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Carnavalize


Por Juliana Yamamoto
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira tem a responsabilidade de defender o maior símbolo de uma escola de samba, o pavilhão, e trazer a nota máxima, ajudando-a no tão sonhado título. Esse quesito que exala arte, parceria e dança é composto por apenas dois integrantes, e são eles que se dedicam em constantes ensaios em prol do pavilhão e da sua enorme comunidade que está sendo carregada pela porta-bandeira em giros e minuetos e na proteção e cortejo do mestre-sala. Juntos, transmitem dedicação e amor. 

Para o carnaval paulistano de 2020, houve a promoção e a aposta em novos casais de mestre-sala e porta-bandeira nos grupos Especial e Acesso I. Muitos farão sua estreia como primeiro mestre-sala ou primeira porta-bandeira. Está cada vez mais evidente um novo ciclo no quesito embalado pelo surgimento de novas estrelas.


Foto: André Murrer
Abrindo os desfiles do Grupo Especial, o Barroca Zona Sul irá apostar num jovem mestre-sala para o carnaval 2020, Igor Sena. 

Igor possui 10 anos no carnaval, sendo 7 como mestre-sala. Já teve passagem pelo Águia de Ouro, escola pela qual dançou por 3 anos. Ganhou ainda mais destaque na Dragões da Real, ficando por 2 anos como segundo mestre-sala. Para 2020, fará sua estreia ao lado da porta-bandeira Lenita Magrini, que já teve passagens pela Independente Tricolor e no próprio Barroca em anos anteriores.


Foto: Felipe Araújo
A primeira escola a adentrar a pista do Anhembi no sábado de carnaval é a Pérola Negra. A agremiação da Vila Madalena também aposta numa jovem promessa com muita experiência no quesito, Arthur Santos.

Arthur tem 19 anos e começou a sua trajetória cedo, aprendendo essa nobre arte desde criança. Sua história na dança de mestre-sala e porta-bandeira se iniciou na Nenê de Vila Matilde, mais especificamente na Nenê do Amanhã, escola-mirim da águia paulistana.

Em 2019, ao lado da porta-bandeira Beatriz Teixeira, estreou como primeiro mestre-sala na escola. Com seu talento e se destacando cada vez mais na dança, Arthur estreará como primeiro mestre-sala na elite do carnaval ao lado da porta-bandeira Eliana, que está desde o carnaval de 2018 na escola.


Foto: Sergio Cruz
Já os alvinegros dos Gaviões da Fiel resolveram apostar em uma prata da casa para o quesito, marca registrada da escola. 

Gabriela Mondijan foi promovida para primeira porta-bandeira e dançará ao lado de Wagner Lima, que já era da escola e tinha uma parceria de sucesso com a Adriana Mondijan, a Drika. 

Nascida e crescida nos Gaviões, a nova primeira porta-bandeira já dança há 11 anos e iniciou a sua trajetória na própria escola em 2011, quando assumiu o quarto pavilhão. Adriana, antiga primeira porta-bandeira, sua maior inspiração, irá acompanhar todo o processo da transição ao lado do mestre-sala Wagner. 


Foto: Henrique Barbosa
Após a saída de Emerson Ramires, a Mocidade Alegre decidiu promover um de seus mestres-sala, Uilian Cesário, antigo quarto mestre-sala da agremiação. O novato no posto estreará no Anhembi ao lado de Karina Zamparolli, primeira porta-bandeira da Morada desde 2013.

Com 24 anos, Uilian iniciou sua trajetória na Mocidade Alegre após o carnaval de 2015, com uma parceria ao lado de Natália Lago. Antes, fazia parte do Acadêmicos do Tatuapé, escola em que se destacou por seu elegante bailado. O mestre-sala também se mostrava muito empenhado e dedicado, sempre aprimorando a arte através de cursos. 

Na Morada do Samba, Uilian Cesário cresceu e ganhou seu espaço, adquirindo a admiração da comunidade. Em 2020, terá a grande honra e responsabilidade de defender o tradicional pavilhão vermelho, verde e branco ao lado de Karina.


Foto: Paulo Sadão
Após a saída do primeiro casal da escola, a Unidos de Vila Maria decidiu investir numa nova dupla para o quesito. Brunno Mathias e Tatiana dos Santos formarão o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Vila Mais Famosa para o carnaval de 2020.

Com uma trajetória extensa, iniciada em 1999, Brunno, de 31 anos chegou à escola em 2010 como quinto mestre-sala, e de lá nunca mais saiu. Foi ganhando espaço e admiração pela comunidade através do riscado característico e por sua evolução na dança. A cada ano, o menino de Jundiaí crescia na arte e com seu talento ganhou maior notoriedade. Em 2018 desfilou como primeiro mestre-sala do Morro da Casa Verde. No mesmo ano, na Vila Maria, precisou assumir o pavilhão oficial ao lado da porta-bandeira Jéssica Passos, demonstrando muita responsabilidade e força. Para 2020, Brunno terá um dos maiores desafios de sua vida.

Já sua porta-bandeira, Tatiana dos Santos, é experiente, possuindo passagem em várias agremiações, como Leandro de Itaquera, X-9 Paulistana e Morro de Casa Verde, já tendo ocupado o posto de primeira porta-bandeira. No último carnaval, desfilou com o segundo pavilhão da Nenê de Vila Matilde. Muitos não sabem, mas Tatiana já participou do quadro de casais da Vila Maria, de 2006 a 2009, sendo terceira porta-bandeira. Agora retorna à verde, azul e branco como primeira, estreando nessa função no Grupo Especial, e também com um novo parceiro na dança.


Foto: Anju Fotografia
No Grupo de Acesso I, também teremos novos nomes no Sambódromo do Anhembi. A Nenê de Vila Matilde decidiu apostar em uma porta-bandeira já muito conhecida no carnaval paulistano e que fará a sua estreia como primeira no grupo da Liga das Escolas de Samba de São Paulo: Monalisa Carmo Bueno.

Monalisa tem 28 anos e começou a dançar aos 7, como porta-bandeira mirim do Barroca Zona Sul. No mesmo ano, recebeu o convite para participar do quadro de casais do Vai-Vai. Em 2000, estreou como porta-bandeira nas duas agremiações. Seu currículo é de peso, com passagens por Imperador do Ipiranga, Tradição Albertinense e Dragões da Real. Em 2007, foi porta-bandeira oficial do GRES Quilombo e no mesmo ano retornou ao Vai-Vai, ganhando maior notoriedade através do seu bailado e talento. Para 2020, atravessará a passarela do samba como primeira porta-bandeira da Nenê, ao lado do mestre-sala Cley Ferreira, que possui passagens pelo Barroca e Independente Tricolor.


Foto: Acadêmicos do Tucuruvi
O Acadêmicos do Tucuruvi anunciou no último sábado (2) seu novo primeiro mestre-sala após o desligamento de Kawan Alcides. O novo parceiro de Waleska Gomes será Luan Caliel!

Luan tem 20 anos e ganhou notoriedade no Águia de Ouro, desfilando como terceiro mestre-sala até o carnaval de 2019. Através do seu riscado característico, ganhou destaque. O jovem teve aulas com a sua própria porta-bandeira no curso da Amespbeesp nos anos de 2018 e 2019. Para 2020, fará sua estreia como mestre-sala oficial ao lado da experiente Waleska.


Foto: Felipe Araújo
Dedicação, empenho, ensaios e muito amor ao pavilhão não faltarão aos novos casais de mestre-sala e porta-bandeira que se formaram para o carnaval 2020. Novas estrelas estão surgindo para abrilhantar o Anhembi e encantar com seu bailado. Que venham os desfiles!
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Acadêmicos do Tatuapé é a atual campeã da elite paulistana (foto: SASP)

Por Juliana Yamamoto
O carnaval de 2019 está chegando e as escolas de samba de São Paulo se preparam para o grande teste antes da folia: os ensaios técnicos, que começam nesta sexta-feira (11), no Sambódromo do Anhembi. Quatorze agremiações entram na disputa com o objetivo de conquistar a tão sonhada taça de campeão. Duas delas, porém, vão ser rebaixadas para o Grupo de Acesso; caminho que ninguém quer trilhar. Abaixo, traçamos um panorama do histórico de cada agremiação no Grupo Especial.

A Acadêmicos do Tatuapé, atual bicampeã do carnaval, está no grupo desde 2013. A escola já fez passagens pela primeira divisão em outros anos. Primeiro entre 1970 e 1974; depois, uma curta passagem em 1977, além de um breve retorno de 2004 a 2006. Em 2013, o Tatuapé teve a árdua missão de permanecer no Grupo Especial abrindo os desfiles de sexta-feira. Parecia impossível, mas a comunidade da Zona Leste mostrou toda sua força e conseguiu um honroso 11° lugar. Em 2015, a alviazul estourou o tempo e brigou para não cair. A volta por cima veio nos anos seguintes e o resto é história!

A Mocidade Alegre é uma das escolas de samba mais estáveis do Grupo Especial desde sua fundação. A Morada do Samba está na elite do carnaval desde 1971, e o pior resultado da história foi o 8° lugar em 2002. A agremiação nunca apareceu na parte de baixo da tabela, o que mostra a força e a imponência de sua comunidade. Outro fato importante a se mencionar é que, de 2003 a 2010, a escola sempre voltou no desfile das campeãs, feito que, nesta década, não aconteceu apenas em 2011 e 2017. Trata-se, portanto, de uma das maiores escolas de samba da cidade.

A Mancha Verde está no Especial desde 2017. A escola disputou a divisão principal entre 2005 e 2013, quando foi rebaixada. No retorno, dois anos, apesar do esforço, não conseguiu se manter no grupo. Em 2017, contudo, a história foi diferente: a Mancha assegurou a permanência e tomou fôlego para o honroso 3° lugar da temporada passada.

A Tom Maior, que em 2018 conseguiu a melhor posição da sua história - terminou a apuração em 4° -,, possui altos e baixos no Grupo Especial paulistano. A escola, que voltou ao grupo em 2017, já participou dos desfiles principais nos anos de 1977, 1978, 1996, 1997, 2000 e 2005 a 2015. A agremiação teve o desafio de abrir o carnaval no ano retrasado e, mesmo com problemas no seu segundo carro, escapou do rebaixamento.

A Dragões da Real é uma das escolas de samba mais jovens presentes no Grupo Especial. Fundada em 17 de Março de 2000, chegou à elite 12 anos depois, conquistou um surpreendente 7° posto e se firmou entre as grandes do carnaval paulistano. De 2013 a 2015 a escola participou do desfile das campeãs e em 2017 brigou nota a nota pelo título com o Acadêmicos do Tatuapé. Hoje, a Dragões é um exemplo de administração e de estabilidade.

O Império de Casa Verde, assim como a Dragões da Real, é outro exemplo de juventude e organização. Com apenas 24 anos de existência, a agremiação já possui três títulos em sua história. Tudo começou em 2003, quando a escola iniciou sua trajetória no grupo. Desde aquele ano, a azul e branco é presença confirmada na primeira divisão. Nos anos de 2005 e 2006, a escola consagrou-se bicampeã com desfiles luxuosos para a época. Em 2016, sob a batuta do carnavalesco Jorge Freitas, a Casa Verde conseguiu seu terceiro título. 

Os Gaviões da Fiel formam uma das escolas de samba mais importantes para o carnaval de São Paulo. Nascidos em 1969, os Gaviões iniciaram sua trajetória no Grupo em 1990, fazendo uma curta passagem. Foi em 1992 que a escola, no retorno ao Grupo, iniciou uma história de sucesso e títulos. Em 1995, 1999 (divido com Vai-Vai), 2002 e 2003 a alvinegra mostrou toda sua grandeza e foi merecidamente campeã. Em 2004, um acidente ocorrido com o último carro da escola, impediu o tricampeonato e fez a escola despencar na tabela rumo ao Grupo de Acesso. Em 2006, apesar do seu grande esforço, 4 escolas eram rebaixadas e os Gaviões não conseguiram se manter. O ano de 2008 foi o retorno, para dali ficar. Com 11 anos de Grupo Especial ininterruptos, os Gaviões desejam voltar aos seus áureos tempos.

O Rosas de Ouro, assim como a Mocidade Alegre, é uma das agremiações mais estáveis do Grupo Especial. Fundada em 1971, a azul e rosa estreou no Grupo em 1975, já com o vice-campeonato, e lá ficou. Os títulos começaram a vir alguns anos depois, em 1983 e 1984. A década de 90 foi de ascensão ainda maior para a escola, com os títulos de 1990, 1991 (dividindo com Camisa Verde e Branco), 1992 e 1994. Seu último título foi em 2010. O ano em que a agremiação esteve mais perto do rebaixamento foi em 2016, quando terminou em 11° lugar, a pior posição da sua história.

A Unidos de Vila Maria está presente no Grupo desde 2015. A escola foi fundada em 1954 e iniciou sua trajetória no Especial no ano de 1969 com um surpreendente 4° lugar. Em 1973 a agremiação foi desclassificada e acabou automaticamente rebaixada para o Grupo de Acesso. A verde, azul e branco só retornou ao principal Grupo 39 anos depois. Com desfiles grandiosos como 2005 e 2007, onde a escola obteve a melhor colocação da sua história, um vice campeonato e 2008, a agremiação vinha sempre retornando nas campeãs e disputando título. Em 2013, com um enredo sobre a Coréia, a agremiação foi rebaixada na última colocação. Retornando em 2015, a agremiação do Jardim Japão mostrou a força e o contingente de sua comunidade e permaneceu-se no Grupo Especial. 

O Vai-Vai, uma das escolas de samba mais tradicionais de São Paulo foi fundada em 1 de Janeiro de 1930. No Grupo Especial, a Saracura estreou em 1973 e permanece até os dias de hoje. A Escola do Povo é a maior campeã da cidade, com 15 títulos - o último em 2015. A pior colocação da sua história foi em 2004, quando a agremiação ficou em 11° lugar. Uma das escolas mais tradicionais da capital, a Saracura mostra a cada ano a sua força e a sua presença essencial no Especial.

A X-9 Paulistana, fundada em 1975, iniciou sua trajetória no Grupo Especial em 1995, com um significativo 5° lugar. Dois anos depois, a agremiação da Parada Inglesa ganhou seu primeiro título. Em 2000, a X-9 abocanhou a sua segunda taça, dividindo com Vai-Vai. A escola permaneceu no grupo até 2016, quando foi rebaixada. A agremiação deu a volta por cima em 2017 e retornou ao grupo principal no ano de 2018.

O Águia de Ouro, campeão da divisão de acesso, abrirá o sábado de carnaval. A escola que foi fundada em 1976, iniciou sua trajetória no principal grupo em 1984, onde fez uma rápida passagem. Também esteve presente nos anos de 1987 e 1988, 1991 e 1997. 1999 foi a virada na história da escola da Pompéia, que permaneceu no grupo até o ano de 2008, fazendo um grande desfile no ano de 2007. Quando retornou, em 2010, a escola se manteve até 2017. Vale destacar o desfile de 2013, quando o Águia deixou o título escorrer de suas mãos por conta de problemas com o cronômetro.

O Colorado do Brás reestreia no principal grupo de São Paulo após 25 anos. A escola iniciou sua trajetória no Especial em 1986. Após idas e vindas, com uma breve aparição nos a agremiação chegou a fazer parte do Grupo 3 da UESP em 2011. Após um terceiro lugar no Grupo de Acesso de 2017, a comunidade se uniu e mostrou toda sua força para voltar ao Grupo Especial, terminando com o vice campeonato em 2018. Agora, a Colorado tem a missão de se manter no Especial e continuar trilhando sua história no carnaval paulistano.

Para terminar nossa análise, vamos falar do Acadêmicos do Tucuruvi. A escola, que surgiu no ano de 1976, iniciou no Especial em 1987 onde permaneceu até 1989. Após um tempo de passagem tanto no grupo Especial como no Acesso, o “Zaca” como é conhecido por muitos, firmou-se no Especial a partir do ano de 1998 até os dias de hoje. Após Vai-Vai, Mocidade Alegre e Rosas de Ouro, é a escola de samba com mais tempo de Grupo Especial. Em 2011 com um surpreendente desfile, a escola ficou em segundo lugar, a melhor colocação da sua história. Apesar de alguns resultados não tão bons, é uma das mais estáveis e sempre presentes na elite paulistana.
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Por Alisson Valério e Leonardo Antan

A "Série Enredos" dominará o site aqui durante o mês de maio, com textos novos às quartas e sextas.
Foto: Alexandre Schneider/UOL
Nunca se falou tanto sobre os enredos críticos como no último Carnaval. Em meio ao momento social agitado, a volta da temática repercutiu bem e garantiu bons resultados no Rio de Janeiro. Sempre atreladas a seu tempo, as escolas de samba assumiram o papel de porta-vozes culturais, desfilando temas políticos em diversos momentos, seja retratando de variados problemas da nossa sociedade ou usando a crítica e irreverência para reflexão. A volta desses enredos busca resgatar a identidade cultural das agremiações, que se não se perdeu totalmente, mas tornou-se esquecida com o passar do tempo.

Além disso, a importância desse resgate é a volta da representação do povo e da sua realidade atual nos desfiles, formulando empatia entre as agremiações e o público, de modo que os espectadores se envolvam e sintam-se ainda mais representados pelas escolas de samba.

Mas apesar de famosos nas terras cariocas, quem disse que as escolas paulistanas também já não cantaram temas engajados em suas apresentações? É exatamente o que iremos desvendar. Vem com a gente!


Vai-Vai 2008 - "Acorda Brasil, a saída é ter esperança"

Alexandre Schneider/UOL
O desfile é baseado na peça “Acorda Brasil”, de Antônio Ermínio de Moraes, que retrata o cenário de um incêndio na comunidade de Heliópolis, no ano de 1996. O fogo causou comoção ao maestro Silvio Baccarelli, que resolveu montar uma escola de música na comunidade, nascendo assim o Instituto Baccareli, que deu origem a uma grande orquestra popular. Transformando e mudando o destino de muitos habitantes da periferia por meio da educação e da música. 

O renomado carnavalesco Chico Spinoza resolveu contar essa história real no carnaval do Vai-Vai em 2008, com a mensagem final de que a única forma de acordar e colocar o Brasil no rumo certo seria a educação. A combinação da “Escola do Povo” como porta-voz da população não tinha como dar errado e o grito de “Acorda Brasil” ecoou durante todo o desfile, arrebatando a arquibancada e conquistando o título daquele ano, fato raro em se tratando de enredos críticos no Carnaval. E com um dos melhores sambas de sua história, a escola deixou o seu recado: “Alô Brasil, o nosso povo quer mais educação pra ser feliz, com união vencer a corrupção, passar a limpo esse país...”.

Hoje, dez anos atrás continua tão atual, não é mesmo? Seguimos na esperança de que esse grito seja ouvido e o nosso país acorde.



Império Casa Verde 2018 - "O povo, a nobreza real"

Alisson Valério/Carnavalize
O mais recente enredo crítico do Carnaval de São Paulo não poderia ficar de fora, certo? Usando como pano de fundo o cenário da Revolução Francesa para falar sobre a realidade atual do Brasil - com muitos na pobreza e poucos na riqueza - a Império de Casa Verde coroou, em seu desfile de 2018, a nobreza real brasileira: o povo!

O carnavalesco Jorge Freitas acertou em cheio na escolha: um verdadeiro show de história e crítica. Plasticamente impecável (e que assim conseguiu driblar a afirmação que enredo critico geralmente tem a sua plástica comprometida), o desfile, mesmo não conquistando o título - ficando um pouco longe disso, no sétimo lugar - com certeza ficou marcado na memória de muita gente: “Sonhei um sonho onde há coragem pra mudar o mundo, a igualdade segue junto derrubando as Bastilhas. Um sonho sonhei em que a lei era dignidade, todo camponês se torna rei, nessa folia é realidade...”




Águia de Ouro 2006 – "Não tem desculpa"

Keiny Andrade/Folha Imagem
Como carnavalizar um tema difícil? A denúncia ao tráfico de crianças com finalidade de prostituição e pedofilia foi o enredo escolhido para o carnavalesco Victor Santos no Águia de Ouro, em 2006, buscando sensibilizar as pessoas sobre os direitos infantis e também do respeito a infância.

A comissão de frente mostrava um grande combate entre o pensamento infantil, representado por magos, contra o pensamento monstruoso, representado por guerreiros selvagens e primitivos, se encerrando com uma homenagem a todas às ONGs que lutam pelos direitos das crianças e prendendo os vilões em grades, deixando bem clara a mensagem do desfile, que viajou pela inocência do mundo infantil na sua luta contra os pensamentos cruéis e maldosos do mundo adulto. Um enredo pesado, um verdadeiro soco no estômago, mas que retratou esse grito por respeito aos direitos das crianças de uma forma muito bonita. O samba deixou o seu recado: “Não tem desculpa não, denuncia é a solução, pra quem tem culpa, sofrer a punição. ”




Tucuruvi 2001 - "São Paulo dá Samba, olha aí o Nosso Carnaval"
Evélson de Freitas/Folha Imagem


Túmulo do samba? Nada disso. O carnavalesco Marco Aurélio Ruffin resolveu mostrar que São Paulo dá samba e fez uma verdadeira exaltação à história do carnaval paulistano no desfile da Tucuruvi em 2001.

O desfile começou no samba paulistano, tendo um verdadeiro arauto do ritmo na sua comissão de frente, seguindo ali para contar a história do nascimento do carnaval em São Paulo, até a chegada do palco para provar a sua raiz, com a construção do Anhembi. Tema justamente do último carro, que infelizmente teve um problema e acabou não cruzando a avenida. Mas o que não comprometeu o desfile e a verdadeira declaração de amor ao samba da Terra da Garoa. Além disso, o hino da agremiação deixou o seu aviso a Vinícius de Moraes e a quem ousar chamar o Carnaval de São Paulo de túmulo do samba: "Se enganou, olha aí, não sou um túmulo, eu sou feliz, ganhei um palco pra provar minha raiz, deixei de ser marginal, segui outra diretriz, meu samba hoje é o orgulho do país”.



Gaviões da Fiel 2002 - "Xeque-Mate"

Rogério Cassimiro/Folha Imagem
É óbvio que esse desfile do mago Jorge Freitas, não poderia ficar de fora, né? Dessa vez pelos Gaviões da Fiel, ele transformou a avenida em um verdadeiro tabuleiro de xadrez. Dar um justo e merecido xeque-mate nas guerras, corrupções e impunidades era o objetivo dessa narrativa. O resultado seria transformar o nosso país em um lugar de paz, com mais moradia, mais educação e segurança: uma jogada de mestre.

A forte crítica arrebatou o público presente numa grande apresentação, que se tornou uma das mais memoráveis de São Paulo. E continua possuindo aplicabilidade no cenário contemporâneo, tanto na esfera política quanto na esfera social: "É hora da virada (vem amor), tenho fé e esperança (no coração), o meu país menino vai mudar, e a felicidade há de brilhar".

Seguimos com essa esperança e acreditando na mudança.



Nenê de Vila Matilde 1985 - "O dia que o cacique rodou a baiana, aí ó"

Se em terras cariocas os enredos críticos tiveram seu auge durante a década de 1980, durante a redemocratização, o carnaval paulistano também reverberou o cenário social agitado. A Nenê de Vila Matilde utilizou como fio condutor a eleição do primeiro indígena a se tornar deputado federal, o Cacique Juruna, para fazer uma crítica às desigualdades sociais, usando o carnaval como forma de despertar a mobilização social.

O samba fez ainda crítica a cultura de massa "alienante" na figura do personagem Macobeba, reivindicando, também, o lugar do negro na representação política, convocando todos a "rodarem a baiana". Representatividade que fala, né? Afinal como dizia a letra: "Negro também quer poder falar alto, rodar a baiana e chegar no Planalto." 

O desfile da azul e branco foi um sacode, não só garantindo o título para a agremiação, mas a chance de protagonizar um momento histórico, ao ir desfilar no Sambódromo do Rio de Janeiro, abrindo o desfile das campeãs daquele ano.



Escolher os desfiles críticos desse texto foi uma missão complicada! Optou-se pelos mais marcantes e os que ainda ressoam, se tornando ainda atuais no cotidiano do país. Caso você seja fã de enredos críticos e não conheça tantos desfiles de São Paulo com essa vertente, não precisa se preocupar! Segue uma lista de outros carnavais políticos para descobrir ainda mais a folia do Anhembi: 

Camisa Verde e Branco 1990 – “Dos Barões do Café a Sarney, Onde Foi Que Eu Errei”; 
Mocidade Alegre 1991 – “A história se repete”; 
Gaviões da Fiel 1992 – “Cidade Aquariana”; 
Unidos do Peruche 1995 – “Não Deixe o Samba Sambar”; 
Gaviões da Fiel 1997 – “O Mundo da Rua”; 
Rosas de Ouro 2000 – “Yes, nós temos mais que banana”; 
Vai-Vai 2000 – “Vai-Vai Brasil”; 
Império de Casa Verde 2005 – “Brasil: Se Deus é por nós, quem será contra nós?”; 
Vai-Vai 2009 – “Mens Sana et Corpore Sano - O Milênio da Superação”.


E fique ligado a "Série Enredos" vai encher o mês de maio do nosso site com matérias sobre os temas que as escolas levaram para a avenida, com textos novos toda quarta e sexta. Por isso, venha carnavalizar conosco. 

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Por Jéssica Barbosa
O carnaval de São Paulo, inegavelmente, é um dos que mais cresce e ganha espaço no Brasil. Apesar disso, é impossível ignorar a relevância que a festa momesca tem em terras cariocas. Para ilustrar tamanho crescimento da folia e a união entre os carnavais, Felipe de Souza, Beatriz Freire e Jéssica Barbosa se reuniram para detalhar samba e enredo das 27 escolas que passarão pelo Anhembi e pela Marquês de Sapucaí em 2018. Os textos estarão disponíveis às segundas, quartas e sextas, seguindo o resultado do último carnaval.

"Uma Noite no Museu"
Acadêmicos do Tucuruvi
"Uma noite no museu... você e eu
fazendo história nesse carnaval.
É show na galeria, meu Tucuruvi
Pode aplaudir"
Para o próximo ano, a Acadêmicos do Tucuruvi contratou o atual campeão do carnaval paulista para assinar seu desfile. Trata-se do carnavalesco Flávio Campello, responsável por desenvolver o enredo "Uma noite no museu".

A escola da Cantareira quer levar o público aos principais museus do mundo, em uma viagem que passará por temas como arte, ciência, tecnologia e esportes. Em terras brasileiras, a Tucuruvi fará um tour por locais como os museus de Arte Moderna, do Índio e do Samba.

O samba:
De autoria de Turko, Maradona, Rafa do Cavaco, Diego Nicolau, Dr Eduardo Gustavinho Oliveira e Tinga, o samba escolhido pela Tucuruvi não agradou a todos, talvez pelo tema ser um pouco “solto”, sem um fio condutor que "amarre" a história a ser contada. Apesar de ser correta, a obra deixa a desejar em alguns aspectos, sobretudo na letra. A melodia da segunda parte do samba é o grande destaque. O intérprete Alex Soares gravou bem a faixa da agremiação no CD.

O Zaca é a terceira escola a desfilar na sexta-feira de carnaval.
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Quem diria que minha primeira entrevista daria tão certo? E eu que não tinha pretensão e nem sabia se funcionaria! Não quero me gabar, mas a entrevista com o Sidnei foi um sucesso; só que agora o patrão ficou mais exigente e quer novas entrevistas.

A difícil tarefa era: quem entrevistar? Não fazia ideia e nem tinha muitos contatos. Pensei, pensei e pensei... até que veio uma luz no fim do túnel. Iria unir o útil ao agradável; com essa oportunidade do Carnavalize de entrevistar os artistas do carnaval, tentaria uma entrevista com meu carnavalesco favorito, Wagner Santos! 

Parece que estou com uma maré de sorte, porque assim que mandei mensagem, ele me respondeu já combinando o dia e o horário da entrevista. E sabem onde ele marcou? No ateliê do Tucuruvi! Ok... depois de marcado, a ficha tinha caído: VOU CONHECER E ENTREVISTAR MEU CARNAVALESCO FAVORITO. Se com o Sidnei já estava nervosa, imagina com o Wagner? 

O grande problema foi montar as questões, tinha tanta coisa pra perguntar... sobre sua passagem na Mocidade Alegre, na Vila Maria, na Tucuruvi, o enredo para 2017, Carnaval do RJ, mas com a ajuda do Carnavalize e de alguns amigos, consegui montar o "roteiro". Estava tão preocupada em fazer uma entrevista perfeita que fiquei ensaiando em casa e repassando as perguntas várias vezes, mas no fim não deu muito certo.

Não vou dizer que fiquei ansiosa e contando os dias porque isso todo mundo já sabe, vamos logo ao dia da entrevista. Bom, adivinha quem se atrasou de novo? Pois é. E pior que eu nem olhei o endereço no Google Maps, ou seja: iria me perder. 
Saí atrasada de casa e quando cheguei finalmente na estação Tucuruvi, ninguém conhecia a rua do ateliê. Aí comecei a andar.... a andar e o tempo passava, cada vez mais atrasada e só pensava: vou perder a entrevista! Depois de andar bastante finalmente achei o ateliê, com a ajuda de uma senhora muito fofa! #agoravai

Sou suspeita pra falar sobre meu carnavalesco favorito, mas como o Wagner é sensacional! Me cumprimentou, me apresentou para todos que estavam trabalhando no ateliê e ainda mostrou algumas fantasias prontas e explicou o que cada uma representava. Antes da entrevista batemos um papo e senti muito à vontade. Só que a entrevista... bem, não foi do jeito que eu queria. Eu ainda estava nervosa e, sabe quando dá aquele branco? Ensaiei tanto pra no fim esquecer algumas perguntas. Tive que ir no improviso. Acho que por se tratar do meu carnavalesco favorito, foi difícil  conter a emoção e tentar não transparecer o nervosismo. Apesar de ter achado que a entrevista não foi lá aquelas coisas, o Wagner foi incrível em suas respostas, descontraído e com uma risada contagiante, um amor de pessoa! Ele já era meu carnavalesco favorito, depois de conhece-lo e entrevista-lo se tornou ainda mais! 

Gravamos o vídeo - essa parte foi uma das mais engraçadas, porque na primeira vez que gravei ele parou de falar na metade e disse que estava ruim e pediu pra voltar. Tiramos fotos; mas quem disse que eu queria ir embora? Quando você está frente a frente com uma pessoa que você tanto admira, você quer aproveitar cada momento! Conversamos mais, sobre desfiles inesquecíveis, o carnaval de 2017, enfim... aproveitei cada momento!

Fui embora realizada e muito feliz! Aproveitando para puxar o saco do Carnavalize, se não fosse esse projeto louco eu não teria essa oportunidade de entrevistar e conhecer meu ídolo. Foi um dia único e que sempre lembrarei, a quase repórter está gostando cada vez mais de fazer essas entrevistas e não vê a hora da próxima!

Ah... eu vou, mas eu volto hein?!


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