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Carnavalize




A mente brilhante de Raul Seixas já projetava os dias atuais. Sua música hoje é fonte de inspiração para o nosso carnaval. Apesar de todas as adversidades, estamos aqui! Prontos para encarar todo e qualquer desafio! Prontos para fazer mais um grande carnaval! Viva o recomeço! Viva o carnaval 2021 da Dragões !

Renato Remondini – Presidente Tomate

Texto- Inspiração do Carnaval 2021 – “O dia que a Terra parou”

O vai e vem da metrópole silenciou. Os semáforos já não faziam mais sentido. A orquestra de freios e buzinas já não estava mais ali. As cidades, sempre céleres, pararam. A rua esvaziou. Foi de súbito. Não foi combinado. Naquele dia, a Terra parou.

Pela primeira vez, em muito tempo, foi possível ouvir o barulho ensurdecedor do silêncio. O sopro do vento percorrendo os arranha-céus. Sem o intenso deslocamento, era possível ver cores antes escondidas pela pressa do dia a dia. 

Sem ônibus lotados, sem carros amontoados pelas pistas: só a paz se impunha. O céu começou a revelar seu azul mais límpido, suave e brilhante. Da selva de pedra alucinante, brota a natureza valente. Ela sempre esteve ali: rompendo as frestas do asfalto, se esgueirando entre os canteiros. Agora é a sua vez. Ela ressurge nos ensinando que estamos ocupando a sua casa, e não o contrário. Ela nos ensina uma forte lição de resiliência e perseverança. A frieza do concreto se curva então à generosidade e ao acalanto do bosque, retomando seu lugar passo a passo: nas ruas e em nossos corações.

Ao olhar as arvores florescendo pelas janelas de nossos castelos de ferro e vidro, é possível perceber a força de suas raízes. É preciso, então, fortalecer as nossas próprias. Com as mãos, alcanço um antigo livro na prateleira da sala. A poeira do tempo revela que a rotina louca da civilização não nos permite o sabor da viagem que um livro pode nos proporcionar. A leitura é a grande oportunidade da vida de revirar as memórias impressas pelos grandes mestres e colher seus ensinamentos. A educação ganha uma nova dimensão e relevância. Cada capa de livro guarda dentro de si um universo infinito de possibilidades.  O conhecimento partilhado por cada obra nos permite conhecer novos mundos. Ao caminhar por essas estradas imaginadas por cada autor, acabamos conhecendo um pouco mais de nós mesmos. E para isso acontecer, foi preciso a Terra parar: só assim nos permitimos olhar para dentro de nossas almas e viver novas vidas através das linhas deixadas por eles. 

Nessa viagem de autoconhecimento, temos a chance de nos percebermos melhor. Sentir a alma e o corpo. 

Reconhecer a nossa natureza interna, seja ela física ou mental. A calma vista pela janela começa a inundar nossas vidas. A fé ecoa em meio aos corações. A busca pela espiritualidade nos conecta à essência do que significa ser humano. A mãe Terra ensina todos os dias a importância de buscarmos mais qualidade, de darmos o tempo certo ao nosso corpo e de buscarmos a saúde permanente, num estilo de vida novo. 

E diante desta pausa, a mente se sente livre para perceber o mundo de forma mais sensível. O coração se torna leve e finalmente temos o tempo certo para reconhecer a arte de viver. É ela – a arte – que enche de brilho a alma. Quando o ponteiro do relógio parou, tivemos então a oportunidade de nos emocionarmos com as melodias. Só assim conseguimos ouvir os acordes do violino, chorar diante da força de um monólogo; perceber as cores da tela. É através da contemplação da arte que alimentamos a esperança de um futuro mais harmônico. 

E a harmonia aprendida com os mestres da arte nos leva a mais importante lição: não há paz de verdade se ela é restrita. Não há felicidade plena, se ela não é plenamente dividida com nossos iguais. O mundo parou, mas o amor não pode parar. É preciso fazer chegar esse bom sentimento a todos aqueles que precisam dessa chama em seus corações. Foi preciso silenciar o ronco dos motores para que pudéssemos perceber que tem alguém que mora na esquina da sua vida, na frieza de uma calçada. É preciso espalhar as boas lições aprendidas com esse momento. Mas não bastam os bons sentimentos. 

A vida ensina que todo esse aprendizado só tem valor se ele se transforma em atitude concreta. O grande ensinamento é a solidariedade. Nós aceleramos o mundo: com isso, tornamos ele muito desigual para aqueles que não conseguem acompanhar o ritmo frenético da nossa época, pois só nós podemos estender a mão para erguer todos aqueles que precisam. 
No dia em que a Terra parou, nós pudemos respirar fundo. Aprendemos lições profundas. Fazer diferente daqui para frente, é com a gente mesmo.
No dia em que a Terra parou, o mundo, então, se tornou um lugar de gente feliz. 

Jorge Luiz Silveira
Carnavalesco
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Por Juliana Yamamoto e Alisson Valério
As escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo fizeram um lindo espetáculo no Sambódromo do Anhembi. Com um carnaval competitivo, as agremiações mostraram toda sua força nas duas noites de desfile. Para destacarmos ainda mais essa festa, a equipe do site Carnavalize, que esteve presente no Anhembi nos dias de desfiles do carnaval paulistano, selecionou os melhores de cada quesito.

Para começar, vamos ao quesito samba-enredo. O grande samba do carnaval de São Paulo em 2019 foi dos Gaviões da Fiel. Com uma reedição de 1994, a alvinegra teve a melhor comunicação com o público durante todo desfile. Além disso, o samba - considerado um dos melhores da cidade - foi entoado a plenos pulmões pela arquibancada. Com um excelente desempenho da bateria e um ótimo carro de som liderado pelo intérprete Ernesto Teixeira, a obra ficou ainda melhor durante o desfile e sacudiu o Sambódromo como nunca visto antes. Uma apresentação inesquecível e um samba-enredo que será eternamente lembrado pelos sambistas.

Mestre Moleza, da Cadencia da Vila, trouxe os 40 pontos para a escola! (foto: Recordar É Viver)
Já em bateria, várias apresentações se destacaram ao longo das duas noites de desfile. Muitas escolas ousaram em bossas e paradinhas que levantaram o público. Neste ano, o quesito teve como destaque a Cadência da Vila, comandada pelo Mestre Moleza. Desde 2013 na verde, azul e branco, Moleza transformou a bateria da Unidos de Vila Maria em uma das melhores da cidade. Com bons desempenhos nos últimos anos, a Cadência se destacou em 2019 com excelentes bossas, além de uma “paradinha” que levantou a arquibancada Monumental durante sua passagem. O interessante desta bateria é a capacidade de ouvir perfeitamente todos os instrumentos. Além disso, o entrosamento entre o carro de som e a Cadência era mais que evidente. 


Ernesto Teixeira brilhou e foi escolhido por nossa equipe como melhor intérprete (Foto: site Carnavalesco)
Não faz parte do julgamento oficial da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, mas é de extrema importância para uma agremiação e principalmente para seus componentes: o intérprete. Ele precisa mostrar toda sua força e fazer com que o samba-enredo tenha um desempenho de alto nível na avenida. O grande destaque foi Ernesto Teixeira, dos Gaviões da Fiel. Com uma apresentação memorável, o veterano cantor deu um show no Anhembi e levantou a arquibancada. Apesar de sua idade, Ernesto mostrou que continua o mesmo de anos anteriores e comandou o carro de som com maestria. Além disso, seus cacos característicos tornaram-se ainda mais marcantes durante o desfile. Trata-se um patrimônio do carnaval de São Paulo, que merece todo nosso respeito e admiração. Sarava, saravá salve o santo guerreiro! 


A comunidade guerreira da Zona Leste cantou (e muito) sua história, a melhor do carnaval paulistano (Foto: G1/Fabio Tito)
A harmonia de uma escola de samba é um dos quesitos mais importantes. Muitas apresentaram um belíssimo canto durante sua apresentação, mas o grande destaque fica com o Acadêmicos do Tatuapé. A Qualidade Especial ousou em “paradinhas” que evidenciaram o canto dos componentes. A azul e branco sempre se destacou por desfiles técnicos e, principalmente, pelo chão. E, em 2019, não foi diferente. O canto nas alas era constante e o intérprete Celsinho Mody podia parar de cantar em qualquer parte do samba-enredo pois a comunidade seguraria. Isso mostra a força de uma escola de samba e de seus componentes. Com isso, a Tatuapé fica com a melhor harmonia do Grupo Especial.


Na estreia de Jorge Freitas, a Mancha Verde mostrou a grandeza de seu carnaval (Foto: LigaSP/Marcelo Messina)
As alegorias são de extrema importância e dão a “tônica” de um desfile. Em 2019, o conjunto alegórico de grande destaque foi o da campeã Mancha Verde. Com alegorias grandiosas e luxuosas, a alviverde trouxe os melhores carros do Grupo Especial. Além de uma excelente concepção, estavam bem acabadas e eram de fácil leitura. O grande destaque fica por conta do abre-alas da verde e branco, que impressionou pelo tamanho e detalhes. 


De muito bom gosto, a Mancha desfilou com fantasias opulentas (Foto: LigaSP/Marcelo Messina
As fantasias também são importantes para dar um belo “visual” ao desfile. Além disso, precisam manter uma regularidade desde o primeiro até o último setor. O grande destaque no quesito foi, novamente, a Mancha Verde. A escola teve o visual como ponto alto do desfile. As fantasias eram de extremo bom gosto, além de estarem muito bem acabadas. Outro ponto positivo é que eram de fácil leitura e também não caíram de nível nos últimos dois setores. Jorge Freitas, que assinou um enredo de temática afro pela primeira vez na carreira, acertou em cheio.

O enredo também é essencial para o sucesso de um desfile. O tema que será contado na avenida precisa ser de fácil assimilação não só para os jurados, mas para o público em geral. Novamente, a Mancha Verde acertou no quesito. O tema, sobre a história de Aqualtune, avó dos Zumbi dos Palmares, foi muito bem desenvolvido por Jorge Freitas. 


A polêmica comissão de frente dos Gaviões foi destaque no carnaval de SP! (Foto: LigaSP/Felipe Araújo)
A comissão de frente é o primeiro “grupo” a adentrar na pista no desfile de uma escola de samba. Uma boa e impactante apresentação logo no início ajuda no decorrer do desfile. Em 2019, a grande comissão de frente foi dos Gaviões da Fiel. O destaque fica por conta do componente que representava a serpente e sua encenação com o tripé. Além disso, a indumentária utilizada pelos componentes e a densa coreografia ajudaram na incrível apresentação.

Emerson e Karina foram as estrelas do desfile da Morada do Samba! (Foto: LigaSP/Felipe Araújo)
Um quesito com grandes apresentações esse ano foi mestre-sala e porta-bandeira. Os dois possuem muita responsabilidade, pois, juntos, precisam trazer a tão sonhada nota 10. O grande casal de 2019 é da Mocidade Alegre. Emerson Ramires e Karina Zamparolli dançam juntos desde 2013 e colecionam notas máximas. A dupla fez uma apresentação arrebatadora e mostrou toda a sintonia que possuem. Além disso, a indumentária de ambos era incrível. Karina vinha de “lua” e Emerson, de “sol”. O casal se destaca por apresentar uma regularidade em todos os anos. Desde 2013 são nota máxima no quesito. E em 2019 não foi diferente. Apesar de muitos casais terem feito grandes apresentações e mostrarem seu talento no Sambódromo do Anhembi, o destaque fica por conta da Morada do Samba, que mostrou elegância, sintonia e um lindo bailado na avenida.

O penúltimo quesito é um dos mais temidos por muitas das escolas de samba: a famosa evolução. Em 2019, a grande vencedora do quesito foi a Dragões da Real. Prezando pela técnica, a agremiação surpreendeu com uma evolução que beirou a perfeição. Com nenhum “anda e para”, efeito-sanfona nas alas ou buracos,  a vermelho e branco mostrou o quanto domina esse quesito. Os componentes estavam soltos, alegres e deslizavam na pista. Além, o último setor da Tricolor passou com 45 minutos de desfile no setor H. Isso só evidencia o quanto a escola manteve seu andamento durante toda apresentação e terminou seu desfile com uma grande tranquilidade. Avante, Dragões! Chegou sua hora! 

Para fechar o "Carnavalize de Ouro", falaremos da melhor escola do Grupo Especial de São Paulo. Além dos quesitos pertencentes ao julgamento, também foi levada em consideração a comunicação com o público durante o desfile. 

Comunicação, plástica, samba... Os Gaviões fizeram bonito no Anhembi, reeditando um clássico! 
Para o site Carnavalize, a melhor escola de samba de 2019 em São Paulo foram os Gaviões da Fiel. Com um desfile que já está na memória dos torcedores e, principalmente, dos sambistas, a alvinegra levou um samba conhecido e aclamado que ajudou a potencializar ainda mais sua apresentação. Com uma arquibancada polvorosa do início ao final e o samba sendo entoado a plenos pulmões, os Gaviões elevaram o Anhembi a um nível até então nunca visto. 

As bandeirinhas ajudaram a inflamar ainda mais o público presente e o show da bateria e do carro de som contribuiu ainda mais. Quem esteve presente pode sentir o clima que aquele desfile proporcionou e a sensação de que a alvinegra tinha voltado aos velhos tempos. Memorável, inesquecível e impactante. 


O Grupo de Acesso de São Paulo a cada ano vem crescendo e evoluindo. Para destacar e premiar o Grupo, selecionamos dois quesitos.

A MUM trouxe os pavilhões para a Avenida, um hino de samba! (Foto: LigaSP/Felipe Araújo)
O primeiro quesito é samba-enredo. Em 2019, a grande vencedora foi a Mocidade Unida da Mooca, que estreou no Grupo de Acesso. A bela obra cresceu na pista e ajudou a escola a passar pelo Anhembi, abrindo em alto nível o domingo de carnaval.

A Pérola Negra fez um grande desfile, ascendeu ao Grupo Especial e conquistou nossa equipe! (Foto: LigaSP/Marcelo Messina)
O nosso segundo e último quesito é de melhor escola. Em um ano equilibrado e cheio de surpresas, a melhor escola do Grupo de Acesso de 2019 foi o Pérola Negra. Com um desfile regular na maioria dos quesitos, a agremiação da Vila Madalena mostrou um belo conjunto visual. O carnavalesco Anselmo Brito, mais uma vez, mostrou seu talento e levou um enredo de fácil assimilação para avenida. Outros pontos positivos foram a comissão de frente, o casal de mestre-sala e porta-bandeira e a bateria. Ademais, a evolução não apresentou percalços. Com uma apresentação técnica, o Pérola Negra se retornou ao Grupo Especial como campeão da divisão de acesso. 

No carnaval de 2020 estaremos de volta com mais desfiles e elencando os melhores do ano, sempre enaltecendo a festa do carnaval paulistano!
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Por Beatriz Freire e Leonardo Antan


Em mais uma lista da Série Enredos, hoje embarcaremos rumo ao nordeste do Brasil! O Carnavalize preparou uma seleção de temas desbravadores do local, contando as dores e tradições dos seus ricos estados e histórias. Uma enorme diversidade nos convida, a partir de agora, a repousarmos numa rede e vermos um pouco mais dessa querida região! Antes de começarmos nossa viagem, não se esqueça: para ouvir os sambas, acesse nossa playlist do Spotify, ao final do texto. 

"Seca no Nordeste" - Tupy de Braz de Pina (1961)

A então pequena Tupy de Braz de Pina colocou seu nome na história ao desfilar com o enredo "Seca no Nordeste", em 1961. O samba, que contou com lirismo e poesia as dificuldades da terra seca nordestina, se tornou um dos mais belos sambas de todos os tempos. Jamelão, o maior intérprete do carnaval, dizia ser seu samba favorito. A obra foi regravada por grandes nomes da música brasileira, como Clara Nunes, Fagner e Ivan Lins.


"Nordeste, seu povo, seu canto, sua gente" - Império Serrano (1971)

Foto: Tantos Carnavais

Nordestino, o então jovem carnavalesco Fernando Pinto fez sua estreia no Império Serrano com um samba cantando todas as belezas de sua região de origem. O enredo fazia uma grande celebração ao povo e a cultura da região, passeando pelos fabangos, os maracatus e os carnavais. O desfile contou com um visual simples, sem a explosão tropicalista que marcaria Fernando no ano seguinte. A apresentação tímida, mas aguerrida, faturou um honroso terceiro lugar pra Serrinha. 


"Os Sertões" - Em Cima da Hora (1976)

Foto: O Globo

"O sertanejo é, antes de tudo, um forte", disse Euclides da Cunha, romancista que escreveu sobre a Guerra de Canudos, que aconteceu no final do século XIX. Embalada pelos contos do movimento messiânico do interior da Bahia que marcou a história sob liderança de Antônio Conselheiro, a Em Cima da Hora levou aos foliões o antológico "Os Sertões", um dos maiores sambas de enredo de todos os tempos. Na letra, de tudo um pouco da dura realidade interiorana: a seca que assola aquela terra, a improdutividade rural, a miséria, a fé que leva a lugares inimagináveis – até mesmo ao fanatismo – e às mortes de quem lutou no Arraial. A escola de Cavalcante, apesar de ter presenteado o carnaval e a música brasileira com uma verdadeira pintura, acabou rebaixada naquele ano, acometida por uma forte chuva que prejudicou a apresentação. 


"Mais vale um jegue que me carregue, que um camelo que me derrube... lá no Ceará!" - Imperatriz Leopoldinense (1995)

Foto: Widger Frota

Seguindo a viagem por terras nordestinas agora, convidamos a todos para embarcarem nos jegues escondidos na história. Num dos enredos mais originais da lista, não poderíamos esquecer a incursão de Rosa Magalhães na região nordestina. A história da expedição científica ao Ceará que importou camelos da Argélia é um achado da cultura brasileira. Como diz o samba, "balançou, não deu certo", os dromedários não deram certo em terras nordestinas e o enredo terminou por exaltar o jegue, produto legítimo brasileiro. O tema ganhou ainda o "Ceará" no título após a confirmação de patrocínio do estado.


"Brazil com Z é pra cabra da peste, com S é nação do nordeste" - Mangueira (2002)

Foto: Widger Frota.

E com a verde-e-rosa a gente vai juntinho invadir o Nordeste! O grande campeonato da Estação Primeira de Mangueira brindou a garra e a alegria nordestina no Sambódromo, com o enredo "Brazil com Z é pra cabra da peste, com S é nação do Nordeste", desenvolvido por Max Lopes, o mago das cores. Ao longo da Marquês, histórias das invasões, da miscigenação, a lida dura de uma vida difícil, personagens do rico folclore e, claro, a alegria, as festas e a libertação de um povo que é protagonista de sua própria história. O baião de Gonzagão e o xaxado se misturaram ao surdo de primeira e brindaram a escola com o primeiríssimo! 


"Cordel branco e encarnado" - Salgueiro (2012)

Foto: IG

Um bom exemplo de enredo que não cantou a região diretamente, mas não deixou de exaltá-la por meio de sua cultura foi "Cordel branco e encarnado". O tema foi um ideia original do departamento cultural da Academia, desenvolvido em parceria com os carnavalescos Márcia e Renato Lage. O desfile passeou pela história do Cordel e toda sua ligação com a região do nordeste, seus hábitos, lendas e magias, conquistando o vice-campeonato.


"Corações Mamulengos" - União do Parque Curicica (2016)

Foto: Widger Frota

Já a União do Parque Curicica levou à Sapucaí o enredo "Corações Mamulengos", desenvolvido por Marcus Ferreira. Os mamulengos, na verdade, são típicos fantoches do nordeste brasileiro, com grande destaque no estado de Pernambuco. O teatro dos bonecos é ditado pelo improviso, que apresenta, por meio dos mamulengueiros, situações muito próximas as do cotidiano dos regionais; a Caravana Curicica abriu o desfile e convidou o grande público a mergulhar com alegria e emoção na história. Infelizmente, a escola não conseguiu levar uma das alegorias à Sapucaí por problemas mecânicos, o que acarretou no amargo 11º lugar. 


"Dragões canta Asa Branca" - Dragões da Real (2017)

Foto: site da agremiação

São Paulo é a cidade do Brasil que mais recebe nordestinos que saem de suas casas para tentar uma vida melhor no maior centro econômico do país. Pensando na sua comunidade, a Dragões da Real se inspirou no Velho Lua, Luiz Gonzaga, e na clássica música Asa Branca para contar a história de quem sonha em alçar voos mais altos. Da decisão de deixar sua terra e seus amores, passando pela viagem no pau de arara e chegando à grande cidade, a escola emocionou o Anhembi em um dos desfiles mais bonitos do carnaval paulista, com um samba que preenchia o coração de quem por catarse se auto-reconhecia naqueles versos. Assim, a tricolor garantiu um vice-campeonato no carnaval de 2017.

Ouça a playlist especial: 
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Por Juliana Yamamoto
Olá, seguidores do Carnavalize, tudo bom? Estavam com saudades de mim, né? Hoje irei entrevistar mais uma revelação do carnaval de 2017! Voltei à escola de samba mais feliz do carnaval de São Paulo para poder conversar um pouquinho com a primeira porta-bandeira da Dragões da Real, Evelyn Silva.

Evelyn é uma das porta-bandeiras mais novas do Grupo Especial e, sem dúvidas, uma das grandes revelações do carnaval da Terra da Garoa! Com apenas 19 anos, Evelyn já defende o primeiro pavilhão da Dragões ao lado do seu mestre-sala Rubens.

A linda porta-bandeira é figurinha nova no Anhembi. Em 2016, foi segunda porta-bandeira da vermelho e branco e, para o carnaval de 2017, foi promovida, ocupando o lugar de Lyssandra, que a ajudou muito e foi essencial em sua estreia.

Até o desfile de 2017, a jovem com personalidade forte e marcante não era muito conhecida e, infelizmente, foi questionada por alguns, principalmente por sua idade. Surpreendendo muitos, Evelyn deu um show no Anhembi, conseguindo três notas 10 ao lado de Rubens! Logo após a apuração, a porta-bandeira soltou um desabafo na rede social sobre seu ano, as críticas e o alívio após as notas. Inclusive, durante a nossa conversa, ela comentou a respeito desse seu desabafo e as críticas.

Numa entrevista proveitosa, tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais a história da Evelyn no carnaval, a sua chegada na Dragões da Real e toda sua trajetória dentro da agremiação, até seu samba-enredo mais marcante e favorito! Para quem não conhece e quer conhecer um pouco melhor a incrível Evelyn, dá um play no áudio que com certeza vai adorar!

Agradeço toda atenção e simpatia da Evelyn Silva! Com certeza vocês ainda irão vê-la por muitos anos no Anhembi! Um grande presente que o carnaval 2017 nos proporcionou!

Espero que curtam a entrevista! Um ótimo final de ano a todos que acompanham o nosso site e até Ianeiro porque o carnaval 2018 já está logo aí! Um beijo da quase-repórter!

OUÇA A ENTREVISTA ABAIXO:
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Por Alisson Valério e Bruno Malta
Ganhar o título de campeã de um carnaval não é fácil e no final das contas só uma vai vencer, mas isso não impede que nós tenhamos outros desfiles inesquecíveis naquele mesmo ano. Esse texto tem o propósito de exaltar desfiles que não venceram, muito pelo mérito das escolas que conquistaram os seus campeonatos merecidamente, mas que merecem ser lembrados e exaltados.

Preparados? Então partiu viajar por esses grandes desfiles que deixaram a sua marca no Carnaval de São Paulo.

Império de Casa Verde 2007 
Foto: Mastrangelo Reino/Folha Imagem
Vindo de dois títulos consecutivos o Império de Casa Verde entrou no Anhembi em busca do tricampeonato e levou para o sambódromo paulistano o enredo “Glórias e Conquistas – A Força do Império está no salto do Tigre”, da comissão de carnaval liderada por Renato e Márcia Lage. O enredo falava e contava a história dos grandes Impérios da história da humanidade e terminava no Império do Samba para celebrar uma era de conquistas. O desfile já começou de forma arrebatadora com a comissão de frente, que virou uma marca da escola nos carnavais dessa época, com uma fantasia luxuosa, impactante e com uma coreografia de muito bom gosto que foi executada perfeitamente. Isso se estendeu a toda parte plástica da escola, que contou com fantasias com requintes de luxo, sendo muito bem-acabadas, além dos carros gigantes, um show à parte. O samba, que tinha a cara da escola e do enredo, funcionou perfeitamente. Claro que isso se deve também a garra da comunidade da escola, da sua bateria fora de série e do interprete Carlos Junior, que deu um show com o seu time de canto. O título e o tricampeonato não vieram, por todos os méritos do desfile campeão da Mocidade Alegre naquele ano, mas a escola fez um desfile inesquecível para muitos e conquistou a quinta posição no Carnaval daquele ano.



Vai-Vai 2009
Foto: Sebastião Moreira/Efe
O Vai-Vai foi de corpo, alma e mente pura para o carnaval de 2009 em busca do bicampeonato. A escola levou para o Anhembi o enredo “Mente sã e corpo são”, assinado pelo carnavalesco Chico Spinoza, que contava a história da saúde mundial, mas que também criticava a falta de saúde no nosso país: “Acorda, meu Brasil, a coisa por aqui já vai pra lá de mal...” como dizia o samba daquele ano. Samba que causou um verdadeiro sacode no Anhembi, de ponta a ponta, com o auxílio da pegada forte da bateria do Bixiga e do seu time de canto liderado por Carlos Junior. A comunidade não ficou atrás e deu o seu show característico, foi um banho de harmonia do Vai-Vai, como já é costumeiro.

O desfile chamou muita atenção pelo enredo crítico e pela mensagem forte, muito bem apresentada na avenida. Chico Spinoza esteve muito inspirado na parte plástica também, dando um toque especial ao desfile da escola. O título quase veio na última nota, mas a escola acabou ficando com o segundo lugar. A Mocidade Alegre foi a campeã dando aquele show particular que ela sabe fazer como ninguém. Antes mesmo do desfile, Spinoza já tinha dito que havia vencido o carnaval só de ter conseguido levar o enredo para a comunidade e passado várias informações sobre saúde. E o fato de ter feito isso com louvor no desfile também, apesar de não ter vencido, tornam esse desfile inesquecível na história do Carnaval de São Paulo. 



Acadêmicos do Tucuruvi 2013
Foto: Flávio Moraes/G1
Desde a chegada de Wagner Santos para a função de carnavalesco, o Acadêmicos do Tucuruvi vinha numa evolução gradativa em busca do sonho de ser campeão. Em 2013, a azul e branca encantou o Anhembi com seu belíssimo desfile sobre Mazarropi. O enredo que falava do eterno caipira era muito delicado na abordagem e deixou o público boquiaberto pela sensibilidade. Com lindas alegorias e fantasias, a escola da Zona Norte emocionava quem assistia. Além do bom enredo e do ótimo conjunto visual, o samba conduzido pela primeira - e única vez na escola - por Igor Sorriso era brilhante. Com versos doces e divertidos, a obra ainda fazia referência a Dona Edna, esposa do presidente da escola, que faleceu na preparação do Carnaval daquele ano. Era de arrepiar! A Mocidade Alegre, com todos os seus méritos e sua competência habitual nos quesitos, venceu o campeonato de maneira justa, mas a lembrança eterna do Carnaval 2013 é do Zaca! A escola encontrou o seu final feliz.



Mocidade Alegre 2015
Foto: Caio Kenji/G1
Tricampeã entre 2012 e 2014, a Mocidade Alegre entra em 2015 diferente do que estava acostumada. Com muita expectativa e o sonho do inédito tetra, a Morada apostou em Marília Pêra para seu enredo, sendo uma aposta certeira. Com muita beleza, os carnavalescos Sidnei França e Márcio Gonçalves apresentaram um dos mais brilhantes trabalhos plásticos que o Anhembi já viu. O enredo foi brilhantemente contado não apenas na plástica, mas também no ótimo samba da escola que foi defendido com a competência habitual pelo intérprete Igor Sorriso e por toda comunidade do bairro do Limão. O tetra escapou nos detalhes e a escola terminou em segundo, o que reafirma o mérito da grande campeã Vai-Vai que levou uma belíssima homenagem a Elis Regina para o sambódromo naquele ano, emocionando, inclusive, Marília Pêra. Por tudo isso, temos que aplaudir essa mulher guerreira que fez a Mocidade ser Marília Pêra.

https://www.youtube.com/watch?v=DiRljDoAox8


Dragões da Real 2017

Foto: Alan Morici/G1
A Dragões da Real é a escola mais jovem do Grupo Especial. Fundada em 2000 e integrante da elite desde 2012, a Tricolor só evolui desde então e sonha com o inédito título que bateu na trave em 2017. Com um enredo sobre a música "Asa Branca" de Luís Gonzaga, a escola da Vila Anastácio fez um verdadeiro espetáculo no Anhembi. A história proposta pela escola era bem elaborada e foi muito bem retratada pelos belos carros e fantasias que faziam parte do conjunto plástico da escola. Ademais, o samba da escola, defendido por Renê Sobral e seu carro de som, era lindíssimo e encantava o público que cantava junto dos componentes ao som da cadenciada bateria Ritmo que Incendeia, que deu um show na apresentação da escola. O resultado da apuração apontou um empate entre Tatuapé e Dragões, onde a primeira se sagrou campeã no quesito desempate samba-enredo. Por ter feito uma apresentação irretocável, os méritos da inédita campeã são enormes e merecem ser exaltados, mas o empate na pontuação mostra que a Dragões fez uma apresentação fantástica. 



Além das apresentações citadas que marcaram a história do Anhembi, também temos as duas "quase-campeãs" na era do sambódromo. Em 2002, a X-9 Paulistana, falando sobre o papel, fez uma apresentação irretocável e conseguiu a pontuação máxima do júri. Só que a escola da Parada Inglesa estourou o tempo e perdeu 6 pontos, terminando, apenas, em 9º lugar na classificação final. Sem o estouro, a X-9 seria a campeã dividindo o título com os Gaviões da Fiel com 200 pontos. Em 2013, algo parecido aconteceu com o Águia de Ouro. A escola da Pompeia, que levou João Nogueira para a pista. fez uma incrível apresentação e conseguiu uma pontuação perto da perfeição para o júri (269,8 de 270 possíveis), mas o estouro de 1 minuto e a punição em 1,1 fizeram a escola da Zona Oeste terminar em terceiro lugar atrás da campeã Mocidade Alegre por dois décimos. Sem o estouro, o Águia teria vencido o Carnaval com nove décimos de vantagem para a segunda colocada.

Falar de outros desfiles que marcaram um Carnaval mesmo sem vencer só mostra e exalta o equilibro do Carnaval de São Paulo e não desmerece aquele desfile que venceu aquela disputa, mas sim reafirma a força e competência da apresentação do desfile campeão daquele ano. A coluna de hoje termina aqui, mas fique de olho no site para conhecer ainda mais do Carnaval do Anhembi nas próximas semanas!

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Por Felipe de Souza
O carnaval de São Paulo, inegavelmente, é um dos que mais cresce e ganha espaço no Brasil. Apesar disso, é impossível ignorar a relevância que a festa momesca tem em terras cariocas. Para ilustrar tamanho crescimento da folia e a união entre os carnavais, Felipe de Souza, Beatriz Freire e Jéssica Barbosa se reuniram para detalhar samba e enredo das 27 escolas que passarão pelo Anhembi e pela Marquês de Sapucaí em 2018. Os textos estarão disponíveis às segundas, quartas e sextas, seguindo o resultado do último carnaval.

Abre a porteira que a Dragões, chegou! Depois do melhor resultado na história da escola, a Dragões da Real vem em busca do título, tratando da música sertaneja. Pega a viola e vem com esse povo feliz.

 "Minha Música, Minha Raiz. Abram a Porteira para essa Gente Caipira e Feliz"
Dragões da Real
"Eu sou caipira pirapora sim 'sinhô',
venho de longe pra mostrar o meu valor.
Chora viola, vamo 'simbora',
abre a porteira que a Dragões chegou"
O vice-campeonato em 2017 fez muito bem pra escola mais jovem do carnaval paulistano. Com algumas mudanças, a Dragões vem em busca do título inédito após sua melhor colocação na história, perdendo o campeonato na última nota da apuração.

Para 2018, a tricolor optou por manter a pegada musical e levará para a pista do Anhembi um enredo que contará a história do sertanejo, do campo até a cidade. Pegando carona em sucessos como "Galopeira", “É o Amor” e "Evidências", a comissão de carnaval (formada por Dione Leite, Rogério Félix e Márcio Gonçalves), agora sem Jorge Silveira, contratado pela São Clemente, contará como as modas de viola surgiram, detalhando sua trajetória, a inspiração nos animais e a transição para o meio urbano. A expectativa é de um desfile que faça reavivar o imaginário popular sobre sucessos do passado e do presente.

Fora a comissão de carnaval, não houve mudança no time da Dragões da Real. Espera-se mais um grande desfile da escola.

O samba:
Após o hino de 2017, criou-se uma grande expectativa para a escolha da Dragões. Bons sambas marcaram a equilibrada disputa, dando como presente ao público amante de carnaval uma belíssima final com dois grandes sambas. O vencedor é de autoria de Armênio Poesia e cia., entretanto, vale destacar belíssimas obras como as parcerias Nêgo e cia. e Thiago SP e cia.

No CD, a faixa da escola tem ilustríssima participação de Sérgio Reis, entoando a canção "Romaria". Renê Sobral, apesar de algumas críticas ao seu sotaque caipira, vai muito bem, destacando-se. Apesar da obra não encabeçar a safra, como no carnaval passado, pouco se comenta negativamente sobre o samba, que tem como grande destaque o refrão principal: "Eu sou caipira pirapora, sim 'sinhô'/ Venho de longe pra mostrar o meu valor/ Chora viola, vamo 'simbora'/ Abre a porteira que a Dragões chegou". Vale recordar também a belíssima participação da Ritmo Que Incendeia, principalmente no início da faixa.

Será que chegou a vez da Dragões da Real soltar o grito?! A escola será a sexta a desfilar no sábado de carnaval paulistano. Fique ligado!
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Foto: Alexandre Schneider/UOL
Por Bruno Malta
O Carnaval Paulistano do Grupo Especial é feito por 14 escolas em todos os anos desde 2007. Embora todas as escolas tenham brilhado, sempre temos os destaques de cada ano. Este texto, além disso, vai apresentar as melhores escolas em cada quesito nos últimos cinco anos. Portanto, apesar da divisão clássica de nove quesitos, o Carnaval pode ser dividido em três blocos de quesitos. Os quesitos musicais e de canto (Bateria, Samba e Harmonia), os quesitos que envolvem a dança (Evolução, Comissão de Frente e Mestre-sala e Porta-bandeira) e os quesitos que envolvem a plástica e o tema da escola (Enredo, Alegorias e Fantasias). Além disso, ao longo dos anos, os critérios de julgamento são modificados e atualizados para beneficiar o espetáculo que as escolas proporcionam no Anhembi em todos os anos. Não iremos julgar as escolas pelos blocos de quesitos, apenas vamos utilizar para uma melhor organização e para deixar a apuração mais interessante e melhor de entender. Iremos mostrar apenas as cinco melhores colocadas de cada quesito, fazendo assim uma alusão ao Desfile das Campeãs do Carnaval de São Paulo.

Se você pensa que sabe muito bem o que vai acontecer nessa apuração, só posso falar uma coisa: Amigo, o nota a nota pode te surpreender. Olha, se uma apuração já é emocionante imagina quando a gente junta cinco em uma só? Jesus! Prepara a água com açúcar, as orações e vamos lá que o Zulu vai começar a chamar as notas. Aguenta coração!


Fantasias

1 - Mocidade Alegre - 149,8
2 - Tatuapé - 149,4
3 - Rosas de Ouro - 149,4
4 - Vai-Vai - 149,3
5 - Tucuruvi - 149
Foto: Paulo Pinto/LIGASP/Fotos Públicas
Vestir uma escola com mais de 3000 componentes com elegância e beleza é tarefa árdua. Ainda receber uma pontuação perto da perfeição ao longo dos últimos anos mesmo com tantas mudanças em critérios é uma missão ainda mais complexa. Por tudo isso, o mérito da Mocidade Alegre é gigantesco. A escola do bairro do Limão mesmo com duas mudanças de carnavalescos ao longo dos últimos cinco anos jamais deixou a peteca cair e perdeu apenas dois décimos nesse difícil quesito. O quesito fantasias é uma marca registrada dos desfiles da Morada do Samba, tendo como as suas principais características o capricho, luxo e o acabamento impecável de suas fantasias, ajudando e muito nas conquistas dos títulos de 2013 e 2014, e também do vice-campeonato em 2015. Além dela, citamos que Acadêmicos do Tatuapé, Rosas de Ouro, Vai-Vai e Acadêmicos do Tucuruvi com altas pontuações merecem destaque e mostram que a beleza de uma fantasia também é um segredo de um bom Carnaval.


Alegorias e Adereços

1 - Dragões da Real - 149,8
2 - Mocidade Alegre - 149,4
3 - Tatuapé - 149,4
4 – Gaviões da Fiel - 149,4
5 - Vai-Vai - 149,2
Foto: Alan Morici/G1
E quem venceu aquele quesito tão temido por todos e tão complicado de gabaritar, Alegorias e Adereços, foi a Dragões da Real, perdendo apenas dois décimos. Apesar de ainda não possuir título no Grupo Especial a escola sempre apresenta trabalhos de ótimo nível quando se fala de carros alegóricos, sempre sendo citada entre as escolas de melhor conjunto alegórico do ano. Tendo os seus últimos cinco carnavais assinados por André Cezari (2013), Rosa Magalhães (2014), Alex Fão, Dione Leite, Flávio Campello, Jorge Silveira, Júnior Schall e Rogério Félix (2015), Dione Leite, Flávio Campello, Jorge Silveira, Júnior Schall e Rogério Félix (2016) e Dione Leite, Jorge Silveira, Márcio Gonçalves e Rogério Félix (2017) não poderia ser diferente, não é mesmo? O que não falta nessa lista é gente competente. Em segundo lugar temos a Mocidade Alegre, outra escola bastante competente nesse quesito, tendo dois títulos e um vice-campeonato dentro desses cinco anos. Tatuapé, Gaviões da Fiel e Vai-Vai fecham o top 5 mostrando também a sua força nesse quesito durante os anos.


Enredo

1 - Mocidade Alegre - 150
1 - Tatuapé - 150
3 - Vai-Vai - 149,9
4 - Dragões da Real - 149,8
5 - Império de Casa Verde - 149,8
6 - Águia de Ouro - 149,8
Fotos: Mocidade Alegre - Caio Kenji/G1
Acadêmicos do Tatuapé - Raul Zito/G1




Um grande enredo também é fundamental para um desfile atraente para comunidade e público. Muitas histórias de qualidade e de grande relevância são contadas ao longo dos anos no Anhembi. Sendo assim, não é surpresa a Mocidade Alegre liderar este quesito ao lado da Tatuapé. Marília Pêra, a lenda que deu origem ao Samba, Beija-Flor, Beth Carvalho...são obras de grande relevância que essas duas escolas trouxeram ao público do Anhembi nos últimos cinco anos. Irretocáveis no quesito, a dupla passou com clareza a mensagem de que enredo bom é algo essencial para um bom desfile. Além delas, é preciso citar que Vai-Vai, Império de Casa Verde, Dragões da Real e Águia de Ouro completam o nosso top-5 (6) de maneira muito honrosa. Isso mostra que o quesito enredo é tão bom e necessário que precisamos de 6 escolas ao invés de 5 dessa vez.



Comissão de Frente


1 - Dragões da Real - 149,9
2 - Nenê - 149,9
3 - Tatuapé - 149,7
4 - Mocidade Alegre - 149,7
5 - Rosas de Ouro - 149,7
Foto: Flávio Moraes/G1
Numa disputa acirrada e decidida apenas no desempate, a Dragões da Real venceu o quesito Comissão de Frente perdendo apenas um décimo. Quando o assunto é Comissão de Frente a Dragões não costuma mesmo brincar em serviço. Foram grandes momentos marcantes nos últimos cinco anos de desfiles: como esquecer do Thriller em 2014? E da linda e emocionante comissão de 2017? Todos os trabalhos foram de excelente qualidade, todos com assinatura do coreógrafo Anderson Rodrigues, apresentando comissões que sempre agradaram não só os jurados, mas o público também. Surpreendendo a muitos a Nenê de Vila Matilde ficou em segundo lugar, tendo um aproveitamento igual a Dragões, mas perdendo décimo justamente em seu desfile de 2017 acabou perdendo o título do quesito, mas mostrou a sua força no mesmo, sendo que não obteve uma posição melhor que o sétimo lugar (2015) nos desfiles, só mostra o excelente trabalho de Marcio Telles (2013-2015) e Nildo Jaffer (2013-2017) a frente desse quesito na escola. Tatuapé, Mocidade Alegre e Rosas de Ouro, também empatadas, fecham o top 5 do quesito. Afirmando o equilíbrio e o sucesso das comissões de frente na avaliação dos jurados em São Paulo.


Mestre-sala e porta-bandeira

1 - Mocidade Alegre -150
1 - Dragões da Real -150
1 - Águia de Ouro -150
4 – Império de Casa Verde -149,7
4 - Tucuruvi -149,7
4 - Nenê -149,7
Fotos: Dragões e Águia - Amantes do Carnaval de São Paulo
Mocidade Alegre - André Penner/AP
O casal de mestre sala e porta bandeira é um exemplo de beleza, elegância e carisma na dança clássica. Apesar disso, é um quesito de extrema responsabilidade para apenas duas pessoas. Pouco mais de 10% da nota total da escola está nas mãos, ou melhor, nos pés e na dança de um casal de pessoas. Com isso, o desempenho irrepreensível dos casais de Mocidade Alegre (Émerson Ramires e Karina Zamparolli), Dragões da Real (Rubens de Castro e Lyssandra Grooters e Rubens de Castro e Evelyn Silva) e Águia de Ouro (David Sabiá e Ana Paula, Kawan Alcides e Ana Paula e João Carlos e Ana Paula) merecem um destaque maior. Com muita beleza, elegância e muita técnica, essas três escolas representadas por seus casais obtiveram apenas notas 10 entre as válidas. Brilhante! Além deles, também temos que destacar também destacamos Império de Casa Verde (Marquinhos e Jennifer, Marlon Lamar e Jéssika Barbosa, Marlon Lamar e Iasmin Remello, Marlon Lamar e Jéssica Gioz e Rodrigo Antônio e Jéssica Gioz), Acadêmicos do Tucuruvi (Robinson e Thaís Paraguassu, Renatinho e Fabíola Andrade, Kawan Alcides e Waleska Gomes) e Nenê de Vila Matilde (Gentil Titio e Rúbia Angélica, André Guedes e Janny Moreno, Jefferson Gomes e Janny Moreno). Essas três escolas só perderam três décimos nos últimos cinco anos e completam nosso top 5 (seis) desse quesito pra lá de fundamental em nosso Carnaval.


Evolução

1 - Mocidade Alegre -149,2
2 - Águia de Ouro - 149,1 
3 - Império de Casa Verde - 149 
4 - Dragões da Real - 148,6 
5 - Rosas de Ouro - 148,6 
Foto: Junior Lago/UOL
E no quesito Evolução, que foi o mais descontado pelos jurados nos últimos cinco anos, a grande vencedora foi a Mocidade Alegre, com um décimo de vantagem sobre a Águia de Ouro e perdendo oito décimos no total. Tendo como sua principal característica a técnica em seu desfile, a Morada do Samba costuma ousar no que diz respeito a sua evolução, sempre com um grande número de alas coreografas. A maior ousadia pode-se dizer que veio em 2014 quando a escola uniu um paradão da Bateria a uma performance da sua comunidade que se ajoelhou durante todo esse momento, sem dúvidas um momento marcante e emocionante para todos, além de uma grande ousadia da escola, ousadia essa que foi muito bem recompensada com o título daquele ano. Completando esse top 5 temos Águia de Ouro, Império de Casa Verde, Dragões da Real e Rosas de Ouro, escolas que tem como característica a técnica aliada a força de suas comunidades e que assim conquistaram esse rígido júri do quesito Evolução.


Harmonia 

1 - Império de Casa Verde - 149,9
2 - Mocidade Alegre - 149,8
3 - Nenê -149,8
4 - Vai-Vai -149,8
5 - Rosas de Ouro -149,8
Foto: Alan Morici/G1
Tendo um carro de som liderado pelo excelente intérprete Carlos Júnior e, apesar da pouca idade, um "chão" de escola grande, o Império de Casa Verde vence no quesito Harmonia. Em que pese da troca na direção do quesito há quatro anos, a azul e branca que, desde 2016, conta com o auxílio luxuoso de Jorge Freitas, manteve a regularidade e só perdeu um décimo nos últimos carnavais. Impossível também não destacar as fortes comunidades de Mocidade Alegre, Nenê de Vila Matilde, Vai-Vai e Rosas de Ouro, que fecham com classe o top-5 do quesito. A regularidade dessas escolas mostra a força de suas comunidades que conseguiram se adaptar a constante mudança nos critérios e no júri.


Samba 

1 - Mocidade Alegre -149,9
2 - Nenê -149,8
3 - Vai-Vai -149,8
4 - Tatuapé -149,8
5 - Dragões da Real -149,7
Foto: SASP
Ter um samba-enredo de qualidade é o combustível primordial para um bom desfile. Talvez isso explique o sucesso da Mocidade Alegre nos últimos anos. Liderando o nosso quadro do quesito nos últimos cinco anos, a Morada do Samba mostra que o samba (bom) também mora no Limão. Com apenas 1 décimo perdido, a verde e vermelha é a primeira colocada do ranking. As obras de Rodrigo Minuetto e Cia (2013, 16 e 17) e Ana Martins e cia (2014 e 2015) mantiveram regularidade na pontuação e favoreceram os grandes desempenhos da escola no todo. Além do destaque para a Morada, também vale registrar a força dos sambas de Nenê de Vila Matilde, Vai-Vai, Acadêmicos do Tatuapé e Dragões da Real. Com ótimos desempenhos no quesito, essas cinco escolas mostram que samba bom também é uma marca registrada do Carnaval do Anhembi.


Bateria

1 - Império de Casa Verde - 149,7
2 – Gaviões da Fiel - 149,6
3 - Águia de Ouro - 149,6
4 - Tucuruvi - 149,4
5 - Tatuapé - 149,3
Foto: Flavio Moraes/G1
E com a sua Barcelona do Samba, o Império de Casa Verde venceu o quesito Bateria, perdendo apenas três décimos nos últimos cinco carnavais. Comandada pelo icônico Mestre Zoinho, a "Barcelona" acumula prêmios e elogios a cada carnaval. É apontada por muitos como a melhor bateria do carnaval de São Paulo e tem como característica ter grandes músicos e instrumentistas fazendo parte da sua batucada. Gaviões da Fiel, Águia de Ouro, Tucuruvi e Tatuapé completam o Desfile das Campeãs do quesito Bateria. É interessante notarr que todas as cinco baterias apresentam características e estilos bem diferentes, o que mostra a diversidade de gosto do júri do carnaval paulistano. 
  

Ranking de Quesitos

Mocidade Alegre – 5
Dragões da Real – 3 
Império de Casa Verde – 2
Tatuapé – 1
Águia de Ouro – 1 

A Mocidade Alegre venceu cinco quesitos e foi a grande vencedora, mostrando assim a força dos seus carnavais nos últimos cinco anos. Parabéns! 



Resultado Geral

1 - Mocidade Alegre – 1.346,5 
2 - Dragões da Real – 1.345,0
3 - Império de Casa Verde – 1.344,9
4 - Rosas de Ouro – 1.344,4
5 - Vai-Vai – 1.344,4


E o resultado final não poderia ser diferente, não é mesmo? Foi um domínio da Mocidade Alegre na maioria dos quesitos nesses cinco anos. Dragões (vice em 2017), Império de Casa Verde (campeã em 2016), Rosas de Ouro (vice em 2013 e 2014) e Vai-Vai (campeã em 2015) completam o top 5 no ranking geral. Para fechar o levantamento, um fato: o equilíbrio dá o tom da disputa em São Paulo.
Foto: Wagner Campos/G1
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