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Carnavalize

Arte de Jéssica Barbosa

Por Adriano Prexedes

Atenção! Vamos embarcar numa viagem carnavalesca pela cidade que nunca para. Relembraremos uma São Paulo que, durante a folia, se vestia de cores vibrantes. De azul e rosa. O ano em questão é 1992, segundo Carnaval no Sambódromo do Anhembi, à época bem diferente do que conhecemos hoje.
 
Foi uma temporada de sambas e apresentações marcantes, incluindo a da campeã, que, com a força de uma locomotiva, desbancou todas as concorrentes, cravando, mais uma vez, seu nome na história da folia paulistana. Mas, antes, vamos falar um pouco da história desta escola e de como o imaginário paulistano permeia sua trajetória. Estamos falando dela: a Sociedade Rosas de Ouro.

A agremiação surge da iniciativa de um grupo de amigos, entre eles os irmãos Ernani e Eduardo Basílio. Todos figuras conhecidas na comunidade da  Brasilândia, Zona Norte de São Paulo, não apenas pelo envolvimento com as demandas do bairro, mas também por animarem as partidas do time de várzea local, o Glorioso da Brasilândia. A batucada ficou famosa e isso os inspirou a fundar uma escola de samba com a ajuda de comerciantes locais.

Eduardo Basílio, fundador e presidente da Rosas de Ouro até 2003. Crédito: Reprodução | Instagram Rosas de Ouro

A “certidão de nascimento” do Rosas é um pouco controversa. Oficialmente, sua fundação data de 18 de outubro de 1971. Mas há relatos de que o grupo fez sua primeira apresentação no ano anterior de forma não oficial, apenas como convidado. Outro dado curioso é que a primeira apresentação oficial da azul e rosa – que à época ainda não tinha tais cores como oficiais – foi em 1971, no Grupo 3 (Atual Acesso 2). A escola desfilou e competiu antes mesmo de sua oficialização e obteve um 9º lugar com o enredo “História de Vila Brasilândia”.

É nos preparativos do desfile de 1972 que o azul passa a integrar oficialmente o pavilhão da agremiação. Ao procurar tecidos cor-de-rosa, a irmã de Luciano Thomaz, um dos fundadores, aproveitou a promoção de tecidos de tom azul turquesa e daí a Roseira passou a incorporar o azul às demais cores. Naquele ano, o enredo foi “Brasil de ontem, Brasil de hoje”, que rendeu um 5º lugar no Grupo 3. Isso porque houve uma falha de comunicação entre a escola e a organização dos desfiles, o que culminou em uma severa penalização. Em 1973, veio o primeiro título de sua história com o enredo “Formação étnica”. A conquista marcava o início de uma trajetória de ascensão e consolidação na cena carnavalesca paulistana.

Em 1974, a comunidade da Brasilândia cantou e contou os traços culturais de diferentes regiões do Brasil e foi mais uma vez campeã. Desta vez, do Grupo 2 (Atual Acesso 1). Com um samba de autoria do célebre compositor Zeca da Casa Verde, a escola conquistou seu lugar na elite do samba paulistano. Na sua estreia no 1º grupo, a escola foi pra rua e levou a mesma consigo. O enredo narrou o cotidiano das ruas da capital paulista, e, assim, o resultado foi um honroso vice-campeonato atrás apenas do Camisa Verde e Branco. A partir daí, a escola trilharia o caminho que a tornou uma das maiores da cidade. Já em 1976 ficou em 3º lugar. Em 1977 e 1978, a Rosas fica em 4º lugar com “O poeta de Miraí”, sobre o compositor Ataulfo Alves, e “Salamanca do Jarau”, que contava uma lenda gaúcha. Ambos os sambas foram compostos por Zeca da Casa Verde e, posteriormente, regravados por Jair Rodrigues.

Componentes da escola no ano de 1975. Crédito: Reprodução | Instagram Rosas de Ouro

Após o carnaval de 1979, no qual ficou em 6º lugar cantando as flores, a escola contou pela primeira vez com um grande nome da folia no comando da parte visual. Ainda em 1979 era inaugurada a atual quadra da agremiação, localizada na Freguesia do Ó. O amplo espaço foi um grande marco em termos de estrutura, pois ali foi estabelecido não apenas o local para ensaios e eventos, como também abrigou o barracão, que funcionou lá até a transferência para a Fábrica do Samba em 2022. A conquista da quadra foi fruto de muito trabalho e organização, palavras de ordem na gestão da azul e rosa, que adotou um modelo de “escola-empresa”, que pudesse gerar seus próprios recursos.

Quadra da Rosas de Ouro na Freguesia do Ó. Crédito: Léo Franco

Para o carnaval de 1980, o grande nome da escola era Viriato Ferreira, o ilustre figurinista e braço direito de Joãosinho Trinta, que assinou o enredo “Tudo é Brasil”, sobre o folclore e as manifestações populares do país. Parte do contingente não conseguiu chegar à Av. Tiradentes para o cortejo. Mas isso não tirou a garra e o ânimo dos integrantes remanescentes, que obtiveram um 4º lugar. Naquele ano, o samba não foi composto e cantado por Zeca da Casa Verde. Em 1981, o enredo “Do caminho do mar à ilha do tesouro” ficou em 5º lugar. Para 1982, contava com o artista que se tornaria uma referência do carnaval paulistano: Augusto de Oliveira, que idealizou o desfile sobre “Ainá, no Reino de Baobá”, com inspiração no conto de Antônio Olinto e Zora Serjan. O resultado foi um 4º lugar.

Até aqui vimos que a Roseira dialogou com a cidade em seus temas em pelo menos duas oportunidades. Mas é a partir de 1983 que essa relação ganha mais força. Naquele ano, a “Nostalgia” de Augusto de Oliveira recordou momentos e cenas da São Paulo mais antiga, antes do veloz crescimento e expansão do município. O desfile e o belo samba-enredo – também de Zeca da Casa Verde – conquistaram o público que apontou a Roseira como uma das favoritas ao título, junto de Nenê, Vai-Vai e Mocidade Alegre como destacado na edição do dia 15/02/1983 da Folha de S. Paulo. E se a voz do povo é a voz de Deus, a sua vontade se fez: a Rosas de Ouro conquistou o seu primeiro título na elite paulistana, com Vai-Vai, Nenê e Mocidade Alegre (também apontadas pelo público) logo atrás na classificação. Naquele 1983, outra relação de longa data se iniciava: o casamento entre Rosas de Ouro e o intérprete Royce do Cavaco dava o primeiro passo.

Matéria da Folha de S. Paulo do dia 18/02/1983 destacando a vitória da Rosas. Crédito: Reprodução | Folha de S. Paulo

Para 1984, o enredo homenageava a Faculdade de Direito da USP, “Lá no Largo São Francisco, bem no centro da cidade”. A história da instituição rendeu à Roseira o bicampeonato e mais um samba marcante. A composição de Ideval Anselmo e Zelão é lembrada até os dias atuais. Aqui podemos destacar a apresentação do samba pelo coral da USP e a bateria de Agravo de Instrumento da São Francisco em 2014, e também o encontro da agremiação com as baterias universitárias no ano de 2019. Após o hiato de um ano, Royce do Cavaco voltava à escola e também assinava o samba-enredo para “Uma boa ideia”, enredo de 1985, que, mais uma vez, cantava cenas de São Paulo. A apresentação contou com a ilustre presença de Clementina de Jesus. O tri não veio e a agremiação foi a 3ª colocada. No ano seguinte, a escola imaginou a metrópole no ano de 2086. Apesar do enredo futurista, houve espaço também para uma passagem nostálgica pelo passado, cantada no samba de Royce do Cavaco e Grupo Balancê (“Mas é estranho ver São Paulo sem garoa/sem aquela vida boa do Século XX”). O desfile ficou em 6º lugar.

Detalhe do desfile campeão de 1984 da Rosas. Crédito: Reprodução | Facebook Rosas de Ouro

“São Paulo, seu povo, sua gente” foi o tema para 1987, que falou da diversidade de povos que formam a população da cidade de São Paulo, projetando um contexto de harmonia entre os diferentes grupos étnicos. A apresentação rendeu um vice-campeonato e um samba-enredo que se destaca não apenas pela letra, mas também pelo arranjo melódico e que se tornou item mandatório nos ensaios de quadra. Em 1988, a Roseira continuaria atrelando seus desfiles à cidade, desta vez com uma homenagem. Paulo Machado de Carvalho, advogado (formado lá no Largo São Francisco), comunicador e chefe da delegação brasileira de futebol nos Mundiais de 1958 e 1962, foi o enredo daquele ano e deu um 6º lugar à agremiação. O samba-enredo, inclusive, chegou a ser “sampleado” por uma grande rádio em uma de suas vinhetas esportivas. 

Para 1989, São Paulo era levada para a Avenida Tiradentes sob uma outra perspectiva, agora através da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, expoente do cinema nacional nos anos 1950 com sede em São Bernardo do Campo. Com luxo e um samba-enredo que funcionou muito bem na pista, o 3º lugar foi garantido num ano com uma campeã controversa. Na sequência, um típico sábado paulistano foi mostrado na pista. E depois de bater algumas vezes na trave, o 3º título “até que enfim” veio embalado por um samba de refrão muito popular: “R com O/S com A/ Vai ganhar ouro quem souber o que é que dá (Rosas!)”. No cortejo de 1991, a Roseira fugiu um pouco do tema paulistano e fez uma homenagem às mulheres, que lhe rendeu mais um campeonato, que, como no ano anterior, foi dividido com o Camisa Verde e Branco.

Imagem do desfile campeão de 1990 da Rosas de Ouro. Crédito: Reprodução | Internet

Depois desta passagem pela trajetória da azul e rosa, os trilhos desta locomotiva sambística nos deixa no nosso destino: o carnaval de 1992. A partir daqui, relembraremos um dos maiores clássicos da Rosas de Ouro e do Sambódromo do Anhembi. A folia de 92 já dava sinais de que seria marcante, a começar pela alta procura pelos ingressos. Outro detalhe que deu o que falar foi a definição da ordem dos desfiles, que, diferentemente dos anos anteriores, se deu por sorteio. Com exceção da Colorado do Brás (vice-campeã do Acesso em 91), todas as escolas foram alocadas de acordo com o resultado do sorteio. E sobrou para a Roseira a ingrata posição de 2ª agremiação a desfilar.

Na noite de sábado, dia 29 de fevereiro de 1992, iniciavam-se as apresentações no Sambódromo, que ainda estava em construção, tendo sido finalizado alguns anos depois de sua inauguração, que ocorreu em 1991. Depois da passagem da Colorado do Brás, todos os holofotes e expectativas estavam voltados para ela, uma das então bicampeãs. A Rosas de Ouro vinha com um contingente de 3000 componentes, de acordo com a Tv Gazeta, que defendiam o enredo “Non dvcor dvco. Qual é a minha cara?”, concebido pelo carnavalesco Tito Arantes. O termo em latim no título é o lema presente no brasão da cidade de São Paulo, que é traduzido como “Não sou conduzido, conduzo”. A proposta era mostrar as várias faces da metrópole desde sua formação até a contemporaneidade, passando por grandes marcos do município.

O cortejo se iniciava dando forma ao título do enredo com a comissão de frente, onde os componentes vinham fazendo alusão ao símbolo criado por Guilherme de Almeida e José Wasth Rodrigues em 1916. Os integrantes vinham vestidos de guerreiros e empunhavam a bandeira da cidade em referência à figura central do brasão do município. O abre-alas complementava a mensagem da comissão e chamava atenção pelos bandeirões em preto e branco, que tremulavam à medida em que o carro adentrava a pista. Quem também fazia referência ao brasão eram os ritmistas da bateria de mestre Romildo Lacerda, que tinham adereços de cabeça que recriavam a coroa-castelo presente no emblema. Após o abre-alas, há uma ala que referencia os lampiões de gás utilizados na iluminação pública até as primeiras décadas do Século XX.

Detalhes da comissão de frente e do carro abre-alas da Rosas de Ouro em 1992. Crédito: Reprodução | Globo/Tv Gazeta.


“Bom é recordar… Bom demais
Velhos lampiões de gás
Candelabros, garoa, galos nos quintais”

Em seguida, uma das alegorias representava a Sé, onde se encontra a histórica Catedral, que foi inaugurada em 1954, quando a cidade de São Paulo completou 400 anos de fundação. No carro é possível ver uma representação do marco zero e dos diferentes tipos de pessoas que transitam e habitam este ponto da região central da capital paulista. Outro marco do 4º centenário foi lembrado na apresentação: o Parque Ibirapuera, inaugurado em agosto de 1954, foi citado em alas que remetiam ao contato com a natureza e ao lazer proporcionado pelo espaço. No meio destas alas, vinha um tripé que reproduzia o Obelisco em homenagem à Revolução Constitucionalista de 1932, localizado no Parque. Em outro momento, havia também um carro alegórico que ilustrava a Avenida Paulista, com representações do MASP e de outros pontos importantes.

“O ar, cadê meu ar?
No Ibirapuera vou deitar e rolar
Paulista dos barões do café
Catedral, Marco Zero, salve a praça da fé!”

As baianas da Brasilândia, muito animadas, vieram em fantasias brancas com detalhes em dourado, pano da costa em cor-de-rosa e branco e na cabeça uma rosa. O famoso cruzamento da Avenida São João com a Ipiranga também apareceu no cortejo em uma das alas e numa alegoria. Aqui chama-se a atenção para o número de destaques nos queijos que representavam os prédios,  que não foi exclusividade deste carro. Segundo a TV Gazeta, a Roseira levava para a Avenida um total de 145 destaques. Outro detalhe a ressaltar é a relação da Avenida São João com o carnaval, já que a via foi o primeiro palco dos desfiles das escolas de samba após a transferência dos cortejos para o centro da cidade.

“Lugar de bamba, fala São João, fala Ipiranga
Rosas baianas faz no largo do Arouche
Toda a cidade girar”

O 1º casal de mestre-sala e porta-bandeira, formado por Jorginho e Nenê, estava muito bem vestido em roupas em branco e prata. Muitas plumas adereçavam as indumentárias. O figurino volumoso não atrapalhou o bailado e também deu destaque ao pavilhão pelo contraste das cores. O futebol não ficou de fora da festa. Um dos momentos da exibição é marcado pelas fantasias e pela alegoria que faziam menção às torcidas e aos jogos. Para representar o Theatro Municipal, a escola contou com uma ala caracterizada como dançarinos que faziam passos de balé em frente ao carro que reproduzia a fachada do prédio inaugurado em 1911.

“É gol! Treme terra lá na geral
São milhões de divinos violinos lá no Municipal”

1º casal de mestre-sala e porta bandeira da Rosas de Ouro em 1992. Crédito: Reprodução | Tv Gazeta

Um dos auges do desfile e do samba-enredo é marcado pelas citações ao rio Tietê. Na pista, uma ala representava a poluição do rio, que se intensificou a partir do início do século passado. A ala precedia uma alegoria que mostrava o rio e fazia menção ao Parque Ecológico do Tietê, localizado na Zona Leste da capital e inaugurado em 1982. O verso “Tietê, quero um dia beber você” sintetiza esta passagem do enredo. Para alguns, à primeira escuta este verso pode parecer estranho. Mas existe um sentido nele, já que o mesmo dialoga com o contexto da cidade em que se vislumbrava a despoluição do rio. Em 1991, havia sido ordenado o estabelecimento de um programa para reverter o quadro de degradação. No ano seguinte, foi lançado pelo Governo Estadual o Projeto Tietê, que não obteve muito sucesso em suas metas ao longo das décadas.

“Tietê, quero um dia beber você
As crianças virão saciar a sede na conchinha da mão”

Não poderiam faltar referências ao samba paulistano no desfile. Aqui destacamos o elemento alegórico que homenageava três ícones da folia em São Paulo: Eliana de Lima, Thobias da Vai-Vai e o próprio Royce do Cavaco, o sabiá. Os três cantores eram figuras em evidência na cena carnavalesca da época. A apresentação se encerra com a “locomotiva do Brasil”, apelido dado a São Paulo que expressa a força da cidade e sua participação significativa para o progresso do país. A alegoria trazia como elemento central uma maria-fumaça nas cores da bandeira do estado: preto, vermelho e branco.

Homenagem aos intérpretes e detalhe do último carro da Rosas de Ouro em 1992. Crédito: Reprodução | Tv Gazeta

“A estrela Sampa brilhou iluminando os pioneiros”

A posição de desfile não intimidou a agremiação. Mesmo sem a opulência de anos anteriores, a Roseira balançou o Anhembi em uma das apresentações mais vibrantes da passarela paulistana. Boa parte disso se deve ao desempenho do sabiá, Royce do Cavaco, que, junto de seu time de canto, conduziu o samba com maestria, apostando em variações de tonalidade sem perder a harmonia. O samba-enredo também é parte essencial do sucesso da azul e rosa naquele ano. A obra de João do Violão e Miltinho se consolidou como um dos sambas antológicos do carnaval de São Paulo, sendo considerado por alguns sambistas o hino não-oficial da cidade.

“Meu sabiá, ô ô ô ô
Soltou o trinar, cantou, cantou
Deu um show na passarela
Levantou a galera
Bateu asas e voou”

A locomotiva azul e rosa passou com força total e se credenciou ao campeonato. O sonho do tri estava próximo de se tornar realidade. E assim foi: numa apuração bem movimentada, diga-se de passagem, a Rosas foi a tricampeã da elite do samba paulistano. Dessa vez, a escola conquistou o troféu sozinha, com um total de 294 pontos, três pontos à frente das vice-campeãs, Vai-Vai e Camisa Verde e Branco. E a locomotiva seguiu avançando e conquistou mais um campeonato em 1994, seguido de dois vices em 1995 e 1996, respectivamente.

Comemoração do título de 1992 na quadra da Freguesia do Ó. Crédito: Reprodução | Internet

Esse sucesso se deve ao envolvimento de sua comunidade, mas também ao trabalho de gestão pautado na organização que foi empregado por Eduardo Basílio ao longo dos anos. Basílio administrou a agremiação com firmeza e muita dedicação desde a sua fundação, tendo deixado um enorme legado no mundo do samba. Sua gestão foi até 2003, ano de sua partida. A continuação do legado ficou por conta de sua filha, Angelina, que, assim como o pai, conhece a Rosas de Ouro como a palma da mão. Ela acompanhou a família por vários momentos e passou pelos mais diversos segmentos da agremiação, da ala das baianas à diretoria.

Apesar de ser conhecida no samba paulistano, Angelina Basílio teve que ser muito forte para superar as barreiras que vieram pelo caminho, entre elas o machismo e até um atentado. Ela pensou em desistir, mas recebeu um sinal para seguir em frente. E foi sob seu comando que a Roseira conquistou seu 7º título em 2010. Além disso, a escola também acumulou mais três vice-campeonatos (2012, 2013 e 2014). Com o passar dos anos, ela se tornou uma das maiores referências femininas do universo carnavalesco e uma das figuras mais adoradas da folia paulistana.

Angelina Basílio com seu pai, Eduardo. Crédito: Reprodução | Instagram Rosas de Ouro

Depois de 1992, São Paulo voltou a se encontrar com a entidade carnavalesca em outras oportunidades, como em 1996, quando “o prédio dos Correios na Av. São João” foi um dos destaques; em 1997 quando ela apresentou a Paulicéia como a capital mundial da gastronomia; em 1998 quando prestou tributo ao conjunto Demônios da Garoa e em 2001, quando exaltou Caio de Alcântara Machado, idealizador do Parque Anhembi, que desde 1991 abriga o Sambódromo. Através das décadas, a Rosas de Ouro criou uma forte identificação com os temas paulistanos, que ficou cristalizada no imaginário sambístico. Não se pode falar de São Paulo no carnaval sem a Rosas de Ouro, e não se pode falar da agremiação sem se falar de São Paulo. A escola se tornou referência quando o assunto é a grande metrópole, e é considerada por muitos aquela que melhor canta a cidade, mesmo que por uma perspectiva mais romântica.

O ano de 2004 marcou o primeiro desfile sob a gestão de Angelina Basílio e também o último enredo sobre São Paulo, que foi cantada através de seus monumentos. Mesmo com grandes apresentações nos anos seguintes, ficava aquela saudade. E depois de 20 anos, para alegria de muitos torcedores e admiradores, São Paulo e Rosas de Ouro se encontrarão novamente. O Parque Ibirapuera, reduto verde eternizado em versos do samba de 92, é o enredo para o carnaval de 2024. Ao “ver o Sol nascer”, os 70 anos do espaço serão celebrados sob a mágica aura da luz do dia que também faz parte do imaginário da Roseira, e que consagrou algumas de suas últimas apresentações.

“Se você não conhece, venha conhecer
Venha colher Rosas, ver o sol nascer”

Agradecimentos:

Rodrigo Godoi – Compositor e Diretor de comunicação da Sociedade Rosas de Ouro
Victor Lebro – Diretor de Carnaval da Sociedade Rosas de Ouro










 

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Por Alisson Valério 


A Sociedade Rosas de Ouro foi fundada na Brasilândia em 1971 e conquistou 7 títulos no Grupo Especial de São Paulo, sendo o último em 2010. A escola que tem lugar cativo na elite do carnaval paulistano desde 1975 desfilou vários enredos de diversos temas na sua história, mas no texto de hoje iremos falar sobre cinco momento em que a escola deixou o público do Anhembi com água na boca. O que todos esses desfiles têm em comum além de falar sobre comida? Todos renderam apresentações bem leves e divertidas, sem falar nos resultados pra lá de interessantes. 

Enfim, chega de conversa e bora falar desses desfiles deliciosos da Rosas de Ouro. Separa o seu lanchinho aí e vem comigo!


1997 - "São Paulo, capital mundial da gastronomia"
“Amor fique à vontade, Rosas de Ouro com prazer vai te servir…”


Com um enredo falando sobre a gastronomia encontrada em São Paulo, assinado pelos carnavalescos Carlão e Mona. A escola viajou pelo estado, achando nas ruas e restaurantes comidas do mundo inteiro. A abertura do desfile, com o Mestre Cuca servindo um banquete, dava uma ideia do que viria pela frente; dali em diante foi um passeio pela culinária mundial, terminando, é claro, no fast-food, forma muito comum de alimentação utilizada por muitos paulistanos na correria do dia-a-dia. O recheio do desfile foi formado por receitas, temperos e, claro, pelas culinárias francesa, portuguesa, italiana, japonesa, chinesa, entre outras encontradas na grande São Paulo. Com direito a um delicioso (rá!) e animado samba, a Roseira satisfez o público e conquistou o quarto lugar do carnaval daquele ano.


2002 - "O pão nosso de cada dia"
“Vem me dê a mão, que eu faço o pão, pra “massa" inteira alimentar...”


Raul Diniz escolheu contar a história do pão na avenida em 2002, quem sabe assim não mataria a fome de títulos que a escola estava vivendo. Sim, o pão. Aquele pãozinho que você come toda manhã, ou comia se entrou na vida fitness e cortou da sua vida. Enfim, por trás daquele pão tem muita história, que foi contada na avenida. Essa trajetória começou lá na pré-história, com os povos primitivos, os homens que caçavam animais, que acabaram descobrindo a agricultura e, por consequência, o trigo, surgindo assim a criação do pão. Passou também pelos egípcios que foram os primeiros a colocar o pão no forno e que trataram logo de passar a receita para os romanos, além da Revolução Francesa, não é mesmo dona Maria Antonieta? E é claro que passou pela parte religiosa, onde o pão tem um significado muito forte, tanto que tal mote abriu e fechou o cortejo. O público que cantou e pulou do início ao fim, embalado por um belo samba e uma performance sensacional de bateria e carro de som, que em certos momentos largava o microfone chamando a galera para cantar. A Rosas saboreou um pão delicioso em forma de desfile, já os jurados preferiram tirar o pão do forno antes da hora e a escola acabou ficando na terceira posição, aumentando assim sua fome de títulos por mais um longo ano. 


2003 - "No circuito das frutas - Tô de bem com a vida"
“Rumo ao circuito das frutas, cercado de verde por todos os lados...”


O carnavalesco Raul Diniz deixou claro que iria fazer esse enredo sem o compromisso de contar uma história. Ele iria levar a escola numa viagem para o interior de São Paulo rumo ao Circuito das Frutas (Atibaia, Indaiatuba, Itatiba, Itupeva, Jarinu, Jundiaí, Louveira, Morungaba, Valinhos e Vinhedo) para saborear todas as delícias que o lugar tem a oferecer. E por não ter o compromisso de contar uma história, ele buscava simplesmente um carnaval alegre, divertido e, claro, com muita beleza. Além das deliciosas frutas, o carnavalesco tentou mostrar a diversidade das matas paulistanas e a vida simples e pacata do interior, chegando ao alimento que era tema central apenas no terceiro setor da escola. A partir dali foi um passeio por todas as frutas produzidas na região, são elas: uva, caqui, figo, goiaba, morango, acerola, pêssego e outras mais. Sem falar nos saborosos derivados, não é mesmo? Foi de dar água na boca no público. A arquibancada deu um verdadeiro show, e essa grande sintonia com o público ajudou ainda mais a atingir o desejo do carnavalesco. O samba divertido da escola foi incorporado pela bateria, que brincou bastante durante o desfile, sem falar na harmonia da escola que deu aquele show rotineiro. O desejo do carnavalesco de um desfile leve, alegre, divertido foi alcançado com louvor, entretanto a colocação final foi a sexta posição.


2010 - "Cacau: um grão precioso que virou chocolate, e sem dúvida se transformou no melhor presente"
“Tá na boca do povo, o cacau é show, sou Rosas, Rosas de Ouro, meu sabor te conquistou!... ”


A fome de títulos da escola só aumentava, o último título conquistado lá em 1994 já parecia muito distante e o carnavalesco Jorge Freitas queria mudar essa realidade. Contar a história do cacau na avenida foi a decisão tomada para o carnaval de 2010. Um enredo que pode, de início, parecer fraco tem uma história muito rica por trás, que foi contada com louvor pela escola. O desfile contou toda a trajetória do cacau desde a América Central até a ida a Europa, como era considerado um fruto sagrado por maias e astecas, sendo usado por anos como moeda por esses povos. O final do desfile retratando a páscoa levava o pedido de renascer na avenida, trazendo a escola para a busca desse tão esperado e sonhado título. A Rosas de Ouro entrou na avenida com sangue nos olhos e deu novamente um verdadeiro show, tendo como destaques harmonia e bateria. A estética do desfile foi outro show à parte, bom gosto do início ao fim. E nem os imprevistos, como a comissão de frente chegando em cima da hora, derrubaram a escola que fez um desfile impecável e conquistou o tão sonhado título. Fim do jejum com um sabor delicioso de chocolate. 


2017 - Convivium. Sente-se à mesa e saboreie
“Vem saborear, vamos brindar um novo dia, a Roseira põe a mesa pra você, eu quero ver um banquete de alegria...”


Depois de um ano complicado em 2016, a Rosas de Ouro quis mudar a realidade do seu Carnaval em 2017. Com a chegada do carnavalesco André Machado, veio a escolha do enredo que faria uma viagem pelos banquetes mais importantes da história. Uma viagem que começaria lá no Egito e terminaria nos tempos atuais, deixando uma mensagem em forma de crítica social no final do desfile. O cortejo passou por vários momentos da história, dentre eles "O Banquete Egípcio - a celebração da vida", "Os banquetes na Idade Média", "O Olubajé - banquete do Rei", "Não há idade para um doce banquete" e "A ceia nossa de cada dia: pitada de amor". Esses foram os grandes jantares representados nos carros. Mas o desfile também teve espaço para uma crítica, antes do último carro do desfile, a ala “E o povo clama por comunhão” representada por mendigos, retratava a realidade dos dias de hoje em que muitos têm tanto e outros tão pouco para comer. O objetivo do carnavalesco era criar um momento especial, mostrar que esse momento de reunir a família, ir à mesa e saborear um belo banquete é mágico e traz lembranças inesquecíveis. E o desfile que aconteceu com o dia já claro no Anhembi foi exatamente isso, um belo momento para compartilhar entre os componentes da escola e o público. Um desfile leve, divertido e saboroso que trouxe a escola de volta ao desfile das campeãs (colocando-se em quinto lugar) depois de um ano em que a escola ficou próxima do rebaixamento. Mais uma prova de que quando a escola fala de comida, o final feliz é sempre garantido.


Bom, o papo tá ótimo, os desfiles melhores ainda, mas essa conversa toda sobre desfiles falando sobre comida acabou dando foi aquela fome, então se vocês me dão licença chegou a minha hora de sentar à mesa e saborear. E se você gostou desse texto fica ligado que a série continua no site durante mês inteiro. Afinal, aqui no Carnavalize tem carnaval o ano inteiro!


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Por Felipe de Souza
O carnaval de São Paulo, inegavelmente, é um dos que mais cresce e ganha espaço no Brasil. Apesar disso, é impossível ignorar a relevância que a festa momesca tem em terras cariocas. Para ilustrar tamanho crescimento da folia e a união entre os carnavais, Felipe de Souza, Beatriz Freire e Jéssica Barbosa se reuniram para detalhar samba e enredo das 27 escolas que passarão pelo Anhembi e pela Marquês de Sapucaí em 2018. Os textos estarão disponíveis às segundas, quartas e sextas, seguindo o resultado do último carnaval.

Pelas Estradas da Vida, Sonhos e Aventuras de um Herói Brasileiro"
Rosas de Ouro
"Lá vou eu nas curvas desse meu Brasil
levando na boleia a flor,
razão do meu viver, vou te emocionar
quando a Roseira passar"
A Roseira, após a 5ª colocação conquistada no último quesito em 2017, quer repetir a dose e , quem sabe, buscar voos maiores no próximo carnaval. Para isso, a escola presidida por Angelina Basílio manteve a base do elenco, tendo como carnavalesco André Machado. 


A azul e rosa virá ao Anhembi como sexta escola de sexta-feira trazendo o enredo "Pelas estradas da vida, sonhos e aventuras de um herói brasileiro", uma ode aos caminhoneiros. O tema é patrocinado e transpassará a saga dos motoristas que percorrem as estradas, contando as dificuldades, a religiosidade e a volta pra casa dos 'heróis brasileiros'. 

O samba:
De autoria de Aquiles da Vila, Guiga Oliveira, Fabiano Sorriso, JC Castilho, Marcus Boldrini, Salgado Luz, Rafa Crepaldi, Rapha SP e Vaguinho pelo segundo ano seguido, a obra tem uma melodia inusitada, o que conquistou os componentes da escola na disputa e, seguidamente, nós, amantes do samba. 

Na gravação do CD, além de Royce do Cavaco, Mônica Soares interpreta o samba. Há, também, a participação da dupla Maiara e Maraisa na introdução do registro. Apesar de acelerado, constata-se que o samba funcionou perfeitamente com o andamento mais 'pra frente'. Veja abaixo um trechinho da apresentação da escola no lançamento do CD: 


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Foto: Flávio Morais/G1
Por Alisson Valério
Um desfile de escola de samba tem vários quesitos fundamentais. Comissão de Frente, Bateria, Mestre sala e porta-bandeira..., mas o nome "escola de samba" tem um motivo primordial: o samba! Sendo assim, é bem difícil escolher apenas cinco grandes sambas para retratar os mais de 25 anos de história do sambódromo do Anhembi. Por isso, dessa vez temos os cinco mais marcantes e um extra que não poderia faltar. Abaixo, você confere os cinco + um dos sambas inesquecíveis do Carnaval Paulistano.

E aí, preparados? Então vamos lá que o esquenta terminou e está na hora do samba começar.


Mancha Verde – 2006
(Compositores: Vaguinho, Douglinhas e Jaú)
Foto: Almeida Rocha/Folha Imagem
A Mancha Verde entrou na avenida em 2006 para falar sobre os injustiçados e perseguidos na humanidade em geral e foi embalada pelo samba dito por muitos como o melhor samba de sua história. O ano foi repleto de adversidades para a escola, incluindo um incêndio as vésperas do desfile, mas a Mancha não se abateu e foi para a luta. O que falar desse samba? É um daqueles sambas que te conquistam e emocionam desde a primeira ouvida e ficou ainda mais bonito sendo entoado por todos no amanhecer do dia no Anhembi. Contando com uma performance inspirada da bateria, do canto forte e aguerrido da comunidade e uma performance digna de aplausos do time de canto liderado pelo interprete Vaguinho o samba cresceu ainda mais ao vivo. Foi realmente um desfile inesquecível e emocionante que contou com a ajuda de um samba que entrou para a história do Carnaval de São Paulo. O mundo não vai me calar, injustiças não vão me deter, das cinzas se renasce para a vitória, na adversidade se aprende a crescer, são fatos que descrevem nossa história, o verde é a razão do meu viver! A Mancha Verde vestiu a camisa do samba na avenida, perseverou, lutou, não desistiu... resistiu!    
A ópera vai começar ô ô ô
Bem-aventurada, guerreira
A Mancha chegou!


Mocidade Alegre – 2012
(Compositores: Vitor Gabriel, Fernando, Renato Guerra, Leandro Poeta, Thiago e Rodrigo Minuetto)
Foto: AFP
A Mocidade Alegre em 2012 resolveu homenagear Jorge Amado através do livro Tenda dos Milagres que falava sobre a cultura afro-brasileira e tinha como foco principal Ojuobá. Com o tema escolhido, a escola teve uma disputa de samba-enredo de alto nível que culminou na escolha da obra que tinha no refrão, o trecho “o rufar do tambor vai ecoar, tenho sangue guerreiro, sou Mocidade” que se encaixou perfeitamente com o momento que passava a escola do bairro do Limão naquele Carnaval. 40 dias antes do desfile, a agremiação teve um incêndio em seu barracão que levou parte de suas alegorias e fantasias para o Carnaval. Um mutirão entre componentes e torcedores da escola tentou remediar o prejuízo daquele dia em diante, mas muita gente duvidava do que a escola seria capaz de fazer no Anhembi. Quando, o povo do Limão entrou na pista, o Anhembi foi tomado em transe junto da comunidade da escola e isso não teria acontecido sem a força do samba. Com uma composição extremamente forte do começo ao fim e que fazia inúmeros jogos de palavras com marcas registradas da escola e o tema do enredo, a trilha-sonora do desfile funcionou perfeitamente naquela noite. A bateria Ritmo Puro valorizou e muito a obra da escola e ajudou a contagiar a arquibancada. Com tudo isso, a Mocidade Alegre não podia ter outro resultado a não ser o campeonato que foi confirmado numa apuração tumultuada. Entretanto, isso só aconteceu graças ao belíssimo samba, um dos maiores da história do Anhembi. Na morada dos milagres, um verdadeiro milagre da Morada do samba...

O rufar do tambor vai ecoar
Tenho sangue guerreiro, sou Mocidade

A luz de Ifá vai me guiar
Ojuobá espalha axé, felicidade


Vai-Vai – 2011
(Compositores:Zeca do Cavaco, Ronaldinho FQ, Fábio Henrique e Afonsinho)
Foto: Fernando Donasci/UOL
Quando a Escola do Povo resolve fazer uma homenagem é bom se preparar que vem coisa muito boa por aí e não foi diferente em 2011 quando o Vai-Vai decidiu fazer uma merecida homenagem ao grande maestro João Carlos Martins. Uma história regada de superação e talento merecia ser contada em forma de desfile e a escola do Bixiga apostou nisso para partir em busca da conquista de mais um título. A obra escolhida para entoar esse desfile foi uma das mais lindas da história da escola, coisa que não é fácil de se fazer, pois o Vai-Vai tem uma extensa coleção de grandes sambas, mas esse em particular mexeu e mexe até hoje com o coração e a emoção de todos, com uma combinação perfeita entre letra e melodia o resultado não poderia ser diferente. Um grande samba não é nada sozinho e contando com uma bateria inspiradíssima sob o comando do Mestre Tadeu, um carro de som afinadíssimo liderado pelo interprete Wander Pires e a garra já característica da comunidade da escola ele se tornou ainda mais bonito. O desfile foi emocionante do começo ao fim, emocionando a todos no Anhembi, inclusive o maestro João Carlos Martins e não tinha como ser diferente. Um momento inesquecível não só para o homenageado, mas para todos os amantes do Carnaval de São Paulo. O título foi conquistado com louvor e merecimento, sem a menor dúvida. Da emoção o Vai-Vai resplandeceu...

Feliz da vida lá vem o Bixiga
Exemplo de comunidade
A Música Venceu
O dom é luz que vem de Deus
Da emoção, Vai-Vai resplandeceu
 


Gaviões da Fiel – 1995
(Compositor: Grego)
Foto: Ouro de Tolo
Vindo de um segundo lugar no ano anterior, os Gaviões da Fiel vinham em busca de algo mais no ano seguinte. Com um enredo que falava das coisas boas dos tempos de criança que ficam para sempre gravados na nossa memória e que se juntava a comemoração de 25 anos da escola de samba parecia ser a receita perfeita para o sucesso. E o samba? Ah, o samba fez muito sucesso antes mesmo do desfile e foi entoado fervorosamente pela arquibancada antes mesmo do desfile iniciar e quando o desfile começou foi arrebatador, com a ajuda de uma bateria afinada e mais uma performance especial do interprete Ernesto Teixeira abrilhantaram ainda mais o samba fazendo um verdadeiro sacode no Anhembi. O resultado foi o primeiro campeonato dos Gaviões da Fiel de forma incontestável com um samba que assim como o desfile também ficou para sempre gravado na memória. Levantaram a taça com muito orgulho para delírio da Fiel.    

Me dê a mão, me abraça
Viaja comigo pro céu
Sou gavião, levanto a taça
Com muito orgulho, pra delírio da Fiel
 


Império de Casa Verde – 2005
(Compositores: Vaguinho, Carlos Junior e Raphael)
 
Foto: Keiny Andrade/Folha Imagem
Após o terceiro lugar de 2004, a então caçula do Grupo Especial resolveu levar para a avenida o enredo “Brasil: Se Deus é por nós, quem será contra nós?”. Esse enredo tinha o versículo bíblico como título, mas levava ironicamente tudo o que acontecia no mundo como uma alerta ao que futuro nos reservava. O futuro, entretanto, tinha uma terra prometida que na visão do enredo era o nosso próprio Brasil. A partir daí, era como se o desfile mostrasse tudo que há de ruim ao redor de nós, só que apesar disso, o Brasil tinha o potencial de ser totalmente diferente do que víamos até então. Com esse enredo, muita gente imaginaria um samba complicado e confuso. Mas o que a escola da Zona Norte levou para a avenida foi um dos maiores sambas da história do Anhembi. Já no amanhecer e encerrando o primeiro dia de desfiles daquele ano, a composição que tinha muita beleza de letra e uma melodia simplesmente fantástica fez um verdadeiro estrago no Anhembi. A obra encantava a cada verso quem ouvia antes, durante e depois do desfile. Além da beleza irrepreensível do samba, a condução de bateria e do intérprete Carlos Júnior ajudaram ao samba fazer ainda mais sucesso naquela manhã de Sábado. O resultado, certamente, não poderia ser diferente de o primeiro campeonato para a azul e branca. Por tudo isso, a obra de 2005 da caçula do Samba é um dos cinco maiores sambas que o Anhembi já viu. Afinal, o samba foi a verdadeira estrela desse Carnaval...

Amanheceu
Desperta amor, é novo dia
E com o Sol vem meu Império
Nesse sagrado paraíso da alegria
 




Bônus: Rosas de Ouro – 2005
(Compositores: Emerson de Paula, Osmar Costa, Dema de Deus)

Foto: Jefferson Coppola/Folha Imagem
Em 2005, a Sociedade Rosas de Ouro levou para o sambódromo do Anhembi, um enredo que tinha tudo a ver com sua história. Intitulado com o nome de “Mar de Rosas”, o tema apresentado falaria sobre todos os tipos de Rosas que a humanidade já viu, terminando, obviamente, na escola. A escola entrou na avenida de forma diferenciada. Além do fato do enredo ter a conexão natural com o espírito da escola, o céu estava azul e rosa (cores da escola) esperando a Roseira passar. Era emocionante. Junte ao enredo e ao céu propícios para um desfile fantástico, um samba histórico e temos tudo que o Anhembi viveu naquela manhã de sábado. O samba da escola da Freguesia do Ó contava com uma belíssima letra unida a uma das melodias mais fantásticas que o Carnaval Paulistano já viu. Mesmo com a beleza natural do samba, a performance da bateria com uma cadência espetacular e do time de intérpretes liderados por Polenghe do Cavaco - este substituiu Darlan Alves em cima da hora por conta do regulamento – fez o samba ficar ainda mais bonito em sua performance no desfile. Por tudo isso, é impossível falar dos grandes sambas da história do Anhembi sem citar o inesquecível samba de 2005 da Roseira. Iemanjá, abra os caminhos que a Roseira vai passar...

Um mar de rosas
De ouro pra entregar
Iemanjá, abra os caminhos minha escola vai passar...

Esses foram apenas alguns dos grandes sambas que ficaram para a história do Anhembi como tantos outros que infelizmente ficaram de fora dessa lista, mas que também estão vivos na nossa memória. Para continuar conhecendo mais do Carnaval de São Paulo acompanhe a série "Os 5 mais".
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Foto: Raul Zito/G1 

Por Bruno Malta
Se os casais encantam com sua beleza e elegância, as baterias aceleram o coração dos amantes do bom samba ano após ano na passarela do Anhembi. Para contar um pouco da história do ritmo das baterias do Carnaval Paulistano, trazemos agora as principais apresentações de bateria ao longo do Carnaval da Era Anhembi.

E aí, preparados? Então vamos lá que o mestre já apitou e a batucada vai começar!

Mocidade Alegre – 2009
Foto: Rivaldo Gomes/Folha Imagem

A bateria Ritmo Puro já era uma marca constante de qualidade nos desfiles da então sensação Mocidade Alegre. Vinda de grandes apresentações, em 2009, a bateria da escola do bairro do Limão fez uma verdadeira avalanche no Sambódromo do Anhembi. O tema da escola fala sobre o coração e suas sensações em geral. O que a bateria aprontou então? Com um grupo de ritmistas, mestre Sombra armou um verdadeiro coração com flecha e tudo com seus comandados. O Anhembi assistia aquilo completamente ensandecido. Além da coreografia que era fantástica, a batucada era incrível. Cheia de bossas e paradinhas, os ritmistas da Verde e Vermelho levantaram o Anhembi e ajudaram na conquista de mais troféu para a agremiação de seu Juarez. Foi mais uma emoção...



Rosas de Ouro – 2010
Foto: Caio Pimenta/SPTuris

A escola da Freguesia do Ó vinha num jejum que acumulava dezesseis anos. Desde o enredo sobre a eterna rainha do rádio Ângela Maria, o campeonato não parava na Azul e Rosa. Mas em 2010, a história mudou, muito graças ao show dos comandados de mestre Tornado. Com um enredo sobre o chocolate, a Roseira fez um show no Anhembi. Junto de um grande desempenho do intérprete Darlan, os ritmistas da escola fizeram uma apresentação com cadência e valorizando a excelente letra do samba com muitas bossas. A Batucada D'Responsa contribuiu e muito para o campeonato da Roseira mais bonita do Carnaval de São Paulo. O sabor conquistou...




Mancha Verde – 2011
Foto: Fernando Donasci/UOL

Em 2011, a Mancha Verde já havia se consolidado como uma potência no Carnaval da Terra da Garoa. Após o quarto lugar de 2010, a alviverde levou para a avenida o enredo sobre os gênios da humanidade. E a bateria foi uma coisa... genial. Logo de cara, o Anhembi pulsava com as variações de ritmo criadas pelos mestres Moleza e Caju. O público delirava e fazia uma linda festa na arquibancada. Ao longo do desfile, as bossas se juntavam as paradinhas que deixavam o público boquiaberto. Junte o show da bateria ao fato de o samba ser incrivelmente bem feito e a excelente apresentação do intérprete Vaguinho. Com os três fatores unidos, nada podia ser diferente de um desfile genial em puro balanço...




Tom Maior – 2009
Foto: Folha Imagem

Também estabilizada no Grupo Especial e com bons resultados conquistados, a Tom Maior veio afim de emocionar a todos falando de Angola e de Martinho da Vila. A Tom 30, comandada pelo Mestre Carlão, usou e abusou das bossas e coreografias. Rolou até uma performance especial no meio da bateria formando o nome da escola entre os integrantes durante uma das bossas. A combinação de um grande samba, com a pegada da bateria do Mestre Carlão e mais uma grande apresentação do interprete René Sobral, um dos melhores interpretes dos últimos tempos no Carnaval de São Paulo, não tinha como dar errado. Foi uma apresentação marcante e inesquecível que levantou e emocionou o Anhembi. A bateria Tom 30 honrou o seu nome na avenida. E o corpo balançou...  



Águia de Ouro – 2007



No maior desfile de sua história até então, o Águia de Ouro teve como grande destaque sua bateria. Vindo na frente da escola - logo após a Comissão de Frente - a Batucada da Pompeia deu um show. Para começar, o ritmo acelerado foi deixado de lado por uma cadência irresistível dos ritmistas de mestre Juca. Além disso, uma coreografia especial que envolveu o casal de mestre-sala e porta-bandeira João Carlos e Lais também apareceu dando um brilho a mais a apresentação. A bateria abriu, fechou, ajoelhou, levantou, balançou, entrou no recuo, voltou para a pista e depois voltou de novo para o recuo levantando o público do Anhembi que cantava o samba fervorosamente. A bateria fez e aconteceu. Como disse o samba: A bateria arrepiou...


Foi tão bom que merece ser visto outra vez, só que dessa vez do ângulo da arquibancada:


Esses cinco grandes momentos de Bateria são apenas uma pequena amostra de tantos outros momentos que levantaram o Anhembi em toda a sua existência. Para continuar conhecendo mais do Carnaval de São Paulo acompanhe a série "Os 5 mais".
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