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Carnavalize




Texto: Felipe Tinoco
Revisão: Luise Campos 


7X1! A gente sabe que isso pode não trazer boas lembranças aos brasileiros. Será que foi depois desse jogo que tudo deu ruim? Desacoplou o abre-alas do Brasil rumo aos precipícios contemporâneos? Talvez!

Mas a gente ainda aposta no #conteúdo e no #humor pra fazer listinhas temáticas bem a cara do Carnavalize. O 7x1 trará goleadas; 7 vezes que algo ocorreu dentro das passarelas do samba – sempre às quartas! 

Como o CD dos sambas-enredo do Grupo Especial de 2014 ensinou: se tá em moda falar em ecologia... Se precisamos defender a Mãe Terra... A reciclagem é produto essencial do carnaval, principalmente diante das crises financeiras e da ausência de parceria do poder público! Na reestreia do 7x1, vamos exaltar a responsabilidade ambiental (às vezes, a pura falta de grana, não omitamos!) com o reúso de esculturas que passaram pela Sapucaí! O 7X1 tá no ar!


1- Salgueiro 2010 e Renascer de Jacarepaguá 2011


Em 2010, após o título de Tambor, a Academia do Samba cantou “Histórias sem fim”, um enredo sobre a literatura, assinado pelo carnavalesco Renato Lage em parceria com o departamento cultural da agremiação. O desfile não foi tão festejado e empolgante como o título do ano precedente, mas gerou bons momentos visuais para o público. Um deles era justamente o terceiro carro, que trouxe um olhar estilizado sobre o livro O Guarani, de José de Alencar.

 
“O Brasil mestiço”, terceiro carro do Salgueiro de 2010. Foto: Ricardo Almeida.

A escultura principal do carro, esse rosto indígena com um belo cocar, logo no ano seguinte, foi visivelmente aproveitada pelo carnavalesco Edson Pereira – quem contou com a ajuda de Paulo Barros (sim, isso aconteceu!) no desenvolvimento do tema. Na Renascer de Jacarepaguá, o enredo “Águas de março” trazia a lenda de Amantikir no abre-alas. Era das lágrimas da índia apaixonada pelo sol que se originavam fontes, cachoeiras e cascatas comentadas ao longo do desfile. A Rena garantiu o campeonato daquele ano para fazer o Romero Britto (quebrou) em 2012, na sua estreia no Grupo Especial. 

“Lendas indígenas da tribo Tupi”, o abre-alas da Renascer de Jacarepaguá de 2011. Foto: Ricardo Almeida.


2- Mocidade Independente 2014 e Unidos de Padre Miguel 2015


Em um complicado ano para sua história, a Mocidade se via a um mês do carnaval com alegorias com pouco avanços e um barracão muito atrasado. Após o desfile sobre o Rock In Rio, a escola abriria a segunda-feira de carnaval com Pernambucópolis, uma homenagem ao estado no qual Fernando Pinto nasceu. Com a mudança da diretoria e o retorno da família Andrade para a escola, Paulo Menezes conseguiu correr com seu projeto e colocar um bonito carnaval na rua. Na traseira do terceiro carro, uma belíssima escultura em referência à Pietá, famosa obra de Michelangelo, adaptada como Maria Bonita e Lampião. 

A construção da obra e seu resultado final. Foto do desfile: SeLuSaVa.

Ali nas redondezas da Mocidade, sua coirmã Unidos de Padre Miguel fez muito bom proveito da belíssima escultura e a aproveitou pro ano seguinte! Ao exaltar Ariano Suassuna e cantar cavaleiro armorial, a obra teve sua releitura novamente nas mãos de Edson Pereira. Diante de uma igreja, surge a referência a Pietá mandacarizada! Ficou bonito, né?
  
“Só sei que é assim: seu reino é imortal” encerra o belo desfile da UPM de 2015. Foto: Luís Alvarenga/Agência O Globo.


3- Caprichosos de Pilares 2015 e Alegria da Zona Sul 2017


No festejado “Na minha mão é mais barato”, Leandro Vieira fez sua estreia como carnavalesco com uma apresentação bem-humorada sobre os mercados livres. Após mostras as negociações entre índios e portugueses pelas gravuras de Debret no período colonial e versar sobre o Rio Antigo, o carnavalesco fez uma crítica ao troca-troca desenfreado de profissionais das escolas de samba no seu último setor. A alegoria que encerrava o cortejo trazia em sua frente uma cabeça relembrando uma colombina. 
 
Visão de “Tem promoção na folia”, o último carro da Caprichosos de 2015, com grande banca dos profissionais do carnaval. Foto: Reprodução/Facebook Leandro Vieira.

Dois anos depois, também utilizada como signo para recordar aspectos foliões, a escultura foi reutilizada: na Alegria da Zona Sul! À época, a agremiação fez uma justíssima homenagem para a eterna Madrinha do Samba, nossa inesquecível Beth Carvalho. O carnaval assinado por Marco Antônio Falleiros fez a colombina esquecer a dor, entrar na roda e aparecer de novo de forma bonita na Série A! Encontrada no lixo pelos profissionais da escola, foi muito bem aproveitada.

O abre-alas da Zona Sul em 2017, “O samba é a nossa Alegria”. Foto: Rodrigo Gorosito/G1.


4- Salgueiro 2016 e Alegria da Zona Sul 2019


Malandro, batuqueiro! No desfile de 2016, a grande Ópera dos Malandros do Salgueiro veio à tona na Sapucaí com o festejado samba da Academia. O enredo se inspirava na obra de Chico Buarque para falar sobre esse grande personagem da cultura brasileira em suas diversas facetas. No último carro, o culto ao malandro da Umbanda era destaque, com a entidade representada entre atabaques, sob a pomba branca.

“Meu santo é forte!” encerra o desfile do Salgueiro de 2016. Foto: Agência Brasil.

Não sem pertinência, três anos depois a escultura central do malandro do Salgueiro deu pinta em outra vermelha e branca: a Alegria da Zona Sul. Em 2019, a escola fez um passeio sobre a Umbanda e seus aspectos de religiosidade e fé, sob a batuta de Marco Antônio Falleiros. No tripé “Povo da rua”, em referência à figura do malandro e a Exu, a escultura retornou à Sapucaí!
 
O retorno do malandro salgueiro na Alegria em 2019. Foto: Jornal O Quatro.

5- Unidos da Tijuca 2016 e Inocentes de Belford Roxo 2017


Sorriso! O dono da terra! Em uma referência à obra do incrível Oswaldo Jardim, o abre-alas da Tijuca no enredo patrocinado pelo agronegócio evocava o surgimento do mundo sob o barro, conforme apresentado pela tradição iorubá. Para isso, vários bonecões na cor de terra saíram de dentro do abre-alas, indicando a criação do mundo. Mauro Quintaes, Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo formavam a comissão de carnaval da escola, que ainda contou com desenhos de Jorge Silveira. 

A traseira do “Homem Fruto da Terra”, abre-alas tijucano. Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress.

No ano seguinte, com assinatura de Wagner Gonçalves, as esculturas voltaram para a Marquês de Sapucaí pela Inocentes de Belford Roxo! No enredo sobre vilões, o abre-alas representava uma enorme barca inspirada na Divina Comédia de Dante, iniciando o tema. As esculturas da Tijuca foram modificadas e usadas na tricolor, deixando o barro de lado. Ainda no ano seguinte, em 2018, quando a tricolor da Baixada versou sobre a cidade de Magé, as peças escultóricas voltaram a passar na Sapucaí mais uma vez. Já passaram pela Avenida mais que muito folião por aí!
 
“Como o diabo gosta”, o abre-alas da Inocentes de 2017. Foto: Fernando Grilli.


6- Paraíso do Tuiuti 2018 e Unidos da Ponte 2019


“Onde mora a senhora liberdade não tem ferro, nem feitor”! Foi isso que o preto velho contou na letra do samba histórico do Paraíso do Tuiuti no maior desfile de sua trajetória. No enredo de Jack Vasconcelos, a história da escravidão foi recordada desde seus primórdios até os contemporâneos cativeiros sociais e as politicagens neoliberalistas que evidenciam perdas de direitos do trabalhador. O vice-campeonato da agremiação foi recheado de imagens fortes em comissão de frente, alas e alegorias. No centro do quarto carro, a figura do Preto Velho evocava o misticismo ancião. 

 ”Ouro negro” é um dos carros do monumental desfile do Tuiuti. Foto: Antônio Pivanti.

Previsivelmente, no ano seguinte, a escultura foi aproveitada por uma agremiação da Série A: a Unidos da Ponte! Na reedição de seu samba de 1984, Oferendas, a azul e branca abriu os cortejos carnavalescos da Sapucaí em 2019, pelas mãos de Guilherme Diniz e Rodrigo Marques. Para pisar forte no terreiro, é evidente que a figura do preto velho não poderia ficar de fora diante de sua forte simbologia às macumbas! E ele desfilou nessa reciclagem marota!
 
A visão da cabeça do desfile da Ponte de 2019, com a escultura ao centro! Foto: Riotur.


7- Mocidade Independente 2018, Sossego 2019 e Sossego 2020


Inshalá! Após o campeonato sobre Marrocos conquistado no dilema jurídico, a Estrela-Guia de Padre Miguel completou a díade estrangeira no enredo sobre a Índia. O último carro da apresentação de sexto lugar trouxe o Templo do Lótus para exaltar a compaixão e a fé. Formando os cruzos entre o Brasil e o país exaltado e relembrando a mensagem de olhar ao próximo, Madre Teresa de Calcutá veio em grande escultura, além do impagavelmente tenso Márcio Garcia (ator em “Caminho das Índias”, novela de sucesso da Globo) segurando no Santo Antônio, estrutura de apoio aos destaques. 
 
“Triunfo do bem e da fé” encerrou o carnaval da Mocidade, com Márcio Garcia e Madre Teresa. Foto: Pedro Teixeira/Agência O Globo.

Só de vê-la na avenida já dava pra sacar que seria reutilizada, né? E assim foi durante não apenas um, como por dois anos seguidos na mesma escola! Em 2019, sua versão estilizada relembrou as culturas mexicanas de falecimento, como a Santa Morte. O desenvolvimento do enredo sobre a fé foi do carnavalesco Leandro Valente. Em 2020, a Sossego também trouxe a mesma escultura repaginada – dessa vez, sob os comandos de Rodrigo Marques e Guilherme Diniz, no desfile sobre os tambores de Olokum. 
 
O reaproveitamento da escultura de Madre Teresa nos dois anos de Sossego. Fotos: Site Carnavalesco.


E aí, quais outras reciclagens ficaram fora da lista? Alguma dessas esculturas passaram mais de uma vez? Não faltam casos semelhantes pra gente contar e tem parte de alegoria que já sabe o caminho decorado dos barracões até a Sapucaí! Semana que vem o 7x1 volta com mais lista!


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Por Leonardo Antan



Dia dois de fevereiro, dia da rainha. Dos terreiros à figura sincrética religiosa, a deusa das águas salgadas suplantou barreiras no imaginário brasileiro. Fruto da miscigenação e do sincretismo, a rainha do mar se tornou uma figura religiosa brasileira ecumênica, celebrada pelos mais diferentes povos. Seja jogando suas rosas no dia 31, seja participando das procissões no dia 2, todos já saudaram a ela. E no carnaval, festa sincrética por natureza, a mítica orixá já rendeu não só pelos sambas, mas alegorias inesquecíveis. E entre versos e imagens, listamos representações marcantes da sereia. 


"Yerê, yerê de abê ocutá em louvor à rainha do mar Iemanjá, Iemanjá"


Como sabemos, não foi sempre que a cultura negra esteve presente no enredo das escolas de samba, apesar da formação identitária negra, as agremiações, sempre negociadoras,, cantavam a história oficial branca em seus desfiles. Por isso, foi apenas em 1966 que o nome de um orixá apareceu num samba-enredo pela primeira vez, e a honrada foi exatamente a rainha dos mares. E logo por duas escolas, a São Clemente e mais marcantemente no samba do Império Serrano, com "Glórias e Graças da Bahia". 



Depois, foi em 1969 que a orixá entrou de vez no imaginário carnavalesco. No que podemos chamar de a primeira grande alegoria das escolas de samba, reverenciada e lembrada até hoje. O cenário era a grande revolução salgueirense liderada por Pamplona e Arlindo, o enredo "Bahia de todos os deuses". Já passava do meio-dia e o ânimo da escola não era dos melhores, diz a lenda que a escultura sairia no fim do cortejo e, como forma de melhorar a apresentação, decidiram trazer a bela sereia para a frente. 

Com cerca de três metros de largura e dois de altura, a alegoria, concebida por Arlindo Rodrigues e realizada por Joãosinho Trinta, introduzia o uso do espelho no carnaval. Conforme ela foi passando pela concentração, seu brilho à luz da manhã foi levantando os desanimados componentes. O impacto foi tanto que coroou um desfile campeão da lendária década negra salgueirense. Dizem, ainda, que o brilho era tanto que a tecnologia fotográfica da época não era o suficiente e, por isso, os registros da alegoria não são dos melhores.



Em 1971, o Império da Tijuca seguiria a tendência lançada pelo Salgueiro anos antes, cantando o enredo "O Misticismo da África ao Brasil", a agremiação representou a divindade afro-brasileira num belo carro alegórico. 

Império da Tijuca em 1971 (Foto: O Globo)

Anos depois, em 1976, a Unidos de Lucas nos brindaria com outro dos seus sambas inesquecíveis. O belíssimo "Mar Baiano em Noite de Gala" contaria os festejos baianos dando ênfase ao dia 2 de fevereiro. O enredo foi assinado por Max Lopes, então iniciante na agremiação. Ouça:




No mesmo ano, o Império Serrano, comandado pelo carnavalesco Fernando Pinto, apresentaria uma samba-enredo que se tornaria clássico ao falar da deusa. "A lenda das sereias, rainhas do mar" abordava diversas entidades aquáticas, dando destaque a Iemanjá. O enredo seria reeditado em 2009, por Márcia Lage, dando nova forma à rainha do mar. O samba viraria clássico da MPB na voz de vários intérpretes, como Marisa Monte.

O desfile do Império Serrano de 1976.

Em 1982, a Serrinha voltaria a prestar homenagem à rainha dos mares. O enredo “Bumbum paticumbum prugurundum” sobre a história das escolas de samba até ali eternizaria uma homenagem a Iemanjá salgueirense de 1969, lembrada no clássico verso "Iemanjá enriquecendo o visual". A divindade apareceu redesenhada por Lícia Lacerda e Rosa Magalhães, herdeiras do mestre Pamplona, no último título Império Serrano.

Desfile Imperiano de 1982. (Foto: O Globo)

Passados nove anos, outra homenagem marcante veio no enredo sobre as águas da Mocidade Independente de Padre Miguel, em 1991. O carnaval "Chué, chuá, as águas vão rolar", de Renato Lage e Lilian Rabello, fazia uma citação aos orixás ligados ao elemento natural e não faltou uma belíssima alegoria com espelhos e elementos clássicos ligado à deusa das águas salgadas. 



Famosa por algumas apresentações afro marcantes, a Beija-Flor já trouxe belas Iemanjás para a Sapucaí. Uma das mais simbólicas, foi a inovação na representação da deusa afro-brasileira, sem seus espelhos e cabelos compridos característicos. No enredo de 2007, a comissão de carnaval liderada por Alexandre Louzada optou por não trazer a imagem clássica de um navio negreiro marcando a vinda dos negros escravizados para o Brasil. Numa visão lúdica, o carro alegórico os trazias carregados no braço da divindade afro-brasileira, que ganhou uma representação estilizada. 

(Foto: Widger Frota)

Anos mais tarde, em 2011, quando homenageou Roberto Carlos, a azul e branco nilopolitana trouxe a versão mais conhecida de deusa numa alegoria que lembrava os cruzeiros marítimos do cantor brasileiro. 



Com dois enredos exaltando a Bahia em 2012, não faltaram lindas sereias no desfile das escolas de samba daquele ano. Tanto a Portela, com seu samba arrasta-quarteirão sobre as festas baianas, lembrou a divindade na letra da sua música: "No mar, procissão dos navegantes, eu também sou almirante de Nossa Senhora Iemajá". Como também, a entidade apareceu numa representação prateada na segunda alegoria da agremiação de Madureira. Logo na sequência do desfile, a Imperatriz prestou tributo ao escritor Jorge Amado e trouxe a deusa das águas logo em seu abre-alas, no carnaval assinado por Max Lopez.

Segundo carro do desfile portelense de 2012.

Na terra da garoa, as águas já rolaram várias vezes. Uma história curiosa envolvendo a orixá é o desfile emblemático da Rosas de Ouro em 2005, com o seu "Mar de Rosas". O belo samba da escola cantava "Iemanjá, abre os caminhos minha escola vai passar", mas a divindade só apareceu representada no fim do cortejo da azul e rosa. O que acabou não trazendo muita sorte, já que logo na sequência desfilou o Império de Casa Verde, que acabou campeão daquele carnaval, enquanto a Roseira amargou o sétimo lugar.



Outras representações marcantes sobre o tema na folia paulista vieram da Águia de Ouro em 2014, que cantou o centenário do cantor e compositor Dorival Caymmi. Famoso por suas canções envolvendo o mar, uma grande deusa afro-brasileira veio abrindo os caminhos do ótimo desfile da agremiação. Anos depois, em 2016, a Tucuruvi cantando as festas de fé, sob a assinatura de Wagner Santos, também representou os festejos em louvação a famosa entidade.

A imponente Iemanjá da Águia de ouro em 2014.

Fechando essa lista extensa, a Mangueira louvou a orixá duas vezes nos últimos anos. Primeiro em 2014, quando tratou das grandes festas brasileiras, a louvação a Iemanjá ganhou sua própria alegoria no desfile assinado pelo professora Rosa Magalhães. 


E mais recentemente, no último carnaval, mais uma vez a dona das águas salgadas ganhou uma marcante representação na apresentação da verde e rosa. Com o enredo "Só com a ajuda do santo", o carnavalesco Leandro Vieira dedicou a alegoria do setor que abordava o sincretismo para exaltar a rainha. De aspecto simples, a escultura da vinha num barco em meio as águas e composições que lembravam a cantora Clara Nunes, com cestos de flores e efeitos de água, numa alegoria basicamente pintada. 



Foi só em 2019 que Iemanjá ganhou finalmente um enredo totalmente dedicada a ela e seus festejos, apresentando pela Renascer de Jacarepaguá na Série A. "Dois de fevereiro no Rio Vermelho", da dupla Alexandre Rangel e Raphael Torres, que se transformou num belíssimo samba composto por Cláudio Russo, Moacyr Luz e Diego Nicolau. A letra evocava não só a divindade e seus festejos, mas mergulhava no imaginário de Salvador e seus pontos mais famosos, além de uma citação a obra de Jorge Amado. 


O belo e animado desfile contou com diversas representações da deusa em suas alegorias, tanto as versões embranquecidas quanto as negras, mostrando a complexidade da formação dos cultos a rainha e seu aspecto sincrético. Não deixando de permear o imaginário baiano que a envolve. 


O abre-alas trouxe uma Iemanjá com feições negras, apostando numa pintura prateada. A alegoria simbolizava a diáspora africana de maneira poética, afinal, foi a vinda dos escravizados que popularizou em terras brasileiras o culto a divindade, que seria fundida tanto as santas católicas como divindades indígenas, como a Iara. 


A terceira alegoria criada pelos Alexandre Rangel e Raphael Torres reproduzia o museu Casa de Iemanjá, localizado na praia do Rio Vermelho. O espaço abriga um centro sincrético em devoção a deusa, além de assistir a todo dia  2 de fevereiro a procissão em homenagem à Rainha que atravessa o mar da costa soteropolitana. Na escultura principal da alegoria, uma Iemanjá embranquecida foi representada como uma sereia e espelho, mostrando o sincretismo com Iara. Na frente da alegoria, dois foliões lembravam o escritor Jorge Amado e a sua personagem Gabriela. A casa do baiano fica no bairro que dava título ao enredo. 


Por fim, uma enorme embarcação simbolizando o cortejo marítimo em homenagem à rainha norteou a proposta da última alegoria, que trouxe dessa vez uma representação mais clássica da divindade, corando uma bela apresentação da Renascer que terminou em sétimo lugar. 




Hoje e sempre, salve a rainha do mar! Odoiá!

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Por Leonardo Antan e Beatriz Freire



Grandes histórias mudaram o rumo da folia através dos anos. Afinal, cada agremiação tem em sua formação grandes artistas, sejam sambistas, patronos e, principalmente, carnavalescos. Alçado ao papel de principal nome por trás da escola, o cargo de carnavalesco carrega muita responsabilidade. Muitos foram responsáveis por moldar a personalidade das principais agremiações cariocas. Curtos ou longos, algumas parceiras mudaram os rumos dos desfiles, por isso, nos separamos dez entre os mais marcantes. Confira:

1 - Fernando Pamplona e Salgueiro


Foi em 1959 que tudo começou. O cenógrafo e acadêmico Fernando Pamplona foi jurado dos desfiles quando a Academia desfilou com uma homenagem a Debret. O mestre se encantou e virou carnavalesco, daí se fez a história. Junto a outros artistas do Teatro Municipal e da Escola de Belas Artes, Pamplona foi responsável por uma revolução temática e estética, colocando o negro como protagonista dos enredos. Já na estreia, o Salgueiro conseguiu seu primeiro título, sendo alçado ao seleto grupo de campeãs, logo se fixando como uma das quatro grandes. Entre idas e vindas, foram mais de dez carnavais, durante a década de 60 e 70, com a ajuda de nomes que depois fariam história na festa. Salgueirense e fim de papo, Pamplona jamais assinou desfiles em outras agremiações.

Saiba mais sobre a revolução salgueirense aqui.

2 - Arlindo Rodrigues e Imperatriz


Arlindo Rodrigues foi o principal parceiro de Pamplona na revolução vermelha, branca e negra na década de 60, tanto que assinou carnavais sozinhos, sendo tão importante quanto o mestre, como Xica da Silva em 63. O cenógrafo ainda passou por Mocidade pelos anos 70, dando o primeiro título de Padre Miguel, mas foi em 1980 que ele achou sua companheira perfeita. Histórica, elegante, monárquica, Arlindo aliou seu estilo ao da rainha da Leopoldina, dando a ela o estilo que fazia jus ao seu nome majestoso. O casamento deu dois títulos à agremiação e durou cinco carnavais.

Saiba mais sobre a importância de Arlindo e a história da Rainha de Ramos.


3 - Joãosinho e Beija-Flor


Mais um discípulo de Pamplona, Joãosinho desembarcou em Nilópolis após um bicampeonato no Salgueiro, quando assumiu o lugar de seu mestre. A Beija-Flor era uma escola sem expressão e coube a Trinta transformar a azul e branco na nova potência da folia. A agremiação da Baixada foi a primeira a quebrar a barreira das antigas quatro grandes, conquistando de cara um tricampeonato épico. Com essa parceria histórica, Joãosinho se tornou o artista mais lendário da festa e deu à agremiação a característica luxuosa, imponente e aguerrida que a acompanha até hoje. Foram 17 carnavais juntos e cinco títulos, que fizeram e fazem da Beija-Flor a Deusa da passarela.

Relembre grandes enredos delirantes de João e a história da Beija-Flor. 

4 - Maria Augusta e Ilha


Nem sempre a tríade "bom, bonito e barato" definiu os carnavais da União da Ilha. Tudo começou com a chegada de Maria Augusta na agremiação tricolor. Herdeira de Pamplona e rival de Joãosinho, Augusta comandou, em apenas dois carnavais, uma revolução artística, abrindo uma nova possibilidade. Para além do luxo do brilho, propôs o luxo da cor, com enredos ditos "abstratos", de temas cotidianos, apostando em figurinos leves e lúdicos. Os sambas antológicos ajudaram nisso, transformando a Ilha numa das escolas amada entre os foliões. Apesar de curto, o encontro entre Augusta e a tricolor insulana mudou pra sempre a histórica trajetória da carnavalesca.

Saiba mais sobre a importância de Augusta.

5 - Fernando Pinto e Mocidade



A Mocidade vinha de um título com Arlindo, e Fernando Pinto já havia conquistado seu campeonato em uma longa parceria com o Império Serrano, mas foi quando o carnavalesco cacheado e a Estrela Guia se encontrarem que a magia se fez e eles esqueceram-se dos velhos amores. A originalidade, a vanguarda e o tropicalismo de Pinto colocariam a Mocidade como uma escola moderna e jovem no imaginário momesco. Os passeios no espaço, as muambas e a cidade índia foram icônicos na trajetória de ambos.

Saiba mais sobre a trajetória de Fernando Pinto e a história da Mocidade.

6 - Luiz Fernando Reis e Caprichosos


A Caprichosos era uma pequena escola do grupo de acesso quando o matemático Luiz Fernando Reis chegou na agremiação. Seguindo a cartilha de Augusta, propôs um enredo leve e cotidiano sobre a feira live em 1982. Com um desfile arrasta quarteirão, a Caprichosos subiu ao Grupo Especial e lá fez história. Em meio a redemocratização brasileira, Reis levou para a avenida a voz política em desfiles leves com componentes soltos e empolgados. Apesar de posições irregulares, a Caprichosos entrou no imaginário popular e Reis se tornou um dos principais artistas da história da festa.

Saiba mais sobre o estilo marcantes de Reis e relembre grandes carnavais da Caprichosos. 


7 - Julinho e Mangueira


Poucos sabem, mas por trás de grandes carnavais mangueirenses, estava um grande artista popular. Sem formação acadêmica ou erudita, Julinho Mattos foi responsável por muitas das homenagens que marcaram a história da verde e rosa. Aliada ao samba no pé, a escola não fazia feio com a plástica simples mas de bom gosto do carnavalesco. Entre idas e vindas, foram dezenove carnavais de parceria, consolidando o maior casamento da história das escolas. Entre as décadas de 60 e 80, foram cinco títulos da Mangueira com assinatura de Julinho.

Saiba mais sobre o carnavalesco Julinho da Mangueira e relembre grandes biografias da verde e rosa.

8- Renato e Mocidade


A Mocidade mal perdeu Fernando Pinto e já encontrou um novo amor. Renato Lage ganhou um novo patamar ao ressignificar a identidade jovem e moderna da escola de Padre Miguel. Criando alegorias inesquecíveis, o traço do chamado "mago do High-tech" criou uma geração de torcedores independentes. Foram treze desfiles em parceria e três títulos inesquecíveis.

Relembre grandes alegorias de Lage e a história da Mocidade.

9 - Rosa e Imperatriz


Outra verde e branco que também marcaria a década de 90, com uma parceria icônica na folia, seria a a Imperatriz. A deusa Rosa Magalhães desembarcou em Ramos em 1992 e só sairia de lá anos depois, em 2009. Com cinco títulos conquistados, se tornou uma das parcerias mais duradouras da folia carioca, também uma das mais premiadas, empatada com Joãosinho-Beija-Flor e Julinho-Mangueira. Em desfiles históricos, Rosa firmou seu estilo num neo-barroco aliado ao contemporâneo, entre causos da história e narrativas pra lá de brasileiras.

Confira tudo sobre o estilo marcante de Rosa e a história da Rainha de Ramos. 

10 - Paulo Barros e Tijuca


O casamento mais recente que marcou a festa foi o encontro de Paulo Barros com a Unidos da Tijuca. O carnavalesco que estreou no Especial com um vice-campeonato, em 2004, mudou o patamar da escola do Borel, que então patinava por posições irregulares. Com suas alegorias humanas, truques de mágicas e estilo pop, a azul e amarelo do Borel se tornou uma das principais escolas da última década. Parceria que rendeu três títulos em oito carnavais juntos.

Relembre curiosidades marcantes do estilo de Paulo Barros.
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por Leonardo Antan e Beatriz Freire.




Todo ano pipocam enredos afro em suas mais variadas vertentes. Também anualmente o famoso "mito das três raças" é exaltado através da mestiçagem cordial. Branco, negro e índio vivendo em aparante harmonia. Mas muito além do dia 19, é bom lembrar a menos falada das etnias fundadoras do Brasil. Em comparação ao números de enredos afros, os índios são bem menos falados de maneira comparativa. Antes da invasão portuguesa, as civilizações indígenas viviam em milhões por aqui. Muito além do mito do bom selvagem, eram diferentes povos com costumes e hábitos diferentes e modos de organização social bem estruturados. Em louvação a eles, saudando o verdadeiro dono da terra, vem com a gente homenagear os índios brasileiros com grandes sambas e desfiles que exploraram a temática.


O verde do Xingu


O parque do Xingu é uma das mais importantes concentrações de povos indígenas do Brasil atualmente. Se estendendo por todo o norte do país, a diversidade étnica do parque demarcado pelos irmão Villas-Bôas já foi cantada várias vezes pela Sapucaí com diferentes abordagens:

Como era verde meu Xingu - Mocidade 1983

"Deixe nossa mata sempre verde, deixe nosso índio ter seu chão"



⁠⁠⁠O primeiro enredo a abordar diretamente o local foi desenvolvido pelo mais indianista dos carnavalescos. Tropicalista e desbundado, Fernando Pinto foi um dos artistas que mais levantou a bandeira dos povos brasileiros. Foram ao todos três de seus 15 enredos assinados no especial. "Como era Verde meu Xingu" clamava pelo cuidado da natureza antes de "estar em moda falar de ecologia". A visão trazia o índio vivendo feliz nas matas mas também engajado na luta contra a invasão portuguesa. Com pegada surrealista, a mãe natureza recrutava camaleões guerreiros para lutar contra os colonizadores e desmatadores. Apesar da boa apresentação, garantiu apenas o sexto lugar. Após esse desfile, as peças da escola foram expostas numa galeria de arte em Ipanema, com grande sucesso de público segunda jornais da época. 

Xingu, o pássaro guerreiro - Tradição 1985

"Caraíba quer civilizar o índio nu, caraíba quer tomar as terras do Xingu"



⁠⁠⁠Fundada a partir de uma dissidência da Portela, a Tradição foi fundada em 1984 e realizou seu primeiro desfile no ano seguinte na avenida Rio Branco, no grupo 2B. O enredo escolhido foi o mesmo Xingu, cantando em verso e prosa nos versos dos grandes João Nogueira Paulo César Pinheiro. Abordando também a invasão caraíba, mas com pegada mais mitológica, o desfile foi assinado pela grande carnavalesca Maria Augusta. A junção dá beleza dá obra musical com o trabalho estético da artista teria resultado um desfile monumental e imbatível que desbancou as concorrentes com folga. Era o primeiro dos três títulos seguidos da azul e branco até ela chegar ao especial em 1988.

Xingu, o clamor que vem da floresta - Imperatriz 2017

"Sou o filho esquecido do mundo, minha cor é vermelha de dor"




Ainda na temática sobre o importante parque, a Imperatriz Leopoldinense retratou a fauna e a flora além da resistência da cultura indígena da região amazônica, que causou grande polêmica antes da folia. Mostrando rituais, templos sagrados e a ameaça aos índios, a escola de Ramos emocionou o público com o carro que trazia o Raoni, líder dos caiapós é símbolo da luta pela preservação da Amazônia. Em seu desenvolvimento, Cahê Rodrigues apostou em uma linha levemente maniqueista, colocando em extremos o branco como mau e o índio como bom; apesar disso, o desfile foi, esteticamente, bem resolvido e com bons momentos.

O samba entoado por Artur Franco era bonito e rendeu bem mais que o esperado na Avenida, cantando as dores e a perseverança desses povos. Apesar do sétimo lugar, a Imperatriz eternizou um desfile de alto caráter educativo e, sobretudo, conscientizador. O clamor da floresta ecoou na Sapuca.


Uruçumirim, paraíso tupínambá ⁠⁠⁠- Caprichosos 1979

"Campos do céu são a glorificação aos índios guerreiros que defenderam a nação"


⁠⁠⁠Muito antes de ser a escola da irreverência e da crítica, a Caprichosos de Pilares deu aula de história quando estava no grupo 1B, equivalente a Série B hoje. Numa obra composta por um dos maiores compositores da história da escola, Carlinhos de Pilares, a agremiação escolheria um momento pouco abordado do período colonial. A invasão francesa no Rio de Janeiro, vista através do povo tupinambá, que ficou no meio da disputa entre lusitanos e franceses. O episódio que ficou conhecido como Revolta dos Tamoios e teve como líder o cacique Cunhambebe é belamente contado nessa obra. Obra menos conhecida na discografia em geral das escolas, e dessa lista, que merece ser mais divulgada.

Iracema, a virgem dos lábios de mel - Beija Flor 2017

"Bem no coração dessa nossa terra, a menina moça e o homem de guerra"


Inspirada no romance de José de Alencar, a Beija-Flor inovou ao levar pra Avenida a história de Iracema no último carnaval. A escola nilopolitana optou pela substituição das alas convencionais por tribos e cenas teatralizadas, em que eram retratados trechos da história da índia que viveu uma grande paixão com o português Martim; no entanto, essa ausência das alas e o descuido com o todas das simples fantasias genéricas sobre os indígenas, gerou a repetição do enredo que parecia ter muitos momentos iguais durante a apresentação da escola.

O samba da Beija-Flor foi sucesso no pré-carnaval e eleito pela crítica especializada como o melhor do ano de 2017. O sucesso da obra narrativa, muito fiel ao livro, aconteceu muito pela roupagem que os compositores conseguiram dar a ele, fazendo uma espécie de "macumba indígena". Os versos "vou cantar juremê" e "pega no amerê, areté, anama" estavam na ponta da língua do público presente no domingo, e o desfile, apesar do sexto lugar, rendeu belas cenas ao amanhecer.


O Dono da Terra - Unidos da Tijuca 1999

"Hoje a Tijuca canta, sacode e balança esta cidade, viaja no conto do índio"



Depois do rebaixamento no ano de 98, a Unidos da Tijuca escolheu contar na Sapucaí o índio da Terra Brasilis, do período pré-cabralino. A estética de Oswaldo Jardim agradou os jurados e o público, num desfile considerado impecável, de excelente abordagem e embalado por um samba antológico que exaltava a natureza, os mitos e as crenças indígenas.

Oswaldo foi importante nome do carnaval na década de 90 e, apesar de não alcançar resultados muito expressivos nesses anos, tinha um estilo próprio muito marcado pelo uso de espumas e pelas suas fantasias coloridas, facilmente observadas, inclusive, em "O Dono da Terra". Na quarta de cinzas, muito aclamada, a escola tijucana foi consagrada campeã do grupo A com todas as notas máximas e retornaria ao grupo especial. Marcado na história da agremiação e gravado na mente de quem presenciou, o carnaval tijucano de 99 deu seu recado. 


Tupinicopolis - Mocidade 1987

"Minha cidade, minha vida, minha nação, que faz mais verde meu coração"




⁠⁠⁠O filho da terra Brasilis Fernando Pinto revolucionaria todos os padrões históricos ao dar ao povo nativo brasileiro sua própria cidade em 1987. Em um jogo de contradições deliciosos, índios de patins fariam suas compras ao melhor estilo capitalista em lojas e estabelecimentos batizados com símbolos da cultura tupi-brasileira, como Saci, Iara, Boitatá e etc. O delicioso jogo de relações faria uma crítica ao sistema capitalista patriarcal através do olhar distante que geralmente é tratado a questão indígena, o colocando numa perspectiva atual. Mas também chamaria atenção para a preservação da cultura nativa e a demarcação de suas terras.

O samba-enredo infelizmente não ficaria a altura do trabalho estético do artista e seria acusado de fazer a escola perder o título para a Mangueira. A obra entretanto apesar dos problemas teria uma frase que sintetizaria o enredo de forma genial: "a oca virou tava, a taba virou Metrópole".  A crítica e o desfile continuam necessários e atuais até hoje, trinta anos depois.

Menções honrosas:

Apesar de pouco abordado no contexto geral dos desfiles, a temática rendeu grandes desfiles. A lista não pretende ser universal mas tratou de um recorte tentando abranger os mais diferentes períodos temporais e diferentes agremiações. Outros grandes sambas sobre os nativos brasileiros, são:

- Todo dia era dia de Índio, (União da Ilha em 1995)
- Raízes (Vila Isabel em 1987)
- Curumim, Chama Cunhatã Que eu Vou Contar (Paraíso do Tuiuti 2015)
- Eu Sou Índio, Eu Também Sou Imortal (Vila Isabel 2000)
- Catarina de Médicis na Corte dos Tupinambôs e Tabajères (Imperatriz 1994)
- O mundo místico dos caruanas nas águas do Patu Anu (Beija-Flor, 1998)




O índio é elemento fundamental para a formação sociocultural do país, inquestionavelmente. Com o papel de ensinar e alertar, é indispensável que as escolas de samba continuem abordando a temática em seus desfiles, mas de uma forma que desconstrua a imagem que a população geral tem dos nossos nativos, como bom-selvagem, escondendo seu instinto que é naturalmente guerreiro. É preciso abordar as mais diferentes etnias e crenças, mostrando a pluralidade desses povos, não os uniformizando. Afinal, antes do chegada portuguesa, "todo dia era dia de índio".



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