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Carnavalize


O Carnavalize está de volta a pleno vapor! Após um breve descanso e uma diminuição de ritmo, nossa produção de conteúdo retorna com um quadro que estávamos super ansiosos para fazer: a #SérieDécada! A segunda década desse século, iniciada em 2011 e finalizada no carnaval que acabou de terminar em 2020, trouxe muitas reviravoltas e transformações para a folia! Para traçar um panorama de tudo que aconteceu nestes últimos anos, tem texto novo todas as segundas, quartas e sextas-feiras.

Além disso, nos dias seguintes às divulgações dos textos - ou seja, terças, quintas e sábados - um podcast especial será lançado com nossos comentários em áudio sobre os desfiles, os bastidores das escolhas, e as nossas divergências de opiniões!

Como é impossível fazer uma seleção que agrade não só às leitoras e aos leitores, como também aos integrantes do Carnavalize de forma unânime, cada categoria também contará com menções honrosas que por pouquíssimo não entraram na lista principal. (A gente lembra sempre que a lista é escrita SEM ordem hierárquica, disposta de forma livre, e não em forma de ranking.)


Por Vitor Melo, com colaboração de Leonardo Antan
Revisão: Felipe Tinoco
Artes e visual: Vitor Melo

Dos nove quesitos avaliados hoje em dia, chegamos ao único deles, que é, desde os primeiros desfiles, submetido a julgamento: o samba-enredo. Mostra-se, portanto, não só o peso histórico do gênero que nomeia e caracteriza as escolas, mas explicita a importância quantitativa intrínseca dos sambas em relação ao espetáculo geral apresentado. Por outro lado, é inegável dizer que o gênero samba-enredo teve sua importância relegada com a supremacia do visual durante bons anos. Esse cenário certamente se relativizou nos últimos anos, quando grandes obras começaram a romper as convenções estabelecidas e intensificar sua comunicação com o grande público. Prova disso foi a dificuldade que nossa equipe teve para entrar em um consenso e listar os 10 melhores sambas e as menções honrosas desta década pelo grande número de inspiradas obras - fato que não talvez não se repetisse em recortes temporais anteriores.

Com a busca interminável pelo “Ita perdido” e a tentativa pela replicação do sucesso salgueirense com o explosivo samba de 1993, o gênero samba-enredo enfrentou uma grave “crise estética” do início dos anos 90 até os primeiros anos desse nosso recorte, como definem Alberto Mussa e Luiz Antonio Simas no livro “Samba de enredo:  história e arte”. Nessa monotonia criativa, sobraram sambas estruturalmente idênticos e faltaram composições que pudessem furar a bolha carnavalesca e se posicionarem como grandes obras do gênero. Tais características foram subvertidas notoriamente nos últimos anos, o que colocou em discussão não só o estilo das obras, mas todo o seu processo de feitura. Não faltaram debates sobre os prós e contras dos formatos das disputas de samba, o surgimento das encomendas como uma espécie de salvação das agremiações e muito outros pormenores que vêm sendo discutidos ao longo dos últimos anos. Como a missão desse panorama é grande e trabalhosa, vamos cortar o papo e partir já para a lista que falará de tudo isso por si mesma, pois o primeiro integrante pode ser considerado, sem dúvidas, o divisor de águas e a virada de chave desse panorama.

Confira um panorama mais detalhado sobre as transformações do gênero na última década neste ensaio da Série Sambas.

Obs.: Preparamos uma playlist para você se sentir por dentro de cada samba dos listados nesse texto, com exceção ao samba do Império da Tijuca de 2013, que não possuí faixa no Spotify. Clique aqui para ouvir.


 Portela 2012
E o Povo na Rua Cantando é Feito Uma Reza, Um Ritual
Compositores: Luiz Carlos Máximo, Wanderley Monteiro, Toninho Nascimento e Naldo

Que “Madureira sobe o Pelô” - como ficou, de fato, conhecido a obra musical portelense de 2012 - é um divisor de águas para o gênero sambas-enredo, não há dúvidas. Tanto que podemos concordar também que foi quem deu sobrevida e colocou a Portela nos trilhos para que pudesse voltar a ser a escola competitiva como registra os áureos momentos de sua história. Seguindo a cartilha, o carnavalesco recém-contratado Paulo Menezes apresentou uma elogiadíssima sinopse à época e inflou as expectativas para a safra da Majestade do Samba. Querendo esquecer a turbulência administrativa dos últimos carnavais, essas expectativas não precisaram esperar por muito tempo para serem concretizadas. Nas primeiras audições da safra, já havia um samba que se despontava como franco favorito desde o início da disputa e o qual foi coroado como um fenômeno da internet, introduzindo nesta conversa um importante mecanismo de divulgação e consolidação de favoritismo durante o período das disputas de samba.


Concebido com um primor de letra e uma estrutura totalmente inovadora diante do cenário citado na introdução da lista, o samba contava com três refrães e também um fio condutor que, além de cumprir sua função de forma majestosa ao contar o enredo, era genuinamente portelense: Clara Nunes. Tiro e queda! Mesmo que com certa apreensão pelos compositores e pelos fãs da obra por não saberem se a escola optaria por essa quebra ao padrão dos sambas da época, a parceria felizmente se sagrou campeã. Com um pré-carnaval longe do Portelão, que passava por uma reforma, os ensaios de rua da escola causavam grande euforia. Com essa energia, a Portela fez um desfile com garra e com total destaque ao seu chão, cantando, com emoção e a plenos pulmões, o melhor samba daquele ano – uma composição à altura das maiores da safra da azul e branco de Madureira, e como há tempo não se via por lá. A Portela terminou aquele carnaval em 6º lugar, com muitos méritos à qualidade da obra, e afastou de vez a triste memória do incêndio que assolou a agremiação, além de Grande Rio e União da Ilha, no carnaval precedente.



Unidos de Vila Isabel 2012
Você Semba de Lá, Que Eu Sambo de Cá - O Canto Livre de Angola
Compositores: Evandro Bocão, Arlindo Cruz, André Diniz, Leonel e Artur das Ferragens


Ainda falando desse essencial ano de reinvenção do gênero, vamos comentar uma obra que já apareceu nesse panorama da década que estamos fazendo, destacando o protagonismo não só dessa composição, mas também do desfile que ela embalou. (“Os 10 desfiles mais marcantes do Grupo Especial Carioca”, clique aqui para ler). A parceria multicampeã de André Diniz, vencedora de sete das dez disputas dessa década da Vila Isabel, contou com a chegada de peso do imperiano Arlindo Cruz naquele ano. O grupo, que tinha a incumbência de contar os laços afetivos que ligam Brasil e Angola, apresentou também, como acima, algo que rompesse estruturalmente com o que se encontrava em voga no quesito. A parceria optou por apenas um refrão clássico, que acertava em cheio ao brincar com o título do enredo, evidenciando forte influência do ritmo semba de Angola no nosso samba, “Semba de lá/Que eu sambo de cá”.

O reforço de peso que chegou à ala de compositores da Vila naquele ano, Arlindo Cruz. Foto: Rodrigues/Riotur

O samba incorporava Kizomba, retomando o inesquecível carnaval de 1988 da escola, em uma busca satisfatória de evocar sua comunidade e inflamar o chão da terra de Noel. Outro ponto inventivo da parceria foi propor um falso refrão delicioso, “Reina ginga ê matamba (...)”. Além disso, finalizando os recursos criativos da parceria, os compositores ousaram ao adicionar um contracanto na segunda do samba, iniciado em “Pelos terreiros (Dança, jongo e capoeira)” e finalizado por “A nossa Vila (Agradece com carinho)”, que teve um ótimo funcionamento no desfile, embora arriscado por agregar complexidade a fluidez da harmonia. Se não podemos dizer que esse samba coroou o campeonato da Vila Isabel em 2012, ficando ali no bairro vizinho com a Unidos da Tijuca, pode-se afirmar que, ao menos, ele figura instintivamente as memórias dos sambistas ao relembrar os expoentes do gênero.


Unidos de Vila Isabel 2013
A Vila Canta o Brasil, Celeiro do Mundo
Compositores: Martinho da Vila, Arlindo Cruz, André Diniz, Leonel e Tunico da Vila

Vamos de dobradinha! O povo de Noel começou a década com o pé na porta quando o quesito foi fazer samba bom. Dessa vez, com duas modificações na parceria que vencera no ano anterior, saíram Artur das Ferragens e Evandro Bocão e entraram ninguém menos do que Martinho e Tunico da Vila. Traduzindo o enredo da professora Rosa Magalhães, a obra musical é de uma sutileza ímpar e a forma poética como foi composta evidencia a narrativa proposta perfeitamente. Prova disso é a capacidade de nos transportar à rotina e ao cotidiano dos homens do campo. Estruturalmente, a obra não apresenta invenções tão marcadas quanto no ano anterior, mas prima por uma combinação poderosa de letra e melodia excepcionais, reafirmando todo o lirismo possível contido no enredo.


Dito isso, a grande sacada que diferenciou a letra, e deu ares criativos a ela, foi um bacana jogo de palavras, ação-consequência, no refrão principal entre os verbos “plantar/colher”. Se elencar as passagens melódicas inspiradíssimas desse samba ou, até mesmo, citar os brilhantes versos dele é chover no molhado, também é indispensável citar a força que ele adquiriu pela internet. Ao viralizar, sendo assistido e ouvido milhares de vezes no pré-carnaval, figura ainda hoje como um dos mais vídeos mais assistidos do gênero. Toda a repercussão ratifica a grandiosidade dessa obra que não só foi a trilha sonora do campeonato incontestável da Vila Isabel, mas também é o primeiro dessa lista que conseguiu a proeza de furar a bolha do carnaval e se manter ativo após a festa de Momo no imaginário popular. Vale comentar também a força desta canção ao colaborar criativamente e propiciar mudanças no enredo original da professora Rosa Magalhães. A carnavalesca, em algumas entrevistas naquele pré-carnaval, confirmou a mudança em sua ideia inicial, alinhando o desenvolvimento do tema com figuras construídas pelo samba.


Renascer de Jacarepaguá 2015
Candeia! Manifesto ao povo em forma de arte!
Compositores: Moacyr Luz, Teresa Cristina e Cláudio Russo


Muitos consideram a encomenda de samba-enredo maléfica ao gênero em si e ao surgimento de novos sambistas e compositores no geral. Veremos ao decorrer da lista, entretanto, que esse sistema recorrentemente utilizado pelas escolas tem gerado ótimos frutos, mesmo que por um caminho controverso. A escola de Jacarepaguá, a homenagear um dos fundadores da Majestade do Samba, Candeia, precisava de uma composição à altura do nome em questão. Por isso, a Renascer optou por repetir o sistema de encomenda que funcionara no carnaval de 2014, com a inclusão de Teresa Cristina à dupla de compositores Moacyr Luz e Cláudio Russo. Mais do que funcionar, a agremiação desfilou com um dos maiores sambas de sua história.   


Com uma melodia impressionante desde os primeiros versos, a letra se inicia de forma arrebatadora e impecável. Chegando ao primeiro refrão, o inspirado trio de autores optou por uma dupla de curtos versos bisados, evocando o homenageado e iniciando a também belíssima segunda estrofe de forma bastante agradável melodicamente. Com uma levada valente na medida certa, a letra inspiradíssima – com destaque para os versos “Não basta ter inspiração/Pra cantar samba é preciso muito mais/A rima suada pra ganhar o pão/Lamento em louvor aos orixás” – encaminhando de forma valente para o refrão principal de uma obra impecável. Com muitos problemas financeiros durante a preparação para o carnaval, os quesitos musicais da agremiação foram o pilar fundamental para que a escola desfilasse com alegria e garra, impulsionando a apresentação e garantindo um digno 9º lugar e a permanência no grupo de acesso. Teresa Cristina, uma das compositoras do samba, também atuou no carro de som da Renascer. Responsável por emocionar todos os fãs de Candeia e do samba, a música também se emocionou na avenida, gerando uma bela imagem na arrancada da escola.

Unidos do Viradouro 2016
O Alabê de Jerusalém, a saga de Ogundana!
Compositores: Paulo César Feital, Zé Gloria, Felipe Filósofo, Maria Preta, Fabio Borges, William, Zé Augusto e Bertolo

Outro samba dessa lista que nasceu fadado ao sucesso. Com uma repercussão rápida e batendo a casa de milhares de acessos nas primeiras semanas de divulgação, ainda como samba concorrente, dava as caras uma parceria com gongá fixado na MPB e que viria render ótimos frutos pro gênero carnavalesco. O grupo era encabeçado por Paulo César Feital, amigo de Altay Veloso, um dos autores da sinopse que gerou o “Alabê” viradourense daquele carnaval. Eles apresentaram uma obra singular, que já despontava não só para se consagrar como um dos melhores do ano, mas também como destaque da década. A parceria escolheu por iniciar o samba pedindo que o padroeiro da escola, Xangô, sincretizado na letra também como São João Batista, junto a Oxum, guiasse e desbravasse o caminho que viria no enredo e em toda impecável letra do samba.


Com uma variação melódica envolvente ao decorrer da obra, ela realizou com primazia a missão de sintetizar a luta expressa na narrativa épica proposta pelo enredo. A segunda do samba salta aos olhos pelo encantador casamento entre melodia e letra com destaque para os seguintes versos: “Ó, meu Brasil/Cuidado com a intolerância/Tu és a pátria da esperança/À luz do Cruzeiro do Sul/Um país que tem coroa assim tão forte/Não pode abusar da sorte/Que lhe dedicou Olorum”. Eles são  cirurgicamente precisos em narrar o enredo e encaminham o samba para um refrão poderoso, no qual se evocava novamente a dupla divina de orixás da cabeça da letra para o refrão principal, mexendo com o brio do componente. Vale ressaltar ainda na parceria a presença de Felipe Filósofo. Ele também se destacou como compositor inventivo na década e assinou grandes obras na conterrânea da vermelho e branco, a Acadêmicos do Sossego.


Renascer de Jacarepaguá 2017
O Papel e o Mar
Compositores: Claudio Russo, Moacyr Luz e Diego Nicolau


Com a manutenção do sistema de encomendas, e a ratificação do sucesso dessa fórmula, a Renascer aparece pela segunda vez na nossa lista e se consolida como uma das eminentes escolas de sambaços na década. Dessa vez, o samba também é assinado por um dos intérpretes da escola à época: Diego Nicolau. Ao descrever o fictício encontro entre dois guerreiros negros que se encontravam nas trincheiras da mesma causa social, a escritora e catadora de papel Carolina Maria de Jesus e o almirante negro João Cândido, o samba dispensou a sinopse, não divulgada pela escola, e expôs o enredo de forma poética, lírica e ímpar. A parceria optou por iniciar a letra na primeira pessoa, e a escritora dirige-se de forma comovente e poética ao mestre-sala dos mares com esta emocionante sucessão: “Eu fiz dos versos a fortaleza pra morar/Sou a filha da miséria/Você nasceu pra guerrear”.

Os intérpretes da Renascer, Evandro Malandro e Diego Nicolau, que é um dos compositores do samba. Foto: Gabriel Santos/Riotur
Seguindo no desenrolar do enredo, a canção conta com uma dupla de curtos versos bisados, seguidos por um falso refrão de felicidade única, mostrando o caráter criativo da obra e introduzindo a mudança de pessoa fundamental para entender a narrativa proposta. Nos próximos versos, entra em cena João Cândido, narrado em 3ª pessoa, mas igualmente poético à primeira do samba. A composição é de uma felicidade fantástica e parece crescer e crescer a cada verso que se sobrepõe. A obra-prima chega ao ápice no refrão principal, com a retomada da interlocução de Carolina de Jesus e a conversa com João. Em uma pergunta da intelectual, o samba se finaliza de forma fenomenal: “Ó, mestre sala/Quem te ensinou a bailar?/Um marinheiro sabe o balanço do mar/A chibata não estala mais/Quantos sonhos guarda o velho cais”. Os versos fazem referência ao clássico da MPB "O mestre-sala dos mares", compostos por Aldir Blanc e João Bosco, eternizado na voz de Elis Regina. No desfile, a composição cresceu ainda mais graças à atuação entrosada dos intérpretes da vermelho e branco, Diego Nicolau e Evandro Malandro. A ala musical da Renascer garantiu uma boa colocação defronte de uma plástica bem mais modesta. 



Beija-Flor 2017
Iracema, a virgem dos lábios de mel
Compositores: Claudemir, Ronaldo Barcellos, Maurição, Bruno Ribas, Fábio Alemão, Wilson Tatá, Alan Vinicius e Betinho Santos

Se a Beija-Flor não foi uma escola com contínuos destaques de samba-enredo na frutífera década ao carnaval, seu samba de 2017 é uma belíssima exceção. A obra foge completamente ao padrão da escola de melodias pesadas e letras densas de outrora, registrando sua importância. A composição possui ousadias que podiam muito bem não terem funcionado, como um refrão de impressionantes oito linhas e a repetição da palavra "amor" em um mesmo verso. O que poderia soar como pobreza estética, no entanto, ganhou uma cadência melódica envolvente, que ajudou na imprescindível função em não deixar a letra se arrastar. Além disso, em relação ao teor criativo, a parceria optou por um refrão do meio com quatro repetições do mesmo verso (“Pega no amerê, areté, anamá”), outra solução ousada que teve adesão maciça dos fãs do gênero e se tornou uma das marcas características da composição. Ainda bem que arte não precisa seguir regras!


A jandaia, de fato, cantou no alto da palmeira e sagrou o samba da parceria de Claudemir, Ronaldo Barcellos, Maurição, Bruno Ribas, Fábio Alemão, Wilson Tatá, Alan Vinicius e Betinho Santos como um dos melhores da década. Diferentemente da ideia inicial proposta pela comissão de carnaval nilopolitana, a parceria foi para outro lado narrativo e abordou termos, episódios e figuras marcantes do livro Iracema, o enredo da Beija-Flor. Os compositores contrabalancearam positivamente a sinopse da escola daquele ano - a qual, por sua vez, tinha um viés mais lúdico e não abordava elementos das linhas de José de Alencar. A melodia que se tornou um pouco mais cadenciada para atender ao estilo do consagrado Neguinho não foi um fator negativo, como alguns esperavam, mas sim um dos pontos altos da apresentação. O andamento do samba na pista se harmonizou de forma satisfatória com o também ousado visual apresentado pela agremiação.


Mocidade Independente de Padre Miguel 2018
Namastê... A Estrela Que Habita em Mim Saúda a Que Existe em Você
Compositores: Altay Veloso, Paulo César Feital, Zé Glória, J. Giovanni, Denilson do Rozário, Carlinhos da Chácara, Alex Saraiça e M. Meiners

O compositor Paulo César Feital, que encabeçou a parceria campeã da Viradouro em 2016, volta à nossa lista em outra composição marcante e que, dessa vez, contou a presença de seu amigo e consagrado músico-compositor Altay Veloso. Com uma ótima sinopse, assinado pelo jornalista e escritor Fábio Fabato, o grupo de compositores apresentou uma eminente obra, que cativava desde a primeira audição o ouvinte de forma rápida e instintiva. A linha melódica fugia ao lugar comum, repetindo a equação do ótimo samba também da Mocidade do ano anterior. A letra elencava e situava juntos símbolos e imagens da Índia e do Brasil, ao mesmo tempo que evocava capítulos e passagens da história da própria Estrela Independente. O único porém dessa composição foi o verso “Deite e Holi”, trocadilho com o festival indiano. Após críticas, a passagem foi trocada a tempo e não comprometeu a primazia dessa obra durante o desfile.


De cara, dá pra perceber que esse samba é coisa séria quando seu primeiro verso inicia com "Khamadenu”. A expressão foi encaixada perfeitamente na composição, em uma construção que não poderia sair de qualquer parceria - afinal, adaptar uma seleção vocabular desse tipo em um samba-enredo exige muita competência. Brincadeira à parte, faz-se necessário a citação dos versos “Do sal à doce liberdade/Há tempo ainda! /Desobedecer pra pacificar/Como um dia fez a Índia!” em uma poética alusão à Marcha do Sal indiana de 1930 e brincando com a sinestesia de uma dualidade de sensações, “Do sal à doce liberdade”. Encaminhando-nos para o fim, vê-se como todo o samba em questão é pensado de forma gradativa até chegar ao clímax do refrão principal, traçando um paralelo entre Nova Déli e Brasil com uma linda imagem entre o céu indiano e o brasileiro: “Bendita seja a Santíssima Trindade!/Em Nova Délhi ou no céu tupiniquim/Ronca na pele do tambor da eternidade/O amor da Mocidade sem início, meio e fim!”. Emocionante, o samba fez a Estrela assinar sua importância no quesito musical na década comentada.


Paraíso do Tuiuti 2018
Meu Deus, Meu Deus! Está extinta a escravidão?
Compositores: Cláudio Russo, Moacyr Luz, Jurandir, Zezé e Aníbal

Próximos de chegar ao fim, falaremos de um dos sambas que mais tiveram repercussão fora da bolha do carnaval nesse passado recente - seja pelo posicionamento pertinente do enredo em relação ao contexto social no qual vivemos, seja pela exuberância poética e pela força melódica presentes nessa composição. Como mais um dos sambas encomendados dessa lista, podemos ratificar a importância e a necessidade da discussão dos caminhos a serem seguidos pela festa no que tange ao gênero que a embala. Além das pratas da casa Jurandir, Zezé e Anibal, a parceria contou com os nomes de peso de Cláudio Russo e Moacyr Luz, e apresenta desde os primeiros versos todo o esforço dos autores para nos entregar algo à ura do tema pedido. E conseguiram fazê-lo em toda composição.


O samba é narrado na primeira pessoa, dando pessoalidade e contornos dramáticos que enriqueceram a narrativa exposta e protagonizaram ainda mais o teor poético da obra. Abordando o aspecto criativo do samba, destaca-se a sucessão de dois refrães (de meio) de quatro versos pujantes, os quais denotam a força de sua letra, propondo novas soluções estruturais. Chegando ao refrão principal, a parceria retoma um trecho do título do enredo e encabeça de forma cirúrgica a mensagem que sintetiza o cheque feito pelo carnavalesco e pela escola em relação às sequelas contemporâneas da abolição da escravidão brasileira: “Liberte o cativeiro social!”.  Esse primor embalou o melhor desfile da trajetória do Paraíso do Tuiuti e levou a escola à melhor posição de sua história, o vice-campeonato do Grupo Especial carioca daquele ano.

Mangueira 2019
História pra Ninar Gente Grande
Compositores: Deivid Domênico, Tomaz Miranda, Mama, Márcio Bola, Manu da Cuíca e Luiz Carlos Máximo

“O samba fala das maiorias, e não das minorias. A maioria das pessoas não é príncipe, princesa ou rainha. A maioria são os 'heróis de barracões'”. Dessa forma, a letrista e compositora do samba da Mangueira de 2019, Manu da Cuíca, define um dos principais trunfos desse samba antológico: o autorreconhecimento. Ao abordar heróis à margem da oficialidade que não estão nos retratos tradicionais, a composição assinada por uma parceria considerada azarona da disputa foi ganhando corpo desde o primeiro minuto após o áudio do samba ter sido vazado na rede de mensagens WhatsApp. Tendo como grande aliada a internet, os compositores viram o nascimento de fãs que se sentiam representados por aquele discurso pertinente ao enredo e pelos retratos do cotidiano expostos nas lacunas sociais apontadas pela proposta do carnavalesco, cirurgicamente sintetizadas no samba. Na disputa, o samba contou com uma repercussão orgânica e de contorno monumental, contando com uma torcida de peso formada por comentaristas de carnaval, artistas fora da bolha e políticos. O percurso foi trilhado até que a zebra fosse consagrada o samba da Estação Primeira para o carnaval de 2019.


Um fato interessante desse samba é o caminho inverso que ele percorreu. Como fazia a justa e pertinente menção à Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro brutalmente assassinada, ele captou atenção e furou a bolha carnavalesca antes do desfile ocorrer. Por isso, gerou não só um maior interesse popular pelo desfile da Mangueira, como também certa curiosidade e prévio conhecimento do samba de uma forma intensa como há tempo não se via. Com a sua melodia valente, a letra é precisa ao citar heróis da história “alternativa” brasileira. A adesão popular, predominantemente carente ao samba-enredo, encontrou nessa obra o combo perfeito para exponenciar ainda mais o protagonismo da verde e rosa como uma das principais instituições culturais desse país, além de ratificar essa década como um marco da oxigenação do gênero samba-enredo. Tirou toda a poeira dos porões!


Menções honrosas:

Nunca foi tarefa fácil fazer essa lista, confessamos! Muitas obras importantes e marcantes ficaram de fora, mostrando como foi frutífera a década para o quesito recordado. Para essa seleção, vale destacar, tentamos escolher as composições que aliam qualidade melódica e inovações em sua narrativa. Dessa forma, não necessariamente foram escolhidos os mais populares e marcantes de cada ano.

No debate de obras que propuseram novas estruturas e formatos em letra e melodia, não pode ficar de fora também toda a discussão em torno dos processos de escolhas das obras musicais. Da principal delas, a encomenda é assunto já conhecido, visto que mesma criticada, gerou três obras presentes na lista. Fato é que em 2020 muitas escolas propuseram novas formas de disputa aliadas nesse debate. O que não falta é assunto para muito debate!

É notório, de qualquer forma, a bela renovação do gênero e a quantidade de obras cheias de qualidade. Exatamente por isso, como dez era um número pequeno, separamos uma outra seleção de menções honrosas com mais outras dez obras que por pouco não figuraram entre os escolhidos finais. 


Mangueira 2011: O Filho Fiel, Sempre Mangueira
Compositores: Aílton, Cesinha Maluco, Alemão Xavier, Te e Baiano

Império da Tijuca 2013: Negra, Pérola Mulher
Compositores: Samir Trindade, Serginho Aguiar, Araújo, Walace Menor e Alexandre M

Salgueiro 2014: Gaia - A vida em nossas mãos
Compositores: Xande de Pilares, Dudu Botelho, Miudinho, Betinho de Pilares, Rodrigo Raposo e Jassa

Imperatriz Leopoldinense 2015: Axé Nkenda! Um Ritual de Liberdade
Compositores: Marquinho Lessa, Zé Katimba, Adriano Ganso, Jorge do Finge e Aldir Senna

Vila Isabel 2016: Memórias de 'Pai Arraia' - um sonho pernambucano, um legado brasileiro!
Compositores: André Diniz, Martinho da Vila, Martinália, Arlindo Cruz e Leonel
Intérprete: Igor Sorriso

Cubango 2017: Versando Nogueira nos cem anos do ritmo que é nó na madeira!
Compositores: Gabriel Martins, Belo, Rafael Coutinho, Robson Ramos, Sergio Careca, Dema Chagas, Tricolor, Vinicius Xavier, Thiago Farias e Duda

Mocidade 2017: As Mil e Uma Noites de uma 'Mocidade' prá lá de Marrakesh
Compositores: Altay Veloso, Paulo César Feital, Zé Glória, J. Giovanni, Dadinho, Zé Paulo Sierra, Gustavo, Fábio Borges, André Baiacú e Thiago Meiners

Unidos de Padre Miguel 2017: Ossain: o poder da cura
Compositores: Samir Trindade, W. Corrêa, Claudio Russo Marquinhos, Alan Santos, Jr. Beija-Flor Carlinhos do Mercadinho e Cabeça do Ajax

Santa Cruz 2019: Ruth de Souza – Senhora liberdade. Abre as asas sobre nós
Compositores: Samir Trindade, Elson Ramires e Júnior Fionda

Grande Rio 2020: Tatalondirá - O Canto Do Caboclo No Quilombo De Caxias
Compositores: Derê, Robson Moratelli, Rafael Ribeiro e Toni Vietnã

O Carnavalize, a partir de seus critérios, fez essa seleção, estimulando a pensarmos o que foram esses últimos 10 anos no samba-enredo. Fique à vontade para fazer seu ranking e enviar para nós nas nossas redes sociais! Qual o seu #TOP10 dos sambas do Rio de Janeiro dessa década?! Queremos saber!

Além dos textos com as listas, o #PodcastDoCarnavalize também retorna trazendo os bastidores de cada escolha, das decisões, do que discordamos e concordamos, um dia após a liberação de cada #TOP10! Os membros do Carnavalize, de quarentena, reviram vários desfiles e votaram pelos 10 destaques de sambas, desfiles, comissões de frente, personalidades… É óbvio que não faltou debate! É conteúdo pra ler e ouvir durante as próximas três semanas! Se liiiga e carnavalize conosco!
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Por Alisson Valério, Beatriz Freire e Leonardo Antan

A #SérieSambas faz um passeio pelo universo do gênero que embala os desfiles das escolas, desdes os clássicos, passando pelos grandes intérpretes e compositores. Os textos saem sempre as segundas e quintas de outubro. Fique ligado!




Outubro é a época final das esperadas disputas de samba do grupo especial, tempo em que a maioria dos hinos que desfilarão na Sapucaí estão escolhidos e prontos para a gravação do CD. Como bons apaixonados e foliões que contam os dias para a folia, durante o processo é praticamente impossível não ser identificar com aquela ou outra parceria concorrente que laça nossos corações e nem sempre ganham, deixando um gostinho de quero mais. Afinal, não existe em outro lugar do mundo, um festival de música que acontece todo ano e produz milhares de obras em disputa para várias deles serem esquecidos logo depois... Já parou pra pensar?

A sorte é que algumas dessas obras acabam encantando os foliões e permanecendo no imaginário momesco. Quem disse que amor de carnaval acaba se engana, pois o Carnavalize selecionou alguns queridinhos de diversas disputas do Rio e também de São Paulo que perderam a taça mas ganharam um espacinho em nossas vidas. Destacamos que respeitamos ao máximo todas as parcerias que saíram vitoriosas dos anos citados e saudamos os compositores. A intenção é exaltar a nossa variedade e relembrar compositores que escreveram bem seus nomes nas histórias de suas próprias escolas, afinal, todos já são vitoriosos. 


 Vila Isabel 1974 (Martinho da Vila)

"E o índio cantou
O seu canto de guerra
Não se escravizou
Mas está sumido da face da terra"



Conhecida pelo seu natural engajamento à esquerda, a Vila Isabel de Martinho da Vila sempre deu um jeito de mostrar sua melhor face subversiva durante a ditadura civil militar brasileira. O samba em questão, do próprio Martinho, ficou marcado não só pela qualidade, mas pela sabotagem que sofreu durante o processo de escolha da disputa, já que foi cortado por pressão de censores. Por eles, também, a linhagem do enredo sofreu alteração e teve que exaltar os feitos do regime. Anos depois, Martinho contou a história em seu livro e o cantou em diversas entrevistas televisionadas, inclusive ao apresentador Jô Soares, resgatando assim a obra, com versos fortes e de fato engajados para o auge do limite militar. 


Império Serrano 1975 (Acyr Pimentel e Cardoso)

"Um trem de luxo parte
Para exaltar a sua arte
Que encantou Madureira
Mesmo com o palco apagado
Apoteose é o infinito"



Outro samba que se eternizaria fora das avenidas viria de Madureira. O Império Serrano teve uma escolha de samba histórica para escolher a obra que representaria o enredo sobre a vedete Zaquia Jorge, desenvolvido por Fernando Pinto. Entre perdedor e vencedor da disputa, o samba não escolhido se tornaria histórico por ser mais conhecido do grande público que o vencedor. Se a obra vencedora não se tornou um clássico do repertório imperiano e não sobrevivei muito além dos dias de folia, a canção de Acyr Pimentel e Cardoso se tornaria um clássico do samba. Se o samba levado par a Avenida, composto por Avarese, era marcado pela alegria e o ritmo acelerado, a parceria de Acyr Pimentel e Cardoso tinha outras características. Batizado de "Estrela de Madureira", a canção ganhou o país ao ser gravado por Roberto Ribeiro. E depois regravado por Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Arlindo Cruz, entre outros. Sendo de vez imortalizado no imaginário popular.

 Imperatriz 2000 (Parceria de Eduardo Medrado)

"O povo e a Imperatriz / Ao som de cavaco e pandeiro / 
Ah! Todo mês de fevereiro / Descobrindo um Brasil mais brasileiro”



Na expectativa da virada para o ano 2000, as escolas de samba definiram como temática comum os 500 anos do descobrimento – ou conquista – do Brasil. A Rainha de Ramos, famosa pelos enredos de linha história que desenvolveu com a professora Rosa Magalhães intitulou seu carnaval de “Quem descobriu o Brasil foi Seu Cabral, no dia 22 de abril, dois meses depois do carnaval”. A condução do enredo partiu da ordem do Rei de Portugal à época, Dom Manoel, aos expedicionários responsáveis pela busca de um caminho alternativo que conduzisse à rota das especiarias, tendo como destino final a Índia, mas que conduziu à terra brasilis. 

A disputa de samba foi animada, e todo o processo de desenvolvimento do carnaval ganhou registro no documentário “A Imperatriz do Samba”, que acompanhou justamente o processo de composição da parceria de Eduardo Medrado, campeã do inesquecível samba de 1995. A obra do grupo cantava de forma didática, além de bela, os passos dos lusitanos para o desembarque em Porto Seguro. A expectativa da final causou fervor e arrastou uma torcida animada, mas o resultado final consagrou o samba de Marquinhos Lessa e seus companheiros como campeão, que viria a somar no título que a escola conquistaria no carnaval daquele próximo ano. Conhecido até hoje pelos foliões mais antigos da festa, o samba da parceria de Eduardo Medrado é uma verdadeira aula de história, letra e melodia. 


Salgueiro 2009 (Parceria de Simas e Mussa)

"Menina, quem foi teu mestre?
Um batuqueiro que arrastava o povo do Salgueiro"



O tambor é conhecido desde os primórdios da humanidade. De troncos ocos aos couros dos animais, o Salgueiro contou a história deste indispensável instrumento para o samba e, por que não?, para a construção cultural e civilizatória de muitas sociedades em seus ritos e festejos. A super parceria de Simas, Edgar Filho, Beto Mussa, Bené do Salgueiro e Gari Sorriso alavancou uma multidão de salgueirenses para cantar em versos um pouco da tradução do que o próprio Luiz Antonio intitula de “gramática dos tambores”, que estabelece diálogos, provoca respostas de corpos e expressa sentimentos. Se por um lado o campeão propôs facilidade e animação de fácil letra, a composição da referida parceria era uma espécie de sofisticação popular, muito lúdico e belissimamente abrilhantado pela interpretação do inesquecível Rixxah. Basta puxar “menina, quem foi teu mestre?” e rapidamente alguém completará a letra se ao universo dos bambas pertencer. 


Salgueiro 2016 (Parceira de Antônio Gonzaga)

"Doi, doi, doi, doi, doi
Um amor faz sofrer
Dois amor faz chorar”



As disputas no Salgueiro não deixam faltar emoção, ainda mais quando o bom enredo inspira os compositores. Em 2016, a escola desenvolveu “A Ópera dos Malandros”, mais uma das propostas do departamento cultural da escola que homenageou o Rei da Ginga e toda a sua relação com a vida, com as ruas e, claro, com o samba. O enredo imprimiu-se de forma muito identificada com a escola e, atendendo à máxima de que até parado o Salgueiro é favorita, a agremiação foi uma das mais comentadas durante todo o pré-carnaval. Reflexo esse de uma disputa que rendeu ótima safra e boa aderência da comunidade, como aconteceu com a obra da turma de Xande de Pilares. Foi um rapaz jovem, que chegou de mansinho na ala pouco tempo antes, mas muito apaixonado pelo Salgueiro, que mostrou-se grande e surpreendeu positivamente. A parceria de Antônio Gonzaga trazia o famoso ponto da pomba-gira e o samba de letra muito fácil e pra cima tomou conta do público e virou pedida certa nas rodas de samba, chegando a final com grande favoritismo, mas acabou sendo derrotado pela parceria liderada por Marcelo Motta, que eternizou a expressão "malando batuqueiro".


Tom Maior 2018  (Parceira de Elymar Santos)

"Brilha a minha coroa na Tom Maior 
Dois pavilhões num só
Em verso e prosa eis minha vida
Carolina Josefa Leopoldina" 



Quando a Tom Maior anunciou o seu enredo sobre as duas Imperatrizes do Brasil gerou-se uma expectativa perante a sua safra de sambas e também sobre quem iria colocar samba na disputa. Quando surgiu a parceria de Elymar Santos (compositor campeão e torcedor da Imperatriz) com Samir Trindade (multi-campeão na Beija-Flor e na Portela), o interesse foi instantâneo e não tinha como ser diferente. O samba foi interpretado por Preto Joia, interprete que tem a sua história no carnaval marcada pela sua passagem pela Imperatriz Leopoldinense, formando uma combinação imbatível e emocionante. A obra contou com uma letra muito inspirada e bastante poética, retratando a história da Leopoldina com louvor e a mesclando com uma bela homenagem a Imperatriz Leopoldinense. A melodia apresentou uma levada deliciosa e que nos levava para os desfiles dos anos 2000 e 1990, e talvez tenha sido a sua falta de adequação a um padrão incomum do carnaval paulistano que o fez não vencer a disputa, infelizmente, mas como a letra do samba diz que “eu sei que o tempo passou, mas a história ficou”, assim como essa grande obra.    


Porto da Pedra 2019 (Parceria de Altay Velloso e PC Feital)

“Meu Porto da Pedra
O luar que beija esse chão
Ilumina o ceba de cá
Vem ver, meu irmão
Antonio Pitanga chorar
De tanta emoção
A São Gonçalo toda a minha gratidão”



Esse samba mal perdeu e já deixou saudades. Queridinha de São Gonçalo, há alguns carnavais a Porto da Pedra vinha trazendo enredos nostálgicos e populares ao grande público. Mudando a pegada, em 2019 a escola fará uma grande homenagem em vida ao ator Antônio Pitanga na Sapucaí. “Um negro em movimento”, nome do enredo, proporcionou uma disputa quente na escola do tigre e a parceria badalada de Altay Velloso e PC Feital encantou a todos pela beleza do samba, como a dupla já vinha fazendo há algum tempo na Mocidade Independente de Padre Miguel e também na Unidos do Viradouro, em 2016. Impulsionado pelo “disse-me-disse” dos grupos de carnaval e das redes sociais, o samba ganhou destaque rapidamente e também a torcida dos internautas, mas não foi suficiente para barrar a força dos componentes da agremiação, que abraçaram o samba campeão, da parceria de Bira. E como às vezes variar é preciso, curtiremos muito o hino oficial da Porto mas não esqueceremos tão cedo desta obra que vai deixar aquela saudade, né? Saravá pra tanto amor! 



Entre centenas de obras produzidas anualmente pelos compositores das nossas escolas de samba, vale relembrar algumas canções que se eternizaram para além das disputas. Não que as obras selecionadas não tenham sido justas, a proposta da lista não é questionar o resultado das disputadas citadas, nem desvalorizar os sambas vencedores, mas apenas relembrar grandes sambas que merecem serem ouvidos de novo e permanecer no universo carnavalesco. 


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por Equipe Carnavalize




A encomenda de samba é uma realidade no mundo das escolas de samba cariocas. Se antes era um modelo possível em um caso isolado na Renascer de Jacarepaguá, agora chegou a outras agremiações da Série A e ao Especial. Além da escola da zona oeste, até agora, mais três escolas anunciaram que não promoverão o modelo tradicional da disputa de samba. No especial, a Paraíso do Tuiuti. Na série A, além de Jacarepaguá, Inocentes e Sossego também vão seguir essa nova tendência. 

Se na Renascer, que há quatro anos adota a encomenda com garantia de excelentes sambas, a medida já dividia opiniões, a exportação do modelo para outras escolas abriu um cenário acalorado sobre o tema. Com isso, a gente preparou uma grande análise do tema, com prós e contras desse novo momento para o samba-enredo nas escolas. Ouvimos alguns membros do site, mais compositores e figuras do carnaval para darem suas opiniões. 

Até então o único caso no Grupo Especial para o próximo carnaval, a Paraíso da Tuiuti optou por encomendar o samba com três compositores já da escola e mais dois nomes renomados do carnaval; a obra será assinada por Zezé, Jurandir, Aníbal, Claudio Russo e Moacyr Luz. Segundo o presidente Renato Thor, a encomenda veio para garantir pontos no quesito samba-enredo, no qual a escola foi muito despontuada no último carnaval e que ele considera "ser 50% de um desfile".

Em uma situação bem oposta, a Acadêmicos do Sossego optou pela encomenda de samba por questão de economia e problemas de local. Com dificuldades que envolvem sua quadra, a disputa de sambas foi inviabilizada e a escola resolveu optar por encomendar seu hino oficial para 2018 com Felipe Filósofo, campeão das últimas duas disputas da agremiação. Pelo mesmo motivo a Inocentes de Belford Roxo encomendou seu samba com André Diniz e também Claudio Russo, nomes consagrados do mundo do samba. Ao lado da Sossego e de mais duas escolas da Série A, a agremiação também não poderá contar com sua quadra ainda este ano, o que dificulta muito a realização das disputas. 

O modelo tem dado certo, resultando em sambas lindíssimos e garantindo boas notas nos quesitos para as escolas. O questionamento que se faz é: até quando isso irá acontecer em alguns casos? Como será a partir do momento em que as obras encomendadas começarem a perder qualidade? Compensa anular uma ala de compositores inteira de uma agremiação em troca de um bom hino na Avenida?

Quadra da G.R.E.S.E.P Mangueira em dia de disputa de samba (Fonte; site da escola)

Comparando a folia paulista, é bom entender que encomenda nem sempre é garantia de qualidade. A tradicional Águia de Ouro negocia seus sambas direto com sua ala de compositores desde 2010, tendo grandes obras no currículo como 2013 e 2014, mas também o criticado samba deste ano sobre a proteção dos animais. Além dela, há outros casos isolados do modelo nos últimos anos, como a Independente e a obra campeã da Império de Casa Verde em 2016.

Consagrado compositor paulista, Aquiles da Vila já teve seus sambas cantados por escolas importantes como Rosas de Ouro, Mancha Verde e Império de Casa Verde. Sua visão sobre assunto é conciliadora, apontando prós e contras: "Como quase todas as decisões que tomamos nesse vida, arcamos com o ônus e bônus. A tradicional eliminatória de sambas de enredo talvez seja o momento mais caloroso e democrático de uma escola, pois é nessa fase onde existe o maior envolvimento da comunidade e seus setores - a escolha do samba através de apresentações na sua própria quadra." Ele admite que o modelo tem perdido espaço, por conta dos custos para o compositor sendo desgastante para todos, mas acredita ter lados positivos também: "Indo um pouco mais além, também vejo como um momento onde a escola tem a possibilidade de agregar novos componentes, ampliando assim, os simpatizantes e foliões à sua comunidade. Como exemplo, tenho amigos que nunca tinham "pisado" em uma escola de samba, mas aceitaram o desafio de torcerem por mim, e assim se apaixonaram e até hoje desfilam na agremiação."

Por fim, Aquiles concluí: "O formato "samba encomendado", elimina automaticamente todo esse processo citado acima. O compositor é "contratado" para fazer o samba e ponto final! Mais importante do que o próprio formato, é a escolha coerente e correta. É um dos poucos quesitos que a agremiação têm chance de escolher antes de pisar na avenida e garantir a nota máxima."

No Rio de Janeiro, desde a criação da Série A em 2013, além da Renascer, a medida pelo modelo foi usado também pela União de Jacarepaguá e a Rocinha em 2014, quando ambas foram rebaixadas. Dos três sambas, a obra da Renascer sobre o cartunista Lan se destacou positivamente, o da Rocinha negativamente, enquanto o da União apresentou uma qualidade bacana. 

Intérprete da Renascer, um dos autores do samba da escola este ano, com histórico de grandes obras levadas para a Sapucaí com sua assinatura, Diego Nicolau destaca a responsabilidade dos sambistas que assumem a missão: "Eu, como compositor sambista, acredito que a disputa é realmente saudável à ala de compositores das agremiações contudo existem contextos que acabam por justificar essa escolha de algumas agremiações. Acredito que a responsabilidade da parceria escolhida seja triplicada pois a cobrança é ainda maior por um samba de muita qualidade", disse o sambista para o nosso site. 


Diego Nicolau e Cláudio Russo, autores do samba da Renascer em 2017.

Também compositor, Samir Trindade tem visão bem mais pessimista sobre a questão: "Cada agremiação faz o que considera melhor para si. Mas minha opinião é que a disputa é saudável, movimenta a agremiação; a disputa tem que existir. A ala de compositores é um alicerce de uma escola de samba. Houve, nos últimos anos, uma reversão: os compositores são desvalorizados. Os grandes fundadores das escolas de samba, das grandes escolas foram compositores.", disse Samir Trindade em entrevista ao SRZD sobre esse tema. Um dos principais compositores do cenário atual, Samir emplaca anualmente várias obras em diversas escolas entre especial e acesso. Ele continuou explicando na declaração para o portal o que chamou de terceirização da figura do compositor: "As escolas entendem que o compositor é um prestador de serviço, uma figura terceirizada. Que faz o samba para a escola, tem um retorno financeiro e, após o Carnaval, o vínculo termina ali. O compositor é o corpo da escola, é alma da escola de samba, é a essência disso tudo. Estão colocando a figura do compositor à margem. Não existe escola de samba sem samba. É preciso que as agremiações movimentem o ano inteiro suas alas de compositores."

Em declaração exclusiva para o Carnavalize, o historiador Luiz Antônio Simas, autor de obras sobre a história do samba-enredo e também compositor, vai de encontro a opinião negativa de Samir Trindade, ressaltando os problemas do modelo em longo prazo: "A encomenda de sambas-enredo é, ao mesmo tempo, uma das causas e consequência do esfacelamento das alas de compositores. Acho particularmente um desastre, já que inibe o surgimento de novos compositores e limita a um pequeno grupo a função de fazer o samba. Em larga medida, isso é resultado das distorções absurdas que passaram a marcar as disputas de samba; caríssimas e viciadas."

Além de compositores, ouvimos também sambistas e membros da imprensa carnavalesca, como o radialista Carlos Alberto que comanda o Carnaval Show, na Rádio Show do Esporte, ele entende o cenário e os motivos que levam as encomendas mas é contra as encomendas: "Penso que quanto mais ela for adotada, menos compositores novos vão surgir, as disputas ficaram cada vez mais escassas e desleais, e a banca dos chamados escritórios ficarão mais fortes até a situação beirar o irreversível". Ele cita dois casos diferentes como bem sucedidos, o recente da Renascer e outro, mais antigo, da Tradição de 1985-89 que contava com obras assinadas por João Nogueira e Paulo César Pinheiro. E finalizando pedindo um debate maior dos dirigentes sobre o assunto repensando os rumos da festa: "Numa década em que o gênero samba-enredo renasceu, é hora dos novos talentos que batucam na mesa do bar e na caixinha de fósforo terem vez e voz e colaborarem com este gênero tão rico e valioso, mas enquanto a "banca forte" por trás das encomendas de samba continuar sendo fortalecida ao longo dos próximos carnavais, o "escritório de samba quebrando a firma" cantado pela Caprichosos em 2015 fará cada vez mais sentido.", concluí Carlos Alberto assertivo. 

Numa discussão interna entre os membros da nossa equipe, a questão também divide opiniões. Nossa repórter, Juliana Yamamoto acha que há duas vertentes: é a favor das encomendas quando as escolas não têm como bancar as eliminatórias ou quando recebem poucos sambas concorrentes. Para essas escolas, as eliminatórias geram mais gastos que lucros. Já  no caso das escolas médias ou grandes que recebem muitos sambas concorrentes e que conseguem lucrar - como é o caso da Tuiuti - ela diz que discorda pelo fato de tirar a oportunidade de vários compositores mostrarem seu trabalho. Ainda pontua que muitas vezes os compositores perdem a vontade de escrever porque sempre será aquele grupo "seleto" que fará o samba. Editor-chefe, Felipe de Souza concorda com Juliana e acrescenta o adendo há o enfraquecimento da produção musical num contexto geral do carnaval, além das encomendas se tornarem mais viáveis, visto que muitas disputas se inflacionaram a ponto de apenas grandes parcerias - com sambas nem sempre bons - concorrerem.

Finalizando a discussão, o diretor de conteúdo do site, Leonardo Antan concluí entendendo que não é de hoje que se fala do modelo desgastado de disputa de sambas nas agremiações. É de conhecimento de todo o mundo do samba os altos custos e os problemas do formato. Porém,  poucas opções surgem para repensar o modelo que conhecemos. A encomenda não parece uma solução definitiva do assunto, mas uma outra via disponível, também passível de vários lados positivos e negativos.

O debate é extenso e não deve acabar tão cedo. Bom ou mau, não cabe juízos de valores tão assertivos. Um terceira via é sempre o preferível. E as escolas sabem, ao menos esperamos, conduzir suas escolhas da melhor maneira.

E para você? Qual sua opinião sobre a polêmica? Concorda ou discorda das declarações? Deixe seu comentário aqui ou em nossas redes sociais. Queremos todos no debate para o melhor do carnaval.

Surgindo uma polêmica, um assunto a ser debatido no mundo carnavalesco, nós estaremos aqui para fazer nossa "Carnavanálise" do assunto, ouvindo especialistas do assuntos com as mais diversas opiniões. Aguardem novos debates!

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por Leonardo Antan



Os tamborins já estão devidamente esquentados, faltam pouco mais de 100 dias para as escolas rasgarem o chão da Sapucaí. Para isso, se encerrou a fase do ano carnavalesco mais movimentada e cheia de babados: as disputas de samba. Todas as escolas do especial carioca já definiram os hinos que defenderão em fevereiro e nós, divos que somos, fizemos aquele resumão com os bafos e as escolhas de cada uma. Para contrariar os saudosistas, a safra manteve o alto nível do ano passado e tem obras que valem antologia. A disputa pelo Estandarte prometer ser acirrada. Dê o play e vem cair no samba com a a gente: 


Grande Rio

A Grande Rio vem dar um banho de axé, salve toda essa gente de fé



A primeira agremiação a finalizar sua disputa foi a tricolor da Baixada. A obra escolhida conta a história da homenageada Ivete Sangalo com toda a força e axé que a cantora merece. Apesar das torcidas de nariz para o enredo, a baiana gerou um samba animado que promete colocar todo mundo pra pular. Ivete tem cumprido o dever de casa e cantando o samba em todos os seus shows e aparições na mídia, ajudando a deixar a letra na boca do povo. Quando a Grande Rio pisar na avenida promete fazer um verdadeiro arrastão, Ita que se cuide (zoa). Além disso, já foi divulgada uma versão com intérprete Emerson Dias cantando ao lado da homenageada, ouça e venha se jogar atrás do trio.

Paraíso do Tuiuti

É tropicália, olha aí, é Tuiuti, meu paraíso não existe nada igual



Depois da segunda escola de domingo, foi a vez da campeã do acesso de 2016 realizar sua final. A responsável pela abertura da festa tem um dos enredos mais celebrados do ano que abordará o movimento tropicalista. A final com três sambas foi polêmica, o campeão desbancou os dois favoritos, um deles do compositor Cláudio Russo, que tem quatro obras no acesso. A parceria de jovens compositores aborda com leveza o enredo do carnavalesco Jack Vasconcelos. 

Vila Isabel

ÔÔ, Kizomba é a Vila, firma o batuque no Som da Cor



Além da azul e amarelo de São Cristóvão, outro favorito também foi desbancado lá pelas terras de Noel. Quando em todos os bolões de aposta davam como certa a vitória da multi-campeão André Diniz, a azul e branco surpreendeu ao escolher a parceira de Arthur das Ferragens como seu hino para 2017. A vitória foi bem vinda para oxigenar a ala da escola, já que a obra é valente como pede o enredo e tem tudo para ser cantada a plenos pulmões pela comunidade. 

União da Ilha

É o tempo de fé, união. O tambor da Ilha a ecoar



Com um belíssima safra como a tempo não acontecia, a Ilha teve uma tarefa difícil, já que grande obras chegaram a final. A parceria vencedora soube captar a valentia do enredo afro recheada de palavras na língua banto e nas divindades abordadas, que não são os orixás já que o tema é sobre outra vertente das religiões de matriz africana. Em suma, é a cota afro do ano, do jeito que a gente adora para fazer todo mundo girar no terreiro. Com um tema e samba excelentes, a escola tem tudo para abrir os desfiles de segunda em alto nível.

São Clemente

Que hoje o rei sou, brilhando com a ginga que o samba me deu 



Esse foi definitivamente o ano de escolhas surpreendentes por parte de algumas escolas e na São Clemente também foi assim. A escola da zona sul optou por uma obra de Luiz Carlos Máximo e companhia, que fizeram história na Portela com hinos como "Madureira sob o Pelô" e "Mareia, mareiou". A canção apesar de belíssima tem uma cara portelense, mais clássica, com direito a três refrões, fugindo a personalidade irreverente "clementiana". Mesmo sem grande torcida na final, a diretoria fez uma aposta na busca de melhorar um dos quesitos que vem tirando a vaga da agremiação entre as seis, justamente o samba-enredo.

Salgueiro

Dessa paixão que encanta o mundo inteiro, só entende quem é Salgueiro



Pelas terras salgueirenses, a disputa só se decidiu no último acorde. Com três sambas de parcerias consagradas com grandes possibilidades de representar a Academia, a decisão foi pelo bicampeonato do grupo liderado por Marcelo Motta. Depois do malandro que fez todo mundo batucar, o hino escolhido não tem a mesma força, mas possuí a cara da escola e a valentia para levá-la a um bom resultado. A letra descreve a passagem do inferno ao céu, com a visão carnavalesca que o enredo abordará, de maneira leve e contagiante.

Portela

Vem conhecer esse amor a levar corações através do carnavais




Polêmica também não faltou pelas terras de Madureira. A final da agremiação ficou marcada pela confusão entre as parcerias finalistas. A lamentável cena de violência, entretanto, não apagou o brilho da samba escolhida que foi abraçada pela comunidade azul e branca. Com uma quantidade de votos muito amor na decisão da diretoria, a parceria de Samir Trindade foi bicampeã. A qualidade da obra é usar o enredo sobre rios para exaltar a própria escola, uma característica forte da Portela ao longo da história. Onde grande bambas surgem como personagens através dos setores. 


Tijuca

Com samba no pé nos vamos à luta, tô na boca do boca meu nome é Tijuca



De maneira discreta, o Borel realizou sua final sem alarde com sambas em bom nível. A canção não será um dos grandes destaques do carnaval, mas tem a cara que a escola adquiriu nos últimos anos. Tem uma característica mais "funcional" e, com certeza, será cantada a plenos pulmões pela valentia da comunidade. Com um enredo badalado, o samba segue a cartilha e conta os setores que abordarão a história da música americana sobre o olhar negro. 


Mocidade


Vem pra Marrocos meu bem, vem minha Vila Vintém, canta Mocidade



A safra da estrela guia está aí para provar que o carnaval não é para iniciantes. Mesmo com um enredo sem grandes possibilidades criativas, a ala de compositores surpreendeu com sambas-enredos de qualidade. A parceria vencedora apenas confirmou o favoritismo desde que veio a público, abraçada pela comunidade e pela crítica carnavalesca. A obra lindíssima abusa da poesia e promete o antropofágico encontro de Alah e Xangô, numa mistura tipicamente carnavalesca. Outro grande feito é o refrão que rima Sherazade com Mocidade de maneira genial. Um dos hinos do ano. 

Mangueira

Nascido e criado pra vencer demanda, batizado no altar do samba



A atual campeã foi mais uma das escolas que teve uma disputa imprevisível até a decisão afinal. Com obras de três conhecidas parcerias, a escolha da verde-e-rosa foi difícil entre sambas que souberam traduzir muito bem a proposta de falar de religiosidade do carnavalesco Leandro Vieira. Mas quem levou a honra de ser cantada pela comunidade, foi o grupo de compositores liderado por Lequinho. Com muita malandragem, a canção tem a força pra encerrar o carnaval com tudo. Quem me chamou...

Imperatriz

O clamor da natureza a nossa voz vai ecoar... Preservar!




Como já é tradição em Ramos, a safra da Imperatriz rendeu alguma das mais belas canções do ano. A final contou com parcerias já consagradas na agremiação. O grande baluarte Zé Katimba e Me Leva são responsáveis por alguns hinos que embalaram a verde e branco nos últimos anos. Entretanto, a vitória ficou com o grupo liderado por Moisés Santiago, que até ano passado assinava com Katimba. A obra, que canta o enredo sobre o Xingu, tem beleza, mantendo a sequência de ótimos sambas da Leopoldina. 



Beija-Flor

Uma história de amor, meu amor, é o Carnaval da Beija-Flor




Encerrando em alto nível a fase de disputa de sambas, a soberana de Nilópolis realizou uma disputa histórica. A homenagem ao romance Iracema rendeu canções belíssimas e aos pés da Deusa da Passarela. Com mais uma dessas finais disputadas, nota-se que não foram poucos, ninguém podia afirmar com certeza que era o favorito disparado nas terras da Baixada. Entretanto, a escolha não foi uma surpresa, a inovação de Claudemir e cia ganhou grande torcida virtual e aparentemente, também, a diretoria da azul e branco. Com um refrão pra cima e fora dos padrões, o samba é daqueles que gruda como chiclete e promete se eternizar na memória carnavalesca. 


***


Uma das etapas do pré-carnaval chegou ao fim. Mas, em contrapartida, deu início ao período em que a ansiedade pela folia só aumenta. Agora é hora de ouvir e reouvir as escolhas feitas pelas agremiações e eleger nosso preferidos. Com uma grande safra, o grupo especial carioca vive um ano inspirado com grandes sambas, sem destaques negativos. Vamos esperar agora a versão oficial com os intérpretes oficiais para começar nossas avaliações precisas. Até lá!

























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