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Carnavalize

Por Leonardo Antan e Felipe Tinoco

A "Série Enredos" tá dominando o site no mês de maio, com textos novos sempre às quartas e sextas. Fique ligado!



Passaportes na mão? Depois de viajar pelo Nordeste na semana passada, resolvemos alçar voos mais longe desta vez, percorrendo os principais continentes através do olhar das nossas escolas. Foi só em 1997 que a regra que proibia temas estrangeiros acabou. O fim da norma, que dificultava a abordagem de temas não-nacionais, deu mais liberdade para as agremiações viajarem em temas de fora do Brasil.

Junto a isso, com a chegada dos anos 2000, veio a onda de enredos CEP patrocinados, então as agremiações começaram não só a viajar pelas cidades brasileiras mais inusitadas, mas também pelos mais variados cantos do mundo. É uma tendência tão recente que todos os desfiles da lista são apenas dos últimos quinze anos. Por isso, são apresentações que quase todo mundo lembra. Vem viajar com a gente! 


França - Grande Rio 2009 e Vai Vai 2016

Reprodução site Liesa

Nossa alma é tricolor? O Brasil tem uma relação conturbada com a França, principalmente pelo Rio de Janeiro, mas é inegável o valor e a influência cultural francesa em nossa história. Um país tão rico culturalmente daria um grande enredo, né? E já deu dois, na Sapucaí e no Anhembi. Primeiro, a Grande Rio levou um grande homenagem ao país no ano da "França no Brasil", que incluía uma série de homenagens e aproximações entre as duas nações.

O enredo se focou nesse diálogo entre aqui e lá, viajando pela invasão de Villegagnon, as influências da Revolução Francesa e o carnaval de Nice. A apresentação assinada por Cahê Rodrigues em seu ano de estreia na tricolor de Caxias garantiu a quinta posição para a escola. Anos depois, o país ganhou o Anhembi com o desfile da tradicional Vai Vai, com enredo assinado pela consagrada dupla de carnavalescos Renato e Márcia Lage, que apresentaram os aspectos mais conhecidos do país. 

América Latina - Vila Isabel 2006



Para bailar la bamba! E nessa viagem por terras estrangeiras, vale uma passada pelos nossos hermanos, não é mesmo? Com uma polpuda verba da estatal petrolífera venezuelana PDVSA (R$ 900 mil à época, segundo consta), o carnavalesco Alexandre Louzada desenvolveu uma excelente viagem sobre os diferentes aspectos culturais que formam a América Latina no geral, desde as civilizações pré-colombianas passando pela exploração espanhola até os dias de hoje.

A apresentação foi embalada por um samba mediano, mas defendido com garra por Tinga e a comunidade de Noel. Recém subida do acesso, a Vila Isabel surpreendeu a todos, com um grande trabalho estético de Louzada e a força da apresentação, que acabou credenciando a azul e branco para o título. Numa apuração eletrizante, a agremiação acabou superando a sua principal rival, Grande Rio, que perdeu décimos preciosos depois de estourar o tempo.


África do Sul - Porto da Pedra 2007



O continente africano é sempre cantado num sentido abrangente e reducionista. Apesar de ser visto como um lugar homogêneo, a África é exatamente um continente com uma rica diversidade de países e culturas. Poucas narrativas com a alcunha de "enredo afro" desmistificam essa visão, como é o caso do enredo da Porto da Pedra em 2007, que escolheu fazer um recorte da região por país.

O enredo de Milton Cunha contou a história da África do Sul contra o preconceito e a colonização inglesa, marcada pelo terrível "apartheid". A figura fundamental de Nelson Mandela e sua luta contra repressão também ganhou destaque. O enredo explorou ainda os aspectos sociais do país, além da Copa do Mundo que o país sediou, em 2010. Tudo isso ganhou ainda mais emoção com um samba-enredo poético e que sintetizava muito bem a história. Pena a plástica de Milton não ter surtido o efeito esperado, mas mesmo assim, não tira o brilho dos bons momentos da apresentação do Tigre.


México - Viradouro 2010

Foto: Wallace Teixeira | Riotur 

Outro desfile que cantou a latinidade foi o da Viradouro. Com uma tequila e um sombreiro na mão, a vermelho e branco cantou o México e suas cores. Assinado por Edson Pereira e Junior Schall, o enredo lembrou diversas marcas históricas do país, exaltando sua rica cultura, sua fé, seus temperos, o processo de independência, a relação do seu povo com a morte e as figuras de Diego Rivera e Frida Kahlo.

A passagem da agremiação, no entanto, foi marcada por diversos problemas estéticos, e a escola acabou ficando com a posição mais baixa na apuração, caindo para o grupo de acesso. Até o carnaval de 2018, o ano de 2010 foi o último em que a agremiação que subiu - à época, União da Ilha - não ficou em último lugar. 

Angola - Vila Isabel 2012

Foto: O Globo

Voltando ao continente africano, outra narrativa não-totalizante da região veio pelas mãos de ninguém menos que Rosa Magalhães, carnavalesca pouco associada às temáticas negras. Com mais um enredo extremamente inspirado, a azul e branco mostrou que Brasil e Angola também estão ligados pela música, pela religiosidade e pelas demais heranças que transitam na negritude, proporcionada pelo tráfico de escravos, extremamente forte entre os portos de Luanda e do Rio de Janeiro.

A carnavalesca optou pelo uso de diversas estamparias do país homenageado, abrindo o carnaval com a riqueza natural da fauna e flora angolanas - lindamente retratadas em uma inesquecível comissão de frente - e fechando o desfile com o ícone comum dos dois países: Martinho da Vila. O compositor é considerado Embaixador Cultural do Brasil no país africano e realizou uma ponte musical relevante entre as duas nações, disseminando a música brasileira em Angola e a música angolana no Brasil. A agremiação, com um excelente samba-enredo, foi a última a desfilar no domingo de carnaval, saindo aclamada por crítica e público, conquistando o terceiro lugar daquele ano, além de seis prêmios do Estandarte de Ouro - inclusive para desfile, enredo e personalidade para Rosa Magalhães.  


Suíça - Unidos da Tijuca 2015

Foto: Christophe Simon 

Uma escola que tem pontos altos no programa de milhagem é a Unidos da Tijuca. Na onda dos enredos CEP, o povo do Borel encheu o pote como pôde, passeando não só pelo Brasil como pelo mundo diversas vezes. Um dos casos mais curiosos foi o da Suíça, afinal, quem diria que um país tão distante culturalmente poderia dar um bom enredo?

Foi o primeiro carnaval da Comissão formada após a saída de Paulo Barros, que ajudou a conquistar três títulos para o Borel. O enredo fez um passeio burocrático sobre a cultura e história da região homenageada, no melhor estilo atlas e guia de turismo. Numa tentativa de ligação com o Brasil, a narrativa ganhou o fio condutor de Clóvis Bornay, que tinha relação com o país através de seu pai. O samba não empolgou tanto, mas a plástica foi competente e faturou um ótimo quarto lugar para a azul e amarelo naquele ano. 

Marrocos - Mocidade 2017

Foto: Jornal Extra

Pra lá de Marrakesh! A Mocidade embarcou para o norte da África no carnaval de 2017 e homenageou Marrocos, sua gente, suas histórias e seus hábitos. A princípio com uma confusa sinopse e sem grande expectativa do público, a escola acabou surpreendendo a Sapucaí e realizou um belo desfile sendo tocado por um grande samba-enredo.

A comissão de frente de Jorge Teixeira e Saulo Finelon, feito um teatro de ilusão, foi um dos grandes trunfos e encantou a todos com a perseguição a Aladdin e seu tapete mágico, que sobrevoou a Avenida com um drone. O enredo foi um pouco criticado por não exatamente tratar do Marrocos, mas propor uma grande mistura de elementos famosos da cultura árabe, o que acabou dando tom mais familiar e lúdico ao tema. O último carro encerou o carnaval com uma miragem em que o “Saara de cá” - a bateria Não Existe Mais Quente - se encontra com o deserto do “Saara de lá”, sob a batucada do tambor de Xangô. Como propõe o lindo samba que acabou guiando o desfile da Estrela Guia, o orixá conheceu Alah e a Mocidade terminou a quarta-feira de cinzas com um grandioso vice-campeonato, mas se sagrou campeã do carnaval ao lado da Portela após a divulgação das justificativas e uma polêmica divisão do título.

China - Império Serrano 2018

Foto: Fernando Grilli/Riotur

Terminando nossa viagem, partindo rumo ao Oriente, chegamos no Império Serrano que escolheu homenagear a China após um período de oito anos distante da elite. O tema foi trabalhado pelo carnavalesco Fábio Ricardo e a agremiação desenvolveu uma proposta linear para exaltar a região. A imponência dos dragões chineses dourados abriram o desfile da agremiação, que contou com os leques, a flor de lótus, os signos religiosos, os mercados, a seda, as festas místicas, o Kung Fu Panda e outros elementos que são facilmente relacionados ao país.

Ainda que possuísse um simples porém aguerrido samba, o enredo cometeu equívocos, como a associação da Muralha da China às sete maravilhas do mundo antigo, e o Império sofreu com problemas de evolução e dificuldades estruturais e políticas no retorno ao Grupo Especial. O Reizinho de Madureira, entretanto, acabou beneficiado após a virada de mesa orquestrada pela Grande Rio, e continuará a desfilar no principal coletivo de escolas de samba em 2019.



Procuramos fazer uma viagem bem abrangente pelas mais variadas regiões do globo e seus continentes contados por diferentes agremiações. Obviamente algumas apresentações ficaram de fora, mas criamos uma playlist para quem ficou com gostinho de quero mais! Assim, sem sair do lugar, vamos conseguir ir a outros inúmeros destinos internacionais do roteiro carnavalesco:
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por Léo Antan e Beatriz Freire





Logo no início do pré-carnaval, a Estácio de Sá anunciou um enredo curioso sobre Cingapura, um país asiático que também tem o leão como o símbolo. A promessa de patrocínio não foi firmada, então, a escola resolveu voltar atrás com a escolha. Com a crise, os enredos patrocinados deram um leve desaparecimento do cenário carnavalesco nos últimos tempos. O boom dos enredos CEPS foi na virada dos anos 90 para os 2000, desde então as escolas de samba passaram a cantar as belezas dos quatro cantos do Brasil, e do mundo. Das cidades mais famosas e as principais capitais, chegando até aos mais pequenos vilarejos e mais distantes países, alguns casos curiosos já foram contados em verso e prosa. 

Todo lugar dar um bom carnaval? Velho debate. Dos lugares mais inusitados e menos prováveis de serem enredos, alguns têm um bom desenvolvimento, mostrando lugares importantes e poucos conhecidos. A receita varia pouco no desenvolvimento dos enredos, mas uma das missão das escolas é realmente mostrar esses fatos inusitados e trazer novidade para o grande público, não é? Gerando bons desfiles ou não, listamos os enredos CEP mais inusitados dos últimos anos. Apertem os cintos que a viagem vai começar


7) Paracambi - Cubango 2007



Em 2007, a Acadêmicos do Cubango desfilou um enredo em homenagem à simpática Paracambi, cidade do centro-sul fluminense. A responsabilidade do desenvolvimento do carnaval ficou por conta de uma comissão de carnaval, que tinha Annik Salmon e Alexandre Louzada como integrantes. O enredo seguiu todas as premissas de um roteiro CEP tradicional, com a presença indígena, a chegada portuguesa e dos escravos, e posteriormente a dos imigrantes, terminando com um presente industrial com a presença da primeira indústria têxtil do lugar. O samba, por sua vez, foi embalado por Tiãozinho Cruz, de uma linda letra e melodia das mãos de Arthur Bernardes, Sardinha, Junior Duarte, Carlinhos da Penha e Edson Carvalho. Após a quarta de cinzas, a escola de Niterói terminou com o sétimo lugar do Grupo de Acesso A, uma posição acima do resultado do ano anterior, que muito desagradou a escola e principalmente o presidente Pelé. 


6) Coreia do Sul - Vila Maria e Inocentes 2013



Meu oriente é você! Na rota internacional, indo além das grandes potências culturais, a Coreia do Sul já virou tema de desfiles duplamente em 2013, quando se comemorou os 50 anos da imigração do país no Brasil. No Rio de Janeiro, a Inocentes de Belford Roxo fazia sua estreia no grupo especial depois de uma ascensão muito contestada. A tricolor anunciou a nação como tema na promessa do patrocínio, sendo desenvolvido pelo carnavalesco Wagner Gonçalves. No enredo chamado de "As Sete Confluências do Rio Han", a Coreia do Sul se fez carnaval através de seu mais importante rio. O desfile não foi nenhum destrate, mas oscilou entre bons e maus momentos. 



Em São Paulo, onde a presença asiática bem é mais forte, as belezas e a cultura do país asiático foram cantadas pela Unidos de Vila Maria, com desfile assinado pelo experiente Chico Spinoza. "Made in Korea" fez uma viagem através do elementos da natureza atrelados a história do lugar. Tanto no samba como no desfile, a agremiação paulistana deixou bastante a desejar. Vale lembrar, aliás, que a promessa de patrocínio não veio para as duas escolas e ambas acabaram rebaixadas, deixando uma relação nada simpática da nação com a folia. 


5) Paulínia - Vai Vai 2014



No ano seguinte, Chico Spinoza rumaria a outro destino pouco usual, de volta à Vai Vai depois do seu último carnaval em 2009, a escola do Bixiga levou ao Anhembi uma homenagem ao município paulista com o enredo "Nas chamas do Vai-Vai, 50 anos de Paulínia". Chiquinho surpreendeu ao conseguir desenvolver bem a história da cidade, o que parecia a sua tarefa mais difícil, e o desfile teve fortes pontos, como seu abre-alas de mais de 70 metros representada por uma estrada de ferro e um carro com mais de 10 metros de altura. A abordagem passou pelo cinema, pelo petróleo, poluição, bocha e indústria,  e surpreendentemente da cultura grega. (?) No microfone, Márcio Alexandre manteve o bom andamento do samba composto por Vagner, Mineiro, Loirinho, Marcinho Z. Sul e Edinho Gomes e a bateria da Escola do Povo cumpriu bem seu papel. Logo após o desfile, muitos acreditavam em bons resultados pra alvinegra , mas a terça da apuração trouxe apenas um nono lugar, uma das colocações mais baixas da agremiação em dez anos. 

4) Maricá - Grande Rio 2014



Em 2014, a Grande Rio levou para a Sapucaí a vida dessa grande cantora. Perdão, não podíamos deixar passar. Cidade do litoral fluminense entre a capital e a Região dos Lagos, Maricá surpreendeu ao virar enredo de escola do grupo especial, não menos que a badalada Grande Rio. Foi a estreia do carnavalesco Fábio Ricardo na agremiação de Caxias, assumindo a estadia após a saída do carnavalesco Cahê Rodrigues. Fábio contou com a ajuda de Leandro Vieira para desenvolver as alegorias e fantasias, que contaram a história da cidade atrelada a vida da cantora Maysa, que tinha uma casa de veraneio no município. Com o generoso patrocínio, a escola fez um belo trabalho nos quesitos plásticos, entretanto a história pouco rica da cidade ficou evidente no desenvolvimento do enredo que, apesar do fio-condutor, não fugiu das citações de um CEP mais tradicional. 


3) Avenida Brasil - Mocidade 1994



Enredo CEP não é só país e cidade, uma rua pode dar enredo. E deu. No auge da era Renato Lage na Mocidade, um dos principais logradouros do Rio de Janeiro se transformou em tema em 1994. Cortando o Rio da região Central à Zona Oeste, a avenida batizado pelo nome do nosso país é uma das maiores e mais importantes artérias da nossa cidade, passando por uma grande área e sendo atravessada por milhões de pessoas diariamente. Para o desfile, Renato Lage inovou na estética, apostando num visual bem urbano, abusando dos pneus, cones e faixas de trânsitos. O que poderia ser um desastre, como já havia sido no Império Serrano em 1991, deu muito certo com o estilo High-Tech que ele construía em Padre Miguel. A inovação não foi bem vista pelos jurados e com alguns problemas de pista, a agremiação acabou em oitavo lugar. 

2) Mangaratiba - São Clemente 2003



Mais um destino inesperado foi o cenário da Sapucaí em 2003: por Lane Santana, Mangaratiba foi o palco da São Clemente. A cidade do litoral fluminense foi a homenageada da vez, e começou o seu desfile com uma comissão de frente que representava os índios antropofágicos do Brasil colonial. No abre-alas, vinha Tupã com seu trovão todo iluminado em neon; mais atrás, um carro que reluzia na Avenida representava as pedras preciosas e num outro o tráfico negreiro teatralizado. O samba embalado por Anderson Paz gabaritou o quesito, assim como todos os outros segmentos, fazendo da São Clemente a campeã do Grupo de Acesso A. O resultado, no entanto, foi muito contestado pelas demais escolas e considerado sem emoção suficiente para alcançar a primeira classificação.

1) Suíça - Unidos da Tijuca 2015



Suiçaaaaaaaaa em sua história a inspiração. Rainha dos enredos CEP nos últimos anos, a Unidos da Tijuca apostou no país do chocolate, do paraíso fiscal e destino preferido dos políticos brasileiros, a Suíça, contada a partir do olhar do saudoso carnavalesco Clóvis Bornay, filho de pai suíço. A escola que fez seu primeiro desfile sem Paulo Barros depois de seus três campeonatos em 5 carnavais, contou com uma comissão de carnaval para contar a história do país na Sapucaí. Com chocolates, flocos de neve, dragões, castelos e relógios, a escola tijucana manteve-se compacta como sempre, uma verdadeira máquina de desfiles com muito destaque para sua evolução e harmonia, além de ótimas fantasias e boas alegorias. Como esperado, o enredo rendeu um samba fraco, conduzido pelo ótimo intérprete Tinga, mas que cumpriu, como de costume, seu papel de empolgar a arquibancada apesar da qualidade. O desfile quebrou o gelo e não apresentou grandes problemas, gerando um excelente quarto lugar para a escola na apuração, ficando, porém, à frente da Mocidade, escola à época comandada pelo ex-carnavalesco da Tijuca, Paulo Barros, que amargou um sétimo lugar.



Do Oiapoque ao chui, do oriente ao ocidente, é sempre bom lembrar que é ótimo embarcar para os mais distantes lugares com as nossas escolas. E não cabem restrições, com um bom desenvolvimento e criatividade, muitas coisas podem dar sambar. Da Suíça à Paracambi, seguindo pela Avenida Brasil, podemos chegar com o samba à Mangaratiba. E até á Lua! 






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por Leonardo Antan e Vitor Melo.



Para fazer o maior espetáculo artístico-cultural do mundo é necessário um pouco de dinheiro - talvez muito. E como sabemos, nas últimas décadas, os enredos patrocinados tem pautado as agremiações as fazendo cantar sobre os mais variados assuntos. Dentre os patrocínios, os das cidades e estados brasileiros são os mais frequentes, tanto que até criamos uma denominação específica para eles: os enredos CEP. Essas temáticas começaram a ganhar força na segunda metade dos anos de 1990 e viraram tendência absoluta nos anos 2000, tanto no Rio, como em São Paulo.


Desde então, viajamos pelos sabores, festas, hábitos e comidas pelos quatro cantos do país. Separamos, então, uma lista com os sete melhores sambas gerados de enredos CEP. 

Fazer listas é sempre difícil e algo que gera controvérsias, logo, resolvemos abranger o maior número de escolas diferentes que se destacaram por seus enredos geográficos, selecionando apenas um samba de cada.


Caprichosos 2001 - Goiás

Logo nos primeiros anos do século XXI, a Caprichosos se notabilizou por dois enredos CEP que gerariam sambas divertidos e excelentes, bem ao estilo da azul de branco de Pilares. Entre Goiás e Porto Alegre, acabamos optando pelo estado do centro-oeste. O samba com pegada evolvente, narra as belezas do estado brasileiro através do amor por uma morena que enfeitiça o narrador. Dando um fio narrativo original a obra. Em 2002, a qualidade da obra também se destaca, no já citado enredo sobre Porto Alegre. Bom lembrar que foi um desfile CEP também que marcou  o último desfile da simpática escola no grupo especial, até agora, o enredo sobre o Espírito Santo já foi citado em outra lista nossa, neste caso, por não esconder seu patrocínio. Confira aqui.

 


Vila Maria 2007 - Cubatão

Quem diria que uma cidade que não tem atrativos turísticos como Cubatão geraria um belo samba? Mas a Vila Maria pelo talento do seu carnavalesco Wagner Santos soube driblar as dificuldades e transformar a história do município que foi prejudicado pelo avanço industrial na região num enredo bem desenvolvido que gerou um samba poético e forte alertando sobre as questões ambientais, destaque na safra paulistana daquele ano. O enredo impactou pelo bom trabalho plástico e a escola garantiu a segunda colocação. 



Mangueira 2013 - Cuiabá

É aquele ditado, não é mesmo? Com a velha Manga ninguém brinca. Depois de uma série de enredos musicais, a polêmica administração de Ivo Meirelles estava repleta de dívidas e o jeito foi optar foi pelo dinheiro da capital do Mato Grosso. Mesmo com o enredo sem tanto apelo poético, os compositores da verde e rosa não decepcionaram e fizeram um samba à altura da tradição dessa escola icônica. A narrativa do enredo era amarrada pela chegada poética do espero trem a cidade, que tinha como piloto ninguém menos que lendário mestre-sala Delegado. Apesar de terminar apenas no oitavo lugar, a escola ganhou o estandarte de melhor escola daquele ano.


Pérola Negra 2012 - Itanhaém

Alguém aí (não vale paulistas, hein!), sabe onde fica Itanhaém? Graças ao Google, podemos dizer que uma das cidades litorâneas de SP, ali na baixada santista. E também que é a segunda cidade brasileira mais antiga, vejam só. Mas bem, de certo é que o samba da Pérola Negra divulgou as belezas desse município pra Brasil inteiro cantar. E fez isso muito bem. O belo samba segue uma linha mega tradicional em enredos desse tipo: exaltando as belezas locais, os hábitos religiosos, as principais festas. A diferença é a qualidade da obra, que costura tudo de maneira poética. Infelizmente, a escola acabou sendo rebaixada pelo desfile, o que qualquer bom folião considera uma grande injustiça.



Imperatriz 1995 - Ceará


Se a gente quiser achar um início para esse modelo de enredo, pesquisando um pouco, provavelmente chegaremos a esse desfile da Imperatriz. É verdade que tudo começou com a genialidade de Rosa Deus Magalhães ao descobrir essa curiosidade histórica que envolve jegues e camelos. Mas com o destaque da escola de Ramos na época, o patrocínio do estado veio muito bem a calhar. O enredo então que se chamava "Mais vale um jegue que carregue que um camelo que me derrube", ganhou o "lá no ceará" ao final. Falando de CEP, Imperatriz e Rosa Magalhães não dá pra esquecer as duas voltas que essa genia deu em 2002 e 2004, quando os enredos sobre Campos e Cabo Frio, viraram duas aulas sobre a antropofagia e a cor vermelha. A polêmica foi longa com direito a processo de Campo que acusava a escola de não cumprir o contrato. Não se brinca com Deus. Amém? Amém!



Grande Rio 2011 - Floripa

Sempre na busca de um trocado a mais, a tricolor de Caxias se notabilizou ao longo deste século pelas apresentações acerca de cidades brasileiras. Tudo começou lá em 2006, no delicioso samba sobre o Amazonas, um dos melhores da história recente da escola. Depois disso, foi um CEP atrás do outro. Em 2007, com homenagem a sua cidade natal, Duque de Caxias. No ano seguinte com Coari, município do Amazonas, famoso pelo refino de gás. E mais recentemente em 2014 e 2016, com as viagens por Maricá e Santos. Mais dentre todos esses, o samba que ficou eternizado na memória carnavalesca foi o do trágico ano de 2011, marcado pelo incêndio que destruiu o barracão da escola um mês antes do desfile. A valente canção sobre a capital de Santa Cantarina embalou um desfile emocionante e cheio de garra da escola. Será que se não fosse o fogo, a tricolor teria sido campeã? Nunca saberemos, mas a beleza da ilhas das Bruxas ficou eternizada nesses versos. 


Beija-Flor 1999 - Araxá



Quem disser que enredo CEP não gera bom samba, tem que consultar o histórico da maior campeã deste século. A sempre polêmica Beija-Flor emplacou o maior número de enredos CEP nos últimos dezenove carnavais. Começando lá com o título de 98, dividido com a Manga, sobre o estado do Pará. Desde então foram mais cinco enredos sobre localidades brasileiras, sem contar os de temática africana. A maioria deles, destacou-se por excelentes sambas, a tarefa de escolher um só foi pra lá de difícil. Como optar pelo samba valente que embalou o campeonato de 2004 sobre Manaus (avante a tribo beija-flor). Depois outro título com o desfile sobre Macapá em 2008 (o meu valor me faz brilhar). Fora os títulos, restam ainda a viagem mística a Poços de Caldas em 2006, a homenagem aos 50 anos de Brasília em 2010 e a comemoração ao aniversário de São Luís, em 2012. Dentre todos, escolhemos a belíssima obra de 1999 sobre a cidade mineira de Araxá (oba-oba), quase unanimidade do carnaval.



Bem, com essa lista a gente prova que essa história de que enredo sobre localidades não gera bom samba é um grande mito. Não estamos tão pouco defendendo essa linha temática, nós queremos mais é que as escolas se reinventem e busquem histórias novas e inspiradas. Afinal, uma hora vão acabar todas as cidades brasileiras capazes de virar um samba digno, não é mesmo? Mas é sempre interessante observar como essa tendência se consolidou nas última décadas, nos fazendo viajar do Oiapoque ao Chuí.  


Bye bye...



Até o próximo 7x1!

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