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Carnavalize

por Alisson Valério



Revelando um pouco da construção da identidade das principais escolas brasileiras, hoje fazemos uma parada no Bixiga para lembrar a história de uma das mais importantes agremiações carnavalescas do país. Surgido como cordão e depois tornado escola de samba propriamente, o Vai Vai construiu uma história de luta e raça, sempre ligado ao povo, sendo o maior campeão da folia paulistana. 

Em meio a críticas sociais e homenagens musicais, a escola construiu um perfil popular e aguerrido que é abraçado por torcedores pelo Brasil a fora, conquistando cada dia mais novos apaixonados. Por isso, relembramos agora os desfiles mais marcantes da escola do povo. Vem ver o samba amanhecer com a gente! 

"Vem novamente a disputa, meu povo à luta!"


Tudo começou no início do século passado: por volta de 1928, Livinho, Benedito Sardinha e um grupo de amigos animavam os jogos e as festas organizadas do time de futebol e grupo carnavalesco chamado de Cai-Cai no bairro do Bixiga. Mas eles não eram bem vistos pela galera do Cai-Cai não, viu? Longe disso; o grupo de amigos era visto como um bando de penetras e arruaceiros, foram até jocosamente apelidados de "a turma do Vae-Vae". Não demorou muito e eles foram expulsos do Cai-Cai, mas não deixaram por isso mesmo e criaram o "Bloco dos Esfarrapados" e também o Cordão Carnavalesco e Esportivo Vae-Vae, este sendo oficializado em 1930, o resto é história.... 

O cordão escolheu as cores preto e branco, que eram as cores do Cai-Cai invertidas como forma de ironizar o cordão, honrando assim a fama de arruaceiros. O símbolo que até hoje faz parte do pavilhão da escola tem como objeto central uma coroa, com dois ramos de café e abaixo o nome e a data de fundação. A escolha dos ramos de café foi pelo motivo do produto ser, na época, uma das grandes fontes de riqueza do Brasil, com a coroa simbolizando a realeza e a magnitude da raça negra, em forma de homenagem aos que vieram para o Brasil como escravos e eram reis e rainhas na sua terra. Era comum naquela época os negros se tratarem por “oi, meu rei", "oi, minha rainha”.


Outra curiosidade é o apelido "Saracura". O nome veio do rio que margeava a Bela-Vista. Apesar de ser um apelido que é motivo de orgulho hoje ele foi dado de forma pejorativa, mas graças ao sucesso e aos títulos da escola, virou motivo de orgulho para a toda a sua comunidade.  

Desfilando como cordão foram quatro títulos e três vice-campeonatos. A escola estreou como Escola de Samba no Grupo Especial em 1972, já garantindo o segundo lugar com o enredo "Passeando pelo Brasil o samba mostra o que é seu". De 1972 até 2018 foram 15 títulos, tornando-a a maior campeã do Carnaval de São Paulo na atualidade.
  

O começo de tudo – (1978, 1981 e 1982)




A escola que estreou no Grupo Especial no ano de 1972 sendo vice-campeã não demorou muito para conquistar o seu primeiro título no grupo: o título veio no ano de 1978, com o enredo “Na Arca de Noel quem entrou não saiu mais”, assinado por uma comissão de carnaval. "Noel, Noel, Noel, esta linda noite é sua, o Vai-Vai está em festa neste carnaval de rua..."



"Acredite se quiser no sonho mais lindo que eu não sonhei..." E três anos depois viria o primeiro bicampeonato da escola, com os enredos “Acredite se quiser” e “Orun Aiyê - O Eterno Amanhecer”, os dois assinados por uma comissão de carnaval. Ambos os desfiles foram embalados por dois sambaços que estão eternizados na coletânea do Vai Vai. "Olorum, canta meu povo em harmonia, Olorum, Vai-Vai na apoteose da alegria..."



O tricampeonato – (1986, 1987 e 1988)


"Raiou e o sol brilhou, ao romper de um novo dia, o Vai-Vai chegou..." Depois de conseguir seu bicampeonato em 81 e 82, foi a vez de conquistar o seu primeiro tricampeonato no Grupo Especial paulistano, com títulos de 86 a 88. O enredo “Do jeito que a gente gosta”, assinado pelo carnavalesco Andrés Wilches, marcou também o início da era de Thobias da Vai-Vai como interprete da escola. Enredos com teor critico como esse seriam frequentes na história da escola no Carnaval de São Paulo. "Quero ver pulso firme contra a corrupção, e um salário justo para toda nação..."  



"A paz virá, neste momento de alegria, vou desfilar, irradiando energia, aos povos sem exceção..." Com o enredo “A volta ao Mundo em 80 Minutos”, assinado por Ciro Nascimento, a escola entrou na avenida no amanhecer do dia rumo ao seu bicampeonato. No pouco que se pode ver do desfile, dá para notar o mascote da escola, o Criolé, no seu abre-alas que nos levaria a uma viagem pelo mundo. A leveza do desfile e a energia dos componentes junto a arquibancada deram o tom, além do show da bateria do Mestre Tadeu, embalando assim mais um campeonato para a escola do Bixiga. "Eu quero é mais que sedução, brotar o amor no coração, a liberdade, um ideal, Vai-Vai na avenida é carnaval..." 



"Jorge Amado... Mestre na literatura, fez da epopeia de um povo, a sua arte em romance de ternura..." Com o seu desfile baseado em obras de Jorge Amado, intitulado de “Amado Jorge, a História de uma Raça Brasileira”, assinado por Ulysses Cruz, a escola da Saracura vinha em busca do seu tricampeonato. A intenção do carnavalesco era fugir do tradicional de época e fazer um carnaval bem teatral no Vai-Vai, transformando a avenida em um verdadeiro palco. E conseguiu! O samba, que era pura poesia, embalou mais um grande desfile da escola do Bixiga rumo a conquista do seu terceiro título consecutivo. "Bahia... o seu nome principia, com o canto e a magia, que o negro sopra pelo ar, cantando... sua terra, sua gente, seu passado, seu presente, o futuro só Deus dirá..."   




A rainha que reluz é ouro – (1993 e 1996)


Foto: YouTube

"A Bela Vista vem de novo aí, com muito brilho pra te alucinar, reluz feliz e não é ouro, o meu maior tesouro, é ver o povo delirar..." O período que marcou o início da era dos desfiles no Sambódromo do Anhembi rendeu dois títulos ao Vai-Vai, nenhum deles consecutivos, mas nem por isso foram menos marcantes. O primeiro deles foi com o enredo “Nem tudo que reluz é ouro”, assinado pelo trio de carnavalescos Fábio Brando, Luís Rossi e Renato Teobaldo. A intenção era mostrar a saga do homem através da riqueza e dele se perdendo na ganancia, tendo o intuito de ensinar que a maior riqueza na nossa vida são justamente as coisas que não estão à venda. 

Sempre que o Vai Vai abraça enredos com crítica e exerce a sua voz como 'Escola do Povo', o sucesso é quase garantido e dessa vez não foi diferente. Mais um show na avenida no amanhecer do dia para delírio do público que não arredou o pé do Anhembi até o final do desfile campeão da Saracura.  "Leva meu samba, um canto de reflexão, que o tesouro, é a água, é a terra (é o nosso ar), tá na liberdade, na felicidade eterna, tá no sangue, vem da alma e do amor, tá no coração dos homens, está na paz, está na flor..."

Foto: Ouro de Tolo

"Clareou, clareou geral, alô galera, alô bateria, alô povão, de preto e branco vem a Saracura, ninguém segura essa overdose de emoção..." Em busca do seu segundo título do Anhembi, o Vai Vai teve pela primeira vez em sua história um carnavalesco carioca, Sidinho Ramos, que assinou o enredo “A rainha, a noite tudo transforma” que cantaria a noite que transforma em realidade, fantasias do consumo e em conjunto realizaria o sonho de uma mulher que fez da noite o palco para o seu sucesso, a dona de casas noturnas paulistana, Lilian Gonçalves. Um desfile inesquecível que começou a noite e foi iluminado pela luz do dia. E a noite que tudo transforma transformou o sonho do título em realidade para a festa de toda a comunidade da Saracura. "Hoje Lilian Gonçalves na verdade, o sonho fez realidade, nas mil e uma noites da canção, agora a Cinderela é rainha, vou sonhar a festa é minha, Vai-Vai um novo dia clareou, clareou..."

O tetracampeonato (1998 - 2001)

Foto: SPTuris

"Me beija na boca, amor, me faz um chamego, eu quero sentir, balançando a massa, é Vai-Vai que passa, sacudindo o Anhembi..." No ano de 1998, o Vai Vai decidiu falar sobre os 90 anos da imigração japonesa no Brasil, mas eles resolveram contar essa história de uma forma um pouco diferente, tornando o enredo mais a cara da escola. O carnavalesco, Chico Spinoza, resolveu inserir o mascote da escola, o Criolé, no enredo o transformando na figura que contaria a história. No enredo, o personagem sonha que é o imperador do Japão antigo, conhece as belezas e as tradições da terra do sol nascente e no meio dessa viagem ele acorda na avenida no desfile de carnaval guiando o público por essa viagem recheada de beleza e cultura. Uma sacada genial do carnavalesco! O desfile ainda teve como grande trunfo a estética japonesa que deu um toque todo especial ao visual da escola. Em um dos grandes sacodes do Anhembi, embalado por um dos sambas inesquecíveis da história do carnaval paulistano, o título não poderia ir para outro lugar além do bairro do Bixiga. "Aí fiquei maluco com o desfile da Vai-Vai, sacode povão, Banzai!" 

Fonte: Youtube
"Na virada do milênio, a paz renascerá, ô clareia deixa clarear..." Rumo ao bicampeonato, o Vai Vai do carnavalesco Chico Spinoza resolveu contar a história e as profecias de Nostradamus. Um tema polêmico, que gerou de certa forma olhares estranhos até o dia do desfile... Porém, quando o mesmo começou, foi arrebatador em sua essência! Num cortejo harmonioso do início ao fim, desde o seu início de cores mais escuras até o seu final cheio de esperança e de tons mais claros, a escola deu um verdadeiro show no Anhembi para coroar seu bicampeonato. "Na transformação, surge um clarão é um novo ser, Saracura vem anunciar (que o Vai-Vai), chegou para explodir o Anhembi..." 


"Eu sou Bixiga, sou amor, amor, fazendo o samba amanhecer (vem ver), a Saracura é a razão do meu viver..." Na rota do tricampeonato, com o enredo “Vai-Vai Brasil”, assinado pelo carnavalesco Flávio Tavares, no ano em que eram celebrados os 500 anos do Brasil, a escola contou a época mais contemporânea do país, passando por vários fatos históricos que aconteceram entre 1984 e os anos 2000. Acontecimentos históricos como as Diretas Já, o Plano Cruzado, Sarney, Collor e Real, o ídolo Ayrton Senna e, claro, uma homenagem aos 70 anos da própria escola. Um desfile de tom crítico, mas ao mesmo tempo divertidíssimo, com aquele espirito arruaceiro, essência da escola. Pode colocar mais um tricampeonato na conta da escola do povo! "Eu elegi um presidente, Collorido e diferente, me dei mal, com garra e emoção, pintei toda nação, aí eu caí no Real..." 

 Vania Vargas/Folha Imagem

"Na transformação, surge um clarão é um novo ser, Saracura vem anunciar (que o Vai-Vai), chegou para explodir o Anhembi..." Sonhando com o inédito tetracampeonato no Grupo Especial do carnaval paulistano, o Vai Vai trouxe o enredo “O Caminho da Luz, a Paz Universal”, de assinatura do carnavalesco Ilvamar Magalhães. A proposta do carnavalesco era um convite a reflexão, tocando em vários pontos que regem a humanidade como a vida, a razão, a inspiração, a esperança e o amor. Foi um verdadeiro show do Vai Vai no Anhembi. Tendo ao seu favor mais um samba 'arrasa quarteirão' e a sua comunidade sempre fazendo jus a sua essência aguerrida, o sonho do tetracampeonato inédito virou realidade para a Saracura. "Me dê a mão, somos irmãos, vamos caminhar, buscar na luz celestial, a paz universal..."

15 vezes campeã – (2008, 2011, e 2015)


Foto EFE

"Eu sou guerreiro de fé, meu samba é no pé, sou Vai-Vai, se quero axé meu manto traz, no branco a paz, no preto amor, sou brasileiro e tenho meu valor..." Depois de alguns anos sem saber o que era comemorar um título no carnaval, o Vai Vai voltou a sua origem crítica ao lado de Chico Spinoza, naquele que seria um dos maiores desfiles da sua história. Intitulado de “Vai-Vai acorda Brasil, a saída é ter esperança”, inspirada na peça de Antônio Ermírio de Moraes, que conta a história de um incêndio na comunidade de Heliópolis em 1996. A história de superação contada na avenida mostrando a força que a educação tem de mudar o futuro de uma nação ganhou uma linda descrição durante o desfile da escola. Um cortejo inesquecível para muitos, é com certeza um dos maiores desfiles da escola no carnaval paulistano. O título, claro, veio, mas de forma sofrida, apenas na última nota do último quesito. Campeonato mais do que merecido pelo o que foi apresentado pela escola do Bixiga. "Alô Brasil, o nosso povo quer mais educação pra ser feliz, com união, vencer a corrupção, passar a limpo este país..."

Foto: Fernando Donasci/UOL
"Feliz da vida lá vem o Bexiga, exemplo de comunidade, a música venceu, o dom é luz que vem de Deus, da emoção, Vai-Vai resplandeceu..." Em busca da sua 14ª estrela, o Vai Vai trouxe para o Anhembi uma das histórias mais lindas da história da música do nosso país: a vida e a superação do maestro João Carlos Martins. “A música venceu” foi assinado pelo carnavalesco Alexandre Louzada. O enredo passeou por toda a vida do maestro, começando na sua infância na comissão de frente e terminando com ele regendo uma orquestra no último carro. O desfile foi arrebatador do começo ao fim! A história de luta do homenageado encantou e emocionou a todos os presentes no sambódromo. O samba em si é uma obra-prima da história do Vai Vai. A sensação ao final da apresentação é que o título tinha sido arrebatado e a confirmação veio na terça-feira de carnaval. A décima quarta estrela do pavilhão do Vai Vai havia sido conquistada em 2011. "Na sua fé, resistiu, e a dor da adversidade, suplantou, com muita garra e amor..." 


"Reluziu, seu canto ecoou, no meu Brasil cantora igual jamais se ouviu, Saracura a cantar bem mais feliz, simplesmente Elis..." Vai Vai e música é uma combinação que dá ótimos frutos e quando se trata de uma homenagem, as chances de sucesso são maiores ainda. O tributo a Elis Regina virou realidade no Carnaval de 2015 e o Vai-Vai abraçou a oportunidade com unhas e dentes. O enredo “Simplesmente Elis. A Fábula de uma Voz na Transversal do Tempo” assinado pelos carnavalescos Alexandre Louzada, Eduardo Caetano e André Marins foi contado através das suas músicas na avenida de forma leve e emocionante. Nesse texto, a palavra sacode foi citada algumas vezes, mas esse desfile talvez tenha sido o maior sacode proporcionado na avenida pelo alvinegro em sua história. Foi de arrepiar do começo ao fim. Elis Regina e Vai-Vai com uma combinação pra lá de apimentada, que abocanhou o título do Carnaval de 2015. A cantar a dor, o amor, o bêbado e a equilibrista, a voz do povo diz que o show de todo artista, tem que continuar...


Baluartes do Vai Vai

 Thobias da Vai-Vai – Presidente de Honra

Foto: Revista Paulista
Thobias na sua carreira de intérprete foi uma voz marcante e inesquecível no Vai-Vai e agora continua sendo uma voz forte dentro da agremiação, só que dessa vez como presidente de honra. Thobias já foi interprete, presidente, vice-presidente e agora é presidente de honra da escola. Já fez e faz de tudo pelo Bixiga. Ele que chegou a escola em 86, e obviamente continua até os dias de hoje, fez parte de 11 dos 15 títulos da história do Vai-Vai no Grupo Especial. Como intérprete, ele embalou o título de Banzai em 1998, com presidente o título Acorda, Brasil em 2008 e como presidente de honra o desfile em homenagem a Elis Regina em 2015. Uma história na escola repleta de momentos memoráveis. Impossível falar do Vai-Vai e não falar de Thobias e vice-versa. É um nome que ficará marcado para sempre na história da escola.

Mestre Tadeu – Mestre de Bateria


Foto: Christian von Ameln/Folhapress
Antônio Carlos Tadeu chegou ao Vai-Vai no final da década de 1960 e permanece até os dias de hoje na escola. Ele assumiu o posto de Mestre de Bateria em 1973 e não sendo fã desse negócio de paradinha, ficou e não saiu mais. Mestre Tadeu participou de todos os 15 títulos do Vai-Vai no Grupo Especial de São Paulo. E não é só troféu que ele coleciona não, recordes também. Os recordes de maior vencedor do Carnaval de São Paulo e o de maior tempo comandando a mesma bateria no Brasil são dele. Da bateria do Mestre Tadeu saíram grandes mestres e diretores de bateria, nomes como o do Mestre Tornado que atualmente é um dos grandes mestres de bateria do carnaval.  Antes mesmo do Vai-Vai ser uma escola de samba Tadeu já estava por lá, lugar que ele faz história até hoje. A história do Antônio Carlos e do Vai-Vai se misturam de tal forma que quase se tornam uma só. Mestre Tadeu é um patrimônio do carnaval paulistano e uma lenda viva da história do carnaval do Brasil. Vida longa ao Mestre!

Paulinha e Pingo - Mestre-sala e Porta-bandeira

Foto: Liga SP
Eles estrearam como primeiro casal do Vai-Vai em 2006, não só como primeiro casal do Vai-Vai, mas como primeiro casal no Carnaval. Paulinha era a segunda porta-bandeira da escola, onde desfilava desde os seus 7 anos de idade, Pingo chegou a escola em 2001 e era o terceiro mestre-sala. Se estamos falando sobre eles agora nem é preciso dizer que a parceira deu certo, aliás não só deu certo como foi um golaço da escola. O casal foi nota 10 já em sua estreia, história que se repetiu várias vezes em todos os seus carnavais dançando juntos pelo Anhembi. A primeira fantasia usada pelos dois representava o "Orgulho de ser Vai-Vai" e se tem uma certeza quando se fala desse casal é o orgulho de todos os torcedores da escola em tê-los defendendo ano pós ano o pavilhão da escola do Bixiga. Pingo e Paulinha serão eternizados como um dos grandes casais não só do Vai-Vai, mas da história do Carnaval de São Paulo.

Chico Spinoza - Carnavalesco

Chico Spinoza é um dos grandes carnavalescos do Brasil e no Vai-Vai fez boa parte da sua história no Carnaval. Ele chegou a escola por escolha do próprio Chico, ainda quando trabalhava como figurinista da Rede Globo um diretor da emissora pediu para ele fazer um carnaval em São Paulo, citou duas escolas e ele acabou escolhendo o Vai-Vai e o resto é história. Foram 8 anos, 3 títulos e 2 vice-campeonatos conquistados. Na sua passagem pela escola foram vários desfiles inesquecíveis, mas obviamente que os títulos com Banzai em 1998 e Acorda Brasil em 2008 encabeçam a lista dos melhores desfiles de Spinoza no Bixiga. Em sua carreira como carnavalesco foi campeão por 4 oportunidades, três com o Vai-Vai em São Paulo e uma vez com a Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. Chico Spinoza é o carnavalesco que mais vezes foi campeão assinando sozinho o carnaval na escola do Bixiga, marcando assim o seu nome na história da agremiação paulistana.

Camila Silva – Rainha de Bateria


Foto: Fashionando
No carnaval de 2018, Camila Silva completou 10 anos de reinado a frente da bateria Pegada de Macaco do Vai-Vai. Não precisa nem dizer que ficar 10 anos à frente de uma bateria, um cargo tão disputado e constantemente vendido no carnaval, o que não é o caso do Vai-Vai, é um tempo muito significativo para mostrar a força da natureza que Camila Silva é e continua sendo no Vai-Vai. Ela tem todos os requisitos que uma rainha precisa: samba no pé, beleza, carisma e o mais importante deles que é o comprometimento. Ser rainha de bateria é muito mais que um posto, é um estado de espirito e Camila Silva é uma rainha de bateria em seu pleno estado de espirito. Vida longa à rainha!  

"É tradição e o samba continua!"


Falar do Vai-Vai é passear pela história do Carnaval de São Paulo, contar dos seus títulos é relembrar vários momentos marcantes e inesquecíveis da história do samba paulistano. Desde a sua essência arruaceira, dos seus sambas antológicos, do seu povo aguerrido.... ah, o seu povo, diversas vezes em sua história quando o Vai-Vai abraçou a sua faceta de Escola do Povo, de falar dos problemas do seu povo, o sucesso era inevitável, a sua vertente crítica é uma das suas maiores qualidades pois é puramente de sua essência falar do povo e ser o povo cantando na avenida as suas dores e os seus amores... E uma dica: se nunca viu o samba amanhecer vai no Bixiga pra ver, vai no Bixiga pra ver.... 

Playlist no Youtube com todos os sambas dos campeonatos do Vai-Vai:
https://www.youtube.com/playlist?list=PL9xrNWhRQAwMK6k8BE9haZKQU1LL2SYuE 


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Por Alisson Valério e Bruno Malta
Ganhar o título de campeã de um carnaval não é fácil e no final das contas só uma vai vencer, mas isso não impede que nós tenhamos outros desfiles inesquecíveis naquele mesmo ano. Esse texto tem o propósito de exaltar desfiles que não venceram, muito pelo mérito das escolas que conquistaram os seus campeonatos merecidamente, mas que merecem ser lembrados e exaltados.

Preparados? Então partiu viajar por esses grandes desfiles que deixaram a sua marca no Carnaval de São Paulo.

Império de Casa Verde 2007 
Foto: Mastrangelo Reino/Folha Imagem
Vindo de dois títulos consecutivos o Império de Casa Verde entrou no Anhembi em busca do tricampeonato e levou para o sambódromo paulistano o enredo “Glórias e Conquistas – A Força do Império está no salto do Tigre”, da comissão de carnaval liderada por Renato e Márcia Lage. O enredo falava e contava a história dos grandes Impérios da história da humanidade e terminava no Império do Samba para celebrar uma era de conquistas. O desfile já começou de forma arrebatadora com a comissão de frente, que virou uma marca da escola nos carnavais dessa época, com uma fantasia luxuosa, impactante e com uma coreografia de muito bom gosto que foi executada perfeitamente. Isso se estendeu a toda parte plástica da escola, que contou com fantasias com requintes de luxo, sendo muito bem-acabadas, além dos carros gigantes, um show à parte. O samba, que tinha a cara da escola e do enredo, funcionou perfeitamente. Claro que isso se deve também a garra da comunidade da escola, da sua bateria fora de série e do interprete Carlos Junior, que deu um show com o seu time de canto. O título e o tricampeonato não vieram, por todos os méritos do desfile campeão da Mocidade Alegre naquele ano, mas a escola fez um desfile inesquecível para muitos e conquistou a quinta posição no Carnaval daquele ano.



Vai-Vai 2009
Foto: Sebastião Moreira/Efe
O Vai-Vai foi de corpo, alma e mente pura para o carnaval de 2009 em busca do bicampeonato. A escola levou para o Anhembi o enredo “Mente sã e corpo são”, assinado pelo carnavalesco Chico Spinoza, que contava a história da saúde mundial, mas que também criticava a falta de saúde no nosso país: “Acorda, meu Brasil, a coisa por aqui já vai pra lá de mal...” como dizia o samba daquele ano. Samba que causou um verdadeiro sacode no Anhembi, de ponta a ponta, com o auxílio da pegada forte da bateria do Bixiga e do seu time de canto liderado por Carlos Junior. A comunidade não ficou atrás e deu o seu show característico, foi um banho de harmonia do Vai-Vai, como já é costumeiro.

O desfile chamou muita atenção pelo enredo crítico e pela mensagem forte, muito bem apresentada na avenida. Chico Spinoza esteve muito inspirado na parte plástica também, dando um toque especial ao desfile da escola. O título quase veio na última nota, mas a escola acabou ficando com o segundo lugar. A Mocidade Alegre foi a campeã dando aquele show particular que ela sabe fazer como ninguém. Antes mesmo do desfile, Spinoza já tinha dito que havia vencido o carnaval só de ter conseguido levar o enredo para a comunidade e passado várias informações sobre saúde. E o fato de ter feito isso com louvor no desfile também, apesar de não ter vencido, tornam esse desfile inesquecível na história do Carnaval de São Paulo. 



Acadêmicos do Tucuruvi 2013
Foto: Flávio Moraes/G1
Desde a chegada de Wagner Santos para a função de carnavalesco, o Acadêmicos do Tucuruvi vinha numa evolução gradativa em busca do sonho de ser campeão. Em 2013, a azul e branca encantou o Anhembi com seu belíssimo desfile sobre Mazarropi. O enredo que falava do eterno caipira era muito delicado na abordagem e deixou o público boquiaberto pela sensibilidade. Com lindas alegorias e fantasias, a escola da Zona Norte emocionava quem assistia. Além do bom enredo e do ótimo conjunto visual, o samba conduzido pela primeira - e única vez na escola - por Igor Sorriso era brilhante. Com versos doces e divertidos, a obra ainda fazia referência a Dona Edna, esposa do presidente da escola, que faleceu na preparação do Carnaval daquele ano. Era de arrepiar! A Mocidade Alegre, com todos os seus méritos e sua competência habitual nos quesitos, venceu o campeonato de maneira justa, mas a lembrança eterna do Carnaval 2013 é do Zaca! A escola encontrou o seu final feliz.



Mocidade Alegre 2015
Foto: Caio Kenji/G1
Tricampeã entre 2012 e 2014, a Mocidade Alegre entra em 2015 diferente do que estava acostumada. Com muita expectativa e o sonho do inédito tetra, a Morada apostou em Marília Pêra para seu enredo, sendo uma aposta certeira. Com muita beleza, os carnavalescos Sidnei França e Márcio Gonçalves apresentaram um dos mais brilhantes trabalhos plásticos que o Anhembi já viu. O enredo foi brilhantemente contado não apenas na plástica, mas também no ótimo samba da escola que foi defendido com a competência habitual pelo intérprete Igor Sorriso e por toda comunidade do bairro do Limão. O tetra escapou nos detalhes e a escola terminou em segundo, o que reafirma o mérito da grande campeã Vai-Vai que levou uma belíssima homenagem a Elis Regina para o sambódromo naquele ano, emocionando, inclusive, Marília Pêra. Por tudo isso, temos que aplaudir essa mulher guerreira que fez a Mocidade ser Marília Pêra.

https://www.youtube.com/watch?v=DiRljDoAox8


Dragões da Real 2017

Foto: Alan Morici/G1
A Dragões da Real é a escola mais jovem do Grupo Especial. Fundada em 2000 e integrante da elite desde 2012, a Tricolor só evolui desde então e sonha com o inédito título que bateu na trave em 2017. Com um enredo sobre a música "Asa Branca" de Luís Gonzaga, a escola da Vila Anastácio fez um verdadeiro espetáculo no Anhembi. A história proposta pela escola era bem elaborada e foi muito bem retratada pelos belos carros e fantasias que faziam parte do conjunto plástico da escola. Ademais, o samba da escola, defendido por Renê Sobral e seu carro de som, era lindíssimo e encantava o público que cantava junto dos componentes ao som da cadenciada bateria Ritmo que Incendeia, que deu um show na apresentação da escola. O resultado da apuração apontou um empate entre Tatuapé e Dragões, onde a primeira se sagrou campeã no quesito desempate samba-enredo. Por ter feito uma apresentação irretocável, os méritos da inédita campeã são enormes e merecem ser exaltados, mas o empate na pontuação mostra que a Dragões fez uma apresentação fantástica. 



Além das apresentações citadas que marcaram a história do Anhembi, também temos as duas "quase-campeãs" na era do sambódromo. Em 2002, a X-9 Paulistana, falando sobre o papel, fez uma apresentação irretocável e conseguiu a pontuação máxima do júri. Só que a escola da Parada Inglesa estourou o tempo e perdeu 6 pontos, terminando, apenas, em 9º lugar na classificação final. Sem o estouro, a X-9 seria a campeã dividindo o título com os Gaviões da Fiel com 200 pontos. Em 2013, algo parecido aconteceu com o Águia de Ouro. A escola da Pompeia, que levou João Nogueira para a pista. fez uma incrível apresentação e conseguiu uma pontuação perto da perfeição para o júri (269,8 de 270 possíveis), mas o estouro de 1 minuto e a punição em 1,1 fizeram a escola da Zona Oeste terminar em terceiro lugar atrás da campeã Mocidade Alegre por dois décimos. Sem o estouro, o Águia teria vencido o Carnaval com nove décimos de vantagem para a segunda colocada.

Falar de outros desfiles que marcaram um Carnaval mesmo sem vencer só mostra e exalta o equilibro do Carnaval de São Paulo e não desmerece aquele desfile que venceu aquela disputa, mas sim reafirma a força e competência da apresentação do desfile campeão daquele ano. A coluna de hoje termina aqui, mas fique de olho no site para conhecer ainda mais do Carnaval do Anhembi nas próximas semanas!

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Por Juliana Yamamoto
Olá, seguidores do Carnavalize, tudo bom? Hoje a entrevistada do site é uma das maiores revelações do carnaval de 2017 e a voz oficial da Escola do Povo, Grazzi Brasil!

Eu sempre quis entrevistar a Grazzi e após muitos pedidos, finalmente consegui realizar esse desejo. Desde o momento que ela ganhou notoriedade nas eliminatórias do Vai-Vai pro carnaval 2017, eu já a admirava e considerava ela um talento nato. Tive a oportunidade de fazer uma mini entrevista após o desfile das campeãs e agora uma entrevista mais longa e sem dúvidas, melhor e mais completa. 

Grazzi Brasil iniciou no mundo do samba através do convite do seu amigo Jorginho Soares, o qual é muito grata. Fez parte do time de canto da parceria do Zeca do Cavaco nos sambas concorrentes nos anos de 2015 (Elis Regina) e 2016 (França). Desde 2017, ela faz parte do carro de som da Escola do Povo e em 2018, será a primeira mulher intérprete oficial na história da Saracura. Muita responsabilidade, né? Mas além disso, ela estará no carro de som do Paraíso do Tuiuti do Rio de Janeiro. Olha só que voos altos, a nossa querida vem fazendo. Durante a entrevista, Grazzi comentou tudo isso e também falou suas expectativas pra 2018. Também abordei sobre o machismo no mundo do samba - se a própria sentiu isso - e como ela se vê como exemplo para outras meninas que queiram ser intérpretes. A sua representatividade e imagem para outras mulheres alcançarem o seu espaço numa escola de samba. 

Também citou as referências que ela tem na função de intérprete! Tem Wander Pires, Nino do Milênio, Diego Nicolau... Agora, pra você saber melhor de tudo isso, só ouvindo a entrevista que me fez conhecer ainda mais de uma das maiores revelações do Carnaval brasileiro nos últimos anos. 

Quero agradecer a Grazzi e assessoria do Vai-Vai, Mauricio Coutinho, pela atenção comigo em nome do Site Carnavalize. Muito obrigada pelo carinho e pelo tempo disponibilizado!

"Saracura! A Vai-Vai do meu coração! Simbora, Escola do Povo".

OUÇA A ENTREVISTA ABAIXO:
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Por Felipe de Souza
O carnaval de São Paulo, inegavelmente, é um dos que mais cresce e ganha espaço no Brasil. Apesar disso, é impossível ignorar a relevância que a festa momesca tem em terras cariocas. Para ilustrar tamanho crescimento da folia e a união entre os carnavais, Felipe de Souza, Beatriz Freire e Jéssica Barbosa se reuniram para detalhar samba e enredo das 27 escolas que passarão pelo Anhembi e pela Marquês de Sapucaí em 2018. Os textos estarão disponíveis às segundas, quartas e sextas, seguindo o resultado do último carnaval.


Após um desfile aquém do esperado em 2017, o Vai-Vai se arma para o terceiro enredo musical na década. Em outras duas oportunidades, o maestro João Carlos Magalhães (2011) e a cantora Elis Regina (2015) trouxeram a taça ao Bixiga. Chegou a hora da 16ª estrela?! 

"Sambar com fé eu vou"
Vai-Vai
"Hoje a sua voz vai emocionar
só quem é Vai-Vai sabe o que é amar
Na Bela Vista todo mundo vai sambar com fé
porque a fé não costuma 'faiá'"
O Vai-Vai, para o próximo carnaval, promoveu mudanças em sua equipe para brigar, novamente, pelo título. Na comissão de carnaval, a saída de André Marins após a divulgação do enredo foi precedida da chegada de Chico Spinosa e Delmo de Moraes, complementando a equipe formada por Alexandre Louzada, campeão pela Mocidade Independente em 17, e Junior Schall. A ideia dos carnavalescos é contar a história de Gilberto Gil por meio de sua vasta obra musical, apresentando também sua influência durante a ditadura militar.

Para o carro de som, foi confirmado vínculo com Wantuir e Grazzi Brasil, com participação especial do cantor Belo. Entretanto, Wantuir foi desligado da escola, tornando Grazzi a primeira intérprete da história da maior campeã do carnaval de São Paulo. Ela e Belo protagonizaram a gravação do CD, numa dupla muito coesa. 

O samba:
A obra que embalará o desfile do Vai-Vai é de autoria da parceria bicampeã encabeçada por Edegar Cirillo. O samba foi aclamado na disputa, sendo cantado por Grazzi Brasil e Fredy Vianna. Não houve mudanças após a escolha do hino, que flutua entre a ponta e o meio da safra.

Para o CD, a grande surpresa ficou por conta do grito de guerra da, agora intérprete, Grazzi Brasil. "Saracura! A Vai-Vai tá no meu coração. Simbora, Escola do Povo!" foi o escolhido por ela. Ressalta-se também a qualidade dos refrões da obra, tendo como crescentes os últimos versos antes do principal. A comunidade abraçou o samba e a bateria Pegada de Macaco utilizou-se corretamente da obra. 

O Vai-Vai desfilará no sábado de carnaval, sendo a quarta escola. A música vai embalar mais um título da Saracura?! Eis a questão! 


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Foto extraída do site Folia do Samba

Por Alisson Valério
Se no texto anterior, falamos que sem samba não tem escola de samba. O que seria do samba, sem seu cantor? Portanto, se prepare agora para conhecer um pouco mais sobre cinco nomes marcantes na arte de conduzir samba-enredo no último texto da série "Os Cinco Mais". 

E aí, preparados? Então vamos lá que o cavaco já está chorando e é hora de soltar a voz!

Daniel Collête – Mocidade Alegre, X-9, Dragões da Real, Leandro de Itaquera e Pérola Negra
 "Maraviiiiiiiiiiilha! Alô você! Bate no peito e diz: Eu sou Mocidade!"

Foto: Samba Rio Carnaval
Nascido em Nilópolis, no estado do Rio, Daniel Collête acabou fazendo a sua carreira de intérprete na cidade de São Paulo. Entrou no Carnaval como cantor de apoio na X-9 Paulistana nos anos de 98 e 99. No ano seguinte, migrou para a Mocidade Alegre, ainda na mesma função. Em 2001, no entanto, Collête assumiu o microfone principal da escola do bairro do Limão e começou a fazer história. Mesmo com a Morada do Samba não fazendo grandes apresentações, o intérprete já se destacava e ganhava reconhecimento no meio. Entretanto, o auge aconteceria em 2003. Cantando um samba afro e vestido a caráter para o enredo, o cantor deu um show no Anhembi e ajudou a escola a voltar à disputa pelo título após mais de 10 anos. O título não veio em 2003, mas não demoraria muito.

Em 2004, outra fantástica apresentação no comando do carro de som unida a mais um grande desfile levou a taça de campeão para o Limão após 24 anos. Nos anos seguintes, Collête manteve o alto nível e ajudou a verde e vermelha a ser campeã novamente em 2007. Naquele ano, o enredo que falava do riso, teve o cantor vestido de palhaço. Em 2008, Daniel se mudou para a X-9 e, apesar de não ter conseguido levar a escola a briga pelo título nos três anos que esteve por lá, se destacou pelo talento inegável e pelas fantasias maravilhosas que usava. Em 2011, Daniel foi para a Dragões da Real e ajudou na construção de uma escola que se tornou a mais nova potência do Carnaval Paulistano. Com muita alegria e a potência na voz de costume, Collête se tornou uma marca na tricolor. Após seis anos na escola, ele deixou a agremiação rumo a Leandro de Itaquera no Carnaval de 2017. Nesse ano, cantou o histórico "Babalotim", considerado por muitos, o melhor samba da história do Carnaval Paulistano. Apesar da boa apresentação dele no comando do carro de som, Collête e Leandro optaram por não renovar o vínculo. Com isso, em 2018, Collête acertou com o Pérola Negra, que busca o Acesso ao Grupo Especial. Conhecendo seu talento e sua fama de pé quente, temos certeza que lá na Vila Madalena já tem gente batendo no peito e dizendo que o Pérola Negra vai subir. Maraviiiiiiiiiiilha...



Thobias da Vai-Vai – Vai-Vai
"Alô Nação Alvinegra!"

Foto: Revista Paulista
Tido por muitos como um dos maiores interpretes da história do Carnaval de São Paulo, Thobias teve o início da sua carreira no samba de uma forma um pouco curiosa. Vindo de uma família sem ligação com o samba foi nos anos 80, quando ainda trabalhava como entregador de contas da Sabesp que ele começou a frequentar rodas de samba e em um concurso promovido pela empresa que ele trabalhava, não é que se sagrou vencedor como melhor intérprete?, chamando, ainda, a atenção dos Gaviões da Fiel, na época ainda bloco, e se tornando o cantor principal em 1983. A voz de Thobias acabou despertando a galera do Bixiga, do Vai-Vai, que não perdeu tempo e o colocou como interprete oficial da escola no carnaval de 1986 e que história os dois escreveriam juntos a partir daquele momento... Foram oito títulos (86, 87, 88, 93, 96, 98, 99 e 2000) durante os anos dessa parceria inesquecível para o samba. Thobias foi a voz principal do Vai-Vai de 86 até 2000, sendo que em 1994 ele passou o posto para Agnaldo Amaral, quando decidiu se dedicar a carreira de cantor, mas logo voltou ao posto de intérprete oficial no ano seguinte. Além disso, nos seus dois últimos anos pela Saracura, ele dividiu o microfone com Wantuir (1999) e Agnaldo Amaral (1999 e 2000).

Mas quem pensa que a história do Thobias na escola chegou ao fim, enganou-se. Em 2006, ele foi eleito presidente da escola por aclamação, após a renúncia do antigo presidente Sólon Tadeu Pereira e conquistou também um título pela escola no ano de 2008, totalizando, assim, nove conquistas na sua passagem pela alvinegra. O bordão “Sob nova direção” virou marca da sua gestão, que chegou ao fim após o desfile de 2010. No ano de 2014, Thobias assumiu a vice-presidência da escola, cargo que exerce até os dias de hoje. Foram tantas performances marcantes e inesquecíveis ao longo dos anos que ele foi (e sempre será!) a voz do Vai-Vai. Fica até difícil escolher uma performance dentre todas. Entretanto, é mais difícil ainda imaginar a Saracura campeã sem as atuações do cantor.

Em 1996 e 1998, brilhou e fez sucesso com os sambas sobre Lílian Gonçalves e o inesquecível Japão. Além disso, deu um show em 99 e 2000.  Fez, também, uma participação pra lá de especial em 2003, no carro de som liderado por Renê Sobral, e em 2005, junto de Agnaldo Amaral. Em 2014, esteve presente na faixa do CD com a categoria de sempre e fez companhia a Márcio Alexandre, apadrinhado pelo mestre, na defesa do samba sobre a cidade de Paulínia. Por tudo isso, o grito de "Alô Nação Alvinegra" ficou marcado nos sambistas da cidade e confirmou que Thobias é um cantor de categoria e classe. Sem a menor dúvida, é uma das vozes mais marcantes da história do Carnaval de São Paulo!


Royce do Cavaco – Águia de Ouro, X-9, Tom Maior, Nenê e Rosas de Ouro
 "Alô Nação azul e rosa, canta, canta, caaaaaaaaaaaaanta Roseira..."
  
Foto: SASP
Nascido em São Paulo, Royce do Cavaco é um nome marcante no Carnaval Paulistano. Intérprete oficial desde 1982, quando entrou no Águia de Ouro, Royce se consagrou a partir de 83, quando começou a cantar no Rosas de Ouro. Na escola da Freguesia do Ó, fez sucesso cantando sambas como “De Piloto de Fogão a Chefe da Nação”, “Non Ducor Duco", "Qual é a Minha Cara?” e “Sapoti”. Após 11 anos de sucesso na azul e rosa, Royce se transferiu para a recém-promovida, X-9 Paulistana. Na escola da Parada Inglesa, construiu outra carreira de muitos títulos e sucesso. Em 1997, ajudou a escola a ser campeã pela primeira vez com uma atuação irretocável cantando “Amazônia, a Dama do Universo”. Em 2000, repetiu o feito cantando o samba que falava sobre o café e o período de domínio do café na cultura e na economia brasileira. Além dos títulos, ficou marcado pelas ótimas atuações tanto em 2002 no enredo “Aceito tudo, quem sou eu?... O Papel!” e em 2005 com o tema “Nascidos para Cantar e Também Sambar”.

Após 10 carnavais, Royce foi para a Tom Maior em 2006. Ganhou, ao lado de Renê Sobral, o troféu Nota 10 de melhor intérprete. No ano seguinte, se transferiu para a Nenê de Vila Matilde. Na Águia da Zona Leste, conseguiu conquistar o prêmio de melhor intérprete em outras duas oportunidades (2009 e 2011). Além das duas atuações premiadas, Royce ficou marcado pela ótima apresentação no ano de 2007, com a temática sobre o fundador do Grupo Bandeirantes, João Jorge Saad. Em 2011, Royce deixou a Nenê e retornou a X-9. Na nova passagem pela verde e vermelha, Royce mostrou a categoria de sempre e brilhou cantando o bom samba sobre a chuva em 2015. Em 2016, por conta de incidentes com carros alegóricos, a X-9 acabou rebaixada ao Grupo de Acesso. Entretanto, Royce permaneceu no Grupo Especial. Isso aconteceu devido a saída dele rumo à Roseira. Após 22 anos, o “Sabiá”, apelido dado ao cantor em virtude do consagrado samba de 1992, retornava a escola da Freguesia do Ó. Na azul e rosa, Royce teve ótima atuação cantando o samba do enredo “Convivium - Sente-se à mesa e saboreie”. Em 2018, o intérprete segue na Roseira mais querida e cantará a obra que fala sobre a vida dos caminhoneiros. Com o grito de guerra clássico, Royce vai pedir para a Roseira fazer o que melhor sabe fazer: cantar! 


Ernesto Teixeira – Gaviões da Fiel
"Alô Nação Corintiana!"

Foto: SRZD – Cláudio L. Costa
A voz da Fiel. Ernesto Teixeira é, com certeza, a voz mais identificada com uma única escola no Grupo Especial de São Paulo. Nascido em São Paulo, o, hoje, senhor Ernesto está nos Gaviões da Fiel desde que a escola se tornou escola de samba em 1989. Contando os anos de bloco, Ernesto tem 34 anos ininterruptos sem deixar o posto de cantor oficial da Torcida que Samba. Além de cantor oficial com apresentações destacadas, Ernesto é compositor consagrado dentro da agremiação. Com seus parceiros, a voz em destaque da alvinegra conseguiu sete vitórias dentro da escola. Apesar disso, uma curiosidade é que Ernesto nunca viu um samba seu campeão do Carnaval. Mesmo com essa “falta”, a voz corintiana, como ele gosta de se denominar, teve apresentações irretocáveis nos campeonatos da escola. Em 1995, Ernesto brilhou conduzindo o ótimo e inesquecível “Coisa boa é para sempre”. Em 99, foi a vez de cantar o samba que contava a história do enredo “O Príncipe Encoberto ou a Busca de Dom Sebastião na Ilha de São Luís do Maranhão”. Mesmo sendo a última escola a desfilar, graças a maravilhosa interpretação de Ernesto, os Gaviões levantaram o Anhembi e saíram da pista consagrados campeões do Carnaval. Em 2002, a consagração definitiva! Com um enredo sobre o jogo de Xadrez misturado a realidade do mundo naquele momento, a Torcida que Samba brilhou e foi tricampeã. Ernesto, obviamente, foi um destaque da escola. Em 2003, o tetracampeonato veio com mais um show do cantor.

Mas além das apresentações campeãs, a voz alvinegra brilhou cantando os sambas de 2000 (Um Voo Para a Liberdade), 2001 (Mitos e Magias na Triunfante Odisseia da Criação) e 2015 (No jogo enigmático das cartas, desvendem os mistérios e façam suas apostas, pois a sorte está lançada!). Isso só para ficar em alguns anos.. A carreira de Ernesto é recheada de apresentações inesquecíveis! Além da consagrada carreira de intérprete, o cantor dos Gaviões é responsável pela contratação de Jorge Freitas pela alvinegra no ano de 2000. Isso poderia ser pouco, mas o carnavalesco fez história no Carnaval de São Paulo com seu estilo único. Com talento e forma única de fazer Carnaval, Jorge mudou a cara do cortejo momesco paulistano como um todo. Isso, também, é um mérito de Ernesto que viu lá atrás, o potencial desse grande artista. Por tudo isso, é impossível não ver a carreira desse cantor fantástico como um patrimônio da cultura carnavalesca da Terra da Garoa. Sendo assim, é muito bom abrir a faixa dos Gaviões no CDs de Samba-enredo e ouvir o inconfundível Alô Nação Corintiana!


Carlos Jr – Camisa Verde e Branco, Vai-Vai e Império de Casa Verde
 "Alô Nação Imperiana! Alô Tigre! O mundo te espera, e aqui tem, hein?! Fooooooooogo neeeeeeeeeles!"

Foto: SRZD
Carlos Júnior é um dos cantores com mais história no Carnaval Paulistano. Ao longo dos 17 anos de carreira, compôs e defendeu obras de muita qualidade que marcaram a "era Anhembi". Em 2000, estreou como intérprete oficial no Trevo da Barra Funda. No ano seguinte, defendeu o ótimo samba sobre Heitor Villas-Boas. Em 2002, Carlos Júnior ajudou a escola alviverde a ter o melhor resultado desde 1993. Com um samba de sua autoria, o Camisa terminou em segundo lugar na defesa do enredo sobre o número 4. Esse desfile, apesar do vice, foi considerado um marco para a tradicional escola que vinha perambulando no meio da tabela. Em 2003, na sua última apresentação pela agremiação, Carlos Júnior defendeu maravilhosamente a obra que falava sobre João Cândido. Um lindo gran finale para uma passagem marcante. Em 2004, sua estreia pelo Tigre Guerreiro foi impactante! Cantando com garra e muita alegria o samba, a escola bateu na trave na busca pelo campeonato, terminando num honroso terceiro lugar. Em 2005 e 2006, Carlos Júnior ajudou a então Caçula do Samba a se sagrar bicampeã. Suas apresentações, em especial no ano de 2005, contribuíram para carnavais marcantes e inesquecíveis. Em 2007, cantando o samba que tinha como enredo “Glórias e Conquistas - A Força do Império está no salto do Tigre”, o cantor mostrou que estava consolidado entre os grandes intérpretes do Carnaval.

Após o Carnaval de 2007, Carlos se transferiu para o Vai-Vai. Na alvinegra, dois anos e dois shows de interpretação, garra e alegria. Em 2008, segundo ele, teve sua melhor e mais emocionante atuação da carreira na defesa do enredo “Vai-Vai Acorda Brasil! A saída é ter esperança”. Em 2009, outra participação destacada no Carnaval, que tinha como tema a saúde do corpo humano. No ano de 2010, Carlão voltou ao Império de Casa Verde para, até o momento, não sair mais. Se até 2015, as colocações da escola eram modestas, o mesmo não dá para dizer das atuações do intérprete. O cantor brilhava e era o destaque absoluto dos desfiles da azul e branco. Em 2016, com a chegada de Jorge Freitas e com o samba de autoria do próprio cantor, o Império voltou a comemorar um título e Carlos Júnior foi agraciado com uma premiação de melhor intérprete do grupo. Em 2017, o título não veio, mas Carlos Júnior deixou sua marca no Anhembi com mais uma atuação de categoria. Pela carreira fantástica tanto como cantor quanto como compositor, Carlos Júnior é um patrimônio do nosso Carnaval. E quem for contra? Vai chorar...


Contar a história desses intérpretes é uma forma de reverenciar todos os intérpretes que passam pelo sambódromo ao longo dos anos sejam ele de apoio ou oficial. E esse também foi o espírito da série. Falar dos casais, das comissões de frente, das baterias, dos sambas, dos intérpretes.... Foi uma forma de valorizar e reconhecer o trabalho de todos os sambistas ao longo dos 26 anos do sambódromo do Anhembi. Por tudo isso, esperamos que a série fique marcada como uma valorização do Carnaval Paulistano. Carnaval que, assim como a co-irmã carioca Acadêmicos do Salgueiro, não é melhor, nem pior, apenas diferente, meu!

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