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Carnavalize

Assim como o Carnavalize, esse novo espaço aqui no site surge para dar voz a apaixonados, que escrevam, pesquisam e estudam o carnaval. Quando tivemos a ideia do site, em primeiro lugar, queríamos expor nossas opiniões e visões de como os jovens enxergavam e gostariam de contar e encontrar materiais sobre o carnaval. Sendo assim, iniciaremos essa série de textos do nosso público, entenda-se como um "espaço aberto" e sinta-se à vontade para nos mandar seu texto, crônica, artigo, o que for. Com essa iniciativa, buscaremos dar voz a pessoas, que sempre quiseram divulgar escritos sobre a festa, mas nunca tiveram um lugar - assim como nós antes do site. 


Por Gabriel Cascardo

"Dos maiores clichês existentes no Carnaval, o que diz que ele não termina quarta feira é o mais fidedigno possível. Da análise das notas rasuradas no jornal (essa tradição ainda está viva) até o aguardo interminável pela justificativa dos jurados, inúmeras suposições são criadas até termos acesso as ponderações que descontaram pontos das escolas. Acho que o inconformismo desse processo não coube no meu corpo e esse texto ganhou forma.

2017 foi o ano mais atípico possível. Creio que não para ser esquecido, mas sim para ficar bem vivo. Servir de exemplo e oportunidade (gigantesca) de melhoria. Hoje, vejo que cosmologicamente falando, era impossível não haver respingos no julgamento e consequentemente na apuração depois dos quatro dias de caos ocorridos na Sapucaí.

Antes dos nossos olhos visualizarem todos os problemas supracitados, a definição de uma nova segmentação para os jurados já causou dúvidas e desconfiança. A tal “cabine dupla de julgamento” praticamente no meio da avenida parecia ter nascido fadada ao fracasso (dela e de agremiações). O resultado não foi diferente do imaginado. Meses depois da sua estréia na Sapucaí, ela foi extinta com a inacreditável média de 0,1 pontos de diferença por jurado do mesmo quesito, 57% de suas notas sendo descartadas (dados do grupo de acesso) e um carnaval tragicamente decidido no setor 6.

Todo ocorrido no último carnaval me gerou mais questionamentos sobre o formato de julgamento no carnaval do Rio de Janeiro. Em grupos e fóruns, percebi o mesmo sentimento. Sendo assim, como folião, venho discutir algumas percepções (conspirativas ou não hahahaha) que tenho e não aparece no caderno de justificativas:

1. Alguns jurados criam pré disposições com o dia do desfile.
E consequentemente, posição/data no desfile. De 1984 pra cá (quando o carnaval foi fragmentado em dois dias), apenas 6 escolas foram campeãs (18%) foram campeãs no Domingo. Já no acesso, todas as campeãs desfilaram no Sábado.

2. Alguns jurados julgam por comparação.
E desta forma, as primeiras escolas tendem a ser mais descontadas, pois não há o comparativo para argumento inicial-pessoal de descontar a sequente ou não. Isso também leva/retorna a teoria do “Julgamento por bandeira”, onde as escolas de menos peso tendem a ser prejudicadas.

3. (E mais grave) O quesito conjunto ainda é julgado.
E sem dúvidas, é o ponto que mais me incomoda. Tenho a total impressão que muitas vezes os jurados deixam passar alguns detalhes técnicos do quesito que está sendo julgado por ser um desfile que possivelmente estará disputando o título dias depois.  Não gosto de  qualquer agremiação como bode expiatório, mas temos exemplos claros em comissão de frente em 2017, Evolução em 2015, Alegorias e Adereços em 2014, entre outros.

4. O quesito Samba Enredo tem um “Q” de Harmonia para os jurados.
E aí entra a terrível definição, “O samba aconteceu na avenida.” Por regulamento, letra e melodia devem ser avaliados de forma separada a fim de alcançar a pontuação da agremiação no quesito. O que vemos recentemente são sambas com claros problemas melódicos e com má construção para demonstrar o enredo com inúmeras notas 10 por passar de forma avassaladora na avenida.

5. As bandeiras são tão julgadas.
Some os 4 tópicos acima aos resultados recentes e a definição deste último tópico se torna de conhecimento público.

Concordam com alguns dos tópicos? Tem alguma percepção similar que não foi citada?


Espero que na próxima quarta de cinzas estejam com olhos atentos as notas a partir do que foi citado acima. E lembrem-se (mais um ponto inacreditável), só verão as justificativas meses depois da apuração. Creio que exista uma corrente que acredita na quaresma das notas e que todos serão perdoados por suas avaliações até a Páscoa." 

Confira abaixo a análise feita por Gabriel Cascardo das notas da cabine dupla na Série A do carnaval carioca. (Clique para ampliar)



Quer participar dessa nossa coluna e ter seu texto estrelando o próximo "Da Galera"? Mande o seu arquivo para o e-mail contato@carnavalize.com ou nos mande em nossas redes sociais: Facebook e Twitter. Assim que recebermos o texto, nosso equipe o avaliará, sendo aprovado, entraremos em contato. Não perca tempo, mande-nos!
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por Leonardo Antan



Os tamborins já estão devidamente esquentados, faltam pouco mais de 100 dias para as escolas rasgarem o chão da Sapucaí. Para isso, se encerrou a fase do ano carnavalesco mais movimentada e cheia de babados: as disputas de samba. Todas as escolas do especial carioca já definiram os hinos que defenderão em fevereiro e nós, divos que somos, fizemos aquele resumão com os bafos e as escolhas de cada uma. Para contrariar os saudosistas, a safra manteve o alto nível do ano passado e tem obras que valem antologia. A disputa pelo Estandarte prometer ser acirrada. Dê o play e vem cair no samba com a a gente: 


Grande Rio

A Grande Rio vem dar um banho de axé, salve toda essa gente de fé



A primeira agremiação a finalizar sua disputa foi a tricolor da Baixada. A obra escolhida conta a história da homenageada Ivete Sangalo com toda a força e axé que a cantora merece. Apesar das torcidas de nariz para o enredo, a baiana gerou um samba animado que promete colocar todo mundo pra pular. Ivete tem cumprido o dever de casa e cantando o samba em todos os seus shows e aparições na mídia, ajudando a deixar a letra na boca do povo. Quando a Grande Rio pisar na avenida promete fazer um verdadeiro arrastão, Ita que se cuide (zoa). Além disso, já foi divulgada uma versão com intérprete Emerson Dias cantando ao lado da homenageada, ouça e venha se jogar atrás do trio.

Paraíso do Tuiuti

É tropicália, olha aí, é Tuiuti, meu paraíso não existe nada igual



Depois da segunda escola de domingo, foi a vez da campeã do acesso de 2016 realizar sua final. A responsável pela abertura da festa tem um dos enredos mais celebrados do ano que abordará o movimento tropicalista. A final com três sambas foi polêmica, o campeão desbancou os dois favoritos, um deles do compositor Cláudio Russo, que tem quatro obras no acesso. A parceria de jovens compositores aborda com leveza o enredo do carnavalesco Jack Vasconcelos. 

Vila Isabel

ÔÔ, Kizomba é a Vila, firma o batuque no Som da Cor



Além da azul e amarelo de São Cristóvão, outro favorito também foi desbancado lá pelas terras de Noel. Quando em todos os bolões de aposta davam como certa a vitória da multi-campeão André Diniz, a azul e branco surpreendeu ao escolher a parceira de Arthur das Ferragens como seu hino para 2017. A vitória foi bem vinda para oxigenar a ala da escola, já que a obra é valente como pede o enredo e tem tudo para ser cantada a plenos pulmões pela comunidade. 

União da Ilha

É o tempo de fé, união. O tambor da Ilha a ecoar



Com um belíssima safra como a tempo não acontecia, a Ilha teve uma tarefa difícil, já que grande obras chegaram a final. A parceria vencedora soube captar a valentia do enredo afro recheada de palavras na língua banto e nas divindades abordadas, que não são os orixás já que o tema é sobre outra vertente das religiões de matriz africana. Em suma, é a cota afro do ano, do jeito que a gente adora para fazer todo mundo girar no terreiro. Com um tema e samba excelentes, a escola tem tudo para abrir os desfiles de segunda em alto nível.

São Clemente

Que hoje o rei sou, brilhando com a ginga que o samba me deu 



Esse foi definitivamente o ano de escolhas surpreendentes por parte de algumas escolas e na São Clemente também foi assim. A escola da zona sul optou por uma obra de Luiz Carlos Máximo e companhia, que fizeram história na Portela com hinos como "Madureira sob o Pelô" e "Mareia, mareiou". A canção apesar de belíssima tem uma cara portelense, mais clássica, com direito a três refrões, fugindo a personalidade irreverente "clementiana". Mesmo sem grande torcida na final, a diretoria fez uma aposta na busca de melhorar um dos quesitos que vem tirando a vaga da agremiação entre as seis, justamente o samba-enredo.

Salgueiro

Dessa paixão que encanta o mundo inteiro, só entende quem é Salgueiro



Pelas terras salgueirenses, a disputa só se decidiu no último acorde. Com três sambas de parcerias consagradas com grandes possibilidades de representar a Academia, a decisão foi pelo bicampeonato do grupo liderado por Marcelo Motta. Depois do malandro que fez todo mundo batucar, o hino escolhido não tem a mesma força, mas possuí a cara da escola e a valentia para levá-la a um bom resultado. A letra descreve a passagem do inferno ao céu, com a visão carnavalesca que o enredo abordará, de maneira leve e contagiante.

Portela

Vem conhecer esse amor a levar corações através do carnavais




Polêmica também não faltou pelas terras de Madureira. A final da agremiação ficou marcada pela confusão entre as parcerias finalistas. A lamentável cena de violência, entretanto, não apagou o brilho da samba escolhida que foi abraçada pela comunidade azul e branca. Com uma quantidade de votos muito amor na decisão da diretoria, a parceria de Samir Trindade foi bicampeã. A qualidade da obra é usar o enredo sobre rios para exaltar a própria escola, uma característica forte da Portela ao longo da história. Onde grande bambas surgem como personagens através dos setores. 


Tijuca

Com samba no pé nos vamos à luta, tô na boca do boca meu nome é Tijuca



De maneira discreta, o Borel realizou sua final sem alarde com sambas em bom nível. A canção não será um dos grandes destaques do carnaval, mas tem a cara que a escola adquiriu nos últimos anos. Tem uma característica mais "funcional" e, com certeza, será cantada a plenos pulmões pela valentia da comunidade. Com um enredo badalado, o samba segue a cartilha e conta os setores que abordarão a história da música americana sobre o olhar negro. 


Mocidade


Vem pra Marrocos meu bem, vem minha Vila Vintém, canta Mocidade



A safra da estrela guia está aí para provar que o carnaval não é para iniciantes. Mesmo com um enredo sem grandes possibilidades criativas, a ala de compositores surpreendeu com sambas-enredos de qualidade. A parceria vencedora apenas confirmou o favoritismo desde que veio a público, abraçada pela comunidade e pela crítica carnavalesca. A obra lindíssima abusa da poesia e promete o antropofágico encontro de Alah e Xangô, numa mistura tipicamente carnavalesca. Outro grande feito é o refrão que rima Sherazade com Mocidade de maneira genial. Um dos hinos do ano. 

Mangueira

Nascido e criado pra vencer demanda, batizado no altar do samba



A atual campeã foi mais uma das escolas que teve uma disputa imprevisível até a decisão afinal. Com obras de três conhecidas parcerias, a escolha da verde-e-rosa foi difícil entre sambas que souberam traduzir muito bem a proposta de falar de religiosidade do carnavalesco Leandro Vieira. Mas quem levou a honra de ser cantada pela comunidade, foi o grupo de compositores liderado por Lequinho. Com muita malandragem, a canção tem a força pra encerrar o carnaval com tudo. Quem me chamou...

Imperatriz

O clamor da natureza a nossa voz vai ecoar... Preservar!




Como já é tradição em Ramos, a safra da Imperatriz rendeu alguma das mais belas canções do ano. A final contou com parcerias já consagradas na agremiação. O grande baluarte Zé Katimba e Me Leva são responsáveis por alguns hinos que embalaram a verde e branco nos últimos anos. Entretanto, a vitória ficou com o grupo liderado por Moisés Santiago, que até ano passado assinava com Katimba. A obra, que canta o enredo sobre o Xingu, tem beleza, mantendo a sequência de ótimos sambas da Leopoldina. 



Beija-Flor

Uma história de amor, meu amor, é o Carnaval da Beija-Flor




Encerrando em alto nível a fase de disputa de sambas, a soberana de Nilópolis realizou uma disputa histórica. A homenagem ao romance Iracema rendeu canções belíssimas e aos pés da Deusa da Passarela. Com mais uma dessas finais disputadas, nota-se que não foram poucos, ninguém podia afirmar com certeza que era o favorito disparado nas terras da Baixada. Entretanto, a escolha não foi uma surpresa, a inovação de Claudemir e cia ganhou grande torcida virtual e aparentemente, também, a diretoria da azul e branco. Com um refrão pra cima e fora dos padrões, o samba é daqueles que gruda como chiclete e promete se eternizar na memória carnavalesca. 


***


Uma das etapas do pré-carnaval chegou ao fim. Mas, em contrapartida, deu início ao período em que a ansiedade pela folia só aumenta. Agora é hora de ouvir e reouvir as escolhas feitas pelas agremiações e eleger nosso preferidos. Com uma grande safra, o grupo especial carioca vive um ano inspirado com grandes sambas, sem destaques negativos. Vamos esperar agora a versão oficial com os intérpretes oficiais para começar nossas avaliações precisas. Até lá!

























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Não é de hoje que eu digo que a dispersão é meu lugar cativo na Marquês de Sapucaí e será nela d'onde tirarei a inspiração e, de fato, as memórias que escreverei. É na dispersão que todo o trabalho, ano, desfile é levado ao êxito - no caso de um baita desfile. Mas também às lágrimas, quando alguma coisa não sai como o esperado. Essas, aliás, serão muito citadas por aqui hoje. Já vou parando com a enrolação, hoje vou falar sobre a escola que mexe com o âmago de qualquer um, costumo dizer que não existe um "carioca" (as aspas pois considero todos cariocas por amarem tanto quanto nós o maior espetáculo de nossa cidade, do país e DO MUNDO) que o coração bata mais forte quando escute um dos, e olha que não são poucos, hinos da azul e branco de Oswaldo Cruz e Madureira. Não há. Garanto-lhes.

Já ficou claro que falarei da tradição, da maior campeã de todos os tempos, da nossa Águia altaneira. "Tá bom, Vitor, já pode parar com a enrolação". Ok, perdoem-me, mas é que "se eu for falar da Portela não vou terminar". Eu tenho azul e branco no coração e, cada vez mais, sinto que é a segunda escola dele. Sim, já enrolei muito, vamos ao que interessa! Já ficou claro pelo título que vamos falar de 2016, né? Não!? Vish... Assim que foi anunciada a contratação do genial Paulo Barros para comandar o carnaval portelense nesse ano, eclodiram dúvidas de como seria esse casamento. Até eu fiquei meio receoso - admito. O transgressor, inovador, badalado carnavalesco estava indo para nada mais nada menos que a Majestade do Samba, onde o ar exala tradição, onde não se tolerava um pingo fora dos "îs".

Não estou aqui para falar do pré-carnaval. Vamos aos desfile, em si, conquanto não esteja pra falar principalmente dele também. Sobre o casamento de Paulo Barros e Majestade do Samba, deixo para quem tem mais autoridade que eu quando se trata de Portela. Soou a sirene da Sapucaí e iniciara o desfile da azul e branco, de cara veio aquela polêmica, mas grandiosa comissão de frente, aquele elemento que mais parecia um abre-alas de causar inveja em certas escolas... O desfile da Portela, em si, dispensa comentários, foi um show. Por mais que em algumas alegorias houvesse reciclagens de ideias, foi um show. Até as criticadas baianas, davam um interessante visual ao evoluírem. O navio que balançava. O "Gulliver", que mesmo não tão bonito visualmente, impressionava. Os dinossauros comendo as menininhas, a briga pelo Eldorado. Até a Águia bem peculiar, ao meu gosto, não tira a magia desse desfile fantástico para mim. Que senão venceu, deveria estar em segundo lugar na apuração. Isso, todavia, não vem ao caso, já passou. 


O desfile passara pelo módulo 3, onde eu estava, e fui correndo pra dispersão, não poderia perder a saída do meu desfile, até então, predileto do carnaval 2016. Chegando lá, ainda falta bastante escola pra passar, uns 20 minutos se me lembro. Aquele ótimo samba era cantado tão alto por aquelas arquibancadas mais recuadas que até um desses críticos ao carnaval, apaixonar-se-ião. Era lindo, foi lindo. Aliás, é lindo. Pois não esquecerei nunca o que foi a dispersão naquele dia. Os dirigentes choravam, mas choravam de molhar a pista mais até do que aquele infame Posseidon - perdoe-me a piada. Eles se olhavam, abraçavam-se e a única coisa que se ouvia era "Chegou nossa vez". Não haveria algum maluco que ousasse a discordar. Era emocionante até pra mim que não sou "diretamente portelense". Eu que estava com minha camisa de linho e meu chapéu Panamá - pelo enredo salgueirense - aproveitei para me infiltrar, os diretores estavam com roupas que lembravam, até certo ponto, a minha. Agradecia e parabenizava a todos que passavam por mim. "Belo desfile, meu irmão". "Chegou nossa vez!". E acho que nunca senti emoção parecida com a que pulsava em meu peito igual aqueles minutos - me arrepio, só de lembrar cada abraço caloroso e intenso que recebia de diversos integrantes... De baianas a ritmista. Dos diretores às passistas! Foi fantástico e único.


As arquibancadas àquela altura já estavam enlouquecidas e começavam a gritar "É campeã... É campeã!" ao aproximar do batuque inconfundível que só a Tabajara do Samba possui. Cantando em plenos pulmões o sambaço da azul e branco ia moldando um filme que nunca esquecerei. E eu? Eu já nem voz mais tinha, mas ainda estava por lá, não sairia de um dos momentos mais mágicos que presenciei no carnaval assim tão facilmente. Aos poucos, o mar azul e branco se dispersava, e eu que voltava pro setor 8 onde estava, pensava "É... Finalmente acabará o jejum de Oswaldo Cruz e Madureira", não há quem discordasse àquela altura, mas aí veio a Menina dos olhos de Oyá e todos já sabemos o que aconteceu... Enquanto vinte e uma estrelas brilharem em meu olhar, eu, em toda minha vida, estou fadado a lhe amar! Salve a Portela, salve a Águia altaneira de Oswaldo Cruz e Madureira!


Espero que gostem desse relato de um dos momentos mais mágicos que vivi, tomara que tenha conseguido sintetizar o mix de sentimentos e lembranças que me passaram pela cabeça. O vídeo abaixo foi gravado por mim no momento que a Tabajara chegava à dispersão. O som está meio estourado (até hoje não sei o porquê), mas ainda dá pra ouvir as arquibancadas saudando a Majestade com os gritos de "É campeã!".










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Nesta sexta-feira (05/08), iniciam-se os primeiros Jogos Olímpicos realizados no Brasil. O Rio tem a honra de receber atletas do mundo todo para conhecer e admirar nossa cultura tão vasta, esta que inclui - VEM SOLANGE - o meu, o seu, o nosso Carnaval! 


A expectativa dos amantes da maior festa do mundo é gigante para saber onde irão se encaixar baterias, intérpretes, passistas e rainhas de bateria. A resposta está logo abaixo!

A prefeitura do Rio, na tentativa de mostrar ao mundo aquilo que o carioca tem de melhor, criou um espaço de congraçamento entre os povos. Agora conhecida como Boulevard Olímpico, a Zona Portuária, que abriga o Museu do Amanhã, será palco dos mais animados encontros desta fan fest. Da Praça Mauá até a Praça XV, o show fica a cargo de nossas amadas Escolas de Samba e blocos.

Os encontros ocorrerão de forma que as agremiações se misturem ao chegar no Palco Tendências, localizado na Praça XV. Desta maneira, elas farão uma festança digna de Carnaval. A expectativa é que os gringos gastem muita grana e os blocos e Escolas misturem sambas-enredo com famosas marchinhas, com originalidade e diversão. Vai ter MUUUUITO SAMBA e se reclamar a gente paga a condução pro Paulinho Direto ir fazer um showzinho por lá.

Confira abaixo as apresentações do "Encontro de Carnavais", que se iniciará diariamente às 15h, no Boulevard Olímpico:

Além disso, todas as doze Escolas do Especial e a rebaixada deste ano, Estácio de Sá, se apresentarão no Parque Olímpico. As apresentações serão para divulgar o Visit.Rio e segundo Antônio Pedro Figueira de Mello, secretário de Turismo da cidade, poderão acontecer também fora das Arenas, dependendo do contingente de público. 

O Carnaval também estará presente na Cerimônia de Abertura das Olimpíadas. Todas as Escolas de Samba do Especial tocarão juntas um samba especial composto para o evento. Além disso, passistas e casais de mestre-sala e porta-bandeira das doze escolas também participarão. É previsto que o samba seja 20% da cerimônia, que contará bastante sobre a sustentabilidade e sobre o povo carioca.

Na passarela do samba, os jogos já desfilaram sua história algumas vezes. A primeira vez em 1997, na Mangueira que cantou o "Olimpo é verde e rosa", quando o Rio ainda era candidata a sediar a festa, o samba dizia: "2004 é o sonho brasileiro".


Em 2007, a Portela falou dos jogos Pan-americanos que aconteciam naquele ano na Cidade Maravilhosa, mas colocou a competição americana no contexto das Olimpíadas, promovendo o encontro dos deuses gregos com os deuses portelenses. 


Já a União da Ilha abordou a competição esportiva em duas oportunidades nos últimos quatro anos, a primeira vez em 2012 quando desfilou com a história da Inglaterra que sediava os jogos naquele ano e agora em 2016, levando um enredo onde os deuses olímpicos se encantavam pela beleza carioca.


O Carnavalize espera que o samba assalte muitos corações durante os Jogos Olímpicos e que Rosa Magalhães abençoe todos os atletas. Viva o Carnaval!

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No último sábado (31/07), a equipe do Carnavalize marcou presença no 2º Encontro dos Deparamentos Culturais de Escolas de Samba, organizada pelo departamento da Vila Isabel. O evento reuniu pesquisadores e membros de diversas escolas de todos os grupos, do especial a Intendente. Na oportunidade, aproveitamos a presença do muso comentarista Fábio Fabato e arrancamos algumas opiniões sobre o que as escolas estão preparando para 2017.

O jornalista participou da mesa "Qual o papel dos Culturais na Crise?" junto com o historiador Luiz Antônio Simas e André Bonate, diretor Cultural da Imperatriz, com mediação de Leonardo Bora. Na sua fala, ele exaltou a capacidade que as agremiações têm de negociar e se adaptar com os diferentes contextos históricos. 

"Escola já abraçou a ditadura militar e dez anos depois cantou "diretamente o povo escolhia o presidente", porque as escolas sabem se consociar com os poderes vigentes e fazer com que a coisa flua historicamente e vá se mantendo viva.  Mas nesse momento, a meu ver, a gente vive uma crise valores, sobretudo. valores econômicos, culturais...", disse o autor de diversos livros sobre a folia. 

Já que o tema da conversa era a famigerada crise, ele relacionou o momento difícil que o país passa com as agremiações, afirmando que elas são espelhos desse contexto, sofrendo com a mesma situação. 

Citando temas patrocinados icônicos, como o iogurte da Porto da Pedra em 2012, Fabato disse que o momento é de aproveitar a crise e repensar os enredos e a festa como um todo. Destacando que com esse cenário devemos olhar pros valores essenciais da festa e a capacidade de receber diferentes públicos. "Os desfiles são uma absoluta democracia e integração de valores", ele afirmou.

Depois do bate-papo que discutiu a crise nas escolas, o tema não podia ser outro. A primeira pergunta que fizemos foi sobre como esse contexto abalou as agremiações. Em seu livro "Pra tudo começar na quinta-feita", escrito com o Luiz Antônio Simas, Fabato fala sobre como nos últimos tempos o carnaval vem servindo a cultura de massa em seus enredos patrocinados. E pro ano que vem, poucas escolas conseguiram ajuda financeira. A nossa pergunta foi se ele achava que se para 2017 tá começando a pintar um esgotamento dos desfiles patrocinados e como ele analisa essa onda de enredos autorais:
Fábio Fabato: Não sei se temos um esgotamento, mas temos o espelhar de um modelo de crise econômica e partir dela não se tem mais prefeitos esbanjadores ou empresas que queiram vender produtos. Os produtos não estão sendo vendidos nem na prática, imagina num enredo. Então, é um momento de repensar seus valores. Eu vejo que nos próximos carnavais, de 2017 até 2018, é o momento do divã, de repensar. Como os enredos autorais tem feito muito sucesso, que nem o caso da Maria Bethânia que ganhou, creio que esse exemplo possa contaminar e criar um tipo de cultura nova que vença essa coisa da publicidade de massa.

Quais enredos você destaca?
Fábio Fabato: Salgueiro (A divina comédia do carnaval) e Tuiuti (Carnavaleidoscópico Tropifágico), eu adoro, são enredos carnavalescos e carnavalizados. Você nota que tem uma coisa antropofágica nos dois, uma mistura, uma conversa entre diferentes cenários. Gosto muito do enredo da Rosa Magalhães (pra São Clemente, batizado de "Onisuáquimalipanse") também, apesar de não ter a ligação com o Brasil..

"Vai ser uma ligação mais aparente, metafórica, no enredo da Rosa."?!
Fábio Fabato:
É, metafórica, mas não tem uma ligação como o Catarina de Médici (Imperatriz 94) e o jegue (Imperatriz 95), mas é um belo enredo autoral. Os meus destaques são esses três, mas eu adoro Iracema da Beija-Flor. Um enredo bacana, um livro fundamental e uma homenagem ao povo cearense. O da Imperatriz é um grande enredo também... Já a Vila Isabel tem o título mais bonito com "O som da cor", um título lindo, romântico, afetivo. Então você nota que as propostas são muito boas, a exceção da Mocidade que tem um enredo que eu não curto em teoria e a sinopse eu não gosto. E o da Grande Rio, apesar de eu adorar a Ivete Sangalo, não acho que ela já tenha força para ser enredo de escola de samba.

Já que você citou a Mocidade, fala pra gente um pouquinho mais do Manifesto Autofágico, lançado por você e outros torcedores da escola de Padre Miguel. O que vocês querem mexer com ele?
Fábio Fabato: Nós queremos mexer com esse corpo. A palavra da Autofagia tem a ver com se comer, se alimentar de si mesmo, então a ideia é você repensar, processar, os seus valores, cutucar o seu próprio corpo e extrair coisas bacanas disso. A gente vê que a escola não ganha há 20 anos, tá há quase 15 sem ir pras campeãs, ela não está bem. Não é um juízo de valor, se você olhar objetivamente as classificações, a Mocidade tá mal pra cacete. Então, é hora dela repensar os valores, mas não é um movimento de oposição, não é um movimento político eleitoral. Ele tem um posicionamento crítico político no sentindo que as coisas não estão boas mas podem melhorar, mas sem flertar com nenhum tipo de oposicionismo eleitoral. É muito engraçado, pois a situação achava que nós éramos associados a oposição política eleitoral, e a oposição agora está nos criticando pois falamos bem do café com jornalistas que a Mocidade fez. Cara, a gente está aqui pra criticar construtivamente, seja dando porrada quando merecer e elogiando quando a coisa merecer. 

Você é o criador da Família do Samba, com livros sobre as matriarcas, primas, titias... Mas pra você, quais as sogras da folia? As grandes inimigas?

Fábio Fabato: Que pergunta maluca... (risos) A grande inimiga das escolas é a própria lógica ainda amadora da festa. A grande sogra da festa é a própria festa, que se chama de maior espetáculo da Terra mas ainda tem várias coisas ainda mal negociadas, como por exemplo o entorno do Sambódromo ou algumas cifras que não são bem esclarecidas, ou até a própria lógica de gestão administrativa que ainda é amadora. A principal sogra de uma escola de samba é ela mesma, ela se ajuda e se atrapalha.


Qual a expectativa pra 2017? Um carnaval tão bom quanto o desse ano? Os dias de desfiles estão mais bem equilibrados?
Fábio Fabato: Espero um desfilaço. Em 2016, nós tivemos o céu e o inferno. O foi domingo horroroso e a segunda a meu ver, foi a melhor do século, a Mangueira me emocionou muito. Acho que pro ano que vem as coisas estão mais equilibradas. Então eu queria que fosse igual este ano. Vamos ter escolas grandes fechando, a expectativa é ficar atento até o finalzinho. Prevejo muita disputa, uma Beija-Flor e Mangueira que fecham cada dia é sinal que a coisa pode ir muito bem. Tomara que o espírito da segunda feira de carnaval de 2016 inspire o ano que vem.


Esperamos que tenham curtido a entrevista e fiquem ligados que em breve virão outras com personalidades do samba. Saravá

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