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Carnavalize


Por Juliana Yamamoto e Alisson Valério
As escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo fizeram um lindo espetáculo no Sambódromo do Anhembi. Com um carnaval competitivo, as agremiações mostraram toda sua força nas duas noites de desfile. Para destacarmos ainda mais essa festa, a equipe do site Carnavalize, que esteve presente no Anhembi nos dias de desfiles do carnaval paulistano, selecionou os melhores de cada quesito.

Para começar, vamos ao quesito samba-enredo. O grande samba do carnaval de São Paulo em 2019 foi dos Gaviões da Fiel. Com uma reedição de 1994, a alvinegra teve a melhor comunicação com o público durante todo desfile. Além disso, o samba - considerado um dos melhores da cidade - foi entoado a plenos pulmões pela arquibancada. Com um excelente desempenho da bateria e um ótimo carro de som liderado pelo intérprete Ernesto Teixeira, a obra ficou ainda melhor durante o desfile e sacudiu o Sambódromo como nunca visto antes. Uma apresentação inesquecível e um samba-enredo que será eternamente lembrado pelos sambistas.

Mestre Moleza, da Cadencia da Vila, trouxe os 40 pontos para a escola! (foto: Recordar É Viver)
Já em bateria, várias apresentações se destacaram ao longo das duas noites de desfile. Muitas escolas ousaram em bossas e paradinhas que levantaram o público. Neste ano, o quesito teve como destaque a Cadência da Vila, comandada pelo Mestre Moleza. Desde 2013 na verde, azul e branco, Moleza transformou a bateria da Unidos de Vila Maria em uma das melhores da cidade. Com bons desempenhos nos últimos anos, a Cadência se destacou em 2019 com excelentes bossas, além de uma “paradinha” que levantou a arquibancada Monumental durante sua passagem. O interessante desta bateria é a capacidade de ouvir perfeitamente todos os instrumentos. Além disso, o entrosamento entre o carro de som e a Cadência era mais que evidente. 


Ernesto Teixeira brilhou e foi escolhido por nossa equipe como melhor intérprete (Foto: site Carnavalesco)
Não faz parte do julgamento oficial da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, mas é de extrema importância para uma agremiação e principalmente para seus componentes: o intérprete. Ele precisa mostrar toda sua força e fazer com que o samba-enredo tenha um desempenho de alto nível na avenida. O grande destaque foi Ernesto Teixeira, dos Gaviões da Fiel. Com uma apresentação memorável, o veterano cantor deu um show no Anhembi e levantou a arquibancada. Apesar de sua idade, Ernesto mostrou que continua o mesmo de anos anteriores e comandou o carro de som com maestria. Além disso, seus cacos característicos tornaram-se ainda mais marcantes durante o desfile. Trata-se um patrimônio do carnaval de São Paulo, que merece todo nosso respeito e admiração. Sarava, saravá salve o santo guerreiro! 


A comunidade guerreira da Zona Leste cantou (e muito) sua história, a melhor do carnaval paulistano (Foto: G1/Fabio Tito)
A harmonia de uma escola de samba é um dos quesitos mais importantes. Muitas apresentaram um belíssimo canto durante sua apresentação, mas o grande destaque fica com o Acadêmicos do Tatuapé. A Qualidade Especial ousou em “paradinhas” que evidenciaram o canto dos componentes. A azul e branco sempre se destacou por desfiles técnicos e, principalmente, pelo chão. E, em 2019, não foi diferente. O canto nas alas era constante e o intérprete Celsinho Mody podia parar de cantar em qualquer parte do samba-enredo pois a comunidade seguraria. Isso mostra a força de uma escola de samba e de seus componentes. Com isso, a Tatuapé fica com a melhor harmonia do Grupo Especial.


Na estreia de Jorge Freitas, a Mancha Verde mostrou a grandeza de seu carnaval (Foto: LigaSP/Marcelo Messina)
As alegorias são de extrema importância e dão a “tônica” de um desfile. Em 2019, o conjunto alegórico de grande destaque foi o da campeã Mancha Verde. Com alegorias grandiosas e luxuosas, a alviverde trouxe os melhores carros do Grupo Especial. Além de uma excelente concepção, estavam bem acabadas e eram de fácil leitura. O grande destaque fica por conta do abre-alas da verde e branco, que impressionou pelo tamanho e detalhes. 


De muito bom gosto, a Mancha desfilou com fantasias opulentas (Foto: LigaSP/Marcelo Messina
As fantasias também são importantes para dar um belo “visual” ao desfile. Além disso, precisam manter uma regularidade desde o primeiro até o último setor. O grande destaque no quesito foi, novamente, a Mancha Verde. A escola teve o visual como ponto alto do desfile. As fantasias eram de extremo bom gosto, além de estarem muito bem acabadas. Outro ponto positivo é que eram de fácil leitura e também não caíram de nível nos últimos dois setores. Jorge Freitas, que assinou um enredo de temática afro pela primeira vez na carreira, acertou em cheio.

O enredo também é essencial para o sucesso de um desfile. O tema que será contado na avenida precisa ser de fácil assimilação não só para os jurados, mas para o público em geral. Novamente, a Mancha Verde acertou no quesito. O tema, sobre a história de Aqualtune, avó dos Zumbi dos Palmares, foi muito bem desenvolvido por Jorge Freitas. 


A polêmica comissão de frente dos Gaviões foi destaque no carnaval de SP! (Foto: LigaSP/Felipe Araújo)
A comissão de frente é o primeiro “grupo” a adentrar na pista no desfile de uma escola de samba. Uma boa e impactante apresentação logo no início ajuda no decorrer do desfile. Em 2019, a grande comissão de frente foi dos Gaviões da Fiel. O destaque fica por conta do componente que representava a serpente e sua encenação com o tripé. Além disso, a indumentária utilizada pelos componentes e a densa coreografia ajudaram na incrível apresentação.

Emerson e Karina foram as estrelas do desfile da Morada do Samba! (Foto: LigaSP/Felipe Araújo)
Um quesito com grandes apresentações esse ano foi mestre-sala e porta-bandeira. Os dois possuem muita responsabilidade, pois, juntos, precisam trazer a tão sonhada nota 10. O grande casal de 2019 é da Mocidade Alegre. Emerson Ramires e Karina Zamparolli dançam juntos desde 2013 e colecionam notas máximas. A dupla fez uma apresentação arrebatadora e mostrou toda a sintonia que possuem. Além disso, a indumentária de ambos era incrível. Karina vinha de “lua” e Emerson, de “sol”. O casal se destaca por apresentar uma regularidade em todos os anos. Desde 2013 são nota máxima no quesito. E em 2019 não foi diferente. Apesar de muitos casais terem feito grandes apresentações e mostrarem seu talento no Sambódromo do Anhembi, o destaque fica por conta da Morada do Samba, que mostrou elegância, sintonia e um lindo bailado na avenida.

O penúltimo quesito é um dos mais temidos por muitas das escolas de samba: a famosa evolução. Em 2019, a grande vencedora do quesito foi a Dragões da Real. Prezando pela técnica, a agremiação surpreendeu com uma evolução que beirou a perfeição. Com nenhum “anda e para”, efeito-sanfona nas alas ou buracos,  a vermelho e branco mostrou o quanto domina esse quesito. Os componentes estavam soltos, alegres e deslizavam na pista. Além, o último setor da Tricolor passou com 45 minutos de desfile no setor H. Isso só evidencia o quanto a escola manteve seu andamento durante toda apresentação e terminou seu desfile com uma grande tranquilidade. Avante, Dragões! Chegou sua hora! 

Para fechar o "Carnavalize de Ouro", falaremos da melhor escola do Grupo Especial de São Paulo. Além dos quesitos pertencentes ao julgamento, também foi levada em consideração a comunicação com o público durante o desfile. 

Comunicação, plástica, samba... Os Gaviões fizeram bonito no Anhembi, reeditando um clássico! 
Para o site Carnavalize, a melhor escola de samba de 2019 em São Paulo foram os Gaviões da Fiel. Com um desfile que já está na memória dos torcedores e, principalmente, dos sambistas, a alvinegra levou um samba conhecido e aclamado que ajudou a potencializar ainda mais sua apresentação. Com uma arquibancada polvorosa do início ao final e o samba sendo entoado a plenos pulmões, os Gaviões elevaram o Anhembi a um nível até então nunca visto. 

As bandeirinhas ajudaram a inflamar ainda mais o público presente e o show da bateria e do carro de som contribuiu ainda mais. Quem esteve presente pode sentir o clima que aquele desfile proporcionou e a sensação de que a alvinegra tinha voltado aos velhos tempos. Memorável, inesquecível e impactante. 


O Grupo de Acesso de São Paulo a cada ano vem crescendo e evoluindo. Para destacar e premiar o Grupo, selecionamos dois quesitos.

A MUM trouxe os pavilhões para a Avenida, um hino de samba! (Foto: LigaSP/Felipe Araújo)
O primeiro quesito é samba-enredo. Em 2019, a grande vencedora foi a Mocidade Unida da Mooca, que estreou no Grupo de Acesso. A bela obra cresceu na pista e ajudou a escola a passar pelo Anhembi, abrindo em alto nível o domingo de carnaval.

A Pérola Negra fez um grande desfile, ascendeu ao Grupo Especial e conquistou nossa equipe! (Foto: LigaSP/Marcelo Messina)
O nosso segundo e último quesito é de melhor escola. Em um ano equilibrado e cheio de surpresas, a melhor escola do Grupo de Acesso de 2019 foi o Pérola Negra. Com um desfile regular na maioria dos quesitos, a agremiação da Vila Madalena mostrou um belo conjunto visual. O carnavalesco Anselmo Brito, mais uma vez, mostrou seu talento e levou um enredo de fácil assimilação para avenida. Outros pontos positivos foram a comissão de frente, o casal de mestre-sala e porta-bandeira e a bateria. Ademais, a evolução não apresentou percalços. Com uma apresentação técnica, o Pérola Negra se retornou ao Grupo Especial como campeão da divisão de acesso. 

No carnaval de 2020 estaremos de volta com mais desfiles e elencando os melhores do ano, sempre enaltecendo a festa do carnaval paulistano!
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Acadêmicos do Tatuapé é a atual campeã da elite paulistana (foto: SASP)

Por Juliana Yamamoto
O carnaval de 2019 está chegando e as escolas de samba de São Paulo se preparam para o grande teste antes da folia: os ensaios técnicos, que começam nesta sexta-feira (11), no Sambódromo do Anhembi. Quatorze agremiações entram na disputa com o objetivo de conquistar a tão sonhada taça de campeão. Duas delas, porém, vão ser rebaixadas para o Grupo de Acesso; caminho que ninguém quer trilhar. Abaixo, traçamos um panorama do histórico de cada agremiação no Grupo Especial.

A Acadêmicos do Tatuapé, atual bicampeã do carnaval, está no grupo desde 2013. A escola já fez passagens pela primeira divisão em outros anos. Primeiro entre 1970 e 1974; depois, uma curta passagem em 1977, além de um breve retorno de 2004 a 2006. Em 2013, o Tatuapé teve a árdua missão de permanecer no Grupo Especial abrindo os desfiles de sexta-feira. Parecia impossível, mas a comunidade da Zona Leste mostrou toda sua força e conseguiu um honroso 11° lugar. Em 2015, a alviazul estourou o tempo e brigou para não cair. A volta por cima veio nos anos seguintes e o resto é história!

A Mocidade Alegre é uma das escolas de samba mais estáveis do Grupo Especial desde sua fundação. A Morada do Samba está na elite do carnaval desde 1971, e o pior resultado da história foi o 8° lugar em 2002. A agremiação nunca apareceu na parte de baixo da tabela, o que mostra a força e a imponência de sua comunidade. Outro fato importante a se mencionar é que, de 2003 a 2010, a escola sempre voltou no desfile das campeãs, feito que, nesta década, não aconteceu apenas em 2011 e 2017. Trata-se, portanto, de uma das maiores escolas de samba da cidade.

A Mancha Verde está no Especial desde 2017. A escola disputou a divisão principal entre 2005 e 2013, quando foi rebaixada. No retorno, dois anos, apesar do esforço, não conseguiu se manter no grupo. Em 2017, contudo, a história foi diferente: a Mancha assegurou a permanência e tomou fôlego para o honroso 3° lugar da temporada passada.

A Tom Maior, que em 2018 conseguiu a melhor posição da sua história - terminou a apuração em 4° -,, possui altos e baixos no Grupo Especial paulistano. A escola, que voltou ao grupo em 2017, já participou dos desfiles principais nos anos de 1977, 1978, 1996, 1997, 2000 e 2005 a 2015. A agremiação teve o desafio de abrir o carnaval no ano retrasado e, mesmo com problemas no seu segundo carro, escapou do rebaixamento.

A Dragões da Real é uma das escolas de samba mais jovens presentes no Grupo Especial. Fundada em 17 de Março de 2000, chegou à elite 12 anos depois, conquistou um surpreendente 7° posto e se firmou entre as grandes do carnaval paulistano. De 2013 a 2015 a escola participou do desfile das campeãs e em 2017 brigou nota a nota pelo título com o Acadêmicos do Tatuapé. Hoje, a Dragões é um exemplo de administração e de estabilidade.

O Império de Casa Verde, assim como a Dragões da Real, é outro exemplo de juventude e organização. Com apenas 24 anos de existência, a agremiação já possui três títulos em sua história. Tudo começou em 2003, quando a escola iniciou sua trajetória no grupo. Desde aquele ano, a azul e branco é presença confirmada na primeira divisão. Nos anos de 2005 e 2006, a escola consagrou-se bicampeã com desfiles luxuosos para a época. Em 2016, sob a batuta do carnavalesco Jorge Freitas, a Casa Verde conseguiu seu terceiro título. 

Os Gaviões da Fiel formam uma das escolas de samba mais importantes para o carnaval de São Paulo. Nascidos em 1969, os Gaviões iniciaram sua trajetória no Grupo em 1990, fazendo uma curta passagem. Foi em 1992 que a escola, no retorno ao Grupo, iniciou uma história de sucesso e títulos. Em 1995, 1999 (divido com Vai-Vai), 2002 e 2003 a alvinegra mostrou toda sua grandeza e foi merecidamente campeã. Em 2004, um acidente ocorrido com o último carro da escola, impediu o tricampeonato e fez a escola despencar na tabela rumo ao Grupo de Acesso. Em 2006, apesar do seu grande esforço, 4 escolas eram rebaixadas e os Gaviões não conseguiram se manter. O ano de 2008 foi o retorno, para dali ficar. Com 11 anos de Grupo Especial ininterruptos, os Gaviões desejam voltar aos seus áureos tempos.

O Rosas de Ouro, assim como a Mocidade Alegre, é uma das agremiações mais estáveis do Grupo Especial. Fundada em 1971, a azul e rosa estreou no Grupo em 1975, já com o vice-campeonato, e lá ficou. Os títulos começaram a vir alguns anos depois, em 1983 e 1984. A década de 90 foi de ascensão ainda maior para a escola, com os títulos de 1990, 1991 (dividindo com Camisa Verde e Branco), 1992 e 1994. Seu último título foi em 2010. O ano em que a agremiação esteve mais perto do rebaixamento foi em 2016, quando terminou em 11° lugar, a pior posição da sua história.

A Unidos de Vila Maria está presente no Grupo desde 2015. A escola foi fundada em 1954 e iniciou sua trajetória no Especial no ano de 1969 com um surpreendente 4° lugar. Em 1973 a agremiação foi desclassificada e acabou automaticamente rebaixada para o Grupo de Acesso. A verde, azul e branco só retornou ao principal Grupo 39 anos depois. Com desfiles grandiosos como 2005 e 2007, onde a escola obteve a melhor colocação da sua história, um vice campeonato e 2008, a agremiação vinha sempre retornando nas campeãs e disputando título. Em 2013, com um enredo sobre a Coréia, a agremiação foi rebaixada na última colocação. Retornando em 2015, a agremiação do Jardim Japão mostrou a força e o contingente de sua comunidade e permaneceu-se no Grupo Especial. 

O Vai-Vai, uma das escolas de samba mais tradicionais de São Paulo foi fundada em 1 de Janeiro de 1930. No Grupo Especial, a Saracura estreou em 1973 e permanece até os dias de hoje. A Escola do Povo é a maior campeã da cidade, com 15 títulos - o último em 2015. A pior colocação da sua história foi em 2004, quando a agremiação ficou em 11° lugar. Uma das escolas mais tradicionais da capital, a Saracura mostra a cada ano a sua força e a sua presença essencial no Especial.

A X-9 Paulistana, fundada em 1975, iniciou sua trajetória no Grupo Especial em 1995, com um significativo 5° lugar. Dois anos depois, a agremiação da Parada Inglesa ganhou seu primeiro título. Em 2000, a X-9 abocanhou a sua segunda taça, dividindo com Vai-Vai. A escola permaneceu no grupo até 2016, quando foi rebaixada. A agremiação deu a volta por cima em 2017 e retornou ao grupo principal no ano de 2018.

O Águia de Ouro, campeão da divisão de acesso, abrirá o sábado de carnaval. A escola que foi fundada em 1976, iniciou sua trajetória no principal grupo em 1984, onde fez uma rápida passagem. Também esteve presente nos anos de 1987 e 1988, 1991 e 1997. 1999 foi a virada na história da escola da Pompéia, que permaneceu no grupo até o ano de 2008, fazendo um grande desfile no ano de 2007. Quando retornou, em 2010, a escola se manteve até 2017. Vale destacar o desfile de 2013, quando o Águia deixou o título escorrer de suas mãos por conta de problemas com o cronômetro.

O Colorado do Brás reestreia no principal grupo de São Paulo após 25 anos. A escola iniciou sua trajetória no Especial em 1986. Após idas e vindas, com uma breve aparição nos a agremiação chegou a fazer parte do Grupo 3 da UESP em 2011. Após um terceiro lugar no Grupo de Acesso de 2017, a comunidade se uniu e mostrou toda sua força para voltar ao Grupo Especial, terminando com o vice campeonato em 2018. Agora, a Colorado tem a missão de se manter no Especial e continuar trilhando sua história no carnaval paulistano.

Para terminar nossa análise, vamos falar do Acadêmicos do Tucuruvi. A escola, que surgiu no ano de 1976, iniciou no Especial em 1987 onde permaneceu até 1989. Após um tempo de passagem tanto no grupo Especial como no Acesso, o “Zaca” como é conhecido por muitos, firmou-se no Especial a partir do ano de 1998 até os dias de hoje. Após Vai-Vai, Mocidade Alegre e Rosas de Ouro, é a escola de samba com mais tempo de Grupo Especial. Em 2011 com um surpreendente desfile, a escola ficou em segundo lugar, a melhor colocação da sua história. Apesar de alguns resultados não tão bons, é uma das mais estáveis e sempre presentes na elite paulistana.
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Foto: Luciana Bonadio/G1
Por Alisson Valério
Esse é um debate muito comum no Rio de Janeiro, onde nos últimos anos só a Unidos da Tijuca, em 2010, conseguiu o feito de conquistar o título do carnaval carioca desfilando no domingo, primeiro dia de desfiles; de 2011 até 2018 todas as outras campeãs saíram dos desfiles de segunda-feira. 

Resolvemos fazer essa ponte para o Carnaval de São Paulo com um levantamento dos últimos dez anos de desfiles na Terra da Garoa para ver se os dias de apresentação também revelam discrepância ou equilíbrio entre as campeãs. 

Começamos com a campeã de 2009:q Mocidade Alegre. A Morada do Samba conquistou o título com enredo “Da Chama da Razão ao Palco das Emoções... Sou Máquina, Sou Vida... Sou Coração Pulsando Forte na Avenida!!!” dos carnavalescos Fábio Lima, Flávio Campello, Márcio Gonçalves e Sidnei França. O desfile campeão aconteceu no SÁBADO.

1x0 SÁBADO
 
A segunda campeã é a Sociedade Rosas de Ouro em 2010. A Roseira levou o título daquele ano com o enredo “Cacau: um grão precioso que virou chocolate, e sem dúvida se transformou no melhor presente!”, do carnavalesco Jorge Freitas. O desfile campeão aconteceu na SEXTA. 

Foto: AgNews
1x1 EMPATE 

 

A terceira escola campeã é o Vai-Vai, em 2011. A Escola do Povo ergueu o seu décimo-quarto título na elite do carnaval paulistano com o enredo “A música venceu!” do carnavalesco Alexandre Louzada. O desfile campeão aconteceu na SEXTA. 

Foto: Raul Zito/G1
2x1 SEXTA 


A quarta escola campeã é a Mocidade Alegre, em 2012. A Morada do samba voltou a levantar o caneco em São Paulo, dessa vez com o enredo “Ojuobá - No Céu, os Olhos do Rei... Na Terra, a Morada dos Milagres... No Coração, Um Obá Muito Amado!” dos carnavalescos Márcio Gonçalves e Sidnei França. O desfile campeão aconteceu no SÁBADO. 

Foto: Alexandre Schneider/UOL
2x2 EMPATE
 
A quinta escola campeã é novamente a Mocidade Alegre, em 2013. A agremiação conquistou o bicampeonato com o enredo “A Sedução me fez provar, me entregar a tentação...Da Versão Original, qual será o final?” dos carnavalescos Márcio Gonçalves e Sidnei França. O desfile campeão aconteceu no SÁBADO. 

Foto: Raul Zito/G1
3x2 SÁBADO

A sexta escola campeã é, mais uma vez, a Mocidade Alegre, em 2014. A escola conquistou o tricampeonato na elite paulistana com o enredo “Andar Com Fé Eu Vou...Que a Fé Não Costuma Falhar” dos carnavalescos Márcio Gonçalves e Sidnei França. O desfile campeão aconteceu no SÁBADO. 

Foto: Flávio Moraes/G1
4x2 SÁBADO
A sétima escola campeã é o Vai-Vai, em 2015. O Bixiga abriu vantagem na liderança de títulos do carnaval de São Paulo com a sua décima quinta taça que veio com o enredo “Simplesmente Elis - A Fábula de Uma Voz na Transversal do Tempo” dos carnavalescos Alexandre Louzada, Eduardo Caetano e André Marins. O desfile campeão aconteceu no SÁBADO. 
  

Foto: Flávio Moraes/G1
5x2 SÁBADO
 
A oitava escola campeã é o Império de Casa Verde, em 2016. A Casa Verde voltou a erguer a taça em São Paulo depois de 10 anos em grande estilo com o enredo “Império dos Mistérios” do carnavalesco Jorge Freitas. O desfile campeão aconteceu no SÁBADO. 

Foto: André Penner/AP
6x2 SÁBADO
 
A nona escola campeã é a Tatuapé. A escola conquistou o primeiro título de sua história no Grupo Especial do carnaval paulistano com o enredo “Mãe África conta a sua história: do berço sagrado da humanidade à abençoada terra do grande Zimbábue” do carnavalesco Flávio Campello. O desfile campeão aconteceu na SEXTA. 

Foto: Flávio Moraes/G1
6x3 SÁBADO
 
A décima e última escola campeã é novamente a Tatuapé. A escola que gostou desse negócio de ganhar carnaval conquistou o seu bicampeonato com o enredo “Maranhão: Os Tambores Vão Ecoar Na Terra da Encantaria” do carnavalesco Wagner Santos. O desfile campeão aconteceu na SEXTA. 

Foto: Fábio Tito/G1

PLACAR FINAL: 6x4 SÁBADO!

O que parecia ser uma goleada, no final das contas, acabou em uma vantagem de dois títulos para o sábado sobre a sexta, vantagem que se deve aos 4 títulos da Mocidade Alegre na sua posição tradicional como terceira escola do sábado. E, claro, o crescimento da sexta-feira como amuleto de sorte está diretamente ligado à chegada da Tatuapé ao protagonismo do rol das principais escolas do carnaval de São Paulo. 

O que ficou claro é que não existe uma grande vantagem em relação a título em um dos dois dias. Existem escolas que preferem um dia e escolas que preferem o outro. Vai de cada uma no final das contas. Então, se você leu esse texto na expectativa de saber se a sua escola tem chances em 2019, pode ficar tranquilo. Ao menos nos últimos 10 carnavais existe um equilíbrio entre os dias de folia. Prepare-se, pois assim como nos últimos anos poderemos ter uma apuração com emoção até a última nota, independente do dia de apresentação.

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O dia de São Jorge é um dos festejos mais tradicionais do Brasil. Desde a alvorada, às 5h da manhã de 23 de abril, é comum que feijoadas marquem os festejos ao Santo Guerreiro, Ogum no sincretismo religioso. As escolas de samba de Rio e São Paulo não ficam para trás e abrem seus espaços para a celebração, demonstrando também a religiosidade no meio do carnaval. Montamos um guia com cinco feijoadas para colocar na agenda para a próxima segunda-feira. Ogunhê! Salve, São Jorge!

Portela
Divulgação
A maior campeã do carnaval abre sua quadra, na Rua Clara Nunes, para confraternizar no dia do Santo Guerreiro. A tradicional feijoada da Portela chega a edição de São Jorge e, neste ano, contará com o show de Xande de Pilares e do grupo RDN - Reis da Noite. O Portelão inicia os trabalhos às 14h, com os ingressos custando a partir de R$ 15 e o prato de feijoada a R$ 25.

Serviço: 
Feijoada do Guerreiro
Shows com Xande de Pilares e o grupo RDN - Reis da Noite
Data: Segunda-feira, dia 23 de abril (feriado de São Jorge)
Horário: A partir das 14h
Local: Quadra da Portela (Rua Clara Nunes 81, Madureira, Zona Norte)
Ingressos aqui
Informações: (21) 3256-9411

Estácio de Sá
Divulgação
Aliando a história de uma das mais tradicionais escolas do carnaval carioca com a celebração ao santo padroeiro da escola, a feijoada da Estácio de Sá na edição de abril tem o tempero especial! A escola do São Carlos tem o prazer de receber em sua roda de samba os grupos Quem Sabe Canta, Swing Carioca e 100%, além da cantora Andreia Caffe. O encerramento da festa fica por conta da Bateira Medalha de Ouro, com o show dos segmentos do Leão. A entrada é gratuita e começa ao meio-dia. 

Serviço:
Feijoada de São Jorge
Data: Segunda-feira, 23 de abril
Horário: A partir do meio-dia
Local: Quadra da Estácio de Sá (Av. Salvador de Sá, 206 - Cidade Nova)
Entrada gratuita e feijoada cobrada a parte.
Informações: (21) 2504-2883

Unidos do Viradouro
Divulgação
Do outro lado da Ponte, em Niterói, a Unidos do Viradouro, que recentemente ascendeu ao Grupo Especial, também convida o público para sua quadra em mais uma edição da feijoada da escola. No mês de abril, a homenagem ao Santo é um atrativo a mais, além de atrações como Leandro Sapucahy, Toninho Geraes e a Bateria Furacão Vermelho e Branco. O momento mais esperado é o anuncio do enredo da escola para o próximo carnaval, de assinatura do carnavalesco Paulo Barros. Os ingressos custam a partir de R$ 15, antecipados, sem feijoada. O prato do dia sai por R$ 20. 

Serviço:
Feijoada da Viradouro | São Jorge
Data: Segunda-feira, 23 de abril
Horário: A partir das 14h
Local: Quadra da Unidos do Viradouro (Av. do Contorno, 16 - Barreto, Niterói)
Entrada a partir de R$ 15 (ingressos aqui)
Informações: (21) 2628-5744

Acadêmicos do Tatuapé
Divulgação
Da Ponte Rio-Niterói para a ponte aérea, a atual bicampeã do carnaval paulistana abre os trabalhos para o carnaval 2019 no dia do seu padroeiro. Além de servir a tradicional feijoada, será anunciado o enredo para o próximo cortejo, de assinatura do carnavalesco Wagner Santos. A atração musical fica por conta do carro de som da escola, comandado por Celsinho Mody, no evento que também terá cadastramento e recadastramento para a comunidade da Zona Leste. A entrada é franca e a feijoada é servida das 19h30 às 21h30. 

Serviço:
Festa para São Jorge
Data: Segunda-feira, 23 de abril
Horário: A partir das 19h
Local: Quadra Social da Acadêmicos do Tatuapé (Rua Melo Peixoto, 1513 - Tatuapé, São Paulo)
Entrada e feijoada gratuitas


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Por Felipe de Souza
O carnaval de São Paulo é um dos que mais cresce e ganha espaço no Brasil, é inegável, além disso, não podemos esquecer da festa momesca nas terras cariocas. Para ilustrar tamanho crescimento da festa e a união entre os carnavais, Felipe de Souza, Beatriz Freire e Jéssica Barbosa se reuniram para explanar sobre samba e enredo das 27 escolas que passarão pelo Anhembi e pela Marquês de Sapucaí. Os textos estarão disponíveis às segundas, quartas e sextas, seguindo o resultado do carnaval 2017.

Para começar a saga, nada melhor que trazer a campeã do cortejo na Terra da Garoa, a Acadêmicos do Tatuapé. Então vem com a gente que a sirene vai tocar!


"Maranhão: Os Tambores vão Ecoar na Terra da Encantaria"
Acadêmicos do Tatuapé
"Viva São José, venha me valer
Ilu Ayê ô, Ilu Ayê
Tatuapé numa linda procissão
Canta sua história, ó Maranhão"

Em time que tá ganhando se mexe, sim! Para 2018, em busca do bicampeonato, a azul e branco virá reforçada pelo carnavalesco Wagner Santos, vindo da Acadêmicos do Tucuruvi. O enredo, tradicional CEP, conta sua história, ó Maranhão as influências culturais do estado brasileiro, bebendo da fonte de um outro desfile do mesmo carnavalesco, em 2010, pelo Zaca, quando foi contada a história de São Luis. Além disso, pode-se esperar da escola um desfile colorido, dançante (por assim dizer) e com representações folclóricas naturais da Terra da Encantaria.

O samba:
Em sua disputa de samba, a Tatuapé recebeu 34 obras, um recorde no Especial paulistano, propondo um modelo de escolha fechado aos componentes da escola. Numa feliz decisão, a obra que irá para a Avenida é de autoria de Fabiano Tennor, Mike e Luizinho, compositores do samba que deu o primeiro título para a escola, no último carnaval.

Interpretado de maneira belíssima por Celsinho Mody, o samba-enredo conta com a participação especial de Dominguinhos do Estácio e da ilustríssima madrinha Leci Brandão, na faixa 1 do CD. Com belas passagens, é fundamental destacar os versos que antecedem o refrão principal: "É emoção/ o meu pavilhão vai girar/ na Terra da Encantaria/ os tambores vão ecoar". Cabe apontar também a corretíssima atuação da Bateria Qualidade Especial, com bossas e a inserção das matracas, instrumentos musicais típicos. 

A Acadêmicos do Tatuapé vai em busca do bicampeonato sendo a quinta escola a desfilar na sexta-feira de carnaval, mostrando suas credenciais e que irá vender caro o troféu de campeã.
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por Vitor Melo e Leonardo Antan.


Salve Jorge!
Ogunhê Ogum!

23 de abril. Dia marcado pela devoção ao Santo Guerreiro, comemorado em todo Brasil, principalmente no Rio de Janeiro - ainda que a Cidade Maravilhosa possua como padroeiro São Sebastião (Oxóssi, no sincretismo). É inegável dizer que o guerreiro da Capadócia se tornou o santo mais venerado e popular aqui pelas bandas da Baía de Guanabara. E no samba não é diferente, já que este tem ligação desde sua origem com as religiões de matrizes africanas. Muitas das nossas escolas que veneramos hoje em dia têm na lança de São Jorge sua proteção. Beija-Flor, União da Ilha, Império Serrano e Estácio de Sá são algumas das agremiações protegidas pelo padroeiro. Nesse dia tão especial para muitos cariocas e para nós, sambistas, resolvemos listar cinco grandes sambas que homenagearam não só o Santo Guerreiro, mas também o orixá da forja, o grande deus da guerra africano: Ogum. 


                      Império da Tijuca - 2007              

"Eu te sinto pelo ar/Eu te vejo no luar/O Morro da Formiga em procissão/Faz a sua homenagem ao santo de devoção"


Um samba que permaneceu no imaginário dos sambistas por conseguir sintetizar a força do Guerreiro foi o primeira da nossa folia a abordar a história do santo católico em todo o seu desenvolvimento. Exaltou Jorge por meio de sua trajetória, seus festejos e seu sincretismo com os cultos afro-brasileiros. A obra musical valente tinha uma letra forte com um enredo claro e bem desenvolvido.

Na hora da apresentação da agremiação da Tijuca, entretanto, o canto da escola deixou um pouco a desejar. A plástica assinada pelo carnavalesco Sandro Gomes foi competente e rendeu bons momentos que ajudaram a escola do Borel alcançar uma honrosa quinta posição. Ligue o play para relembrar o belíssimo samba composto por Bola:



Acadêmicos do Tatuapé - 2014

"Eu amanheço nos braços da fé/Vim do clarão da lua, sou Tatuapé/Canto forte em oração/Meus inimigos não me alcançarão"

Em São Paulo, a homenagem ao mais popular dos santos veio pelas mãos da Tatuapé em 2014. A escola é uma das agremiações paulistas, junto com a Gaviões, que tem Jorge como seu padroeiro. A ligação com Jorge é tanta que a escola da zona leste sempre divulga seu tema do carnaval seguinte no dia da festa ao seu protetor. 

O enredo "Poder, fé e devoção. São Jorge Guerreiro" foi desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Xuxa e garantiu o sexto lugar para a agremiação. A boa posição foi alcançada com a força do samba e com a excelente harmonia da escola que conseguiu minimizar os problemas estéticos e de desenvolvimento no tema, que deixaram a desejar, mas não apaziguaram a bonita homenagem ao Guerreiro. Ficou, assim, marcado na memória dos paulistas pela potência e emoção do desfile. Dê o play para ouvir a obra composta por Márcio André, Márcio André Filho e Vaguinho:



Cova da Onça - 2015

"Salve São Jorge guerreiro/Meu protetor/Que conduz a minha vida/Me faz vencedor"



Diretamente de Uruguaiana, um samba muito bonito e pouco conhecido no imaginário momesco. A octacampeã Cova da Onça levou à Passarela do Samba o enredo "Ogum Iê! Da Capadócia ao Alto do Bronze, Cova da Onça Festeja Seu Padroeiro". Embora com sotaque gaúcho, o samba continha grife carioca, conhecidíssima lá pelos lados da azul e branco de Noel; foi assinado por Evandro Bocão, André Diniz, Gláucio Guterres e o saudoso Leonel, sendo defendido ainda pelo insulano Ito Melodia. 

A escola do Alto do Bronze contou com alguns problemas técnicos no som do sambódromo e desfilaram por um bom tempo sem o áudio oficial do desfile. No entanto, adversidades nunca foram problemas ao Santo Guerreiro e as arquibancadas contemplaram o espetáculo com o teor emocional que o enredo pedia, levando o desfile e a agremiação apenas com a força das vozes do público presente. Ouça o samba completo no link abaixo:




Alegria da Zona Sul - 2016

"Ogum é Jorge, é religião/E a Alegria canta em sua fé/O cavaleiro forte e destemido/Conduz a Zona Sul ao infinito"

(Foto de Widger Frota)
Com os caminhos guardados por Exu, a Alegria da Zona Sul trouxe à Marquês de Sapucaí um belo samba para seu desfile da Série A em 2016, valente como pedia a homenagem ao orixá dos metais e da guerra, Ogum. O carnaval assinado por Marco Antônio Falleiros optou por narrar a história mitológica do divindade afro-brasileiro finalizando com homenagem ao São Jorge em seu último setor. 

Embora tenha passado por alguns problemas na sua apresentação, algo comum para as escolas que transitam na "meiuca" do grupo de acesso do carnaval, a vermelha e branco da zona sul não obteve maiores problemas para permanecer na Série A. Com os ritmistas da bateria Show de Ritmo da Alegria vestidos de Ogum, já se sabia, quando toca o adarrum, é batuque pra Ogum! Dê o play para conferir o samba composto por Pixulé, Thiago Meiners, Rafael Tubino, James Bernardes, Alex Bagé, André K, Gilson, José Mario, Júnior e Victor Alves:



Estácio de Sá - 2016

"Estou vestido com as armas de Jorge/Meus inimigos não vão me alcançar/Tu és bondade pelo mundo inteiro/Santo padroeiro igual não há"



Vestido com as armas de Jorge, o morro do São Carlos desceu pra louvar seu padroeiro em sua volta ao grupo especial no ano passado. Rogando seus milagres em devoção, a Estácio desfilou toda a sua fé durante quase 80 minutos. Na belíssima comissão de frente assinada por Márcio Moura, um São Jorge todo articulado levantou o público e acabou se tornando um dos pontos altos do desfile. Vale destacar também o show que deu a bateria Medalha de Ouro da Estácio, orquestrando, durante todo o cortejo, o inspirado samba da agremiação. 

Empunhando a lança do Santo Guerreiro, a vermelha e branco não prolongou sua estadia no Grupo Especial do carnaval carioca, mas fez um desfile à altura do homenageado. Por se tratar de um desenvolvimento estritamente católico, o desfile foi apoiado pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, fazendo o sincretismo aparecer de forma tímida no enredo com um viés descritivo acerca da trajetória de vida do homenageado. Confira no vídeo a bela obra composta por Adilson Alves, André Felix, Edson Marinho, JB, Jorge Xavier, Salviano e interpretada por Wander Pires:



Alegoria louvando o Santo Guerreiro no desfile do Império Serrano de 2006 que falava de fé.
Brasileiro, carioca, sambista, Jorge da Capadócia e do Brasil. Apesar de ter origem na atual Turquia, São Jorge se tornou o mais brasileiro de todos os santos, movimentando todos os anos uma legião de fieis nas alvoradas, procissões e nos rituais dentro de muitos terreiros. Milhões de guerreiros diários que também matam seu dragão por dia e olham sempre pra cima, confiando na lança e na proteção do santo guerreiro. Salve Jorge. Salve Ogum. Salve o povo brasileiro. Amém pra quem e de amém, axé pra quem é de axé - e até mesmo para quem não tem religião.



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