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Carnavalize


Por Redação Carnavalize

Sob a direção de novo carnavalesco, o talentoso André Rodrigues, a Sossego encerrou a primeira noite de desfiles da Série Ouro, com o enredo "Visões Xamânicas", uma ficção com doses de realidade sobre uma profecia indígena acerca da exaustão do meio ambiente, em um pedido de socorro. Esse parece, aliás, o maior trabalho de exercício da criatividade dentre os carnavalescos do grupo para a construção do enredo, já que não trabalha apenas com o factual, mas se desafia a criar um fundo e personagens próprios da história.

A comissão de frente de Jardel Lemos, intitulada “O ritmo da viagem transcendental”, trouxe um ritual indígena. Contou com um elemento alegórico, que, esteticamente, deixou a desejar. Os componentes, todavia, estavam bem vestidos, nas cores roxo e preto, que marcaram a abertura mais escura da agremiação. No geral, a comissão passou correta, apesar de não empolgar, até por não ser de fácil leitura. Por sua vez, o recém-chegado casal, formado por Fabrício Pires e Giovanna Justo, optou por uma apresentação mais simples e tradicional, com muitos giros da porta-bandeira, que deu uma leve, uma pequena, titubeada ao entrar no primeiro módulo.

Parte da apresentação do casal da Sossego (Foto: Thomas Reis)


O enredo denso, que abarca um aspecto delirante, foi bem desenvolvido pelo carnavalesco, sendo traduzido em um trabalho plástico amarrado, coeso e criativo. O início do cortejo impactou pela paleta de cores. A perfeita transição cromática da primeira alegoria para o setor seguinte foi um destaque positivo. O conjunto alegórico é bem rico e variado em formatos, cores e materiais. As fantasias são corretas, muito limpas, arrojadas, mas não deixam a desejar em acabamento e soluções criativas.

Detalhes de alegoria da escola, que desfilou já com o dia claro (Foto: Vítor Melo)


A bateria regida pela batuta do Mestre Laion se apresentou de maneira satisfatória, sustentando bem o samba-enredo, interpretado por Nino do Milênio. Apesar de não comprometer, o samba não empolgou, não contribuindo para a harmonia da escola, que foi apenas mediana, considerando a irregularidade do canto durante o cortejo. 

Longe de explodir, a Sossego fez uma apresentação morna, sem grandes transtornos, em termos de evolução, mas também sem a vibração necessária. Em síntese, uma passagem correta, requintada plasticamente, que deve render uma posição intermediária para a escola de Niterói. 




 

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Por Redação Carnavalize

Firme na Série Ouro há alguns carnavais, a Bangu resolveu buscar, pelas suas afinidades geográficas e históricas, um enredo para chamar de seu. A escolha final assentou-se sobre a controversa figura do bicheiro Castor de Andrade, um dos símbolos da contravenção, que também foi responsável pelo patronato da Mocidade Independente de Padre Miguel e pelo investimento no time de futebol do Bangu. Sua história, já contada em livros e até em série de streaming, ganhou a assinatura do carnavalesco Marcus Paulo, que desenvolveu o enredo ˜Deu Castor na cabeça˜.

O coreógrafo Vinicius Rodrigues trouxe uma comissão de frente sem tripé, com o corpo de baile dançando exclusivamente na pista do Sambódromo. Intitulada “Botando a banca: qual foi o bicho que deu”, a performance fez referência ao jogo do bicho, sendo que cada integrante representou um animal do referido jogo. O futebol também esteve presente no número, que terminou com a abertura da bandeira do time Bangu. Bastante simples, a comissão cumpriu o seu papel, mas não inovou e não empolgou. Por sua vez, o casal formado por Anderson Abreu e Eliza Xavier teve uma apresentação complicada para o quesito mestre-sala e porta-bandeira. Ele representou Castor de Andrade, dançando com a porta-bandeira, que veio, inclusive, caminhando sozinha pela pista do setor de concentração. Assim, o que se viu foi mais um ator do que um mestre-sala, se considerarmos que a função do mesmo é defender o pavilhão e cortejar a porta-bandeira. Pegadas bruscas de pavilhão também foram notadas.

Detalhes da Comissão da Bangu (Foto: Pedro Umberto)


Com plástica regular, deixando a desejar, a Bangu veio com três alegorias básicas, entre as quais a segunda se destaca pela boa escultura e boa iluminação. O abre-alas é bem abaixo, em termos de volumetria. Do mesmo modo, as fantasias são simples e apostam em soluções repetitivas, como os costeiros de acetato. O enredo não ajuda, tendo sido desenvolvido de maneira bastante simplória. Trata-se da trajetória burocrática do homenageado. Cabe destacar a setorização irregular, que gerou desproporcionalidade entre as partes do cortejo.

Carro abre-alas da agremiação (Foto: Vítor Melo)


A bateria do Mestre Léo Capoeira não comprometeu, mas também não brilhou, inclusive em razão de o samba-enredo não ser propriamente um primor. Ao contrário, foi uma farofa que funcionou, mas sem gerar grande empolgação.

A harmonia da escola foi irregular e a evolução muito problemática. A Bangu desfilou em um ritmo lento, sendo obrigada a arrumar uma correria ao final. Mesmo assim, acabou estourando o tempo em 3 min.

Após uma apresentação morna e com quesitos problemáticos, a Bangu não deve brigar por muita coisa, disputando na parte debaixo da tabela.






 

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Por Redação Carnavalize


Após desfiles irregulares no Grupo Especial, a União da Ilha acabou tendo de encarar o sombrio fantasma do rebaixamento ao fim do carnaval de 2020. Como muitas outras escolas, a sensação que prevaleceu foi a de que a passagem pela Série Ouro pode ser uma nova chance da escola se reestruturar. A escolha de enredo da tricolor passou pela reedição de clássicos como Festa Profana (1989) e Fatumbi (1998), mas a escola bateu o martelo em definitivo para falar de Nossa Senhora Aparecida, com o tema "O vendedor de orações''. A agremiação, apesar de ter reforçado seu time para o carnaval de 2022, teve que lidar com o desafio da perda de um de seus carnavalescos, Severo Luzardo, que faleceu pouco mais de um mês antes do desfile.

O gabaritado casal de coreógrafos formado por Priscilla Mota e Rodrigo Negri apresentou uma comissão de frente com o selo de qualidade da dupla. Intitulada “Altar de orações”, a comissão trouxe um elemento alegórico de tamanho médio, que não atrapalhou em nada a fluidez do espetáculo. Dividida em diversos momentos, a performance tem como ponto alto o surgimento de Oxum do centro do elemento, retratando o sincretismo religioso, com seu manto dourado que cobre e abençoa a todos. Destaque para a atuação da atriz Cacau Protásio, que participou do número, interpretando, inclusive, Nossa Senhora Aparecida. Já no que diz respeito ao casal, Marlon Flôres e Danielle Nascimento, profissionais experientes, apostaram em uma apresentação técnica, marcada pela correção.

Comissão de frente da Ilha se destacou na Sapucaí (Foto: Thomas Reis)


Com um conjunto alegórico de nível de Grupo Especial, com boa volumetria, bom acabamento, a escola se destacou plasticamente. Talvez só o abuso de amarelo em uma parte do cortejo tenha prejudicado sua fluidez visual. As fantasias, no geral, acompanham esse nível de acabamento, sendo mais clássicas, se filiando à estética barroca adotada em todo o desfile. O enredo seguiu uma linha tradicional, bastante devoto, e buscou ressaltar o sincretismo. Não se viram problemas de desenvolvimento.

Escola caprichou nas alegorias (Foto: Pedro Umberto)


A Baterilha dos mestres Keko e Marcelo não decepcionou e brindou o público com uma agradável apresentação, de nível também de Especial. Por sua vez, o samba-enredo, brilhantemente defendido por Ito Melodia, não é um primor, mas funcionou bem no cortejo, rendendo bastante. 

Os componentes mostraram garra durante o desfile e defenderam bem o samba da agremiação, o que resultou em uma harmonia satisfatória. Sem problemas no quesito evolução, a Ilha passou tranquila pela avenida.

Com desfile redondo, a escola, forte em praticamente todos os quesitos, deve brigar pelo retorno à elite na próxima terça-feira.






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Por Redação Carnavalize

"O que não se registra o tempo leva", disse Mãe Stella de Oxóssi. Foi o registro de sua religiosidade, vida e legado o que a Porto da Pedra apresentou na Sapucaí, em forma de homenagem à ialorixá e escritora, como quarta escola a desfilar no primeiro dia. O tigre de São Gonçalo, há três carnavais ocupando o terceiro lugar da segunda divisão do carnaval, escolheu o enredo para impulsionar o sonho de voltar ao Grupo Especial. A construção artística do carnaval ganhou, pelo segundo ano, a assinatura da carnavalesca Annik Salmon, a única mulher na função na Série Ouro, com o enredo "O caçador que traz alegrias". 

A comissão de frente do coreógrafo Paulo Pinna, intitulada “A flecha certeira de odé”, impressionou pela sincronizada coreografia, pelos belos figurinos e pelos efeitos de luzes nas flechas dos componentes. Na montagem, as raízes do Apaoká sustentam o corpo da homenageada, Mãe Stella. Elogiadíssimos durante o pré-carnaval, o casal formado por Rodrigo França e Cintya Santos mostrou a que veio, com seu bailado perfeito. Cintya roda espetacularmente no eixo, sem nunca tirar o pavilhão de destaque. Rodrigo sabe cortejá-la como ninguém. O melhor casal da noite até então, um dos melhores da Série Ouro e do carnaval carioca.

Comissão foi ponto alto do cortejo da Porto (Foto: Thomas Reis)


O conjunto plástico mereceu elogios, apesar de apresentar certa irregularidade. A primeira alegoria tinha boa volumetria, mas, infelizmente, passou apagada. No geral, se percebeu uma pegada mais rústica. Nesse sentido, a concepção foi interessante, o que não significa que não foram percebidos problemas pontuais de acabamento. A escolha de materiais deixou um pouco a desejar. Quanto às fantasias, também se apostou em materiais mais rústicos, sendo que o conjunto vai caindo mais pro final do cortejo, após a abertura impactante. O enredo se mostrou confuso em alguns momentos, na mescla da religiosidade de Mãe Stella com os demais aspectos da vida da homenageada.

Detalhes do terceiro carro da escola (Foto: Vítor Melo)


A bateria Ritmo Feroz, comandada pelo Mestre Pablo, passou consideravelmente acelerada, o que contribuiu para a percepção de explosão da escola. O samba-enredo, um dos mais elogiados da Série Ouro, não foi prejudicado com tal andamento. Ao contrário, se provou realmente um dos melhores da safra.

Muita coesa e fluida, a Porto da Pedra enfrentou pequenos problemas no quesito evolução, se destacando, contudo, por atravessar a Sapucaí com relativa tranquilidade. Com relação à harmonia, se notou um canto bem consistente dos componentes da agremiação.

Sem enfrentar grandes perrengues durante o cortejo e ostentando quesitos fortes, a Porto da Pedra deve brigar na parte de cima, pelas primeiras colocações.



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Por Redação Carnavalize

Em uma viagem de São João de Meriti para Salvador, a Unidos da Ponte, terceira escola a desfilar pela Série Ouro, propôs o enredo "Santa Dulce dos Pobres - O anjo bom da Bahia", assinado pela dupla de carnavalescos Guilherme Diniz e Rodrigo Marques. O desfile rendeu homenagem à primeira santa nascida no Brasil com a promessa de espalhar o trabalho de amor da Irmã Dulce pela Avenida.

O experiente sambista Valci Pelé, responsável pela coreografia da comissão de frente da Unidos da Ponte, apresentou a escola em dois atos. No primeiro, apareciam pessoas humildes sendo acariciadas pela Santa Dulce, ao redor dela. Já no segundo, os pedintes se transformam em anjos e a Santa surge no telhado do elemento alegórico, que não foi propriamente um primor estético. A transformação levantou a arquibancada, apesar de não ser nada muito inovador. Esteticamente, a comissão não dialogou com a cabeça da escola, que era, sobretudo, branca e dourada. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Emanuel Lima e Camyla Nascimento, formado após o acidente de Yuri, o ocupante oficial do posto, mostrou entrosamento, vez, inclusive, que se trata de um casal que já dança junto na Portela. Ademais, estavam muitíssimo bem vestidos e optaram por uma coreografia tradicional. Infelizmente, Camyla acabou tropeçando em frente à primeira cabine, sendo estimulada pelo público a se reerguer. Nesse acidente, a bandeira se prendeu em seu adereço de cabelo. 

Grande momento da comissão da Ponte (Foto: Thomas Reis)


O desenvolvimento do enredo foi bastante burocrático, focado mais no aspecto religioso, ligado fortemente ao catolicismo. Ocorre que a pegada religiosa culminou em uma estética um pouco quadrada em alguns momentos. As alegorias da Ponte foram, no geral, bem regulares. O destaque ficou por conta do último carro, bem solucionado em cores e materiais. O segundo carro, por sua vez, se destacou pela iluminação. Sobre o conjunto de fantasias, o que mais incomodou talvez foi a aposta em costeiros bastante repetitivos, que investiram no uso do acetato em sua maioria.

Escola apostou no dourado na cabeça do desfile (Foto: Vítor Melo)


O intérprete Charles Silva emprestou sua voz ao samba-oração, que se comprovou pouco empolgante ao longo do cortejo, enquanto a bateria do Mestre Branco Ribeiro passou sem maiores problemas pela Sapucaí, optando por não entrar no recuo quando a escola se mostrava um pouco apertada no cronômetro. A harmonia também ficou bem aquém do desejável. 

A evolução foi o calcanhar de Aquiles da agremiação, que cometeu, infelizmente, muitos erros no quesito. Além do desfile morno, a escola sofreu com suas alegorias. O abre-alas parou em certo momento e abriu um clarão diante do módulo 4. Isso se repetiu com a alegoria seguinte. Muitos buracos foram vistos na reta final da Sapucaí. Por conta desses problemas, a Ponte precisou arrumar uma verdadeira correria para sair dentro do tempo.

Com uma evolução desastrosa e estourando o tempo em 1 min, a escola encerrou a sua apresentação com 56 min. Com todos esses erros, a Ponte deve disputar as últimas posições na terça-feira.





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