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Carnavalize




O clima olímpico invadiu a nossa cidade do Carnaval também. O show inaugural das Olimpíadas chutou as bundas dos pessimistas e do nosso complexo de vira-lata, o Maracanã presenciou um espetáculo cheio de emoção, com muita música, história, arte e samba no pé. Uma verdadeira maravilha de cenário que abusou de efeitos visuais extraordinários extraídos de materiais simples, do jeitinho que as escolas de samba sabem fazer muito bem. E nossa amada manifestação artístico-cultural também marcou presença forte na festança com direito a bateria, passistas e casais de mestre-sala e porta-bandeira de todas as agremiações do grupo especial. 

Já era hora dessa gente bronzeada mostrar novamente seu valor e aproveitando o clima de orgulho do nosso país e do nosso carnaval, hoje vamos fazer um passeio por alguns sambas e músicas que foram cantadas na abertura olímpica ou que marcaram nossa história, pra entender por que o Brasil virou o País do Carnaval. Então, coloca a sandália de prata e vem com a gente. 



Se você acha que o título de nação carnavalesca surgiu por causa das nossas escolas de samba está enganado. O carnaval já era sinônimo de cultura brasileira antes delas. Desde a independência e, principalmente, a partir da proclamação da república o Brasil precisava definir sua nacionalidade e seus símbolos patrióticos, num processo de construção da nossa identidade. Nos anos 1920, com o modernismo essa necessidade ficou ainda mais latente. Os artistas e intelectuais influenciados por movimentos europeus iniciaram um movimento de valorização do que era realmente nosso, como nossa exuberante fauna e flora e, acima de tudo, nossa manifestações culturais populares: dentre delas o carnaval. 



Nas ruas do Rio de Janeiro quem comandava os dias de folia eram as Grandes Sociedades, chamadas de Grande Carnaval, e os ranchos, blocos e cordões, ditos como Pequeno Carnaval. Foi nessa tensão que surgiram as primeiras escolas, nascidas para institucionalizar o samba, visto então como ritmo marginalizado. Logo, essa manifestação tão rica chamou a atenção dessa gente que estava atrás do "verdadeiro Brasil". O ritmo negro contagiante que as escolas tocavam dialogavam ainda com um movimento que vinha fazendo sucesso na Europa, a chamada Negrofilia, que valoriza ritmos e símbolos de influência africana, como o jazz. Surgia então a brilhante ideia, o samba era o jazz brasileiro. 



Junto com o ritmo de pandeiros e cuícas, seus personagens começaram a ganhar as telas dos artistas plásticos, como o malandro e a baiana, esta internacionalizada pela eterna Carmen Miranda e seus balangandãs. Figura fundamental pra entender o sucesso internacional que o som mais brasileiro fez. 

Então manifestações singelas, as escolas que se apresentavam na Praça Onze foram despertando as atenções do povo e dos intelectuais. Sempre negociando, assumiram a posição de símbolo definitivo de brasilidade. Esse processo ganhou ainda mais força com a ascensão do governo populista de Getúlio Vargas, preocupado em criar uma imagem brasileira a ser vendida para o mundo e para os brasileiros. 



Enquanto as grandes sociedades e os ranchos eram ditos como manifestações espetacularizadas, cheias de sofisticação, imensas alegorias e com temas estrangeiros. As escolas eram vistas como exemplo máximo da pureza e essencialidade nacional, ligados as nossas raízes negras. 

Malandramente, o povo do morro e do subúrbio souberam negociar e dialogar com o poder, instituindo por vontade própria a obrigatoriedade de itens, como as alas das baianas, os temas nacionais em seus enredos e a proibição de instrumentos de sopros, que reafirmavam a nacionalidade e africanidade das agremiações. O Brasil tornava-se de fato e direito verdadeiramente brasileiro, terra de samba e pandeiro.



A partir daí um grande processo cultural abalou de vez nosso país, tomado por muitas palmeiras, araras, bananas, mulatas e malandros. Nesse grande teatro de revista, nomes importantes das artes devem ser louvados como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Mário de Andrade. Na praça onze, a eterna Tia Ciata que abrigou em sua saia a santíssima trindade do samba: Donga, João da Baiana e Pixinguinha. Salve também os cantores do rádio, veículo de massa que popularizam a música popular. Salve Ary Barroso! Salve Assis Valente! Salve Carmen! Salve Larmatine! E tantos outros...

Retomando o fio da meada, que essa abertura olímpica nos encha de orgulho novamente de ser o país do samba, do funk, da bossa nova e muito mais. De ser o palco que abriga a maior manifestação artística-cultural do mundo. O maior show da Terra. A sagração de um povo que não tem medo de fumaça. Que carnavaliza e não se entrega não. A própria Carnavápolis. 




Esse texto é dedicado ao professor Felipe Ferreira, um dos maiores estudiosos da festa, cujo os livros e aulas foram primordiais para a feitura desse texto. 




Leonardo Antan é folião frequentador do Sambódromo desde criança e tem verdadeiro amor pelas escolas de sambas. Trabalha, estuda e vive o mundo de confetes e serpentinas durante o ano inteiro. Atualmente, cursa História da Arte na UERJ onde pesquisa também sobre o tema.



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Nesta sexta-feira (05/08), iniciam-se os primeiros Jogos Olímpicos realizados no Brasil. O Rio tem a honra de receber atletas do mundo todo para conhecer e admirar nossa cultura tão vasta, esta que inclui - VEM SOLANGE - o meu, o seu, o nosso Carnaval! 


A expectativa dos amantes da maior festa do mundo é gigante para saber onde irão se encaixar baterias, intérpretes, passistas e rainhas de bateria. A resposta está logo abaixo!

A prefeitura do Rio, na tentativa de mostrar ao mundo aquilo que o carioca tem de melhor, criou um espaço de congraçamento entre os povos. Agora conhecida como Boulevard Olímpico, a Zona Portuária, que abriga o Museu do Amanhã, será palco dos mais animados encontros desta fan fest. Da Praça Mauá até a Praça XV, o show fica a cargo de nossas amadas Escolas de Samba e blocos.

Os encontros ocorrerão de forma que as agremiações se misturem ao chegar no Palco Tendências, localizado na Praça XV. Desta maneira, elas farão uma festança digna de Carnaval. A expectativa é que os gringos gastem muita grana e os blocos e Escolas misturem sambas-enredo com famosas marchinhas, com originalidade e diversão. Vai ter MUUUUITO SAMBA e se reclamar a gente paga a condução pro Paulinho Direto ir fazer um showzinho por lá.

Confira abaixo as apresentações do "Encontro de Carnavais", que se iniciará diariamente às 15h, no Boulevard Olímpico:

Além disso, todas as doze Escolas do Especial e a rebaixada deste ano, Estácio de Sá, se apresentarão no Parque Olímpico. As apresentações serão para divulgar o Visit.Rio e segundo Antônio Pedro Figueira de Mello, secretário de Turismo da cidade, poderão acontecer também fora das Arenas, dependendo do contingente de público. 

O Carnaval também estará presente na Cerimônia de Abertura das Olimpíadas. Todas as Escolas de Samba do Especial tocarão juntas um samba especial composto para o evento. Além disso, passistas e casais de mestre-sala e porta-bandeira das doze escolas também participarão. É previsto que o samba seja 20% da cerimônia, que contará bastante sobre a sustentabilidade e sobre o povo carioca.

Na passarela do samba, os jogos já desfilaram sua história algumas vezes. A primeira vez em 1997, na Mangueira que cantou o "Olimpo é verde e rosa", quando o Rio ainda era candidata a sediar a festa, o samba dizia: "2004 é o sonho brasileiro".


Em 2007, a Portela falou dos jogos Pan-americanos que aconteciam naquele ano na Cidade Maravilhosa, mas colocou a competição americana no contexto das Olimpíadas, promovendo o encontro dos deuses gregos com os deuses portelenses. 


Já a União da Ilha abordou a competição esportiva em duas oportunidades nos últimos quatro anos, a primeira vez em 2012 quando desfilou com a história da Inglaterra que sediava os jogos naquele ano e agora em 2016, levando um enredo onde os deuses olímpicos se encantavam pela beleza carioca.


O Carnavalize espera que o samba assalte muitos corações durante os Jogos Olímpicos e que Rosa Magalhães abençoe todos os atletas. Viva o Carnaval!

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No último sábado (31/07), a equipe do Carnavalize marcou presença no 2º Encontro dos Deparamentos Culturais de Escolas de Samba, organizada pelo departamento da Vila Isabel. O evento reuniu pesquisadores e membros de diversas escolas de todos os grupos, do especial a Intendente. Na oportunidade, aproveitamos a presença do muso comentarista Fábio Fabato e arrancamos algumas opiniões sobre o que as escolas estão preparando para 2017.

O jornalista participou da mesa "Qual o papel dos Culturais na Crise?" junto com o historiador Luiz Antônio Simas e André Bonate, diretor Cultural da Imperatriz, com mediação de Leonardo Bora. Na sua fala, ele exaltou a capacidade que as agremiações têm de negociar e se adaptar com os diferentes contextos históricos. 

"Escola já abraçou a ditadura militar e dez anos depois cantou "diretamente o povo escolhia o presidente", porque as escolas sabem se consociar com os poderes vigentes e fazer com que a coisa flua historicamente e vá se mantendo viva.  Mas nesse momento, a meu ver, a gente vive uma crise valores, sobretudo. valores econômicos, culturais...", disse o autor de diversos livros sobre a folia. 

Já que o tema da conversa era a famigerada crise, ele relacionou o momento difícil que o país passa com as agremiações, afirmando que elas são espelhos desse contexto, sofrendo com a mesma situação. 

Citando temas patrocinados icônicos, como o iogurte da Porto da Pedra em 2012, Fabato disse que o momento é de aproveitar a crise e repensar os enredos e a festa como um todo. Destacando que com esse cenário devemos olhar pros valores essenciais da festa e a capacidade de receber diferentes públicos. "Os desfiles são uma absoluta democracia e integração de valores", ele afirmou.

Depois do bate-papo que discutiu a crise nas escolas, o tema não podia ser outro. A primeira pergunta que fizemos foi sobre como esse contexto abalou as agremiações. Em seu livro "Pra tudo começar na quinta-feita", escrito com o Luiz Antônio Simas, Fabato fala sobre como nos últimos tempos o carnaval vem servindo a cultura de massa em seus enredos patrocinados. E pro ano que vem, poucas escolas conseguiram ajuda financeira. A nossa pergunta foi se ele achava que se para 2017 tá começando a pintar um esgotamento dos desfiles patrocinados e como ele analisa essa onda de enredos autorais:
Fábio Fabato: Não sei se temos um esgotamento, mas temos o espelhar de um modelo de crise econômica e partir dela não se tem mais prefeitos esbanjadores ou empresas que queiram vender produtos. Os produtos não estão sendo vendidos nem na prática, imagina num enredo. Então, é um momento de repensar seus valores. Eu vejo que nos próximos carnavais, de 2017 até 2018, é o momento do divã, de repensar. Como os enredos autorais tem feito muito sucesso, que nem o caso da Maria Bethânia que ganhou, creio que esse exemplo possa contaminar e criar um tipo de cultura nova que vença essa coisa da publicidade de massa.

Quais enredos você destaca?
Fábio Fabato: Salgueiro (A divina comédia do carnaval) e Tuiuti (Carnavaleidoscópico Tropifágico), eu adoro, são enredos carnavalescos e carnavalizados. Você nota que tem uma coisa antropofágica nos dois, uma mistura, uma conversa entre diferentes cenários. Gosto muito do enredo da Rosa Magalhães (pra São Clemente, batizado de "Onisuáquimalipanse") também, apesar de não ter a ligação com o Brasil..

"Vai ser uma ligação mais aparente, metafórica, no enredo da Rosa."?!
Fábio Fabato:
É, metafórica, mas não tem uma ligação como o Catarina de Médici (Imperatriz 94) e o jegue (Imperatriz 95), mas é um belo enredo autoral. Os meus destaques são esses três, mas eu adoro Iracema da Beija-Flor. Um enredo bacana, um livro fundamental e uma homenagem ao povo cearense. O da Imperatriz é um grande enredo também... Já a Vila Isabel tem o título mais bonito com "O som da cor", um título lindo, romântico, afetivo. Então você nota que as propostas são muito boas, a exceção da Mocidade que tem um enredo que eu não curto em teoria e a sinopse eu não gosto. E o da Grande Rio, apesar de eu adorar a Ivete Sangalo, não acho que ela já tenha força para ser enredo de escola de samba.

Já que você citou a Mocidade, fala pra gente um pouquinho mais do Manifesto Autofágico, lançado por você e outros torcedores da escola de Padre Miguel. O que vocês querem mexer com ele?
Fábio Fabato: Nós queremos mexer com esse corpo. A palavra da Autofagia tem a ver com se comer, se alimentar de si mesmo, então a ideia é você repensar, processar, os seus valores, cutucar o seu próprio corpo e extrair coisas bacanas disso. A gente vê que a escola não ganha há 20 anos, tá há quase 15 sem ir pras campeãs, ela não está bem. Não é um juízo de valor, se você olhar objetivamente as classificações, a Mocidade tá mal pra cacete. Então, é hora dela repensar os valores, mas não é um movimento de oposição, não é um movimento político eleitoral. Ele tem um posicionamento crítico político no sentindo que as coisas não estão boas mas podem melhorar, mas sem flertar com nenhum tipo de oposicionismo eleitoral. É muito engraçado, pois a situação achava que nós éramos associados a oposição política eleitoral, e a oposição agora está nos criticando pois falamos bem do café com jornalistas que a Mocidade fez. Cara, a gente está aqui pra criticar construtivamente, seja dando porrada quando merecer e elogiando quando a coisa merecer. 

Você é o criador da Família do Samba, com livros sobre as matriarcas, primas, titias... Mas pra você, quais as sogras da folia? As grandes inimigas?

Fábio Fabato: Que pergunta maluca... (risos) A grande inimiga das escolas é a própria lógica ainda amadora da festa. A grande sogra da festa é a própria festa, que se chama de maior espetáculo da Terra mas ainda tem várias coisas ainda mal negociadas, como por exemplo o entorno do Sambódromo ou algumas cifras que não são bem esclarecidas, ou até a própria lógica de gestão administrativa que ainda é amadora. A principal sogra de uma escola de samba é ela mesma, ela se ajuda e se atrapalha.


Qual a expectativa pra 2017? Um carnaval tão bom quanto o desse ano? Os dias de desfiles estão mais bem equilibrados?
Fábio Fabato: Espero um desfilaço. Em 2016, nós tivemos o céu e o inferno. O foi domingo horroroso e a segunda a meu ver, foi a melhor do século, a Mangueira me emocionou muito. Acho que pro ano que vem as coisas estão mais equilibradas. Então eu queria que fosse igual este ano. Vamos ter escolas grandes fechando, a expectativa é ficar atento até o finalzinho. Prevejo muita disputa, uma Beija-Flor e Mangueira que fecham cada dia é sinal que a coisa pode ir muito bem. Tomara que o espírito da segunda feira de carnaval de 2016 inspire o ano que vem.


Esperamos que tenham curtido a entrevista e fiquem ligados que em breve virão outras com personalidades do samba. Saravá

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Depois da primeira parte da nossa análise super séria dos enredos para 2017, vamos dar continuidade na bagunça, agora com as escolas que se apresentarão na segunda. A crença não perdoa e diz que será desse dia que sairá a campeã... será? Tudo bem que teremos as três primeiras colocadas desse ano se apresentando nesse dia, mas se tratando das guias de Laíla e Regina Sinhá Celi, tudo pode acontecer, né naum.


Bem, o fato é que em 2016 tivemos a melhor segunda-feira da folia deste século e ano que vem tem a responsabilidade de manter esse nível lá em cima, então pega a sandália de prata e vem ver o que a Sapucaí nos reserva. 

1ª: "Nzara Ndembu – Glória ao Senhor Tempo" - União da Ilha


Depois de fazer desfiles retornando a sua marca da leveza e alegria, a sempre queridona União da Ilha vai continuar num resgate de si mesma para 2017. Mas o investimento será em uma outra característica perdida na escola insulana: a temática africana. Fugindo da obviedade de orixás, animais, savanas, palha... A escola vem com uma proposta babado de levar pra avenida outra vertente das religiões africanas: o candomblé bantu. Então nada de Yemanjá, Oxum, Xangô... A macumba será diferente, mas com a garantia de desfilaço de sempre. 


De carnavalesco novo, a agremiação tá apostando suas fichas no rei da reciclagem, Severo Luzardo, que fará sua estreia no especial. Esse sabe transformar colete velho de fantasia em forração de carro alegórico e dá um nó na falta de orçamento. Só esperamos que a Ilha não figure de novo nos piores sambas do ano e aproveite a temática pra fazer um sambão pra se acabar. 

Milton, o que achamos do enredo da Ilha?  


2ª: "Onisuáquimalipanse" - São Clemente



Com o poder de Rosa Deusa Magalhães, a São Clemente vem enfim se firmando como uma escola de especial. Depois de um desfile meia boca este ano com alguns erros, a preto e amarelo promete correr atrás do prejuízo e enfim garantir sua vaga nas campeãs que não rolou em 2015 por puro vacilo do júri. 



A aula já começa com o título irreverente. A professora contará a história cheia de falcatruas da construção do Palácio de Versailles. Apesar de prometer muitas perucas, vestidos pomposos e cara de Imperatriz nos anos 90, o enredo promete trazer um ar de "já vi esse filme" através da crítica política. Assim, como na Ilha, a gente torce para que esse enredaço gere um samba a altura.



Com a palavra a própria Rosa dando nosso selo:






3ª: "As Mil e uma Noites de uma ‘Mocidade’ prá lá de Marrakesh" - Mocidade

Com as bençãos dos bambas e do redentor, meu Rio das Arábias chegou


Depois de dois desfiles que tem tudo pra fazer a segunda começar pra cima, vai rolar aquela já famosa hora do lanche. Com um dos poucos enredos patrocinados do ano será que vai ser patrocinado mesmo ou vai ter calote? Beijo Correia da Inocentes, a Mocidade vem pra avenida mais uma vez sair da crise - não a do país, a dela mesma que já tá quase maior que o jejum da Portela. Com um dos enredos mais fraquinhos :( do ano, a sinopse da escola parece uma grande salada misturada que não chega a lugar nenhum. Parece que juntaram Arábia, Aladin, tapete voador, novela da Glória Perez e acharam que ia dar alguma coisa.



Depois do já icônico Perlingeiro no ferro deste ano, a gente espera que a falta de fantasias não seja tendência em enredos árabes since Em Cimona 2015. Mas como o carnaval é uma caixinha de surpresas, a safra de sambas da estrela parece que não está decepcionando. Vamos conferir na hora, pois se tem um título que a Mocidade conquistou nos últimos anos foi a de que promete mas não cumpre.                      

Me diz aí, Paulete, se o mundo fosse acabar qual a nota pro enredo:




4ª: "Música na Alma, Inspiração de uma Nação" - Unidos da Tijuca


Quando todo mundo pensou que a escola do Borel iria vir com o milésimo enredo CEP batidão seguido, a Atlas da Tijuca surpreendeu e trouxe um desenvolvimento bacanérrimo para o desfile sobre os EUA. A escola que vem se mantendo no topo mesmo com a saída de Paulo Barros, vai falar da influência negra na formação da música estadunidense a partir de um encontro entre o músico brasileira Pixinguinha e o americano Louis Armstrong. 


O enredo promete ter muito Michael Jackson pra fazer inveja ao antigo carnavalesco do Borel. A sinopse é super histórica e fica até devendo um pouco, mas esperamos que seja mero detalhe. Resta saber se o Tio Sam vai ser acabar na batucada da Tijuca.

O que achamos?





5ª: "Foi um rio que passou na minha vida e meu coração se deixou levar" - Portela

Nos últimos anos a águia vem batendo na trave na disputa do caneco. No carnaval desse ano, a escola provou na avenida que a contratação ousada de Paulo Barros deu mais que certo, juntando a estética inovadora do carnavalesco sem perder a elegância e força dos desfiles portelenses nos últimos carnavais. 


A boa sinopse faz um passeio interessante pelos rios do mundo até chegar no rio de amor portelense. Paulete está inspiradíssimo e acertou no enredo que junta duas coisas que azul e branca mais gosta de falar: Rio e dela mesma. Os 40 em samba pelo trigésimo ano seguido parecem estar garantindo, será que dessa vez vai? #AmémCissaGuimarães


Já que passou da hora da Majestade, o selo só pode ser:



6ª: "Só com a ajuda do santo" - Mangueira




Depois de colocar pra foder como há muito tempo não fazia, a velha Manga volta pra encerrar os desfiles dizendo que não está nessa festa pra fazer figuração e ficar esbarrando em torre. Depois de invocar a força da menina de Oyá, a campeã segue apostando na força do divino pra superar a crise. 

Todo mundo quer saber se o desfile deste ano foi apenas um golpe de sorte ou se a Manga volta pro grupo das campeãs pra ficar. Mas se depender do talento do carnavalesco Leandro Vieira, tá tudo tranquilo e favorável. Falando no enredo, ele promete abordar de maneira diferente a questão da religiosidade mostrando o jeitinho bem brasileiro que nós tratamos a santidade. Não mexe comigo, baby.

Já que com a Manga não se brinca:



E a gente termina por aqui a análise dos enredos pra 2017 do grupo especial do Rio de Janeiro. Se esse ano tivemos desfiles incríveis, o ano que vem tem tudo pra manter o alto nível. Vamos esperar. Mas fique ligado no Carnavalize que nas próximas terças nossas análises continuam com o que as escolas da Série A carioca e do Grupo Especial paulistano vão levar pra avenida. Saravá! 

Confira a parte 1 com os enredos das escolas de domingo, clicando aqui.

Por Léo Antan e Vitor Melo.





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Quem diria que minha primeira entrevista daria tão certo? E eu que não tinha pretensão e nem sabia se funcionaria! Não quero me gabar, mas a entrevista com o Sidnei foi um sucesso; só que agora o patrão ficou mais exigente e quer novas entrevistas.

A difícil tarefa era: quem entrevistar? Não fazia ideia e nem tinha muitos contatos. Pensei, pensei e pensei... até que veio uma luz no fim do túnel. Iria unir o útil ao agradável; com essa oportunidade do Carnavalize de entrevistar os artistas do carnaval, tentaria uma entrevista com meu carnavalesco favorito, Wagner Santos! 

Parece que estou com uma maré de sorte, porque assim que mandei mensagem, ele me respondeu já combinando o dia e o horário da entrevista. E sabem onde ele marcou? No ateliê do Tucuruvi! Ok... depois de marcado, a ficha tinha caído: VOU CONHECER E ENTREVISTAR MEU CARNAVALESCO FAVORITO. Se com o Sidnei já estava nervosa, imagina com o Wagner? 

O grande problema foi montar as questões, tinha tanta coisa pra perguntar... sobre sua passagem na Mocidade Alegre, na Vila Maria, na Tucuruvi, o enredo para 2017, Carnaval do RJ, mas com a ajuda do Carnavalize e de alguns amigos, consegui montar o "roteiro". Estava tão preocupada em fazer uma entrevista perfeita que fiquei ensaiando em casa e repassando as perguntas várias vezes, mas no fim não deu muito certo.

Não vou dizer que fiquei ansiosa e contando os dias porque isso todo mundo já sabe, vamos logo ao dia da entrevista. Bom, adivinha quem se atrasou de novo? Pois é. E pior que eu nem olhei o endereço no Google Maps, ou seja: iria me perder. 
Saí atrasada de casa e quando cheguei finalmente na estação Tucuruvi, ninguém conhecia a rua do ateliê. Aí comecei a andar.... a andar e o tempo passava, cada vez mais atrasada e só pensava: vou perder a entrevista! Depois de andar bastante finalmente achei o ateliê, com a ajuda de uma senhora muito fofa! #agoravai

Sou suspeita pra falar sobre meu carnavalesco favorito, mas como o Wagner é sensacional! Me cumprimentou, me apresentou para todos que estavam trabalhando no ateliê e ainda mostrou algumas fantasias prontas e explicou o que cada uma representava. Antes da entrevista batemos um papo e senti muito à vontade. Só que a entrevista... bem, não foi do jeito que eu queria. Eu ainda estava nervosa e, sabe quando dá aquele branco? Ensaiei tanto pra no fim esquecer algumas perguntas. Tive que ir no improviso. Acho que por se tratar do meu carnavalesco favorito, foi difícil  conter a emoção e tentar não transparecer o nervosismo. Apesar de ter achado que a entrevista não foi lá aquelas coisas, o Wagner foi incrível em suas respostas, descontraído e com uma risada contagiante, um amor de pessoa! Ele já era meu carnavalesco favorito, depois de conhece-lo e entrevista-lo se tornou ainda mais! 

Gravamos o vídeo - essa parte foi uma das mais engraçadas, porque na primeira vez que gravei ele parou de falar na metade e disse que estava ruim e pediu pra voltar. Tiramos fotos; mas quem disse que eu queria ir embora? Quando você está frente a frente com uma pessoa que você tanto admira, você quer aproveitar cada momento! Conversamos mais, sobre desfiles inesquecíveis, o carnaval de 2017, enfim... aproveitei cada momento!

Fui embora realizada e muito feliz! Aproveitando para puxar o saco do Carnavalize, se não fosse esse projeto louco eu não teria essa oportunidade de entrevistar e conhecer meu ídolo. Foi um dia único e que sempre lembrarei, a quase repórter está gostando cada vez mais de fazer essas entrevistas e não vê a hora da próxima!

Ah... eu vou, mas eu volto hein?!


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