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Carnavalize







Tudo que é bom chega ao fim em algum momento. Desde o início do mês de junho, nosso #GiroAncestral enobreceu as quartas-feiras com textos que conduziram cada leitor ao seio de pontos fundamentais da arte de mestre-sala e porta-bandeira. A repercussão entre amantes da festa e profissionais do quesito foram impulso para a produção de cinco textos, todos disponíveis no site, para que pudéssemos compartilhar e adquirir mais conhecimento. A todes que nos acompanharam, fica o nosso muito obrigada. 

Afetos e emoções à parte, hoje traremos os nomes das principais herdeiras dos legados de grandes porta-bandeiras. Com pouca idade e muita experiência, apresentaremos a nova geração destas mulheres que empunham e representam os pavilhões de tantas agremiações. Há de se ressaltar que o fato de serem porta-bandeiras da geração não deduz que caíram de paraquedas nos cargos que ocupam. Cada uma das personalidades a seguir acumula anos de trabalho dedicado a essa arte, muitas vezes desde a infância. Assim, consideramos, nesta seleção, os nomes que há pouco despontaram como primeiras porta-bandeiras e nutrem expectativas de uma carreira de sucesso pela frente. Vamos descobrir quem são elas?

Taciana Couto

Quem vê o rosto jovem de Taciana mal pode imaginar há quantos anos ela e seu pavilhão tricolor são parceiros inseparáveis. Cria de Caxias, sua história na arte de porta-bandeira se confunde com a da sua própria infância. Fortalecendo as pernas com os passos dos primeiros anos de vida, os giros e movimentos característicos da dança a auxiliaram, desde a pouca idade, a trilhar o caminho que a conduziu ao cargo que ocupa hoje na Acadêmicos do Grande Rio. Na escola mirim da tricolor, a Pimpolhos da Grande Rio, começou desfilando em alas aos cinco anos, e aos sete já integrava o quadro de porta-bandeira. Esse lugar, aliás, era muito familiar, já que desfilou pela primeira vez, ainda na barriga da mãe, que foi porta-bandeira da primeira ala da escola. Cada vez mais dedicada ao ofício, Taciana foi eleita a melhor porta-bandeira mirim em 2015 pelo Prêmio Plumas e Paetês Cultural, como revelou em entrevista ao Jornal Extra. Firme na Grande Rio, passou de terceira porta-bandeira para o cargo de primeira porta-bandeira, sendo oficialmente a representante principal do pavilhão da agremiação, após a saída da experiente Verônica Lima, em 2018.

Taciana, aos dezenove anos, conquistou a nota máxima no desfile de 2020 da Grande Rio, ao lado de Daniel. (Foto: Carnavalesco)
O desafio era grande, ainda mais aos 17 anos, sendo a porta-bandeira mais nova do Grupo Especial naquele momento, mas Taciana simbolizava a técnica e a valorização da escola que cuida das suas “pratas da casa”. Assim, estreou a parceria Daniel Werneck em 2018 nos preparativos ao carnaval seguinte. Apesar dos quarenta pontos não terem chegado, Taciana sempre exalou a quem a viu dançar muito potencial. A preparação para o carnaval de 2020, seu segundo como primeira porta-bandeira, exigiu ainda mais dedicação. Em um lapso temporal de seis meses entre o desfile oficial e a final de samba-enredo, foi estrondosa e notória sua evolução. O nome desse empurrãozinho é Beth Bejani, coreógrafa do casal e renomada bailarina do Theatro Municipal, que só auxiliou a lapidar o talento latente. O enamoramento entre Taciana e Daniel na dança era cada vez mais perceptível e com movimentos precisos e muito graciosos pareciam levitar em suas apresentações em quadras e ensaios de rua. Tanta graça não poderia resultar em outra conquista senão o espetacular resultado de quando atravessaram os três módulos de julgamento no desfile oficial, que homenageou Joãozinho da Goméia. Taciana e Daniel conquistaram não apenas trinta ou quarenta, mas cinquenta pontos, em uma meteórica evolução em pouco menos de um ano como casal. Com apenas dezenove anos à época do carnaval, Taciana teve conferido à sua apresentação o mesmo grau que craques do quesito, como Marcella Alves, atual campeã do Estandarte de Ouro, e Rute Alves, a porta-bandeira campeã de 2020. Alguém duvida que precisamos estar de olhos e sorrisos bem abertos quando Taciana desfraldar seu pavilhão? Ainda tem muita chuva de nota dez para testemunharmos.


Dandara Ventapane

Filho de bamba, bambinha é, até que atinja a maturidade, consagre-se como um herdeiro do legado do precursor familiar e siga a transmissão geracional. Assim acontece há algumas gerações na família de Dandara Ventapane. Apontar sua história genealógica é importante, mas hoje elevamos esta porta-bandeira como um grande nome do quesito, para além dos laços familiares com o avô, Martinho da Vila, que comprova que a boa árvore só gera novos e bons frutos. Não seria nem preciso dizer que Dandara, com nome de guerreira, já nasceu ao som do baticum e assim cresceu durante sua infância e sua juventude. Íntima da dança, ela foi integrante de comissão de frente e chegou a riscar o chão da Avenida como passista, ambas pela Vila Isabel, mas foi em 2013, como terceira porta-bandeira, que empunhou pela primeira vez um pavilhão. Sua estreia como primeira porta-bandeira aconteceu logo no ano seguinte, em 2014, pela Acadêmicos da Rocinha, que desfilava na Série A, à época, mantendo o cargo de terceira na escola de Noel.

A belíssima Dandara Ventapane, no desfile oficial da União da Ilha, em 2019. (Foto: Leandro Milton/SRzd)
Em 2015, foi promovida a primeira porta-bandeira da escola de coração para formar par com o mestre-sala Diego Machado, em apenas seu terceiro desfile como porta-bandeira em toda a carreira. Logo em seguida, permaneceu por mais um ano na Vila, desta vez com Phelipe Lemos, até os dois seguirem rumo à Ilha do Governador em 2017. Muito elogiado, o casal fez sucesso enquanto esteve junto até o carnaval de 2020. Apesar de fazer 30 pontos em 2017 e trazer a nota máxima possível, todos os 10 nunca chegaram de uma vez só. No entanto, não há como negar a graça de Dandara na dança, com gestos leves e giros muito bem executados. Segura, Dandara parece ter a calma que o tempo pede para a consagração dos grandes nomes do carnaval. Se em oito carnavais já conquistou o feito do reconhecimento de tradicionais escolas, e também do público, nada impede que seu bailado a conduza para voos ainda mais altos. No próximo carnaval, Dandara segue como nome de confiança da União da Ilha, estreando com novo mestre-sala, Raphael Rodrigues.

Raphaela Caboclo

Mais um grande nome da nova geração, Raphaela Caboclo, apesar da pouca idade, já acumula mais de quinze carnavais na bagagem. Cria de Madureira, foi no Império Serrano que começou como porta-bandeira mirim. A evolução rápida a conduziu aos postos de terceira e depois segunda porta-bandeira da Serrinha, totalizando oito carnavais junto ao Reizinho de Madureira. Como o sonho de toda defensora de um pavilhão é ocupar o cargo de primeira porta-bandeira, não demorou muito tempo para que o comprometimento e a excelência de Raphaela a coroassem. Em 2011, estreou ao lado de Alex Marcelino, como herdeira de uma história que também foi escrita por grandes nomes do quesito, como Andréa Machado, Selminha Sorriso e Rita Freitas.

Raphaela Caboclo em 2018, pelo Império Serrano, conquistou o prêmio de Revelação, concedido pelo júri do Estandarte de Ouro. (Foto: Agência O Globo)
A partir daí, o único ano que não esteve com seu olhar sereno e sorriso encantador conduzindo com maestria um pavilhão histórico foi em 2014. No seu retorno, em 2015, formou dupla com Feliciano Júnior, um lindo casal que esteve à frente do campeonato da escola em 2017, na Série A. Em 2018, no retorno do Império Serrano ao Grupo Especial, primeiro de Raphaela como porta-bandeira de uma escola que desfilava no primeiro grupo, encantou e faturou o Estandarte de Ouro de Revelação. Tamanho reconhecimento veio não somente desta premiação, mas também da diretoria da Unidos da Tijuca, que contratou Raphaela, desligada da Serrinha, para ser primeira porta-bandeira da amarela e azul do Borel. A despedida de Feliciano em uma linda parceria conduziu ao reencontro com um já conhecido par, Alex Marcelino, que já era mestre-sala da agremiação tijucana. Em dois carnavais, não conquistaram a nota máxima, mas o próprio júri reconheceu, em suas justificativas, o progresso do casal entre os dois anos. Após o desfile de 2020, a Unidos da Tijuca demitiu Alex e Raphaela. Ela revelou, algum tempo depois, ter sofrido um acidente em janeiro, faltando um pouco mais de um mês para o carnaval, causado por um motorista de aplicativo que estava alcoolizado. Com o caso abafado pela escola, ninguém teve conhecimento da condição física de Raphaela, que teve cortes em todo o seu corpo e os movimentos faciais e de joelho comprometidos. Recomendada pelos médicos a não se apresentar, ela foi além dos próprios limites físicos e intensificou o tratamento para que pudesse estar presente como primeira porta-bandeira da agremiação, na segunda-feira de carnaval. Assim aconteceu. Apesar da atitude desonesta da agremiação, Raphaela, mais do que uma exímia porta-bandeira, é uma potente representante do amor ao seu pavilhão. 


Laís Lúcia

A elegância de Laís é uma das grandes e sutis qualidades que ela carrega. Sua trajetória como porta-bandeira começou na Pimpolhos da Grande Rio, que mais uma vez revelou um grande talento, no ano de 2007. Com passagens por escolas como Gato de Bonsucesso e Matriz de São João de Meriti, foi continuando os estudos na Escola de Mestre-Sala, Porta-Bandeira e Porta-Estandarte Manoel Dionísio que Laís foi escolhida pelos diretores da Vizinha Faladeira para ser primeira porta-bandeira de uma das mais antigas agremiações cariocas. Durante décadas, ela permaneceu com o pavilhão enrolado, e retornaria aos desfiles no ano de 2015. Por lá, Laís seguiu até o carnaval de 2019. 

Laís Lúcia, primeira porta-bandeira do Império da Tijuca, desperta a promessa de evoluir como um dos grandes nomes do quesito. (Foto: Cris Gomes)
Isso porque no ano de 2020 chegou à Laís o convite irrecusável para empunhar o pavilhão principal do Império da Tijuca, escola da qual já havia passado pelo cargo de segunda porta-bandeira anteriormente. A estreia ao lado de Renan Machado foi belíssima, sob a supervisão artística de um dos grandes nomes do preparo de casais da atualidade, Ana Paula Lessa, que também trabalha junto ao premiado casal Matheus Olivério e Squel Jorgea, na Mangueira. Fato é que o primeiro desfile de Laís como primeira porta-bandeira na Série A já despertou em quem a assiste o sentimento mágico que porta-bandeiras e mestre-salas carregam: o de talentos investidos em corpos que bailam. Sem dúvidas, Laís é dona de uma bonita e próspera trajetória a ser trilhada.


Bruna Santos

Como o elo comum das novas porta-bandeiras cariocas é a ligação com a folia desde a infância, ou de raízes familiares, com Bruna Santos a história se repete. Bailarina, desde os sete anos de idade a jovem porta-bandeira de vinte e dois anos desfila pela escola de Padre Miguel. Foi na Estrelinha da Mocidade que ela começou, como passista, em ala, e também porta-bandeira, e seguiu para a escola mãe, na qual nunca deixou de desfilar. Foi a partir da Mocidade que surgiram os convites para fazer jornada dupla e desfilar também pela Unidos de Bangu, vizinha que marcou sua estreia como primeira porta-bandeira em 2016, e pelo Acadêmicos do Sossego, por onde foi a principal no carnaval de 2019.

Bruna Santos, em sua estréia como primeira porta-bandeira da Mocidade, em 2020, no sábado das campeãs. (Foto: Alexandre Durão/G1)
Tudo ia muito bem com a segunda porta-bandeira independente, quando foi anunciado o desligamento do primeiro casal à época, Marcinho e Cris, em agosto do ano passado, que eram garantia dos quarenta pontos no quesito. Foi assim que Bruna recebeu o convite da escola para assumir o cargo de primeira porta-bandeira ao lado de Diogo Jesus, que já havia passado pela agremiação e, inclusive, conquistado o campeonato em 2017. A pressão sobre os ombros de Bruna foi imensa, mas a relação íntima com a escola e a apresentação para os três módulos de julgadores fizeram com que três dos cinco jurados atribuíssem nota dez ao casal, ficando a um décimo de fechar a nota do quesito. Fã declarada da experiente porta-bandeira Marcella Alves, Bruna trilha passos de uma longa estrada que tem pela frente. Em 2021, ela seguirá empunhando seu amado pavilhão verde e branco.


Lenita Magrini 

Com um bailado leve e elegante e sendo considerada a bailarina do samba, Lenita Magrini faz parte da nova geração de porta-bandeiras. A dama tem uma dança clássica e encanta por uma postura impecável, um excelente trabalho de perfumaria e grandes resultados pelas agremiações que passou. Sua trajetória na arte iniciou em 2011, quando recebeu o convite para participar do conceituado curso da AMESPBEESP. Por se destacar nas aulas, recebeu uma proposta de uma agremiação. Porém, na mesma época, também ganhou uma bolsa de estudos no Canadá, fazendo com que Lenita desse uma breve pausa no início da carreira. Após um ano fora do país, ao retornar, a bailarina se dedicou novamente aos cursos e começou sua trajetória no carnaval de Santo André. Possuía um grande talento e sua apresentação pela escola precedente na quadra do Barroca Zona Sul chamou a atenção dos diretores da verde e rosa, que a convidaram para integrar o quadro de casais no ano de 2013. Esse foi o estopim para Lenita alavancar sua carreira e se firmar no quesito.

Lenita Magrini em desfile oficial do Barroca Zona Sul em 2020. (Foto: Bruno Giannelli - SRZD)
Junto de Cley Ferreira, seu mestre-sala no Barroca, a porta-bandeira iniciou uma linda história na verde e rosa, destacando-se por sua competência na dança. Seu grande desafio veio no carnaval de 2015, quando estreou como porta-bandeira oficial pela agremiação, permanecendo até o carnaval de 2017, colecionando notas máximas. Sendo uma das mais jovens do quesito, Lenita despertou o interesse da Independente Tricolor no ano de 2016. Junto de Cley, defendeu o pavilhão oficial da vermelho e branco por 2 anos. Eles estrearem no Grupo Especial pela escola em 2018 e tiveram a difícil missão de se apresentar por 9 minutos ininterruptos na frente de uma cabine julgadora, em razão dos problemas com o tripé da comissão de frente. Mesmo com o imprevisto, o casal conseguiu a nota máxima.  Após um ano fora do carnaval, o destino colocou a verde e rosa novamente na vida de Lenita Magrini. A porta-bandeira retornou à agremiação para o carnaval de 2020 com um novo parceiro, Igor Sena. O casal foi um dos destaques no quesito e conseguiram os tão sonhados 40 pontos. Com apenas 25 anos, a bailarina a cada ano vem se firmando no quesito e evidencia que manterá o legado dessa nobre arte. 

Waleska Gomes

Uma das porta-bandeiras que vem se destacando nos últimos anos, principalmente pela coleção de notas máximas no quesito e por apresentar um bailado forte mas tradicional, é Waleska Gomes. Bailarina formada, iniciou sua trajetória no carnaval aos 8 anos, quando se inscreveu para o curso de mestre-sala e porta-bandeira da AMESPBEESP. A primeira agremiação da dançarina foi a Unidos de São Lucas, mas sua carreira decolou na Tom Maior, escola na qual permaneceu por 6 anos como segunda porta-bandeira até o carnaval de 2014. Para o ano de 2015, recebeu o até então maior desafio da sua vida: ostentar o pavilhão oficial da Independente Tricolor. Entretanto, o desfile não foi como o imaginado. Durante a passagem da vermelho e branco pelo Anhembi, uma forte chuva atrapalhou a evolução do casal e também a apresentação da escola, já que havia caído a luz no Sambódromo. Após sua breve passagem na Tricolor, para o carnaval de 2016 recebeu a difícil missão de substituir Camila Moreira, entãol porta-bandeira do Morro da Casa Verde, grávida, faltando dois meses para o desfile oficial. Mesmo com o período curto, Waleska não mediu esforços para apresentar um bom trabalho na avenida. 

Waleska em desfile oficial do Acadêmicos do Tucuruvi em 2020 no Grupo de Acesso. (Foto: Bruno Giannelli - SRZD)
Após seu desfile pelo Morro em 2016, o futuro lhe reservava surpresas. A dama recebeu o convite para ser primeira porta-bandeira do Acadêmicos do Tucuruvi ao lado de Kawan Alcides no Grupo Especial. Apesar de um pré-carnaval difícil e com contestações, a dupla se destacou no desfile oficial e conseguiu a tão sonhada nota máxima em 2017, sendo um dos poucos casais naquele ano a alçar tal feito. A parceria dos dois continuou até o carnaval de 2019 e, apesar do descenso da azul e branco, eles conseguiram novamente as quatro notas 10. Para o carnaval de 2020, Waleska estreou uma nova parceria, ao lado do mestre-sala Luan Caliel. A dama apostou em um garoto jovem, também um de seus alunos. Juntos, foram nota máxima e ajudaram a escola da Cantareira a retornar ao principal grupo paulistano. A bailarina vem mostrando a sua força a cada ano e pretende marcar seu nome no quesito do carnaval de São Paulo. 

Evelyn Silva

A porta-bandeira que encanta a comunidade de gente feliz com um bailado elegante e tradicional e que ao lado do mestre-sala Rubens de Castro coleciona notas máximas. Evelyn Silva iniciou sua paixão e seu interesse pela arte de mestre-sala e porta-bandeira aos 6 anos, quando foi para um ensaio da Mocidade Alegre e observou a dança da então atual porta-bandeira na época Adriana Gomes, que acabou tornando-se uma de suas maiores referências. No ano seguinte, ingressou no curso “Futuro da Morada”, no qual começou a dançar. No carnaval de 2006, esteve presente na ala de casais da Mocidade. Após seu primeiro desfile, a dama continuou se dedicando à arte por meio de cursos e, com isso, recebeu o convite para ser porta-bandeira mirim em uma agremiação nova, a Dragões da Real. Sua história na vermelho e branco iniciou no carnaval de 2007 com apenas 8 anos. A cada ano, a dançarina ganhava uma maior notoriedade, criando um laço afetivo com a escola e aos poucos sendo promovida no quadro de casais, chegando ao posto de segunda porta-bandeira em 2014.

Evelyn Silva na concentração do Anhembi para o desfile oficial da Dragões da Real de 2020. O casal foi nota máxima neste ano. (Foto: Felipe Araújo - LIGASP)
Após a saída da primeira porta-bandeira em 2016, o grande sonho da Evelyn se tornou realidade ao receber o convite para ser a defensora oficial do pavilhão da vermelho e branco. Com apenas 18 anos, a bailarina assumiu o posto ao lado do seu novo parceiro Rubens. Mesmo com um pré-carnaval difícil, no qual Evelyn teve que lidar com muitas críticas e desconfiança, a dupla mostrou na avenida que a aposta na prata da casa gerou um bom resultado. No primeiro ano juntos, o casal foi nota 30 e ajudaram a agremiação a alcançar o vice-campeonato. Após a estreia, Evelyn permaneceu no cargo e com isso vem escrevendo uma linda história na Dragões e também se destacando na nova geração de porta-bandeiras de São Paulo.

Gabriela Mondjian

Com um bailado tradicional e giros fortes, Gabriela Mondjian fez sua estreia no carnaval de 2020 como primeira porta-bandeira do Gaviões da Fiel ao lado do seu mestre-sala Wagner Lima. A dama teve a difícil missão de substituir Adriana Mondjian, sua tia, que defendeu o pavilhão oficial da alvinegra por cinco anos. Gabriela é prata da casa e desde pequena sempre esteve presente na agremiação junto de sua família, desfilando pela primeira vez em 2004 ainda na ala das crianças. Encorajada pela sua tia, decidiu estudar e conhecer mais sobre a dança de mestre-sala e porta-bandeira e acabou se apaixonando. Por meio de uma audição interna, a dançarina ingressou no quadro de casais em 2011, assumindo o quarto pavilhão da escola. Ao passar dos anos, foi adquirindo seu espaço e se destacando, sendo promovida e chegando ao posto de segunda porta-bandeira no carnaval de 2015.

Gabriela Mondjian na concentração do desfile oficial dos Gaviões da Fiel em 2020. (Foto: Felipe Araújo - LIGASP)
Após o carnaval de 2019, a então primeira porta-bandeira da época, Adriana, desligou-se da agremiação motiva por lesões e por motivos profissionai. Com isso, Gabriela, sua sobrinha, teve a oportunidade de assumir o pavilhão oficial e continuar o legado da família Mondjian. Considerado como um dos momentos mais importantes de sua vida, a dama teve o acompanhamento durante todo o pré-carnaval da antiga primeira porta-bandeira que a ajudou na transição com o mestre-sala e também na sua preparação. Infelizmente, no ano de estreia, as notas não foram como esperado. Isso nada afetou o brilho da dançarina que seguirá para o seu segundo ano como defensora do pavilhão oficial da preto e branco e uma das promessas da nova geração no quesito.


Monalisa Bueno

A nossa última dama da lista também é uma que estreou como primeira porta-bandeira no carnaval de 2020. Monalisa Bueno pisou forte no Anhembi para defender o pavilhão de uma das escolas mais tradicionais de São Paulo, a Nenê de Vila Matilde,  ao lado do mestre-sala Cley Ferreira, pelo Grupo de Acesso. A trajetória da dançarina no carnaval iniciou com apenas 7 anos de idade, quando estreou como porta-bandeira mirim do Barroca Zona Sul. No mesmo ano recebeu o convite para integrar o quadro de casais do Vai-Vai. Também teve passagens por Imperador do Ipiranga, Tradição Albertinense e Dragões da Real, mas a consolidação da sua carreira e notoriedade veio após o retorno ao Vai-Vai, no carnaval de 2007, para assumir o terceiro pavilhão. Na Saracura, Monalisa cresceu e foi promovida para o posto de segunda porta-bandeira em 2013. Permaneceu por 13 anos na escola do povo, até o carnaval de 2019.

Monalisa em desfile oficial da Nenê de Vila Matilde em 2020. (Foto: Felipe Araújo - LIGASP)

Com uma grande experiência adquirida no Vai-Vai, após o desfile de 2019, Monalisa se desligou da agremiação em busca de voos maiores. A dançarina teve a oportunidade de mostrar seu talento e bailado forte na Nenê de Vila Matilde. Lá, estreou como porta-bandeira oficial. A aposta da azul e branco trouxe bons frutos, já que Monalisa e Cley foram nota máxima e um dos principais destaques do Acesso. A dama não permanecerá na escola para o próximo carnaval. Agora defenderá o pavilhão oficial da Mocidade Unida da Mooca ao lado do mestre-sala Jefferson Gomes. Monalisa é mais uma da nova geração que se encaminha para se destacar nos próximos anos no quesito.

Taciana Couto, uma das porta-bandeiras que faz parte da nova geração no desfile da Grande Rio em 2020 ao lado do mestre-sala Daniel Werneck. (Foto: Wigder Frota)

O legado da arte de mestre-sala e porta-bandeira será mantido e perpetuado por meio dessa nova geração de dançarinas. Elas, ao longo dos anos, vêm se destacando e contribuindo para suas respectivas agremiações. Cada uma possui seu estilo de dança e ao longo dos anos foram escrevendo sua trajetória e adquirindo espaço, até chegarem no apogeu. Ainda as veremos muito tempo bailando, seja na Marquês da Sapucaí ou no Sambódromo do Anhembi. E você? Curtiu a nossa primeira temporada da série Giro Ancestral? Conseguiu entender um pouco a importância dessa linda arte numa escola de samba e no carnaval? O que mais gostaria de saber sobre a arte de mestre-sala e porta-bandeira? Quem sabe não retornamos para uma segunda temporada? Venha e carnavalize conosco!

 *            *             * 

Quase todas as porta-bandeiras citadas aprimoraram seus estudos em um projeto fundamental da nossa cultura e da dança dos casais: a Escola de Mestre-Sala, Porta-Bandeira e Porta-Estandarte do Mestre Manoel Dionísio. O Mestre é um dos nomes mais importantes da formação de grandes mestre-salas e porta-bandeiras das agremiações cariocas. O projeto conta com aulas gratuitas aos sábados, das 13h às 18h, no Calouste, uma unidade de repartição pública da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. Com a atual pandemia do coronavírus, as aulas estão suspensas e só serão retomadas em um momento seguro e oportuno. Para que as atividades sejam reiniciadas, a Escola do Mestre Manoel Dionísio lançou uma campanha de financiamento coletivo para arrecadar valores. O Carnavalize agradece publicamente ao Mestre pelo seu legado e por sua contribuição à nossa cultura, e pede para que aqueles que puderem contribuir o façam, seja financeiramente ou com a divulgação da arrecadação. Mais informações no link: https://benfeitoria.com/escolamestredionisio.










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por Beatriz Freire e Juliana Yamamoto
Revisão: Leonardo Antan e Felipe Tinoco
Arte: Vitor Melo

Com o calendário inicial da nossa série #GiroAncestral planejado para quatro semanas seguidas ao longo do mês de junho, escolhemos encerrar nosso breve ensaio sobre a arte do casal de mestre-sala e porta-bandeira com o presente texto, um resumo simplificado sobre os manuais e análises de julgamentos dos casais do Rio de Janeiro e de São Paulo. 

Para falar sobre a boa recepção da série, além de agradecer a todos que leem semanalmente nossas produções, anunciamos um texto extra para a próxima semana, ainda quarta-feira, para fechar com chave de ouro. Agora, é chegado o momento de falarmos mais um pouco sobre os elementos que envolvem a avaliação de cada um dos casais.


Análise de julgamento: Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, os jurados são guiados por um manual sucinto e sem grandes restrições. Pouco aprofundado, ele abre brechas para considerações dos julgadores que estão revestidas de maior grau de subjetividade do que aqueles que já são intrínsecos ao exercício do julgamento, por mais que disponham e estejam submetidos ao uso de parâmetros para fazerem suas considerações e atribuições de notas. Assim, sem engessamento e inflexível rigor, muitas vezes os jurados acabam criando costumes que servem como diretrizes não explícitas em texto, mas extraídos do gosto desses profissionais, seja no modo de vestir e até mesmo de bailar. 

Cintya e Rodrigo, o casal da Porto da Pedra, no desfile de 2019, com vestes majestosas, ao gosto do júri. Foto: Juliana Dias/SRZD.
Aliás, o primeiro ponto disposto no instrumento de avaliação é a indumentária dos defensores da escola, atendendo a adequação à dança, formas e acabamentos que imprimam beleza e bom gosto. Não é raro que se encontre referências que digam que o casal, independentemente do enredo, deve se adequar ao visual de nobreza da narrativa que se conta, sem que se deixe de lado a ideia de que eles são, por natureza, figuras majestosas. Hoje, por exemplo, é difícil pensar em uma fantasia de casal de mestre-sala e porta-bandeira que será unanimemente recepcionada com bons olhos pelo júri sem ter os elementos que eles entendem que atribuem riqueza e identidade opulenta ao visual, como muitas penas dos mais variados tipos em saias e costeiros, imprimindo uma estética um tanto quanto hegemônica ao visual do quesito. 

No nosso primeiro texto, discorremos sobre o ponto do casal em qualquer momento não poder sambar, tendo como dever, na verdade, bailar ao ritmo do samba, o que compõe uma das diretrizes técnicas de avaliação dispostas no manual. A execução de passos característicos da dança é obrigatória, com “meneios, mesuras, giros, meias-voltas e torneados, sendo obrigatória a sua exibição diante dos módulos de julgamento”, como dispõe o livro. Não será mera coincidência encontrar muitos pontos aqui relacionados a assuntos dos quais já tratamos anteriormente nos três textos produzidos na série. Todos os elementos técnicos e de visual exigem treino, preparo e um pensamento planejado e cuidadoso dos casais para que formem um trabalho homogêneo e de boa impressão ao aliar todos os pontos elencados, um a um.

Raphaela Caboclo e Feliciano Júnior, em 2017, no Império Serrano, substituíram as tradicionais penas por capim barba de bode. Foto: Jeanine Gall/SRZD.
Prosseguindo, deve-se notar, ainda, a harmonia entre o casal, envolvendo diretamente os papéis do mestre-sala de cortejar e defender, além de apresentar, seu pavilhão e também a sua dama, que por sua vez conduzirá e apresentará sua bandeira sempre desfraldada, sendo considerado um erro que ela se enrole em seu próprio eixo, sem nunca deixá-la sob a responsabilidade do mestre-sala. Além de erros técnicos, de entrosamento, conceito visual e execução que possam surgir, o manual carioca autoriza os jurados a despontuarem eventuais perdas ou quedas de itens que compõem a indumentária, como sapatos, costeiros, chapéus, penas, etc.

No último carnaval, em uma análise direta da justificativa, a maior incidência de decréscimo nas notas se deu em virtude da famosa teatralização. Teatralizar, para ser mais exata, é quando o casal incorpora à dança uma considerável quantidade de elementos e referências que compõem a caracterização dos papéis que estão representando narrativamente dentro do enredo, muitas vezes usando a seu serviço a letra do samba como base. Registre-se, porém, que marcar a coreografia seguindo os versos do samba-enredo nem sempre vai caracterizar a tal teatralização. Fato é que a investidura do mestre-sala e porta-bandeira nesses personagens em doses pouco moderadas acabam escanteando o pavilhão, que é, por direito, a estrela principal da apresentação de um casal. Por isso, os jurados constantemente fazem o alerta de que representar é diferente de teatralizar, e que movimentos que sugiram as referências ao que se propõe dentro do enredo são mais do que bem-vindas, desde que não ofusquem a dança que exalta a própria bandeira e o seu simbolismo ou que façam os defensores esquecerem por algum momento que são guardiões deste tal símbolo, não atores.

Marcella Alves e Sidclei, defensores do Salgueiro neste ano, representam personagens sem ofuscarem o pavilhão. Foto: Gabriel Nascimento/Riotur.
A coreografia da arte, inclusive, é um ponto controverso do desenvolvimento do casal ao passar dos anos. A dança solta, tradicional, que conta com o jogo da imprevisibilidade e da combinação quase ao acaso dos corpos em movimentos, didatizados e acostumados um ao outro pela técnica e, principalmente, pela sintonia, não é mais vista com bons olhos como em outrora. Há de se convencionar, portanto, que é preciso ter um roteiro daquela dança, que é exaustivamente pensada e ensaiada para ser brilhantemente executada diante do júri. E tal apresentação, na visão dos julgadores, precisa ser pensada também do ponto de vista da ocupação física; o uso pouco explorado do chão da passarela como espaço cênico para desenvolvimento dos mais diversos desenhos coreográficos (círculos, diagonais, etc) é um ponto que vira uma constante repetição de alerta dos jurados em suas justificativas. Não basta dançar bonito, há de se exercitar a criatividade do bailado em seus mais diversos sentidos.


Análise de Julgamento: São Paulo

Desembarcando agora na Terra da Garoa, o quesito por lá possui um manual completo e detalhado. O casal precisa evoluir e realizar seu bailado por toda pista e o jurado deverá observá-los durante todo o campo de visão da sua cabine, não apenas quando passam à sua frente. Presente no “módulo dança”, há 3 pontos de avaliação técnica para o julgamento do quesito. O primeiro deles é o entrosamento. Nele, o jurado deverá avaliar a dança de mestre-sala e porta-bandeira considerando os seguintes pontos:

Integração do casal e seus movimentos obrigatórios: apresentar todos os movimentos presentes na dança de mestre-sala e porta-bandeira. A dama deverá realizar giros completos em 360 graus horário e anti-horário e giros no próprio eixo, enquanto o mestre-sala deverá realizar a meia-volta (giros 180 graus ao redor da sua dama, em sentido horário e sentido anti-horário - movimento de proteção), riscado (trabalho de pernas), torneados (giro em torno do próprio eixo), mesuras (menção de reverência) e meneio (a forma de conduzir sua parceira). Não pode-se também esquecer da principal função de um casal, que é a apresentação do pavilhão. Além disso, precisam realizar o minueto (dança de passos miúdos), caracterizada pela delicadeza dos movimentos e a execução dos giros e reverências um para o outro.

Uilian Cesario e Karina Zamparolli em desfile oficial da Mocidade Alegre. O casal foi nota 30 em 2020. Foto: Luciano Garcia/Faixa Amarela.
Durante a apresentação aos jurados, na qual a realização dos movimentos é obrigatória, há outros pontos que são levados em conta durante a evolução do casal. Enquanto executa seu bailado, o mestre-sala não poderá deixar o pavilhão bater em seu corpo, assim como não deve existir choque corporal com a sua dama e nem ele deve realizar o bailado de forma individual, tornando sua parceira e o seu pavilhão como meros coadjuvantes. Os mesmos também não podem verbalizar durante a dança. A falta de elegância, simpatia e leveza da dupla durante o bailado também é muito importante e passível de perda de décimos. No último carnaval, também foi integrado um novo tópico de avaliação em entrosamento: finalização de movimentos. O casal deverá apresentar a finalização dos movimentos na dança, evidenciando e destacando ainda mais a sincronia entre os dois.

O segundo ponto de avaliação técnica é a postura do casal. Nele, avalia-se a forma de conduzir e apresentar o pavilhão com altivez, simpatia e elegância. Para isso, a porta-bandeira precisa manter o pavilhão desfraldado (aberto) em seus giros, não poderá deixá-lo enrolar no seu corpo ou no próprio mastro e a mesma também não poderá se curvar a qualquer pessoa durante sua dança, já que ostenta o símbolo maior de uma escola de samba. O mestre-sala não poderá tocar o pavilhão de forma brusca, nem encostar seu joelho no chão. Os dois em hipótese alguma podem cair durante a apresentação e o cavalheiro também não pode executar movimentos que não são direcionados ao pavilhão e à sua dama, nem dar as costas para a mesma, exceto quando estiver realizando giros no seu próprio eixo (torneados). 

O terceiro e último ponto de avaliação técnica do quesito é a integridade das fantasias. O jurado deverá verificar a indumentária do casal de mestre-sala e porta-bandeira e observar se existem tecidos rasgados, adereços quebrados, saiotes arqueados e queda ou perda de parte da fantasia, mesmo que seja acidental, como costeiros e chapéus, por exemplo. 


Marcelo e Adriana, primeiro casal da Mancha Verde, gabaritaram o quesito em 2020. Foto: Luciano Garcia/Faixa Amarela.
Como já citado anteriormente, o manual do quesito é didático - não só para os julgadores, mas também para o público em geral. Para atribuição da nota ao casal, os erros cometidos durante a apresentação são divididos em quatro tipo de falhas: leve (1 ponto de ocorrência - 0,1); média (2 pontos de ocorrência - 0,2); grave (3 pontos de ocorrência - 0,3) e gravíssimo (4 pontos de ocorrência - 0,4). No manual, as possíveis falhas em cada ponto de avaliação técnica (entrosamento, postura de casal e integridade das fantasias) já são separados em leve, médio, grave e gravíssimo. Um casal que se comunicar verbalmente durante sua apresentação e tiverem problemas na finalização de movimentos estão realizando falhas de nível leve e perderão 0,1 por cada erro, por exemplo. Se durante o bailado o pavilhão não se manteve desfraldado, é considerada  uma falha de nível médio, e o casal em questão terá o desconto de 2 décimos.

No carnaval de 2020, a maior perda de décimos entre os  casais de mestre-sala e porta-bandeira foi no ponto de avaliação entrosamento: finalização de movimentos, considerado como erro leve. Os jurados enxergaram que houve falhas de entrosamento entre os casais, em que, ao finalizarem algum passo, o mestres-salas pararam antes das suas parceiras ou vice-versa, dando a sensação que não estavam sincronizados. Outro fato que também pode ocorrer é quando, ao terminar algum movimento, a finalização dos bailantes não era evidente e marcada. Um outro ponto também apontado pelos jurados, mas em menor escala em suas justificativas, foi a postura do casal - pavilhão desfraldado, quando a dançarina não consegue manter o pavilhão aberto todo o tempo. 


Paralelo entre as cidades


Essa fascinante arte que se mantém a cada ano e é perpetuada para novas gerações possui tradicionalidade e importância no carnaval. Tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, os casais realizam a mesma dança, apresentando os seus movimentos obrigatórios, exercendo sua principal função e atribuindo o destaque ao maior símbolo de uma escola. Cada casal tem seu estilo de dança, seja tradicional ou moderno, com um bailado forte ou leve, mas todos precisam apresentar o que a arte propõe. Entretanto, o quesito possui suas peculiaridades em São Paulo e no Rio de Janeiro.

João Carlos e Ana Reis, primeiro casal do Águia de Ouro, campeã do carnaval 2020. Foto: Luciano Garcia/Faixa Amarela.


Na Marquês de Sapucaí, os casais de mestre-sala e porta-bandeira realizam sua apresentação em frente ao módulo de jurados, enquanto em São Paulo os dançarinos precisam evoluir por toda pista e são avaliados de maneira contínua. A própria cabine no Sambódromo do Anhembi é feita para que o jurado do quesito consiga ter uma visão ampla do casal. Em relação ao bailado, não há muitas diferenças entre as duas cidades, já que os principais movimentos são obrigatórios em ambas. Entretanto, enquanto os casais cariocas montam uma coreografia específica que será realizada em um espaço determinado em frente ao módulo julgador e durante uma passada do samba-enredo, os casais paulistanos possuem uma coreografia para evoluir por toda a pista, sendo movimentos constantes. Um fato curioso é que no Rio a porta-bandeira pode se curvar durante a apresentação, em forma de reverência e respeito ao grande símbolo que ostenta. Já em São Paulo, isso é proibido e, caso alguma porta-bandeira realize esse movimento, uma falha é considerada.

Apesar do manual do quesito da cidade carioca ser mais simples do que o paulista, os jurados são trabalhados para expandir sua análise acerca da dança do casal e ir além do que está descrito no manual, que não é descritivo. Além disso, são guiados a expressarem suas opiniões nas justificativas. Por estarem há muito tempo na função, isso contribui para se aprofundarem e entenderem ainda mais o quesito. Já no carnaval de São Paulo, apesar do manual ser completo e detalhado, falta uma melhor orientação aos jurados no que se refere ao julgamento, pois há pontos para avaliação que envolvem a subjetividade, como elegância, postura e leveza de um bailado. Os mesmos necessitam de uma melhor referência e conhecimento para poder discernir o que é um bailado elegante ou não e também ter a possibilidade de ampliar sua análise além do manual, pois, caso contrário, acaba se tornando uma avaliação engessada e mecânica, principalmente no que tange às justificativas, nas quais os jurados não exprimem suas opiniões.

Ruhanan Pontes e Ana Paula em desfile oficial pela Colorado do Brás em 2020. Foto: Luciano Garcia /Faixa Amarela.

Os casais de mestre-sala e porta-bandeira possuem uma grande importância dentro de uma escola de samba e, principalmente, dentro de um desfile. Apenas duas pessoas representam um único quesito. Além de encantar o público com seu bailado, também precisam levar essa magia para os jurados. No Rio de Janeiro e em São Paulo, o julgamento do quesito preza pela tradicionalidade da dança. Mesmo com a singularidade de cada cidade, é preciso compreender que a arte é uma só e que os casais estão constantemente na busca pela nota máxima. 

E você, conseguiu entender um pouco mais como funciona um julgamento de mestre-sala e porta-bandeira? Seria um bom jurado? Fique com a gente e carnavalize conosco. Semana que vem voltamos para o último capítulo dessa primeira temporada da série #GiroAncestral! 


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Por Leonardo Antan e Beatriz Freire



Apesar de portelense, Maria das Dores Alves Rodrigues viveu toda a vida bem longe de Oswaldo Cruz e Madureira. Nascida em Barra Mansa, mudou-se para o Rio aos 3 anos, onde viveu no Morro da Previdência. A casa de Dodô é um ponto turístico famoso da primeira favela do Brasil.



Já aos 14 anos, começou a trabalhar como empacadora em uma fábrica. Com as amigas de trabalho começou a demonstrar seu talento como porta-bandeira durante o horário de almoço, quando deu seus primeiros passos treinando com uma vassoura e pano de chão. No trabalho, Dodô conheceu Dora, moradora do bairro de Oswaldo Cruz, rainha da Portela (à época, ainda Vai Como Pode), cargo conquistado através do livro de ouro. No intervalo do trabalho, Dodô, Dora e as outras amigas dançavam e cantavam sambas e músicas de carnaval. Indicada por Dora, a jovem estreou no cargo em 1935, com apenas 15 anos, em um lugar tradicionalmente ocupado por mulheres mais velhas. Paulo da Portela pediu que o mestre-sala Antônio a avaliasse.



Apesar da pouca idade, Dodô se destacou logo de cara pela elegância e graça. Ainda falando sobre Paulo da Portela, se o “professor” é o grande patriarca da escola azul e branco e simboliza toda a tradição e elegância da águia de Madureira e Oswaldo Cruz, Dona Dodô é a representante feminina e matriarca da identidade da agremiação. O casamento entre a porta-bandeira e a azul e branco foi um dos mais longos da folia. Nos mais de 20 anos que atuou na agremiação como primeira porta-bandeira, Dodô foi 11 vezes campeã, símbolo da relação mais vitoriosa entre a defensora de um pavilhão e sua escola. Dona de um perfil forte, ela não deixava que ninguém fizesse suas fantasias. Ela mesma bordava suas roupas, fazendo os vestidos a seu gosto: formais, sem decotes, com o luxo devido à função.

Mesmo depois que Vilma Nascimento assumiu o posto de primeira porta-bandeira em 1956, Dodô seguiu como segunda e terceira defensora do pavilhão por mais dez anos, até 1966. Selou a marca de mais de trinta anos de atuação no mesmo cargo em uma escola, um recorde absoluto. Já fora do posto, Dodô seguiu atuando na Majestade do Samba. Um outro marco atribuído a ela é a criação da Ala das Damas, símbolo da elegância e pompa portelense, que já faturou o Estandarte de Ouro de melhor ala em 1991 e em 2014.



Por falar na principal premiação da folia, Dodô é uma das raras personalidades do Carnaval a ostentar dois prêmios em categorias especiais do Estandarte de Ouro. O primeiro em 1986, como Destaque Feminino, e o segundo em 2004, como Personalidade. O prêmio de 2004 não foi à toa. Na reedição do clássico “Lendas e Mistérios da Amazonas”, a Portela escolheu ninguém menos que Dodô para atuar à frente dos ritmistas da Tabajara. A baluarte reinou soberana aos 84 anos como Madrinha de Bateria da azul e branco. Outra bonita homenagem da Portela aconteceu em 2000, no carnaval que marcou os 500 anos do Brasil. A eterna porta-bandeira voltou a desfilar ostentando o pavilhão azul e branco em uma bela homenagem. Na ocasião, Rute e Marcelinho compunham o primeiro casal da escola.



Dona de uma elegância ímpar, seguiu orientando as portas-bandeiras que passavam pela azul e branco de Madureira. Dodô era firme quanto ao uso obrigatório de anáguas, e não shorts, por debaixo das saias das porta-bandeiras que a sucederam na Portela. Lucinha Nobre lembra que o primeiro gesto feito por tia Dodô foi levantar sua saia para conferir a anágua quando assumiu o cargo na Portela, em 2010. Dodô também não tinha costume de frequentar as feijoadas da escola, mas fez questão de ir à apresentação de Lucinha e anunciá-la no microfone. Desde 2018, Lucinha desfila com a ponteira de Dodô, encontrada na quadra e restaurada. A relíquia ganhou um banho de ouro.


Dodô faleceu dias depois de alcançar 95 anos. Em 2015, primeiro carnaval da história da Portela sem ela, Dodô foi homenageada pela porta-bandeira Danielle Nascimento. Seu rosto apareceu no telão da comissão de frente coreografada por Ghislane Cavalcanti. Católica fervorosa, era Dodô quem cuidava das cerimônias religiosas na quadra da agremiação. Após sua morte, um antigo desejo foi realizado em sua homenagem: uma capela com os padroeiros da agremiação, Nossa Senhora da Conceição e São Sebastião, inaugurada em 2015.



Se a função de porta-bandeira tem toda a sua etiqueta e elegância, Dona Dodô foi uma das percussoras deste legado. Afinal, carregar o pavilhão de uma escola é uma responsabilidade única. Elegância, etiqueta, pompa, suavidade sem perder a força. Dona Dodô foi não só uma das maiores porta-bandeiras do carnaval, mas seguiu numa atuação como baluarte fundamental da Portela. É figura feminina ímpar da história da folia nacional.

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