de fato, numa ópera popular. O enredo passa a contar uma narrativa com início, meio e fim, numa construção bem definida e de fácil decodificação pelo público da época. O luxo, o esplendor e o requinte são marcas das fantasias e alegorias apresentadas. A escola passa a ter roupas inspiradas no tempo em que o enredo se passa, criando uma unidade narrativa literário-visual. Por fim, o uso da ala coreografa afirma o diálogo direto com as artes cênicas.

Já bebi, sambei com Chico-Rei

Imagens da apresentação de 64, criticada pelo excesso de coreografias.

Desde 61, quando Pamplona descobriu a história de Chico Rei pesquisando para o enredo sobre Aleijadinho, ele alimentou o desejo de contar a história. Até a realização, passaram-se 3 anos, quando em 1964, finalmente, a Academia versou sobre o personagem. Embalados por um belíssimo samba de Djalma Sabiá, o desfile rendeu a marcante cena da lavagem da cabeça de Chico Rei numa pia.  O excesso de coreografias porém, fez a escola ser penalizada e perder o campeonato. 

Choveram críticas ao professor


Fernando Pamplona com projetos de suas decorações de rua.

O grande número de coreografias, mais todas as inovações chefiadas por Pamplona e Arlindo renderam um debate acalorado. Não faltou quem acusasse a turma de estar destruindo a festa e acabando com a tradição, caso do já citado Nilton Sá. O debate em torno das transformações acontece até hoje, porém, para muitos, apenas o tempo pôde revelar a genialidade e a necessidade de tantas transformações.

A história da folia contada através da própria folia


Imagens do desfile de 1965 sobre a folia carioca.
"Vamos dar uma Shakespeare em Hamlet, o teatro dentro do teatro, o carnaval dentro do carnaval". Foi assim que Pamplona convenceu Arlindo a fazer o desfile de 1965 sobre "A História do Carnaval Carioca", baseado no fundamental livro de Eneida de Morais lançado tempos antes. Pro quarto centenário da cidade, era obrigatória a apresentação de um enredo sobre o aniversário do Rio, exigência que os gênios salgueirenses souberam driblar muito bem.


Preto velho Benedita já dizia: “Felicidade também mora na Bahia.”

Desfilante salgueirense de 1969. 

Sem contar com a previsão do resultado daquele ano, o desfile de 1969 gerou polêmica na comunidade salgueirense. Rezava a lenda que a Bahia dava azar e que, portanto, não deveria ser o tema. Nelson de Andrade, patrono da época reforçou a tese e disse que “dezessete escolas já tentaram falar da Bahia e nenhuma delas passou do terceiro lugar”. Contrariando boatos, a Academia mostrou que tinha santo forte e mordeu a taça de campeã daquele ano com um desfile memorável, embalado pela voz de Elza Soares, encarregada de puxar o samba da escola.

Yemanjá enriquecendo o visual

Não há registro que dê conta do que seria a beleza da Yemanjá do desfile de 1969.

Além da Xica, outra imagem produzida pela comissão se eternizaria na mitologia carnavalesca. A representação de Yemanjá, com apenas 3 metros e todos adereçada em espelhos se tornaria a primeira grande alegoria da nossa folia. Reza a lenda que já passava das nove da manhã quando a escultura representando a orixá das águas salgadas passou na concentração do desfile do Acadêmicos do Salgueiro, fazendo os cansados componentes se levantarem, maravilhados. Toda decorada com espelhos cortados em círculos presos por fios de náilon, a representação da divindade foi elaborada por Arlindo. O efeito teria sido tão deslumbrante que a tecnologia fotográfica da época não deu conta de captar o registro. As fotos realizadas por um repórter da revista Manchete saíram borradas pelas ilusões óticas causadas pelos espelhos.

Tira da cabeça o que do bolso não dá

As belas baianas salgueirenses.

Ainda naquele ano, Pamplona e Arlindo Rodrigues, além do compromisso com a Academia do Samba, tinham a responsabilidade da decoração do Copacabana Palace naquele carnaval. Sem muitas alternativas com a falta de dinheiro para o desfile do Salgueiro, a saída que a dupla achou foi fazer muitos ornamentos nas cores da escola para o baile do hotel, que aconteceria um dia antes da apresentação da agremiação. No domingo, a Avenida era preenchida pela reutilização já planejada dos ornamentos do baile do luxuoso hotel carioca. 

Pega no ganzê, pega no ganzá

Elemento alegórico usada na apresentação de 1971.

O enredo sobre a inusitada visita de um rei africano à corte do holândes Mauricio de Nassau, em Pernambuco, surgiu de pesquisas universitárias de Maria Augusta para concorrer ao Prêmio Medalha da Escola de Belas Artes, o que hoje equivale ao mestrado. A estética africana daquele ano abusaria ainda mais do vermelho e branco e das estampas geométricas com usos de grandes elementos alegóricos. Outro fator decisivo para o sucesso da Academia naquele ano foi o samba composto por Zuzuca: o simples refrão "pega no ganzê, pega no ganzá", repetido inúmeras vezes ao longo da música seria entoado pelas massas, marcando uma transformação no gênero. A obra do Salgueiro trouxe rapidez e empolgação, deixando de lado as letras longas e dolentes.

Tempo de consciência negra

Alegoria do desfile de 1989 do Salgueiro, assinado por Luiz Fernando Reis. 

Após construção tão mística, não só pelo "boca a boca", mas pela historiografia carnavalesca que surgiria depois, consolidando as transformações estéticas do grupo de artistas liderado por Pamplona e Arlindo como um o momento mais importante da história recente das escolas de samba e ponto de virada para a chegada da estrutura narrativa e estética que temos hoje. Todos os nomes surgidos após elas, seriam oriundos dessas espécie de "escola" carnavalesca que tinha como pais os cenógrafos do Municipal. Pode até ser que não sejam os primeiros enredos afros de fato ou os primeiros artistas de formação oficial a planejarem os desfiles das escolas. Mas eles fariam seu próprio panteão. 

Foi quando o Salgueiro se vestiu de vez com as vestes negras fazendo disso seu DNA mais profundo. Sempre louvando a sua própria história como em 86, 89 e 2003. E a força africana como 78, 2007, 2009, 2014, entre tantos outros. E bebendo de novo e de novo na fonte negra-africana, onde o rio vermelho, branco e negro começou a jorrar.


O Dossiê Carnavalize é uma trabalho coletivo de Leonardo Antan, Beatriz Freire, Guilherme Peixoto e Vitor Melo. 


Fontes Consultadas

Para a construção deste dossiê, foram utilizados os livros "Pra tudo começar na quinta-feira ", de Luiz Antônio Simas e Fábio Fabato; "Livro de ouro do carnaval carioca", escrito por Felipe Ferreira; "Explode coração: histórias do Salgueiro", de Leonardo Bruno; e "O encarnado e o branco", de Fernando Pamplona, além da série de reportagens "Carnaval Histórico", do jornal Extra e assinadas por João Gustavo Melo e Leonardo Bruno.

Foram consultados ainda os artigos acadêmicos "As Áfricas de Pamplona e o Debret da Trinca: 'figurinos' monumentais do carnaval carioca", de Helenise Monteiro Guimarães; "As escolas de samba e o movimento negro nos anos 1960: uma página em branco da historiografia brasileira" e "Nem melhor, nem pior, apenas uma Escola diferente: Os Acadêmicos do Salgueiro e as transformações estéticas e ideológicas na cultura brasileira", ambos escritos por Guilherme José Motta Faria.


   
 




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