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Carnavalize

 


por Bernardo Pilotto

Há 61 anos atrás, os sambistas do bairro de Cavalcanti, no subúrbio do Rio de Janeiro, aproveitaram o feriado de 15 de novembro para fundar a G.R.E.S. Em Cima da Hora, originando uma escola de samba que é muito importante para o carnaval carioca e para o carnaval brasileiro. 
 
No começo de sua trajetória, a Em Cima da Hora fez desfiles nos grupos inferiores e foi ganhando espaço, até que no início dos anos 1970 conseguiu chegar no grupo de elite do carnaval (na época, o Grupo 1). Foi nessa década que a escola fez grandes contribuições para os desfiles de escola de samba e para o carnaval como um todo. 

Em 1976, por exemplo, a Em Cima da Hora trouxe para a avenida o enredo "Os Sertões", com um dos maiores sambas-enredo de todos os tempos. Composto por Edeor de Paula, a obra ganhou o Estandarte de Ouro daquele ano. Mesmo assim, muito por conta de um temporal durante o desfile, a escola ficou em 13º lugar e foi rebaixada.

Além de "Os Sertões", outros sambas-enredo da escola também tiveram destaque nessa década: "O Saber Poético da Literatura de Cordel" (de 1973) e “Festa dos Deuses Afro-brasileiros” (de 1974), ambos compostos por Baianinho. 

Nos anos 1980, a Em cima da Hora novamente trouxe um grande samba-enredo, com "33 – Destino Dom Pedro II" (de 1984), também ganhador de Estandarte de Ouro. Para 2021, a escola vai reeditar o samba, aproveitando sua volta para a Sapucaí no Grupo de Acesso.


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por Bernardo Pilotto


Dia 15 de novembro é aniversário da Unidos de Bangu, escola fundada em 1937. É a agremiação mais antiga da Zona Oeste da cidade, na região de diversas instituições carnavalescas importantes. Sua fundação, aliás, tem tudo a ver com a organização do bairro e da população que por lá vivia no começo do século XX. 

Em 1889, surgiu na região a Fábrica de Tecidos Bangu, que acabou trazendo grandes transformações para esse pedaço da cidade, que passou a se urbanizar rapidamente. Em 1903, os operários da fábrica fundaram o Grupo Carnavalesco Flor de Lira, uma das primeiras organizações de folia da região e uma das precursoras da Unidos de Bangu. 

De 1937 a 1956, a Unidos desfilou como bloco na sua própria região. A partir de 1957, já se entendendo como escola de samba, a agremiação passou a desfilar no centro da cidade e no seu primeiro ano já subiu de grupo, participando, portanto, da elite do carnaval em 1958. A presença entre as maiores escolas de samba ainda se repetiu em 1959, 1960 e 1963. 

Depois desse período inicial com grandes êxitos, a Bangu passou a figurar nos diferentes grupos de acesso. Em 1998, após sucessivos problemas administrativos, a escola “enrolou bandeira” e só foi reerguida em 2013, quando voltou a desfilar, agora pelo Grupo C (na época, a quarta divisão). 

De lá pra cá, a escola vem tentando se organizar e tem obtido um relativo sucesso: em 2017 foi campeã do Grupo B e está desfilando desde 2018 na Sapucaí, na Série A. Para o próximo carnaval, a Bangu vai apresentar o enredo "Deu Castor na cabeça", sobre Castor de Andrade, um dos personagens mais icônicos do seu bairro.


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por Bernardo Pilotto

Nesse dia 12 novembro de 2020, a Unidos de Padre Miguel comemora mais um aniversário. Fundada em 1957 a partir do bloco de carnaval do mesmo nome, a escola da Zona Oeste, nos últimos anos, ficou no “quase” para chegar ao Grupo Especial por diversas vezes. 

Nos anos 1950, dois blocos dividiam as atenções do carnaval na Zona Oeste: o “Mocidade do Independente” e o “Unidos de Padre Miguel”. O último, por suas cores, era também conhecido como “Boi Vermelho”. Em 1955, o “Mocidade” se transformou em escola de samba, movimento seguido pelo “Unidos” apenas dois anos depois, com poucos dias de diferença da fundação das duas escolas. 

O primeiro desfile da UPM foi no carnaval de 1959, quando já se consagrou campeã do Grupo 2. Apresentando-se entre as principais escolas em 1960 e 1961, a escola não conseguiu se firmar e acabou sendo rebaixada, voltando ao grupo de elite do carnaval apenas em mais 3 ocasiões: 1964, 1971 e 1972. 

Com o crescimento da Mocidade Independente nos anos 1970, a UPM ficou em segundo plano nas atenções dos foliões do bairro, entrando num período em que na maioria das vezes não emplacou grandes desfiles. Por conta disso, a agremiação chegou a desfilar na terceira divisão no final dos anos 1980. Em 1990, teve seu pior momento, quando não se apresentou. 

Por conta da sua ausência, a escola teve que retornar ao “Grupo de Avaliação”, a quinta divisão dos desfiles no Rio de Janeiro. Tentando retomar seus bons desfiles dos primeiros anos de existência, a Unidos foi se reestruturando e pouco a pouco subindo de divisão, até que em 2010 chegou ao Grupo A. 

O rebaixamento em 2010 não teve o mesmo efeito que os reveses de outros momentos tiveram e a escola voltou à Séria A já em 2013, com a criação da Lierj e a fundição de dois grupos. A partir de 2014, começou a figurar entre as grandes do grupo. 

Com ótimos enredos, boa estrutura financeira e sambas que caíram no gosto popular, a UPM foi vice-campeã do principal grupo de Acesso em 4 ocasiões. E mesmo quando não ficou com o vice a escola quase “chegou lá”: em 2017, por exemplo, sua porta-bandeira Jéssica torceu o joelho durante o desfile. A apresentação, até então arrebatadora, acabou perda notas no segmento do casal e em evolução, que a deixou em 4º lugar, impossibilitando o campeonato. 

Para o próximo carnaval, a UPM vai trazer o enredo "Iroko - É tempo de Xirê" e pretende deixar a sina de “bater na trave” definitivamente de lado. Edson Pereira retorna à agremiação ao lado de sua equipe criativa que assinará o desfile junto com o carnavalesco.  


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por Bernardo Pilotto

Em 10 de novembro de 1969, foi fundada a Acadêmicos do Sossego, escola do Largo da Batalha, em Niterói, que completa hoje seu 51º ano de existência. Muita gente passou a conhecer ela nos últimos a partir de sua chegada à Sapucaí em 2017. Mas, muito antes disso, a escola já se destacava no carnaval niteroiense. 

Como tantas outras agremiações, a Sossego nasceu como um bloco e fazia seus desfiles nos concursos da sua cidade de origem. Foi assim até o início dos anos 1980 quando, já se reconhecendo como escola de samba, ela passou a frequentar grupo de elite do carnaval de Niterói. 

Em 1985, a escola começou a se destacar ao ficar na frente das duas grandes escolas do carnaval niteroiense (Acadêmicos do Cubando e Unidos do Viradouro) e conquistar o 2º lugar, após uma polêmica apuração. Nos anos seguintes, aproveitando-se do espaço aberto a partir da ida das duas maiores agremiações para o carnaval carioca, a Sossego se sagrou tricampeã. Em 1990, a escola sagrou-se novamente campeã. 

Após uma sequência de vice-campeonatos, a escola decidiu se aventurar do outro lado da baía, estreando no carnaval carioca em 1996. Em poucos anos, a escola chegou ao Grupo B, que nessa época se apresentava na Sapucaí. Foi assim, portanto, que a escola teve, em 2002 e 2003, sua primeira passagem pelo principal palco do carnaval. 

Depois de ser rebaixada e também após mudanças na organização dos grupos de acesso na cidade, a Sossego voltou a ficar “na beirada” da Sapucaí em 2013, quando chegou novamente ao Grupo B. Em 2016, com um enredo dos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad (atualmente na Grande Rio) sobre o poeta Manoel de Barros e que contou com um destacado samba-enredo, sem rimas (tal qual as poesias do homenageado), a escola foi a grande campeã do Grupo B e conquistou o direito a voltar para a Sapucaí. 

De lá pra cá, a escola vem se firmando no Grupo de Acesso, trazendo enredos culturais e algumas inovações em seus sambas-enredo. Depois do samba-enredo sem rima, a escola apostou num samba com diálogos de teatro para homenagear Zezé Motta em 2017 e em um samba sem verbos em 2018 para o enredo “Ritualis). Para o próximo carnaval, a escola aposta no enredo “Visões Xamânicas”, com uma promissora participação na Série A. 



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Por Bernardo Pilotto


Foi num dia ‪10 de novembro‬ que a turma que batia bola no Independente Futebol Clube resolveu formalizar a fundação da G.R.E.S. Mocidade Independente de Padre Miguel. Eles já se reuniam há alguns anos e das rodas de samba após os jogos de futebol já havia nascido o bloco “Mocidade do Independente”, em 1953. Dois anos depois, fruto do crescimento do bloco e da rivalidade com outras agremiações da região, os boleiros batuqueiros resolveram fundar a escola. ‬

Nesses 65 anos de história, a Mocidade Independente se tornou umas das grandes e das mais conhecidas escolas do carnaval carioca, sendo campeã em 6 ocasiões. 

Localizado na Zona Oeste da cidade, Padre Miguel sempre foi um bairro de trabalhadores, especialmente aqueles que estavam empregados na Fábrica de Tecidos Bangu. Foi nesse contexto que se formou o Bangu Atlético Clube em 1904 e a G.R.E.S. Unidos de Bangu em 1937, instituições que em muito serviram para o espírito de comunidade e pertencimento dos moradores do bairro. Na região ainda se destacam a G.R.E.S. Unidos de Padre Miguel (fundada em 1957) e a G.R.E.S. Acadêmicos de Santa Cruz (fundada em 1959). 

A Mocidade Independente começou a ganhar destaque nos anos 1970, quando se consolidou na elite do carnaval carioca e passou a contar com o patrocínio de Castor de Andrade, um de seus maiores torcedores. Em 1979 ganhou seu primeiro campeonato, com o enredo "O Descobrimento do Brasil". 

Até então, a escola era mais conhecida pela sua bateria, comandada por Mestre André. Ela foi vanguarda na elaboração de conceitos que hoje são base da maior parte das baterias, como a paradinha (que, em uma de suas versões, pode ter sido criada acidentalmente por Mestre André) e o surdo de terceira, inventado por Tião Miquimba, um ritmista da agremiação. 

Depois de ser vanguarda com a sua bateria, a verde-e-branco da Zona Oeste também ganhou destaque, de 1973 até 1987, com os carnavalescos Arlindo Rodrigues e Fernando Pinto, que inovaram cada um com sua vertente criativo, o primeiro mais ligado ao barroco e a história, já o segundo com narrativas tropicalistas e inovadoras. 

Sua ala de compositores também é responsável por grandes sambas-enredo, como "A Festa do Divino" (1974), "Mãe Menininha do Gantois" (1976), "Como era Verde meu Xingu" (1983), "Ziriguidum 2001, um carnaval nas estrelas" (1985), "Tupinicópolis" (1987), "Sonhar não custa nada, ou quase nada" (1992) e, mais recentemente, "As mil e uma noites de uma 'Mocidade' pra lá de Marrakesh" (2017) e "Namastê: a Estrela que habita em mim, saúda a que existe em você" (2018).

Em 2020, a escola homenageou Elza Soares, uma das mais importantes torcedoras da escola, quem defendeu seus sambas na avenida em alguns carnavais nos anos 1970. Com um desfile bastante marcante, a escola conquistou o 3º lugar. No próximo carnaval, trará o Batuque ao Caçador”, voltando a fazer um enredo da dita temática afro após mais de 40 anos. 




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Texto: Bernardo Pilotto

Hoje é dia de festa em São Mateus, bairro de São João de Meriti, município da Baixada Fluminense vizinho ao Rio de Janeiro: há 68 anos atrás, no dia 03 de novembro de 1952, foi fundada na cidade a Unidos da Ponte, escola de samba que foi pioneira em alguns aspectos da folia e que teve momentos de protagonismo nos anos 1980. 

Depois de desfilar (e ser campeã) em seus primeiros anos no carnaval de São João de Meriti, a Ponte se integrou ao carnaval carioca em 1959. Desta época até 1964, a agremiação foi liderada por Carmelita Brasil, a primeira mulher a presidir uma escola de samba que se tem notícia. Além de dirigir a escola, Carmelita também compunha os sambas-enredo, sendo pioneira também nessa área. 

Com enredos de temas tradicionais do carnaval desse período, como “Homenagem ao Barão de Mauá” (1963) e “Oswaldo Cruz, o Saneador” (1966), a Unidos da Ponte oscilou entre grupos de acesso até o início dos anos 1980, quando começou uma nova fase para a escola. 

Foi com “O Casamento de Dona Baratinha” (1982), um dos primeiros enredos de temática infantil, que a agremiação conquistou seu primeiro acesso ao grupo das principais escolas do carnaval carioca. Nos anos seguintes, mais dois grandes sambas, com “Eles Verão a Deus” (1983) e “Oferendas (1984), marcaram o maior momento da história da Unidos da Ponte. Em um momento em que os desfiles de escola de samba contavam com grande audiência e prestígio, a Ponte ganhava destaque com desfiles alegres e ótimas sambas-enredo. 

Do início dos anos 1980 até meados dos anos 1990, a escola ainda se manteve entre as maiores da folia, desfilando por 10 vezes entre as principais agremiações. Em 1995, ainda no Grupo Especial, sua bateria ganhou o prêmio Estandarte de Ouro.

Após uma sequência de rebaixamentos, a escola ficou fora dos desfiles da Marquês de Sapucaí por muitos anos, fazendo parte das séries subsequentes do carnaval, que desfilam na Intendente Magalhães. Entre 2007 e 2012, a escola chegou a desfilar na quarta divisão.

A partir daí, a Ponte começou um processo de retomada, que culminou com a volta à Sapucaí após vencer o Grupo B em 2018. Com bons desfiles em 2019 e 2020, a Unidos da Ponte se manteve no Grupo de Acesso, garantindo sua presença no sambódromo para o próximo carnaval, quando apresentará o enredo “Santa Dulce dos Pobres - O Anjo Bom da Bahia”.


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por Bernardo Pilotto


Em Duque de Caxias, uma das maiores cidades da Baixada Fluminense, há uma tradição carnavalesca que remonta para o período de fundação do município, nos anos 1940. Nessa época, a escola Cartolinhas de Caxias despontou, chegando a desfilar por três vezes entre as grandes do Rio de Janeiro. Além da Cartolinhas (que deixou o samba “Benfeitores do Universo”, de 1953, como sua marca), havia a União do Centenário, a Capricho do Centenário e a Unidos da Vila São Luís. 

Nos anos 1970, aconteceu uma primeira tentativa de unificação, com a fundação da Grande Rio (sem o “Acadêmicos”). Posteriormente, em 22 de setembro 1988, a Grande Rio se junta com a Acadêmicos Duque de Caxias e surge então a Acadêmicos do Grande Rio, uma das maiores escolas de samba da atualidade. 

Ao longo desses anos, a Grande Rio disputou título, fez enredos históricos, outros nem tanto, ganhou famas boas e ruins e quase sempre esteve desfilando entre as grandes do carnaval, estando 14 vezes entre as 6 primeiras colocadas. 

No início da sua trajetória, a escola caxiense apostou em temáticas identificadas com a negritude. Com bons desfiles, rapidamente chegou ao Grupo Especial, já em 1991. A escola ficou em último lugar, mas se reabilitou com um grandioso desfile e samba ("Águas claras para um rei negro") em 1992, quando foi campeã do Grupo de Acesso, chegando novamente à elite do carnaval em 1993, de onde nunca mais saiu. 

Depois dessa primeira fase muito identificada com a negritude, a escola foi migrando para enredos de caráter histórico. Em 1996, com "Na era dos Felipes o Brasil era espanhol", o samba trouxe o famoso refrão que afirmava “dar um banho de cultura”. E assim seguiu a Grande Rio até o final dos anos 1990, tendo sua melhor colocação em 1999 (6º lugar). 

Foto do desfile de 1996 que trouxe o famoso refrão que marcou a escola. Foto: Wigder Frota. 

Com a virada para o novo século, a escola embarcou na onda de enredos patrocinados e muitas vezes de valor cultural questionável. Também foi a partir dessa época que a escola passou a receber a presença de muitos artistas de televisão. Se olharmos os desfiles, veremos que a Grande Rio acabou ganhando a fama por um fenômeno que se alastrava por quase todas as agremiações. 

Mesmo enfraquecida em quesitos como enredo e harmonia, a agremiação chegou a boas colocações, tendo sido vice-campeã em 2006, 2007 e 2010. Tudo parecia caminhar bem e o título era uma questão de tempo. 

Só que as mudanças que o desfile das escolas de samba passou a viver, a partir especialmente de 2016, fez com que a forma de construir carnaval da Grande Rio ficasse defasada. O alerta definitivo para isso se deu em 2018, quando a escola só não caiu porque uma virada de mesa acabou fazendo com que nenhuma agremiação fosse rebaixada naquele ano, após um problema no carro alegórico.

Foi assim que a Grande Rio resolveu se reconectar com os valores que marcaram o começo de sua trajetória. O primeiro passo disso foi a valorização de nomes da própria escola para o comando de quesitos importantes, como a bateria, com Fafá. Para 2020, contratou os carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, ganhadores do Estandarte de Ouro de melhor escola do Grupo de Acesso em 2018 e 2019 pela Acadêmicos do Cubango. Com enredo "Tata Londirá: O Canto do Caboclo no Quilombo de Caxias", acabou ganhando o vice-campeonato, além de vários prêmios. Aparentemente, o desfile caracterizou uma virada para a história dessa agremiação.

Todo esse processo de mudança e de reconexão com muitas das características que marcaram a escola nos anos 1990 acabou por trazer um novo olhar para a Grande Rio, além de voltar a empolgar muito dos seus componentes. Para o próximo carnaval, ela manteve a dupla de carnavalescos e segue apostando na receita que deu certo em 2020 ao escolher o enredo "Fala, Majeté! Sete chaves de Exu". 

O universo do carnaval só tem a agradecer a essa escolha que a Grande Rio fez. 






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Por Bernardo Pilotto:

Dos anos 1930 a meados dos anos 1960, duas escolas de samba rivalizavam para ser a maior da região da Leopoldina, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Além da grande rivalidade entre si, Aprendizes de Lucas e Unidos do Capela também disputavam de igual para igual com Portela e Mangueira, chegando a alguns vice-campeonatos (a Aprendizes foi vice-campeã em 1950, 1951 e 1960) e a dois títulos (a Unidos do Capela foi campeã em 1950 e 1960).

A ideia de unificá-las, seguindo o exemplo do que acontecera no Morro do Salgueiro, parecia certeza de sucesso. Mas não foi bem assim…

Fundada em 01º de maio de 1966, a Unidos de Lucas acabou nunca se firmando entre as grandes do carnaval, por vários motivos. A rivalidade pré-união acabava sendo motor para as duas escolas crescerem, assim como a violência urbana na localidade da agremiação era forte. A Unidos de Lucas, então, acabou sendo uma daquelas escolas que estão sempre lutando para não enrolar a bandeira, com alguns lampejos de bons momentos.

E alguns desses “bons momentos” foram, na verdade, gigantes. Em 1968, apenas no seu segundo desfile, a escola veio pra avenida com um dos grandes sambas-enredo da história: Sublime Pergaminho. Composto por Carlinhos Madrugada, Zeca Melodia e Nílton Russo para o enredo de Clovis Bornay, o samba tem passagens belíssimas, como a descrição do momento em que é assinada a Lei Áurea. Marcando os 80 anos da abolição formal da escravidão, esse desfile possui uma temática que pode servir de inspiração outros momentos da folia, como na apresentação da Mangueira em 1988 e do Paraíso do Tuiuti em 2018. 


 Depois de 1968, a Unidos de Lucas voltou a emplacar pelo menos mais 3 grande sambas: em 1976 (com “Mar Baiano em Noite de Gala”, que ganha destaque mesmo no ano de uma das melhores safras de sambas-enredo de todos os tempos), 1982 (com “Lua Viajante”, em homenagem a Luiz Gonzaga) e 1983 (com “Senta Que o Leão É Manso”, que acaba fazendo parte dos enredos críticos da década). Os dois últimos foram ganhadores do prêmio Estandarte de Ouro de melhor samba no Grupo 1B - a segunda divisão da época. Ainda nos anos 1980, a escola bateu na trave na busca de conquistar a vaga para o desfile principal.

Posteriormente, seguiu alternando desfiles nos grupos de acesso, chegando a desfilar na sexta (e última) divisão em 2011. De lá pra cá, a escola voltou a subir na escala de grupos, chegando a desfilar na Série B em 2019, então terceira divisão. Atualmente, integra a LIVRES, liga que reúne escolas insatisfeitas com a organização dos desfiles da Intendente Magalhães.
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Por Bernardo Pilotto:


Fundada em 13 de março de 1991, a Acadêmicos do Vigário Geral é uma das caçulas dos desfiles da Marquês de Sapucaí. Após vencer a Série B em 2019, a escola voltou ao palco maior do carnaval em 2020, conquistando o 11º lugar, o que lhe garantiu a permanência na Série A em 2021.

Apadrinhada pela União da Ilha (por isso a escolha das cores azul, vermelho e branco), a Vigário Geral foi criada a partir do bloco Carinho e desfilou pela primeira vez em 1992, com um enredo em homenagem a Copacabana.

Depois de chegar a Sapucaí em 1994 (na época o desfile da Série B também era no local), a escola alternou carnavais entre as Séries C e D,a na Intendente Magalhães, até 2016. De lá  pra cá, a partir do trabalho dos carnavalescos Alexandre Costa, Lino Salles e Marcus do Val, a agremiação vem num movimento de ascensão entre as divisões, que culminou na chegada a Série A em 2020.

Na sua volta à Sapucaí, com o enredo O Conto do Vigário, a escola ganhou destaque por conta de um desfile com um viés crítico ao presidente Jair Bolsonaro, retratado num tripé como um palhaço.
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