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Carnavalize

Por Alisson Valério e Leonardo Antan

A #SérieSambas faz um passeio pelo universo do gênero que embala os desfiles das escolas, desdes os clássicos, passando pelos grandes intérpretes e compositores. Os textos saem sempre as segundas e quintas de outubro. Fique ligado!



Voltar no tempo e recordar grandes sambas que marcaram a história no samba paulistano é sempre um prazer, mas pode ser também uma nova oportunidade para conhecer e se apaixonar por canções que você talvez nunca tenha ouvido ou não saiba da existência, mas não ficam devendo em nada em poesia e beleza. O interesse pelo carnaval de São Paulo cresce a cada ano, mas pouco se conhece ainda sobre a história dos desfiles da Terra da Garoa, suas apresentações e sambas mais marcantes antes da virada do século XXI. 

Como a gente espera que todo mundo já tenha aprendido que São Paulo faz samba também, e muito bem, a gente separou uma lista de sambas clássicos e belíssimos da folia desde antes do Anhembi. Vamos passear por sambas de diferentes escolas, anos, enredos, estilos e muito mais. E aí, será que você conhece todos os sambas desse texto?  Se não conhece, venha em São Paulo para ver...

Colorado do Brás 1988 – Quilombo Catopés do Milho Verde

"Me abraça e faz as peles mais unidas 
Que beleza
Não criou raça, 
Deus apenas criou vidas"



"Quilombo espalhou suas raízes, e fez sua semente germinar, em ricas terras mineiras, do milho verde vem o canto pelo ar..." Se no Rio de Janeiro, o centenário da suposta "abolição da escravatura" rendeu obras também inesquecíveis, em São Paulo não foi diferente. Se por si só, enredos sobre a história do povo africano já apresentam uma força peculiar por toda a história vivida por eles, imagine num ano especial como esse. 

A trajetória de luta por liberdade e sofrimento pelo simples fato de ser diferente do que se julgava ser normal na época (e infelizmente até nos dias de hoje) é uma mancha na história desse país, mas se tem algo que esse samba conseguiu imprimir é a felicidade do povo negro em forma de letra e melodia. Porque sim, apesar de todo sofrimento vivido eles, nunca perderam essa essência de ser felizes, de cantar, dançar e de manter viva a esperança de dias melhores. A letra dessa obra composta por Dom Marcos, Edinho, Rona Gonzaguinha e Xixa passeia de maneira emocionante pelo movimento da diáspora, trazendo o cotidiano dos escravos na plantação e sua resistência através das manifestações culturais, fazendo por fim um clamor pelo fim do preconceito.


Rosas de Ouro 1992 - "Non Ducor Duco", qual é a minha cara?

"Meu sabiá, ô ô ô ô 
Soltou o trinar, cantou, cantou
Deu um show na passarela
Levantou a galera
Bateu asas e voou..."



"Bom é recordar, bom demais." Assim se inicia um dos sambas mais especiais e tradicionais da Sociedade Rosas de Ouro em sua história no carnaval paulistano. O enredo em homenagem a São Paulo, especialidade da casa nessa época, embalou um dos principais e mais lembrados títulos da agremiação. O samba tem toda uma cadência especial ao falar da capital, contando o enredo em forma de uma declaração de amor ao seu lugar, relembrando a nostalgia de coisas que se perderam no processo de evolução da cidade, de pequeno vilarejo a uma das maiores cidades do país.

A letre, composta por João do Violão e Miltinho, passeia ainda pelos principais logadouros do lugar, tendo tom crítico ao já avisar da poluição que atingia a metrópole, tanto no verso "o ar, cadê meu ar?" e idealizando um futuro melhor para o famoso rio da cidade: "Tietê, quero um dia beber você". Toda a bela poesia foi entoada por uma performance marcante de Royce do Cavaco, o sabiá da Roseira. O sabiá deu um show na passarela, levantou a galera, bateu asas e voou para um lugar especial na memória do sambista....    

Gaviões da Fiel 1995 - Coisa boa é para sempre

"Me dê a mão, me abraça
Viaja comigo pro céu 
Sou gavião, levanto a taça
Com muito orgulho pra delírio da Fiel"


Você achou que São Paulo não tinha o seu "Ita"? No melhor estilo de animação e empolgação do lendário hino salgueirense, lhes apresentamos um dos maiores sucessos do carnaval de São Paulo.  É um daqueles sambas que caíram no gosto popular de cara, se tornando famoso antes mesmo do carnaval, sendo cantado pela arquibancada antes, durante e depois do desfile - e até os dias de hoje nos estádios de futebol. 

A letra, composta por Grego, além de leve, divertida e festiva, te leva a relembrar e viajar pelo universo infantil, dos tempos de criança, não deixando de lembrar os antigos carnavais e a celebrar a Gaviões da Fiel que celebraria 25 anos no carnaval daquele ano. A canção fez tanto sucesso que rompeu as barreiras do Anhembi e foi regravada pelo mestre Jamelão, num belo gesto de valorização do carnaval paulistano por um dos maiores intérpretes do país. E como diz o mesmo: o que é bom pra sempre fica guardado na memória....  

Leandro de Itaquera 1989 – Babalotim: a História dos Afoxés

"Ô, ô,ô... Eu vim de longe, cruzei mares, quem diria
Ô, ô, ô... Sou afoxé irradiando energia"



Este é aquele samba clássico da história do samba paulistano, se você ainda não conhece essa obra-prima, agora é uma ótima oportunidade. Um samba-enredo irresistível de ponta a ponta, com refrães deliciosos e que te convidam a cantar e sambar. A letra é de beleza e poesia ímpares, o que engrandece ainda mais a obra. Brilhantemente interpretado por Eliana de Lima, o hino fez muito sucesso antes mesmo do desfile e na hora da apresentação oficial mobilizou as massas presentes, comandado não só pelos vocais marcantes da lendária interprete paulistana, mas pelo público presente na Avenida. 

A obra composta por Thiago Lee, Grupo Relíquia, Sandrinha e Clarice é mais uma a contar a história da diáspora africana da maneira mais valente e poética possíveis, sendo coroada por um dos refrões mais inesquecíveis da folia paulistana, o que fez toda diferente a ajudar em eternizar essa canção. O marco de Babalotim foi tão forte na história da Leandro de Itaquera e do carnaval paulistano que foi recentemente reeditado pela agremiação. Axé, Babalotim!


Vai-Vai 1998 – Banzai Vai-Vai

"Me beija na boca, amor 
Me faz um chamego eu quero sentir
Balançando a massa, é Vai-Vai que passa 
Sacudindo o Anhembi"



Achou que ia faltar a escola mais tradicional e conhecida do carnaval de São Paulo? Achou errado! E pra isso, apresentamos mais um grande sucesso popular e que literalmente "sacudiu o Anhembi". É bem verdade que o Vai-Vai, como a escola popular e vitoriosa que é, coleciona uma discografia das mais revelantes e marcantes do carnaval brasileiro como um todo. Mas essa composição de 1998 tem sua força especial por vários motivos. É aquele samba com a essência do componente do Bixiga, com aquele jeito Vai-Vai de ser. 

A letra composta por Zeca, Zé Carlinhos e Afonsinho é um xodó da agremiação da Bela Vista, sendo o samba entoado em todos os ensaios e em todas as apresentações nas quadras das coirmãs. E como todo samba antológico que se preze, teve um intérprete que emprestou a força necessária aos versos da obra para eternizá-los, e nesse caso foi o inesquecível Thobias da Vai-Vai. A obra relatou com perfeição o enredo que levou o Criolé, mascote da escola, numa viagem pelo Japão, desenvolvido pelo carnavalesco Chico Spinoza, que fez história na alvinegra. 


Cabeções da Vila Prudente 1981 - Do Iorubá ao reino de Oyó

"Xangô Ô Ô Ô Ô
Valei-me meu pai, valei-me Xangô"


Esse talvez seja o samba menos comentado da lista, de uma escola menos conhecida ainda, mas não por isso menos belo e marcantes ao ouvir a primeira vez. A Cabeções de Vila Prudente teve uma trajetória curta e com apenas duas passagens no Grupo Especial até agora, mas em 1981 deixou sua marca no samba paulistano, mesmo amargando um décimo lugar no grupo principal daquele ano. A escola que recentemente voltou à ativa após enrolar a bandeira nos brindou com esse hino da folia nacional e que se tornou um clássico.

Sambas de enredo sobre orixás são sempre especiais pela sua força ancestral, e com esse não poderia ser diferente ao contar a história de Xangô, o rei africano que se tornou divindade nas religiões afro-brasileiras. Apesar de curta para os padrões atuais, a letra composta por Dom Marcos não deixa faltar beleza e força em seus versos, cumprindo muito bem sua função de emocionar e inspirar. Valei-me meu pai, kaô!  


Camisa Verde e Branco 1982 - "Negros maravilhosos, Mutuo Mundo Kitoko"

"Ôô, ôô, a nossa escola
Enaltece a negra gente
Que nunca ficou chorando 
Sempre viveu cantando, fingindo contente"




"Achei uma bola de ferro, presa a ela uma corrente, tinha um osso de canela, deu tristeza em minha mente..." O que esperar de um samba que já começa dessa forma? É uma baita de uma pedrada na alma. Ao contar a dor da diáspora, o samba-enredo da Camisa Verde e Branco de 1982 evoca belas imagens da dor e sofrimento do trânsito entre África e Brasil. Chegando até os dias de hoje, o samba faz um verdadeiro clamor por igualdade racial, além de uma justa exaltação ao povo negro. 

A obra composta por Ataíde tem um refrão principal duplo, que dá um toque muito singular ao samba, sem falar que ele em sua totalidade é bastante valente em forma de letra e melodia. Exaltando a importância da negra raça também na contemporaneidade, a marcante canção deixa uma pergunta que até hoje ecoa na nossa sociedade: "Não nos leve a mal / Por que só no triduo de Momo/ Que o negro é genial?." Afinal, "negro paga imposto, negro vai a guerra, negro ajudou a construir a nossa terra..."

1970 - Desfile de carnaval no Vale do Anhangabaú.

Relembrar sambas antológicos do Carnaval é sempre um passaporte para uma viagem no tempo, seja em São Paulo ou no Rio de Janeiro. Listá-los é sempre tarefa árdua e que presume uma seleção, que com certeza não agradará a todos. Entretanto, são diversos os sambas que poderiam também estar presentes nessa lista, obras como: Gaviões da Fiel 1994, Mocidade Alegre 1980, Vai-Vai 1982, Nenê de Vila Matilde 2002 e muitos outros. 

Seja exaltando a beleza e a importância do povo negro, seja passeando pelos velhos tempos e por continentes distantes, o samba paulistano tem sua riqueza e importância na cultura nacional. Afinal, seu carnaval é também patrimônio da nossa gente. Esperamos que tenham curtido os sambas, que tenham descoberto novos hinos favoritos e que se aventurem a pesquisar e conhecer mais sobre a história do Carnaval de São Paulo. Até a próxima!   

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por Léo Antan e Vitor Melo




Todo mundo a conhece ao longe pelo som do seus tamborins e o rufar do seu tambor. Tão grandiosa que não cabe explicação. Falar da Estação Primeira de Mangueira é abusar do superlativo, carregar nos adjetivos grandiosos e, talvez, mesmo assim não dar conta na descrição do tamanho e da força de uma maiores potências do nosso samba. Ao longo destes 85 anos de desfiles, a verde-e-rosa alcançou algumas marcas impressionantes. É dela o título do primeiro concurso entre escolas de samba organizado pelo jornal Mundo Esportivo em 1932. Também é dela o feito de ter sido campeã em todas as décadas. Nos seus dezoito títulos conquistados, todos com garra, energia e muito samba no pé, se destaca uma grande vocação da escola de Cartola: as homenagens. As maiores foram sobre nomes da músicas, mas autores da nossa literatura também caíram no samba mangueirense. Nós separamos nada menos que cinco campeonatos de enredos biográficos sobre nomes da nossa cultura. Vem, no vira da Mangueira, vem sambar...


1967 - O mundo encantado de Monteiro Lobato

"Na escritura emocionante/Com seus contos triunfais/Com seus personagens fascinantes/Nas histórias tão vibrantes/Da literatura infantil/Enriquecem o cenário do brasil" 


Para quem acha que as homenagens da velha Manga começaram apenas nos anos de 1980, basta voltar duas décadas atrás. Considerado por alguns o primeiro samba-enredo a fazer sucesso nacional, a obra louvando o nosso maior escritor infantil contribuiu para a popularização do samba fora dos limites da avenida. A obra foi regravada por grandes nomes da nossa música, como Beth Carvalho. A plástica foi assinada pelo grande Júlio Mattos, responsáveis por mais de cinco títulos na verde e rosa. Nós já contamos a trajetória desse artista, confira aqui.

1984 - Yes, nós temos Braguinha

"Canta!/A mulata é a tal/Salve a lourinha/Dos olhos claros de cristal"



O ano de estreia da passarela definitiva do carnaval sintetizaria a história da folia até ali. No campeonato dividido em dois dias, as duas maiores escolas da festa ganhariam os dias de disputa com dois sambas antológicos. A Portela, domingo, e a Mangueira, segunda. A verde-e-rosa renderia uma bela homenagem ao grande compositor Braguinha. Assinado por Max Lopes, o desfile contou a trajetória do músico em três setores: Bela Época, Festa Junina e Carnaval. A alegria e a garra dos componentes fizeram história, num momento inesquecível, quando chegou a Praça da Apoteose, a escola deu meia volta e retornou na Sapucaí no sentindo inverso, com a invasão de pessoas da arquibancada na pista. No sábado das campeãs, o furacão se repetiu e a Manga seria coroada a única Supercampeã da maior festa da cultura popular. 

1986 - Caymmi, Mostra ao Mundo o que a Bahia e a Mangueira Têm

"Tem xim-xim e acarajé/Tamborim e samba no pé"


Depois de uma apresentação problemática em 1985 em homenagem a outro nome da música, Chiquinha Gonzaga, a aposta foi  no retorno do carnavalesco Júlio Mattos. A linha musical permaneceu e a homenagem ao grande Dorival Caymmi embalou mais um dos desfiles inesquecíveis da agremiação do mestre Jamelão. O samba defendido pelo maior dos nossos intérpretes se fixou no imaginário carnavalesco pelo seu alto astral. O enredo desenvolvido pelo maior dos carnavalescos verde-e-rosa contou com a simplicidade e singeleza que lhe são característicos e exaltou. além do homenageado, as belezas e tradições da lendária Bahia. Não teve para ninguém.

1998 - Chico Buarque da Mangueira

"Ô iaiá... Vem pra avenida/Ver "meu guri" desfilar/Ô iaiá... é a Mangueira/Fazendo o povo sambar"


Sem esquecer Carlos Drummond em 1987, pulamos para a década seguinte buscando abranger uma trajetória maior das homenagens. É bem verdade que nos anos de 1990, viriam outros enredos musicais, mas nem tão bem sucedidos assim, como a louvação a Tom Jobim (92), Doces Bárbaros (94) e o Século do Samba (99). Nessa lista destoou apenas o tributo a Chico Buarque, que entrou na história da agremiação faturando mais um título da escola. Tudo começou quando o homenageado entoou os versos de seu "Vai Passar", ainda no esquenta, levando ao público à loucura. A escolha do samba que foi bastante criticado na época, por ser assinado por compositores paulistas, rendeu de maneira impressionante. O desfile assinado por Alexandre Louzada teve alguns problemas plásticos, mas a garra falou mais alto. O resultado foi um inusitado empate com a Beija-Flor, polêmico até hoje. 

2016 - A menina dos olhos de Oyá

"Vou no toque do tambor... ô ô ô/Deixo o samba me levar... Saravá!/É no dengo da baiana, meu sinhô/Que a Mangueira vai passar"






Foto: Michele Iassanori
O saldo para a velha Manga não era favorável, a escola amargava posições ruins fazia alguns anos, sem voltar nas campeãs há quatro carnavais. No ano anterior, havia enfrentado um desfile com forte chuva e terminou na décima posição. Além disso, a escolha pelo carnavalesco foi ousada, tratava-se de um jovem inexperiente, que tinha assinado apenas um desfile no grupo de acesso. O jovem artista, entretanto, soube fazer jus a grande vocação da escola. Com a escolha por uma belíssima homenagem a grande Maria Bethânia que completava 50 anos de carreira. Com um samba que não era destaque da safra, mas levou a Sapucaí a baixo e um trabalho plástico original e requintado, a Mangueira arrastou a Sapucaí como há anos não fazia e surpreendeu a todos com um belíssimo e merecido campeonato. Ratificando a sinergia verde e rosa e mostrando toda a força da primeira estação do samba, assim como em 1984, tanto no dia oficial do desfile como no sábado das campeãs, o "povão", que estavam nas frisas e nos camarotes à beira da pista, seguiram a Estação Primeira. Rezando a lenda e reafirmando o poder que o samba tem... Atrás da verde e rosa, realmente, só não vai quem já morreu!





Foto: Vitor Melo
Valiam muitas outras grandes homenagens que a Mangueira fez nessa lista, mas resolvemos optar por cobrir a maior abrangência de décadas e não nos restringir a nomes da música, mesmo que seja essa a maior quantidade de homenagens. Seja na literatura, na música, na Bahia, ou no Nordeste, outros temas que costumam dar sorte a verde e rosa; Ela sempre arrebenta, até mesmo quando parece estar adormecida - não é mesmo, menina dos olhos de Oya? Não é à toa que é a mais dionisíaca das escolas, muito menos chamada de "maior escola de samba do planeta" pelo eterno Luizito.

Salve o samba...
 Salve a Estação Primeira! 









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por Leonardo Antan e Vitor Melo




O número de escolas do grupo especial, infelizmente, é limitado. Poucas conseguem se firmar, mas algumas escolas precisam de pouco pra eternizarem seus nomes na história da folia. Nessa nossa lista de hoje, vamos fazer um passeio por obras antológicas que foram cantadas por escolas pouco lembradas pelo folião e que nunca conseguiram alcançar as primeiras partes da tabela, mas deixaram um legado cantado até hoje. Afinal, escola é feita de samba, não apenas de títulos e bons resultados.

Eis verdadeiras grandes escolas da nossa folia:


 7 - Unidos de Lucas 1968 - Sublime Pergaminho

"Uma voz na varanda do paço ecoou:
'Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão'"



A Unidos de Lucas completou 50 anos recentemente e tem no seu DNA a vitória, nascida da fusão entre a Aprendizes de Lucas e a Unidos da Capela, campeã do carnaval em 1950 e 1960. Tendo como carnavalesco o eterno Clóvis Bornay, já em seu segundo ano ela nos brindou com um dos maiores clássicos da nossa folia. O samba que na verdade se chamava na época "História do negro no Brasil", ficou conhecido como Sublime Pergaminho graças a regravação de Martinho da Vila, que popularizou a obra. Anos mais tarde, Emílio Santiago também emprestaria sua voz ao samba. Atualmente, o galinho de ouro está na Série B, mas tem em suas histórias outros clássicos inesquecíveis, como o de 1969 (Rapsódia folclórica), 1976  (Mar Baiano em Noite de Gala), entre outros. 


6 - Unidos da Vila Santa Tereza 2013 - Axé - No caminho das águas sagradas

"Na proteção do rei amor eu peço axé, Santa Tereza desfilando sua fé"



Nem só de especial vive a nossa lista. Muito menos de sambas antigos, e essa de que os sambas de hoje não tem a qualidade como antes não cola com a gente. A Unidos de Vila Santa Tereza está localizada entre os bairros de Rocha Miranda e Coelho Neto e pode contar nos dedos  as vezes que já desfilou na Sapucaí. Em seu desfile mais recente no chão sagrado da folia carioca, a escola nos entristeceu com cenas que nenhum sambista gosta de ver. Alguns setores chegaram a desfilar sem fantasias, como a bateria e a ala de passistas femininas apenas de roupas íntimas. Nem tudo, entretanto, causava tristeza, a azul, branco e ouro da zona norte presenteava-nos com um belíssimo samba, defendido magistralmente na época das disputas pelo consagrado Wander Pires e interpretado com a garra e a força que não só esse sambaço pedia, mas também toda a conjuntura do emocionante desfile da agremiação pela grande voz do nosso carnaval, Tiãozinho Cruz. 


5 - Colorado do Brás 1988 - Catopês do Milho Verde, de Escravo a Rei da Festa

 "Que beleza, não criou raças, Deus apenas criou vidas"


Quem pensou que Sampa não marcaria presença na nossa lista se enganou. A Colorado é mais um escola de samba fundada a partir de um time de futebol e tem uma história de muita luta na folia paulistana. Fundada em 1976, ela demorou dez anos para conquistar um lugar no Especial e quando conseguiu passou um temporada de três carnavais no grupo principal. Em 1988, ela os brindou com um dos mais belos sambas da história da folia paulistana, o samba-afro tem letra e melodia emocionantes e fez um clamor pelo fim da discriminação racial em pleno ano do centenário da Lei Áurea. Um verdadeiro hino. 

4 - Unidos da Ponte 1984 - Oferendas

"Axé! O samba pisa forte no terreiro!"


Com muito marafo, dendê, pipoca, flores e tudo que a Unidos da Ponte tinha direito, a escola fez uma grande oferenda aos orixás, como propunha o enredo - e fez, de fato, o samba pisar forte no terreiro. A cinquentenária azul e branco de São João de Meriti embora desfilasse com esse interessantíssimo samba, só conseguiu ficar no 7° lugar do extinto grupo 1-A do carnaval carioca e acabou sendo rebaixada. A tradicional escola carioca já chegou a emplacar 4 carnavais seguidos na elite do carnaval carioca, mas desde 1996, no seu último desfile no pantheon do carnaval carioca, quando ficou em 18° lugar, permanecendo, até hoje, na Série B do carnaval carioca. Quem acha, todavia, que a contribuição da Unidos da Ponte foi apenas com esse samba, está muito enganado. Vale também ressaltar as duas belíssimas obras de 1973 e de 1983. No primeiro, com o enredo "Dança para os Orixás" (Saravá quem vai embora/Saravá quem vai ficar/Saravá o arco Íris/Salve todos Orixás) e o segundo, levando pro desfile um samba cantado até os dias de hoje, "E Eles Verão a Deus" (E eles verão a deus/Num sonho que fizeram seu sonhar/E eles verão a deus/Razão de todo seu imaginar)

3 - Leandro de Itaquera 1989 - Babalotim, a história dos Afoxés

"Axé pra quem tem, e quem não tem, axé para você também'"



A outra obra representante de SP é a Leandro de Itaquera, que tem uma história de fundação das mais lindas do carnaval brasileiro. A agremiação surgiu como um presente de aniversário da filha do seu Leandro, que dá nome a escola. Fundada em 1982, ela conseguiu rápida ascensão ao grupo de acesso. Sua estreia no especial aconteceu em 1989. E foi com o pé direito, o pelo samba embalou um desfile arrepiante com um show da bateria comandada por Mestre Lagrila, que conseguiu a façanha de alcançar um honroso sétimo lugar. No microfone, interpretando a obra, Eliana de Lima fazia história mais uma vez depois de sua passagem pioneira na Unidos do Peruche. No carnaval de 2017, a escola reeditará esse hino no grupo de acesso. 

2 - Tupy de Brás de Pina 1961 - Seca no Nordeste

"E olhando o firmamento, suas lágrimas se unem com as dádivas do céu"




Considerado pelos experts Luiz Antonio Simas e Alberto Mussa como o melhor samba de todos os tempos em seu livro "Samba de enredo - História e Arte", esta preciosidade é um samba belíssimo e emocionante que precisa ser mais conhecido no mundo do samba. A bela canção narra, carregado de poesia, as dores da seca na vida de um sertanejo e virou um sucesso da MPB, sendo regravado por nomes como Jamelão, Mestre Marçal, Fagner e Clara Nunes. A escola de Brás de Pina teve vários outros grandes em sua história, mas infelizmente enrolou a bandeira 1999 após a lutar pelos grupos secundários da folia. Em 2014, para nossa alegria, ela voltou a ativa e está ascensão pelos grupos de acesso. A gente torce que ela volte para a Sapucaí e reedite essa obra prima.

1 - Em cima da hora 1976 - Os Sertões 

"Os jagunços lutaram até o final, defendendo Canudos naquela guerra fatal"





Falou em sambas antológicos de escolas pouco lembrada, falou Em cima da hora. A mais tradicional das escolas pequenas. A azul e branco de Cavalcanti "marcada pela própria natureza" brindou nossa folia com algumas das mais belas obras que passaram pela avenida. "Os Sertões" é um dos nosso maiores clássicos, obra de apenas um compositor, o enorme Edeor de Paula, é inspirada no clássico de Euclides da Cunha e narra a história de luta da lendária cidade de Canudos. Infelizmente, no ano de sua apresentação original, uma forte chuva atrapalhou a apresentação da escola. Reeditado em 2014 na Série A, a escola fez uma apresentação emocionante e digna que garantiu sua permanência do grupo. Além deste clássico, vale destacar na história da escola o hino de 1974 (Festa dos deuses afro-brasileiros) e o de 1984 (33 - Destino D. Pedro), que virou clássico na voz da grande Clementina de Jesus e narra as dores da vida nos trens cariocas. 

Já dizia a sabedoria popular: Não julgue um livro pela capa! No mundo do samba, o velho ditado também se faz valer. Não é por uma escola ter uma bandeira menor que não pode nos presentear com belíssimos sambas, como em todas as listas que já fizemos, não conseguimos agradar a todos. Se você sentiu falta de algum samba ou acha que algum(ns) desse(s) não merecia(m) estar aqui, diga-nos!

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